quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

RESOLUÇÕES PARA O ANO NOVO

Uma conhecida tradição de final de ano é a preparação de uma lista de resoluções relacionando uma série de coisas com as quais a pessoa se compromete durante o ano que vai se iniciar. Tanto pode incluir coisas que ela vai deixar de fazer (p. ex. novas dívidas) como outras que passará a fazer (p. ex. regime para emagrecer). 

Acho que listas de ano novo são importantes, não pela lista em si, mas por causa do processo de reflexão que geram. Pensar sobre o que se fez ou se deixou de fazer no ano anterior e o que pode ser feito para melhorar como pessoa é sempre muito saudável. E a virada de ano é sempre uma boa oportunidade para isso. 

Minha experiência mostra que uma lista desse tipo deve ter poucos itens que sejam muito importantes. Não pode conter coisas extremamente difíceis de cumprir - propostas quase irrealizáveis -, pois a pessoa acabará desanimando. Nem deve ser fácil demais - apenas coisas triviais -, pois aí não trará qualquer proveito.

Para ajudar a você nessa reflexão aí vão três sugestões de itens que podem ser incluídos:

  • Controlar melhor a própria língua, especialmente em momentos de ansiedade e nervosismo. Procurar falar mais as coisas que edificam do que aquelas que denigrem. 
  • Dedicar mais tempo para estar com pessoas que precisam de conforto emocional e apoio espiritual. 
  • Preocupar-me cada vez menos com o que as pessoas pensam de você. Levem mais e mais em conta apenas a avaliação de Deus a seu respeito.

Um 2015 pleno das bençãos de Deus para você e todos os seus queridos.

Com carinho

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

O QUE PESA MAIS: CONVICÇÕES OU NECESSIDADES?

Há duas coisas que costumam determinar os caminhos de qualquer pessoa na vida: suas convicções e suas necessidades. As convicções são baseadas naquilo que a pessoa acredita, nas suas crenças. Muito conhecidas são as convicções políticas e as religiosas. 

As convicções costumam orientar a vida de uma pessoa porque definem os seus objetivos e quais cursos de ação lhes são permitidos. Ao tornar-se cristã, por exemplo, a pessoa não só adquire uma série de crenças (tais como, Jesus morreu por nós na cruz) como deve se compromete a passar a agir com base nelas (amar o próximo como a si mesma). 

Já as necessidades têm a ver com aquilo que a pessoa precisa e podem ser de natureza física (comida, abrigo ou desejo sexual) ou geradas pelo ambiente social em que vive (p. ex. o desejo de consumir ou de ter poder). Tal qual as convicções, as necessidades também acabam por definir os planos e as ações da pessoa. Por exemplo, o desejo de ter poder poderá fazer a pessoa colocar suas atividades profissionais antes de qualquer coisa e levá-la a negligenciar sua família e/ou perder seus escrúpulos morais.

Necessidades e convicções, portanto, definem como a pessoa conduz sua vida. Onde ela investe seu tempo e esforços e até a medida pela qual irá se considerar um sucesso ou um fracasso. 

Agora, há uma tensão permanente entre essas convicções e necessidades, embora nem sempre a pessoa se dê conta disso. Frequentemente necessidades e convicções entram em choque porque não podem ser ambas atendidas na mesma medida. Algo tem que ceder. 

Em outras palavras, ou a pessoa segue suas convicções e deixa de lado suas necessidades ou faz o contrário. Por exemplo, um cristão não pode se entregar livremente aos seus desejos sexuais, pois há limites morais que precisa respeitar. O mesmo pode ser dito do desejo de poder, da vontade de consumir e de tantas outras coisas.

O dilema humano costuma, portanto, envolver a escolha do que vai ficar para trás: convicção ou desejo. Escolher aquilo que verdadeiramente importa. É isso que vai determinar o caminho que a pessoa vai tomar na vida e, naturalmente, os resultados colhidos por ela.

A Bíblia ensina a colocar as convicções na frente das necessidades - é chega a dizer que é isso que garantirá bons resultados para qualquer pessoa. Não há dúvida que, ao se deixar guiar pelas suas convicções, a pessoa precisará fazer sacrifícios. Jesus explicou isso ao afirmar que o caminho para a salvação é estreito e pedregoso, enquanto a estrada para a perdição é larga e bem pavimentada.

Escolher entre essas coisas nunca é fácil. O lado humano empurra a pessoa para priorizar suas necessidades, enquanto o Espírito Santo lhe sopra no ouvido para seguir aquilo sua convicção cristã. É uma luta diária. A pessoa vence num dia e perde no outro (aí se arrepende, é perdoada por Deus e volta a lutar).  

Um perigo grande aparece quando a pessoa se auto-engana: protege sua consciência encontrando desculpas para o que faz ou deixa de fazer. Ela se convence de que é boa, pois não comete crimes graves, por exemplo não mata e nem rouba. E considera seus desejos justos porque ela "merece", "só vai fazer o errado por um tempo" ou seu ato "não é tão ruim assim". 

Quem age assim acaba sendo levada pelos desejos e vai deixando suas convicções para trás, pouco a pouco. É assim que a pessoa se deixa dominar pelo egoísmo, pela indiferença, pela falta de comprometimento com a obra de Deus, etc.

Acho que todo mundo, e eu me incluo nesse rol, faz isso em alguma medida. Esse tipo de comportamento é uma reação bem humana. E quanto mais a pessoa faz isso, mais vai se deixando dominar pelos próprios desejos. Mais eles dominam suas vidas.

Há um fato histórico que exemplifica bem esse dilema entre convicção e necessidade. O rei Henrique VIII, aquele que teve seis mulheres e mandou matar algumas delas, teve um grande amigo de juventude, Thomas Becket. Como era amigo do rei, Becket ocupou vários cargos importantes, até que foi nomeado Arcebispo de Canterbury (o mais importante cargo eclesiástico na Inglaterra). 

Quando Henrique quis se divorciar de sua esposa para se casar com uma mulher muito mais jovem, Ana Bolena, precisou anular o casamento anterior, pois na época não havia divórcio. E recorreu a todos os expedientes possíveis, para conseguir isso, muitos deles até criminosos. 

E o rei quis forçar seu amigo a tomar medidas que eram erradas considerando suas convicções. E Becket se recusou a obedecer. Resistiu. E acabou assassinado - morreu na escadaria da Catedral onde era pastor.

Becket entrou para a história como um homem que não se deixou corrompers. E até hoje é venerado como um exemplo a ser seguido - quem tiver interesse, veja o filme "O homem que não vendeu sua alma". 

