terça-feira, 29 de abril de 2014

JESUS VEIO NOS LIBERTAR DE QUE?

Jesus contou qual era o conteúdo da sua missão na terra quando foi pregar na sinagoga da cidade onde tinha sido criado, logo no começo do seu ministério. Ali Ele disse que tinha vindo "libertar os cativos" (veja mais).

Mas a que tipo de cativeiro Ele se referiu? Vou me concentrar aqui nos dois aspectos que me parecem ser os mais importantes - mas há outros que não vou ter espaço aqui para discutir. O primeiro deles é a prisão do pecado - para aqueles que não se deram conta ainda, o pecado continuado acorrenta o ser humano - basta pensar como uma dependência química domina a vida da pessoa viciada. 

Mas não é só esse tipo de dependência que causa estrago. Pense na escravidão gerada pela ansia de consumir cada vez mais, na prisão causada pela inveja ao próximo, nas correntes que prendem as pessoas que lutam para ter (e conservar) o poder e assim por diante.

O pecado aprisiona e Jesus sabia disso. E durante sua missão Ele nos apresentou um caminho para nossa libertação do pecado e das suas consequências devastadoras.

Mas há outra prisão da qual fomos por Ele libertados(as): uma religião legalista e dominadora

O judaismo, à época de Jesus, tinha se tornado uma religião muito legalista, especialmente por conta dos fariseus. Eram tantas as leis e as minúcias de como cumpri-las, que coisas simples - como aproveitar o sábado, o dia de descanso - tornaram-se altamente regulamentadas.

E tal tipo de legalismo transferia um enorme poder para as mãos dos líderes religiosos, que estabeleciam as leis e, mais importante ainda, interpretavam o que elas diziam e comunicavam às pessoas se elas estavam ou não violando a "vontade" de Deus. E as pessoas tornaram-se escravas desse poder, sem nem perceber.

Infelizmente esse tipo de poder opressor continua a existir na vida da maioria das denominações cristãs. Outro dia eu conversava com uma pessoa adepta do catolicismo, que considerava que a Igreja Católica não é tão rígida assim no trato da questão dos métodos anti-concepcionais. E citou um exemplo, na sua família, onde um padre foi consultado por uma esposa com dúvidas a respeito dos métodos anti-concepcionais que poderia adotar e teve uma postura liberal com aquela mulher.

O que a pessoa que conversava comigo não consegue perceber é que o jugo já está imposto no próprio fato da mulher precisar conversar com um padre a respeito de métodos anticoncepcionais "permitidos", pois nenhuma religião deveria se imiscuir nesse tipo de assunto. Simples assim. Aí, quando um padre dá uma orientação que parece liberal, isso é motivo de elogio, quando na verdade a simples necessidade da orientação de um padre indica escravidão.

Jesus sabia disso e lutou muito contra esse legalismo todo. Por exemplo, Ele afirmou que o sábado tinha sido feito para o homem e não o contrário. Isso porque o dia de descanso tinha sido estabelecido por Deus para que o ser humano não se transformasse num simples animal de carga, trabalhando sete dias por semana, sem tempo para descansar, cuidar da família, lazer e, principalmente, louvar e adorar a Deus. O dia de descanso foi um presente para o ser humano, mas as excessivas regras tornaram as pessoas reféns do sábado.

Hoje em dia, os pastores se acham cada vez mais no direito de regular como os membros das  suas igrejas devem ou não viver. Sob a desculpa de cuidar do seu rebanho e ver que ninguém se perca, estabelecem uma série de regras de vida, incluindo como os jovens devem namorar, as músicas que podem ou não ouvir, os lugares que estão liberados para frequentar e assim por diante. 

O papel dos líderes cristãos é difundir informações, explicar o que o Evangelho requer de cada um de nós e mostrar os caminhos para fazermos aquilo que agrada a Deus. Mas não impor posturas e comportamentos às pessoas, especialmente quando não se leva em conta as circunstâncias que elas vivem. 

Imagine que fosse tornado público que certo líder religioso, de grande prestígio, forneceu cerca de 200 litros de bebida alcoólica para uma festa à qual esteve presente. Eu não tenho dúvidas que haveria uma grande onda de críticas a essa pessoa - correria até o risco de ser expulso da igreja que frequentasse. Mas, e se eu disser que foi exatamente isso que Jesus fez, quando transformou água em vinho na festa de casamento em Caná, na Galiléia, o que devemos pensar? Quem ousaria "atirar a primera pedra"?

É preciso tomar muito cuidado ao impor regras e juízos de valor às pessoas, pois o impacto espiritual sobre elas pode ser enorme. Já perdi a conta das vezes em que fui procurado - tanto aqui neste blog, como pessoalmente - por gente angustiada, sentindo-se culpados(as) por conta desse ou daquele pecado que lhes foi atribuído.

O cristianismo precisa ser uma religião que promova a libertação do ser humano de tudo aquilo que o escraviza. Essa é a missão que foi dada a Jesus e Ele deixou como legado para quem deseja segui-lo. 

E Que Deus nos ajude a cumprir essa tarefa.

Com carinho

sábado, 26 de abril de 2014

VOCÊ PODE SER PARTE DOS MILAGRES DE DEUS

Nos últimos dias escrevi duas outras reflexões baseadas no milagre da ressurreição de Lázaro (João capítulo 11, versículos 1 a 46). Na primeira delas (veja mais), lembrei que a ressurreição não era o milagre “esperado” por todos – a cura de Lázaro, gravemente doente, era o que todos imaginavam que iria acontecer. Mas Jesus demorou propositadamente a chegar onde Lázaro estava, pois tinha em mente outro tipo de milagre, totalmente inesperado. O ensinamento, nesse caso, é que precisamos abrir nossas mentes e corações para perceber a mão de Deus agindo de maneira inesperada. Não podemos colocar Deus numa “caixinha”, pré-estabelecendo como Ele vai agir. 

