domingo, 31 de janeiro de 2016

VOCÊ SABE RESPONDER A PERGUNTA MAIS IMPORTANTE?

Indo por todo o mundo, pregai o Evangelho a toda criatura. Quem crer e for batizado será salvo; quem, porém, não crer será condenado.
Marcos capítulo 16, versículos 15 e 16
Era um dia normal no aeroporto de Brasília. Executivos e políticos iam e vinham atarefados. Eis que um homem grisalho, aí pelo seus 70 anos de idade, baixinho, com andar saltitante, aproximou-se alegremente do balcão de informações onde estavam duas moças. Dirigiu-se a uma delas e perguntou: “O que você deve fazer para não ir para o inferno?” 

A atendente engasgou e ficou sem saber o que responder. O homem insistiu: “Aqui não é o balcão de informações? Você devia saber a resposta.” A atendente, envergonhada, confessou que não sabia. 

O senhor baixinho começou então a falar sobre o plano de Deus para nossa salvação através do sacrifício de Jesus na cruz. Ao final da conversa, a atendente acabou aceitando Jesus, ali mesmo, no balcão de informações do aeroporto.

Esse fato é real. O homem baixinho é um pastor que tem enorme paixão pela tarefa de trazer pessoas para Jesus. Tudo para ele é uma oportunidade para falar sobre Cristo. Sua alegria ao converter uma pessoa é como a de um garoto que acabou de receber o sorvete de que mais gosta: o olhar brilha, a voz sobe o tom e ele não consegue ficar parado no lugar.

Felizmente, há outras pessoas assim. O grande pregador americano W. Moody fez uma promessa que iria levar pelo menos uma pessoa para Jesus em cada dia da sua vida. E cumpriu rigorosamente o que prometeu.

Certa feita, numa noite muito fria, em Londres, onde ele morava, Moody já estava deitado quando se lembrou que não tinha cumprido sua "quota" do dia. Levantou-se, vestiu um sobretudo sobre o pijama e saiu para uma rua quase deserta. Viu um homem passando apressado e começou a segui-lo, até conseguir perguntar-lhe se já tinha aceitado Jesus. Ao receber uma negativa, foi andando junto com aquele homem até conseguir convencê-lo da importância de Jesus na sua vida.

Há muitos outros exemplos de pessoas assim, como Billy Graham, que falou de Jesus para literalmente milhões de pessoas em suas cruzadas de evangelização, John Wesley, Epaminondas Moura, meu avô, que fez centenas de séries de evangelização em todo Brasil, etc.

E não são somente os(as) pastores(as) que vivem essa paixão. Lembro de um homem que conheci na igreja Metodista do Catete, no Rio de Janeiro. Esse homem tinha levado uma vida terrível - foi agente da polícia política da ditadura Getúlio Vargas - até se converter durante uma pregação do meu avô. Deixou tudo para trás e passou a viver integralmente para pregar o Evangelho. Pregava em qualquer lugar.

Essas pessoas comportam-se com essa sede de falar do Evangelho porque obedecem a "Grande Comissão", a tarefa que nos foi dada por Jesus conforme o versículo que inicia este post. Essa é uma missão para todos os(as) cristãos(ãs), mas poucos a abraçam com paixão verdadeira por medo de se expor ao ridículo, falta de tempo, etc.

Não deveríamos ter medo de nos expor ao ridículo para falar do Evangelho. Até porque isso não acontece na prática - já conversei com algumas pessoas que cumprem de fato esse mandamento e todas me disseram nunca terem sido desacatadas. 

E não podemos esquecer que Deus não aceita que alguém se envergonhe do Evangelho, pois a vinda de Jesus ao mundo foi o maior presente que Ele deu para a humanidade. A figura de Jesus deve ser sempre motivo de orgulho e nunca de vergonha (Marcos capítulo 8, versículo 38).

Quanto à falta de tempo, talvez a desculpa mais comum, é evidente que as pessoas encontram tempo para investir naquilo que de fato as interessa (família, time de futebol, novelas, viagens, etc). Basta querer verdadeiramente e o tempo aparece.

Assim, o que nos cabe é sair em campo, sem mais demora ou desculpas. Afinal, não pode haver tarefa mais nobre do que ajudar pessoas a encontrar Jesus.

Com carinho

sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

A "RECEITA" CRISTÃ PARA UMA VIDA BOA

Qual é a "receita" para viver uma vida boa? Essa importante pergunta tem sido o foco de interesse de muitos(as) pensadores(as) ao longo da história. Eu vou mostrar aqui qual é a resposta que foi encontrada pelos(as) cristãos(ãs), em comparação com "receitas" alternativas.

Antes, preciso discutir uma questão prévia: qual é o significado da vida humana, isto é qual é a razão para existirmos? Afinal, a vida boa certamente será aquela que preencher plenamente esse significado

Agora, é evidente que pessoas diferentes, por terem visões do mundo (cosmovisões) distintas, chegarão a conclusões diferentes sobre o significado da vida humana e a "receita" para viver uma vida boa. Isso não deve nos surpreender.

A "receita" cristã 
O significado da vida humana, dentro da cosmovisão cristã, é aquele que foi estabelecido por Deus, que nos criou. E Deus nos fez para estarmos em comunhão com Ele. Portanto, longe da presença inspiradora de Deus, a vida humana será sempre vazia e incompleta - é impossível viver uma vida boa e plena longe d´Ele. Simples assim.

E o ser humano se afasta de Deus quando deixa de fazer a vontade d´Ele - chamamos a isso "pecado". Pecamos porque temos livre arbítrio, isto é a liberdade de escolher conscientemente entre o bem (a vontade de Deus) e o mal - os animais não tem essa capacidade pois são dirigidos pelo instinto. 

A Bíblia ensina que o pecado é a origem de todo mal que contamina a sociedade humana - injustiças sociais, violência, indiferença pelo sofrimento alheio, etc. 

O problema é que o ser humano, deixado por contra própria, acabará sempre por fazer escolhas ruins, irá pecar. Temos uma tendencia natural para o pecado. E é fácil de perceber isso nas crianças pequenas: não é preciso ensiná-las a mentir, a serem egoístas, a cometerem agressões mútuas, etc. Elas fazem isso naturalmente. Mas é preciso esforço para doutriná-las a perdoar, a dividir o que é seu, etc. 

