terça-feira, 30 de maio de 2017

AS CINCO MAIORES DÚVIDAS DOS CRISTÃOS


Quais são as dúvidas mais comuns que os cristãos têm? Hoje discuto as cinco dúvidas mais comuns, conforme indicado por estudos recentes dessa questão.

Penso que a dificuldade maior das pessoas - que gera essas dúvidas - tem a ver com sua falta de conhecimento bíblico. Infelizmente, a maioria dos(as) cristãos(ãs) conhece a Bíblia de forma superficial e acaba preenchendo aquilo que desconhece ou com o que ouve por aí ou com respostas próprias, geradas por sua lógica humana, que quase sempre estão erradas. 

Quando as pessoas estudam mais a Bíblia, esse tipo de dúvida costuma desaparecer com facilidade - como que derretem como gelo exposto ao calor do sol.

Dúvida 1: Será que estou salvo(a)?
Várias pessoas têm dúvida quanto à própria salvação. Para essas pessoas a ideia que basta ter fé e confessar Jesus como Salvador parece meio simplista. 

No fundo, elas acham que a salvação depende do que elas fazem e não estão seguras de já terem feito o bastante para serem salvas. Daí sua dúvida. 

Não há dúvida que a fé é suficiente para salvar qualquer pessoa - a Bíblia é clara a esse respeito. 

A questão verdadeira está na natureza da fé que de fato salva. Que fé é essa? E isso é simples de responder: só salva a fé que transforma a pessoa, isto é produz frutos (obras). Tiago, irmão de Jesus, explicou: "a fé sem obras é morta". Ora, se a fé está morta, não pode gerar qualquer efeito prático, como a salvação. 

Se sua fé não vem mudando sua vida, aí sim você deve ter dúvidas quanto à sua salvação. Mas, se ela tem feito de você, mesmo que lentamente, uma pessoa mais de acordo com a vontade de Deus, pode ficar tranquilo(a).

Dúvida 2: Será que cometi o pecado sem perdão?
Muitas pessoas têm receio de terem cometido o pecado sem perdão - a blasfêmia contra o Espírito Santo -, especialmente antes da sua conversão. Seu receio é que, se tiverem feito isso, mesmo tendo se convertido a Jesus, não escaparão da condenação eterna.

Essa dúvida nasce na falta de entendimento da natureza do pecado sem perdão. De forma resumida, trata-se da rejeição total e definitiva, pela pessoa, do Espírito Santo (veja mais). E, sendo assim, uma pessoa verdadeiramente convertida não pode ter cometido esse pecado, pois ela só chegou a Deus pela ação do Espírito Santo na sua vida. 

Em outras palavras, quem se preocupa se cometeu o pecado sem perdão é porque certamente não o cometeu. Simples assim.

Dúvida 3: O inferno existe mesmo?
Para muitos, a existência do inferno, lugar onde as pessoas passarão a viver uma vida de tormentos sem fim, parece inaceitável. Até porque os pecados que a pessoa cometeu nesse mundo são limitados e sua presença no inferno será ilimitada - uma coisa parece desproporcional em relação à outra.

Essa dúvida é relativamente simples de esclarecer. Começo lembrando que o inferno não é um lugar cheio de demônios, que ficam torturando as pessoas, com fogo e enxofre, como muita gente pensa - para mostrar isso basta lembrar que o próprio Satanás vai ser lançado no inferno.

A melhor definição para inferno é o lugar onde Deus escolheu não estar. E o sofrimento vem daí: Afinal, o ser humano foi criado para estar em contato constante com Deus.

Agora, se a pessoa escolheu conscientemente não estar com Deus, não há porque Ele impor sua presença na vida dela. Simples assim. Por isso é razoável dizer que as portas do inferno estão trancadas por dentro e não por fora. - foi a pessoa que escolheu de vontade própria estar ali. 

E, uma vez Deus tendo aceito essa decisão da pessoa e se afastado em definitivo dela, não há mais como ela mudar de opinião, porque somente a atuação do Espírito Santo poderia re-aproximá-la de Deus, o que deixou de ser possível. 

Dúvida 4: A Bíblia contém erros?
Algumas pessoas são surpreendidas quando estudiosos famosos apontam erros bíblicos. E aí perdem sua confiança na Bíblia e deixam de acreditar na sua autoridade. 

Há cristãos(ãs) que pensam assim e tentam aproveitar o que parece estar certo e deixar de lado o que parece estar errado. Mas, isso não funciona na prática. E a razão é simples: quem diz quais partes da Bíblia estão certas ou erradas? Os estudiosos? 

E nunca podemos esquecer que os(as) estudiosos(as) também erram, portanto, toda a base do conhecimento bíblico ficaria apoiada em bases frágeis. Uma parte do que for considerado certa hoje, pode deixar de ser aceita amanhã. E aí? 

Na verdade, ou se aceita a Bíblia integralmente, ou ela perde sua autoridade de uma vez por todas. Não há meio termo nesse caso. 

Mas, para o(a) cristão(ã), isso gera um compromisso do qual não se consegue escapar: É preciso aceitar a premissa que a Bíblia não tem erro. E voltando ao começo da discussão: O que fazer quando um estudioso apontar um possível erro na Bíblia?

A resposta é: Não aceite essa declaração e, se não souber responder, vá buscar a resposta junto a quem saiba. Eu estudo a Bíblia há muitos anos e confesso que nunca vi nenhuma dessas possíveis dúvidas ficar sem explicação. O problema é que as pessoas não costumam fazer isso e acabam deixando que a dúvida se instale no seu coração. 

Dúvida 5: Jesus é mesmo o único caminho para salvação?
O ensinamento que Jesus é o único caminho para a salvação parece intolerante e excludente. Mas não é bem assim.

Uma dúvida que logo vem à mente das pessoas é: É quem nunca ouviu falar de Jesus? Como os índios, mulheres criadas em países islâmicos ou até mesmo crianças.

Ora, a Bíblia ensina que a ignorância não é levada em conta por Deus. Ou seja, quem nunca ouviu falar de Jesus terá essa realidade levada em conta quando for julgado(a) por Deus no final dos tempos. Essa pessoa não será julgada como você ou eu.

Depois, porque o significado da afirmação que Jesus é o único caminho para chegar até Deus parte da constatação que sua morte abriu o caminho para para o ser humano ter seus pecados perdoados e se com Deus (veja mais). 

Se isso é verdade, não é intolerante afirmar esse fato. Verdades não são tolerantes ou intolerantes. Se são verdades, elas refletem a realidade e não há intolerância nisso.

É como dizer que ´"todo mundo morre" é intolerante. Essa avaliação não faz sentido, pois todas as pessoas morrem mesmo - talvez seja triste constatar isso, mas ainda assim estamos diante duma verdade.