No segundo post (veja mais), falei sobre o “Deus da Ressurreição”, onde lembrei que Ele várias vezes trouxe de volta à vida aquele que estava morto, sendo o próprio Jesus o caso mais conhecido. E esse mesmo Deus continua disponível para trazer outras coisas que estão mortas para a vida. Sentimentos mortos podem renascer, a fé pode reviver das cinzas e a esperança pode voltar com todo vigor.

Hoje, quero apresentar um terceiro ensinamento proporcionado pela ressurreição de Lázaro. Refiro-me à participação que as pessoas (como você e eu) podem ter nos milagres que Deus faz. Antes de ressuscitar Lázaro, Jesus pediu que os discípulos removessem a pedra da entrada da tumba onde Lázaro estava enterrado. Ora, se Jesus tinha poder para ressuscitar um homem morto, certamente também podia remover aquela pedra. Mas Ele não o fez e pediu que os discípulos fizessem tirassem o obstáculo do caminho. O ensinamento tradicional, que decorre desse ato de Jesus, é que Deus não faz por nós aquilo que podemos fazer por nossa conta. Os discípulos podiam remover a pedra, portanto, Jesus não fez isso por eles.

Mas essa situação traz um ensinamento adicional muito importante. Os discípulos tiveram o privilégio e a honra de participar do milagre que Jesus porque estavam presentes no momento crucial e se colocaram à disposição para agir, quando Jesus lhes pediu isso. Aquele discípulo que hesitou – talvez não crendo que o milagre pudesse acontecer ou por preguiça – deixou de participar de um evento que ficou na história, do qual estamos falando até hoje. Só aqueles que disseram “eis-me aqui” conseguiram participar do milagre.

Infelizmente, a desculpa que mais ouço de pessoas é “não tenho tempo” para fazer isso ou aquilo na obra de Deus. É muito complicado conseguir que as pessoas doem do seu tempo, por exemplo, abrindo mão do próprio lazer. Por incrível que pareça, é mais fácil conseguir que as pessoas deem dinheiro.

Será que você estará disponível quando Jesus lhe chamar para participar da sua obra? Será que você vai ser parte do milagre, quando ele vier a acontecer?

Com carinho

quinta-feira, 24 de abril de 2014

COMO ENGANAR COM ESTATÍSTICAS

A mídia brasileira noticiou com grande destaque o erro cometido pelo IPEA numa pesquisa sobre a condição da mulher brasileira. O texto da pesquisa indicou que cerca de 65% da população acredita que o estupro pode ser justificado quando a mulher se veste de forma provocante. Pouco depois veio a correção: a percentagem verdadeira é alta, embora muito menor, cerca de 25%. O IPEA se defendeu dizendo que foi um erro honesto. 

Nesse caso parece ter realmente ocorrido um erro honesto, embora a credibilidade da pesquisa tenha ficado prejudicada. Agora, os erros que ocorrem em boa parte das estatísticas publicadas não são tão inocentes assim - querem mesmo é influenciar a opinião pública num sentido ou no outro. 

E esse tipo de manipulação dirigida contra o cristianismo é frequente - muitas pesquisas procuram apresentar os cristãos como pessoas retrógradas, intolerantes, hipócritas, etc. Um simples exemplo demonstra bem o que quero dizer. 

São comuns as pesquisas que comparam o comportamento dos "cristãos" com os dos "não cristãos" para estabelecer qual é a influência da crença cristã no comportamento das pessoas. Esse tipo de pesquisa sem dúvida tem muito interesse e deve ser incentivado. 

O problema é que a maioria dessas pesquisas é feita de forma errada. Normalmente, para identificar quem é ou não cristão, os pesquisadores perguntam aos próprios entrevistados como eles se classificam. Ora, sabemos que muitas pessoas se dizem cristãs mas não o são de fato, pois não procuram viver de acordo com os ensinamentos do cristianismo - são cristãos puramente nominais, "não praticantes". Quase nunca têm contatos com a igreja cristã exceto em batizados, casamentos e enterros. 

Assim, se o pesquisador colhe a opinião de um cristão nominal e a considera como representativa do que pensam os cristãos verdadeiros está cometendo um erro metodológico. Antes de considerar um pessoa como cristã seria necessário testar melhor suas convicções - talvez através de um conjunto de perguntas sobre sua filosofia real de vida. Mas isso quase nunca é feito pois tornaria a pesquisa muito complexa.

E se boa parte daqueles considerados como "cristãos" na pesquisa forem seguidores nominais, a pesquisa terá verificado de fato como se comportam dois grupos de não cristãos e aí não há porque o resultado do comportamento dos dois grupos ser diferente. Esse é o caso de uma pesquisa americana recente que indicou que a taxa de divórcios entre "cristãos" e "não cristãos" é quase a mesma. 

Portanto, quando você ler uma pesquisa sobre o cristianismo procure tomar cuidado com aquilo que está sendo informado. 
Tente entender como a pesquisa foi feita e se as conclusões tiradas realmente podem ser garantidas pelos resultados obtidos. A seguir algumas dicas que podem ajudar você a separar o "joio do trigo":

  • Nunca aceite resultados de pesquisas que não possam ser verificados. Por exemplo, conheço uma pesquisa que discute os evangélicos que abandonaram sua fé na juventude e indica a percentagem daqueles que voltam antes do fim da sua vida. Mas como esse dado pode ser conhecido se as pessoas entrevistadas ainda não morreram? No máximo a pesquisa indica a percentagem daqueles que pretendem voltar ao Evangelho, nada mais do que isso.
  • Verifique se as amostras de pessoas pesquisadas são representativas do universo sendo estudado. O caso que citei acima, dos cristãos nominais listados como cristãos verdadeiros, é um bom exemplo desse tipo de erro. Outro exemplo: se o estudo falar da população como um todo, a percentagem de homens e mulheres entrevistados deve ser mais ou menos a mesma. Mas se falar da população cristã, a percentagem de mulheres deve ser muito mais alta, algo como quase dois terços, pois essa é a realidade nas igrejas. 
  • Analise as perguntas feitas aos entrevistados e veja se elas não poderiam levar as pessoas a se confundir ao responderem - no caso da pesquisa do IPEA que citei no início deste post, esse tipo de erro de metodologia esteva presente. 
  • Não acredite em pesquisas que tenham interesses comerciais. Por exemplo, um livro que diga que resolve o problema espiritual de 80% dos cristãos, citando algum tipo de estudo, provavelmente é mentiroso.

