quinta-feira, 30 de abril de 2015

AS VERDADES DA BÍBLIA SÃO MAIS VERDADEIRAS?

Certa vez assisti duas pessoas conversando e uma delas, cristã ferrenha, declarou o seguinte: "as verdades da Bíblia são mais verdadeiras do que as da Psicologia e as das demais ciências". Você concorda com essa declaração? Será que ela faz sentido à luz da doutrina cristã?

Talvez você se surpreenda quando eu disser que essa declaração está errada até porque contraria a lógica. Simplesmente não há "verdades mais verdadeiras". E eu me explico

A filosofia ensina que as propriedades das coisas (altura, cor, ser verdadeira, etc) podem ou não permitir uma graduação do tipo "maior e menor". 

Há propriedades que podem ser "medidas" e permitem graduação. Por exemplo, as alturas de duas pessoas podem ser medidas (em centímetros) e assim é possível compará-las, estabelecendo que "fulano é mais alto do que beltrano". O mesmo ocorre com o "peso" e com muitas outras propriedades. 

Já a propriedade "beleza" também pode ser graduada, mas apenas de forma qualitativa, pois não há como medi-la. Assim, é possível afirmar que "Maria é mais bonita do que Joana" mas não dá para dizer quanto mais bonita Maria de fato é. Existe a mesma limitação para graduar sentimentos - posso reconhecer que amo uma pessoa mais do que outra mas não posso determinar o tamanho dessa diferença.

Agora, há propriedades que não admitem qualquer graduação, mesmo qualitativa. São do tipo "sim ou não". Nesses casos nunca dá para fazer comparações do tipo "maior ou menor". Simples assim. 

Por exemplo, uma mulher está grávida ou não e um homem é solteiro ou não. Não faz sentido dizer que uma mulher está mais "grávida" do que outra ou um homem é menos solteiro do que seus amigos. 

E "ser verdadeiro" é uma propriedade do tipo "sim ou não". Não admite graduação. Assim não tem qualquer lógica dizer que certa declaração é mais verdadeira do que outra.  

Portanto, mesmo um(a) cristão(ã) deve considerar a declaração "2 + 2 = 4" igualmente verdadeira do que a afirmação "Jesus é o Salvador da humanidade". Qualquer outra coisa contraria a lógica.

Agora, podemos afirmar sim que as verdades têm importâncias distintas - afinal, há coisas mais importantes do que outras. Assim, e voltando ao exemplo anterior, é possível dizer que nenhuma verdade é mais importante do que "Jesus é o Salvador da humanidade". Ou ainda que as verdades contidas na Bíblia são extremamente importantes, fundamentais mesmo para a vida humana. 

Espero que essa explicação ajude você a colocar as coisas na perspectiva correta.

Com carinho  

terça-feira, 28 de abril de 2015

O QUE DEUS TEM SEPARADO PARA VOCÊ?

Certa vez conversei com uma amiga, moça que foi criada numa igreja evangélica e continua cristã fervorosa até hoje. Ela me contou que passou longos anos esperando pelo seu “prometido” - aquele homem que Deus tinha separado para se casar com ela. Ela agiu assim pois aprendeu na sua igreja que Deus tem uma pessoa especial separada para cada um(a) de nós e acreditou nisso piamente

O fato é que hoje ela está na faixa dos 40 anos e continua solteira. Ela se sente enganada por ter acreditado nesse tipo de promessa. E fala isso abertamente. O que pode ser dito para essa mulher? 

Acho que essa discussão interessa bastante pois é comum encontrarmos pessoas na mesma situação: aceitaram promessas que pensaram vir de Deus e tiveram suas esperanças frustradas. E esse tipo de experiência pode enfraquecer muito ou até levar a pessoa a perder completamente sua fé. 

E a explicação que mais ouço para esse tipo de situação é que a falta de fé da pessoa para alcançar a promessa. E o efeito dessa explicação é devastador, pois a pessoa, além de frustrada, ainda pode acabar se sentindo culpada. 