Termino, lembrando que nesses dias está sendo divulgado o relatório da "Comissão da Verdade", que apurou os abusos cometidos no tempo da Ditadura Militar. Nele são relatadas muitas histórias impressionantes, dentre as quais as de padres, pastores e bispos que denunciaram paroquianos seus como comunistas para ficar bem com o Poder Militar. Infelizmente, há casos até dentro da igreja que frequento, a Metodista, para tristeza minha.

Esses homens agiram de forma diferente e estão tendo agora seus erros expostos. Terão seus nomes manchados para sempre. Escolheram seguir suas necessidades, na frente das suas convicções, e pagaram um preço muito caro por isso.

Com carinho  

sábado, 27 de dezembro de 2014

A FATURA DE 50 CENTAVOS

Certa vez recebi uma fatura de cartão de crédito no valor de 50 centavos. O banco mandou pelo correio uma conta cujo valor é menor do que o custo da própria cobrança. Teria sido melhor não me cobrar nada.

O problema deveu-se a um erro no programa de computador que emite esse tipo de cobrança - nela não havia previsão para lidar com cobranças de valor muito baixo. E esse erro não é de se estranhar porque programas de computador são obras humanas e, portanto, imperfeitos. 

E isso se aplica a tudo dentro da sociedade humana - as imperfeições estão sempre presentes por mais que as pessoas se esforcem para evitá-las. Mas por que será que isso acontece? As razões são diversas. 

Começo por lembrar que as pessoas nunca sabem tudo que precisam bem informadas. As informações disponíveis simplesmente nunca são suficientes. Por exemplo, imaginemos que um investidor esteja analisando a possibilidade de comprar determinada ação na Bolsa de Valores. A verdade é que ele nunca vai ter todos os dados sobre aquela empresa de que precisaria para poder tomar uma decisão segura. Vai acabar tendo que agir com base em dicas de terceiros ou mesmo seguir seus instintos. É por isso que investimento na Bolsa é mais arte do que ciência. 

Outro exemplo interessante é o caso da moça que precisa decidir sobre uma proposta de casamento e não conhece o rapaz como gostaria - seu caráter, hábitos, etc. Vai acabar tomando sua decisão com base nas informações de que dispõe, como os modos do rapaz ou as promessas que ele lhe fez. E corre sério risco de cometer um erro de grande impacto na sua vida.

Agora, mesmo que as pessoas contassem com todas as informações necessárias para tomar uma boa decisão, ainda assim não teriam condições de analisá-las adequadamente no tempo de que dispõem. Os prazos humanos se impõem - por exemplo, a data de fazer a subscrição da ação da empresa ou de validade para a proposta de casamento (o rapaz deu uma semana para a moça pensar). E não há como fugir deles. 

Outra razão para a falibilidade humana repousa nas predisposições que distorcem as avaliações que as pessoas fazem. Acabam vendo coisas que não estão lá ou deixam de levar em conta indícios de problemas. Voltando ao exemplo da noiva, se ela estiver se sentindo pressionada pela família a casar, talvez por causa da sua idade, vai avaliar o candidato a noivo de forma mais benevolente e pode até desprezar os sinais negativos, como um machismo preocupante. 

Mas no mundo de Deus não há erros. Nunca. Ele sempre têm todos os dados de que precisa (é onisciente), tem a capacidade necessária para analisá-los em tempo (é onipotente) e seu julgamento é sempre perfeito. 

Sendo assim, não é de estranhar que Deus chegue a conclusões diferentes das pessoas. Que suas soluções para os problemas quase sempre surpreendam. E que as pessoas tenham dificuldade para entender as razões d´Ele - daí o ditado "Deus escreve certo por linhas aparentemente tortas”. 

Como não entendem o que Deus está fazendo, as pessoas frequentemente pensam que Ele não está fazendo o melhor que pode. E algumas pessoas até imaginam que podem ensinar Deus o que fazer - chegam até a preparar um "roteiro" para orientar sua ação (vejo muito isso em orações que escuto por aí).

Concluindo, quando você não entender bem o que Deus está fazendo na sua vida, não se assuste. Confie mais n´Ele. Saiba que as decisões que Ele vier a tomar serão sempre melhores do que as suas próprias. E depois descanse n´Ele. Simples assim.

PS Antes que eu me esqueça de contar, eu paguei a fatura de 50 centavos...

Com carinho

quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

FELIZ NATAL

Para você, que vive diariamente o desafio de ser cristão, meus melhores votos de Feliz Natal, cheio de bençãos de Deus. 

Nunca devemos nos esquecer o que o Natal significa. Sua razão de ser não tem a ver com comer bem ou trocar presentes, embora não haja nada errado em fazer isso. Comemoramos a chegada de Jesus, que veio ao mundo para nos salvar. 

Por isto mesmo, um dos hinos que gosto de ouvir no Natal é o famoso "Maravilhosa Graça" ("Amazing Grace"), escrito por um ex-traficante de escravos, transformado depois de se converter a Jesus. Apesar de não ser de uso tradicional nesta época do ano, acho que tem tudo a ver com o espírito do Natal. 

Forneço abaixo a letra original, em inglês, e a tradução, em português, para quem não conhece o hino. 

Com carinho

Amazing Grace
John Newton

Amazing grace, how sweet the sound
That saved a wretch like me,
I once was lost but now am found,
Was blind, but now I see.
'Tis grace that taught my heart to fear,
And grace my fears relieved.
How precious did that grace appear
The hour I first believed.
Through many dangers, toils and snares,
I have already come.
'Tis grace hath brought me safe thus far,
And grace will lead me home."
 
Maravilhosa Graça
John Newton

Ó Graça maravilhosa, como é doce o som,
Que salvou um desventurado como eu.
Estava perdido, mas agora fui achado,
Fui cego, mas agora vejo.
Essa Graça ensinou meu coração a temer,
E aliviou os meus medos.
Quão preciosa a Graça pareceu-me,
No primeiro momento em que acreditei.
Por muitos perigos, lutas e armadilhas, 
Já passei.
Essa Graça trouxe-me até aqui,
E a Graça conduzir-me-á para casa.

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

COMO SE SENTIR FELIZ NO NATAL APESAR DOS PROBLEMAS

Para quase todo mundo um feliz Natal é o passado em família, estando todos com saúde e em paz. Não podem faltar também uma mesa farta e muitos presentes. 