Com carinho

domingo, 28 de maio de 2017

A TEOLOGIA DO BISONHO

No seu mais novo vídeo, o Rogers fala da "teologia do Bisonho".

Bisonho era o nome de um burrinho que sempre andava com o ursinho Puff nos desenhos animados. O burrinho estava sempre triste e cabisbaixo. Sempre pessimista. E tem muita gente que vive exatamente assim.

E é para elas que eu quero falar hoje, usando como referência o salmo 90, escrito por Moisés. Nesse texto, o grande líder do povo de Israel mostrou como sair do pessimismo para uma posição mais alegre e esperançosa - exercendo a fé em Deus. Confira o vídeo aqui.

sexta-feira, 26 de maio de 2017

O ERRO DE APENAS UM DÉCIMO DE GRAU

Qual é o efeito dos pecados considerados pequenos? Talvez você se surpreenda em saber que pode ser muito grande, maior do que você pensa. E vou tentar explicar isso melhor com um exemplo simples.

Imagine que você precisa chegar na casa de um amigo e, como não conhece o caminho, nem tem um GPS, vai ter que usar mesmo uma boa e velha bússola. 

Aí você ajusta o controle que estabelece a direção do seu carro de acordo com a informação que tem da direção da casa do seu amigo - digamos 30° a Nordeste de onde está -, mas comete um erro bem pequeno, de apenas um décimo de grau. Será que isso vai fazer diferença? Será que ainda assim você vai chegar na casa do seu amigo?

A resposta é simples: depende da distância a percorrer. Em distâncias pequenas - digamos 1 km - você vai atingir o alvo com uma defasagem de apenas 2 m, devendo chegar sem problema. Agora, o caso fica muito diferente quando a distância é grande - em 1.000 km, você vai errar o alvo por 2 km e talvez não consiga mais encontrar a casa do amigo. 

Nessa pequena parábola, seguir na direção certa corresponde a viver uma vida sem pecado - atingir o alvo que Deus traçou para cada um(a) de nós. Já o erro no ajuste da bússola é a consequência do pecado - por conta de decisões erradas, a "bússola" da pessoa se afasta da direção certa. Finalmente, a distância percorrida é a passagem do tempo. 

Pecados aparentemente sem importância (o desvio de um décimo de grau) parecem gerar desvios na vida da pessoa que parecem pequenos, desprezíveis até. Mas, ao longo do tempo, esses desvios pequenos vão gerando um afastamento cada vez maior do alvo - Deus. Até o ponto de fazer a pessoa se perder.

O efeito acumulativo dos pecados
Porque pecados aparentemente sem importância geram consequências tão graves? Por duas razões. A primeira delas é a pessoa se acostumar com o pecado, deixando de ter incentivo para lutar contra ele. Ela se acomoda. 

A insensibilidade para o pecado - a Bíblia chama isso de "coração endurecido" - é perigosa pois afeta a vida espiritual e abala a fé da pessoa. A Bíblia ensina que fé e obra (nesse caso, a luta contra o pecado) andam juntas e se reforçam mutuamente (Tiago capítulo 2, versículos 14 a 26). Portanto, a insensibilidade ao pecado afeta em muito a fé da pessoa.

A segunda razão é que pecados chamam outros pecados. Por exemplo, a pessoa conta uma pequena mentira, e aí, para não ser descoberta, precisa contar nova mentira. Passa, então, a ter que cuidar de duas mentiras e não mais de uma. E talvez precise mentir mais uma vez. E assim por diante.

A Bíblia tem vários exemplos desse tipo de situação. Por exemplo, o rei Davi cometeu adultério com uma linda mulher, Bate-Seba, esposa do capitão da sua guarda, Urias. A mulher acabou engravidando e não podia dizer que o filho era do marido, pois Urias estava ausente por longo tempo, lutando numa guerra. 

Para resolver o problema, Davi cometeu novo pecado: pediu a seu general que colocasse Urias numa situação perigosa, durante uma batalha, para que fosse morto pelo inimigo. E assim aconteceu. Depois, Davi se casou com aquela mulher.

Para resolver um pecado (adultério), Davi mandou matar um homem inocente e leal a ele, cometendo um pecado ainda mais trágico. O rei Davi se recuperou aos olhos de Deus, mas suas ações tiveram consequências terríveis, acabando por desestabilizar sua família.

Outro exemplo interessante é Judas: ele traiu Jesus, recebendo trinta moedas de prata como pagamento. Quando se deu conta do que tinha feito, sentiu remorso, mas não confiou na misericórdia de Deus. Suicidou-se pois não podia mais viver com a própria culpa. Um pecado se juntou ou outro e Judas perdeu sua salvação.

Pecados pequenos que vão se somando levam a pessoa a se afastar mais e mais de Deus. O erro pode começar num pecado com pouco significado, que não gere muita consequência. Mas, pecados sem tratamento (arrependimento e pedido de perdão) concorrem para abalar a fé da pessoa, bem como têm seu efeito multiplicado por outros pecados. E assim, a pessoa vai pouco a pouco se afastando de Deus.

Portanto, quando John Wesley, o fundador do metodismo, disse que os(as) cristãos(ãs) deveriam se esforçar por viver uma vida santa, sabia bem do que estava falando.

Com carinho

quarta-feira, 24 de maio de 2017

VOCÊ ESTÁ DECEPCIONADO COM DEUS?

Tempos atrás li um estudo sobre o comportamento dos(as) cristãos(ãs) que indicou como principal razão para as pessoas abandonarem a fé cristã (cerca de 60% dos casos) é a decepção com Deus.

As pessoas costumam desistir de Deus quando pensam que Ele falhou com elas: não as protegeu ou abençoou como esperavam. Sentindo-se decepcionadas, rompem com Deus, cortando seus laços com Ele - conheço vários casos assim.

Esse forma de pensar parte duma premissa que as pessoas nem percebem estar usando: só devem ser mantidos os relacionamentos que "valem à pena".

Essa premissa já foi muito estudada por especialistas, e está na origem da chamada "teoria das trocas sociais". Segundo tal teoria, as pessoas só devem manter os relacionamentos cujos "benefícios" são maiores do que os "custos" correspondentes, raciocínio muito similar ao que usado pelos investidores.

Repito, as pessoas não têm noção de agirem assim, mas é exatamente isso que a maioria delas faz, inclusive no seu relacionamento com Deus. 

O "benefício" de uma relação vem das vantagens que ela gera - por exemplo, sexo, carinho, apoio nos momentos difíceis, etc. Já o "custo" é representado pelo tempo e esforço emocional necessários para manter a relação em pé. 