Mas posso testemunhar que frequentemente - como aconteceu no caso da minha amiga que ficou solteira - não houve falta de fé. As pessoas acreditavam na promessa e ainda assim não alcançaram a benção. 

Lembro aqui do caso de outra amiga que ficou orando por uma cura pois tinha certeza absoluta que esse milagre serviria como testemunho para a conversão da família do doente. E a pessoa morreu.

Ora, sabemos que Deus nunca deixa de cumprir suas promessas. E se não houve falta de fé, como explicar a benção não ter vindo? A resposta é simples, mas nem por isso menos dolorosa: as pessoas acreditaram em promessas que Deus não fez. Ele até pode agir e fazer coisas maravilhosas, movido pela sua Graça, mas não tem qualquer obrigação de fazer isso, pois nada prometeu. 

O problema é que existe uma corrente teológica que defende a tese de haver muitas promessas na Bíblia relacionadas com a prosperidade e a felicidade para quem tiver fé suficiente (e também fizer contribuições financeiras generosas). E tais conceitos acabaram penetrando quase todo o mundo evangélico e infelizmente se tornaram amplamente aceitos. 

Por exemplo, não há qualquer promessa de Deus de que haver um(a) "escolhido(a)" para cada um de nós. Isso até pode acontecer, mas não podemos cobrar de Deus tal tipo de resultado. O mesmo podemos falar sobre a prosperidade.

O que a Bíblia fala de fato é que Deus prometeu concorrer para nosso bem, coisa totalmente diferente. Para alguns(mas) pode parecer ser a mesma coisa, mas não é. 

Afinal, quase sempre nem sabemos bem o que é melhor para nós. Lembro do caso de uma amiga que queria se casar com um primo e ficou longo tempo pedindo a Deus para abençoar aquela união e nunca foi atendida. Tempos depois se casou com outro homem e veio a entender que o tal primo teria sido um desastre amplo, geral e irrestrito na sua vida.  

O fato de Deus não atender todos os nossos pedidos pode ser facilmente entendido. Afinal, é assim que criamos nossos(as) próprios(as) filhos(as). Não lhes damos tudo que nos pedem. Dizemos não para eles(as) com muita frequência e fazemos isso com a convicção que isso concorre para seu bem, embora muitas vezes eles(as) fiquem infelizes com nossa atitude.

O que podemos esperar de Deus
Deus não faz promessas somente para nos agradar. Ele simplesmente não opera assim. Sua lógica é outra. E acho interessante discutir alguns princípios que regem sua atuação. 

Primeiramente, Deus espera que cada um faça sua parte. Ele definitivamente não vai fazer por mim ou por você aquilo que nós mesmos(as) podemos alcançar. 

No exemplo que citei acima, cabe diversas perguntas nesse sentido: será que a moça fez todos os esforços ao seu alcance para se tornar agradável ao sexo oposto? Investiu o tempo necessário para socializar com os rapazes? Terá ela feito exigências exageradas aos possíveis candidatos, confiada na tal "promessa" de Deus? 

Em segundo lugar, é preciso entender que a benção de Deus nem sempre se materializa da forma esperada - pode até acontecer e não ser reconhecida como tal. 

Certa vez, eu precisava de determinada quantia para pagar uma prestação de financiamento imobiliário. E orei muito para que Deus resolvesse o problema e tinha certeza que a solução viria do recebimento de um dividendo atrasado. 

Poucos dias antes da data de pagamento, recebi uma ligação da minha madrasta, oferecendo-me a quantia necessária emprestado. Agradeci e disse que não, pois tinha certeza que Deus iria mandar auxílio. E ela retrucou: "quem disse que não foi Deus quem me mandou te ajudar?" Eu peguei o empréstimo. E deu tudo certo. Na verdade, eu tinha colocado na mente que Deus iria agir de determinada forma e quase recusei a ajuda que Ele me enviou, porque ela veio sob forma diferente. 