Ma, quando as circunstâncias são diferentes, o Natal se torna penoso, pois a pessoa não estando feliz, numa data como essa acaba, por se sentir como peixe fora da água, ao ver todo mundo aparentemente bem e só ela mal. 

Eu sei bem o que é se sentir assim. Em 2002, minha mãe teve que ser operada durante a noite de Natal - ela sofreu muito e acabou morrendo em meados de 2003. Por causa disso, durante alguns Natais, eu não conseguia me sentir bem. A lembrança de visitar minha mãe na UTI, na manhã do dia 25, assombrou minhas memórias durante algum tempo. 

Mas aprendi, com meu amadurecimento espiritual, que a verdadeira felicidade do Natal não está nas coisas tradicionais - mesa farta, presentes, etc -, embora eu reconheça que elas ajudam muito uma celebração alegre. 

Os motivos para estar feliz no Natal devem ser buscados em outro lugar e não dependem das circunstâncias da vida humana. O primeiro motivo decorre da percepção que Deus nos ama de tal maneira que mandou seu Filho ao mundo para morrer por nós (João capítulo 3, versículo 16). E no Natal comemoramos exatamente esse fato.

O segundo motivo vem do entendimento que Jesus nos compreende, incluindo nossas fraquezas e sofrimentos. Afinal, Ele viveu entre nós e também passou por grandes dificuldades na vida. Teve fome e frio, foi discriminado pela sua origem considerada duvidosa (um pai desconhecido pelas pessoas), foi torturado, escarnecido e, no final, abandonado por quase todos aqueles a quem amava. E sua experiência neste mundo começou exatamente num Natal, quando Ele nasceu num estábulo e foi deitado num simples cocho, em meio aos animais.

Agora, por conhecer nossas dificuldades, Jesus sabe como nos consolar e temos n´Ele o melhor dos advogados para pedir por nós junto a Deus Pai. E isso deve ser motivo de alegria.

Não importam as circunstâncias da sua vida, sempre há motivos para você se sentir feliz nesse e em todos os outros Natais. Portanto, comemore cada um deles, sozinho ou em grupo, com comida ou sem ela, com muitos ou poucos presentes, não importa. 

Feliz Natal, são os meus votos carinhosos

domingo, 21 de dezembro de 2014

CURIOSIDADES SOBRE O NASCIMENTO DE JESUS

Estamos vivendo o Advento, o período que abrange os 4 domingos antes do Natal. O objetivo dessa comemoração é fazer os cristãos refletirem sobre a vinda de Jesus e seu significado para a humanidade. Isso é especialmente importante para evitar que fiquemos totalmente tomados pelo espírito festivo (presentes e festas) do final do ano e deixemos de celebrar aquilo que realmente importa, Jesus.

Dentro desse espírito, listei abaixo algumas curiosidades sobre o nascimento de Jesus que ajudam a entender melhor o que realmente aconteceu dois mil anos atrás numa pequena cidade da província Romana da Judeia chamada Belém Efrata.    
  • Por que Jesus nasceu em Belém?
A explicação tradicional é que houve um censo e José, sendo da família do rei Davi, precisou ir até a cidade onde aquele rei tinha nascido, Belém, para cumprir formalidades legais. 
Na verdade, essa não foi a causa e sim o meio que Deus usou para que Jesus nascesse em Belém. Tanto foi assim, que havia uma profecia antiga, feita cerca de 700 anos antes, por Miqueias (capítulo 5, versículo 2), dizendo:
"E tu, Belém Efrata, pequena demais ... de ti sairá o que há de reinar em Israel, e cujas origens são desde os tempos antigos, desde os dias da eternidade."
  • Como foi o nascimento na estrebaria?
A imagem que fazemos ao olhar para os presépios é "adocicada". Uma estrebaria é suja, escura, mal cheirosa, enfim o pior lugar possível para uma criança nascer. Uma criança que venha a nascer hoje no meio da rua de uma cidade brasileira virá ao mundo em condições melhores do que Jesus teve.
O berço onde Jesus foi colocado (uma manjedoura) não passava de um cocho, onde os animais comiam - nada edificante.
Os pastores apareceram por lá, viram o menino e louvaram a Deus. Agora, os pastores, na época de Jesus, estavam em muito baixo nível na escala social. Eram considerados homens grosseiros e sujos. A imagem "bonita" do pastor somente apareceu depois, quando Jesus chamou a si mesmo de "bom pastor". 
Portanto, na época daquele nascimento, seria até vergonhoso para José relatar para seus amigos que o recém nascido foi visitado por pastores.
Os reis magos visitaram Jesus sim e lhe levaram presentes - ouro, incenso e mirra. Mas não quando Jesus ainda estava na manjedoura, como mostram os presépios, e sim bem depois, quando a família de José já tinha arranjado uma casa para morar (Mateus capítulo 2, versículos 1 a 12).
  • O que foi a "estrela de Belém"?
Essa estrela (Mateus capítulo 2, versículo 2) foi um fenômeno astronômico que marcou os céus da Judeia, naqueles momentos. Os reis magos, que eram astrônomos e usaram a estrela como referencia para guiar seus passos na busca por Jesus, da mesma forma como os navegadores costumavam usar a constelação do Cruzeiro do Sul.
Até hoje há muita discussão do que foi a tal estrela. As hipóteses científicas oferecidas são um cometa, uma supernova (explosão de uma estrela envelhecida) ou uma conjunção muito rara de planetas. Não há nenhuma concordância sobre qual dessas hipóteses é a mais provável, mas algo aconteceu naqueles dias.   
  • Por que Jesus era chamado "Nazareno" e não " Belemita"?
Naquela época, as pessoas eram identificadas (para evitar homônimos) pelo nome do pai e pela profissão dele - por exemplo, Jesus, filho de José, o carpinteiro. Às vezes era usado também o local onde a pessoa tinha nascido - por exemplo, Maria de Magdala (ou Magdalena).
Jesus ficou conhecido como "Nazareno" embora tenha nascido em Belém, pois foi criado em Nazaré, pequena vila da província romana da Galileia. Por isso também era conhecido como "Galileu".
Tudo isso comprova que Jesus nasceu em Belém quase como por acidente mas não tinha qualquer identidade com aquela cidade.
  • Por que os pais levaram Jesus ao Templo ainda recém-nascido?  
A lei mosaica dizia que todo primeiro filho (primogênito) pertencia a Deus (as "primícias" do útero). Assim, a família precisava "resgatar" a criança através de um sacrifício feito no Templo de Jerusalém.
Para cumprir essa ordenança, os pais levaram Jesus até Jerusalémdias depois de nascido. Como tinham poucas posses, ofereceram o sacrifício mais simples possível: duas rolinhas (Lucas capítulo 2, versículos 22 a 24).
Foi durante essa visita que Jesus foi reconhecido por dois profetas - Simeão e Ana - e proclamado, pela primeira vez, como o Messias de Israel (Lucas capítulo 2, versículos 25 a 38).
 Com carinho

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

O NATAL COMO ENSINAMENTO SOBRE A FÉ

As imagens do nascimento de Jesus, com anjos louvando, os três reis magos depositando seus presentes aos pés do recém nascido e outras coisas assim fazem parte do imaginário do Natal, muito caro a todo mundo.