Resumindo, não acredite em tudo que você lê, mesmo quando tenha sido publicado em veículos de mída que tenham prestígio.

Com carinho

sexta-feira, 18 de abril de 2014

DANDO VALOR A QUEM MERECE

Toda hora aparecem livros, artigos de jornais/revistas e programas de televisão discutindo a figura de Jesus. Alguns são a favor, enquanto outros procuram provar que Ele é uma fraude e alguns chegam a dizer que nem existiu. O fato é que tudo que se fala sobre Jesus alcança enorme repercussão e gera bons lucros. 

Um livro recente, do conhecido escritor Bart Ehrman, por exemplo, tentou provar que Jesus nunca disse que era o Filho de Deus e foram os cristãos que inventaram esse conceito. É claro que o livro está vendendo bastante, para alegria do seu autor. Mas meu objetivo aqui não é discutir aqui a tese defendida por Ehrman, mas sim analisar uma reflexão paralela que ele fez, absolutamnete relevante numa época de Páscoa. 

Num momento de rara sinceridade, Ehrman escreveu um texto  onde pergunta a si mesmo porque é tão obcecado com a figura de Jesus, a ponto de ter dedicado toda sua vida acadêmica a estudar a história da passagem do Cristo pela terra. A resposta que Ehrman deu à sua própria pergunta me surpreendeu muito: se Jesus não tivesse existido, se os cristãos não tivessem acreditado que Ele é o Filho de Deus, o mundo em que vivemos seria completamente diferente

Repare bem que Ehrman não é cristão e tem dedicado sua carreira acadêmica a tentar diminuir a figura de Jesus, "provando" que Ele não passou de um homem como qualquer outro. Ainda assim reconheceu que a sociedade humana seria muito diferente e, para pior, se Jesus não tivesse existido e pessoas não o tivessem aceito como seu Salvador. 

De fato, os melhores valores da sociedade ocidental - democracia, direitos humanos, igualdade entre os sexos, ajuda ao próximo e assim por diante - não existiriam ou, no mínimo, não teriam prevalecido, sem o cristianismo. Para provar isso, basta olhar para as sociedades onde isso não aconteceu - por exemplo, os países árabes ou boa parte da África - onde esses valores tão importantes quase não se fazem notar.

Ehrman foi capaz de perceber, com muito maior clareza do que a maioria dos cristãos, o impacto que Jesus teve na história da humanidade. O fato é que, muitas vezes, nós cristãos não damos a Jesus o valor que Ele tem. Talvez estejamos tão acostumados com sua figura que acabamos por banalizar o significado que Ele teve. 

Depois da sua vinda ao mundo, nada mais foi como antes. Foi Jesus quem nos ensinou de fato a perdoar, a amar ao próximo, a tratar Deus com intimidade, a ter mais preocupação com servir do que com ser servido, a deixar de lado a religião legalista, a lutar contra a hipocrisia e tantas coisas mais. 

Nessa Páscoa, portanto, não reflita apenas sobre o que aconteceu com Jesus no dia em que foi crucificado e na madrugada em que se levantou dentre os mortos. Lembre-se também que a sociedade onde você vive seria bem diferente se Jesus não tivesse vivido aqui na terra.

E, depois de reconhecer isso, agradeça a Deus pela vida e a obra de Jesus de Nazaré. O maior presente que Deus para a humanidade

Com carinho 

segunda-feira, 14 de abril de 2014

OS ÚLTIMOS DIAS DE JESUS

Como preparação para a Sexta Feira da Paixão, aí vai um relato resumido dos últimos dias de Jesus. 

Duas procissões entraram em Jerusalém no domingo que antecedeu à Páscoa dos judeus (hoje conhecido como Domingo de Ramos) - comemoramos esse dia ontem. Em uma delas, Jesus ia montado num burro, saudado pelo povo (ver Marcos capítulo 11, versículos 1 a 11). Em outra Poncio Pilatos, Governador da Judéia, trazia tropas para reforçar a guarnição de Jerusalém durante a época da Páscoa - os romanos tinham medo de possíveis desordens pois a festa seria frequentada por milhares de peregrinos.

Pilatos foi recebido com frieza e antagonismo, pois representava o opressor, enquanto Jesus foi saudado com gritos de “Hosana”, que significava, na língua hebraica, “salva-nos por favor” (hosha = salva ou ajuda; na = por favor). Era um grito de socorro dos judeus oprimidos pelo jugo romano para que Deus interviesse. 


E é preciso ainda lembrar que o nome de Jesus (Yehoshua) significava “Deus salva” (hoshua= vem da mesma raiz da palavra hosana e Yeho= Deus). Certamente os judeus daquela época fizeram a conexão entre as duas palavras: o grito de socorro do povo (hosana) e o nome de quem iria socorrer a todos (Yehoshua).
 

Na segunda feira, Jesus purificou simbolicamente o Templo de Jerusalém, ao expulsar os comerciantes e cambistas que faziam comércio naquele lugar, desvirtuando seu sentido de casa de adoração (Marcos capítulo 11, versículos 15 a 19).

Na terça feira, houve uma grande batalha espiritual entre Jesus e as autoridades religiosas judaicas, fruto do que tinha acontecido no domingo e segunda. Ocorreram vários embates verbais, sempre com a liderança religiosa questionando a autoridade de Jesus (Marcos capítulo 12, versículos 13 a 17 e 27 a 34). Jesus, como sempre, se saiu brilhantemente.

