quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

RESOLUÇÕES PARA O ANO NOVO

O ano novo está próximo e haverá muita comemoração nos próximos dias. Mas, na verdade, a passagem de ano é uma simples convenção que registra o fim de um ciclo (uma volta da terra em torno do sol). Nada mais do que isso. Na nossa sociedade, foi convencionado que essa passagem acontece ao fim do dia 31 de Dezembro, enquanto em outras civilizações, como na Judeia na época de Jesus, a data era outra bem diferente.

Agora, uma simples convenção acabou se transformando num momento meio "mágico" para muitas pessoas, uma passagem que de alguma forma permite deixar para trás frustrações e tristezas acumuladas no ano que passou e abre perspectivas novas e muito melhores. 

É claro que isso não é verdade - meu pai sempre dizia que, depois da virada do ano, tudo vai continuar mais ou menos igual. Os mesmos problemas e frustrações continuarão presentes. 

Outra prática muito comum na virada de ano é assumir compromissos de realizar mudanças. Fazer resoluções para o ano novo. As pessoas prometem para si mesmas coisas das mais diferentes naturezas, como emagrecer e levar uma vida mais saudável, controlar melhor seu temperamento,  abandonar vícios, fazer economia e até se aproximar mais de Deus.

Infelizmente, essas resoluções bem intencionadas raramente acabam sendo cumpridas - estudos mostram que menos de 10% delas se concretizam: o regime acaba sendo adiado por qualquer razão, o estudo bíblico fica para quando houver mais tempo, a economia fica para depois da viagem prevista para julho e assim por diante. 

Assim como a esperança que renasce, com a perspectiva de que os problemas irão embora junto com o ano velho, para logo depois ser frustrada pela realidade, as boas intenções de melhorar a própria vida são pouco a pouco destruídas, engolidas pelas demandas do dia-a-dia. Na maioria dos casos nunca se concretizam.

As esperanças geradas na passagem do ano se frustram por serem irreais, afinal não existe um momento "mágico" que transforma tudo. As resoluções de ano novo não vingam porque as pessoas querem obter resultados sem atacar a origem do problema. Querem se tornar melhores mesmo sem mudar seu interior - e é apenas uma questão de tempo para que os velhos hábitos retornem.

Como mudar de fato
O que fazer para mudar de fato e conseguir transformar boas intenções em realidade? A resposta é simples e pode surpreender você: reforce sua fé em Jesus e depois procure exercê-la plenamente. 

A Bíblia ensina (Tiago capítulo 2, versículo 14 a 17) que a fé verdadeira é aquela que gera obras e isso significa sobretudo mudança interior: adquirir novos valores, novas prioridades, etc. A pessoa se motiva e assume o compromisso de ser melhor porque escolheu seguir a Jesus. 

Então, se Ele pede para perdoar, a pessoa vai se esforçar para aprender a fazer isso. Se Ele cobra que a pessoa deixe de lado seus vícios, ela vai encontrar n´Ele as forças necessárias para dar esse passo. Se Jesus ensina como controlar o próprio temperamento, a pessoa vai seguir fielmente essa receita e alcançar o auto-controle. E assim por diante.  

Portanto se, entra ano e sai ano, seu comportamento continua enfrentando as mesmas limitações e dificuldades, está faltando fé. Simples assim.

A pessoa pode até ir à igreja, ler a Bíblia e se envolver com a obra de Deus e ainda assim não conseguir mudar. Isso porque essas coisas são feitas por pura religiosidade, sem entrega e compromisso. A pessoa vive sua religião apenas para "cumprir tabela". Não há nela a fé verdadeira.

Aproveite, então, a passagem de ano para fazer duas coisas. A primeira é examinar com sinceridade os frutos da sua vida no ano que passou. Por exemplo, quando Deus chamou, você respondeu você foi ou se deixou vencer pelo comodismo, pela "falta" de tempo ou por outra coisa qualquer? Você mudou aquele hábito errado que tanto prejudicava sua vida? Ajudou a levar alguma pessoa para Jesus? Dividiu a carga das pessoas que sofriam?

Se você os resultados obtidos no ano que passou não foram bons, reconheça esse fato (em oração), peça perdão a Deus. 

É aí que entra o segundo passo: entregue verdadeiramente sua vida a Jesus e passe a fazer aquilo que Ele pede. peça ajuda a Deus para conseguir transformar sua boa intenção em prática de vida. 

Se você fizer isso, pode ter certeza que 2016 vai ser um ano muito especial para você.

Com carinho  

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

O PRIMEIRO MILAGRE DE JESUS

Por favor, leia este mesmo post no meu novo site http://www.sercristao.org/2015/12/28/o-primeiro-milagre-de-jesus/ . 

A primeira vez de alguma coisa que se faz com habitualidade costuma ter importância: a primeira festa, o primeiro amor, o primeiro filho, o primeiro emprego  e assim por diante. Um marqueteiro chegou a explorar isso, de forma genial, num anúncio de sutiã que ficou na memória.

O primeiro milagre de Jesus foi muito significativo - a transformação de água em vinho. Não está entre os seus milagres mais famosos - como ressuscitar Lázaro, multiplicar pães ou andar sobre as águas. Mas seu ato traz ensinamentos profundos para as nossas vidas. 

Os fatos 
(João capítulo 2, versículos 1 a 12)
O milagre ocorreu numa festa de casamento, para a qual a família de Jesus tinha sido convidada. Certamente havia uma relação estreita entre as duas famílias pois Maria, mãe de Jesus, participou dos "bastidores" da festa. 

Por isso percebeu que o vinho servido aos convidados tinha acabado e resolveu ajudar. Procurou Jesus e pediu-lhe que fizesse alguma coisa. Mas a resposta d´Ele é surpreendente - numa primeira leitura, parece até meio rude: "Mulher, que tenho eu contigo? Ainda não é chegada a minha hora". 

Há uma explicação para essa resposta: Maria esperava uma solução miraculosa vinda de Jesus e Ele não tinha intenção de fazer tal tipo de coisa naquele momento. Mas como pedido de mãe sempre acaba sendo atendido...