Mas a principal reflexão que precisa ser feita nessa época do ano é bem outra: não podemos esquecer as enormes dificuldades pelas quais Jesus passou, a começar por seu nascimento numa estrebaria suja e malcheirosa. E esse foi apenas o começo. Jesus e seus seguidores tiveram vida bem fácil. Vamos ver isso com mais detalhe.

A qualidade de vida
A vida na Judeia e Samaria cerca de 2.000 anos atrás era muito difícil se comparada aos padrões de hoje. A maioria das pessoas simplesmente sobrevivia, sem qualquer outra perspectiva. Tinham poucas posses (p. ex. duas ou três mudas de roupa), baixa expectativa de vida (em média 40 anos média), dispunham da comida necessária apenas para não morrer de fome e não contavam com qualquer rede de proteção social, para quando ficassem velhas ou doentes. 

As pessoas também não tinham direitos civis - pagavam impostos escorchantes e podiam ser presas por qualquer motivo por um sistema judicial injusto e corrupto. 

Jesus e seus seguidores viveram um ministério itinerante. E viajavam quase sempre à pé  - no máximo eram usados jumentos para transportar carga. Por exemplo, a duração de uma viagem da Galileia, onde Jesus foi criado, até Jerusalém, onde ficava o Templo, durava uma semana ou pouco mais. Todo esse tempo era gasto caminhando por estradas empoeiradas, sem lugar certo para comer ou dormir. As estradas eram perigosas, expondo os viajantes a ataques de animais ferozes ou salteadores. 

Em resumo, a qualidade de vida era muito baixa, o que tornou a missão de Jesus e seus discípulos um enorme desafio e grande prova de perseverança. 

O risco da missão
O desafio real enfrentado por Jesus e seus seguidores, entretanto, foi muito além do que descrevi acima, pois a missão, em si mesma foi de alto risco. Os ensinamentos de Jesus incomodaram os poderosos da época e isso gerou perseguição contra Ele e seus seguidores.

A consequência desse processo foi terrível. Jesus morreu numa cruz assim como seis dos doze apóstolos originais, dentre eles, Pedro. Quatro outros apóstolos foram martirizados de outras formas e apenas um, João, morreu de forma natural. O apóstolo Paulo também foi martirizado (decapitado), assim como vários dos diáconos, como Estevão. Isso sem esquecer Tiago, irmão de Jesus e primeiro líder da igreja cristã em Jerusalém, que foi apedrejado.

O fato é que seguir Jesus naquela época significava uma sentença de morte quase certa. 

A razão para a perseverança
Condições de vida difíceis e perseguição violenta, esse é o quadro que Jesus e os primeiros cristãos encontraram. Sendo assim, é de se admirar que nenhuma daquelas pessoas tenha abandonado a fé cristã, mantendo-se firmes até o fim. É claro que passaram por altos e baixos, como Pedro, que chegou a negar Jesus três vezes. Mas ficaram firmes. Mas por que? A razão é simples: sua fé os sustentou.

Concluindo, o Natal e a vida de Jesus são ensinamentos permanentes sobre como viver uma vida baseada na fé em Deus.

Com carinho

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

E QUANDO O "SATISFATÓRIO" NÃO SATISFAZ?

Se alguém perguntar ao dirigente de uma grande empresa qual é o objetivo real da organização que dirige, a resposta provavelmente será: “conseguir o máximo de lucro possível”. Esse tipo de objetivo é conhecido como maximização dos resultados. 

Décadas atrás, o Prof. Herbert Simon, o qual acabou ganhando o Prêmio Nobel de Economia por causa desse estudo,  postulou que as empresas na verdade não procuram maximizar lucros, pois isso é muito difícil de fazer, já que há muitas variáveis a serem controladas. As organizações procuram obter apenas um resultado que preencha as expectativas dos seus acionistas, o que é muito mais simples. Isso se chama satisfazer

Essa postura – apenas satisfazer porque conseguir obter o máximo é muito difícil - se aplica a vários campos da vida humana. Vejamos, por exemplo, o que acontece no casamento. Estudo recente, publicado no livro "Marriage confidential", de autoria de Pamela Haag, indicou que a esmagadora maioria dos casamentos existentes nos Estados Unidos se equilibra na faixa do satisfatório ou até abaixo disso. Isto porque, pouco tempo depois do seu início, as pessoas percebem a dificuldade de obter o máximo possível da relação e vão aos poucos se conformando em aceitar um resultado mais modesto. E muitas vezes acabam presas a relacionamentos empobrecidos.

E o mesmo princípio - aceitar o possível, por ser mais fácil de conseguir, ao invés de procurar obter o melhor - também ocorre na vida espiritual das pessoas.

A maioria daqueles(as) que se converte a Cristo costuma dar alguns passos para aperfeiçoar suas práticas de vida, seguindo os ensinamentos da doutrina cristã. E depois se acomoda numa zona de conforto. 

Salvação garantida – assim essas pessoas pensam – e livres dos pecados considerados socialmente mais graves (matar, roubar, se embriagar, etc), elas imaginam já ter feito o suficiente. Para que orar com mais fervor, falar do Evangelho com maior frequência, dedicar-se mais aos necessitados ou mesmo livrar-se de pecados de "estimação", o que é trabalhoso, se o principal já foi conseguido? É mais fácil se acomodar.

Essa postura pode também ser encontrada quando as pessoas, com medo de não estar à altura das tarefas que Deus venha a lhes pedir, não desafiam a própria fé e até tentam se esconder de Deus. Foi isso que o profeta Jonas (aquele que foi engolido pelo peixe) tentou fazer, quando Deus o mandou pregar o arrependimento para o povo da cidade de Nínive - ele fugiu e somente voltou quando forçado por Deus.

