quarta-feira, 30 de novembro de 2016

A ALIANÇA DE DEUS CONOSCO

Uma aliança é um pacto feito por duas partes para atingir determinado objetivo comum que beneficia a elas. As partes entram em aliança porque percebem haver vantagens.

Para que a aliança se sustente, normalmente é preciso que as partes cumpram certas condições pré-estabelecidas. E é comum também que as alianças tenham um certo símbolo (sinal) para indica estarem em vigor.

Exemplos de alianças são os pactos de defesa mútua entre países, como o Tratado do Atlântico Norte (OTAN), visando defender a Europa da Rússia. Ou acordos comerciais entre empresas, para dividir recursos logísticos, para apoio mútuo nos esforços de marketing, etc.

Agora, o tipo de aliança mais comum é o casamento. As partes (noivos) entram em acordo com o objetivo de constituir uma nova família. E por esse acordo, definem até como os bens serão tratados (em comunhão ou em separação) depois da união.

A condição para a manutenção do casamento é a honestidade de propósitos das partes, caracterizada pela fidelidade sexual, pela garantia de cuidados mútuos, pela moradia debaixo de um único teto, etc. E o símbolo dessa aliança é o anel que cada parte passa a usar na mão esquerda, não por acaso chamado de "aliança".

A aliança com Deus 
A Bíblia fala de várias alianças feitas por Deus com os seres humanos. Nelas Deus é quem dá tudo, pois não há nada que Ele precise receber das pessoas com quem entra em aliança. Mas pode haver condições que as pessoas precisam cumprir para se manter em alainça com Deus.

Um excelente exemplo desse tipo de acordo é a aliança de Deus com Abraão (Gênesis capítulo 12, versículos 1 a 3). Nessa aliança, Abraão representou não somente a si mesmo, mas também seus descendentes (o povo de Israel).

O objetivo de Deus com essa aliança foi preparar um povo que servisse de exemplo para toda a humanidade, mergulhada na idolatria e tomasda por comportamento corrupto. E era no meio desse povo que iria nascer o Messias (Jesus).

As vantagens para Abraão foram inúmeras. Garantiu uma descendência (que até então não tinha herdeiros oficiais) e recebeu posse da Terra Prometida (Palestina), sem contar outras bençãos de natureza material e espiritual.

A condição básica para Abraão e seus descendentes manterem essa aliança era a fidelidade a Deus - embora, em diversos momentos da sua história o povo de Israel tenha se desviado, essa aliança nunca foi rompida por Deus, embora algumas vantagens relacionadas com ela, como a posse da Terra Prometida, tenham sido perdidas.

O sinal dessa aliança era a circuncisão, obrigatória para todo bebê do sexo masculino, com oito dias de vida.

Aliança de Deus conosco
Isso tudo nos interessa de perto porque há outra aliança com Deus em vigor hoje em dia, essa abrangendo não somente um povo, mas todos(as) aqueles(as) que escolherem nela entrar, incluindo nós. Ela é conhecida como "Aliança da Graça".

Esse pacto é necessário porque todos os seres humanos pecam - fazem aquilo que não agrada a Deus. E isso é consequência direta do livre arbítrio, isto é, do direito que cada ser humano tem de fazer suas próprias esclhas. E ao pecar, os seres humanos são passíveis de justa punição por parte de Deus, que é santo e não tolera o pecado.

Portanto, todos nós seríamos punidos estarímaos perdidos, se Deus não tivesse estabelecido conosco a Aliança da Graça, que funciona assim: Jesus se sacrificou por nós na cruz e levou sobre si os nosos pecados. Assim, quem entender que é pecador(a) e aceitar Jesus como Salvador, tem seus pecados perdoados e re-estabelece sua relação com Deus, recebendo dele a vida eterna. 

A Aliança é pela Graça porque não fazemos nada para merecer aquilo que recebemos. Só recebemos os benefícios relacionados com essa Aliança por causa da Graça de Deus derramada sobre nós. Simples assim.

Agora, o que talvez você não saiba é que essa Aliança foi concebida antes da criação do mundo. Veja o que a Bíblia diz:
Sabendo que não foi com coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados da vossa vã maneira de viver... Mas com o precioso sangue de Cristo, como de um cordeiro imaculado e incontaminado. O qual, na verdade, em outro tempo foi conhecido, ainda antes da fundação do mundo, mas manifestado nestes últimos tempos por amor de vós. 1 Pedro capítulo 1, versículos 18 a 20
Em outras palavras, antes mesmo do mundo ser criado, o Filho (Jesus), já era conhecido como "cordeiro" (sacrifício) sem mácula. E essa é uma constatação maravilhosa.

Para que esse plano funcionasse, foi preciso esatabelecer que o Filho (Jesus), seria um representante da raça humana. E para isso ele encarnou, ou seja se fez como um de nós (Romanos capítulo 5, versículos 18 a 21).

O Filho aceitou esse sacrifício voluntariamente, fazendo a vontade do Pai (Hebreus capítulo 10, versículos 7 a 9 e Filipenses capítulo 2, versículos 8). O Espírito Santo , por sua vez, também fez a vontade do Pai e do Filho, dando-lhe poder, quando viveu entre nós, e depois entrando na vida dos seres humanos para levá-los ao bom caimho (Lucas capítulo 4, versículos 1, 14 e 18).

A nova aliança, a baseada na Graça, é melhor que aquela que Deus tinha feito com Abraão, porque abrange todo mundo, enquanto na aliança anterior somente os descendentes de Abraão estavam contemplados. Depois, porque ela oferece a Graça de Deus, enquanto a aliança com Abraão tinha como base aquilo que o povo de Israel viesse a fazer.

A própria Bíblia reconhece que a Aliança da Graça é superior - veja o que disse o profeta Jeremias, homem que estava debaixo da aliança feita com Abraão:
Eis que dias vêm, diz o Senhor, em que farei uma aliança nova com a casa de Israel e com a casa de Judá. Não conforme a aliança que fiz com seus pais... Mas esta é a aliança que farei... : Porei a minha lei no seu interior e a escreverei no seu coração. E eu serei o seu Deus e eles serão o meu povo... Jeremias capítulo 31, versículos 31 a 34
E foi o próprio Jesus quem explicou a abrangência desse novo pacto, firmado com seu sacrifício na cruz:
E, quando comiam, Jesus tomou o pão e abençoando-o, o partiu, o deu aos discípulos e disse: "Tomai, comei, isto é o meu corpo". E tomando o cálice, dando graças, deu-o dizendo: "Bebei dele todos. Porque isto é o meu sangue, o sangue da nova aliança, que é derramado por muitos, para remissão dos pecados. Mateus capítulo 26, versículos 26 a 28
Amém

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

O GPS DE ABRAÃO

Deus chamou Abraão e mandou que ele deixasse tudo e fosse para a Terra Prometida (Canaã). 