Jesus pediu aos empregados que juntassem seis talhas de pedra e as enchessem com água. O pedido de Jesus deve ter causado espanto nos empregados, pois aquelas talhas, com capacidade para cerca de 30 litros cada uma, eram objetos que tinham uso bem específico (banhos para purificação). Para você entender melhor, o espanto causado ali foi semelhante ao que teria acontecido se Jesus tivesse entrado numa igreja e pedido para usar a pia batismal numa festa. 

Mesmo surpresos, os empregados, aconselhados por Maria, fizeram o que Jesus pediu. E a água que encheu as talhas foi transformada em vinho - isso sem que Jesus tocasse em nada ou dissesse alguma palavra especial. O milagre simplesmente aconteceu

Jesus fez tudo de forma quieta e com certeza muitos convidados nem perceberam o que acabara de acontecer. Agora, imagina o espetáculo que um desses tele-evangelistas, que andam pela televisão hoje em dia, teria feito caso conseguisse realizar a mesma proeza em público. 

E o vinho criado por Jesus foi tão bom que os convidados comentaram ter aquela festa rompido com uma tradição bem estabelecida: servir primeiro a bebida boa e depois, aproveitando do fato das pessoas ficarem "alegres", empurrar para os convidados o vinho mais barato.

O significado do milagre  
Penso que há pelo menos seis ensinamentos a tirar desse milagre:  

Primeiro, a melhor preparação humana nunca garante que tudo vai dar certo. Tudo que o ser humano faz tem limitações - naquela festa, o vinho acabou. Mas o problema poderia ter sido outro - lembro de uma festa de casamento em que a confeiteira contratada esqueceu de fazer o bolo... 

Problemas inesperados sempre surgem e essa é uma realidade da qual ninguém consegue escapar. E saber disso faz com que o ser humano se torne menos arrogante e vaidoso.

Segundo, a história demonstrou que o ser humano é impotente para arranjar soluções para alguns dos seus maiores problemas. Naquele caso, não havia como conseguir mais vinho - provavelmente por ser tarde da noite. Mas o problema sem solução pode ser uma doença séria, o desemprego, uma crise familiar. 

Cada um(a) de nós cedo ou tarde esbarra com limites na sua vida. E só a ajuda de Deus pode nos permitir superar esses limites - sem Ele, a "festa" da vida acaba, pois não há mais "vinho" para servir.

Terceiro, quando Jesus for convidado para participar da "festa" da sua vida, sempre haverá motivo para festejar. Afinal, Ele tira recursos de onde você nem imagina que seja possível. Jesus transforma derrota em vitória, doença em saúde, falta de dinheiro em abundância e assim por diante. E só ele pode fazer isso. 

Quarto, Deus tem sua hora determinada para agir. Mas Ele responde aos nossos pedidos e pode antecipar sua ação nas nossas vidas. 

Quinto, nenhum objeto ou lugar é santo por si mesmo - para Jesus, as talhas de pedra eram apenas vasos, embora seu uso fosse considerado especial. O que santifica um objeto ou lugar é o uso que Deus faz dele e somente isso. 

Finalmente, em Jesus temos um Deus que se alegra, festeja e ri. E isso é muito diferente da imagem de Deus que muitos(as) cristãos(ãs) fazem: alguém sisudo, severo e sempre pronto a punir. 

Com carinho

sábado, 26 de dezembro de 2015

OS TRÊS REIS MAGOS: MITO OU VERDADE?

Os presépios de Natal trazem a figura dos três reis magos - Baltasar, Gaspar e Melquior - oferecendo presentes para o bebê Jesus, ainda deitado numa manjedoura. Será que essa imagem linda e tão popular representa um fato real? Foi isso mesmo que aconteceu?

Antes de responder a essas perguntas, transcrevo abaixo o que a Bíblia fala a respeito dessa visita (Mateus capítulo 2, versículos 1 a 12):
E tendo nascido Jesus em Belém da Judeia, no tempo do rei Herodes, eis que uns magos vieram do oriente a Jerusalém, dizendo: Onde está aquele que é nascido rei dos judeus? Porque vimos sua estrela no oriente, e viemos a adorá-lo. E o rei Herodes, ouvindo isto, perturbou-se, e toda Jerusalém com ele. E, congregados todos os príncipes dos sacerdotes e os escribas do povo, perguntou-lhes onde havia de nascer o Messias. E eles lhe disseram: Em Belém de Judeia porque assim está escrito pelo profeta... Então Herodes, chamando secretamente os magos, inquiriu deles acerca do tempo em que a estrela lhes aparecera. E... disse: Ide, e perguntai diligentemente pelo menino e, quando o achardes, participai-mo para que também eu vá e o adore. E, tendo eles ouvido o rei, partiram e eis que a estrela, que tinham visto no oriente, ia adiante deles, até que se deteve sobre o lugar onde estava o menino... E, entrando na casa, acharam o menino com Maria sua mãe e, prostrando-se, o adoraram e abrindo seus tesouros, ofertaram-lhe dádivas: ouro, incenso e mirra. E, sendo por divina revelação avisados num sonho para que não voltassem para junto de Herodes, partiram para sua terra por outro caminho.É só isso que a Bíblia relato. Nela não há, portanto, a indicação do nome desses homens, quantos eram  e nem quem eram de fato. Essas informações vêm de outros documentos antigos - como Evangelho da Infância de Jesus - que trazem algumas informações históricas, que podem ser mais ou menos confiáveis dependendo da origem desses textos. Mas esses documentos complementares não podem ter para nós, cristãos, o mesmo peso do que está contido na Bíblia.

A seguir, faço um resumo daquilo que podemos saber com certeza a respeito desses homens e da visita que fizeram a Jesus recém-nascido: 

Eles vieram de alguma região a oeste (oriente) da Palestina, provavelmente Babilônia e/ou Pérsia e/ou Índia. Eram homens versados em astronomia e astrologia, daí serem conhecidos como "magos". E conheciam alguma profecia sobre o nascimento de um rei para os judeus que também reinaria sobre toda a humanidade - isso é surpreendente pois nem eram judeus e não conheciam a Bíblia Hebraica (Velho Testamento). 

Viram no céu um sinal - a "estrela de Belém" - e entenderam que a criança tinham nascido e saíram de suas terras para adorar o recém-nascido, fazendo uma longa viagem. Chegaram até Jerusalém e foram perguntar onde estava o bebê - não podiam imaginar que um rei tão importante tinha nascido numa manjedoura. Eram pessoas ricas e certamente tinham com eles uma comitiva grande e imponente, daí atraíram a atenção do rei Herodes, com quem os magos conversaram. 