Quando o "custo" fica maior do que o "benefício", a teoria das trocas sociais estabelece que a relação deve ser abandonada, a menos que seja reformulada. Relações saudáveis são aquelas cujos "benefícios" são maiores do que os "custos".

Vou dar um exemplo prático para você entender melhor: Imagine que um rapaz e uma moça se apaixonam. Ora, viver uma paixão costuma gerar um "benefício" tão grande que compensa quase qualquer "custo" trazido pela relação. Por isso costumamos dizer que as pessoas ficam "cegas" de paixão, pois não conseguem nem perceber os "custos" que estão "pagando".

Ao longo do tempo, a paixão do casal diminui, portanto, o "benefício" da relação vai sendo reduzido. Aí o "custo" - por exemplo, suportar os defeitos do ser amado - começam a pesar mais. E quando esses defeitos se tornam insuportáveis para a outra pessoa, a separação do casal passa a ser uma perspectiva concreta - nessa altura, o "custo" daquela relação tornou-se maior que o "benefício".

Agora, ao longo do caminho, novos "benefícios", que não seja só viver a paixão, podem se juntar ao pacote - por exemplo, o apoio mútuo para enfrentar problemas sérios na vida, a existência de filhos(as), etc. E aí. os novos "benefícios" ajudam a suportar o "custo" até de aturar defeitos sérios da outra pessoa, situação que é muito comum. 

Resumindo, a comparação de "custos" com "benefícios" está na origem da maioria das relações que as pessoas mantém, mesmo quando não percebem isso claramente. A maior parte das amizades, por exemplo, é formada assim. 

Voltando ao caso das pessoas que se decepcionaram com Deus e romperam com Ele, as pessoas agiram exatamente assim: compararam o "custo" de se relacionar com Ele e acharam que o "benefício" não compensava.

O "custo" para uma pessoa se manter próxima a Deus inclui, dentre outros aspectos, deixar de lado hábitos de vida que anteriormente davam prazer, mas são considerados errados; dedicar tempo a cultos e estudos bíblicos, deixando de lado o próprio lazer; e o compromisso de dar o dízimo e ofertas para a obra de Deus.

Já o "benefício" da relação com Deus vem da proteção e das bençãos que Ele pode proporcionar. Repare que deveria o ponto principal deveria ser a garantia da salvação, mas essa não é a maior motivação prática das pessoas, e é por isso que as igrejas que prometem prosperidade e milagres crescem tanto.

Quando as pessoas não se sentem atendidas por Deus, ou seja, quando não recebem d´Ele o "benefício" que esperavam, a relação se desequilibra em relação ao "custo" que pensam estar "pagando". Aí elas se decepcionam e se "divorciam" de Deus. O depoimento de um rapaz católico, extraído do estudo que citei acima, deixa isso bem claro: 


“EU OREI E OREI A AS COISAS NUNCA MELHORARAM ... NA VERDADE, FICARAM PIORES. E EU PENSEI, TUDO BEM, SE DEUS PODE VIRAR DE COSTAS PARA MIM, EU TAMBÉM POSSO FAZER O MESMO". 

O erro nessa forma de pensar
O conceito de trocas sociais até funciona razoavelmente bem na maioria das situações da vida, o que explica sua grande aceitação. Mas nem sempre são as trocas sociais que regem as relações. Por exemplo, no caso da relação de uma mãe com seus filhos(as).

Outros fatores entram na avaliação de uma relação desse tipo, especialmente pelo lado da mãe. O amor de mãe costuma ser quase incondicional e, na maioria das vezes, não depende do que os(as) filhos(as) fazem - é por isso que vemos tantas mães visitando filhos presos, religiosamente, toda semana.

Assim, nem sempre a ideia de trocas sociais - a comparação entre "custo" e "benefício" - é o que determina uma relação. E esse é exatamente o caso da relação do ser humano com Deus. É um grande erro tentar usar o conceito de trocas sociais para analisar nossa relação com o Criador do universo.

A lógica da relação com Deus outra, pois o ser humano depende d´Ele para sua própria existência. Na verdade, nem há como cortar a relação com Deus - deixá-lo de lado, como se faz com um amigo. A pessoa até pode pensar que conseguiu fazer isso, mas é pura ilusão.

E não podemos esquecer que Deus nunca propôs aos seus filhos(as) uma relação baseada na troca. Muito menos prometeu o "benefício" de uma proteção contra todos os problemas - basta ver o que Jesus disse em João capítulo 16, versículo 33: "... no mundo tereis aflições ..."

É preciso construir outro modelo para entender a relação do ser humano com Deus que não seja a teoria das "trocas sociais". E uma alternativa possível, dentre diversas outras, é o modelo "Senhor e servo(a)". 

Nesse caso a relação é baseada no poder do Senhor (Deus) e na obediência do servo (ser humano). Eu sei que as pessoas não gostam muito dessa abordagem, preferindo ver Deus como um Pai amoroso. Mas, a Bíblia é muito clara quanto à soberania e à majestade de Deus e em diversos lugares do texto somos chamados servos(as) d´Ele - por exemplo em João capítulo 12, versículo 26 ou Apocalipse capítulo 22, versículos 3 e 4.

Servos(as) não se decepcionam com seu Senhor e cortam sua relação com Ele. Isso não existe. Portanto, quando as pessoas tentam agir assim com Deus é porque não percebem bem qual é seu lugar na ordem natural das coisas - nada somos diante de um Deus que criou tudo. 

E é somente pelo amor e paciência que Deus tem pelo ser humano que as pessoas podem se dar ao luxo de se sentir zangadas e decepcionadas com Ele. E é uma grande pretensão das pessoas achar que podem agir assim. Que podem questionar Deus e, quando não gostarem da resposta, brigar com Ele.

E há vários exemplos na Bíblia mostrando que essa é mesmo uma pretensão absurda. Um deles está no livro de Jó - esse homem estava em grande sofrimento, por razões que não entendia, e questionou Deus, cobrando d´Ele uma explicação. E a resposta de Deus foi direto ao ponto:


ONDE VOCÊ [JÓ] ESTAVA QUANDO LANCEI OS ALICERCES DA TERRA? RESPONDA-ME, SE É QUE VOCÊ SABE TANTO. QUEM MARCOU OS LIMITES DAS SUAS DIMENSÕES? TALVEZ VOCÊ SAIBA! E QUEM ESTENDEU SOBRE ELA A LINHA DE MEDIR? E OS SEUS FUNDAMENTOS, SOBRE O QUE FORAM POSTOS? E QUEM COLOCOU SUA PEDRA DE ESQUINA... JÓ CAPITULO 38, VERSÍCULOS 4 A 6

Em outras palavras, Deus perguntou a Jó qual foi o papel dele (Jó) na criação do mundo. Essa é uma ironia que procurou passar a seguinte mensagem: "quem é você Jó, para questionar a mim".