Assim, para viver uma vida boa é fundamental enfrentar o problema do pecado e não há como fugir dessa conclusão. E o "remédio" para o pecado começa pela tomada de consciência da pessoa de ser pecadora. Continua com o arrependimento e a aceitação do sacrifício de Jesus na cruz, que traz o perdão para os pecados cometidos. E termina com um processo contínuo de mudança interior (santificação). Todos esses passos precisam ser conduzido pelo Espírito Santo, pois sozinhos não conseguiremos fazer o que é preciso. 

Essa é a resposta cristã para uma vida boa: tomar consciência do pecado e lutar contra ele. Aproximar-se de Deus e viver em comunhão constante com Ele.

As respostas de outras linhas de pensamento
Outras cosmovisões entendem o significado da vida humana de forma diferente. Há muitas linhas de pensamento diferentes sendo oferecidas no "mercado" das ideias e não tenho espaço para discuti-las todas. Vou me limitar a duas, dentre as mais conhecidas: a visão materialista e a linha de pensamento oriental. 

A visão materialista, defendida pelos ateus, entende que tudo se limita ao que existe neste mundo. Não há espaço para o sobrenatural. O ser humano é fruto do mecanismo de evolução das espécies (descrito por Charles Darwin) e está aqui por mero acaso. Portanto, a vida humana não tem significado: trata-se de fazer o melhor que for possível enquanto estamos vivos(as), porque depois tudo se acaba.

Para essa linha de pensamento, o mal no mundo é fruto da ignorância e à medida que as pessoas forem sendo educadas, a sociedade humana irá melhorar e mais pessoas viverão uma vida boa. As pessoas são inerentemente boas e é a ignorância que as leva a fazer o que é errado e praticar o mal. A "receita" para uma vida boa, portanto, é educar as pessoas.

Há variantes dessa visão, para as quais o mal na sociedade também é fruto de um sistema socioeconômico injusto e explorador e a solução passa por uma mudança política, estabelecendo regras melhores - por exemplo, esse é o caso do socialismo. 

Outra cosmovisão muito conhecida é aquela que está na origem das religiões orientais (hinduísmo, budismo, etc). Ela atribui a existência do mal à falta de comunhão do ser humano com a força sobrenatural que é a essência do universo. Essa comunhão se rompe porque a pessoa se deixa levar por objetivos egoístas e menores e os problemas aparecem. 

Assim, é preciso aprender a construir essa comunhão plena com a essência do universo, o que é feito através de técnicas de auto-ajuda, como meditação, jejum, voto de pobreza, etc. A "receita" para a vida boa, portanto, está em conhecer e praticar bem essas técnicas.

Comparando as cosmovisões
Eu não tenho espaço aqui para desenvolver os argumentos relevantes em todos os detalhes, posso apenas dar algumas "pinceladas" para apontar os caminhos - aqueles(as) interessados(as) em se aprofundar sobre esse tema devem ler o livro "O Universo ao lado", escrito por Sire. É um livro muito bom e fácil de ler.

As cosmovisões materialista e oriental falham pois não atacam a questão do pecado humano. Aliás, nem vêem o pecado como um problema - atribuem o mal á falta de conhecimento (do funcionamento do universo e dos direitos humanos, num caso, e das técnicas espirituais, no outro). Deixam de reconhecer a propensão natural do ser humano para fazer o mal, conforme demonstrado pelo comportamento das crianças pequenas.

Ora, pensar que tudo se resolve com a educação das pessoas ou a instituição de regras socioeconômicas adequadas para o bom funcionamento da sociedade é grande um erro. Não que educação ou leis boas sejam desnecessárias, muito ao contrário. Mas isso não é suficiente. É preciso mais: haver transformação interior das pessoas com base na ação do Espírito Santo, para mantê-las resistentes ao pecado. 


O fracasso dessa linha de pensamento ficou bem claro ao longo do ´seculo XX: o mal não foi eliminado apesar do avanço espetacular no conhecimento, na educação, no reconhecimento dos direitos humanos, etc. O mal apenas se transformou, mudou de lugar. E está presente na dissolução das famílias, na solidão crescente, na indiferença, na intolerância racial ou política, no abuso das drogas e do sexo, etc. 

Por isso o século XX viu também acontecerem as maiores atrocidades da história, a maior parte delas comandadas por governos (Alemanha nazista, União Soviética comunista, China comunista, dentre outros) que defendiam o "aperfeiçoamento" do ser humano.

A cosmovisão das religiões orientais falha porque defende o auto-aperfeiçoamento através de técnicas espirituais. E nunca toca na questão da necessidade do arrependimento e do perdão de Deus. 

Além disso, essa cosmovisão defende uma percepção conformista do mundo: a ideia do "karma" - as pessoas pagam na vida atual pelos males que fizeram em vidas anteriores - torna o sofrimento humano uma necessidade, pois é o meio de pagar pelos próprios. Não é por acaso que a Índia, a matriz das mais importantes doutrinas orientais, sempre esteve entre os países mais atrasados em termos de desenvolvimento social (o Brasil é um verdadeiro paraíso quando se comparado com a esse país).

Concluindo, a única forma de construir uma vida boa é mediante o caminho proposto pelo cristianismo. Isso não quer dizer que todas as pessoas que se dizem cristãs vão todas conseguir ter uma vida boa, até porque boa parte delas é cristã apenas nominalmente e não trilham de fato os caminhos estabelecidos por Deus. 

Com carinho

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

CUIDADO COM O ABUSO DA BÍBLIA

A Bíblia é a Palavra de Deus e nosso preceito de vida. É ela que nos ensina sobre o certo e o errado, as consequências dos nossos atos e a vontade de Deus. 

O texto da Bíblia não tem erros, por ser a Palavra de Deus, e assim pode ter toda a nossa confiança. Essa é uma verdade conhecida. Mas o mesmo não acontece com as interpretações feitas a partir dele - essas interpretações são humanas e, portanto, passíveis de erros.

Interpretações erradas, mesmo quando não intencionais, não deixam de ser uma forma de "abuso" da Bíblia. Quando alguém consegue convencer outras pessoas a aceitar ideias erradas, apoiando-as na Bíblia, as consequências costumam ser muito ruins. As pessoas mal orientadas passam a fazer coisas erradas pensando estar fazendo a vontade de Deus - um desastre. 