Naturalmente, Herodes ficou amedrontado ao perceber que acabar de nascer um possível rival para ele. E convocou os sacerdotes e escribas judeus, para perguntar-lhes onde a criança deveria ter nascido. Foi informado que a Bíblia continha uma profecia que isso se daria em Belém da Judeia (Miqueias capítulo 5, versículo 1). 

Herodes encaminhou os magos para Belém e pediu que, na volta, passassem em Jerusalém, para informá-lo sobre o local em que estava o bebê, sob o pretexto que iria também adorá-lo. Na verdade, Herodes queria matar Jesus, o que tentou fazer adiante ao massacrar todos os recém-nascidos da região (Mateus capítulo 2, versículos 16 a 18) - essa atitude obrigou a família de Jesus a fugir para o Egito, de onde somente voltou depois da morte de Herodes (Mateus capítulo 2, versículos 19 a 22). Por causa desse perigo, os magos foram avisados em sonho para nada falar para Herodes e voltaram para suas casas por outro caminho.

Ao chegarem em Belém, os magos foram guiados até o local onde a criança estava pela estrela e ali encontraram Jesus. Adoraram o recém-nascido e lhe deram três presentes: ouro, incenso e mirra. Ouro era a dádiva adequada para um rei, o incenso era apropriado para um sacerdote e a mirra (usada para embalsamar corpos) representava sofrimento, o que tinha muito a ver com o papel de profeta. Assim, essas oferendas indicavam o reconhecimento dos três papéis que Jesus haveria de ter ao longo do seu ministério - rei, sacerdote e profeta- , conforme afirma a doutrina cristã. 

Repare que o texto conta que os magos encontraram o bebê numa casa e não são citados no relato José (provavelmente estava fora), pastores ou animais. Em outras palavras, os magos não estavam presentes na cena da manjedoura, no dia mesmo do nascimento. Chegaram lá depois e os presépios estão errados em incluí-los. 

O texto da Bíblia não afirma que eram três homens e nem cita os seus nomes. Só sabemos essas informações, conforme já comentei, por outros textos. Portanto, não podemos ter certeza quanto a essa tradição. 

A Bíblia também não fala que eram reis - chama-os apenas de magos. A indicação de que eram reis parte da interpretação do Salmo 72, versículo 11, onde é dito que os reis de toda a terra irão adorar Jesus e dos citados textos paralelos. Portanto, essa é outra tradição da qual não podemos ter certeza.

A visita dos magos a Jesus tem diversos significados teológicos. O primeiro é que o Rei foi rejeitado desde o seu nascimento pelos poderes constituídos (Herodes e os principais sacerdotes judeus), mas foi reconhecido por aqueles que viviam à margem desse poder e tinham conhecimento espiritual. 

Indica ainda que as profecias relacionadas com Jesus eram conhecidas não apenas pelos judeus, isto é Deus deu outras revelações para outras pessoas.

Também demonstra que essas profecias falavam com clareza sobre os papéis que Jesus haveria de desempenhar na história humana.

Concluindo, trata-se de um evento cheio de significado teológico por isso Mateus escolheu relatá-lo. É claro que os presépios não relatam o acontecido com precisão, ao colocá-los na cena da manjedoura, mas não estão errados em incluí-los nas comemorações do nascimento de Jesus.

Com carinho

quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

MENSAGEM DE NATAL

Hoje é dia de Natal e comemoramos o nascimento de Jesus. A maioria das famílias está reunida, curtindo os presentes, comida muito especial e a convivência. Costuma ser um dia de alegria e amor. Um dia abençoado.

Mas dirijo-me em particular a você que vive hoje momentos difíceis. Que se sente sozinho(a), sem esperanças e até sem motivo para celebrar. Sei na minha própria carne como é duro sentir-se triste num dia que parece ter sido feito para a alegria. Estar por baixo quando todo mundo parece estar bem e alegre.

Minha mensagem para quem se sente assim é simples: não perca a esperança e nem a alegria de viver. E o motivo que apresento para você está contido no próprio significado do Natal: A chegada de Jesus ao mundo mais de 2.000 anos atrás. Esse evento significou que ninguém mais está sozinho(a), não importam as circunstâncias da vida.

Jesus não precisava ter encarnado e vindo ao mundo. Muito menos sofrido numa cruz para abrir as portas da salvação para os seres humanos. Mas passou por todas essas dificuldades, portanto deve ter havido uma razão muito forte para seus atos.

Com efeito, a vinda de Jesus ao mundo significa que Deus é solidário conosco. Sempre. Ele entende o sofrimento e as dificuldades humanas, afinal Jesus também sofreu solidão, desamparo, privação e traição - tanto assim, que a Bíblia chamou Jesus de "homem de dores". Portanto, Deus sabe como você está se sentindo. Entende perfeitamente suas frustrações e angústias. E se identifica com você.

Esse é o significado maior do Natal: a mão de Deus está sempre estendida, convidando você a entrar em comunhão com Ele. Basta falar com Ele, dividir suas dores e pedir ajuda. 

Tenho certeza que você receberá, se pedir, a sua Paz, que desafia todo entendimento humano. E é nessa esperança, nessa certeza, que desejo para você um Feliz Natal.

Com carinho  

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

MARIA, MÃE DE JESUS

É triste reconhecer que o tema "Maria, mãe de Jesus" gera uma grande divisão entre os cristãos: de um lado, os católicos e algumas outras denominações, de outro, os evangélicos/protestantes. Os primeiros tratam Maria com uma reverencia que, em muitos casos, chega às raias da adoração. Os do outro lado quase nem falam dela, exceto no Natal.

A causa da diferença
A Bíblia diz que Jesus tinha duas naturezas: uma divina e a outra humana. Ora, Jesus é a segunda pessoa da Trindade (Deus Pai, Filho e Espírito Santo) que encarnou numa natureza humana. E para que isso fosse possível, Ele teve que se "esvaziar" da sua natureza divina para poder "caber" numa natureza humana - ela continuou a ser Deus mas nunca fez uso dos seus poderes divinos enquanto viveu na terra. 