Concluindo, a relação de Deus com o ser humano não pode se basear na comparação entre "custo" e "benefício", nas tais "trocas sociais". Esse tipo de comparação até pode fazer sentido em muitas situações, mas nunca na relação com Deus. 

Nossa relação com Ele é sempre de dependência absoluta e de inferioridade total. Não há - e nem pode haver - igualdade. E quanto antes as pessoas entenderem isso, será melhor para elas mesmas.

Com carinho

segunda-feira, 22 de maio de 2017

O QUE DIZER PARA QUEM RESISTE À MENSAGEM DO EVANGELHO

É possível que uma pessoa de quem você goste muito - membro da família, esposo(a) ou amigo(a) - resista a aceitar Jesus como Salvador, mesmo depois de já ter ouvido a mensagem do Evangelho. E isso pode deixar você ansioso(a), pois gosta de fato dessa pessoa e quer vê-la salva.

Mas, como você não tem experiência em evangelizar, não sabe bem o que dizer para ela. Como enfrentar os argumentos que ela apresenta, ou mesmo sua falta de interesse em Jesus.

Minha intenção hoje aqui é justamente ajudar você nessa tarefa. Mostrar o que deve dizer e quando. E vou começar pela parte mais fácil: explicando o que você não deve dizer, pois só atrapalha.

Certa vez, assisti à palestra de um evangelista e fui surpreendido com a resposta dele, quando lhe perguntaram o que costuma dizer se alguém resiste à pregação do Evangelho. A resposta foi: “ordeno ao espírito de incredulidade que saia daquela pessoa”.

Para aquele homem, qualquer resistência em aceitar Jesus é obra de espíritos malignos. Ora, não é isso que a Bíblia ensina. Por exemplo, quando o apóstolo Paulo visitou a cidade de Atenas, berço da filosofia grega, pregou para pessoas altamente intelectualizadas e conseguiu converter poucas dentre elas. E o relato bíblico não fala que Paulo saiu tentando expulsar demônios dos incrédulos (Atos dos Apóstolos capítulo 17, versículos 16 a 34). 

Quando há incredulidade e/ou resistência à mensagem do Evangelho é preciso agir com sabedoria. Antes de tudo, é preciso respeitar a pessoa com que você está conversando, lembrando que ela tem livre arbítrio, podendo inclusive escolher no que quer acreditar. E isso nada tem a ver com a ação de Satanás.

Depois, é preciso usar os argumentos certos. Não adianta atribuir a incredulidade a espíritos malignos ou ameaçar a pessoa com o inferno – afinal, não sendo convertida, ela nem acredita mesmo nessas coisas e pode até se sentir ofendida. Esse tipo de argumento só atrapalha.

Por que as pessoas resistem ao Evangelho?
Para saber o que falar, é importante inicialmente entender porque a pessoa resiste a aceitar a mensagem do Evangelho.

Há várias razões para isso e vou tratar aqui, por causa das limitações de espaço, apenas das duas mais comuns. A primeira razão é que a pessoa não quer mudar sua vida. Não quer deixar alguns hábitos arraigados de lado.

Nesse tipo de situação, a pessoa até sabe que sua vida não vai pelo caminho certo, mas sente prazer e/ou conforto em hábitos de vida errados que mantém. Sabe que, caso venha a se converter, vai precisar mudar sua vida e não quer fazer isso. Simples assim.

A segunda razão mais comum para uma pessoa resistir ao Evangelho é pensar que não precisa de Jesus. Acha que já é suficientemente boa. A fala típica, em casos como esse, é: "Por que preciso aceitar Jesus e mudar minha vida? Não roubo, não mato e não adultero. Já vivo uma vida correta”.

É preciso convencer essa pessoa que ela não é tão boa assim. Que ela, como qualquer ser humano, peca e comete falhas graves aos olhos de Deus. E será punida por causa disso.

O desafio no primeiro caso é fazer a pessoa abandonar sua zona de conforto. Já no segundo caso, o desafio é convencer a pessoa que ela não é tão boa quanto pensa ser.

O que fazer quando a pessoa não quer mudar?
Nesse caso é preciso ter paciência. Falar para a pessoa que ela não está indo pelo caminho certo, mas nunca ficar enchendo a paciência dela, ameaçando com inferno e coisas assim. Fale o mínimo necessário.

Ore muito por ela e aguarde o momento certo. E esse momento, normalmente, chega quando a pessoa começar a sofrer: Cedo ou tarde, os seus hábitos de vida nocivos vão gerar uma “”conta” a ser paga, na forma de depressão, relacionamentos destruídos, doença, etc. E somente aí, em meio à dor, a pessoa “acorda” e fica aberta a mudar. Quase sempre é o sofrimento que tira a pessoa da sua zona de conforto.

Assim, cabe a você ficar perto e esperar o momento certo para agir vai. E ele vai chegar. Nesse caso, a paciência é a chave do sucesso.

O que fazer quando a pessoa se acha suficientemente boa?
Nesse caso, é preciso desfazer esse auto-engano e convencê-la que ela não é tão boa como pensa. Que, assim como todas as demais pessoas, erra e muito aos olhos de Deus e é passível de punição por causa disso.

Eu sugiro um pequeno “roteiro” composto de quatro perguntas sucessivas. Escolha um dia e hora em que possa conversar com calma e sem estresse.

Comece perguntando se a pessoa acredita que quem comete erros sérios deve ser punido(a). Normalmente, ela vai responder que sim. 

Depois, pergunte se ela já cometeu erros sérios. Se ela disser que não, exatamente por se considerar boa pessoa, você precisar argumentar que todo mundo comete erro sérios, mesmo quando não percebe bem o que está fazendo. Afinal, todo mundo sente raiva, inveja, ódio, orgulho e ciúme e esses sentimentos nos influenciam a praticar o mal, mesmo quando não é essa a nossa intenção.

Explique para ela que as intenções até podem ser boas, mas a prática é bem outra: as pessoas acabam por fazer o mal que não queriam. E qualquer pessoa bem-intencionada vai aceitar isso.

Não se esqueça de aliviar o clima da conversa, lembrando que acontece o mesmo com você. Estamos todos no mesmo "barco". A única diferença é que você sabe disso e a pessoa com quem você está falando ainda não.

Aí você pode dar o terceiro passo: Pergunte o que a pessoa pretende fazer para escapar da punição que merece. E não adianta que a pessoa dizer que vai melhorar pois isso não apaga os erros que já cometeu no passado e muito menos garante que vai deixar de errar no futuro. 