Os abusos são mais comuns do que parecem ser, como ensinar que Deus quer nos ver prósperos, bastando que acreditemos n´Ele e façamos grandes contribuições às igrejas que frequentamos. Ou quando são impostos controles indevidos sobre o comportamento das pessoas para "impedi-las" de pecar - por exemplo, não ouvir tal tipo de música, não se vestir assim ou assado, não ir a determinados lugares, não conviver com pessoas não convertidas, etc. 

Muitas vezes por causa desses abusos as pessoas são convencidas a carregar culpas que não deveriam pesar sobre elas. Este blog é testemunha dos depoimentos de inúmeras pessoas que sofrem por tentar construir novos relacionamentos amorosos, mais de acordo com as suas necessidades, e são são acusadas nas suas igrejas de serem adúlteras ou promíscuas. Trata-se de sofrimento enorme e desnecessário.

Abusos da Bíblia podem nascer tanto de erros sinceros como também de interesses escusos. É claro que o resultado final de um erro sincero ou de um abuso consciente pode ser igualmente grave, mas aos olhos de Deus certamente existem diferenças. E se não fosse assim, não me atreveria a escrever este blog, pois certamente, em meio a mais de 600 textos, já cometi erros sinceros, mas ainda assim erros. E não há como evitar isso, pois seres humanos são imperfeitos. Simples assim.

Mas quem erra de forma sincera não se esquiva de consertar seus erros, assim que se dá conta deles. Não se sente "dono da verdade". É humilde. E sobretudo não se beneficia pessoalmente dos erros que comete.

Agora, quem abusa conscientemente da Bíblia, costuma tentar usá-la para obter algum benefício, preencher alguma agenda. E a Bíblia a própria Bíblia alerta que haverá grande rigor no julgamento final para quem faz isso (Mateus capítulo 23, versículos 1 a 8).

A experiência mostra que há três tipos de abuso consciente da Bíblia: 

"Contrabando" de ensinamentos
Trata-se de afirmar que a Bíblia contém coisas que não estão ali. Por isso sempre que peço à pessoa que fez uma afirmação que desconheço para mostrar onde a Bíblia afirma aquilo. Não tenho prazer de dizer isso, mas já vi muita gente embaraçada por causa desse expediente simples. 

Os contrabandos variam quanto ao nível de periculosidade. Alguns são tão grosseiros que são fáceis de identificar - por exemplo, afirmar que a voz do povo é igual à voz de Deus. Para provar que não é assim, basta lembrar que o povo judeu preferiu que Pilatos soltasse Barrabás no lugar de Jesus. 
Mas há afirmações que embutem armadilhas sutis, pois parecem se encaixar no quadro bíblico. Por exemplo, dizer que todos os seres humanos são filhos de Deus. Ora, a Bíblia diz que todos somos criaturas de Deus, mas somente quem aceita Jesus torna-se filho(a) d´Ele.

Não é fácil para quem tenha conhecimento pequeno da Bíblia separar o joio do trigo. Por isso recomendo que você fique atento(a) e, quando preciso, procure ajuda de quem saiba mais e seja de sua confiança.

Eliminação do que incomoda
A segunda forma de abusar da Bíblia é deixar de reconhecer como válidas coisas que estão no seu texto mas geram incômodo. As estratégias mais conhecidas para fazer isso são: 1) atribuir o ensinamento indesejado a um erro de tradução; 2) alegar que o ensinamento não se aplica aos dias de hoje; ou 3) simplesmente omitir sem maiores cuidados.

É claro que há erros de tradução. Um exemplo conhecido é aquele em que a tradução tradicional diz que pessoas, no tempo de Gideão, adoraram uma estola sacerdotal (Juízes capítulo 8, versículo 27). Há aí um erro de tradução pois, na verdade, trata-se da adoração a um ídolo vestido com roupa, o que faz muito mais sentido no texto. 

Erros de tradução são muito fáceis de perceber quando se usa traduções de origens diferentes, por simples comparação das versões.

É verdade que existem ensinamentos que não se aplicam aos dias de hoje, como as referencias a trajes especiais ou hábitos alimentares. Mas é preciso muito cuidado ao alegar esse tipo de coisa. Um bom exemplo é a questão do dízimo, que muitos defendem não ser mais necessário - ora, se fosse assim, como então igrejas e sacerdotes iriam ser mantidos de forma adequada?

A omissão pura e simples é fácil de perceber pois basta checar o que foi dito contra o texto bíblico. Você deve sempre tomar esse cuidado - por isso eu procuro quase sempre citar o versículo de onde tirei a firmação que acabei de fazer.

Mas há uma situação particularmente grave de omissão: ocorre quando as Bíblias dadas aos fiéis são expurgadas daquilo que não interessa. O exemplo clássico é a Bíblia publicada pela Sociedade Torre de Vigia, entidade da seita Testemunhas de Jeová.

Desconsideração do contexto

A terceira forma de abuso talvez é a mais comum e também a mais efetiva: tirar o ensinamento bíblico do contexto. Isto é, usar o que foi dito numa determinada circunstância em outra, onde o ensinamento não se aplica.

Um bom exemplo é o uso do texto de Gênesis capítulo 3, versículo 19, onde Deus diz a Adão "no suor do seu rosto , comerás o teu pão..." para justificar a proibição de jogos de azar. Ora, esse texto aparece quando Deus amaldiçoou a Adão, por que ele e Eva tinham sido desobedientes e comido do fruto proibido. Deus quis dizer que não iria mais dar a Adão e Eva seu sustento, como até então tinha acontecido no Jardim do Éden. Eles iriam precisar trabalhar para se sustentar. Ora, isso nada tem a ver com jogos de azar. Nada mesmo. 

Palavras finais
Esteja sempre atento ao uso que é feito da Bíblia quando as pessoas tentam convencer você de alguma coisa, recomendar algum tipo de comportamento, pedir sua ajuda, etc. Não tenha vergonha de duvidar do que tiver sido afirmado e procure sempre conferir. É sua obrigação agir assim. Até para sua própria proteção espiritual.
Com carinho

sábado, 23 de janeiro de 2016

PASSAGENS DA BÍBLIA QUE VOCÊ PRECISA CONHECER

Escrevi um post aqui no blog listando as doutrinas mínimas que os(as) cristãos(ãs) precisam acreditar (veja mais). Hoje vou listar as doze passagens da Bíblia que você precisa entender bem, para poder dar suporte à sua fé cristã. 