A divergência nasce da diferença de entendimento quanto ao papel de Maria.  Os evangélicos/protestantes - entre os quais me incluo - entendem que Maria é mãe de Jesus, ou seja teve um papel ativo e fundamental na gestação da natureza humana d´Ele, mas nada tem a ver com sua natureza divina - os evangélicos defendem a ideia que Deus é eterno e, como tal, não poderia ter uma mãe humana. Já os católicos entendem que Maria também é mãe de Jesus enquanto Deus e, naturalmente, daí decorrem toda uma série de doutrinas importantes a respeito dela.  

Ora, a Bíblia não se refere a Maria como mãe de Deus e sim como aquela que gerou Jesus, dando suporte à posição dos evangélicos/protestantes. Os ensinamentos que embasam a doutrina católica vem do chamado "magistério" da Igreja, ou seja da doutrina que ela própria estabeleceu ao longo dos séculos e que não é aceita por muitas pessoas. 

Em consequência, há um abismo separando a forma como os católicos e os evangélicos/protestantes lidam com a memória de Maria. 

Agora, meu objetivo aqui não é ficar esmiuçando as razões de cada lado, mas sim corrigir uma injustiça que os evangélicos/protestantes cometem com essa mulher especial: deixam de honrá-la como deveriam.

Se você frequenta cultos evangélicos, tente se lembrar da última vez em que ouviu um sermão baseado na figura de Maria. Provavelmente você nem se lembra mais, se é que ouviu algum sermão assim. E isso está errado pois, se Deus escolheu Maria para ser mãe de Jesus, ela não pode ter sido menos do que uma mulher extraordinária.

Uma grande mulher
Para os padrões de hoje, Maria era apenas uma menina (14 ou 15 anos), quando recebeu a mensagem de Deus, através do anjo Gabriel, contando-lhe que iria engravidar de um filho gerado pelo Espírito Santo. Maria estava noiva de José, mas ainda era virgem, portanto aquela gravidez inesperada iria trazer-lhe (como de fato trouxe) grandes problemas.

Ela vivia numa sociedade patriarcal e uma gravidez fora do casamento era um escândalo e colocava a mulher em grande risco - as punições para isso eram muito severas. Sua única esperança seria José, seu noivo, aceitar e perfilhar a criança. 

Imagine uma menina submetida a esse tipo de dilema. E ela enfrentou esse desafio de maneira fantástica, pois tinha fé inabalável - veja o que ela disse num cântico muito famoso  (Lucas capítulo 1, versículos 46 a 55).
"A minha alma engrandece ao Senhor... Pois desde agora todas as gerações me considerarão bem-aventurada..."
Ao invés de olhar para os problemas que iria viver, olhou para Deus e se alegrou com a honra que lhe estava sendo dada.  

Bíblia conta que José, ao saber da novidade e não querendo falar mal de Maria, decidiu se afastar dela sem alarde. Mas um sonho o convenceu a reconhecer Jesus como filho (Mateus capítulo 1, versículos 18 a 25). 

Ainda assim, Maria teve que conviver por toda a vida com a desconfiança sobre a origem de Jesus - por isso em muitas passagens da Bíblia Ele foi chamado de "filho de Maria", o que somente seria admissível numa situação onde seu pai verdadeiro fosse desconhecido.

Essa menina deu à luz Jesus nas piores condições possíveis. A viagem que fez antes de dar a luz - de Nazaré a Belém, por mais de cem km -, montada num burrico, através de estradas esburacadas, sentindo dores e desconforto, sem se queixar, é um testemunho à coragem dessa mulher admirável. As circunstâncias do parto também foram muito difíceis, pois as acomodações em que estava, em Belém, eram muito precárias.

Maria passou o restante da sua vida sabendo que um destino especial estava reservado para seu filho, conforme o anjo lhe tinha revelado. Acompanhou seu ministério e viu-o ser perseguido pelos líderes religiosos judeus. E estava presente quando Jesus foi pregado numa cruz - seu coração certamente se partiu enquanto viu seu Filho agonizar ali. Ou seja, ela pagou um preço muito alto por fazer a vontade de Deus.

Os católicos tem uma oração para Maria muito conhecida a "Ave Maria" ou "Salve Maria". Nós, evangélicos/protestantes, não podemos dizê-la como oração, pois oramos apenas para Deus. E também por que há coisas nela que não acreditamos, como quando ela é chamada "mãe de Deus". 

Mas, há muitas coisas verdadeiras nessa saudação e eu gostaria de fazer minhas uma parte das palavras ali contidas, em reconhecimento a aquela mulher admirável:
Salve, Maria, cheia da graça de Deus, o Senhor é convosco, e bendita sois entre as mulheres, assim como Bendito é o fruto do vosso ventre, Jesus.
Neste Natal, vamos todos(as), cristãos(ãs), católicos ou evangélicos/protestantes, lembrar com carinho e muita consideração, aquela quase menina, que não hesitou em doar seu corpo, sob grande risco pessoal, para servir como porta de entrada para a chegada de Jesus a este mundo.

Com carinho

domingo, 20 de dezembro de 2015

COMO ERA A NATUREZA HUMANA DE JESUS

Durante sua passagem por este mundo, Jesus tinha duas naturezas: humana e divina. Mas Jesus não era um ser "dividido" em duas partes, como muitos pensam, pois suas duas naturezas eram plenas e conviviam de forma integrada. 

Como isso foi possível? Trata-se de um mistério de Deus, que vai além da nossa compreensão. Mas há muitas dicas espalhadas pelos relatos bíblicos para nos ajudar a entender um pouco o que aconteceu. 

Por exemplo, a Bíblia conta que Jesus se "esvaziou" dos seus poderes divinos e nunca os usou - foi como se a natureza divina de Jesus estivesse "adormecida" ao longo dos trinta e poucos anos em que viveu entre nós. 

Se foi assim, de onde veio o poder que Jesus usou para fazer milagres? Isso é simples de responder: Jesus usou sua fé e, através dela, o poder do Espírito Santo. Tanto foi assim que, no Evangelho de João (capítulo 14, versículos 12 a 14), Jesus comentou que seus(uas) seguidores(as) poderiam fazer tudo que Ele fez, pois iriam dispor do mesmo poder - com efeito, os apóstolos repetiram diversos milagres de Jesus, como curar doentes ou ressuscitar mortos.