Nesse ponto a pessoa costuma ficar confusa, pois não sabe bem como responder. É aí que você deve falar sobre Jesus. Essa é a hora certa. Explique que Ele é a solução para esse problema tão importante.

E funciona assim: Jesus veio ao mundo e se sacrificou por nós. E é seu sangue que abre as portas para o perdão de Deus e a reconciliação das pessoas pecadoras com Ele. Ninguém fez nada para merecer o sacrifício de Jesus e, nesse sentido, a salvação é gratuita. Mas, há condições para o sacrifício se fazer efetivo para qualquer pessoa.

Ela precisa reconhecer que pecou, arrepender-se e aceitar Jesus. Não há outra forma. Foi assim que Deus estabeleceu as coisas.

Aí você pode dar o quarto e último passo: Pergunte se a pessoa prefere aceitar o perdão de Deus ou enfrentar por conta própria a punição que merece. Se os passos anteriores tiverem sido bem conduzidos, a pessoa vai se interessar por saber mais sobre Jesus. Vai querer entender melhor o que você está falando. E vai deixar de resistir.

Cuidado, ao longo desse processo, para não perder o foco. É comum que pessoa a quem você está tentando convencer faça perguntas paralelas porque fica com dúvidas. Por exemplo, o que vai acontecer com quem nunca ouviu falar sobre Jesus?

Essas e outras questões devem ser tratadas, mas no momento certo, que não é naquela conversa. Ali o foco está na pessoa com quem você está conversando. Haverá tempo para esclarecer essas dúvidas depois.

Muitas vezes a pessoa não se deixa convencer numa única conversa. É preciso repetir os argumentos para que ela realmente passe a aceita-los, mudando sua posição inicial. Portanto, não desanime se encontrar alguma dificuldade. E confie sempre na ação do Espírito Santo.

Com carinho

sábado, 20 de maio de 2017

DEUS ESTÁ COM VOCÊ MESMO NO MEIO DO DESERTO

Todos passamos por dificuldades. Cedo ou tarde isso acontece com cada pessoa. 

Agora, eu tenho uma boa notícia para você que, assim como eu, está passando por um deserto na sua vida: Deus está ao seu lado. Sempre

E é n´Ele que você vai encontrar forças para superar todas as dificuldades. Confira aqui o meu mais novo vídeo, onde falo sobre isso.

quinta-feira, 18 de maio de 2017

COMO É A AÇÃO DO ESPÍRITO SANTO NA SUA VIDA

O Espírito Santo é uma das três pessoas da Trindade Santa, junto com o Pai e o Filho (Jesus). Seu papel é estar presente no mundo, interagindo com as pessoas. Por isso, d´Ele se diz que é Deus habitando em nós.

A ação do Espírito Santo começa antes da conversão, quando leva as pessoas a aceitar Jesus. É preciso ficar claro que a conversão não é obra de pregadores(as) e/ou evangelistas e sim uma ação do Espírito Santo.

Depois que a pessoa já está convertida, ainda assim o trabalho do Espírito Santo com ela continua, especialmente em três áreas da sua vida espiritual. 

A primeira delas é a intercessão junto a Deus - o Espírito Santo pede continuamente pela pessoa convertida junto a Deus, para que seus pecados sejam perdoados e ela possa se aproximar do Pai.

E o Espírito Santo faz isso, segundo a Bíblia, de forma surpreendente: Usa gemidos que, de tão extraordinários, não podem ser explicados por linguagem humana (Romanos capítulo 8, versículo 26).

A segunda área de atuação do Espírito Santo é a santificação da pessoa convertida, pois depois da conversão é que o trabalho começa de fato. A pessoa convertida precisa mudar seu interior, para viver mais de acordo com a vontade de Deus. Isso significa abandonar maus hábitos (veja mais), mudar sentimentos errados, enfim eliminar, aos poucos, tudo aquilo que afasta a pessoa de Deus. 

E à medida que a pessoa muda, ou seja, se santifica, vai colhendo o fruto da presença do Espírito Santo na sua vida: amor, alegria, paz, paciência, bondade, fidelidade, serenidade e domínio próprio (Gálatas capítulo 5, versículos 22 e 23).

A terceira área onde o Espírito Santo atua é na capacitação da pessoa para realizar a obra de Deus. Quando alguém se coloca à disposição para trabalhar nessa obra, vai precisar contar com as ferramentas necessárias para poder realizar bem as tarefas que vierem a ficar a seu cargo. 

Em outras palavras, essa pessoa vai precisar de uma parcela do poder de Deus para lhe dar condições de enfrentar as dificuldades que vão surgir no seu caminho e ter os meios para fazer a diferença na vida do seu próximo (Atos dos Apóstolos capítulo 1, versículo 8).

O Espírito Santo é a fonte desse poder que capacita quem precisa. E Ele distribui esse poder de acordo com as necessidades de cada obreiro(a). Os chamados "dons" do Espírito Santo são justamente essa parcela de poder distribuído para cada obreiro(a). 

Há muitos tipos de dons, pois também são muitas as necessidades da obra de Deus: profecia, ensino, pastoreio, apostolado, cura e falar em línguas, dentre outros. Cada um deles atende uma necessidade específica dessa obra (veja mais).

O Espírito Santo, portanto, é a presença de Deus na sua e na minha vida. É a demonstração prática de que Deus se preocupa conosco e nos dá condições para superarmos dificuldades, ficarmos firmes durante nossas lutas, encontrarmos consolo e ajudarmos na implantação do Reino de Deus aqui e agora. 

Concluindo, sem o Espírito Santo estaríamos perdidos na nossa vida espiritual. E graças a Deus pela sua presença maravilhosa na nossas vidas.

Com carinho

terça-feira, 16 de maio de 2017

COMO SABER SE AS PROMESSAS SÃO MESMO DE DEUS

Como você pode saber se as promessas são mesmo de Deus? Como você deve fazer para não se deixar enganar ou confundir nessa questão? E como tratar as promessas que você recebe?

É justamente sobre isso que a pastora Carol e a Alícia falam numa série de dois vídeos. Veja o primeiro vídeo da série aqui.

Se você quiser ver outros vídeos da pastora Carol veja o canal dela aqui.

domingo, 14 de maio de 2017

O PODER DA MOTIVAÇÃO POSITIVA

Parte importante do desafio de ser cristão, tema de fundo deste site, é vencer a luta contra a tentação. E nem Jesus ficou livre desse tipo de batalha diária - Ele foi tentado por Satanás, por três vezes (Mateus capítulo 4, versículos 1 a 11).