Dois fatos marcaram a quarta feira. O primeiro foi o pacto de traição que Judas fez com as autoridades religiosas (Marcos capítulo 14, versículos 1 a 11), pelo qual ele recebeu trinta moedas de prata. A traição de um colaborador de Jesus era imprescindível pois alguém precisaria identificar quem Jesus era, pois a cidade estava cheia de peregrinos para a Páscoa, o que tornava muito difícil reconhecê-lo. Além disso, seria necessário prendê-lo de forma discreta, para evitar uma revolta dos seus muitos simpatizantes, logo seria preciso contar com alguém que conhecesse os hábitos de Jesus, para poder aproveitar o momento adequado para agir.

Ainda na quarta feira, Jesus foi ungido por Maria, irmã de Lázaro (Marcos capítulo 14, versículos 3 a 9). Ela usou um perfume muito caro e recebeu críticas de alguns discípulos, especialmente de Judas, pois a fragrância usada custava o equivalente a 10 meses de trabalho de um operário e o valor correspondente poderia ter sido dado aos pobres. Apesar da murmuração, Jesus aprovou a ação de Maria, pois sabia que simbolicamente ela o estava ungindo em preparação para seu sepultamento próximo.

A quinta feira marcou o início do período da Páscoa (Marcos capítulo 14, versículos 12 a 16). Jesus orientou alguns discípulos que fossem à Jerusalém e conversassem com determinada pessoa, com quem Ele já havia feito, em sigilo, um acerto para a realização da ceia - o sigilo era importante, pois caso Judas soubesse antecipadamente o local da ceia, poderia precipitar a prisão de Jesus. 


A ceia de Páscoa celebrava a saída do povo judeu do cativeiro do Egito (Êxodo 12) e era comemorada em família e todos comiam um cordeiro, sacrificado de acordo com os ritos apropriados. Jesus expandiu o significado dessa cerimônia para abranger o seu Sacrifício, instituindo a Santa Ceia, que tomamos até hoje, onde o pão significa seu corpo e o vinho seu sangue (Marcos capítulo 14, versículos 22 a 26).

Ao terminar a ceia, Jesus e os onze discípulos restantes (Judas saíra, antes para cumprir seu papel diabólico) foram rumo ao Jardim que ficava no monte das Oliveiras. Ali, algum tempo depois, Jesus foi preso por soldados do Templo de Jerusalém, que foram guiados por Judas - o traidor deu um beijo em Jesus, o sinal combinado para sua identificação. 


Pedro, sabendo que Jesus tinha sido levado para a casa do Sumo-sacerdote, seguiu-o até lá. Em dado momento, questionado por uma serva - pessoa que estava na camada mais baixa da sociedade judaica - se era discípulo de Jesus, Pedro o negou três vezes, pois teve medo (Marcos capítulo 14, versículos 66 a 72).

Na madrugada da sexta feira, houve um simulacro de julgamento de Jesus (Marcos capítulo 14, versículos 53 a 65), onde os procedimentos legais não foram seguidos, pois os líderes religiosos judeus tinham pressa de condená-lo.

Por volta das 6 horas da manhã, Jesus foi levado a Pilatos, sob o pretexto de que os líderes judeus não tinham poderes para condená-lo á morte - nada mais falso, pois Estevão foi apedrejado (Atos dos Apóstolos capítulo 4, versículo 5 até capítulo 6, versículo 15). Na verdade, o Sumo-sacerdote sabia que estava fazendo algo errado e queria dividir a culpa com os romanos. 


Pilatos ficou diante do dilema: devia seguir seu dever, pois não via crime em Jesus; ou seu interesse, pois seria de boa política atender os líderes religiosos? Acabou ficando com seu interesse e entregou Jesus para a crucificação (Marcos capítulo 15, versículos 1 a 15).

A crucificação era um suplício horrível, no qual a vítima morria lentamente, por asfixia. No caso de Jesus, ainda houve um componente adicional: a carga espiritual. Ele estava tomando sobre si os nossos pecados e se fez maldição por nós (Gálatas capítulo 3, versículo 13). Jesus ficou 6 horas na cruz, mais ou menos, entre 9:00 e 15:00 horas. Durante sua agonia, houve trevas sobre a terra (Marcos capítulo 15, versículos 33 a 41), caracterizando aquele como o mais terrível dia da história humana. O véu do Templo de Jerusalém, que separava o Santo Lugar do Santíssimo Lugar (onde ninguém podia entrar), se rompeu (Marcos capítulo 15, versículos 38 e 39), significando que, a partir de então, por causa do sacrifício de Jesus, o ser humano passou a poder chegar diretamente a Deus, sem intermediários.

Depois que Jesus morreu, seus seguidores tinham a difícil tarefa de conseguir realizar seu sepultamento em apenas 3 horas, pois após as 18:00 horas começava o Sábado e tudo teria que ser paralisado e o corpo de Jesus ficaria na cruz ao sabor das aves de rapina e dos cães vadios.

José de Arimatéia, seguidor de Jesus, pediu então a Pilatos a liberação do corpo e cedeu a sepultura da sua família, que ainda não tinha sido usada (Marcos capítulo 15, versículos 42 a 47). E Jesus foi enterrado no exato tempo disponível.


Com seu sacrifício, Jesus mudou a história da humanidade! Não se esqueça de agradecer a Deus por isso.

Com carinho

sábado, 12 de abril de 2014

QUANDO PARECE HAVER PROBLEMAS DEMAIS

Pai, é problema demais para Vinicius de menos!” Foi isso que falei para o meu pai, lá pelos idos de 1999. Eu passava pelo desgastante processo de finalizar um casamento de mais de 20 anos, estava com grandes problemas financeiros, havia uma crise societária na minha empresa e meus filhos adolescentes davam um trabalho terrível. Os problemas me cercavam de todos os lados. E, sentindo pena de mim mesmo, completei meu desabafo: “Só falta agora eu ficar doente.”

Muitos cristãos acham que sua fé em Jesus vai livrar sua vida dos problemas. Apegam-se a versículos da Bíblia que falam da proteção de Deus, sem se preocupar com o contexto desses textos e concluem que estão seguros: “Podem cair dez mil pessoas do meu lado, mas eu não serei atingido” (ver Salmo 91, versículo 7). Esquecem que o sol e a chuva chegam para todos e que entre os dez mil ao lado deles podem estar outros cristãos, que poderiam alegar os mesmos direitos.