Foi uma longa jornada, desde a Mesopotâmia até lá. E Abraão precisou ser guiado. Precisou, assim como nós, hoje em dia, de um GPS para lhe ensinar qual era a melhor rota.

O GPS de Abraão foi o próprio Deus, que lhe mostrou o caminho a seguir e o protegeu de todos os perigos. Assim como Deus fez com Abraão, Ele também pode fazer com você. Veja mais neste novo vídeo:

[youtube]qK6zjjtmg4o[/youtube]

sábado, 26 de novembro de 2016

DÚVIDAS BOAS E DÚVIDAS RUINS


Recentemente discuti aqui se seria pecado ter dúvidas espirituais. Comentei que todo mundo tem dúvidas na sua caminhada espiritual e, portanto, não há pecado nisso. E a dúvida pode até ser boa, caso o processo de resolvê-la leve a pessoa a evoluir na sua fé (veja mais).

Naquela discussão, concentrei-me num tipo específico de dúvida, a intelectual, aquela que só pode ser eliminada com respostas claras e objetivas. A dúvida intelectual simplesmente desaparece quando a resposta certa aparece.

Vamos ver um exemplo disso na Bíblia. O caso aconteceu com o apóstolo Tomé, que disse só acreditaria na ressurreição de Jesus com provas concretas:
Tomé, chamado Dídimo, um dos Doze, não estava com os discípulos quando Jesus apareceu. Os outros discípulos lhe disseram: "Vimos o Senhor! " Mas ele lhes disse: "Se eu não vir as marcas dos pregos nas suas mãos, não colocar o meu dedo onde estavam os pregos e não puser a minha mão no seu lado, não crerei"... Jesus entrou... e disse a Tomé: "Coloque o seu dedo aqui. Veja as minhas mãos. Estenda a mão e coloque-a no meu lado. Pare de duvidar e creia". Disse-lhe Tomé: "Senhor meu e Deus meu! " Então Jesus lhe disse: "Porque me viu, você creu? Felizes os que não viram e creram". João capítulo 20, versículos 24 a 29
Tomé duvidou, mas quando recebeu as provas da ressurreição, aceitou e adorou Jesus. Simples assim. E repare que Jesus foi paciente com ele, dando-lhe as provas pedidas e apenas comentou que quem tinha uma fé maior do que Tomé - não precisava ver para crer - era mais feliz.

Conforme já disse, esse tipo de dúvida costuma ser bom porque ajuda a pessoa a crescer espiritualmente. E a dúvida intelectual só costuma virar um problema importante quando é negado à pessoa em dúvida a liberdade para questionar e encontrar a resposta que precisa. 

Aí a dúvida intelectual permanece dentro da pessoa sem ser resolvida, "infecionando" seu pensamento, e pode acabar se transformando em outro tipo de dúvida, mais difícil de tratar. 

O segundo tipo de dúvida é a emocional, cuja origem costuma ser o sofrimento, que leva a pessoa, por exemplo, a duvidar se está no caminho espiritual certo ou até se foi abandonada por Deus.

Vamos ver um exemplo bíblico ocorrido com João Batista, quando ele estava preso e já sabia que iria morrer. Ele mandou dois discípulos procurarem Jesus para averiguar se Ele era mesmo o Messias tão esperado:
Os discípulos de João contaram-lhe todas essas coisas [sobre Jesus]. Chamando dois deles, João enviou-os ao Senhor para perguntarem: “És tu aquele que haveria de vir ou devemos esperar algum outro?” Dirigindo-se a Jesus, aqueles homens disseram: “João Batista nos enviou para te perguntarmos se És tu aquele que haveria de vir ou devemos esperar algum outro?” Naquele momento Jesus curou muitos que tinham males, doenças graves e espíritos malignos, e concedeu visão a muitos que eram cegos. Então ele respondeu aos mensageiros: "Voltem e anunciem a João o que vocês viram e ouviram..." Lucas capítulo 7, versículos 18 a 22 
A dúvida emocional de João Batista é plenamente compreensível: ele estava condenado a morrer e queria ter certeza que sua missão, como o precursor do Messias, não tinha sido em vão. Por isso queria ter certeza que Jesus era mesmo o Messias.

Jesus respondeu fazendo milagres, demonstrando seu poder, e deixou a conclusão final para o próprio João Batista. Repare que Jesus não se aborreceu por João ter duvidado, pois entendeu perfeitamente a dificuldade dele. 

Frequentemente, costuma haver uma raiz de dúvida intelectual, nunca esclarecida, no meio desse processo todo. Por exemplo, imagine que a pessoa entenda a frase "tudo colabora para o bem daqueles que amam a Deus" (Romanos capítulo 8, versículo 28) como uma promessa dando-lhe garantia de proteção divina plena. 

Aí aparece um problema sério na vida dela e a pessoa fica confusa: como isso foi possível? Deus não tinha prometido protegê-la? A dúvida se instala e a pessoa pode até passar a pensar que Deus não se importa muito com ela. Não a ama de fato.

E se a dúvida intelectual não for rapidamente esclarecida, isto é, se não for explicado para essa pessoa que a tal promessa não existe, a dúvida emocional só vai crescer e pode destruir a fé da pessoa. 

O comportamento de Jesus com João Batista dá uma pista de como a dúvida emocional deve ser tratada. Ele forneceu informações (fez milagres e mostrou seu poder) para resolver a dúvida intelectual e demonstrou compreensão e paciência com os sentimentos feridos de João. E não pressionou Joa a se posicionar: deixou que ele olhasse para as informações e tirasse suas próprias conclusões. 

O terceiro tipo de dúvida nasce na vontade da pessoa. Esse é o tipo de dúvida mais difícil de tratar, pois diferente dos demais casos, a pessoa duvida por que quer duvidar e se sente confortável assim. Ela deixa de ter motivação para deixar de duvidar. 

Um bom exemplo desse tipo de situação pode ser percebido em alguns ateus. Vi um vídeo onde o palestrante, um cristão, perguntou a diversas pessoas que se diziam ateias se elas mudariam de posição, caso ele conseguisse provar que o cristianismo era verdadeiro. E várias tiveram a sinceridade de dizer que não. 

Há na Bíblia um exemplo de dúvida desse tipo, que fica evidente num debate entre Jesus e os fariseus. Esses viviam em guerra teológica com Jesus, questionando tudo que Ele ensinava. E certa vez pediram a Jesus um sinal que comprovasse seu ministério:
Então alguns dos fariseus e mestres da lei lhe disseram: “Mestre, queremos ver um sinal milagroso feito por ti”. Ele respondeu: Uma geração perversa e adúltera pede um sinal milagroso! Mas nenhum sinal lhe será dado, exceto o sinal do profeta Jonas. Pois assim como Jonas esteve três dias e três noites no ventre de um grande peixe, assim o Filho do homem ficará três dias e três noites no coração da terra. Mateus capítulo 12, versículos 38 a 40
Repare como Jesus foi duro na sua resposta aos fariseus, chamando-os de "geração perversa e adúltera" e se recusou a fazer o que eles pediram.