Não confunda essa relação de versículos com aquela outra onde listei os textos mais populares da Bíblia (veja mais) - popularidade nem sempre é sinônimo de importância. Alguns versículos constam das duas relações, mas isso ocorreu por mero acaso, pois não há qualquer obrigação de ser assim.

Escolhi o número doze porque esse é um número que tem a ver com a história do povo de Deus: doze eram as tribos de Israel e Jesus escolheu doze apóstolos. 

Aproveite a leitura para fazer um teste: veja quantos textos você já conhece bem. Esse teste vai lhe dar uma noção real de como anda seu conhecimento da doutrina cristã.

1) O resumo do Evangelho 
João capítulo 3, versículo 16 

Esse versículo coincidentemente é o mais popular da Bíblia. E tem uma enorme importância, pois resume numa única frase o significado do Evangelho: Deus nos ama e, como deseja nos salvar do pecado, mandou seu Filho, Jesus, para morrer por nós numa cruz (veja mais).

2) Jesus, o único caminho para Deus 
João capítulo 14, versículo 16

Nesse texto Jesus explicou qual é seu papel: Ele é o único caminho para Deus e, sem Ele, estamos perdidos (veja mais). Esse versículo complementa o anterior. 

3) O que agrada a Deus é a fé
Hebreus capítulo 11, versículo 6

Sabemos que nossa salvação se dá pela fé em Jesus. Mas a fé vai além disso: trata-se da única forma que temos de agradar a Deus. Simples assim.

4) O fruto do Espírito Santo
Gálatas capítulo 5, versículos 22 e 23

A fé verdadeira, ou seja aquela que salva, dá resultado (fruto), pois concorre para a modificação do interior da pessoa. Na carta aos Gálatas, Paulo detalha o que é esse fruto: paciência, alegria, amor, etc. 

5) Os Dez Mandamentos
Êxodo capítulo 20, versículos 3 a 17

Já escrevi bastante sobre esse tema, inclusive analisando individualmente cada um dos mandamentos. Eles estão divididos em dois grupos: um que trata do nosso relacionamento com Deus, ou seja os mandamentos um a quatro (não terás outros deuses, não farás para ti imagens de escultura, não tomarás o santo nome de Deus em vão e guardarás o dia do sábado); e o outro que trata do relacionamento entre as pessoas, ou seja os mandamento seis a dez (não matarás, não furtarás, não adulterarás, não dirás falso testemunho e não cobiçarás o que é do próximo). O quinto mandamento (honra pai e mãe) separa os dois grupos: é como se tivesse um "pé" em cada um deles (veja mais) .

6) A grande comissão
Mateus capítulo 28, versículo 18

Jesus nos mandou pregar o Evangelho sempre que tivermos oportunidade. Trata-se de ato de amor, pois se entendemos que Jesus é fundamental para a vida de qualquer pessoa, precisamos sempre falar d´Ele.

7) O resumo de todos os mandamentos
Mateus capítulo 22 versículos 37 a 39 

Jesus nos apresentou a "Lei do Amor", resumindo todos os mandamentos a apenas dois: "amar a Deus sobre todas as coisas" e "amar o próximo como a ti mesmo" (veja mais).

8) Os planos de Deus para nós
Jeremias capítulo 29 versículo 11

Esse é outro versículo muito popular - nele Deus nos conta que seus planos para nós são benignos e devem gerar em nós esperança quanto ao futuro. 

9) Deus é o nosso Pastor
Salmo 23 

Outro texto muito conhecido, onde Deus nos contou como cuida de nós: da mesma forma que um pastor dedicado cuida das suas ovelhas. Jesus usou muitas vezes essa mesma imagem nos seus ensinamentos.

10) Livramento da carga emocional negativa 
1 Pedro capítulo 5, versículo 7

O apóstolo Pedro nos conclamou a depositar sobre Jesus toda nossa carga emocional: ansiedade, medos, preocupações, etc. E isso é consequência da fé, da confiança n´Ele.

11) A "armadura" do Espírito Santo 
Efésios capítulo 6, versículos 6 a 18

Paulo descreveu a "armadura" que precisamos vestir para nos defender dos ataques espirituais de Satanás. Trata-se de texto de grande importância.

12) Você não será tentado além das suas forças
1 Corintios capítulo 10 versículo 13

As tentações virão e isso é inevitável - o próprio Jesus foi tentado por Satanás. Mas Deus nos prometeu que nunca seríamos tentados além das nossas forças. Em outras palavras, sempre teremos condição para resistir e dizer não para Satanás.

Com carinho

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

AS DIFERENÇAS ENTRE OS QUATRO EVANGELHOS


Há quatro relatos na Bíblia sobre a vida e o ministério de Jesus: Mateus, Marcos, Lucas e João. Esses relatos são chamados de Evangelhos, palavra que quer dizer Boas Novas.

Há diferenças entre esses quatro relatos e isso acaba sendo tratado por aqueles que querem criticar a Bíblia como se fossem erros. Mas se analisarmos essa questão com cuidado, veremos que não é nada disso.  

Os Evangelhos como trabalho de reportagem
Vamos imaginar que um jornal deseja fazer uma reportagem sobre os bastidores de uma campanha eleitoral para Presidente da República. E para ter certeza que a reportagem final conterá todas as informações relevantes, escala quatro repórteres diferentes para fazerem relatos independentes entre si.

Os quatro repórteres - pessoas sérias, dedicadas e competentes - são pessoas com formação profissional muito diferente, garantindo que o "olhar" de cada um sobre os fatos seja bem individual. 

De forma proposital, dois desses repórteres vão acompanhar pessoalmente os acontecimentos, enquanto os outros dois limitar-se-ão a entrevistar pessoas que venham a ser testemunhas oculares dos fatos relatados.  

Ao final da campanha, os quatro repórteres vão entregar seus trabalhos para o editor do jornal, sem nunca terem tido contato entre si. Você acha que os relatos entregues ao jornal serão iguais? É claro que não. E se fossem iguais, seria o caso de imaginar uma fraude. 

Na verdade, os relatos vão se completar e apresentar pontos de vista diferentes sobre uma mesma realidade, fazendo com que o conjunto dos quatro relatos contenha um conjunto de informações muito mais completo e rico.

E não será justo afirmar, depois que a reportagem estiver pronta, que qualquer dos repórteres mentiu, a partir da constatação que os relatos individuais serão diferentes.  

