quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

RESOLUÇÕES PARA O ANO NOVO

Uma conhecida tradição de final de ano é a preparação de uma lista de resoluções relacionando uma série de coisas com as quais a pessoa se compromete durante o ano que vai se iniciar. Tanto pode incluir coisas que ela vai deixar de fazer (p. ex. novas dívidas) como outras que passará a fazer (p. ex. regime para emagrecer). 

Acho que listas de ano novo são importantes, não pela lista em si, mas por causa do processo de reflexão que geram. Pensar sobre o que se fez ou se deixou de fazer no ano anterior e o que pode ser feito para melhorar como pessoa é sempre muito saudável. E a virada de ano é sempre uma boa oportunidade para isso. 

Minha experiência mostra que uma lista desse tipo deve ter poucos itens que sejam muito importantes. Não pode conter coisas extremamente difíceis de cumprir - propostas quase irrealizáveis -, pois a pessoa acabará desanimando. Nem deve ser fácil demais - apenas coisas triviais -, pois aí não trará qualquer proveito.

Para ajudar a você nessa reflexão aí vão três sugestões de itens que podem ser incluídos:

  • Controlar melhor a própria língua, especialmente em momentos de ansiedade e nervosismo. Procurar falar mais as coisas que edificam do que aquelas que denigrem. 
  • Dedicar mais tempo para estar com pessoas que precisam de conforto emocional e apoio espiritual. 
  • Preocupar-me cada vez menos com o que as pessoas pensam de você. Levem mais e mais em conta apenas a avaliação de Deus a seu respeito.

Um 2015 pleno das bençãos de Deus para você e todos os seus queridos.

Com carinho

sábado, 27 de dezembro de 2014

A FATURA DE 50 CENTAVOS

Certa vez recebi uma fatura de cartão de crédito no valor de 50 centavos. O banco mandou pelo correio uma conta cujo valor é menor do que o custo da própria cobrança. Teria sido melhor não me cobrar nada.

O problema deveu-se a um erro no programa de computador que emite esse tipo de cobrança - nela não havia previsão para lidar com cobranças de valor muito baixo. E esse erro não é de se estranhar porque programas de computador são obras humanas e, portanto, imperfeitos. 

E isso se aplica a tudo dentro da sociedade humana - as imperfeições estão sempre presentes por mais que as pessoas se esforcem para evitá-las. Mas por que será que isso acontece? As razões são diversas. 

Começo por lembrar que as pessoas nunca sabem tudo que precisam bem informadas. As informações disponíveis simplesmente nunca são suficientes. Por exemplo, imaginemos que um investidor esteja analisando a possibilidade de comprar determinada ação na Bolsa de Valores. A verdade é que ele nunca vai ter todos os dados sobre aquela empresa de que precisaria para poder tomar uma decisão segura. Vai acabar tendo que agir com base em dicas de terceiros ou mesmo seguir seus instintos. É por isso que investimento na Bolsa é mais arte do que ciência. 

Outro exemplo interessante é o caso da moça que precisa decidir sobre uma proposta de casamento e não conhece o rapaz como gostaria - seu caráter, hábitos, etc. Vai acabar tomando sua decisão com base nas informações de que dispõe, como os modos do rapaz ou as promessas que ele lhe fez. E corre sério risco de cometer um erro de grande impacto na sua vida.

Agora, mesmo que as pessoas contassem com todas as informações necessárias para tomar uma boa decisão, ainda assim não teriam condições de analisá-las adequadamente no tempo de que dispõem. Os prazos humanos se impõem - por exemplo, a data de fazer a subscrição da ação da empresa ou de validade para a proposta de casamento (o rapaz deu uma semana para a moça pensar). E não há como fugir deles. 

Outra razão para a falibilidade humana repousa nas predisposições que distorcem as avaliações que as pessoas fazem. Acabam vendo coisas que não estão lá ou deixam de levar em conta indícios de problemas. Voltando ao exemplo da noiva, se ela estiver se sentindo pressionada pela família a casar, talvez por causa da sua idade, vai avaliar o candidato a noivo de forma mais benevolente e pode até desprezar os sinais negativos, como um machismo preocupante. 

Mas no mundo de Deus não há erros. Nunca. Ele sempre têm todos os dados de que precisa (é onisciente), tem a capacidade necessária para analisá-los em tempo (é onipotente) e seu julgamento é sempre perfeito. 

Sendo assim, não é de estranhar que Deus chegue a conclusões diferentes das pessoas. Que suas soluções para os problemas quase sempre surpreendam. E que as pessoas tenham dificuldade para entender as razões d´Ele - daí o ditado "Deus escreve certo por linhas aparentemente tortas”. 

Como não entendem o que Deus está fazendo, as pessoas frequentemente pensam que Ele não está fazendo o melhor que pode. E algumas pessoas até imaginam que podem ensinar Deus o que fazer - chegam até a preparar um "roteiro" para orientar sua ação (vejo muito isso em orações que escuto por aí).

Concluindo, quando você não entender bem o que Deus está fazendo na sua vida, não se assuste. Confie mais n´Ele. Saiba que as decisões que Ele vier a tomar serão sempre melhores do que as suas próprias. E depois descanse n´Ele. Simples assim.

PS Antes que eu me esqueça de contar, eu paguei a fatura de 50 centavos...

Com carinho

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

COMO SE SENTIR FELIZ NO NATAL APESAR DOS PROBLEMAS

Para quase todo mundo um feliz Natal é o passado em família, estando todos com saúde e em paz. Não podem faltar também uma mesa farta e muitos presentes. 

Ma, quando as circunstâncias são diferentes, o Natal se torna penoso, pois a pessoa não estando feliz, numa data como essa acaba, por se sentir como peixe fora da água, ao ver todo mundo aparentemente bem e só ela mal. 

Eu sei bem o que é se sentir assim. Em 2002, minha mãe teve que ser operada durante a noite de Natal - ela sofreu muito e acabou morrendo em meados de 2003. Por causa disso, durante alguns Natais, eu não conseguia me sentir bem. A lembrança de visitar minha mãe na UTI, na manhã do dia 25, assombrou minhas memórias durante algum tempo. 

Mas aprendi, com meu amadurecimento espiritual, que a verdadeira felicidade do Natal não está nas coisas tradicionais - mesa farta, presentes, etc -, embora eu reconheça que elas ajudam muito uma celebração alegre. 

Os motivos para estar feliz no Natal devem ser buscados em outro lugar e não dependem das circunstâncias da vida humana. O primeiro motivo decorre da percepção que Deus nos ama de tal maneira que mandou seu Filho ao mundo para morrer por nós (João capítulo 3, versículo 16). E no Natal comemoramos exatamente esse fato.

O segundo motivo vem do entendimento que Jesus nos compreende, incluindo nossas fraquezas e sofrimentos. Afinal, Ele viveu entre nós e também passou por grandes dificuldades na vida. Teve fome e frio, foi discriminado pela sua origem considerada duvidosa (um pai desconhecido pelas pessoas), foi torturado, escarnecido e, no final, abandonado por quase todos aqueles a quem amava. E sua experiência neste mundo começou exatamente num Natal, quando Ele nasceu num estábulo e foi deitado num simples cocho, em meio aos animais.