Por se esconder, essas pessoas deixam de viver experiências espirituais mais desafiadoras, inclusive aquelas onde Deus se faz presente através de milagres.

Agora, Deus não concorda com essa postura “morna”. Ele cobra muito mais de nós - espera que cada um(a) dê o máximo de si. Busque preencher todo o seu potencial espiritual. 

E é fácil provar que Deus espera o máximo e não o satisfatório apenas. O primeiro dentre os dois grandes mandamentos é amar a Deus sobre todas as coisas, de toda a alma e entendimento (Mateus capítulo 22, versículo 37). Ora, isso é maximizar e nunca apenas satisfazer. A mesma exigência pode ser percebida no segundo grande mandamento, relacionado com amor ao próximo. 

No livro do Apocalipse, Cristo apareceu numa visão a João e mandou um recado para sete igrejas localizadas na Ásia Menor, comentando o comportamento de cada uma. Ao se dirigir à igreja de Laodiceia, Jesus a acusou de ser morna e disse que iria "vomitá-la" da sua boca (Apocalipse capítulo 4, versículos 14 a 16). Isto é Jesus não se conforma com uma postura "morna" e se revolta contra quem age assim.

É relativamente fácil identificar os(as) "mornos(as)" numa igreja. São pessoas que perambulam por ali, meio como "zumbis" espirituais, parecendo vivas, mas na verdade mortas por dentro. Esperam pouco e se contentam com menos. Entram e saem, mas nunca deixam uma marca da sua presença naquele lugar.

O fato é que Deus deseja ter uma relação especial com você, pode ter certeza disso. Uma relação onde seja preenchido todo o potencial existente. Onde seja alcançado o máximo possível. 

Ele quer fazer coisas extraordinárias para você e através de você. A Bíblia prova isso vezes sem conta. Só depende que você deixe sua zona de conforto e se abra para Ele entrar e atuar em sua vida. 


Com carinho

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

VOCÊ É MUITO IMPORTANTE PARA DEUS

Quando jovens sonhamos muitas coisas: ter sucesso, dinheiro e obter grandes realizações. Sonhamos ser pessoas especiais. 

Mas, à medida que vamos vivendo – eu já passei dos 60 anos –, é normal sermos afligidos por pensamentos negativos. O que estou fazendo da minha vida? E os muitos sonhos que sonhei e não realizei? Por que sou uma pessoa comum? 

Na verdade a maior parte dos sonhos que um dia nos inspiraram vão "derretendo" na rotina diária - nas contas para pagar, no envelhecimento do corpo, nas desilusões amorosas, etc.

Mas quando percebemos sermos pessoas comuns, iguais a tantas outras, muitas vezes passamos a achar também que não temos valor. E isso pode gerar depressão.

O erro está em pensar que ser comum é igual a não ter valor. Não é assim aos olhos de Deus - basta lembrar que Ele mandou seu Filho para morrer por cada um de nós. Temos muito valor para Ele.


Além disso, Deus usa pessoa comuns para fazer coisas extraordinárias. Basta lembrar de Pedro (pescador), Davi (pastor de ovelhas), Paulo (fabricante de tendas), John Wesley (pastor anglicano), Madre Teresa (freira) ou Martin Luther King (pastor batista). Pessoas simples, às quais ninguém ouviria se Deus não as tivesse escolhido e vocacionado para fazer coisas extraordinárias. Pessoas assim mudaram o mundo com suas palavras, suas atitudes e seus exemplos. 

Pessoas simples e comuns têm mais facilidade de manter sua integridade e sua estabilidade espiritual e estão mais acostumadas a perseverar. Basta ver o que a imprensa conta sobre os VIP´s - políticos, reis, artistas, altos executivos, etc. É um desfile triste de egos, de egoísmo, de prepotência, de consumo desenfreado, de desvios de conduta e de hipocrisia. 

O mundo precisa muito das pessoas comuns, como você ou eu, que coloquem a fé em Cristo em primeiro lugar. Que se dediquem à sua Obra, dando exemplos de ética e humildade. 

Alegre-se em ser uma pessoa comum. Você está no “radar” de Deus e Ele certamente usará sua vida de formas que você nem imagina desde que você se coloque à disposição da obra d´Ele.

Com carinho

sábado, 13 de dezembro de 2014

A EPIDEMIA QUE ABALA A SOCIEDADE

Pouco mais de um ano atrás, a comunidade cristã norte-americana ficou chocada com a notícia do suicídio de um rapaz de apenas 27 anos, Matthew Warren. Ele cometeu esse ato depois de longa depressão que o deixou incapacitado para uma vida normal. 

Matthew era filho de Rick Warren, pastor de uma das maiores igrejas evangélicas do mundo e muito conhecido por livros como “Uma igreja com propósitos” e “Uma vida com propósitos”. Segundo o depoimento do pai, Matthew recebeu o melhor tratamento médico possível e teve grande cobertura de oração e, mesmo assim, não conseguiu resistir. O pastor Warren chegou a contar para sua igreja um diálogo que teve com o filho, pouco antes de sua morte, quando o rapaz disse: Pai, eu sei que vou para junto de Jesus. Então, por que essa dor não acaba logo?”

O fato é que a sociedade atual vive verdadeira "epidemia" de depressão - foi exatamente assim que a revista Christianity Today se referiu a esse problema. Relatório recente da Organização Mundial de Saúde mostrou que depressão é a segunda maior causa de incapacitação das pessoas, logo depois das doenças cardiovasculares. Cerca de 25% da população mundial já teve ou terá depressão severa. E, em qualquer momento, pelo menos 5% da população está deprimida – no Brasil isso equivale a cerca de 10 milhões de pessoas, população equivalente à região metropolitana de São Paulo. 

Os estudos indicam também que a depressão se faz presente no meio cristão com a mesma força que no restante da população. Assim, a cada momento, de cada 20 frequentadores de uma igreja, 1 está severamente deprimido. 

Como explicar essa epidemia? Acho que há dois aspectos a considerar. Em primeiro lugar, hoje há uma compreensão maior sobre a doença "depressão", face aos recursos mais avançados de diagnóstico existentes. 

Um bom exemplo da falta de entendimento da depressão, que antes existia, pode ser encontrado no filme “Patton”, onde foi contada a história de um famoso general norte-americano da II Guerra Mundial. 