A história mostra que os cristãos são tão atingidos pelos problemas da vida como as demais pessoas. Nós não vivemos numa redoma de vidro que nos protege contra tudo e todos. Jesus nos disse que no mundo teríamos aflições (ver João capítulo 16, versículo 33). Disse ainda que quem quisesse segui-lo, que pegasse sua cruz e viesse após ele (ver Marcos capítulo 8, versículo 34). 


Ora cruz é sinal de sofrimento, de luta, etc. Não de coisa boa. Vemos isso claramente na vida dos apóstolos, que foram perseguidos, passaram por problemas diversos e muitos foram martirizados (ver 2 Coríntios capítulo 11, versículos 16 a 33).

Então, se não existe essa proteção, o que diferencia os cristãos dos demais? Deixando de lado a questão da salvação, que por si só já seria motivo bastante para aceitar Jesus, a outra razão é: O CRISTÃO CONSEGUE ENFRENTAR OS PROBLEMAS DE OUTRA FORMA POIS SABE QUE NÃO ESTÁ SOZINHO!

Voltando ao meu diálogo com meu pai, ele do alto dos seus 80 anos de experiência, me respondeu: “Meu filho, lide com um problema por vez e trate o problema da vez como se fosse o único, e nunca se esqueça que Deus estará com você.” Assim eu fiz e da forma como meu pai profetizou, as coisas aconteceram.

Fui enfrentando os problemas um a um. Quando não podia resolver determinada questão, deixava-a de lado e passava para outra. Mas não desesperei. Sabia que podia contar com os conselhos do meu pai – e frequentemente recorri a eles – e, o mais importante, que o Espírito Santo iria me iluminar, abrir portas, enfim liberar os meus caminhos. Não fiquei livre do sofrimento – passei muitas noites sem dormir, senti-me traído, injustiçado, etc. Mas a tempestade passou e eu sobrevivi. 


Consegui reconstruir minha vida e estou aqui para contar a história. E a lição que aprendi, entendo ser válida não só para mim. Já contei esses fatos muitas vezes para pessoas que me procuraram já sem esperança. E aí fica evidente um subproduto do meu sofrimento: fiquei mais sábio, pois aprendi com os problemas; mais humilde, pois percebi que não sou melhor do que ninguém; e mais compreensivo com os problemas dos outros.

Parece loucura eu dizer isso: mas valeu a pena passar pelo sofrimento. Não me entendam mal: não sou masoquista e não pretendo passar por aquilo de novo. Não sou daqueles que buscam o sofrimento como forma de purificação da alma. Mas, uma vez que o sofrimento se fez presente, procurei aprender e crescer com ele. O que aprendi, compensou o que eu sofri. Simples assim.
 

Com carinho

terça-feira, 8 de abril de 2014

NÃO PERCA TEMPO CORRENDO ATRÁS DO VENTO

O ser humano busca constantemente as riquezas e a glória, tanto pelos benefícios que elas proporcionam, mas também para "imortalizar" seu próprio nome, ao deixar atrás de si uma obra pela qual seja lembrado. Por causa disto os faraós fizeram grandes templos e pirâmides mortuárias; Nabucodonosor construiu uma cidade, Babilônia, com jardins suspensos; o rei Luis XIV construiu o palácio mais suntuoso que já existira, Versailles; e assim por diante. 

Hoje, grandes empresários, como Bill Gates, criam fundações sociais que levam seus nomes, para as quais fazem grandes doações - na verdade aquilo que lhes sobra - pelas quais são reconhecidos como grandes benfeitores da sociedade.  


Mas, nada disto resiste ao tempo. O tempo tudo supera – tanto as coisas boas como as ruins – pois tudo nesta vida terrena é finito. 

O livro de Eclesiastes, escrito pelo rei Salomão, nos ensina que essa tentativa de ter riquezas e glória é vaidade, é como correr atrás do vento... Vale registrar que Salomão é hoje lembrado pelos seus escritos na Bíblia – Eclesiastes, Provérbios, etc – e não pela inigualável riqueza e glória de que desfrutou.

A Bíblia nos manda sim guardar tesouros no céu, onde eles não são corroídos pela traça e a ferrugem. É isto que verdadeiramente importa. Mas como fazer isto? 

É simples: praticando o bem para o próximo e pondo Deus em primeiro lugar. Mas algo que seja simples de definir não é necessariamente fácil de fazer. Tratar sempre o próximo como gostaríamos de ser tratados, é algo desafiador. Colocar Deus em primeiro lugar, quando vivemos num mundo que nos atrai com todo tipo de proposta interessante, quando precisamos batalhar pela vida diariamente e quando a família nos demanda atenção, parece quase impossível.

Muitas pessoas conseguiram fazer isto ao longo da história: Francisco de Assis, homem rico e poderoso, deixou tudo para trás e foi viver o Evangelho em meio aos pobres. Madre Teresa de Calcutá fez algo parecido. John Wesley dedicou sua vida à pregação do Evangelho e a mudar uma sociedade muito injusta, a Inglaterra do século XVIII. Martin Luther King deu sua vida para combater a discriminação social nos Estados Unidos, na primeira metade do século XX. E tantos e tantos outros.

Nem é requerido de nós fazer tanto quanto essas pessoas especiais fizeram, basta que no dia-a-dia pensemos menos em nós mesmos, no nosso conforto, no nosso consumo, em tudo aquilo que julgamos merecer, para olhar para quem está ao nosso lado e estender para ele(ela) a nossa mão; ou ainda falar de Jesus Cristo sempre que houver oportunidade; como também viver uma reta, com as marcas do(a) verdadeiro(a) cristão(ã). 

Com carinho

domingo, 6 de abril de 2014

RECOMEÇAR

Recomeçar é uma das coisas mais difíceis na vida. A necessidade de um recomeço, por si só, significa que algo deu muito errado: fim de uma relação afetiva importante; demissão do emprego; morte de um ente querido; reconhecimento de erros sérios; perda da confiança de quem se ama; uma doença grave; etc.