Agora, por conhecer nossas dificuldades, Jesus sabe como nos consolar e temos n´Ele o melhor dos advogados para pedir por nós junto a Deus Pai. E isso deve ser motivo de alegria.

Não importam as circunstâncias da sua vida, sempre há motivos para você se sentir feliz nesse e em todos os outros Natais. Portanto, comemore cada um deles, sozinho ou em grupo, com comida ou sem ela, com muitos ou poucos presentes, não importa. 

Feliz Natal, são os meus votos carinhosos

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

O NATAL COMO ENSINAMENTO SOBRE A FÉ

As imagens do nascimento de Jesus, com anjos louvando, os três reis magos depositando seus presentes aos pés do recém nascido e outras coisas assim fazem parte do imaginário do Natal, muito caro a todo mundo.

Mas a principal reflexão que precisa ser feita nessa época do ano é bem outra: não podemos esquecer as enormes dificuldades pelas quais Jesus passou, a começar por seu nascimento numa estrebaria suja e malcheirosa. E esse foi apenas o começo. Jesus e seus seguidores tiveram vida bem fácil. Vamos ver isso com mais detalhe.

A qualidade de vida
A vida na Judeia e Samaria cerca de 2.000 anos atrás era muito difícil se comparada aos padrões de hoje. A maioria das pessoas simplesmente sobrevivia, sem qualquer outra perspectiva. Tinham poucas posses (p. ex. duas ou três mudas de roupa), baixa expectativa de vida (em média 40 anos média), dispunham da comida necessária apenas para não morrer de fome e não contavam com qualquer rede de proteção social, para quando ficassem velhas ou doentes. 

As pessoas também não tinham direitos civis - pagavam impostos escorchantes e podiam ser presas por qualquer motivo por um sistema judicial injusto e corrupto. 

Jesus e seus seguidores viveram um ministério itinerante. E viajavam quase sempre à pé  - no máximo eram usados jumentos para transportar carga. Por exemplo, a duração de uma viagem da Galileia, onde Jesus foi criado, até Jerusalém, onde ficava o Templo, durava uma semana ou pouco mais. Todo esse tempo era gasto caminhando por estradas empoeiradas, sem lugar certo para comer ou dormir. As estradas eram perigosas, expondo os viajantes a ataques de animais ferozes ou salteadores. 

Em resumo, a qualidade de vida era muito baixa, o que tornou a missão de Jesus e seus discípulos um enorme desafio e grande prova de perseverança. 

O risco da missão
O desafio real enfrentado por Jesus e seus seguidores, entretanto, foi muito além do que descrevi acima, pois a missão, em si mesma foi de alto risco. Os ensinamentos de Jesus incomodaram os poderosos da época e isso gerou perseguição contra Ele e seus seguidores.

A consequência desse processo foi terrível. Jesus morreu numa cruz assim como seis dos doze apóstolos originais, dentre eles, Pedro. Quatro outros apóstolos foram martirizados de outras formas e apenas um, João, morreu de forma natural. O apóstolo Paulo também foi martirizado (decapitado), assim como vários dos diáconos, como Estevão. Isso sem esquecer Tiago, irmão de Jesus e primeiro líder da igreja cristã em Jerusalém, que foi apedrejado.

O fato é que seguir Jesus naquela época significava uma sentença de morte quase certa. 

A razão para a perseverança
Condições de vida difíceis e perseguição violenta, esse é o quadro que Jesus e os primeiros cristãos encontraram. Sendo assim, é de se admirar que nenhuma daquelas pessoas tenha abandonado a fé cristã, mantendo-se firmes até o fim. É claro que passaram por altos e baixos, como Pedro, que chegou a negar Jesus três vezes. Mas ficaram firmes. Mas por que? A razão é simples: sua fé os sustentou.

Concluindo, o Natal e a vida de Jesus são ensinamentos permanentes sobre como viver uma vida baseada na fé em Deus.

Com carinho

sábado, 13 de dezembro de 2014

A EPIDEMIA QUE ABALA A SOCIEDADE

Pouco mais de um ano atrás, a comunidade cristã norte-americana ficou chocada com a notícia do suicídio de um rapaz de apenas 27 anos, Matthew Warren. Ele cometeu esse ato depois de longa depressão que o deixou incapacitado para uma vida normal. 

Matthew era filho de Rick Warren, pastor de uma das maiores igrejas evangélicas do mundo e muito conhecido por livros como “Uma igreja com propósitos” e “Uma vida com propósitos”. Segundo o depoimento do pai, Matthew recebeu o melhor tratamento médico possível e teve grande cobertura de oração e, mesmo assim, não conseguiu resistir. O pastor Warren chegou a contar para sua igreja um diálogo que teve com o filho, pouco antes de sua morte, quando o rapaz disse: Pai, eu sei que vou para junto de Jesus. Então, por que essa dor não acaba logo?”

O fato é que a sociedade atual vive verdadeira "epidemia" de depressão - foi exatamente assim que a revista Christianity Today se referiu a esse problema. Relatório recente da Organização Mundial de Saúde mostrou que depressão é a segunda maior causa de incapacitação das pessoas, logo depois das doenças cardiovasculares. Cerca de 25% da população mundial já teve ou terá depressão severa. E, em qualquer momento, pelo menos 5% da população está deprimida – no Brasil isso equivale a cerca de 10 milhões de pessoas, população equivalente à região metropolitana de São Paulo. 

Os estudos indicam também que a depressão se faz presente no meio cristão com a mesma força que no restante da população. Assim, a cada momento, de cada 20 frequentadores de uma igreja, 1 está severamente deprimido. 

Como explicar essa epidemia? Acho que há dois aspectos a considerar. Em primeiro lugar, hoje há uma compreensão maior sobre a doença "depressão", face aos recursos mais avançados de diagnóstico existentes. 

Um bom exemplo da falta de entendimento da depressão, que antes existia, pode ser encontrado no filme “Patton”, onde foi contada a história de um famoso general norte-americano da II Guerra Mundial. 

Certa vez, Patton foi visitar um hospital para feridos de guerra. Chegou perto de um soldado que não tinha ferimento aparente e lhe perguntou como ele estava. E o soldado, claramente deprimido, não conseguiu explicar direito seu problema. Patton se irritou com aquela situação, chamou o rapaz de covarde, deu-lhe um tapa na cara e mandou-o de volta para a frente de combate. O general foi punido por causa disso. Hoje isso dificilmente aconteceria pois quase todo mundo sabe que a depressão é uma doença e nada tem a ver com covardia. 

A segunda explicação para a "epidemia de depressão" deve-se ao fato que hoje as pessoas se sentem mais à vontade para reconhecer a presença desse mal nas suas vidas - depressão deixou de ser considerada uma fraqueza do caráter das pessoas. 

Lembro-me bem que, quando eu era jovem, depressão carregava um grande estigma social. Sempre ouvia as pessoas na minha igreja falarem que ela era causada por coisas como falta de fé ou pecado não confessado. E ninguém queria ver esse diagnóstico aplicado a si mesmo(a). 