Certa vez, Patton foi visitar um hospital para feridos de guerra. Chegou perto de um soldado que não tinha ferimento aparente e lhe perguntou como ele estava. E o soldado, claramente deprimido, não conseguiu explicar direito seu problema. Patton se irritou com aquela situação, chamou o rapaz de covarde, deu-lhe um tapa na cara e mandou-o de volta para a frente de combate. O general foi punido por causa disso. Hoje isso dificilmente aconteceria pois quase todo mundo sabe que a depressão é uma doença e nada tem a ver com covardia. 

A segunda explicação para a "epidemia de depressão" deve-se ao fato que hoje as pessoas se sentem mais à vontade para reconhecer a presença desse mal nas suas vidas - depressão deixou de ser considerada uma fraqueza do caráter das pessoas. 

Lembro-me bem que, quando eu era jovem, depressão carregava um grande estigma social. Sempre ouvia as pessoas na minha igreja falarem que ela era causada por coisas como falta de fé ou pecado não confessado. E ninguém queria ver esse diagnóstico aplicado a si mesmo(a). 

O que é depressão? A definição da Sociedade Psiquiátrica Americana diz mais ou menos o seguinte: uma pessoa está deprimida de forma significativa quando exibe pelo menos um, dentre dois sintomas básicos (falta de ânimo ou de interesse pelas coisas), em conjunto com quatro ou mais dentre os sintomas complementares (sentimento de falta de valor, culpa excessiva, redução da capacidade de concentração ou de tomar decisões, fadiga crônica, agitação psicomotora, insônia, variação rápida de peso e pensamentos recorrentes de morte). Diz ainda a mesma Sociedade que depressão importante gera sofrimento emocional muito grande. 

E há várias causas para a depressão, desde físicas (falta de serotonina no cérebro), até emocionais (por exemplo, sofrimento gerado por uma grande perda). Mas os estudos mostram que a causa mais forte parece ser falta de esperança, gerada pelas incertezas quanto ao futuro, pela solidão ou outras coisas assim. 

O pior é que a sociedade em geral, sem nem perceber, torna tudo mais difícil. Por exemplo, o governo e as empresas em geral cada vez mais tratam as pessoas como objetos - as pessoas tornaram-se números de um cadastro, são atendidas por computadores, precisam seguir normas impessoais e assim por diante.

O fenômeno recente do crescimento das “relações sem vínculos” - aquelas construídas em cima das redes sociais, como Facebook e Twitter - também tem contribuído muito para esse problema. Essas relações não geram comprometimento ou sentido de comunidade e podem ser descontinuadas de forma excessivamente fácil - basta um simples clique do mouse. Portanto, mesmo tendo muitos(as) "amigos(as)" virtuais, as pessoas se sentem cada vez mais solitárias.  

Como lidar com a depressão? Há formas boas e ruins de fazer isso. Infelizmente, os caminhos ruins, como o abuso do álcool e de outras drogas, a promiscuidade sexual e o consumo desenfreado são os mais usados para amenizar a dor emocional causada pela depressão. Esses caminhos não levam a lugar nenhum e acabam por aumentar o problema, em lugar de resolvê-lo. 

A solução real passa pelo uso de medicação adequada (sempre receitada por um médico qualificado), quando necessário, por terapia, por apoio emocional da família, pela mudança de hábitos de vida e assim por diante. E também pelo apoio espiritual, pois a depressão também pode ter raízes nesse campo.

E o que as comunidades cristãs podem fazer para ajudar? Elas deveriam estar na linha de frente do combate a essa epidemia. Mas não é isso que acontece, primeiro por conta do despreparo das lideranças - por exemplo, os pastores não recebem treinamento adequado para lidar com esse tipo de situação. Depois, por causa do preconceito - ainda é comum nas igrejas a afirmação que cristão verdadeiro não fica deprimido (veja mais). 

Concluindo, depressão é doença e como tal deve ser reconhecida e tratada. Ela requer um enfoque amoroso, cuidados especiais e muito apoio. Nós, cristãos, precisamos entender isso e ser um instrumento para solução do problema, nunca uma pedra de tropeço.

Com carinho

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

FARINHA POUCA, MEU PIRÃO PRIMEIRO

O egoísmo é um sentimento básico - todo ser humano tem. Basta observar uma criança pequena: a dificuldade que ela em dificuldade de dividir um brinquedo do qual goste muito com qualquer outra criança. O que mais se houve nas crianças pequenas é a frase: isto é meu!

Quando as pessoas crescem, a sociedade vai lhes ensinando que é feio demonstrar egoísmo. E esse sentimento básico vai sendo escondido ou mascarado, tornando mais difícil identificá-lo. Mas com certeza está sempre presente, em maior ou menor grau. 

O egoísmo pode assumir quatro diferentes manifestações: 

  • Primeiro eu”: os argumentos típicos usados, para conseguir vantagens em relação às outras pessoas, são os diversos. Por exemplo, "eu mereço mais", "minhas necessidades são maiores", "esperei mais tempo", etc. É exatamente a isso que se refere o ditado popular citado no título deste post - quando os recursos são escassos, eu preciso vir na frente. É claro que muitas vezes esses argumentos até são justos e sinceros, mas na maioria das situações apenas mascaram a presença do egoísmo. 
  • O que é meu, não dou, nem empresto: é muito comum as pessoas não conseguirem abrir mão daquilo que tem para beneficiar quem precisa mais. E isso se manifesta de várias formas: deixar de doar dinheiro para quem precisa (isso nada tem a ver com o dízimo) ou de emprestar algo que pode ser útil para os outros. Esse é o tipo de pecado que se comete por omissão – deixar de fazer o bem quando isso está ao alcance. 
  • Não tenho tempo: cada vez mais o tempo é o bem mais precioso das pessoas. Elas preferem doar dinheiro a dar do seu tempo. Vemos isso com frequência, por exemplo, nos pais demasiadamente ocupados para educar os filhos - acabam por dar para eles todos os bens materiais, mas quem fica com eles, no dia-a-dia, são as babás. Esses pais dão tudo, exceto de si mesmos.
  • Vão ter que me aguentar”: conheço uma moça, bem nascida e educada, que certa vez declarou o seguinte: “alguém tem que dizer a verdade para essas pessoas”, referindo-se a quem julgava ter problemas de comportamento. Ao ouvir isso, fiquei pensando: mas quem vai dizer para ela mesma as verdades que precisa ouvir? Frequentemente as pessoas se acham no direito de tomar atitudes ou dizer coisas sem pensar no impacto das suas atitudes sobre as outras pessoas. Essa é uma forma muito comum de egoísmo. 