Entendido isso, podemos passar a discutir o que nos interessa mais de perto aqui: a natureza humana de Jesus. Começo lembrando que Jesus foi concebido por ação do Espírito Santo sobre o corpo de uma mulher, Maria. De forma milagrosa, um dos seus óvulos foi fecundado diretamente, sem que ela tivesse tido relação sexual com qualquer homem. Jesus tinha, portanto, metade do DNA de sua mãe. E podemos especular que também tinha cromossomos da sua parte divina, mas não sabemos como isso funcionou na prática.
  
Jesus teve o desenvolvimento normal de qualquer ser humano - a Bíblia fala que Ele cresceu em estatura (desenvolvimento físico), sabedoria (desenvolvimento mental e emocional) e graça (desenvolvimento espiritual). Os relatos bíblicos falam d´Ele em três diferentes períodos da sua vida: até os dois anos de idade, por volta dos 12 anos e, finalmente, a partir dos 30 trinta anos, período do seu ministério - suas características físicas, emocionais e espirituais são diferentes nesses três momentos.   

Jesus precisou aprender a ler e teve que estudar a Bíblia Hebraica (Velho Testamento), para conhecer a Palavra de Deus. Aos 12 anos tinha bastante domínio desse assunto, tanto que surpreendeu os estudiosos da época com seu conhecimento bíblico, durante uma visita que fez ao templo de Jerusalém - isso indica que sua inteligência era privilegiada, o que não surpreende a ninguém.

Mas como homem, não sabia de tudo que acontecia à sua volta e isso fica bem claro em várias passagens da Bíblia. Por exemplo, certa vez, uma mulher tocou suas vestes (e ficou curada de uma hemorragia que tinha há anos). Jesus olhou para a multidão e perguntou: "quem me tocou, pois senti sair poder de mim". 

Jesus teve revelações de Deus sobre acontecimentos futuros, como ocorreu com diversos profetas (Moisés, Isaías, Jeremias e outros) - nada há de surpreendente aí. Por exemplo, Ele previu sua morte e sofrimento, assim como a destruição de Jerusalém pelos romanos, acontecida cerca de 35 anos depois da sua morte.  

É claro que Jesus conhecia os planos de Deus para sua vida - sabia que precisaria enfrentar Satanás e sofrer morte terrível, tanto assim que ficou extremamente angustiado (suou sangue) horas antes de ser preso. 

Ainda assim, Ele não conhecia cada coisa que lhe iria acontecer e várias vezes ficou surpreendido com os acontecimentos. Acredito que a própria consciência dos planos de Deus para sua vida só foi se consolidando aos poucos, à medida em que cresceu e tornou-se mais capacitado intelectualmente. 

Sendo assim, Jesus deve ter sido uma pessoa normal, certamente mais inteligente e culto do que a média dos judeus. Diferenciava-se certamente por sua fé inabalável, não por suas características físicas. Por isso aqueles(as) - família e amigos(as) - que o conheceram ainda criança ou jovem se surpreenderam ao saber que Jesus era o Messias tão esperado. 

E é exatamente por ter sido inteiramente humano, passando por todas as dificuldades e dores - tentações, inseguranças, medos, problemas financeiros, doenças, etc - que cada um(a) de nós pode vir a enfrentar, que podemos olhar para Ele como a grande referencia para nossas vidas. 

O fato que Ele conseguiu vencer todas as dificuldades apenas através da sua fé deve ser um enorme incentivo para cada um(a) de nós. 

Com carinho

sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

TERRÍVEL COISA É CAIR NAS MÃOS DO DEUS VIVO


Ai daqueles que nas suas camas intentam a iniquidade e maquinam o mal; à luz da alva o praticam, porque está no poder da sua mão. E cobiçam campos e roubam-nos, cobiçam casas e arrebatam-nas; assim fazem violência a um homem e à sua casa, a uma pessoa e à sua herança. Portanto, assim diz o Senhor: Eis que projeto um mal contra esta família, do qual não tirareis os vossos pescoços, e não andareis tão altivos, porque o tempo será mau. Miqueias capítulo 2, versículos 1 a 3
Não há como deixar de falar aqui no blog sobre o show de horrores que se tornou a política brasileira. São tantas as provas de corrupção, que fica difícil até acompanhar o noticiário. 

A corrupção se espalhou de tal forma que acontece em quase todos os partidos, nos diferentes ramos do governo e nos vários níveis da administração pública (municipal, estadual e federal). Ficou difícil encontrar algum político ou administrador público em quem verdadeiramente se possa confiar.

Os políticos perderam completamente a vergonha - antes, ser acusado de algo sério, era motivo de renúncia imediata, de afastamento das funções; hoje, as acusações se sucedem e os políticos, com a maior "cara de pau", continuam nos seus cargos como se nada tivesse acontecido. Já nem há mais preocupação de esconder a sujeira, de passar uma imagem boa para o público.

O envolvimento das empresas - empreiteiras, indústrias, bancos, etc - também é assustador. Dezenas delas enriqueceram às custas dos cofres públicos, ao ganharem contratos super-faturados. Hoje há muitos executivos e donos de empresas presos e através de delações premiadas têm exposto as entranhas de como as coisas são de fato decididas no Brasil.

É muito triste ver bilhões roubados num país que ainda não consegue garantir para seu povo os serviços públicos mais necessários, como educação, saúde, segurança e transporte. Cada real desviado, foi um real a menos para atender as pessoas menos favorecidas, justamente aquelas que dependem mais do apoio do governo.

O único motivo de consolo é que essa limpeza ética irá mudar o Brasil e acredito que para melhor. Afinal, a impunidade e os privilégios, como foros especiais, são algumas das razões pelas quais a situação chegou a esse posto.

E como fica a justiça divina nisso tudo? É evidente que Deus não se agrada do que vem acontecendo. E sua forma de reagir é exatamente aquela descrita no texto que está no início deste post: aqueles(as) que maquinam maldades vão sofrer nas mãos de Deus. Serão punidos com rigor. Não tenho qualquer dúvida quanto a isso.

Por que então vemos muitos desses políticos e dirigentes de empresas vivendo em meio ao luxo, aproveitando todas as coisas boas que a riqueza que roubaram lhes pode proporcionar? Onde está a punição de Deus? Essas perguntas fazem todo sentido porque há momentos, reconheço, em que Deus parece estar ausente. Parece que Ele nada está fazendo.