O que é depressão? A definição da Sociedade Psiquiátrica Americana diz mais ou menos o seguinte: uma pessoa está deprimida de forma significativa quando exibe pelo menos um, dentre dois sintomas básicos (falta de ânimo ou de interesse pelas coisas), em conjunto com quatro ou mais dentre os sintomas complementares (sentimento de falta de valor, culpa excessiva, redução da capacidade de concentração ou de tomar decisões, fadiga crônica, agitação psicomotora, insônia, variação rápida de peso e pensamentos recorrentes de morte). Diz ainda a mesma Sociedade que depressão importante gera sofrimento emocional muito grande. 

E há várias causas para a depressão, desde físicas (falta de serotonina no cérebro), até emocionais (por exemplo, sofrimento gerado por uma grande perda). Mas os estudos mostram que a causa mais forte parece ser falta de esperança, gerada pelas incertezas quanto ao futuro, pela solidão ou outras coisas assim. 

O pior é que a sociedade em geral, sem nem perceber, torna tudo mais difícil. Por exemplo, o governo e as empresas em geral cada vez mais tratam as pessoas como objetos - as pessoas tornaram-se números de um cadastro, são atendidas por computadores, precisam seguir normas impessoais e assim por diante.

O fenômeno recente do crescimento das “relações sem vínculos” - aquelas construídas em cima das redes sociais, como Facebook e Twitter - também tem contribuído muito para esse problema. Essas relações não geram comprometimento ou sentido de comunidade e podem ser descontinuadas de forma excessivamente fácil - basta um simples clique do mouse. Portanto, mesmo tendo muitos(as) "amigos(as)" virtuais, as pessoas se sentem cada vez mais solitárias.  

Como lidar com a depressão? Há formas boas e ruins de fazer isso. Infelizmente, os caminhos ruins, como o abuso do álcool e de outras drogas, a promiscuidade sexual e o consumo desenfreado são os mais usados para amenizar a dor emocional causada pela depressão. Esses caminhos não levam a lugar nenhum e acabam por aumentar o problema, em lugar de resolvê-lo. 

A solução real passa pelo uso de medicação adequada (sempre receitada por um médico qualificado), quando necessário, por terapia, por apoio emocional da família, pela mudança de hábitos de vida e assim por diante. E também pelo apoio espiritual, pois a depressão também pode ter raízes nesse campo.

E o que as comunidades cristãs podem fazer para ajudar? Elas deveriam estar na linha de frente do combate a essa epidemia. Mas não é isso que acontece, primeiro por conta do despreparo das lideranças - por exemplo, os pastores não recebem treinamento adequado para lidar com esse tipo de situação. Depois, por causa do preconceito - ainda é comum nas igrejas a afirmação que cristão verdadeiro não fica deprimido (veja mais). 

Concluindo, depressão é doença e como tal deve ser reconhecida e tratada. Ela requer um enfoque amoroso, cuidados especiais e muito apoio. Nós, cristãos, precisamos entender isso e ser um instrumento para solução do problema, nunca uma pedra de tropeço.

Com carinho

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

FARINHA POUCA, MEU PIRÃO PRIMEIRO

O egoísmo é um sentimento básico - todo ser humano tem. Basta observar uma criança pequena: a dificuldade que ela em dificuldade de dividir um brinquedo do qual goste muito com qualquer outra criança. O que mais se houve nas crianças pequenas é a frase: isto é meu!

Quando as pessoas crescem, a sociedade vai lhes ensinando que é feio demonstrar egoísmo. E esse sentimento básico vai sendo escondido ou mascarado, tornando mais difícil identificá-lo. Mas com certeza está sempre presente, em maior ou menor grau. 

O egoísmo pode assumir quatro diferentes manifestações: 

  • Primeiro eu”: os argumentos típicos usados, para conseguir vantagens em relação às outras pessoas, são os diversos. Por exemplo, "eu mereço mais", "minhas necessidades são maiores", "esperei mais tempo", etc. É exatamente a isso que se refere o ditado popular citado no título deste post - quando os recursos são escassos, eu preciso vir na frente. É claro que muitas vezes esses argumentos até são justos e sinceros, mas na maioria das situações apenas mascaram a presença do egoísmo. 
  • O que é meu, não dou, nem empresto: é muito comum as pessoas não conseguirem abrir mão daquilo que tem para beneficiar quem precisa mais. E isso se manifesta de várias formas: deixar de doar dinheiro para quem precisa (isso nada tem a ver com o dízimo) ou de emprestar algo que pode ser útil para os outros. Esse é o tipo de pecado que se comete por omissão – deixar de fazer o bem quando isso está ao alcance. 
  • Não tenho tempo: cada vez mais o tempo é o bem mais precioso das pessoas. Elas preferem doar dinheiro a dar do seu tempo. Vemos isso com frequência, por exemplo, nos pais demasiadamente ocupados para educar os filhos - acabam por dar para eles todos os bens materiais, mas quem fica com eles, no dia-a-dia, são as babás. Esses pais dão tudo, exceto de si mesmos.
  • Vão ter que me aguentar”: conheço uma moça, bem nascida e educada, que certa vez declarou o seguinte: “alguém tem que dizer a verdade para essas pessoas”, referindo-se a quem julgava ter problemas de comportamento. Ao ouvir isso, fiquei pensando: mas quem vai dizer para ela mesma as verdades que precisa ouvir? Frequentemente as pessoas se acham no direito de tomar atitudes ou dizer coisas sem pensar no impacto das suas atitudes sobre as outras pessoas. Essa é uma forma muito comum de egoísmo. 

Como lutar contra o egoísmo
A primeira coisa é reconhecer que o problema existe. Não há como melhorar sem dar esse passo. Ore, abra seu coração para Deus, e peça para Ele lhe mostrar onde você está falhando e nem consegue perceber.

Depois, é preciso lembrar sempre que Jesus ensinou o cristão a amar o próximo como a si mesmo - uma outra forma de dizer esse mesmo mandamento é "faça pelos outros aquilo que gostaria que fizessem por você". 

E aí está a chave do mecanismo para enfrentar o egoísmo: procure sempre olhar para as situações pela perspectiva dos outros e não somente pela sua. Dessa forma você será muito mais sensível ao que ocorre com quem está no seu entorno.

Finalmente, é preciso perseverar. O avanço é lento, passo a passo. Hábitos e atitudes não são mudados de uma única vez e sim aos poucos. 

Concluindo, você pode e deve combater o egoísmo, mas saiba que essa vai ser uma luta diária. 

Com carinho

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

DOMINGO: DIA DO SENHOR OU DO LAZER?

Tempos atrás, um amigo me fez uma pergunta interessante: em qual dia da semana o blog é mais acessado e em qual é menos procurado? Pesquisei essa informação usando as diversas ferramentas que o site (onde meu blog está hospedado) proporciona para os autores e tive uma surpresa: o blog é mais cessado nas quartas ou quintas feiras e menos acessado nos domingos (algo como 15% menos do que a média dos dias da semana). 