Como lutar contra o egoísmo
A primeira coisa é reconhecer que o problema existe. Não há como melhorar sem dar esse passo. Ore, abra seu coração para Deus, e peça para Ele lhe mostrar onde você está falhando e nem consegue perceber.

Depois, é preciso lembrar sempre que Jesus ensinou o cristão a amar o próximo como a si mesmo - uma outra forma de dizer esse mesmo mandamento é "faça pelos outros aquilo que gostaria que fizessem por você". 

E aí está a chave do mecanismo para enfrentar o egoísmo: procure sempre olhar para as situações pela perspectiva dos outros e não somente pela sua. Dessa forma você será muito mais sensível ao que ocorre com quem está no seu entorno.

Finalmente, é preciso perseverar. O avanço é lento, passo a passo. Hábitos e atitudes não são mudados de uma única vez e sim aos poucos. 

Concluindo, você pode e deve combater o egoísmo, mas saiba que essa vai ser uma luta diária. 

Com carinho

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

DOMINGO: DIA DO SENHOR OU DO LAZER?

Tempos atrás, um amigo me fez uma pergunta interessante: em qual dia da semana o blog é mais acessado e em qual é menos procurado? Pesquisei essa informação usando as diversas ferramentas que o site (onde meu blog está hospedado) proporciona para os autores e tive uma surpresa: o blog é mais cessado nas quartas ou quintas feiras e menos acessado nos domingos (algo como 15% menos do que a média dos dias da semana). 

Em outras palavras, no chamado ”dia do Senhor”, aquele dia da semana separado para Deus, os dados deste blog indicam que é justamente aí em que há menos interesse em discutir a fé cristã. E isso é um paradoxo. Como explicar tal tipo de coisa? 

A primeira resposta, que me ocorreu, estava baseada no fato das pessoas terem mais compromissos pessoais – compras, lazer, etc – no fim de semana, sobrando menos tempo para atividades religiosas. Por outro lado, é durante os dias úteis que as pessoas estudam, trabalham, perdem tempo no trânsito e certamente estão mais cansadas. Portanto, essa resposta - falta de tempo - não me satisfez. 

Aí lembrei-me de um artigo que saiu no jornal New York Times, 29/09/11, onde foi discutido o estado de espírito das pessoas ao longo da semana. A Universidade de Cornell, nos Estados Unidos, fez um longo estudo para determinar esse tipo de coisa usando os conteúdos das mensagens (twits) que as pessoas enviam umas para as outras ao longo da semana, usando a ferramenta Twitter. 

Os técnicos analisaram cerca de 2 milhões twits, enviados por pessoas de 84 países, incluindo o Brasil. Twits com palavras positivas foram tratados como indicadores de um estado de espírito mais positivo – o que estou chamando aqui de "alto astral". O inverso vale para os twits que fazem uso de palavras negativas. 

Os resultados obtidos foram muito interessantes e bastante lógicos: 
  • O estado de espírito das pessoas vai piorando ao longo da semana e chega ao ponto mais baixo por volta de quinta feira (naqueles países onde a sexta é o último dia útil da semana). 
  • Os momentos de mais "alto astral " são a sexta à noite, o sábado à noite e o domingo durante o dia. 
  • No domingão, o astral começa alto na madrugada e vai caindo. Sobe de novo por volta das 9:00 hs da manhã. Depois cai lentamente até o final do dia. E esse é o dia de astral médio mais alto. 
  • Nos dias úteis, o astral chega ao ponto mais baixo à tarde, melhorando à noite.
Comparando o acesso ao meu blog com o resultado desse estudo, encontrei uma correlação interessante: quanto mais alto o astral, menor o acesso ao blog. E quando o astral cai, o acesso ao blog sobe

Isto é, quando estão por baixo, as pessoas ficam mais predispostas a refletir sobre as coisas relacionadas com Deus e quando estão se sentindo bem, isso importa menos. Simples assim.

É exatamente essa a percepção do comportamento humano que a Bíblia relata. Ela ensina que as pessoas tendem a se aproximar de Deus no sofrimento e se afastam d´Ele quando estão bem. Nas crises, as pessoas vão para junto de Deus e querem estar com Ele a cada momento do seu dia, pois se sentem perdidas e vulneráveis. Nos momentos bons, escolhem preferem curtir sua vida e agem como se não precisassem de Deus.

É exatamente por isso que o conceito de ter o domingo como o dia dedicado a Deus vem perdendo apoio entre os(as) cristãos(ãs). E as igrejas não vem conseguindo mudar esse estado de coisas.

Ora, se Deus reservou um dia para que os seres humanos venham a dar preferência a estarem com Ele, alguma razão importante havia. E a explicação é simples: não é possível construir uma boa relação com quem quer que seja sem passar "tempo de qualidade" com essa pessoa. 

E, por "tempo de qualidade", refiro-me aos momentos em que a pessoa está bem, sem pressa e em condições de curtir bem esse relacionamento - exatamente como a maioria das pessoas parece estar no domingo.  

Tudo isso aponta para um grande erro da sociedade moderna. As pessoas vêm cada vez mais escolhendo seu lazer ao relacionamento com Deus. Dão a Ele o tempo que sobra, nunca os melhores momentos. E depois não sabem porque seu relacionamento com o Pai não progride.

Nunca deixe de separar "tempo de qualidade" para estar com Deus, orando, louvando, estudando a Palavra, etc. E os dados indicam que o domingo parece ser o melhor dia para isso. Pode ter certeza que esse é o melhor uso possível do seu tempo. 

Com carinho

domingo, 7 de dezembro de 2014

A DOR DE UM ESTIGMA

Estigma é uma marca de natureza moral que a pessoa carrega, marca essa normalmente imposta a ela pela sociedade. 

Estigmas causam muito sofrimento e conheço inúmeros casos que comprovam isso. Por exemplo, lembro do caso de uma moça que tem temperamento sanguíneo - ela reage muito rápida e fortemente às provocações ou críticas. É da natureza dela. Mas ela também é extremamente amorosa, dedicada e tem a enorme qualidade de não guardar ressentimentos.

Durante sua juventude, essa característica explosiva foi mais acentuada, pois tudo nos jovens é intenso. Com a maturidade e depois de muito esforço pessoal, ela aprendeu a se controlar melhor. Mas ficou estigmatizada dentro da sua própria família como "criadora de caso". Ainda hoje, toda vez que ela reage com maior intensidade a uma situação ruim, mesmo quando tem toda razão, ouve de imediato a acusação que é encrenqueira. 