Jesus reagiu de forma totalmente diferente com o apóstolo Tomé ou João Batista. Com esses dois outros, Ele teve paciência e consideração, mas não com os fariseus. E foi assim por causa da natureza da dúvida desses últimos.

A "dúvida da vontade" é aquela em que a pessoa se sente confortável em duvidar. Suas dúvidas deixam de ser um problema. Ela assume a posição de dizer para Deus: "fica na sua, que eu fico na minha". E é muito difícil mudar esse tipo de situação.

Concluindo, dúvidas acontecem com todo mundo. E o ato de duvidar, em si, não é errado e nem pecado. É natural. A questão é o que você faz com suas dúvidas.

É preciso tratá-las adequadamente, procurando as respostas certas e, se for preciso, ajuda de outras pessoas, para não deixar essas dúvidas "infectarem" sua mente. Só isso.

Com carinho

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

É PRECISO ACERTAR TANTO NA FORMA COMO NO CONTEÚDO

Persegui os seguidores deste Caminho [os cristãos] até a morte, prendendo tanto homens como mulheres e lançando-os na prisão, como o podem testemunhar o sumo sacerdote e todo o Conselho, de quem cheguei a obter cartas para seus irmãos em Damasco. E fui até lá, a fim de trazer essas pessoas a Jerusalém como prisioneiras, para serem punidas. Por volta do meio-dia, aproximava-me de Damasco, quando de repente uma forte luz vinda do céu brilhou ao meu redor. Caí por terra e ouvi uma voz que me dizia: "Saulo, Saulo! Por que você me persegue?" Atos dos Apóstolos capítulo 22, versículos 4 a 8
O texto acima conta a história da conversão de Paulo, quando pela estrada de Jerusalém para Damasco. Sua ideia era liderar a perseguição aos cristãos na segunda cidade. Foi quando teve uma visão de Jesus e acabou se convertendo.

A missão de Paulo em Damasco tinha sido sancionada pelos líderes religiosos judeus, conforme ele mesmo disse, daí as cartas de autorização que levava consigo. Paulo ia fazer uma ação respeitando a forma correta, pois estava devidamente autorizado por quem de direito. Mas é claro que o conteúdo dessa ação estava totalmente errado, conforme Jesus lhe disse.

Em resumo, Paulo ia fazer uma ação errada mesmo usando a forma certa. E certamente iria cometer um pecado terrível.

Agora, imagine que o mesmo Paulo estivesse indo para Damasco para perseguir um criminoso terrível, mas tivesse resolvido fazer isso sem consultar ninguém, portanto sem ter recebido autorização a necessária. Isso seria semelhante à situação em que um policial conduz uma busca na casa de um bandido, sem o necessário mandato judicial.

A situação, nesse segundo caso, seria a oposta do primeiro: Paulo estaria fazendo a coisa certa (combater um bandido) mas usando a forma errada (agindo sem a autorização adequada). E isso também teria sido errado. 

Esses exemplos comprovam que nossos atos, para trazerem resultados positivos, precisam respeitar duas condições: a forma certa e o conteúdo correto.

Encontramos a toda hora situações práticas em que uma ou outra dessas condições não é atendida e os resultados são sempre ruins. Um exemplo muito adequado é a operação chamada "Castelo de Areia" da Polícia Federal, cujo foco era uma grande empreiteira envolvida na corrupção de políticos(as).

Essa operação foi uma espécie de precursora da "Lava Jato", mas seu resultado foi totalmente diferente. Ela fracassou pois foi totalmente anulada pelo Supremo Tribunal Federal. E a razão para isso foi simples: ela nasceu da forma errada.

A primeira escuta telefônica, que puxou o fio da meada da corrupção, foi autorizada por um juiz a partir de uma denuncia anônima, o que é irregular. E a partir daí, tudo o que decorreu dessa escuta tornou-se irregular e caiu por terra. A coisa certa - uma operação para combater a corrupção - fracassou porque foi usada a forma errada - uma escuta telefônica ilegal. 

Usar a forma correta, portanto, é importante e não somente no meio jurídico, mas em quase todos os demais campos da vida humana, incluindo a religião.

Assim, não foi por acaso que, no livro do Êxodo, Deus definiu inúmeros detalhes de como o culto religioso dos judeus deveria ocorrer, incluindo coisas como a arquitetura do Templo de Jerusalém, as festas religiosas que precisariam ser respeitadas, qual o papel dos sacerdotes nelas e assim por diante.

A forma é importante e por isso os cultos seguem uma liturgia, isto é uma definição de como devem ser conduzidos e por quem.

Agora, a forma não é tudo, como o caso de Paulo acima bem demonstrou. Ele tinha as necessárias cartas de autorização e ainda assim estava errado, pois o conteúdo de suas ações, aquilo que ia fazer, estava errado.

Fazer a coisa errada, mesmo que da forma certa, também é caminho para o desastre. E há outro exemplo muito bom desse mesmo tipo de situação na Bíblia, no seguinte texto:
Eu odeio e desprezo suas festas religiosas. Não suporto suas assembleias solenes. Mesmo que vocês me tragam holocaustos e ofertas de cereal, isso não me agradará. Mesmo que me tragam as melhores ofertas de comunhão, não darei a menor atenção a elas. Afastem de mim o som das suas canções e a música das suas liras. Amós capítulo 5, versículos 21 a 23
Nesse texto, Deus advertiu o povo, através do profeta Amós, que as cerimônias religiosas, embora corretas na forma, já que seguiam a liturgia estabelecida, ainda assim era insuportáveis para Ele. O problema era o seu conteúdo: não eram feitas de forma sincera pois eram hipócritas. Pareciam corretas, quando se olhava apenas a forma, mas não agradavam a Deus. 

A forma correta escondendo um conteúdo errado infelizmente é um problema muito comum nas igrejas cristãs. Por exemplo, quando Martinho Lutero pediu ao Papa que reformasse a Igreja Católica, ele estava lutando com um problema desse tipo: a Igreja conduzia cerimônias belíssimas, em templos ricamente decorados, apoiadas por música inspirada. Mas faltava-lhes o conteúdo correto: a doutrina apresentada era absurda, ensinando, por exemplo, que a salvação podia ser comprada (as indulgências).

Problema semelhante acontece hoje em dia em várias igrejas evangélicas, cujos cultos ensinam que Deus prometeu prosperidade para as pessoas, especialmente para aquelas que contribuírem generosamente.

Uma ação somente gerar bons resultados se tiver forma e conteúdo adequado. Quando for feita a coisa correta da forma certa. Por exemplo, se for você for conversar com alguém, para convencer essa pessoa a mudar sua vida pecaminosa, é preciso ensinar a coisa correta (falar da Graça de Deus que permite o perdão dos pecados), mas também usar a forma certa (como um tom de voz e palavras educados).