A resposta para essas dúvidas passa pelo entendimento de que há uma diferença entre o tempo de Deus (chamado kairós) e o tempo físico (cronos). Os seres humanos vivem no tempo cronológico e não têm como escapar disso. Afinal, foram feitos assim. 

E por viverem no cronos, esperam que Deus também se subordine ao tempo cronológico. E não é assim: Deus age no tempo d´Ele, kairós, quando entende ser melhor. E kairós é diferente de cronos. 

Quando as pessoas percebem que maldades como as comentadas acima não foram punidas de imediato por Deus, pensam que Ele não se importa, que está ausente. Mas Deus se importa sim e vai agir, mas no seu tempo. E o resultado da ação de Deus pode se tornar aparente para nós somente muitos anos depois dos fatos. 

Assim, não devemos desanimar, se não percebemos de imediato a ação de Deus, punindo esses corruptos e malfeitores, que desgraçam nosso país. Precisamos exercer nossa fé e, através del, adquirimos a certeza que Deus não tarda e não falha. A punição vira no momento certo. 

E pode ter certeza de uma coisa: quando a mão de Deus pesar sobre essas pessoas, haverá consequências sérias. Muito sérias. Em Hebreus capítulo 10, versículo 31, está dito: "terrível coisa é cair nas mãos do Deus vivo".  Eu não queria de forma alguma estar no lugar dessas pessoas

Com carinho 

quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

É PRECISO VER PARA SABER?

Lembro de um capítulo de uma série policial da qual gosto muito, no qual os personagens principais – uma policial, bonita e competente, e um escritor de livros, engraçado e boa praça – finalmente ficaram juntos pela primeira vez, depois de quase quatro anos de vai não vai. Depois de ver o capítulo, li um comentário interessante sobre a cena final, onde os personagens se beijaram ardentemente, e depois saíram caminhando em direção ao quarto, de mãos dadas. A jornalista que escreveu o comentário disse o seguinte: “A cena final não mostrou tudo em detalhes, mas indicou com clareza o rumo dos acontecimentos. E foi bom ter sido assim. Muitas vezes é melhor apenas saber do que ver.”

O que a jornalista disse foi que muitas vezes é melhor usar a imaginação do que ver como as coisas ocorrem na prática. A imaginação pode ser melhor do que a realidade. 

Algo muito semelhante ocorre com a questão da prova da existência de Deus. Não estou dizendo que essas provas inexistem - elas estão aí para quem quiser procurá-las e já falei sobre esse tema muitas vezes aqui no blog. São fatos como a criação do universo através do Big Bang, a existência da vida, a complexidade da natureza, etc. 

Mas não temos e acredito que nunca iremos ter nenhuma frase escrita no céu, dizendo em letras garrafais que Deus existe ou Jesus é o nosso Senhor. E a razão é clara: Deus espera que usemos nossa fé para saber essas coisas mesmo quando não podemos vê-las diretamente. 

O fato é que Deus dá muita importância à fé e isso fica muito claro numa situação ocorrida com Jesus. Ele já tinha ressuscitado e apareceu diversas vezes para seus seguidores para comprovar essa realidade. Numa dessas vezes, Tomé estava presente e afirmou que somente acreditaria se colocasse seu dedo nas feridas adquiridas por Jesus na cruz (João capítulo 20, versículos 19 a 25). Tomé representa aquele tipo de pessoa que precisa ver com seus olhos para crer: não consegue “ver” apenas com os “olhos” da fé. 

Jesus não brigou com Tomé, depois que ele fez tal afirmação. Pacientemente, deixou que Tomé apalpasse as feridas (João capítulo 20, versículos 26 a 28). Mas aí fez um comentário muito importante (versículo 29): “Porque me viste creste? Bem-aventurados os que não viram e creram”.


Em outras palavras, Jesus afirmou que mais abençoadas por Deus são as pessoas que têm fé suficiente para crer e por causa disso saber, sem precisar ver. E há duas razões para isso.

A primeira delas é que nem sempre será possível ver antes de precisar tomar a decisão de agir. E aí, ou a fé funciona, ou a pessoa fica sem rumo. Por exemplo, quando Deus pediu para Abraão, já um homem velho, sair da sua terra, do seu conforto, e prometeu que lhe daria uma nova terra e uma enorme descendência, não havia como Abraão ver aquela promessa: ou ele sabia que aquilo seria verdade, com base na fé, e iria atender o chamado de Deus, ou ficaria para trás (Gênesis capítulo 12, versículos 1 a 9). E Abraão foi e Deus cumpriu sua promessa.

A segunda razão para a importância que Deus dá à fé é que os cinco sentidos frequentemente iludem as pessoas. Pensamos perceber fisicamente coisas que de fato não existem. Por exemplo, podemos achar que sentimos o sabor de algo que de fato não estava na comida - foi pura impressão. É comum pessoas jurarem que testemunharam uma coisa que de fato não aconteceu. E assim por diante.

Os nossos sentidos não são muito confiáveis, essa é uma realidade que aprendemos com a experiência da vida. Logo, confiar unicamente nos próprios sentidos não parece ser uma boa escolha. É possível saber mais e melhor, se aos sentidos agregarmos os "olhos e ouvidos" espirituais, disponíveis através do uso da fé.

E há um exemplo bíblico que comprova isso: o profeta Eliseu teve sua casa cercada por soldados sírios e não demonstrou medo. Seu criado, apavorado, lhe perguntou como o profeta podia estar tão tranquilo naquela situação. E Eliseu respondeu pedindo a Deus que abrisse os “olhos” espirituais do rapaz. E o criado pode então “ver” centenas de carros de fogo com anjos em volta da casa de Eliseu, para sua proteção (2 Reis capítulo 15, versículos 15 a 17).

Concluindo, não tente saber as coisas relacionadas com Deus somente com base naquilo que você consegue perceber com base nos seus sentidos. Use sempre sua capacidade de saber usando a fé. Certamente você vai ficar favoravelmente surpreendido com os resultados.

Com carinho

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

O PROBLEMA COM O PAPAI NOEL

Hoje vou discutir um tema polêmico relacionado com o Natal: a figura do Papai Noel. A origem desse personagem é uma mistura de lenda pagã, superposta a um santo católico, tudo isso transformado por esforços de marketing da Coca Cola (por ex, a roupa vermelha desse personagem vem daí). 