Em outras palavras, no chamado ”dia do Senhor”, aquele dia da semana separado para Deus, os dados deste blog indicam que é justamente aí em que há menos interesse em discutir a fé cristã. E isso é um paradoxo. Como explicar tal tipo de coisa? 

A primeira resposta, que me ocorreu, estava baseada no fato das pessoas terem mais compromissos pessoais – compras, lazer, etc – no fim de semana, sobrando menos tempo para atividades religiosas. Por outro lado, é durante os dias úteis que as pessoas estudam, trabalham, perdem tempo no trânsito e certamente estão mais cansadas. Portanto, essa resposta - falta de tempo - não me satisfez. 

Aí lembrei-me de um artigo que saiu no jornal New York Times, 29/09/11, onde foi discutido o estado de espírito das pessoas ao longo da semana. A Universidade de Cornell, nos Estados Unidos, fez um longo estudo para determinar esse tipo de coisa usando os conteúdos das mensagens (twits) que as pessoas enviam umas para as outras ao longo da semana, usando a ferramenta Twitter. 

Os técnicos analisaram cerca de 2 milhões twits, enviados por pessoas de 84 países, incluindo o Brasil. Twits com palavras positivas foram tratados como indicadores de um estado de espírito mais positivo – o que estou chamando aqui de "alto astral". O inverso vale para os twits que fazem uso de palavras negativas. 

Os resultados obtidos foram muito interessantes e bastante lógicos: 
  • O estado de espírito das pessoas vai piorando ao longo da semana e chega ao ponto mais baixo por volta de quinta feira (naqueles países onde a sexta é o último dia útil da semana). 
  • Os momentos de mais "alto astral " são a sexta à noite, o sábado à noite e o domingo durante o dia. 
  • No domingão, o astral começa alto na madrugada e vai caindo. Sobe de novo por volta das 9:00 hs da manhã. Depois cai lentamente até o final do dia. E esse é o dia de astral médio mais alto. 
  • Nos dias úteis, o astral chega ao ponto mais baixo à tarde, melhorando à noite.
Comparando o acesso ao meu blog com o resultado desse estudo, encontrei uma correlação interessante: quanto mais alto o astral, menor o acesso ao blog. E quando o astral cai, o acesso ao blog sobe

Isto é, quando estão por baixo, as pessoas ficam mais predispostas a refletir sobre as coisas relacionadas com Deus e quando estão se sentindo bem, isso importa menos. Simples assim.

É exatamente essa a percepção do comportamento humano que a Bíblia relata. Ela ensina que as pessoas tendem a se aproximar de Deus no sofrimento e se afastam d´Ele quando estão bem. Nas crises, as pessoas vão para junto de Deus e querem estar com Ele a cada momento do seu dia, pois se sentem perdidas e vulneráveis. Nos momentos bons, escolhem preferem curtir sua vida e agem como se não precisassem de Deus.

É exatamente por isso que o conceito de ter o domingo como o dia dedicado a Deus vem perdendo apoio entre os(as) cristãos(ãs). E as igrejas não vem conseguindo mudar esse estado de coisas.

Ora, se Deus reservou um dia para que os seres humanos venham a dar preferência a estarem com Ele, alguma razão importante havia. E a explicação é simples: não é possível construir uma boa relação com quem quer que seja sem passar "tempo de qualidade" com essa pessoa. 

E, por "tempo de qualidade", refiro-me aos momentos em que a pessoa está bem, sem pressa e em condições de curtir bem esse relacionamento - exatamente como a maioria das pessoas parece estar no domingo.  

Tudo isso aponta para um grande erro da sociedade moderna. As pessoas vêm cada vez mais escolhendo seu lazer ao relacionamento com Deus. Dão a Ele o tempo que sobra, nunca os melhores momentos. E depois não sabem porque seu relacionamento com o Pai não progride.

Nunca deixe de separar "tempo de qualidade" para estar com Deus, orando, louvando, estudando a Palavra, etc. E os dados indicam que o domingo parece ser o melhor dia para isso. Pode ter certeza que esse é o melhor uso possível do seu tempo. 

Com carinho

domingo, 7 de dezembro de 2014

A DOR DE UM ESTIGMA

Estigma é uma marca de natureza moral que a pessoa carrega, marca essa normalmente imposta a ela pela sociedade. 

Estigmas causam muito sofrimento e conheço inúmeros casos que comprovam isso. Por exemplo, lembro do caso de uma moça que tem temperamento sanguíneo - ela reage muito rápida e fortemente às provocações ou críticas. É da natureza dela. Mas ela também é extremamente amorosa, dedicada e tem a enorme qualidade de não guardar ressentimentos.

Durante sua juventude, essa característica explosiva foi mais acentuada, pois tudo nos jovens é intenso. Com a maturidade e depois de muito esforço pessoal, ela aprendeu a se controlar melhor. Mas ficou estigmatizada dentro da sua própria família como "criadora de caso". Ainda hoje, toda vez que ela reage com maior intensidade a uma situação ruim, mesmo quando tem toda razão, ouve de imediato a acusação que é encrenqueira. 

E mesmo a evolução por ela obtida não lhe é creditada: a família acha que o mérito é do marido, com quem ela se casou cerca de dez anos atrás. Para a família, foi a boa "influência" dele que resolveu tudo. Resumindo, o lado ruim sempre é responsabilidade dela enquanto os aspectos positivos vão para a "conta" do marido. 

Pessoas estigmatizadas sempre têm dificuldade de se livrar da marca negativa que receberam dos outros. Assim, a artista de televisão que começou a vida fazendo o papel de "gostosa", vai ser sempre classificada nessa categoria, não importa que depois passe a desempenhar papéis mais sérios. Do palhaço que virou deputado federal, todos esperam palhaçadas, embora as verdadeiras "palhaçadas" sejam feitas por pessoas com diploma e "colarinho branco engomado". E, no meio cristão, a pessoa que teve seu pecado sexual exposto nunca mais vai recuperar o respeito e será  sempre olhada de "esguelha" dentro da igreja que frequenta. 

Essa é uma triste realidade. E, por conta dela, a autoestima das pessoas estigmatizadas fica muito reduzida - elas se sentem inseguras, injustiçadas e infelizes.

Agora, se você passa por esse tipo de dificuldade, não desanime. Afinal, vários personagens da Bíblia precisaram enfrentar esse tipo de situação e conseguiram seus estigmas. E você pode aprender com o exemplo deles.

O caso mais doloroso e impressionante é o do próprio Jesus. Maria, sua mãe, apareceu grávida de forma misteriosa e isso gerou uma sombra permanente sobre sua origem. Seria ele um filho bastardo? Quem foi seu pai de sangue?

Os adversários de Jesus chegaram a espalhar boatos de toda ordem sobre sua origem - por exemplo, alguns afirmaram que Maria foi estuprada por um soldado romano e engravidou dele. E nuca podemos esquecer que esse tipo de questão, no meio dos judeus, era muito sério. Para eles, a pureza do sangue era algo inegociável e isso continua a ser verdade até os dias de hoje. 