Forma e conteúdo andam juntos e são ambos necessários para conseguir os resultados desejados. Simples assim.

Com carinho

terça-feira, 22 de novembro de 2016

A BÍBLIA MANDA NÃO CONFIAR EM NINGUÉM?

Assim diz o Senhor: "Maldito é o homem que confia nos homens... Jeremias capítulo 17, versículo 5
Outro dia discuti aqui no site se seria pecado dar fiança para outra pessoa (veja mais), coisa que não acredito ser errada e proibida pela Bíblia.

Conversando sobre essa questão, neste último fim de semana, alguém citou o versículo de Jeremias, que abre este post, que parece proibir depositar confiança em outro ser humano. Sendo assim, a fiança parece estar proibida por causa disso.

O problema com essa interpretação é que o texto de Jeremias não fala apenas sobre fiança e sim sobre confiança de forma geral. Assim, estaria proibida não somente a fiança, mas também que o marido depositasse confiança na própria mulher e vice-versa. Afinal, são dois seres humanos confiando um no outro.

Como também seria proibido que o pai confie no próprio filho e vice versa. E mais ainda que o(a) cristão(â) deposite confiança no(a) próprio(a) pastor(a). E até que esse(a) pastor(a) confie no(a) no(a) seu(sua) bispo(a).

Em outras palavras, se aceitarmos essa interpretação, não estaria sendo proibida apenas a fiança, mas também qualquer outra relação de confiança. E a vida em sociedade seria impossível.

Ora, a Bíblia está cheia de situações onde pessoas confiaram umas nas outras - um belo exemplo é a Igreja Apostólica, onde as pessoas tinham tudo em comum e cabia aos apóstolos distribuir os bens de acordo com a necessidade de cada uma (Atos dos Apóstolos capítulo 2, versículos 42 a 47). Portanto, essa interpretação não pode estar certa. 

Esse interpretação desse versículo de Jeremias demonstra claramente o perigo de analisar um versículo fora do seu contexto - fazer isso torna possível chegar a qualquer conclusão. Vamos então voltar ao texto de Jeremias e ver o que está acontecendo. Mas agora, vou transcrever a passagem completa:
Assim diz o Senhor: "Maldito é o homem que confia nos homens, que faz da humanidade mortal a sua força, mas cujo coração se afasta do Senhor. Ele será como um arbusto no deserto; não verá quando vier algum bem. Habitará nos lugares áridos do deserto, numa terra salgada onde não vive ninguém. Mas bendito é o homem cuja confiança está no Senhor, cuja confiança nele está. Ele será como uma árvore plantada junto às águas e que estende as suas raízes para o ribeiro. Ela não temerá quando chegar o calor, porque as suas folhas estão sempre verdes e não ficará ansiosa no ano da seca, nem deixará de dar fruto". Jeremias capítulo 17, versículos 5 a 8
Repare que o profeta não está discutindo se seres humanos podem ou não confiar uns nos outros. Ele está criticando quem confia mais em outro ser humano do que em Deus. 

E não importa, nesse caso, em quem se está depositando tal confiança irrestrita - marido(esposa), filho(a), amigo(a), pastor(a), chefe, Presidente da República, etc. Pode ser a melhor pessoa do mundo e ainda assim isso está errado. E é pecado. 

Afinal, quem confia mais em outro ser humano do que em Deus, está colocando essa outra pessoa no lugar d´Ele e, por causa disso, comete pecado, pois há um mandamento que proíbe colocar qualquer coisa diante de Deus (Êxodo capítulo 20, versículos 2 e 3). E é desse pecado que decorre a maldição incluída pelo profeta Jeremias nesse texto.

E isso faz todo sentido. Afinal, nenhum ser humano, por melhor intencionado que seja, pode dar total garantia a outra pessoa. Isso simplesmente não é possível. No texto, citado acima, onde discuti a questão da fiança, eu lembrei o caso de um amigo meu - pessoa muito séria -, para quem dei fiança e que morreu inesperadamente. E naturalmente, ela não pode me pagar e eu fiquei com o prejuízo. 

Portanto, a confiança absoluta do ser humano só pode ser depositada em Deus. É para Ele que devemos olhar, quando buscamos garantia plena.

Agora, isso não quer dizer que não podemos ou devemos confiar em outras pessoas. Isso é absolutamente necessário para viver em sociedade. Mas esse tipo de confiança nunca pode ser igual àquela que temos em Deus. Só isso.

Com carinho

domingo, 20 de novembro de 2016

A PALAVRA IRADA

Muita gente tem problema para controlar a palavra irada. Aquela que sai da boca no momento da raiva. Quando o autocontrole falha. 

É aí que a pessoa acaba dizendo o que não gostaria ou deveria. E causa problemas, tanto para si mesma como para os outros.

Não é fácil controlar a palavra irada e sei disso na minha própria carne, pois lutei contra esse problema por muito tempo. E consegui superá-lo. 

Veja como é possível fazer isso neste novo video:

[youtube]iwZDbloGf5U[/youtube]


sexta-feira, 18 de novembro de 2016

É PECADO SER FIADOR DE OUTRA PESSOA?

Será que a Bíblia proíbe um(a) cristão(ã) de ser fiador(a) de outra pessoa? Confesso que fui surpreendido com essa pergunta, que recebi poucos dias atrás. E mais surpreso ainda fiquei ao saber que várias igrejas evangélicas proíbem essa prática aos seus membros, por ser considerada pecaminosa.

Acredito não ser pecado dar fiança para outra pessoa. Não há nada na Bíblia que proíba essa prática. E para justificar essa resposta, vou analisar os três textos mais comumente usados por quem afirma que dar fiança é pecado:
Meu filho, se você serviu de fiador do seu próximo, se, com um aperto de mãos, empenhou-se por um estranho e caiu na armadilha das palavras que você mesmo disse, está prisioneiro do que falou. Então, meu filho, uma vez que você caiu nas mãos do seu próximo, vá e humilhe-se. Insista, incomode o seu próximo! Não se entregue ao sono, não procure descansar. Livre-se como a gazela se livra do caçador, como a ave do laço que a pode prender. Provérbios 6, versículos 1 a 5
Quem serve de fiador certamente sofrerá, mas quem se nega a fazê-lo está seguro. Provérbios capítulo 11, versículo 15
O homem sem juízo, com um aperto de mãos se compromete e se torna fiador do seu próximo. Provérbios capítulo 17, versículo 18
Repare que esses três textos não proíbem a prática da fiança. Falam sim do risco envolvido - o primeiro deles chega ao ponto de recomendar fortemente a quem tiver caído nessa "armadilha", encontrar uma forma de se livrar de tal responsabilidade.

E como não há proibição explícita, fica claro que não é pecado ser fiador(a). Tanto é assim, que há na Bíblia um caso de alguém que precisou dar fiança e o texto bíblico não faz qualquer crítica a essa pessoa. 