Voltando ao exemplo da moça que ficou solteira, cabe perguntar: será que Deus não mandou alguém que ela não aceitou por pensar não ser a pessoa certa? Ou a benção reservada para ela não foi, por exemplo, alcançar sucesso profissional? Afinal, quem disse que todos(as) precisamos casar? 

Em terceiro lugar, é preciso entender que Deus frequentemente não faz algo diretamente mas age para nos capacitar para fazermos aquilo por conta própria

Por exemplo, Jesus investiu todo o seu ministério treinando seus discípulos para serem "pescadores de homens". Capacitou-os para darem continuidade ao seu trabalho. 

Palavras finais
Deus não faz necessariamente aquilo que esperamos e/ou queremos. E isso não significa pouco caso ou indica falta de fé da pessoa. Há muitas outros aspectos a considerar e eu discuti alguns deles acima. 

Agora, há muito mais a considerar porém não tenho espaço aqui para debater cada possibilidade. Mas acho que já deu para você ter uma ideia sobre o que estou falando aqui e passar a olhar para as situações em que parece haver não cumpridas de outra forma. 

Teologias simplistas que colocam na boca de Deus promessas que Ele não fez são muito perigosas. Cuidado, portanto, com elas. Leia e estude sempre a Bíblia para saber de fato o que Deus tem prometido para você. 

A coisa mais importante que Ele  prometeu para você, sem dúvida, é a vida eterna (salvação). Mas também prometeu fazer coisas que venham a concorrer para seu bem (dentro do ponto de vista d´Ele), protegê-lo(a), estar ao seu lado nos momentos difíceis e assim por diante. 

E pode ter certeza que Ele faz e continuará a fazer tudo isso na sua vida. 

Com carinho

domingo, 26 de abril de 2015

AS TENTAÇÕES DA VIDA

E quarenta dias foi [Jesus] tentado pelo diabo, e naqueles dias não comeu coisa alguma; e, terminados eles, teve fome. 
E disse-lhe o diabo: Se tu és o Filho de Deus, dize a esta pedra que se transforme em pão. 
E Jesus lhe respondeu: Está escrito que nem só de pão viverá o homem, mas de toda a palavra de Deus. 
E o diabo, levando-o a um alto monte, mostrou-lhe todos os reinos do mundo. 
E disse-lhe: Dar-te-ei a ti todo este poder e a sua glória; porque a mim me foi entregue, e dou-o a quem quero. 
Portanto, se tu me adorares, tudo será teu. 
E Jesus respondeu-lhe: Vai-te para trás de mim, Satanás; porque está escrito: Adorarás o Senhor teu Deus, e só a ele servirás. 
Levou-o também a Jerusalém, e pô-lo sobre o pináculo do templo, e disse-lhe: Se tu és o Filho de Deus, lança-te daqui abaixo. 
Porque está escrito: Mandará aos seus anjos, acerca de ti, que te guardem, 
E que te sustenham nas mãos, para que nunca tropeces com o teu pé em alguma pedra. 
E Jesus, respondeu-lhe: Dito está: Não tentarás ao Senhor teu Deus. 
E, acabando o diabo sua tentação, ausentou-se por algum tempo.
Lucas capítulo 4, versículos 2 a 13
Tentações são parte da vida. Afinal, o Diabo está sempre nos incentivando a proceder de forma errada (pecar). E nem Jesus ficou livre desse tipo de teste pois foi tentado ao longo de 40 dias, conforme a descrição acima do Evangelho de Lucas. 

E a tentação pela qual Jesus passou ensina três estratégias que o Diabo usa e a melhor forma de enfrentá-las. Vamos a elas:

1. Tornar o desejo humano justificativa suficiente 
Jesus teve fome, pois tinha sido submetido a longo jejum. E Satanás tentou se aproveitar disso para forçá-lo a fazer um milagre - transformar pedras em pão. 