E foi exatamente isso que aconteceu com os Evangelhos: os quatro relatos foram produzidos porque o "editor do jornal" (o Espírito Santo) queria que o Novo Testamento contivesse um relato diversificado daquilo que aconteceu com Jesus. E Mateus, Marcos, Lucas e João cumpriram fielmente a "encomenda" recebida.

A importância dos detalhes comuns
Há ainda um aspecto muito importante a comentar: como os repórteres da Campanha Presidencial terão espaço limitado para seu relato, precisarão escolher o que incluir e o que deixar de fora. Certamente vão incluir aquilo que lhes parecer ser mais importante, essencial mesmo (os fatos fundamentais, quem ganhou, quem perdeu e assim por diante). Assim, os quatro relatos vão muitas vezes falar de coisas diferentes. 

E assim aconteceu com os quatro Evangelhos: somente Mateus e Lucas relataram o nascimento e alguma coisa da infância de Jesus. Somente Mateus e Lucas falaram sobre o Sermão onde Ele citou as "bem aventuranças". Somente esses dois Evangelhos registram as palavras da oração do "Pai Nosso". Somente João relatou a oração que Jesus fez pouco antes de ser preso. E assim por diante.

Agora, os fatos que todos os quatro repórteres do jornal escolherem relatar sem dúvida serão aqueles de maior importância. E o mesmo aconteceu com os "repórteres" bíblicos: onde os relatos dos quatro evangelistas abrangem as mesmas coisas é porque os fatos relatados são cruciais.

E quais fatos são esses? Alguns são bem fáceis de identificar, como a crucificação, a morte e a ressurreição de Jesus. Mas outros provavelmente vão surpreender você, comprovando que nem sempre olhamos para a Bíblia como deveríamos. Veja a seguir a lista dos demais pontos relatados pelos quatro evangelistas:
  • O batismo de Jesus por João Batista (veja mais). Isso comprova que João foi uma figura de grande importância na história de Jesus, embora hoje seja pouco lembrado.
  • A última refeição com os discípulos, quando Jesus instituiu o sacramento da Santa Ceia.
  • O milagre da multiplicação dos pães, quando Jesus alimentou uma multidão faminta. Esse milagre é uma metáfora para o sacramento da ceia - os(as) cristãos(ãs) passaram a ser "alimentados(as)" espiritualmente pelo corpo e o sangue de Jesus.
  • O aviso a Pedro que ele iria negar Jesus, que serve de alerta para nós: devemos sempre estar atentos contra as ciladas de Satanás e jamais confiar apenas nos nossos próprios recursos.
  • As primeiras pessoas que viram Jesus depois da ressurreição foram mulheres - esse registro deve ser entendido como uma homenagem àquelas que foram suas mais fiéis seguidoras. 

Com carinho

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

JESUS ESCOLHE OS APÓSTOLOS

O conceito de discípulo na época de Jesus era diferente do atual. Hoje, "discípulo" é mais ou menos como um "aluno", na época de Jesus significava "aprendiz". Na época de Jesus, a educação do discípulo incluía ensiná-lo uma nova forma de viver, muito mais do que apresentar-lhe conhecimentos.

Naquela época, eram os discípulos (ou suas famílias) que escolhiam seus mestres. Mas com Jesus, o convite sempre partiu d´Ele mesmo. Parece ser que as pessoas, por si mesmas, não são capazes de tomar a iniciativa de seguir Jesus. Sempre é preciso haver um convite. 

A escolha dos discípulos
Jesus chamou muitas pessoas para segui-lo. Alguns aceitaram (Pedro, João, Tiago, etc), enquanto outros, como o jovem rico, não (Mateus capítulo 19, versículos 16 a 22). 

Em dado momento do seu ministério, Jesus resolveu escolher doze, dentre os discípulos, para uma função especial, apóstolo, que quer dizer "testemunha" ou "enviado". 

Ficou com esses doze homens a responsabilidade de acompanhar Jesus em todos os momentos e depois, quando Ele voltasse para junto do Pai, transmitir para as demais pessoas os ensinamentos recebidos. 

Vem desse papel diferenciado a chamada autoridade apostólica que esses doze homens passaram a ter junto à comunidade cristã, o que lhes deu condições de influir aspectos importantes da sua vida, inclusive definir quais textos deveriam ser (ou não) incluídos no Novo Testamento.

O número doze era simbólico para a cultura judaica, pois tinha a ver com o número de tribos que formaram o povo de Israel. Em outras palavras, a mensagem que Jesus passou para as pessoas, ao escolher doze apóstolos, foi que nascia ali um "novo Israel" (a igreja cristã), embora naquele momento isso não tivesse ficado claro, nem para os próprios apóstolos.

Quem foram os apóstolos?
A sabedoria humana diz que quando o(a) novo(a) dirigente de uma grande empresa ou governo toma posse, ele(a) deve procurar escolher os(as) melhores auxiliares. Mas é uma surpresa perceber que não foi bem isso que Jesus fez. Ele escolheu um punhado de homens que pareciam ter pouca qualificação (Mateus capítulo 10, versículos 2 a 4), como detalhado a seguir:
  • André, simples pescador e irmão de Simão Pedro. Foi discípulo de João Batista.
  • Simão, também conhecido como Pedro, simples pescador. Era muito impulsivo. 
  • João, filho de Zebedeu. Também era pescador e dividia o negócio de pesca com seu irmão, Tiago, e os irmãos Pedro e André. A tradição o considera como o discípulo amado por Jesus (João capítulo 13, versículos 21 a 23). Foi o único discípulo homem que esteve aos pés da cruz de Jesus.
  • Tiago, irmão de João. Foi o primeiro apóstolo a ser martirizado por sua fé.
  • Tiago, filho Alfeu e irmão de Judas Tadeu. Não se sabe muito mais sobre ele.
  • Judas Tadeu (ou Alfeu), irmão de Tiago. Era um nacionalista extremado e pouco mais se sabe sobre ele.
  • Mateus, também conhecido como Levi, era coletor de impostos. Por causa da sua profissão, sabia ler e escrever bem, o que era raro naquele tempo.
  • Filipe, provavelmente também pescador. Foi discípulo de João Batista.  
  • Tomé, também chamado de Dídimo, foi o discípulo que duvidou da ressurreição de Jesus. Pouco mais se sabe sobre ele.
  • Simão Zelote, era um nacionalista radical e fez parte do grupo dos Zelotes, que até cometia crimes políticos contra os apoiadores da dominação romana.
  • Bartolomeu, também conhecido como Natanael. Não temos muitas informações sobre ele.
  • Judas Iscariotes, aquele que traiu Jesus. Provavelmente também participou do movimento radical dos Zelotes. Foi tesoureiro do grupo de Jesus e roubou os fundos a seu cuidado. Traiu Jesus e, depois, arrependido, enforcou-se.
Jesus não escolheu como apóstolo nenhum homem famoso ou importante, como também nenhum conhecido  do período em que viveu em Nazaré, e nem mesmo um familiar - afinal, ele foi rejeitado por quase todas essas pessoas (veja mais). Não escolheu também nenhum sacerdote, escriba ou rabino, pessoas mais preparadas e já ligadas, de alguma forma, à estrutura da religião judaica. 