Em Gênesis capítulo 43, versículo 9, Judá deu ao seu pai a própria vida em fiança pela vida do irmão mais novo, Benjamim, garantindo que o caçula da família voltaria são e salvo de uma viagem ao Egito. E tudo deu certo.

O problema com a fiança não é o pecado e sim de outra natureza: os riscos envolvidos. Ser fiador(a) é o mesmo que dizer para a outra pessoa: "se você não conseguir pagar sua dívida, pode deixar que eu pago". E isso não é pouca coisa.

E os riscos muitas vezes nem são percebidos - certa vez, dei fiança para um amigo que morreu. Naturalmente, eu não esperava que isso acontecesse. A dívida não pode ser paga por ele e eu precisei arcar com o prejuízo. 

Fiança não é pecado, mas envolve risco. Simples assim.

Com carinho

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

O MAL ESTAR NA CIVILIZAÇÃO

A eleição de Donald Trump para Presidente dos Estados Unidos foi vista com grande espanto pela opinião pública mundial. As pessoas ainda se perguntam como foi possível um político com as características de Trump - racista, machista, passado pouco recomendável e defensor de políticas públicas irresponsáveis - ter sido aceito por uma grande parte do eleitorado do país mais rico e poderoso do mundo. 

Os analistas políticos têm sido unânimes em apontar um fator preponderante para esse resultado: a enorme insatisfação de boa parte da população norte-americana, especialmente aquela composta por brancos com baixo nível de educação. Esse grupo viu seu padrão de vida ser muito afetado pela globalização, fruto da migração dos empregos industriais menos qualificados para outros países, onde a mão de obra é mais barata. Por causa disso, uma região do norte dos Estados Unidos, chamada de "Cinturão da Ferrugem", é hoje um cemitério de fábricas e cidades.

O fenômeno do "mal estar" social também pôde ser percebido no Reino Unido (Inglaterra, Escócia, Irlanda do Norte e País de Gales), quando esse país votou por sair da União Européia. A causa ali foi um pouco diferente - a proteção da própria economia da invasão de imigrantes vindos de países mais pobres.

Em ambos os casos, vimos o tal "mal estar" levando as pessoas a fazerem escolhas erradas, que vão ter consequências sérias para seu futuro. E o mesmo pode acontecer na França, onde a direita radical vem crescendo, e em outros países europeus. 

O mesmo "mal estar social" também pode ser notado no Brasil, embora suas causas sejam um pouco diferentes - aqui, os problemas são a recessão, a corrupção, a péssima qualidade dos serviços públicos, etc. Cerca de 40% do eleitorado brasileiro (soma das pessoas ausentes da eleição e das que votaram em branco ou nulo) não quis fazer uma escolha na última eleição municipal. E candidatos que se apresentaram como "não políticos", como o Prefeito eleito de São Paulo, ganharam com facilidade.

Outros sinais do mesmo fenômeno são a súbita notoriedade de políticos que defendem uma agenda de direita radical, os inúmeros protestos (invasões de escolas, ocupações de instalações públicas, etc) fomentados por grupos de esquerda também radical e a guerra contínua de opiniões nas redes sociais, onde se tornou frequente a troca de ofensas e o assédio moral. 

O fenômeno do "mal estar social"
Sigmundo Freud, o pai da psicanálise, foi o primeiro cientista social a analisar esse fenômeno, num livro famoso, intitulado "O mal estar na civilização". Ele ensinou que o tal "mal estar" é fruto das tensões sociais causadas pela necessidade do ser humano conter seus piores impulsos para conseguir viver em sociedade. E tal contenção é necessária porque o ser humano não é naturalmente bom e gentil.

O cristianismo concorda com Freud que o ser humano tem uma tendência a praticar o mal. Segundo a Bíblia, se formos deixados por nossa própria conta, acabaremos por escolher aquilo que é errado (o pecado).

Mas Freud e a doutrina cristã divergem na fórmula proposta para curar o "mal estar social". O primeiro sugeriu que o caminho é investir na educação e no uso de procedimentos psicanalíticos, que levariam as pessoas a se conhecer melhor e aprender a lidar bem com suas dificuldades e limitações.

A visão cristã
O cristianismo, embora não seja contra a educação ou a psicanálise, entende que isso não basta. É preciso uma mudança interior - a metáfora usada é "nascer de novo" -, que só pode ser conseguida a partir da ação do Espírito Santo em nas vidas das pessoas, convencendo-as dos seus erros e ensinando-lhes os caminhos certos, que as levarão a ficar mias próximas de Deus.

Outra forma de dizer a mesma coisa é reconhecer que, para a doutrina cristã, o "mal estar na civilização" deve-se à ausência de Deus nas vidas das pessoas. E quanto mais falta Deus faz, mais esse "mal estar" aumenta.

Soluções desesperadas, como eleger políticos messiânicos como Trump, fechar as fronteiras do país para imigrantes pobres, realizar protestos cada vez mais violentos e assim por diante, não adiantam nada. E só pioram as coisas - acaba por haver um alívio de curto prazo e depois o "mal estar" só aumenta. 

Enquanto a sociedade não entender que a solução está em Deus, e só n´Ele, esse fenômeno infelizmente só vai aumentar.

Com carinho

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

AS ESCOLHAS ESTRANHAS DE DEUS...

O povo de Israel sofria num cativeiro cruel no Egito, quando Deus mandou um libertador. Esse homem foi Moisés, que liderou o povo de israel durante mais quarenta anos. 

A escolha de Moisés, quando olhada de fora, parece fazer todo sentido. Afinal, ele tinha sido criado como príncipe no Egito e, portanto, era muito mais preparado do que todos os demais israelitas, que sempre tinham vivido como escravos. 
Mas um caso como esse, onde Deus escolheu uma pessoa que parece adequada dentro dos padrões humanos, é a exceção. A regra, conforme os relatos bíblicos, é Deus fazer escolhas que parecem estranhas aos nossos olhos. Muito estranhas mesmo. E vou dar alguns exemplos:

João Batista foi o profeta escolhido por Deus para antecipar o ministério de Jesus. Ele era uma figura muito esquisita: morava no deserto, alimentava-se de gafanhotos e mel e vestia-se de pele de camelo. 

Imagine encontrar um pessoa como ele, cheirando muito mal (certamente ele passava longo tempo sem tomar banho), com barba e cabelo desgrenhados e olhar fixo. Confesso que se eu encontrasse alguém assim, provavelmente fugiria assustado.

O que dizer, então, dos apóstolos chamados por Jesus. Um deles, Mateus (Levi), era coletor de impostos (publicano). Naquela época, as pessoas tinham horror dos coletores de impostos por uma razão muito simples: eles exploravam impiedosamente o povo.

Os dominadores romanos escolhiam os coletores de impostos com base nas ofertas que recebiam de pessoas interessadas nessa função. Quem oferecia mais, levava o cargo. Simples assim.