O estigma de Jesus fica aparente no texto bíblico, por exemplo, quando Ele é chamado de "filho de Maria". Ora, naquela época, as pessoas sempre eram identificadas através da linhagem paterna. Portanto, referir-se a uma pessoa pela linhagem da sua mãe somente fazia sentido quando havia dúvida quanto a quem era de fato seu pai. 

Jesus carregou essa carga terrível por toda a vida, sem dúvida com grande sofrimento pessoal. Mas não foi só Jesus que foi estigmatizado. 

Paulo também passou por sua cota de sofrimento. Antes de se converter, ela perseguiu os cristãos, considerados hereges. Mais adiante, Paulo começou suas viagens missionárias e abraçou a missão de trazer o Evangelho de Jesus para os não judeus. E passou a ser considerado o Apóstolo para os gentios. 

Ocorre que a posição de "apóstolo" estava reservada, em princípio, para os 12 homens escolhidos por Jesus no início do seu ministério, como Pedro e João - esses homens beberam os ensinamentos espirituais diretamente do próprio Mestre.  

Mas Paulo não andou com Jesus, pois se converteu depois da morte e ressurreição d´Ele. Aí, quando Paulo começou a se apresentar como apóstolo, houve reação e muitos entenderam que ele tinha usurpado essa função. 

O estigma de usurpador que Paulo recebeu gerou muitos problemas e, não foi por acaso, que várias das suas cartas dedicam espaço à defesa da sua autoridade apostólica, coisa que Pedro e João, por exemplo, nunca precisaram fazer. 

A resposta para o estigma que eventualmente tenha sido atribuído a você é entender que, para Deus, toda pessoa importa muito. Para o Criador do universo, você tem valor, tanto valor, que Ele enviou seu Filho para morrer no seu lugar.

E Deus nunca vai olhar para você levando em conta os estigmas que a sociedade eventualmente lhe impôs. Você sempre será um(a) filho(a) querido(a) para Deus. E nada, nada mesmo, poderá separar você do amor d´Ele (veja mais).

Com carinho

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

A "ARMADURA" DE DEUS

Existe uma passagem na Bíblia que fala da "armadura" que protege o(a) cristão(ã) contra a ação do Inimigo (Efésios capítulo 6, versículos 13 a 18). A ideia de uma armadura como figura para representar a proteção de Deus foi tirada dos equipamentos que os soldados romanos usavam. Os judeus conheciam bem a armadura romana pois a viam todos os dias e sabiam como era eficaz.

A "armadura" que protege o(a) cristão(ã) é composta dos mesmos itens que os soldados romanos usavam: cinto, couraça, sandálias, escudo, capacete e espada. Cada um tem um significado espiritual especial. É o que vou explicar a seguir:

O "cinto" da Verdade
O cinto era uma peça muito importante pois nele o soldado pendurava a bainha da espada e um sem número de outros objetos dos quais precisava no dia-a-dia. O cinto também impedia que a túnica do soldado ficasse solta e atrapalhasse seus movimentos.

No mundo espiritual, a ligação de "cinto" com a Verdade aparece de duas formas. Primeiro, porque a Verdade de Deus é Jesus. E Ele é a base de tudo na vida espiritual. Depois, porque quando a pessoa abraça a Verdade (Jesus), passa a fugir da hipocrisia e das mentiras que justificam o pecado. 

A Verdade (Jesus) é o suporte de tudo na vida cristã, funcionando da mesma forma como o cinto na armadura do soldado romano. 

A "couraça" da justiça
A couraça defendia o tronco do soldado - seus órgãos vitais. No mundo espiritual, a "couraça" defende os sentimentos das pessoas - isso faz sentido porque os antigos acreditavam que os sentimentos residiam no coração. 

Mas qual é a ligação da "couraça" com justiça? Na Bíblia, justiça tem a ver com santidade, ou seja ausência de pecado. O que está sendo dito, portanto, é que a pureza de sentimentos gera comportamento correto e protege a pessoa, impedindo a presença do mal. 

As "sandálias" do Evangelho da paz
As sandálias precisavam ser fortes e confortáveis - nenhum soldado podia desempenhar bem suas funções sem um calçado confiável.

O que traz confiança e conforto na vida do(a) cristão(ã)? Somente a certeza da salvação trazida por Jesus. E é essa mensagem que a Bíblia chama de "boas novas", o significado da palavra grega "evangelho". 

A paz aparece na equação porque a salvação trazida por Jesus passa pelo perdão dos pecados da pessoa, ou seja de que seja feita paz entre ela e Deus. 

O "escudo" da fé
A escudo defendia o soldado de forma ativa. O capacete e a couraça eram fixos, mas o escudo era móvel, podendo ser usado tanto na defesa das partes do corpo eventualmente descobertas ou como reforçando a proteção fixa da cabeça ou tronco. 

O "escudo" espiritual se relaciona com a fé porque é ela que garante a presença do Espírito Santo na vida da pessoa. E somente isso pode defender a pessoa contra qualquer tipo de ataque espiritual.

O "capacete" da salvação
O capacete protegia a cabeça do soldado. Na leitura espiritual, o "capacete" significa a proteção da mente da pessoa. 

O "capacete" espiritual é ligado à salvação porque essa proteção da mente, conforme já disse antes, vem da presença do Espírito Santo, sendo fruto da aceitação de Jesus como Salvador. 

E a Bíblia também adverte contra o perigo de não contar com esse tipo de proteção, contra a "casa" (mente) vazia. O vazio acaba sendo preenchido pelos pensamentos do mundo e a pessoa se desvia do bom caminho. 

A "espada" da Palavra de Deus 
A Bíblia diz que a Palavra de Deus é tão poderosa que é capaz de "separar alma e espírito". Isto é, permite que sejam separadas as diferenças entre sentimentos e pensamentos, base das relações humanas, das coisas que afetam o relacionamento com Deus, como fé e louvor (Hebreus capítulo 4, versículo 12). 

No livro do Apocalipse, Jesus aparece montado num cavalo branco e uma espada afiada sai da sua boca e lhe permite destruir seus inimigos (capítulo 19, versículos 11 a 16) - essa é outra metáfora para o poder da Palavra de Deus.

A Palavra de Deus tem poder pois é através dela que podemos explicar o significado das boas novas que Jesus trouxe, reivindicar as promessas que Deus fez, repreender a ação do mal, etc. 

A Palavra é um "equipamento" espiritual ofensivo - serve para atacar o mal. Ela é parte da armadura de proteção porque muitas vezes o ataque é a melhor defesa. 

Concluindo, use a "armadura" de Deus e se proteja do ataque do mal. Inclua esses conceitos na sua oração diária, pois eles são muito poderosos. Eu, por exemplo, sempre faço isso.  

Com carinho 

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

EU TENHO UM SONHO...

Eu tenho o sonho que meus quatro filhos pequenos um dia irão viver numa nação onde não serão julgados pela cor da sua pele mas pelo conteúdo do seu caráter…
Rev. Martin Luther King, em 28/08/1963, no discurso mais importante discurso da história recente dos Estados Unidos.