Procurou outro tipo de gente pois queria renovar. A maior parte dos escolhidos era formado por  pescadores, pessoas trabalhadoras, fortes fisicamente, mas com pouco preparo intelectual. Somente um dos apóstolos tinha melhor formação (Mateus), mas, por outro lado, como todo coletor de impostos, era odiado por quase todos e considerado homem pecador - nos dias de hoje, seria como se Jesus tivesse convidasse para integrar seu grupo de apóstolos um político notoriamente corrupto.

Vários dos apóstolos eram consideradas pessoas violentas, como João e Tiago, apelidados pelo próprio Jesus de "filhos do trovão" (Marcos capítulo 3, versículo 17). Outros, como Simão Zelote e Judas Iscariotes, eram nacionalistas ferrenhos e entendiam que a única forma de Israel ficar livre dos romanos seria através da força - e valia tudo para conseguir isso, até assassinatos.

Foram esses homens com pouca formação intelectual e com currículo de violência que foram chamados para aprender sobre o amor de Deus. Quanta ironia!

Mas, é claro que Jesus acertou na escolha que fez. Afinal, o acerto de uma escolha é sempre definido pelos resultados obtidos. E, no caso dos apóstolos, o sucesso foi inimaginável: com exceção de Judas Iscariotes, os demais apóstolos se converteram em verdadeiros homens de Deus e deram contribuição inestimável para levar o Evangelho de Jesus a muitas pessoas, dando origem a um movimento religioso que hoje tem mais de 2 bilhões de seguidores.

Agora, isso tudo prova que as escolhas de Deus são muito diferentes daquelas feitas pelos seres humanos. Elas nos surpreendem e até chocam. A razão para isso é que Deus olha para o interior das pessoas e não para as aparências, como nós. Aparências nada significam para Ele, o que interessa mesmo é o coração das pessoas. 

Acredito que essa seja uma grande lição para todos nós.

Com carinho 

domingo, 17 de janeiro de 2016

AS LINHAS APARENTEMENTE TORTAS DE DEUS

“...a mim me pareceu bem, depois de acurada investigação de tudo desde sua origem, dar-te por escrito, excelentíssimo Teófilo, uma exposição em ordem, para que tenhas plena certeza das verdades em que fostes instruído.” 
Lucas, capítulo 1, versículos 1 a 4

Escrevi o primeiro livro, ó Teófilo, relatando todas as coisas que Jesus começou a fazer e ensinar até o dia em que, depois de haver dado mandamentos por intermédio do Espírito Santo aos apóstolos que escolhera, foi elevado às alturas... 
Atos dos Apóstolos, capítulo 1, versículos 1 e 2

Cerca de 40 anos após a morte e a ressurreição de Cristo, um médico convertido ao cristianismo, chamado Lucas, resolveu fazer um relato sobre os aspectos mais importantes da vida terrena de Jesus. Essa ideia não era nova, pois outras pessoas já tinham produzido relatos similares, como João Marcos e Mateus.

Lucas foi o único autor não judeu (gentio) de texto incluído na Bíblia e ele introduziu uma novidade importante no relato que fez: dividiu seu texto em duas partes, sendo a primeira delas voltada a contar a vida de Jesus propriamente dita, naquilo que é hoje conhecido como o Evangelho de Lucas; enquanto a segunda parte, conhecida como Atos dos Apóstolos, abrange o início da vida da igreja cristã (dirigida pelos apóstolos).

A contribuição magistral de Lucas foi entender que uma percepção mais ampla dos ensinamentos básicos do cristianismo somente seria obtida ao olhar não somente para aquilo que Jesus viveu e ensinou (o Evangelho), mas também para os frutos do seu ministério, ou seja a igreja (Atos dos Apóstolos).

É interessante perceber que Lucas dedicou os dois volumes da sua obra a um homem chamado Teófilo, conforme comprovam as citações que coloquei no começo deste post. Teófilo devia ser homem importante - vem daí o tratamento de “excelentíssimo” dado a ele. 

Lucas tinha uma mente organizada, fruto da sua formação como médico, e quis fazer “uma exposição em ordem" dos fatos para dar a Teófilo entendimento pleno sobre o que tinha acontecido e para que esse homem tivesse "plena certeza das verdades em que [tinha sido] instruído”. Esta declaração nos permite concluir que Teófilo já tinha sido discipulado na doutrina cristã, mas ainda guardava dúvidas, coisa absolutamente normal. 

Teófilo é um nome grego e quer dizer "amigo de Deus". Provavelmente, ele também não era judeu mas sim um dos muitos gentios que se aproximaram do judaísmo e posteriormente aceitaram Jesus, como Messias e Salvador.

Teófilo devia conhecer bem os ensinamentos da filosofia grega, como um homem educado que era. Ora, na visão filosófica grega não havia espaço para o conceito de ressurreição, conforme pregava o cristianismo - o apóstolo Paulo esbarrou exatamente nessa dificuldade quando pregou em Atenas e acabou rejeitado pela maior parte dos seus ouvintes (Atos dos Apóstolos capítulo 17, versículos 32 a 34).

O texto não esclarece isso, mas provavelmente essa era a raiz das dúvidas de Teófilo. Daí a preocupação de Lucas em compor um relato completo do que tinha acontecido, construído a partir do testemunho de homens como Pedro e João, a quem tinha entrevista em suas idas a Jerusalém acompanhando o apóstolo Paulo. 

Curiosamente,  a Bíblia não conta se Teófilo superou suas dúvidas e tornou-se um cristão convicto. Mas se levarmos em conta a qualidade da obra que Lucas produziu, as chances dessa conversão plena ter ocorrido são muito boas.