E mesmo a evolução por ela obtida não lhe é creditada: a família acha que o mérito é do marido, com quem ela se casou cerca de dez anos atrás. Para a família, foi a boa "influência" dele que resolveu tudo. Resumindo, o lado ruim sempre é responsabilidade dela enquanto os aspectos positivos vão para a "conta" do marido. 

Pessoas estigmatizadas sempre têm dificuldade de se livrar da marca negativa que receberam dos outros. Assim, a artista de televisão que começou a vida fazendo o papel de "gostosa", vai ser sempre classificada nessa categoria, não importa que depois passe a desempenhar papéis mais sérios. Do palhaço que virou deputado federal, todos esperam palhaçadas, embora as verdadeiras "palhaçadas" sejam feitas por pessoas com diploma e "colarinho branco engomado". E, no meio cristão, a pessoa que teve seu pecado sexual exposto nunca mais vai recuperar o respeito e será  sempre olhada de "esguelha" dentro da igreja que frequenta. 

Essa é uma triste realidade. E, por conta dela, a autoestima das pessoas estigmatizadas fica muito reduzida - elas se sentem inseguras, injustiçadas e infelizes.

Agora, se você passa por esse tipo de dificuldade, não desanime. Afinal, vários personagens da Bíblia precisaram enfrentar esse tipo de situação e conseguiram seus estigmas. E você pode aprender com o exemplo deles.

O caso mais doloroso e impressionante é o do próprio Jesus. Maria, sua mãe, apareceu grávida de forma misteriosa e isso gerou uma sombra permanente sobre sua origem. Seria ele um filho bastardo? Quem foi seu pai de sangue?

Os adversários de Jesus chegaram a espalhar boatos de toda ordem sobre sua origem - por exemplo, alguns afirmaram que Maria foi estuprada por um soldado romano e engravidou dele. E nuca podemos esquecer que esse tipo de questão, no meio dos judeus, era muito sério. Para eles, a pureza do sangue era algo inegociável e isso continua a ser verdade até os dias de hoje. 

O estigma de Jesus fica aparente no texto bíblico, por exemplo, quando Ele é chamado de "filho de Maria". Ora, naquela época, as pessoas sempre eram identificadas através da linhagem paterna. Portanto, referir-se a uma pessoa pela linhagem da sua mãe somente fazia sentido quando havia dúvida quanto a quem era de fato seu pai. 

Jesus carregou essa carga terrível por toda a vida, sem dúvida com grande sofrimento pessoal. Mas não foi só Jesus que foi estigmatizado. 

Paulo também passou por sua cota de sofrimento. Antes de se converter, ela perseguiu os cristãos, considerados hereges. Mais adiante, Paulo começou suas viagens missionárias e abraçou a missão de trazer o Evangelho de Jesus para os não judeus. E passou a ser considerado o Apóstolo para os gentios. 

Ocorre que a posição de "apóstolo" estava reservada, em princípio, para os 12 homens escolhidos por Jesus no início do seu ministério, como Pedro e João - esses homens beberam os ensinamentos espirituais diretamente do próprio Mestre.  

Mas Paulo não andou com Jesus, pois se converteu depois da morte e ressurreição d´Ele. Aí, quando Paulo começou a se apresentar como apóstolo, houve reação e muitos entenderam que ele tinha usurpado essa função. 

O estigma de usurpador que Paulo recebeu gerou muitos problemas e, não foi por acaso, que várias das suas cartas dedicam espaço à defesa da sua autoridade apostólica, coisa que Pedro e João, por exemplo, nunca precisaram fazer. 

A resposta para o estigma que eventualmente tenha sido atribuído a você é entender que, para Deus, toda pessoa importa muito. Para o Criador do universo, você tem valor, tanto valor, que Ele enviou seu Filho para morrer no seu lugar.

E Deus nunca vai olhar para você levando em conta os estigmas que a sociedade eventualmente lhe impôs. Você sempre será um(a) filho(a) querido(a) para Deus. E nada, nada mesmo, poderá separar você do amor d´Ele (veja mais).

Com carinho

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

UMA ÚNICA PALAVRA QUE MUDOU MUITA COISA

"Pois vocês não receberam o espírito que os torne escravos medrosos e servis, mas receberam o Espírito que os adota como verdadeiros filhos, pelo qual clamamos: 'Abba, Pai'."                                             Romanos capítulo 8, versículo 15
Este texto do apóstolo Paulo fala de várias coisas importantes, mas quero me concentrar aqui apenas no uso da palavra "Abba", que significa "Pai" no aramaico (a língua que Jesus falava).

Paulo incluiu esta passagem numa carta que escreveu para a igreja de Roma. Tal carta foi endereçado a uma audiência quase toda formada por não judeus (gentios), sendo assim foi escrita em grego, língua que todos falavam. Por que então Paulo fez questão de colocar no meio do texto uma única palavra em aramaico, Abba? Deve ter havido uma razão forte.

Ocorre que o uso da palavra "Abba" para se referir a Deus foi popularizado por Jesus - por exemplo, é ela que dá início à famosa oração do "Pai Nosso". E assim "Abba" acabou se tornando uma "marca registrada" dos cristãos.

Antes disso acontecer, os judeus só se dirigiam a Deus de forma muito solene, por exemplo "Senhor dos Exércitos" ou "Todo Poderoso". Aí veio Jesus e orientou seus seguidores a se referir a Ele usando uma palavra - "Abba" - que as crianças pequenas usavam para chamar seus próprios pais. 

Foi como se Jesus tivesse "liberado" as pessoas para se dirigir a Deus com intimidade. Tivesse incentivado seus seguidores a "sentar no colo de Deus", pedindo e recebendo carinho.

E assim a relação do ser humano com Deus sofreu uma grande mudança qualitativa e para melhor. Uma barreira foi levantada para não mais ser re-estabelecida. O acesso a Deus passou a ser tão direto e simples como o de um filho pequeno com seu pai.

Foi assim que a palavra Abba passou a ter uma importância muito especial para o cristianismo. E os cristãos se acostumaram a citá-la em aramaico, até porque a pronuncia de "Abba" é muito fácil - até uma criança de 2 anos pode repeti-la sem dificuldade. 

Resumindo, quando escreveu o texto citado acima, Paulo sabia que seus leitores interpretariam a citação da palavra "Abba" como a referencia a uma relação íntima do ser humano com Deus, mediada pelo Espírito Santo. 

É por causa disso tudo que "Abba" é uma palavra simples mas que mudou muita coisa. 

Com carinho