Não é nada simples ficar de pé de novo e recomeçar – isto me lembra um samba muito popular, que aconselha: “levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima.” Eu mesmo já tive oportunidade de passar por isto, por duas vezes e posso garantir que não é nada fácil. Quem tenta recomeçar fica sujeito a um turbilhão de sentimentos: vergonha, medo de não conseguir, autopiedade, culpa, etc. 

A Bíblia ajuda quem passa por esse tipo de situação através do exemplo de pessoas que tiveram que recomeçar e encontraram forças para fazer isso com a ajuda de Deus. Vejamos alguns exemplos:

Recomeçar, porque a pessoa seguia ideias erradas
Paulo, antes de se tornar apóstolo, era um judeu sincero e ortodoxo que achava que o cristianismo era uma heresia. Por causa disto, perseguiu os cristãos e acabou participando do martírio de alguns deles, como o de Estevão.

Um dia, estava indo para a cidade de Damasco, justamente para liderar a perseguição aos cristãos locais, quando teve uma visão e ouviu uma voz: “Paulo, Paulo, por que me persegues?”  Era Jesus Cristo, que o colocava de novo no caminho certo. 

Paulo aceitou recomeçar, mas não foi nada fácil: teve que desdizer tudo o que tinha dito antes, enfrentou muita resistência, antes de ser totalmente aceito pelos cristãos, e carregou um estigma por toda a vida - ele mesmo se considerava o menor entre os apóstolos, por ter perseguido os seguidores de Cristo.

Mas, acabou se tornando um grande evangelista e o autor dos livros do Novo Testamento que verdadeiramente conceituaram a doutrina cristã, a partir do legado de Jesus. 

Recomeçar ao reconhecer estar em pecado
Os publicanos eram judeus que assumiam o papel de coletar impostos em nome dos odiados romanos. Faziam isto explorando os próprios compatriotas, para lucrar com os excessos de arrecadação. Por isto tudo, os publicanos eram odiados e tidos como pecadores irrecuperáveis. 

Zaqueu era o principal publicano numa cidade que Jesus estava visitando. Tinha baixa estatura e queria ver Jesus passar – o Mestre andava sempre no meio de numeroso grupo de pessoas. A única forma que Zaqueu encontrou, então, foi subir numa árvore. Ao passar embaixo dela, Jesus parou e disse, para surpresa de todos, que iria pernoitar na casa de Zaqueu. Isto era absolutamente inusitado, pois um Mestre deveria evitar ao máximo ter contato com pecadores, para não se contaminar.

Mas, Jesus pensava diferente. Zaqueu foi tão tocado por Jesus, que reconheceu seus pecados e prometeu restituir em dobro tudo aquilo que tinha roubado, para recomeçar sua vida em bases corretas. Ou seja, Zaqueu teve coragem de deixar o pecado para trás e pegar na mão que Jesus lhe estendia. E não deve ter sido nada fácil para ele mudar de vida, pois teve que abrir mão de muito dinheiro, mudar sua profissão e enfrentar a desconfiança das pessoas.

Recomeçar depois da perda de entes queridos
A história de Rute é uma das mais belas da Bíblia. Tudo começa com Noemi, que tinha dois filhos homens, um dos quais casado com Rute. A família morava fora de Israel, por isto as noras de Noemi não eram judias. 

Noemi teve o infortúnio de perder o marido e os dois filhos. Ora, naquela época, as mulheres eram totalmente dependentes dos homens e uma família sem homens adultos estava fadada a morrer de fome. 

Noemi disse, então, para as noras voltarem para suas respectivas famílias, para poderem sobreviver. Ela, Noemi, iria voltar para Israel para viver da caridade do seu povo.

Uma das noras aceitou a sugestão, mas Rute se manteve leal à sogra. A frase que disse naquele momento é daquelas que a gente não esquece: Onde quer que fores, irei eu,... o teu povo é o meu povo, o teu Deus é o meu Deus” (ver Rute, capítulo 1, versículos 16 e 17).  

As duas mulheres recomeçaram a vida em Israel, mendigando. Uma reviravolta dos fatos fez com que Rute acabasse casando com Boaz, rico senhor de terras. E o neto de Rute e Boaz foi o rei Davi. Ou seja, Rute acabou entrando na linhagem de Jesus Cristo.

Rute, por pura lealdade, recomeçou da forma certa e, com isto, sua vida foi mudada para muito melhor.

Recomeçar depois da perda de tudo, tudo mesmo
Jacó tinha doze filhos, mas aquele que amava era José, o penúltimo, que  era um rapaz muito fora do comum. Os dez irmãos mais velhos morriam de ciúmes e acabaram por vendê-lo, como escravo. Assim, José perdeu tudo de uma vez só – o conforto do lar, a família, os amigos, etc. Com apenas dezessete anos, ficou sozinho no mundo e teve que recomeçar do zero, no Egito.

Mas ele não desesperou e manteve a confiança em Deus. Conservou também seus princípios morais e quando lhe foi pedido para fazer coisas erradas, para obter vantagens, ele se recusou. Como Deus estava com ele, José superou todas as dificuldades e acabou como o segundo homem mais importante do Egito, o país mais rico do mundo  naquela época.

Conclusão
Se você está num momento em que é preciso recomeçar, não tenha medo. Se Deus estiver com você, como esteve com Paulo, Zaqueu, Rute e José, pode ter certeza que, independentemente das circunstâncias, você vai conseguir superar as dificuldades. Basta ir em frente e perseverar.

Não importa a razão pela qual sua vida precisa recomeçar - escolhas erradas,  morte de alguém, superação do pecado, etc -, e como diz uma música muito querida dos cristãos: segura na mão de Deus e vai.