Ora, um judeu somente se interessava por essa função se pudesse obter grandes lucro. E para conseguir isso, ele explorava as pessoas, cobrando delas impostos escorchantes, para poder pagar o valor prometido para os romanos e ainda ficar com um bom lucro.

E coletores de impostos enriqueciam, como Zaqueu, a quem Jesus visitou e converteu (Lucas capítulo 19, versículos 1 a 10). Ficavam ricos com base no sofrimento alheio, parecido com os políticos corruptos dos nossos dias, daqueles pegos pela operação Lava Jato.

Aí veio Jesus e escolheu um coletor de impostos para ser apóstolo. Confesso, que se eu visse um pastor escolher um político corrupto para assessorar seu ministério, passaria a olhar esse pastor com desconfiança. Acredito que você faria o mesmo. E certamente muitos dos contemporâneos de Jesus também pensaram assim.

Jesus escolheu tambem pescadores para serem apósotolos - quatro deles (Pedro, André, João e Tiago), para ser preciso.

Pescadores eram homens rudes e até agressivos - o apelido que João e Tiago tiveram ("filhos do trovão", segundo Marcos capítulo 3, versículos 16 e 17) certamente não se deveu a serem gentis e suaves.

Pescadores também eram pouco letrados estudados assim não pareciam ser as pessoas ideais para discutir questões teológicas, como passaram a fazer, ao acompanhar Jesus. 

Mesmo assim Jesus escolheu esses quatro pescadores e dois deles (Pedro e Tiago) vieram a ser figuras fundamentais no início da vida da Igreja cristã. 

E o que dizer de Judas Iscariotes, homem corrupto e traidor? E Simão, o Zelote, que pertencia a uma seita de judeus que pregava a resistência violenta ao domínio romano? 

Certamente, se eu estivesse lá teria achado as escolhas de Jesus estranhas, muito estranhas. Chegaria a pensar que corria o risco de colocar o próprio ministério em risco ao se cercar de gente desse tipo - basta lembrar do ditado "dize-me com quem andas que dir-te-eis quem és".
E é surpreendente que o cristianismo tenha se desenvolvido da forma como fez, a partir desse tipo de gente. Menos de trezentos anos depois da morte de Jesus, tornou-se a religião oficial do Império Romano. 
Há dois ensinamentos muito importantes para nós nessa discussão. Primeiro, nós escolhemos errado. As escolhas de Deus parecem estranhas para nós simplesmente porque usamos critérios diferentes.
Olhamos para o exterior e deixamos nos levar pelas aparênciad. Deus olha para o interior da pessoa e vê o que de fato existe ali. Evidentemente nossos critérios é que estão errados. Nossas escolhas é que são estranhas.
O segundo ensinamento é o seguinte: ninguém deve se considerar incapaz ou indigno de fazer a obra de Deus. Quando Ele chama alguém para fazer sua obra, capacita essa pessoa, dando-lhe condições para cumprir sua missão com sucesso.
Cabe a quem é chamado por Deus, simplesmente dizer: "eis me aqui, envia-me a mim".  
Com carinho

sábado, 12 de novembro de 2016

NÃO DEIXE DE ORAR

A oração é uma coisa fundamental na vida de qualquer cristão(ã). A sua vida espiritual depende muito da sua prática de oração.

Agora, você pode ter dúvidas sobre como orar, qual o melhor lugar para fazer isso ou sobre o que dizer. Pode ter medo de não saber orar.

No vídeo abaixo eu explico os aspectos básicos da oração para que você nunca deixe de orar. Confira:

[youtube]wNYZRNTZzgM[/youtube]

Você também pode consultar um texto aqui no site onde o Vinicius fala mais sobre esse mesmo tema, explicando o significado do Pai Nosso, a oração ensinada por Jesus - veja mais .

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

QUEM FOI A PRIMEIRA PESSOA A RECONHECER JESUS COMO O MESSIAS?

A tradição indica que foi o apóstolo Pedro teria sido a primeira pessoa a reconhecer Jesus como o Messias, o Cristo de Deus, e falar disso publicamente. Veja o relato desse evento na Bíblia: 
Chegando Jesus à região de Cesareia de Filipe, perguntou aos seus discípulos: "Quem os homens dizem que o Filho do homem é?" Eles responderam: "Alguns dizem que é João Batista, outros, Elias, e ainda outros, Jeremias ou um dos profetas". "E Quem vocês dizem que eu sou?" Simão Pedro respondeu: "Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo". Respondeu Jesus: "Feliz é você, Simão, filho de Jonas! Porque isto não lhe foi revelado por carne ou sangue, mas por meu Pai que está nos céus." Mateus 16, versículos 13 a 17
Essa é uma das razões pelas quais Pedro é reconhecido por muitos cristãos, como os católicos, como o mais importante dos seguidores de Jesus. Mas terá sido Pedro a primeira pessoa a ter essa revelação e anunciá-la? Acredito que não. É o que vou tentar mostrar a seguir.

É evidente que a primeira pessoa a saber que Jesus seria muito especial foi Maria, sua mãe: 
Mas o anjo lhe disse: "Não tenha medo, Maria. Você foi agraciada por Deus! Você ficará grávida e dará à luz um filho e lhe porá o nome de Jesus. Ele será grande e será chamado Filho do Altíssimo. O Senhor Deus lhe dará o trono de seu pai Davi e ele reinará para sempre sobre o povo de Jacó. Seu Reino jamais terá fim". Lucas capítulo 1, versículos 30 a 33

Maria foi a primeira a saber e guardou essas informações para si mesma (Lucas capítulo 2, versículo 19). Ou seja, ela sabia mas não anunciou, como Pedro fez, até porque, se tivesse feito isso, precisaria confessar que Jesus não era filho de José.

Outros candidatos fortes são os três reis magos, que o visitaram logo após o nascimento, para presenteá-lo com ouro incenso e mirra e adorá-lo. Veja o que a Bíblia fala a respeito:
Depois que Jesus nasceu em Belém da Judeia, nos dias do rei Herodes, magos vindos do Oriente chegaram a Jerusalém e perguntaram: "Onde está o recém-nascido rei dos judeus? Vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá-lo". Mateus capítulo 2, versículos 1 e 2
Na verdade, os reis magos sabiam que Jesus era rei e divino, daí o terem adorado. Mas nada indica que sabiam sobre o papel de Jesus como Messias, o Cristo de Deus. Afinal, eles não eram judeus e provavelmente não conheciam as profecias e ensinamentos a respeito existentes na Bíblia Hebraica (o Velho Testamento). 