Minha experiência de vida - com base em meus muitos erros e alguns acertos - ensinou-me que as pessoas tornam tudo ainda mais difícil por lutarem da forma errada. Elas tentam enfrentar a tentação usando o que chamo de "motivação negativa", que é a tentativa de evitar uma punição. Elas lutam para resistir porque temem a punição que Deus poderá lhes dar caso cedam à tentação. 

Mas, a motivação positiva - lutar para obter um prêmio - costuma ser uma alternativa muito melhor. Quando seguem essa abordagem, as pessoas lutam para resistir à tentação porque o pecado atrapalha seu relacionamento com Deus.

Vou dar um exemplo simples para que você entenda melhor o que acabei de falar. Imagine que o aniversário da minha mulher esteja próximo e preciso achar um bom presente para ela. E minha motivação para essa tarefa pode ter duas naturezas alternativas: negativa ou positiva.

A motivação negativa seria a de evitar um problema: Preciso encontrar um presente suficientemente bom para que minha mulher não fique chateada comigo. Faço então o esforço necessário e quando encontro um presente que preenche esse requisito mínimo, dou minha busca por terminada, com um suspiro de alívio.

A motivação positiva seria a de lutar por uma recompensa: Pensar na alegria que ela vai ter ao receber um presente que demonstre meu amor e carinho. Isso me fará procurar o melhor presente possível - e não me refiro aqui a valor e sim ao seu significado (demonstração que ela é importante para mim).

A primeira alternativa procura evitar uma "punição" (minha mulher ficar chateada comigo), enquanto a segunda se baseia na busca de um "prêmio" (dar uma alegria para ela). E acho que você não tem qualquer dúvida que a segunda abordagem trará resultados muito melhores: A busca pelo presente será muito mais prazerosa e as chances dele agradar serão muito maiores.

Voltando à questão da luta contra a tentação, a abordagem negativa pode ser resumida da seguinte forma: devo evitar o pecado para não ser punido/a por Deus.

O problema é que a motivação negativa somente funciona até determinado ponto: Enquanto o medo da punição for maior do que o prazer proporcionado pelo pecado. E toda vez que a "balança" se desequilibra - o "sacrifício" que é feito para evitar a tentação cresce e/ou o medo da punição diminui - as pessoas ficam mais sujeitas a pecar.

E é exatamente por isso que as pessoas pecam tanto - basta lembrar que a punição de Deus está distante (não costuma vir na mesma hora), enquanto o prazer gerado pelo pecado é imediato.

Um outro exemplo simples ajuda a explicar melhor tudo isso: é mais fácil resistir a uma oferta de suborno de dez mil reais do que uma de dez milhões de reais. O "sacrifício" que a pessoa fará para resistir ao suborno de valor mais alto será muito maior (afinal, dez milhões de reais poderão arrumar a vida dela para sempre). Já dez mil reais poderão não fazer tanta diferença assim na vida dela.

Nesse exemplo, fica claro que quando o "sacrifício" para evitar o pecado cresce, a "balança" se desequilibra a favor da tentação e fica muito mais difícil resistir a ela.

A diminuição da punição também "desequilibra" a balança em favor do pecado. Uma interpretação mais "favorável" da Bíblia pode transformar um pecado em algo aceitável. Um bom exemplo disso é a questão do aborto, que deixou de ser eaado para muitos(as) cristãos(ãs) com base em argumentos do tipo "a mulher tem direito sobre seu corpo" ou "não se deve colocar um filho indesejado no mundo".

A alternativa, a abordagem positiva, na luta contra a tentação, pode ser resumida assim: "devo evitar o pecado porque ele atrapalha algo muito precioso, que é meu relacionamento com Deus. 

Nessa abordagem, se o desejo de pecar aumentar e ainda assim a pessoa resistir, o "prêmio" também aumenta, pois Deus vai valorizar ainda mais o que foi feito, pois sabe o tamanho da luta que a pessoa enfrentou. Como a "recompensa" cresce junto com o "sacrifício" em resistir à tentação, é muito mais difícil a "balança" se desequilibrar. 

Vou dar outro exemplo simples de como esse tipo de abordagem seria feito na prática, usando um tema muito importante: a luta para convencer os jovens, inclusive os(as) não cristãos(ãs), a evitar a prática do sexo irresponsável, coisa extremamente comum hoje em dia. 

A abordagem negativa seria falar para os(as) jovens que a promiscuidade pode causar doenças sexualmente transmissíveis (mostrar fotos das sequelas físicas seria ainda mais impactante), alertar para a gravidez indesejada e, em cima de tudo isso, falar da possível punição de Deus (lembrar das cidades de Sodoma e Gomorra, destruídas pelos seus inúmeros pecados sexuais), reforçaria ainda mais essa linha de argumentação.

Não seria difícil assustar os(as) jovens com esse discurso, mas o medo gerado iria prevalecer apenas até que o desejo sexual se tornasse mais forte. Quanto mais o tempo passar, maior a chance do(a) jovem esquecer tudo que lhe foi dito. 

Infelizmente, essa é a abordagem mais usada nas igrejas e, não é por acaso, que os resultados são ruins - basta lembrar quantos(as) pessoas se afastam das suas igrejas ao chegar na juventude. E quanta hipocrisia há entre os(as) jovens que permanecem dentro das igrejas. 

A abordagem positiva começaria falando do amor de Deus e do seu desejo que todos(as) experimentem o melhor que Ele tem para dar. Poderia ser citado um versículo do Sermão do Monte, onde Jesus falou (Mateus capítulo 5, versículo 8): "Bem aventurados os puros de coração, pois verão a Deus."

O conceito de pureza de coração envolve muitas coisas, mas certamente também a conduta sexual correta. E a recompensa para a pureza do coração é ver a Deus: Ter um relacionamento estreito com Ele. Herdar suas bençãos e sentir sua presença nos momentos difíceis da vida. E isso não é pouco.

O discurso positivo poderia concluir desafiando os(as) jovens a experimentar a intimidade com Deus, ensinando-as a orar melhor, a louvar com mais sinceridade e assim por diante. E eu não tenho dúvidas que esse segundo caminho seria muito mais eficaz.

Pense nisso toda vez que estiver enfrentando uma tentação difícil de vencer ou estiver ensinando alguém a enfrentar tal tipo de dificuldade. Não se concentre na punição que você imagina que Deus poderá dar e sim na alegria que Ele terá, caso essa tentação seja vencida. 

Com carinho

sexta-feira, 12 de maio de 2017

O SERMÃO QUE PRECISAVA SER SEMPRE REPETIDO

Neste meu novo vídeo, conto a história do pastor que sempre repetia o mesmo sermão. E fazia isso por uma razão muito simples: as pessoas não praticavam o que ouviam.