Com carinho
Vinicius

sexta-feira, 4 de abril de 2014

A MENINA QUE FAZ FILMES PORNOGRÁFICOS

A imprensa internacional publicou nesses últimos dias uma história chocante. Uma menina de apenas 18 anos - seu apelido é Belle Knox - aluna da Universidade de Duke, uma das mais importantes dos Estados Unidos, viu-se em dificuldades financeiras para pagar os custos de seu curso, que entre mensalidade, moradia e outras despesas, somam cerca de R$ 12 mil por mês.

A solução que encontrou foi fazer filmes pornográficos, que hoje estão espalhados pela Internet e alcançaram enorme "sucesso" de público. Fatalmente ela acabou reconhecida por seus colegas de Universidade e o assunto ganhou as manchetes da mídia. Nos últimos dias ela foi entrevistada por diversas redes de televisão, como a CNN, onde apresentou as razões para sua escolha.

Naturalmente houve muita rejeição ao que ela fez por parte de diversas pessoas, tanto assim que ela sofreu ameçsas físicas e teve que ser protegida ao andar pelo campus da Universidade.

Uma história dessas choca muito, tanto pela pouca idade da moça, quase uma menina, como também pelo seu significado. E, penso que nós, cristãos, não podemos simplesmente ficar na posição de "atirar pedras", apontando para o pecado cometido. 

É claro que a ação dessa moça é errada e merece crítica. A desculpa de que faltou dinheiro não justifica o que foi feito por ela e, inclusive, o impacto moral que causou na sua família. Seu pai é médico militar e ficou sabendo da história quando voltou de um período de serviço no Afganistão - coloco-me no lugar desse pai e acho que perderia o rumo se viesse a saber que uma filha minha fez isso. Não é fácil.

Mas é preciso ir além da crítica e da percepção do pecado. Há muito mais a ser analisado. E lembro que foi isso que Jesus fez, quando tratou de casos similares - na sua época Ele lidou com prostitutas. E sempre demonstrou compaixão. Nunca passou "a mão na cabeça" daqueles que pecavam, mas foi muito mais compreensivo do que os judeus que queriam perseguir e até matar essas mulheres. Precisamos fazer o mesmo, pois Jesus é nosso padrão de comportamento.

Quais os ensinamentos que podemos tirar de uma caso triste como esse? Em primeiro lugar, é preciso aprender com o depoimento dessa garota, quando ela explicou sua escolha. Ela declarou que consome pornografia desde os 12 anos de idade e pensou que seria muita hipocrisia consumir algo e achar que quem faz o "produto" consumido deve ser desprezado. Se consumia pornografia, pensou ela, não havia razão para não fazer o mesmo. Simples assim.

À sua maneira, essa menina de 18 anos apontou o dedo para a hipocrisia que existe na sociedade. Ora, um terço do tráfego na Internet é composto de pessoas em busca de pornografia e os sites que exploram esse tipo de "produto" ganham centenas de milhões de dólares. E se eles ganham esse dinheiro, é porque encontram "consumidores" para aquilo que vendem. Não há como negar esse fato. E é hipocrisia uma pessoa consumir esse tipo de "produto" e mostrar-se escandalizada com a história dessa moça.

A hipocrisia foi um dos pecados contra os quais Jesus foi mais rigoroso, pois Ele sabia o potencial de destruição aí contido. E eu fico preocupado por que não vejo a hipocrisia sendo discutida com frequencia nas igrejas - talvez seja por que incomoda muito.

O segundo ponto que chama minha atenção é como as pessoas não percebem as ramificações daquilo que fazem. Se elas conseguem consumir pornografia, é porque há uma verdadeira indústria por trás desse desejo, explorando pessoas, como essa moça, para permitir que o "produto" esteja disponível. Ao consumir pornografia, a pessoa está, de certa forma, participando dessa cadeia de ações malditas. E não há como fugir disso.  

O terceiro ponto a ser comentado é a total ausência de valores dessa moça. Ela simplesmente não consegue ver mal naquilo que faz e não me pareceu estar mentindo ou representando um papel, ao assumir essa posição. Ela, por incrível que pareça, acredita naquilo que está fazendo. 

E, como tem apenas 18 anos, acho que ela e seus pais são igualmente responsáveis por esse estado de coisas. Imagino que seus pais devem sentir uma culpa terrível por não terem conseguido dar à sua filha uma educação melhor. Por terem permitido, por exemplo, que ela consumisse pornografia desde os 12 anos e se acostumasse com esse tipo de "produto". Por não incutido nela valores de vida melhores.

A Bíblia adverte os pais quanto a essa reponsabilidade, quando diz que é preciso ensinar as crianças, desde cedo, a andar no caminho certo, para que elas não venham a se desviar depois. Infelizmente esses pais não conseguiram fazer isso.

Agora, achei interessante que, quando ela foi questionada se queria essa vida para a filha que vier a ter, a moça titubeou - foi o único momento em que senti certa fraqueza. É claro que há algo dentro dela dizendo que o que anda fazendo não está certo - a voz da sua consciência certamente não fica calada, como não fica no caso de nenhum de nós. Esse é papel do Espírito Santo nas nossas vidas. Ele faz isso diariamente e procura nos convencer a deixar os caminhos errados. E devemos ser muito gratos a Deus por isso.

O último comentário que gostaria de fazer é quanto à questão da relação dessa moça com sua família, a partir de agora. Ela, mesmo sem entrar em detalhes, deixou claro que suas relações com os pais estão estremecidas ao longo dos últimos meses. Declarou ter errado em não avisar aos pais que ia fazer aquilo que fez. Não se arrepende de ter feito, mas de ter exposto os pais dessa maneira. 

Disse também que sabe que os pais a amam e que, no fundo, tudo o que eles querem é vê-la segura. E, como ela vem tomando as precauções necessárias, ela acabará sendo aceita pelos pais.

Não há dúvida que pais que amam seus filhos devem procurar aceitá-los da maneira que são. Não me parece ser correto colocar como condição para amar um(a) filho(a) que ele(a) deixe o pecado. Até porque os pais também pecam. 

Mas a moça não está certa ao imaginar que a preocupação dos pais se limita à garantia física dela. Há muito mais em jogo. Por exemplo, esses mesmos pais tem dois outros filhos(as) e precisam minimizar o impacto do que aconteceu sobre o restante da família.  