O Rev. King sempre sonhou com o fim do racismo no seu país, mesmo quando, no sul dos Estados Unidos, os negros ainda eram massacrados por organizações de homens mascarados. E, apenas com a força desse sonho, ele conseguiu angariar apoio político para mudar as leis que discriminavam os negros naquele país. 

Um sonho parecido teve o Mahatma Ghandi, quando lutou para libertar, também de forma pacífca, a Índia do jugo colonial. John Wilberforce também sonhou e liderou a luta para abolição da escravidão na Inglaterra. 

Sonhos são coisas importantes e é preciso manter a capacidade de sonhar, mesmo quando há obstáculos pela frente. Afinal, os sonhos são tão necessários como o ar que se respira. 

É preciso não perder a esperança. Nunca. Foi isso que o apóstolo Paulo ensinou em sua primeira carta aos Coríntios (capítulo 13, versículo 13). 

E Deus se dispõe a apoiar seus filhos(as) a superar as dificuldades ou a encontrar novos sonhos que venham a dar sentido às suas vidas. Lembro bem do depoimento que um homem deu durante uma aula de Escola Dominical que eu estava dirigindo. Esse homem, hoje um pastor Metodista, teve seus sonhos achatados em 2000 por um problema de saúde, que quase o tornou um paralítico, e pela morte trágica de sua filha. Mas o Espírito Santo o conduziu amorosamente em nova direção e restaurou sua vida, fazendo-o encontrar novo sentido para viver, dentro do pastorado. 

O apoio de Deus para a realização dos sonhos é fundamental. Sem isso, tudo se torna mais difícil. Mas só é possível contar com esse apoio quando o sonho for adequado, o certo para a vida daquela pessoa. Se a pessoa resolver sonhar uma coisa que pensa ser boa, mas que Deus sabe não ser adequada, Ele não vai se envolver. Não pode se envolver.

Mas como saber se um sonho é aprovado por Deus? A resposta é simples: perguntando para Ele. E o meio mais simples e direto para fazer isso é através da oração. Algumas vezes Deus também vai falar através de profecias. 

Pergunte e pode ter certeza que Deus irá responder. E se a confirmação vier, nunca perca a esperança, não importa o que venha a acontecer, pois nada poderá impedir a realização daquele sonho.

Que você, assim como o Rev. King, sempre possa dizer: “eu tenho um sonho e ele me alegra a alma”.

Com carinho

terça-feira, 25 de novembro de 2014

OS NOVE QUE NÃO VOLTARAM PARA AGRADECER

Por favor, leia este mesmo post no meu novo site http://www.sercristao.org/2014/11/25/os-nove-que-nao-voltaram-para-agradecer/ . 

Em dois dias vamos comemorar o dia mundial de Ação de Graças, tempo reservado para que todos lembrem do muito que Deus fez e faz todos os dias (veja mais).

Agora, por que é necessário reservar um dia para essa finalidade? A razão é simples: as pessoas, se deixadas por conta própria, não se mostram suficientemente gratas a Deus. É por isso que se torna necessário lembrá-las sempre desse dever. Daí haver um dia reservado para Ações de Graças.

Os 10 leprosos 
Na própria Bíblia há vários exemplos de falta de gratidão. Vejamos um caso que aconteceu com o próprio Jesus. Certa vez, Jesus ia passando e ouviu o chamado desesperado de dez leprosos. Naquela época, eram considerados leprosos todos os que sofriam de uma doença de pele grave como, por exemplo, a psoríase. Não era preciso ser portador da doença hoje chamada de hanseníase para ser estigmatizado como "leproso". 

Os leprosos viviam segregados do convívio social por causa do medo de contágio e eram sustentados, de forma precária, pela caridade pública. Levavam uma vida terrível - quem quiser ter uma percepção mais concreta de como era essa situação na prática, assista o filme clássico "Ben-Hur", onde o herói entra numa caverna habitada por leprosos em busca da mãe e da irmã.  

Portanto, os dez homens que apelaram para a misericórdia de Jesus viviam uma situação desesperadora. E Ele atendeu o pedido e curou aqueles homens. Depois, Jesus disse para que os dez se apresentassem aos sacerdotes, a quem, segundo a Lei Mosaica, cabia atestar a cura - sem esse atestado, os homens continuariam a ser considerados impuros. Os homens fizeram isso e tiveram sua cura confirmada (Lucas capítulo 17, versículos 11 a 19).

De forma surpreendente, apenas um deles voltou até Jesus para agradecer a benção recebida. E somente para o que voltou Jesus reservou o prêmio maior: o perdão dos pecados (versículo 19). Os outros nove ganharam a cura física e perderam a oportunidade de ganhar muito mais.

Realmente surpreende esse nível de ingratidão. Vários foram beneficiados, mas apenas um deu Graças a Deus pela benção recebida. E, posso dar o testemunho, que já vi isso acontecer muitas vezes - essa continua a ser uma realidade hoje em dia.

O caso de Maria
Maria, mãe de Jesus, dá exemplo totalmente diferente, confirmando que era mesmo uma mulher especial. Ela engravidou por obra do Espírito Santo, mesmo sendo virgem, e recebeu essa informação do anjo Gabriel. Ela sabia que iria passar por grande desgaste social, ao aparecer grávida, pois estava noiva de José e o filho não era dele.

Apesar de ser uma menina de apenas quatorze ou quinze anos, ainda assim ela teve fé que a ação de Deus na vida dela iria ser uma coisa boa. E, por conta dessa fé inquebrantável, derramou-se em agradecimentos a Deus, num cântico lindo, conhecido como "Magnificat" (Lucas capítulo 1, versículos 46 a 55).


Que contraste com os nove leprosos! Maria agradeceu o que ainda nem tinha visto, enquanto aqueles nove homens receberam a benção e não se deram ao trabalho de olhar para trás. É por isso que Maria é hoje uma das pessoas mais reconhecidas da história, enquanto aqueles homens servem apenas como exemplo do que não devemos fazer.


Palavras finais
Deus se agrada muito de um coração agradecido. Procure não se esquecer disso. E a quinta feira próxima será um momento especialmente reservado para essa tarefa.

Mas não devemos mostrar gratidão apenas nessa data. Gratidão precisa se tornar um estilo de vida para o cristão. E esse é um desafio diário.

Graças a Deus por tudo que Ele tem feito e ainda fará por nós! 

Com carinho

domingo, 23 de novembro de 2014

ALMA E ESPÍRITO

Acho que todos concordam que o ser humano é feito de uma parte material, o corpo, e outra imaterial, onde são produzidas as emoções, o raciocínio lógico, etc. Mas as concordâncias acabam por aí. 

Os materialistas pensam que essas duas partes formam um conjunto e, quando a pessoa morre, tudo se acaba. A parte imaterial - a mente - seria apenas uma função do cérebro e os pensamentos seriam nada mais do que o produto de reações químicas que nele ocorrem, algo semelhante, por exemplo, ao que acontece com o estômago durante a digestão. 

Já os cristãos pensam que as duas partes, embora trabalhem em harmonia, são coisas separadas. E é exatamente por isso que é possível falar em ressurreição num novo corpo, conforme aconteceu com Jesus e vai acontecer com todos no final dos tempos - a parte imaterial será preservada e agregada a um novo corpo.