Aí está um grande exemplo para nossas vidas: é preciso praticar os ensinamentos do cristianismo. Se não fizermos isso, de nada aproveita ouvir sermões, estudar a Bíblia, etc. Veja o vídeo aqui.

quarta-feira, 10 de maio de 2017

SUAS ESCOLHAS SEMPRE TÊM CONSEQUÊNCIAS


A vida é cheia de escolhas: todo dia temos decisões a tomar, desde as simples (que roupa devo vestir hoje?), até as complexas (devo mudar de emprego?).

Às vezes, a pessoa percebe estar diante de uma decisão importante, que vai impactar o seu futuro. Certa vez, meu pai, então alto executivo de uma empresa de engenharia, foi chamado para falar com o dono de uma grande empreiteira, num fim de semana.

A reunião foi no belíssimo apartamento daquele homem, que ficava de frente para a praia do Leblon, no Rio de Janeiro. Na volta da reunião, meu pai relatou para minha mãe que o tal empresário lhe tinha feito uma excelente proposta financeira para ir trabalhar na sua empresa. E comentou que não tinha aceitado e explicou a razão: "O que aquele homem queria comprar eu não podia vender".

Meu pai se recusou a trocar sua honra pessoal por dinheiro, lição que muitos executivos, pegos na operação Lava Jato, poderiam ter aprendido antes de fazer o que fizeram. Meu pai sabia que aquela decisão iria definir sua vida e, como cristão, escolheu ficar no lado certo, mesmo abrindo mão de uma suculenta compensação financeira. 

Outras vezes a pessoa não percebe a importância da decisão que está tomando. Certa vez, um pastor foi visitar no hospital um homem não convertido, que estava muito doente. A intenção original daquele pastor era falar de Jesus para o homem doente. Mas, para não parecer chato, na primeira visita limitou sua conversa a assuntos corriqueiros, como esporte, deixando questões mais profundas (aceitação de Jesus) para uma segunda visita.

O pastor prometeu voltar no dia seguinte e assim fez. Mas, quando chegou no hospital, soube que o homem doente tinha morrido durante a madrugada. A decisão que o pastor tomou no dia anterior, sem perceber a gravidade do que estava fazendo, fez com que ele deixasse de falar de Jesus para um homem que vivia suas últimas horas de vida. No testemunho que escreveu, o pastor confessou que essa é uma culpa que vai carregar para sempre. 

Aprendendo com os exemplos da Bíblia 
A Bíblia está cheia de exemplos de pessoas que fizeram escolhas certas ou erradas. E as duas situações têm muito a ensinar:

1) Rute: a escolha certa por causa da fidelidade (ver o relato no livro de Rute) 
Noemi era uma mulher israelita, viúva, que tinha dois filhos, ambos casados. Ela morava com sua família fora do território de Israel.

O relato diz que os dois filhos de Noemi morreram, deixando as três mulheres (a mãe e as duas noras) sozinhas, sem qualquer proteção - naquela época as mulheres dependiam dos homens para tudo, até sobreviver. 

Noemi contou para as noras que iria voltar para Israel, sua terra natal, pois lá seria mais fácil sobreviver da caridade pública. E disse para as noras que elas estavam livres para voltar para suas famílias de origem, pois como ainda eram jovens, tinham condições de reconstruir suas vidas, casando com outros homens. 

Uma das noras aceitou e partiu. Mas a outra, Rute, disse à sogra que ficaria fiel a ela. E as duas voltaram juntas para Israel e lutaram muito para conseguir sobreviver. 

Rute acabou conhecendo um homem, Boaz, parente afastado de Noemi, com quem se casou e constituiu nova família - ela é a avó do rei Davi. Deus honrou a fidelidade de Rute e mudou sua sorte.

2) Saul: a escolha errada por causa da desobediência (1 Samuel capítulo 15) 
Saul foi escolhido por Deus para ser o primeiro rei de Israel. E Deus colocou o profeta Samuel ao seu lado, para orientá-lo e mantê-lo no caminho certo. 

Infelizmente, Saul preferiu desobedecer a orientação que Deus tinha lhe dado, através de Samuel, pois achou que sabia o que era melhor para si mesmo. Esqueceu-se que devia tudo a Deus e devia ter se mantido obediente.

Deus se afastou de Saul e a vida daquele rei acabou de forma trágica: Suicidou-se, após perder uma batalha, quando também seu filho primogênito morreu. 

3) Os dois ladrões: a decisão de ser humilde (Lucas capítulo 23, versículos 39 a 43) 
Acho que todos sabem que Jesus foi crucificado entre dois ladrões. Um dos ladrões resolveu zombar de Jesus, perguntado porque Ele não se salvava.

O segundo criminoso se irritou com aquela atitude e ordenou que o outro homem se calasse, lembrando-lhe que ambos estavam sendo punidos com justiça pelo que tinham feito, enquanto Jesus estava sendo martirizado injustamente.

A diferença de postura dos dois malfeitores é relativamente fácil de explicar: um deles foi arrogante e se recusou a reconhecer seus erros. O outro foi humilde e pediu ajuda a Jesus. Reconheceu que precisava d´Ele para conseguir se reaproximar de Deus. E com esse simples gesto colocou-se debaixo da Graça de Deus e ouviu de Jesus que, ainda naquele mesmo dia, estaria junto a Deus.

Duas escolhas forma feitas ali. Um dos homens deixou-se levar pela arrogância, enquanto o outro foi humilde. Só o segundo foi salvo.

Conclusão
Suas escolhas têm consequências. Em alguns casos, elas são pequenas: Por exemplo, se você escolher a roupa errada, antes de sair de casa, poderá passar calor ou frio durante o dia. Mas, o problema somente vai durar por poucas horas.

Já em outros casos, as consequências podem ser muito mais sérias e mudar o rumo da sua vida. Como aconteceu com Rute ou com os dois ladrões crucificados ao lado de Jesus.

Portanto, aprender discernir o alcance da sua escolha é muito importante. Por isso é fundamental que você sempre recorra ao Espírito Santo, pedindo-lhe sabedoria e entendimento a cada encruzilhada da sua vida.

Lembre-se ainda que nem sempre o resultado das suas escolhas se tornam imediatamente evidentes. Muitas vezes, somente aparece anos depois, quando pode ser tarde demais para consertar o que está errado. Por exemplo, uma pessoa que escolha fumar pode não sentir nada durante muito tempo, até se dar conta, que tem câncer e nada mais há a fazer.

Foi isso que aconteceu com Saul: Quando percebeu que Deus o tinha abandonado, tempos depois da sua desobediência, correu para pedir ajuda a Samuel, mas já era tarde demais. 

Lembre-se que seu futuro, em boa parte, está sendo decidido nas escolhas que você faz hoje. E que suas escolhas sempre têm consequências.