Essa história me faz refletir sobre os planos de Deus: eles vão muito além da nossa percepção. O verdadeiro legado de Lucas não foi tirar as dúvidas de Teófilo e ajudar a convertê-lo. O fruto da sua obra foi muito além disso: o conjunto Evangelho/Atos dos Apóstolos é um texto que tem servido de fonte de ensinamentos inesgotáveis para os(as) cristãos(ãs) ao longo da história.

Lucas foi inspirado por Deus para escrever um texto cujo objetivo parecia ser ajudar um homem com dúvidas e a obra que ele escreveu alcançou uma importância que ninguém, nem mesmo ele, Lucas,  poderia ter imaginado. 

Sendo assim, o ditado popular que fala sobre os planos de Deus deveria ser reescrito para assumir a seguinte forma: "Deus escreve certo por linhas aparentemente tortas". 

Em outras palavras, as linhas traçadas por Deus só parecem tortas porque não conseguimos entender aquilo que Ele quer fazer. Onde quer chegar. Assim, foi com Lucas e assim acontece com você ou comigo.

Com carinho

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

VOCÊ JÁ OUVIU FALAR NO REINO DE DEUS?

Um dos temas preferidos de Jesus foi o Reino de Deus (Lucas capítulo 4, versículo 43). Sendo assim, cabe aqui a pergunta: qual a importância do Reino de Deus para o(a) cristão(ã)?

O conceito de reino
Jesus viveu  numa época em que as sociedades eram todas dirigidas por monarcas com poderes absolutos. Portanto, para entendermos o que Jesus quis dizer quando falou no Reino de Deus, precisamos ter em mente esse modelo, muito diferente daquele em vigor em muitos países modernos, como a Inglaterra, onde rei(rainha) é uma figura meio simbólica, sem qualquer poder real.

Há cinco coisas que caracterizam um reino absoluto: o(a) governante (rei ou rainha), o território, a população, um conjunto de regras de vida (leis) e um aparato público (exército, coletores de impostos, polícia, etc) para sustentar o poder do(a) dirigente

Numa monarquia absoluta, o poder do rei(rainha) se faz sentir sobre determinado território, onde sua vontade é lei. E os limites desse território estão relacionados com o tamanho do poder do governante (por exemplo, do seu exército). Por isso, ao longo da história, nenhum rei(rainha) dominou todos os territórios da Terra, pois ninguém reuniu poder suficiente para tanto. Existiram reinos muito grandes, como o de Roma ou o dos persas, mas nenhum deles com extensão maior do que 10% do território mundial.

A população do reino é formada pelos(as) súditos(as), ou seja aquelas as pessoas que obedecem ao(à) rei(rainha). E pode ser formada por uma ou mais etnias - por exemplo, o Império Romano, aquele onde Jesus viveu, abarcou dezenas delas, com línguas e costumes diferentes. 

As leis do reino refletem a vontade do(a) soberano(a) e são por ele outorgadas à população do reino. Sendo assim, o(a) rei(rainha) tem poder para mudar ou descumprir as leis como bem entender. 

Agora, para garantir a estabilidade do seu governo, o(a) rei (rainha) precisa de um aparato público formado por soldados, juízes, burocratas, etc, para garantir que sua vontade seja cumprida em cada local do reino. Quanto mais eficiente e poderoso for esse aparato, maior será o domínio do rei sobre seus súditos e maior o território do reino (e sua população).

O reino de Deus
Levando em conta tudo que falei acima, é possível definir o Reino de Deus como todo local e grupo onde a vontade de Deus é cumprida. Isso pode acontecer numa pequena comunidade, numa cidade ou num território maior.  

As leis de Deus - sua vontade expressa para o ser humano - são aquelas registradas na Bíblia. Portanto, a população desse Reino é formada pelas pessoas que obedecem essa vontade, ou seja essas leis. Essas pessoas podem ser de qualquer etnia e/ou cultura.

Mas e quanto ao aparato que o rei precisa colocar para funcionar, visando fazer valer sua vontade? No caso do Reino de Deus, essa é a tarefa do Espírito Santo, cuja função é atuar junto a cada ser humano visando levá-lo a Deus. Também fazem parte dessa estrutura as comunidades cristãs (igrejas), os(as) sacerdotes (pastores e padres), etc, que ministram para os(as) fiéis.  

Qual é a importância do Reino de Deus?
Vou deixar que a própria Bíblia responda essa pergunta:
"Porque o Reino de Deus consiste, não em palavra, mas em poder". Paulo em 1 Corintios capítulo 4, versículo 20.
"A que compararei o Reino de Deus? É semelhante ao fermento que uma mulher escondeu em três medidas de farinha, até ficar tudo levedado". Jesus, em Lucas capítulo 13, versículos 20 e 21.
"A lei e os profetas vigoraram até João; desde esse tempo, vem sendo anunciado o Evangelho do Reino de Deus, e todo homem deve se esforçar por entrar nele". Jesus, em Lucas capítulo 16, versículo 16.
"E à medida que seguirdes, pregai que está próximo o Reino de Deus". Jesus, em Mateus capítulo 10, versículo 7
Esses textos revelam que o reino de Deus tem poder para transformar vidas e a sociedade, por ser o "fermento que leveda toda a massa". 

Quando e onde a vontade de Deus é feita, o Espírito Santo age com poder e transforma a realidade do ser humano. A Bíblia está cheia de exemplos falando sobre isso. E também é possível ver esse tipo poder atuando no mundo hoje em dia, como, por exemplo, a mudança que a sociedade da Índia experimentou a partir do trabalho de Madre Teresa de Calcutá, ou o processo de reconciliação que a África do Sul viveu, depois do fim do apartheid, comandado por Nelson Mandela.  

A chegada do Reino de Deus se deu com a vinda de Jesus ao mundo. Esse evento modificou a forma de relacionamento do ser humano com Deus, antes pautado pelos ensinamentos da Lei dada a Moisés e registrada nos cinco primeiros livros da Bíblia. A partir de Jesus, o Evangelho (as Boas Novas) passaram a prevalecer. E as Boas Novas do Reino são a constatação e a fé que Jesus veio ao mundo para nos dar acesso a Deus, pois todo aquele que n´Ele crê, ganha a vida Eterna (João capítulo 3, versículo 16). 