Agora, a aceitação do(a) filho(a) que erra não deve significar conivência com o erro dele(a). Na parábola do filho pródigo, que é o padrão bíblico para esse tipo de situação, o Pai (Deus) aceitou o filho desviado (pessoa que peca) depois que esse filho se arrependeu. Enquanto o filho permaneceu no seu caminho errado, por orgulho ou outra questão qualquer, o perdão não veio. 

Os pais dessa moça devem ajudá-la a reconstruir sua vida. Devem dar-lhe seu perdão pelo estrago que ela causou na vida deles e da família. Mas é preciso que essa moça entenda que errou e esteja disposta a mudar, atendendo àquilo que Jesus ensinou: "vai e não peques mais ...".

Com carinho 

quarta-feira, 2 de abril de 2014

A FÓRMULA DE FELICIDADE DA BÍBLIA

A fórmula de felicidade apresentada na Bíblia é relativamente simples, embora certamente não seja fácil de implementar. E isso é razoável porque toda promessa de felicidade fácil é sempre enganosa e mal intencionada. 

A fórmula  
A Bíblia ensina que a presença do Espírito Santo na vida da pessoa gera um fruto (veja mais), cujas características são: amor ao próximo, paz, alegria, bondade, fidelidade, paciência, serenidade e domínio próprio. 

Imagine que você passe a contar com esse fruto na sua vida de forma permanente. Você poderá dizer adeus à ansiedade, tristeza, insegurança, egoismo, insensibilidade ao próximo e assim por diante. Certamente você será uma pessoa feliz. E, mais ainda, essa felicidade não será dependente das circunstâncias externas, pois estará dentro de você. Uma pessoa assim terá uma qualidade de vida excepcional. 

Portanto, se você entende que sua vida hoje não é aquela que gostaria que fosse, esse ensinamento pode ajudar muito a você. Agora, se o segredo da felicidade está no fruto do Espírito Santo crescendo na sua vida, é evidente que a pessoa precisa construir um relacionamento próximo e produtivo com Ele. Mas como isso pode ser feito na prática?

Aproximando-se do Espírito Santo
Há duas providencias que você pode tomar para aprofundar seu relacionamento com o Espírito Santo. A primeira é se afastar do malPense assim: se você quer aprofundar seu relacionamento com alguém, deve começar por não atrapalhar o que já existe - isso já é uma ajuda. 

Ora, toda vez que você peca, afasta-se de Deus. Simples assim. Então quanto menos você pecar, melhor será seu relacionamento com o Espírito Santo.

Mas é claro que você, assim como eu, peca todos os dias. Portanto, não estou falando aqui de eliminar o pecado, porque isso seria impossível. Falo de um esforço sério e sincero para melhorar. 

É importante você perceber que essa discussão não se refere à sua salvação e sim à melhoria da sua qualidade de vida, à construção de uma vida mais feliz. Isto porque pecados sempre têm consequências ruins, embora isso muitas vezes somente seja percebido a longo prazo. Mas essas consequências sempre existem. E entender que o pecado piora a qualidade de vida pode se tornar uma revolução na forma como você conduz sua religião. 

Normalmente, as pessoas são ensinadas a se afastar do pecado por causa do risco de ir para o Inferno - trata-se essencialmente de uma discussão sobre mudar agora para alcançar algo no futuro. Agora, quando a pessoa entende que diminuir a presença do pecado melhora sua qualidade de vida, a dinâmica para mudar passa a ser outra. Há uma motivação muito maior, pois se trata de melhorar o aqui e agora. 

A segunda forma de você se aproximar do Espírito Santo é avançar nas práticas espirituais. Refiro-me à oração, à meditação sobre a Palavra de Deus, ao exercício da caridade, etc. O problema é que as pessoas normalmente não conseguem ter a disciplina de vida necessária para evoluir nessas práticas espirituais da forma como deveriam. Os problemas e exigências do dia-a-dia tendem a "engolir" o tempo disponível e a motivação que as pessoas possam ter. O que fazer então? 

A resposta é assumir compromissos (obrigações) com a obra de Deus. Isso funciona porque estamos acostumados a cumprir obrigações nos diversos campos de nossa vida. E quando não há obrigação, a pessoa acaba não fazendo aquilo que deveria. É por isso que levanto todos os dias para ir trabalhar (há uma obrigação) e não tenho a mesma atitude positiva para fazer exercício físico (não há qualquer obrigação). 

Mas há mais ainda. Quando se assume uma obrigação na obra de Deus, ocorre um fenômeno interessante: aquilo que começa como obrigação acaba se tornando um prazer, à medida que o fruto do Espírito cresce na pessoa. 

Por exemplo, quando minha mulher me falou para manter este blog, confesso que não fiquei muito entusiasmado, pois sabia o trabalho que iria ter - o segredo de um blog é ter disciplina para sempre oferecer material novo para os leitores. Mas, ao longo do tempo, passei a apreciar esse trabalho e minha atividade aqui se tornou um prazer. 

Assim, se você quer crescer em oração, junte-se a um grupo de intercessão. Se quiser crescer no conhecimento da Palavra de Deus, junte-se a um grupo sério de estudo bíblico. E assim por diante.

Palavras finais
Resumindo, para que você seja feliz, precisa do fruto do Espírito Santo na sua vida. Para tanto é preciso aproximar-se d´Ele, torná-lo mais presente na sua vida, o que pode ser conseguido a partir de duas providencias: afastar-se do mal e evoluir nas práticas espirituais (oração, estudo da Bíblia, etc). 

A primeira providência torna-se efetiva a partir do momento em que a pessoa entender que se afastar do pecado irá melhorar sua qualidade da sua vida. Já a segunda providência toma corpo a partir do momento em que a pessoa venha a gradualmente assumir compromissos (obrigações ) com a obra de Deus. 

Esse é o caminho que Deus estabeleceu. Se você quer ser feliz, basta segui-lo. 

Com carinho