Há outro candidato forte a ser o primeiro a reconhecer e anunciar Jesus: 
Havia em Jerusalém um homem chamado Simeão, justo e piedoso, e que esperava a consolação de Israel. E o Espírito Santo estava sobre ele. Fora-lhe revelado que ele não morreria antes de ver o Cristo do Senhor. Movido pelo Espírito, ele foi ao Templo [de Jerusalém]. Quando os pais trouxeram o menino Jesus para lhe fazer conforme requeria o costume da lei, Simeão o tomou nos braços e louvou a Deus, dizendo: "Ó Soberano, como prometeste, agora podes despedir em paz o teu servo. Pois os meus olhos já viram a tua salvação, que preparaste à vista de todos os povos: luz para revelação aos gentios e para a glória de Israel, teu povo". O pai e a mãe do menino estavam admirados com o que fora dito a respeito dele. Lucas capítulo 2, versículos 25 a 33
Portanto, Simeão foi o primeiro a anunciar ao mundo, quem seria o Cristo Deus e fez isso quando Jesus era ainda bebê.

Logo depois, uma mulher fez o mesmo:
Estava ali a profetisa Ana, filha de Fanuel, da tribo de Aser. Era muito idosa: havia vivido com seu marido sete anos depois de se casar e então permanecera viúva até a idade de oitenta e quatro anos. Nunca deixava o templo: adorava a Deus, jejuando e orando dia e noite. Tendo chegado ali naquele exato momento, deu graças a Deus e falava a respeito do menino a todos os que esperavam a redenção de Jerusalém. Lucas capítulo 2, versículos 36 a 38
A profetisa Ana, portanto, foi a segunda pessoa a ter a honra de anunciar Jesus como o Messias, minutos depois de Simeão fazer isso.

Terá sido Pedro, então, a primeira pessoa a reconhecer e anunciar Jesus já adulto? Também não. Outra pessoa, João Batista, teve esse privilégio: 
Então Jesus veio da Galileia ao Jordão para ser batizado por João. Ele, porém, tentou impedi-lo, dizendo: "Eu preciso ser batizado por ti, e tu vens a mim?" Respondeu Jesus: "Deixe assim por enquanto; convém que assim façamos, para cumprir toda a justiça". E João concordou. Mateus capítulo 3, versículos 13 a 15
Concluindo, Maria foi a primeira pessoa a saber quem Jesus viria a ser. Mas ela nada disse, até porque estava impedida de fazer isso por restrições legais e culturais. A primeira pessoa a anunciar Jesus publicamente foi Simeão, seguida de perto pela profetisa Ana.

O primeiro a reconhecer Jesus, já adulto, como o Messias, foi João Batista. Pedro foi o primeiro a fazer isso entre os discípulos e apóstolos, o que não deixa também de ter mérito. 

Com carinho

terça-feira, 8 de novembro de 2016

O QUE O EVANGELHO DE MARCOS TEM DE DIFERENTE


Os quatro Evangelhos da Bíblia - Mateus, Marcos, Lucas e João - são quatro pontos de vistas diferentes sobre os mesmos eventos: a vida, o ministério, a morte e a ressurreição de Jesus. Sendo assim, cada Evangelho tem algumas características especiais, que o distinguem dos demais.

Marcos foi o primeiro Evangelho a ser escrito, conforme admitem praticamente todos os estudiosos da Bíblia. E provavelmente Marcos foi usado como referência por Mateus e Lucas. Logo, esse texto é de grande importância para o cristianismo.

O que esse Evangelho tem de diferente dos demais? O que há de especial nele? É o que vou tentar responder abaixo.

A tradição aponta João Marcos como o autor desse Evangelho, daí o nome que o texto tem. João Marcos foi inicialmente companheiro de viagem de Paulo, mas não teve comportamento muito responsável durante a primeira viagem missionária realizada por esse apóstolo.

Por causa disso, Paulo não quis levá-lo na sua segunda viagem e essa decisão acabou gerando uma briga entre Paulo e Barnabé (que era tio de João Marcos) - o nepotismo também era uma realidade presente na igreja apostólica. Paulo e Barnabé se separaram e o apóstolo seguiu viagem somente na companhia de Silas (Atos 15:36-40).

Como Deus sempre dá uma segunda chance para as pessoas, Marcos acabou se tornando companheiro importante de Pedro (1 Pedro 5:13), indo com ele para Roma, onde escreveu seu Evangelho.

O Evangelho de Marcos contém o ponto de vista do apóstolo Pedro sobre os fatos ocorridos com Jesus, já que ele foi a principal fonte de informação usada por João Marcos. Mas o autor também colheu informações por conta própria, pois morou na Palestina (Atos 12:12) e provavelmente conheceu Jesus.

Talvez a característica mais marcante do Evangelho de Marcos seja seu ritmo rápido - o foco está sempre sobre os fatos ocorridos com Jesus e suas ações (curas, libertação de demônios, etc). Não há muita preocupação em registrar as pregações (com exceção do que está relatado nos capítulos 4 e 13).

Para você ter uma ideia de como Marcos avança rápido no relato do que aconteceu, o centésimo versículo desse Evangelho já mostra Jesus desenvolvendo seu ministério. Em comparação, o centésimo versículo de Lucas ainda está falando do nascimento de Jesus (os pastores tendo a visão dos anjos).

Por conta do ritmo rápido do relato, uma das características de Marcos é o uso das expressões "ora", "então" ou "logo após", para fazer a ligação entre um acontecimento e o seguinte.

O texto de Marcos costuma apresentar três públicos para as pregações de Jesus: 1) os escribas e fariseus; 2) a multidão; e 3) os discípulos. 

Os escribas e fariseus, quando apresentados em grupo, invariavelmente respondiam de forma negativa à pregação de Jesus, conforme o relato de Marcos. Criticavam-no abertamente, questionavam "quem ele pensa que é", achavam que Jesus estava blasfemando e assim por diante. Veja um exemplo:
E outra vez entrou na sinagoga, e estava ali um homem que tinha uma das mãos mirrada. E estavam observando-o se curaria no sábado, para o acusarem... E, olhando para eles em redor com indignação, condoendo-se da dureza do seu coração, disse ao homem: Estende a tua mão. E ele a estendeu e foi-lhe restituída a sua mão, sã como a outra. E, tendo saído os fariseus, tomaram logo conselho com os herodianos contra ele, procurando ver como o matariam. Marcos capítulo 3, versículos 1 a 6
A multidão é sempre apresentada por Marcos como maravilhada pelos ensinamentos de Jesus. As pessoas comentavam entre si: "nunca vimos uma coisa assim..." Veja um exemplo:
E, chegando o sábado, começou a ensinar na sinagoga; e muitos, ouvindo-o, se admiravam, dizendo: De onde lhe vêm estas coisas? e que sabedoria é esta que lhe foi dada? e como se fazem tais maravilhas por suas mãos? Marcos capítulo 6, versículo 2
Embora maravilhadas, elas não fizeram nada de concreto com os ensinamentos recebidos. Seguiram Jesus e o ouviram pregar, sempre que puderam. Mas o que ouviram nunca se transformou em ação positiva. Muito ao contrário. E isso ficou claro quando a multidão se voltou contra Jesus e pediu que Pilatos o crucificasse (Marcos capítulo 15, versículos 12 a 14). 