Mas mesmo no meio cristão há diferenças quanto ao entendimento do que essa parte imaterial realmente é. Alguns acreditam que ela é constituída de duas coisas diferentes: alma e espírito (1 Tessalonicenses capítulo 5, versículo 23). Na alma seriam registrados os pensamentos e as emoções. Enquanto o espírito seria a parte que vem de Deus, a sede da vida (Gênesis capítulo 2, versículo 7). Por isso o espírito não morre. 

Mas há quem pense de forma diferente. Por exemplo, o livro do Apocalipse capítulo 6, versículo 9, mostra o apóstolo João tendo uma visão onde lhe foram mostradas as almas dos mártires da fé junto a Deus, aguardando sua ressurreição no final dos tempos. O que, no modelo da separação entre alma e espírito, não seria possível - os espíritos das pessoas é que deveriam estar junto a Deus e não suas almas. 

Outro problema com a divisão entre alma e espírito aparece quando se discute a individualidade do ser humano. Seria ela repartida entre essas duas partes? Como essa divisão seria feita? Quando alma e espírito começariam a trabalhar juntos? Seria na concepção? 

É por causa disso que muitos cristãos defendem que não há separação real entre alma e espírito. Quando a Bíblia fala nessas duas coisas estaria, na verdade, descrevendo duas funções diferentes da nossa parte imaterial. A alma se referiria à função que tem a ver com nosso relacionamento com o mundo físico, incluindo as outras pessoas e daí vem as emoções, o raciocínio lógico, a memória, etc. A outra função, chamada de espírito, se refere ao relacionamento do ser humano com Deus, o que dá origem à fé, ao louvor, etc. 

E, por causa disso, a Bíblia usa as palavras de forma meio livre - em alguns momentos, usa as duas palavras para descrever a a parte imaterial do ser humano, enquanto, outras vezes, se limita a uma única palavra, dependendo da função descrita.

Mas ainda assim alma e espírito seriam uma coisa só, a parte imaterial do ser humano, o que garante sua individualidade. Essa parte não morre e será juntada ao novo corpo, no final dos tempos.  

Qual é a sua impressão a respeito?

Com carinho

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

AUTO-ENGANO

Auto-engano é o processo pelo qual as pessoas se iludem quanto ao que fazem e/ou quem são de fato. Todo mundo se auto-engana, de uma forma ou de outra e isso é da ordem natural das coisas. 

O processo mental que leva as pessoas ao auto-engano tem tanto um lado bom - que pode até ser considerado imprescindível para a sanidade mental das pessoas - como também uma face ruim. É o que vou discutir a seguir.

O lado bom
O auto-engano é uma forma de auto-proteção. As pessoas usam esse "mecanismo" para fugirem de coisas difíceis que não querem ou não conseguem enfrentar. E um excelente exemplo é a morte - as pessoas não conseguem pensar nessa realidade inevitável pois provavelmente ficariam deprimidas. Assim, elas se auto-enganam e vivem como se a morte não fosse uma certeza - até fazem piada sobre ela. 

O auto-engano também faz com que as pessoas acreditem serem capazes de fazer coisas que normalmente não estariam ao seu alcance. E, assim, algumas vezes acabam por praticar verdadeiras proezas. Por exemplo, em novembro de 2007, no município de Palmeiras, SC, o menino Riquelme dos Santos, de cinco anos, vestindo uma fantasia do Homem Aranha e se sentindo um super-herói, resgatou um bebê de dez meses de dentro de uma casa em chamas.

O lado ruim

Há diversas situações em que o auto-engano se torna prejudicial. E há muitas ramificações desse lado ruim mas vou me concentrar naquelas relacionadas com a vida espiritual das pessoas. 

A primeira situação ruim aparece quando as pessoas erram muito na avaliação que fazem de si mesmas - pensam ser muito melhores do que são. Na verdade, todo mundo tem uma avaliação de si mesmo melhor do que a realidade e normalmente isso não traz grandes consequências. 

Por exemplo, uma pesquisa do jornal "O Globo", de março de 2008, pediu aos entrevistados que dessem uma nota para si mesmos no quesito “respeito aos direitos humanos”. Em seguida, foi pedido que as pessoas dessem uma nota para o “brasileiro médio”. Ora, a média das notas dadas pelas pessoas para si mesmas deveria se aproximar da média das notas dadas por elas ao “brasileiro médio”. Mas, como as pessoas pensam ser melhores do que verdadeiramente são, 60% dos entrevistados(as) deram para si mesmos(as) notas entre 9 e 10. E apenas 17% dos entrevistados atribuíram a mesma nota para o “brasileiro médio”.

Agora, quando há muita diferença entre a percepção que a pessoa tem de si mesma e a realidade, aparece um grande problema. A pessoa deixa de ter consciência dos seus próprios pecados - pensa que não faz nada de muito errado. Portanto, não tem porque temer desagradar a Deus. 

Para quem pensa assim - e é muita gente mesmo - salvação não faz sentido. Não é necessária. Assim, quando essa pessoa ouve falar de Jesus, não se deixa impressionar. E esse é um risco muito sério. 

Outra faceta ruim do auto-engano aparece quando as pessoas criam certezas que não deveriam ter. Por exemplo, esse é o caso do fanático religioso que pensa conhecer melhor do que ninguém a verdadeira “vontade” de Deus. 

E como a vontade de Deus deve prevalecer, essa pessoa pensa estar justificada ao empregar qualquer meio, até a violência, para conseguir isso. Um bom exemplo se deu com o apóstolo Paulo, antes dele se converter ao cristianismo. Ele foi um dos líderes de uma terrível perseguição movida aos cristãos, que resultou na morte de diversas pessoas. Paulo agiu dessa forma por entender que os cristãos representavam perigo para a fé verdadeira por serem hereges. 

Outra situação preocupante acontece quando as pessoas atribuem poder a coisas que não têm essa condição. Por exemplo, há quem acredite em simpatias para trazer boa sorte ou siga rigorosamente o que diz seu horóscopo. Conheço um homem que, para trazer sorte, sempre passa seu aniversário no local estabelecido pelo seu astrólogo e assim, a cada ano, viaja para um país diferente. 

No meio cristão, é muito frequente o uso de coisas como relíquias de pessoas consideradas santas, água do rio Jordão, solo da Terra Santa e assim por diante. De alguma forma as pessoas pensam que esse tipo de coisa lhes permite canalizar poder de Deus para alguma finalidade específica.  

Finalmente, ainda gostaria de citar a situação em que as pessoas se auto-enganam criando desculpas para acalmar suas próprias consciências. Convencem a si mesmas que ao cair numa certa tentação, fazendo isso ou aquilo, não causaram tanto mal assim. E assim vão procedendo até que fazem algo de que virão a se arrepender muito, mas aí o mal já está feito. 

Acho que esses exemplos são suficientes para mostrar quão perigoso o auto-engano pode ser na vida das pessoas. 

A luta contra o auto-engano
Essa é uma luta difícil. É um exercício diário. E sem a ajuda do Espírito Santo não é possível vencer. A derrota é certa.