Finalmente, gostaria de fazer mais um comentário: o Reino de Deus aqui na Terra é caracterizado por uma certa dissonância: "já, mas ainda não". "Já" porque está implantado entre nós. O "ainda não" refere-se ao fato que a plenitude do Reino, ou seja sua influência sobre toda a Terra, somente acontecerá no final dos tempos, quando Jesus voltar. Até lá, vamos viver essa situação dupla.

Com carinho

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

VOCÊ PRECISA IR À IGREJA PARA SER UM BOM CRISTÃO?

Conheço muitos(as) cristãos(ãs) que não querem frequentar igrejas. E por igreja, nesta discussão, entendo qualquer comunidade cristã organizada, onde se estuda a Bíblia, se cultua a Deus, os sacramentos (batismo e comunhão) são ministrados e há verdadeira comunhão entre as pessoas. 



Agora, é possível para alguém ser um cristão(ã) verdadeiro(a) sem congregar numa igreja? Eu creio que não e o problema está exatamente nas razões que fazem as pessoas não quererem estar numa igreja. 

Os estudos mostram que são três as razões mais comumente alegadas pelas pessoas para se afastar das igrejas de forma geral: decepção com Deus, decepção com as igrejas e prioridades maiores na vida. E às vezes, uma dessas razões reforça a outra. Vamos ver isso mais de perto.

Decepção com Deus 
A decepção pode estar ligada a experiências ruins que a pessoa passou diretamente ou viu alguém próximo(a) passar - o efeito é bem parecido nos dois casos. Assim, a origem da decepção costuma estar na morte ou doença de ente querido, numa perda financeira, numa violência sofrida, etc, situações para as quais a pessoa não encontrou uma explicação. 

Ora, nessas situações, que geram sofrimento, uma pergunta costuma aflorar: por que Deus permitiu que isso acontecesse? E se a pessoa não encontrar uma boa resposta, que a convença, pode acabar concluindo que Deus não foi justo com ela e se decepcionar com Deus e se afastar de qualquer igreja. 

Eu não tenho espaço aqui para desenvolver a resposta para explicar o sofrimento humano mesmo entre os(as) cristãos(ãs), mas ela existe (já escrevi sobre isso neste blog). Agora, é um enorme erro decepcionar-se com Deus por não conseguir entender alguma coisa ou situação. Quem age assim é porque não tem fé suficientemente sólida - Jesus comparou esse tipo de atitude a uma casa construída sobre terreno pouco sólido, que rui quando bate o vento forte.

A decepção com Deus também pode aparecer devido à teologia tóxica. Por exemplo, certas igrejas incentivam as pessoas a fazer verdadeiras “trocas” com Deus - "dar mais para receber mais bençãos d´Ele". Quando a pessoa acredita numa teologia tóxica, podem esperar coisas irreais de Deus, acabando por se decepcionar com Ele. 

Decepção com as igrejas
As disfunções que muitas igrejas exibem acabam por trazer muita decepção às pessoas e algumas delas podem acabar por se afastar de todas as igrejas. 

Por exemplo, há comunidades religiosas que são tão rigorosas nas suas exigências quanto ao comportamento esperado dos(as) fiéis, que as pessoas acabam por viver numa verdadeira prisão. Há também igrejas onde os(as) líderes têm comportamento pouco ético, fazendo mal uso do dinheiro arrecadado, envolvendo-se em negociatas e assim por diante. 

Essas práticas precisam ser repudiadas e denunciadas, mas isso não quer dizer que todas as igrejas sejam iguais. E afastar-se de todas as igrejas, por causa de problemas exibidas por algumas delas, é uma generalização, erro muito comum e perigoso.

Baixa prioridade
Muitas pessoas não tem disposição para congregar numa igreja porque outras coisas são mais importantes para elas. A desculpa mais comum é alegar falta tempo. 

A baixa prioridade também pode nascer da resistência em mudar hábitos e comportamentos sabidamente errados. A prioridade dessas pessoas é manter seu estilo de vida. 

Também pode decorrer da falta de percepção quanto à importância da vida em comunhão numa igreja. Muitas pessoas pensam que podem desenvolver sua fé por conta própria - e estou me referindo aqui a pessoas sinceras.

Ora, não foi isso que Jesus ensinou: Ele sempre priorizou a vida em comunidade (por exemplo, desenvolveu seu ministério entre discípulos). Na verdade, o ser humano não foi criado para viver sozinho e não tem como crescer na fé sozinho. Afinal, quem vai tirar suas dúvidas ou dar-lhe apoio durante as tribulações?

Conclusão
É preciso que você avalie bem as verdadeiras razões que eventualmente o(a) afastam da igreja. Por exemplo, eu me afastei, quando jovem, por certo tempo, por não dar prioridade à vida em comunhão. Somente com mais maturidade voltei a ter como uma de minhas prioridades a vida numa comunidade cristã.

Lembre-se que há todo tipo de comunidade por aí, adequadas às mais diferentes necessidades. E muitas delas são sérias.

Repito, analise suas razões para não frequentar uma igreja e evite construir desculpas para si mesmo(a). A vida numa comunidade de fé é bem importante. Pode ter certeza disso.

Com carinho

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

OS SETE PECADOS CAPITAIS SEGUNDO GHANDI

Mahatma Ghandi foi um dos maiores heróis de século XX. Foi ele quem liderou a revolução pacífica que garantiu a liberdade da Índia do domínio britânico. Um homem admirável sob qualquer aspecto. 

O mais interessante é que Ghandi não era cristão. Mas, sem dúvida, suas ideias foram profundamente influenciadas pelos ensinamentos de Jesus, como ele mesmo reconheceu. Ninguém, nos tempos modernos, com exceção de Madre Teresa de Calcutá, viveu, como Ghandi, de forma tão completa, os ensinamentos de Jesus de conquistar através do amor e de virar a outra face para quem nos ofender. 

Veja abaixo a versão de Ghandi para os sete pecados capitais. Acho que suas ideias são tão poderosas que dispensam comentários adicionais. Só gostaria de lembrar que as coisas que ele disse se aplicam perfeitamente à situação atual do Brasil e explicam muito por que vivemos crise tão profunda:

Os sete pecados capitais

1. Políticos sem princípios

2. Riqueza sem trabalho

3. Prazer sem consciência

4. Conhecimento sem caráter

5. Negócios sem princípios morais

6. Ciência sem humanidade

7. Louvor sem sacrifício