Com carinho

segunda-feira, 8 de maio de 2017

AS PROFISSÕES DE JESUS


Jesus teve duas profissões, segundo o relato dos Evangelhos: carpinteiro e rabino. Exerceu a primeira delas da pré-adolescência (por volta dos doze anos) até cerca de 30 anos e a segunda nos três últimos anos de sua vida.

A palavra "carpinteiro" ("tekton" no grego) é entendida hoje em dia de maneira um pouco diferente do tempo de Jesus. Hoje em dia, é chamado assim quem trabalha com madeira e constrói coisas maior parte, como telhados ou andaimes (trabalhos em madeira de menor porte, como móveis e objetos em geral são atribuídos ao "marceneiro").

Um "tekton", no tempo de Jesus, era um trabalhador que construía ou fabricava coisas, usando diversos materiais - além de madeira, também metais ou tijolos. Era uma espécie de "faz tudo".

Naquela época, era comum que o pai treinasse pelo menos seu filho mais velho na mesma profissão que já exercia. E esse filho frequentemente herdava as ferramentas do pai (seus bens mais preciosos) e sua clientela. E certamente foi isso que aconteceu com Jesus: Ele seguiu a profissão de José, seu pai adotivo (Mateus capítulo 13, versículo 55).

Jesus trabalhou em Nazaré (pequeno vilarejo onde viveu quase toda a vida) e também em Séforis (situada a cerca de 5 km de Nazaré), cidade que estava em reconstrução naquela época, pois tinha sido destruída pelos romanos por causa de uma revolta. Em Séforis, um tekton, como Jesus, certamente encontrou muito trabalho e conseguiu ganhar algum dinheiro. 

Por volta dos seus trinta anos, Jesus mudou de profissão, atendendo o chamado de Deus: Aí tornou-se um rabino que viajava de local em local (itinerante).

Rabino, naquela época, não era uma profissão igual à de hoje em dia. Atualmente, um rabino é um sacerdote do judaísmo - assim como um pastor é o sacerdote de uma igreja evangélica e, para serem ordenados, precisam estudar muitos anos, em seminários e serem consagrados.

Nos tempos de Jesus, um rabino era simplesmente alguém conhecedor verdadeiro da Palavra de Deus (Bíblia Hebraica ou Velho Testamento) e que se dispusesse a ensiná-la a um grupo de discípulos. Portanto, o rabino não precisava ter tido estudo formal e receber ordenação. Ou seja, não era um sacerdote propriamente dito - naquele tempo, só podiam ser sacerdotes descendentes de algumas famílias da tribo de Levi, o que não era o caso de Jesus.

Alguns poucos rabinos tinham escolas formais, como Gamaliel, que ensinou o apóstolo Paulo (Atos capítulo 22, versículo 3). Mas, a maioria deles, dentre os quais Jesus, atuava de maneira completamente informal.

Os rabinos itinerantes andavam de lugar em lugar e ensinavam onde era possível - casas particulares, praças, descampados, etc. Foi exatamente assim que Jesus atuou. 

Os rabinos eram altamente respeitados pela sociedade daquela época e o povo lhes garantia sustento - comida, abrigo e o que mais fosse necessário. Essa prática ficou evidente quando Jesus mandou 72 discípulos às povoações de Israel e lhes disse (Lucas capítulo 10, versículos de 1 a 12): 


"NÃO LEVEIS BOLSA, NEM ALFORJE, NEM SANDÁLIAS... AO ENTRARDES NUMA CASA, DIZEI ANTES DE TUDO: PAZ SEJA NESTA CASA... PERMANECEIS NA MESMA CASA, COMENDO E BEBENDO DO QUE ELES TIVEREM; PORQUE É DIGNO O TRABALHADOR DO SEU SALÁRIO..."

Portanto, o sustento que o rabino recebia das pessoas com quem tinha contato era o justo "salário" pela sua profissão. E toda a sociedade judaica pensava como Jesus. 

Cada rabino tinha seu grupo de discípulos, que o seguia por onde andasse. Os ensinamentos para os discípulos não eram passados em aulas formais e sim através de comentários levantados pelos fatos da vida. 

Por exemplo, quando Jesus viu um homem rico doar uma grande quantia e uma viúva pobre doar umas poucas moedas para o Templo de Jerusalém, comentou que a viúva doara muito mais, porque tinha dado tudo que tinha (lucas capítulo 21, versículos 1 a 4). De um fato simples, que viu no dia a dia, Jesus construiu um grande ensinamento para seus discípulos (generosidade para com a obra de Deus).

Jesus montou seu grupo de discípulos quando escolheu doze homens (os apóstolos) para seguirem-no e conviverem com Ele. Chamou-os para serem "pescadores de homens". Foram esses apóstolos (menos o traidor, Judas) que formaram o núcleo inicial da igreja cristã. 

Como ensinavam pelo exemplo, todo mundo esperava dos rabinos um comportamento moral exemplar, o que envolvia diversos requisitos, conforme os costumes daquela época. Dentre essas exigências estava a de fugir de qualquer contato com pecadores (prostitutas, coletores de impostos, adúlteras, etc), para não se contaminar. Esse tipo de comportamento foi cobrado de Jesus, por diversas vezes, como, por exemplo, em Mateus capítulo 9, versículos 10 a 13:


"... POR QUE COME O VOSSO MESTRE COM OS PUBLICANOS E PECADORES? MAS JESUS OUVINDO, DISSE: OS SÃOS NÃO PRECISAM DE MÉDICO, E SIM OS DOENTES." 

Os rabinos também costumavam criar parábolas - pequenas estórias que levavam a algum ensinamento teológico importante. E Jesus também fez isso e com grande maestria. Ele chegou a responder perguntas difíceis usando parábolas.

Por exemplo, quando lhe perguntaram quem era o "próximo" da pessoa, fazendo referência ao mandamento para "amar o próximo como a si mesmo", Jesus respondeu contando a parábola do bom samaritano (Lucas capítulo 10, versículos 25 a 37).

Ele recorreu muitas vezes ao recurso das parábolas - os quatro Evangelhos listam dezenas delas, como a do semeador, a do filho pródigo, a do bom samaritano, a do bom pastor, a da festa onde os convidados não aparecerem, a do rico e do Lázaro, dentre outras. 

Portanto, Jesus foi um típico rabino judeu do primeiro século da nossa era. E assim Ele foi encarado pelos seus contemporâneos, tanto é verdade que foi chamado de "rabi" (rabino) inúmeras vezes, conforme os relatos dos quatro evangelhos.

Carpinteiro (tipo "faz tudo") e rabino itinerante, essas foram as profissões terrenas de Jesus ao longo dos seus trinta e poucos anos de vida.

Com carinho