Por essa origem, digamos, duvidosa, muitos cristãos(ãs) de boa fé acreditam sinceramente que não podem ter nada a ver com a figura do chamado "bom velhinho". E foi aí que nasceu mais uma polêmica, que vou tentar discutir aqui.

A questão da origem pagã do Papai Noel
Tempos atrás escrevi um post analisando a questão do uso de decorações típicas da época de Natal, como árvores e bolas, já que essas tradições têm origem pagã. Minha conclusão (veja mais) foi que não há como estabelecer uma doutrina visando proibir tais "empréstimos" de tradições, já que o povo de Israel e mesmo os apóstolos cristãos fizeram a mesma coisa. 

Portanto, aceitar, ou não, esses símbolos festivos é decisão de ordem estritamente pessoal, não doutrinária. E penso que com o Papai Noel ocorre a mesma coisa: não há como estabelecer doutrina caracterizando esse personagem como algo bom ou ruim. 

O "bom velhinho" é uma figura de ficção (mitologia), que foi sendo transformada aos poucos, até que (em meados do século passado) chegou à forma atual. O Papai Noel, portanto, não difere em nada de tantos outros personagens que povoam o imaginário infantil, como a Branca de Neve ou a Cinderela. 

Proibir a figura de Papai Noel por causa das suas raízes pagãs deveria levar, por coerência, à proibição da maioria dos personagens de contos de fadas, bem como dos super heróis (Homem Aranha, Capitão América, Super Homem   e outros). E levaria também à proibição de livros clássicos como a Ilíada e a Odisseia, ambas de Homero, relatos mitológicos passados na Grécia antiga e recheados de estórias de deuses pagãos.

Afinal, conhecer e apreciar obras artísticas de ficção, mesmo que sua origem não seja cristã, é muito diferente de cultuar outros deuses. Os personagem de contos de fadas e mitologias são imaginários e ninguém, em sã consciência, pensaria estar cultuando a Cinderela por apreciar os filmes feitos com base na sua estória, ou mesmo vestir uma criança com roupas da personagem. São coisas que pertencem a domínios diferentes e acredito que as pessoas sabem bem como separar essas questões.

O problema real com o Papai Noel
Penso que o perigo verdadeiro é com o Papai Noel é de outra natureza: a transferência do foco da comemoração do Natal de Jesus Cristo para esse personagem. 

O "bom velhinho" representa tudo aquilo que as pessoas querem: prazer, alegria de dar/receber presentes e comemoração festiva. Mas o nascimento de Jesus passa mensagem diferente: seu nascimento aconteceu em condições extremamente precárias, o que aponta para a desigualdade social e a injustiça deste mundo. Fala também da necessidade de salvar as pessoas dos seus pecados. E assim por diante.

Em outras palavras, a mensagem do Papai Noel é muito mais agradável e fácil de aceitar. Mas ver o Natal como um evento apenas dedicado ao prazer e à alegria, filosofia simbolizada pela figura simpática do Papai Noel, e esquecer aquilo que Jesus representa, nada mais é do que fugir da verdade e se anestesiar.

Existe uma história mitológica que explica bem os perigos de uma postura desse tipo. A feiticeira Circe era uma mulher linda e poderosa, mas maligna, que habitava uma ilha maravilhosa, verdadeiro paraíso na terra. Essa ilha era um local exclusivamente destinado ao prazer humano, onde as festas se sucediam de forma interminável. 

Os viajantes que chegavam naquela ilha ficavam tão maravilhados que iam sempre adiando sua partida, até que se esqueciam totalmente de quem eram. Transformavam-se em figuras patéticas - anestesiadas, sem qualquer propósito na vida.

Os seres humanos correm o risco de serem afetados pelo "efeito Circe" - o anestesiamento das suas vidas pela busca incessante do prazer e da alegria a qualquer preço. E isso pode ser particularmente notado na forma como o Natal passou a ser comemorado. E o Papai Noel é um símbolo disso. 

A meu ver, esse é o verdadeiro problema com a figura do "bom velhinho".

Com carinho 

sábado, 12 de dezembro de 2015

O SILÊNCIO DE DEUS

A experiência do “silêncio” de Deus é muito difícil de vivenciar. Refiro-me à situação na qual pedimos algo muito importante e Deus parece não responder. Parece ficar em silêncio. 

O grande escritor cristão C.S. Lewis viveu exatamente essa situação: sua mulher estava com câncer e ele pediu a Deus a cura dela. Veja o que Lewis escreveu num momento de desespero:
"Mas se você vai até Ele [Deus] quando sua necessidade é desesperada, quando todo outro tipo de ajuda é vão, o que você encontra? Uma porta é fechada na sua cara e você ouve o som da fechadura sendo trancada. Depois disso, silêncio … Por que Ele é tão presente no nosso tempo de prosperidade e tão ausente no momento de dificuldade?”

O que fazer quando se vive esse tipo de situação? Como evitar que a frustração da aparente falta de resposta de Deus leve o(a) cristão(ã) a se afastar d´Ele?

Há uma história na Bíblia (Mateus capítulo 15, versículos 21 a 28) que pode ajudar a responder essas perguntas. Trata-se do caso de uma mulher não judia que se aproximou de Jesus pedindo-lhe ajuda pois sua filha estava possessa. Os discípulos nem queriam que a mulher falasse com Jesus, mas ela insistiu até conseguir o que queria. E a mulher conseguiu falar com Ele.

O quadro descrito no texto é o da mãe, desesperada, pedindo ajuda e quem podia ajudá-la, Jesus, permanecendo calado. 

A mulher insistiu e continuou clamando. Sua fé era tamanha que ela, intuitivamente, sabia que o silêncio de Deus não deve ser entendido igual ao silêncio humano.

O silêncio humano normalmente significa falta de interesse, indiferença. Mas não é assim com Deus pois seus pensamentos e forma de agir são muito diferentes dos nossos. 

O mesmo tipo de silêncio ocorreu no Calvário, quando Maria e as outras mulheres viram Jesus pregado na cruz e certamente se perguntavam porque aquilo estava ocorrendo. E não receberam qualquer resposta ali, naquele momento. 