O Espírito Santo é quem nos acompanha a cada momento das nossas vidas e fala às nossas mentes toda vez que nos desviamos do caminho certo - é como uma pequena "voz" que fica nos incomodando. Na estória "Pinocchio", que virou um desenho muito famoso da Disney, essa voz é representada por um grilo falante que incomoda o boneco quando ele está por fazer algo errado.  

Mas para que o Espírito Santo esteja ao nosso lado nessa luta diária precisamos ter intimidade com Deus. Precisamos de uma relação sólida com Ele e falei sobre como fazer isso em outro post (veja mais).

Com carinho

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

REINTERPRETANDO O SOFRIMENTO

Uma mãe foi apresentar suas três filhas para uma visita. Apontou para a mais velha e disse: “essa é a minha filha mais feinha”. Essa história aconteceu cerca de 70 anos atrás e me foi contada, com lágrimas nos olhos, pela própria filha “mais feinha”. A filha nunca esqueceu - interpretou a declaração da mãe como uma rejeição, mesmo que essa não tenha sido a intenção original da mãe. 

Na verdade, os fatos que ocorrem na vida de cada pessoa acabam por ter o significado que ela lhes atribui. Um mesmo fato pode ter significado positivo para uma pessoa e negativo para outra. 

Como o significado vem da interpretação que cada pessoa dá aos fatos, é possível mudar o significado, por exemplo, tornando uma coisa ruim em algo bom, reinterpretando os fatos. E o cristão é ensinado a fazer exatamente isso. 

Vou tentar explicar isso melhor através de um exemplo, muito conhecido, que aconteceu com o próprio Jesus exatamente na noite em que foi preso. Ele sabia o que estava para acontecer e certamente sofreu a expectativa do sofrimento que estava por vir - a Bíblia chega a dizer que Ele suou sangue por conta da enorme tensão. Jesus aproveitou as últimas horas que tinha para comemorar a Páscoa dos judeus, participando de uma ceia em “família” (seus discípulos mais próximos). 

Para Jesus, aquela comemoração foi uma despedida da sua vida terrena e o início de um período de muitas dores. Durante a ceia, Jesus tomou o pão e o partiu e disse que aquilo era seu corpo, entregue ao martírio para salvação dos seres humanos. Depois tomou o vinho e disse que aquilo era seu sangue, a ser derramado por todos nós. E mandou que os discípulos continuassem a fazer o mesmo tipo de cerimônia em memória do seu sacrifício - foi instituída ali o sacramento da Santa Ceia (Marcos capítulo 14, versículos 22 a 26). 

A reinterpretação dos fatos feita por Jesus transformou um evento profundamente triste, num motivo de esperança para todos os seres humanos. E como Jesus conseguiu fazer isso? Olhando além dos fatos humanos - a abordagem humana somente conseguiria ver medo e tristeza. 

Quando Jesus colocou Deus na equação, o significado mudou. Haveria sofrimento sim, mas o sacrifício de Jesus iria abrir as portas da salvação para todos os seres humanos. O sofrimento de Jesus deixou de ser motivo de angústia e tristeza para se tornar no motivo de esperança. E foi isso que deu motivação aos discípulos para enfrentar todas as dificuldades que estavam por vir e pregar o Evangelho de Jesus a todos que viram pela frente.

Jesus ensinou que é preciso olhar para os fatos, especialmente aqueles que trazem sofrimento, buscando ver neles "as impressões digitais" de Deus. Sei que isso é muito difícil, especialmente quando o sofrimento é grande, mas quem consegue fazer isso tem sua vida inteiramente transformada.  

Trata-se de sempre tentar entender as coisas olhando para elas sob o ponto de vista de Deus. Já dei o exemplo do próprio Jesus, transformando seu sofrimento numa celebração periódica do plano da salvação de Deus. Um outro exemplo, esse relacionado com uma coisa boa, pode ser útil nessa discussão. 

Imagine que você recebeu uma promoção no emprego. É claro que isso é motivo de alegria e de realização pessoal - essa é a visão humana. Mas tente entender também o que Deus está mostrando para você a partir desse fato. Será que faz sentido pensar que Deus esteja esperando apenas que você passe a consumir mais, por ter mais dinheiro? Ou espera mais de você? 

Essa outra reflexão traz Deus para o centro da discussão e certamente vai levar você a conclusões bem distintas daquelas que chegaria se pensasse apenas no benefício material de um salário maior.

Portanto, tente sempre olhar para os fatos que acontecem na sua vida tanto sob o ponto de vista humano - aquele que normalmente é usado -, mas também tentando ver como Deus está olhando para aquilo que aconteceu. Isso é muito mais difícil de fazer quando há sofrimento envolvido, mas isso não deve desanimar você. Procure o sentido mais profundo das coisas, aquele que Deus dá. 

É claro que muitas vezes somente é possível ver o significado mais profundo do sofrimento anos depois. O sofrimento cega as pessoas e isso é natural. Muitas vezes somente é possível entender o lado de Deus tempos depois, quando há distanciamento emocional dos fatos.

Um bom exemplo disso é José, vendido como escravo, ainda adolescente, pelos próprios irmãos. Os irmãos cometeram essa barbaridade porque estavam enciumados com a preferencia que o pai deles, Jacó, demonstrava por José. O rapaz foi levado ao Egito, onde passou por muito sofrimento, mas eventualmente acabou se tornando o segundo homem mais poderoso daquele país - braço direito do faraó. Por conta disso, José teve condições de acolher sua família no Egito, salvando-a da grande fome que quase vinte anos depois aconteceu naquela região. 

Já velho, olhando sua vida em retrospectiva, José reinterpretou os fatos e percebeu naquilo tudo um plano de Deus para salvar sua família (Gênesis capítulo 50, versículos 15 a 21). E ele conseguiu perdoar os irmãos.

É claro que, se José fosse perguntado, quando ainda era escravo, o que estava achando daquilo tudo, provavelmente diria que Deus tinha se esquecido dele - que estava sofrendo de forma injusta. E seria normal esse tipo de reação. 

Com a perspectiva dos anos, José conseguiu olhar para o seu sofrimento com outro olhos e transformar algo ruim em uma coisa boa. E isso somente foi possível quando José percebeu a presença de Deus em tudo o que aconteceu.

Concluindo, quais são os fatos da sua vida que têm lhe causado sofrimento e podem ser reinterpretados, introduzindo Deus no quadro da sua análise? Será que seu sofrimento, embora duro e difícil, não pode passar a ter outro significado?

A Bíblia está cheia de relatos de pessoas - como Jesus ou José - que comprovam não ser possível evitar o sofrimento humano. Queiramos ou não, sofrer é parte da vida humana. E sempre é possível dar um novo significado à experiência vivida, mais positivo, que permite livrar você de sentimentos ruins, como raiva, mágoa, necessidade de vingança, etc.  

E a forma para conseguir fazer isso é entender o ponto de vista de Deus. O que Ele espera? O que pretende ensinar ou mostrar? E, como já disse antes, quem consegue fazer isso tem sua vida transformada. 

Com carinho