Nossa impressão é que os discípulos seguiram Jesus para aprender e ao final do seu treinamento, saíram pelo mundo pregando a mensagem da salvação e da vinda do Reino de Deus. Mas não é isso que o relato de Marcos indica. Jesus teve uma tarefa muito dura para colocá-los no caminho certo.

Na maioria das vezes os discípulos não conseguiram entender o que Jesus disse. Interpretavam quase tudo que Ele falava de forma errada. Faziam perguntas estúpidas e totalmente fora do contexto. Veja um exemplo:
E eles se esqueceram de levar pão e, no barco, não tinham consigo senão um pão. E ordenou-lhes [Jesus], dizendo: "Olhai, guardai-vos do fermento dos fariseus e do fermento de Herodes". E discutiam entre si, dizendo: "É porque não temos pão". E Jesus, conhecendo isto, disse-lhes: "Para que dizeis que não tendes pão?" "Não considerastes, nem compreendestes ainda?"... "Tendo olhos, não vedes e tendo ouvidos, não ouvis?" Marcos capítulo 8, versículos 14 a 18
Toda vez que um desses grupos aparece no texto de Marcos, o(a) leitor(a) já sabe mais ou menos o que vai acontecer. Se forem escribas e fariseus, a reação será negativa. Se for uma multidão, as pessoas irão se maravilhar. Se forem os discípulos, haverá uma reação meio sem noção. 

Esses três públicos representam três formas erradas de reagir à pregação de Jesus. Há quem responda negativamente ao que Ele ensinou. Questione tudo e até ache que Jesus estava errado. Essas pessoas são como os escribas e fariseus. 

Há também quem ouça a mensagem de Jesus e se entusiasme, como fazia a multidão. Mas nada faça a partir daí. Os ensinamentos de Jesus ficam na memória, mas não criam raízes no comportamento, não trazem mudança de vida real.

E finalmente, assim como os discípulos, há quem não entenda o que Ele ensinou. Talvez porque seus preconceitos e forma estreita de pensar torne difícil entender uma mensagem de amor e perdão.

Concluindo, o Evangelho de Marcos é um texto curto - apenas dezesseis capítulos - e fácil de ler. Vale a pena investir seu tempo em conhecê-lo. Você vai gostar e aprender muito. Acredite em mim. 

Com carinho

domingo, 6 de novembro de 2016

NÃO SE PODE SERVIR A DOIS SENHORES

"Não acumulem para vocês tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem destroem, e onde os ladrões arrombam e furtam. Mas acumulem para vocês tesouros no céu, onde a traça e a ferrugem não destroem, e onde os ladrões não arrombam nem furtam. Pois onde estiver o seu tesouro, aí também estará o seu coração. "Os olhos são a candeia do corpo. Se os seus olhos forem bons, todo o seu corpo será cheio de luz. Mas se os seus olhos forem maus, todo o seu corpo será cheio de trevas. Portanto, se a luz que está dentro de você são trevas, que tremendas trevas são! "Ninguém pode servir a dois senhores; pois odiará a um e amará o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Vocês não podem servir a Deus e ao Dinheiro". Mateus capítulo 6, versículos 19 a 24
Muitas pessoas pensam que neste ensinamento Jesus falou contra a pessoa juntar riquezas, pois quem fizer isso, estará pecando aos olhos de Deus. Mas não creio que esse seja o ensinamento real aqui. Eu me explico.

A palavra chave nesse ensinamento é "tesouro", que significa algo extremamente valioso para quem o possui. E Jesus disse para não ajuntar "tesouros" na vida terrena. Isso significa não ter nessa vida coisas materiais mais valiosas do que qualquer coisa de natureza espiritual.

As coisas materiais que costumam ser importantes, os "tesouros" da pessoa, são de naturezas diversas: a mais comum delas é a riqueza (dinheiro e bens materiais), mas o ensinamento não se limita a elas. Cobre também a glória deste mundo (como a boa fama), a posição social e outras coisas assim.

Jesus alertou que onde estiverem os "tesouros" da pessoa, aí também estará seu "coração". Para entender bem o significado dessa declaração, é importante saber o significado da expressão "coração" no tempo de Jesus.

Para nós, hoje, quando tomamos uma decisão baseada nos sentimentos, dizemos que usamos o "coração". Ou seja, o "coração" funciona como a "sede" dos sentimentos. Mas na época de Jesus não era assim. Para os contemporâneos de Jesus, o "coração" era a "sede" da mente. Como prova do que acabei de falar, veja essa conhecida frase de Paulo: 
Se, com tua boca, confessares que Jesus é Senhor, e creres em teu coração que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo. Romanos capítulo 10, versículo 9
Esse é o ensinamento clássico de Paulo fala sobre a condição para qualquer pessoa ser salva, que é a fé em Jesus Cristo como seu Salvador. E Paulo se referiu a tal fé como "crer no coração". Se Paulo entendesse "coração", como fazemos hoje, o significado dessa frase seria que a pessoa deve crer em Jesus com base nos seus sentimentos.

Mas isso não faz sentido, pois a fé não vem assim. As pessoas creem com base na sua mente, ou seja naquilo que entendem e sobre o qual adquirem convicção. Agora, a declaração de Paulo passa a fazer todo sentido se "coração" for a sede da mente. Portanto, era assim que as pessoas daquela época entendiam essa ideia.

Voltando ao ensinamento que deu início a este post, ali Jesus falou que onde a pessoa tiver seus "tesouros", aí também estará seu "coração". Ou seja, se a pessoa tiver coisas materiais que realmente valorize - dinheiro, bens materiais, fama, posição social, etc - aí também estará sua mente, sua confiança. 

E Jesus ainda alertou que ninguém pode servir dois senhores ao mesmo tempo, pois acabará desagradando a um deles. O significado disso é o seguinte: se a confiança da pessoa estiver nos seus "tesouros", não poderá estar também em Deus. Se ela tornar-se dependente das coisas materiais, não mais precisará ter fé em Deus, pois já se sentirá suficientemente segura. Simples assim.

A conclusão lógica disso tudo é simples: colocar confiança em coisas materiais torna os "tesouros" da pessoa num deus, no seu senhor. E sabemos que não se pode ter outro deus diante do nosso Deus, logo essa atitude é pecado.

Foi por isso que Jesus começou seu ensinamento dizendo que a pessoa deve juntar tesouros espirituais, baseados no Reino de Deus, pois esses não são roubados nem se deterioram. Esses são os verdadeiros "tesouros".

Em outras palavras, Jesus ensinou que primeiro a pessoa deve buscar Deus e seu Reino, e a partir daí pode ter certeza que suas necessidades serão atendidas (Mateus capítulo 6, versículo 33). E nunca deve colocar sua confiança nas coisas materiais

Com carinho