Aquelas mulheres só entenderam a resposta de Deus depois, bem depois. Aquele ato - Jesus na cruz - era Deus falando que ama e quer ver cada ser humano perto d´Ele (João capítulo 3, versículo 16).

Voltando à história da mãe que pediu ajuda a Jesus, o texto revela que de tanto insistir, a mulher recebeu uma resposta. E surpreende que a reposta de Jesus tenha parecido deixar a situação ainda pior: Ele disse que não poderia atender o pedido pois seu ministério estava restrito ao povo de Israel (a mulher não era judia). 

Se a história tivesse acontecido comigo e eu tivesse recebido uma resposta dessas, teria ido embora revoltado e desolado, lamentando a falta de sensibilidade de Jesus - talvez até pensasse não ser Ele a pessoa especial de quem todos falavam. 

Mas aquela mãe agiu de forma diferente: persistiu e deixando de lado todo orgulho, implorou a Jesus pela sua ajuda - seu desespero era tamanho que ela não conseguia ir embora, não importa o que dissessem. Sabia que somente Jesus poderia ajudá-la e por causa disso não conseguia sair de perto d´Ele. 

E finalmente Jesus agiu. Disse para ela: “Mulher, grande é a tua fé, faça-se contigo como queres...” e a filha dela foi imediatamente curada.

Deus muitas vezes não fala ou age da forma como as pessoas esperam. O silêncio de Deus é apenas aparente - tem a ver com nossa incapacidade de entender o que Ele está fazendo e dizendo. 

O conhecido rabino Abraham Heschel certa vez disse algo que é muito apropriado para a reflexão que faço aqui neste disse: “Deus não é “bonzinho", não é um como um tio ou padrinho que chega com presentes. Deus é um terremoto” 

Em outras palavras, Deus é para o ser humano um grande mistério e uma força sem tamanho. Nunca se sabe com certeza como Ele vai ou não agir. O que vai ou não dizer.

Aquela mãe insistiu com Jesus porque sua fé era absoluta, uma das maiores relatadas na Bíblia - o próprio Jesus reconheceu isso. Tinha confiança absoluta de que Deus podia ajudá-la e iria fazer isso. Ela não sabia o quê seria feito, nem quando a benção ocorreria e muito menos como Jesus resolveria o problema. Ela apenas acreditou, contra tudo e todos. E obteve o que precisava. 

Resignação não é o que Deus espera quando a pessoa lhe faz um pedido. É insistir, resistir e não se conformar com a situação vigente. Isso está claro bem claro numa passagem do Gênesis (capítulo 18, versículos 23 a 33) onde Deus contou para Abrão que iria destruir Sodoma e Gomorra, matando a todos que ali viviam. Abraão não se conformou, questionou, resistiu e Deus aceitou suas ponderações. 

Rejeitar Deus porque Ele pareceu ficar em silêncio e não fez o que a pessoa queria, é a reação errada. Ao rejeitá-lo, a pessoa perde contato com Ele e qualquer possibilidade de ter seu problema resolvido. Nesse tipo de situação é preciso que a pessoa se “agarre” desesperadamente a Deus, usando sua fé como forma de ligação com Ele.

Certa vez, o grande reformador Martinho Lutero, ao observar seu cão, com os olhos brilhando, à espera de um osso que lhe seria atirado, comentou: “ah, se eu conseguisse orar com essa mesma certeza...” Acho que isso resume bem tudo o que acabei de falar. 

Quando Deus parecer estar em silêncio, insista. Continue a bater na porta até que ela se abra. Pode ter certeza que os resultados irão aparecer. 

Com carinho

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

DIALOGANDO EM SITUAÇÕES DE CONFLITO

Dialogar de forma construtiva em situações de conflito é tarefa difícil e delicada, seja com pessoas da família, amigos(as) ou colegas de trabalho.  O desafio é sempre o mesmo: entender as outras pessoas e fazer-se entender por elas. Não permitir que as emoções embaralhem a razão.

As livrarias estão cheias de livros de autoajuda que pretendem ensinar as pessoas a navegar bem por suas relações. Já li diversos deles e confesso que aproveitei pouco - normalmente estão cheios de conselhos vazios. Digo isso porque os conselhos contidos ali partem de uma visão adocicada do ser humano e das suas motivações - não levam em conta que frequentemente as pessoas escolhem o mal por que se sentem bem assim - vendem a imagem que o ser humano é inerentemente bom e só erra por ignorância, o que não é verdade.  

Os melhores conselhos que já li sobre como se relacionar bem com as outras pessoas são aqueles que Deus fez registrar na Bíblia. Não são conselhos fáceis de seguir até porque muitas vezes contrariam a natureza humana, ou seja aquilo que as pessoas tendem a fazer 

Aí vai o resultado de breve pesquisa que fiz sobre sobre esse tema na Bíblia - a tradução escolhida usa vocabulário normalmente empregado no dia a dia para facilitar a leitura. Espero que os conselhos sejam úteis para você:

1.  Ouça com atenção as razões da outra pessoa
Se você se apressa em dar sua opinião, antes de ouvir os fatos, é um tolo e passará vergonha. Provérbios capítulo 18, versículo 13 

2.  Seja paciente
...nunca se esqueça de que cada um deve estar pronto para ouvir, deve demorar para falar e mais ainda para ficar irado. Tiago capítulo 1, versículo 19

3.  Não guarde rancor 
...jamais guarde rancor. Perdoe como o Senhor perdoou vocêColossenses capítulo 3, versículo  13

4. Você não é "dono" da verdade
O tolo sempre acha que sua opinião é a certa, mas o sábio ouve os conselhos recebidos com atençãoProvérbios capítulo 12, versículo 15

5. Evite falar demais
...quem fala demais acaba arruinando sua vidaProvérbios capítulo 13, versículo 3

6. Cuidado como você fala 
Uma resposta amiga acalma o furor, mas quem responde com raiva provoca a iraProvérbios capítulo 15, versículo 1

O tolo explode em gritos... mas o homem de bom senso controla suas reações. Provérbios capítulo 29, versículo 11 

7. Não discuta
Começar uma discussão é como a primeira rachadura numa barragem, por isso procure fazer as pazes antes que a discussão comeceProvérbios capítulo 17, versículo 14

Com carinho