Ora, não há nada de errado em realizar milagres - Jesus fez muito deles ao longo da sua missão terrena. Mas fazer um milagre instigado por Satanás seria uma falta muito grave. 

A estratégia usada nesse caso foi simples: usar o desejo humano como justificativa para a realização de ato errado. E se trata de estratégia muito eficaz pois as pessoas quase sempre caem nela. 

Por exemplo, desejam ter uma vida confortável e tal desejo justifica a prática da mentira e de desonestidades. Querem conquistar o poder e tal desejo justifica a mentira e a manipulação das opiniões das pessoas numa eleição. Desejam sexualmente uma pessoa e tal vontade justifica o adultério. E assim por diante.

Os desejos humanos podem até ser justos e sinceros - como no caso da fome de Jesus. Mas eles sempre precisam se subordinar às leis de Deus, à vontade d´Ele. 
   
2. Manipular as promessas de Deus
Num dado momento, Satanás levou Jesus a um lugar alto e o incentivou a se atirar de lá de cima, justificando seu pedido com uma citação do Salmo 91 (sim, o Diabo também conhece a Bíblia), onde está dito que Deus mandará seus anjos para sustentarem seus filhos.

Ora, tal pedido foi uma tentativa clara de manipular uma promessa de Deus. E a resposta de Jesus deixou isso bem claro: Ele explicou que fazer o que Satanás pedia seria tentar a Deus. 

O abuso das promessas de Deus é muito frequente - pode ser visto a toda hora. Por exemplo, são muitos os tele-evangelistas que desafiam as pessoas a doarem dinheiro para colherem prosperidade. Ora, as promessas de Deus não podem ter como condição doações prévias de dinheiro. Vincular uma coisa a outra é erro grave, uma tentativa de "comprar" a benção de Deus. E eu poderia citar muitos outros casos aqui do mesmo tipo de manipulação. 

Agora, quando o Diabo manipula promessas, ele tem como objetivo decepcionar as pessoas com Deus. Isso porque, quando a pessoa sinceramente acredita que há uma promessa de Deus aplicável à sua situação, certamente fica esperando por um bom resultado. E se isso não acontece, acaba por ficar decepcionada, o que pode até levá-la a se afastar de Deus. Já vi isso acontecer muitas vezes.

É preciso muito cuidado em usar promessas de Deus. Isso nunca pode ser feito de forma apressada e leviana. Se há uma promessa de Deus envolvida, você pode ter certeza que ela vai se cumprir. Agora, se não acontecer aquilo que era esperado é preciso verificar se a interpretação dada estava correta. Ver também se aquela promessa se aplica mesmo ao caso em questão. Se não havia uma condição prévia que precisava ser cumprida. E assim por diante.

3. Desviar o foco de Deus para o ser humano
Repare que nas três tentações descritas acima o Diabo sempre procurou tirar o foco da discussão de Deus e centrá-lo nas necessidades humanas. E as pessoas frequentemente caem nesse tipo de armadilha.  

E quando o foco vira para o ser humano, Deus acaba ficando em segundo lugar, ofuscado pelas vontades e desejos das pessoas. Assim são as necessidades humanas, e não a vontade de Deus, que de fato acabam por ditar o ritmo das coisas. E Deus torna-se apenas no meio através do qual essas necessidades podem ser preenchidas. 

Agora, repare que ao responder às iniciativas de Satanás, Jesus sempre trouxe o foco de volta para Deus. Lembrou sempre qual seria sua vontade e a forma correta de se relacionar com Ele. E essa é a forma correta de resistir.

Palavras finais
Como você pode ver, as estratégias usadas por Satanás são relativamente simples. Até mesmo cruas. Mas são extremamente eficazes - as pessoas vem caindo nelas a milhares de anos.

Penso que conhecer bem aquilo que o Inimigo tenta fazer na sua vida é um passo importante para que você possa resistir melhor às suas iniciativas malignas. 

E entender bem como Jesus se comportou no mesmo tipo de situação é fundamental - é a chave de uma resposta correta. Perceba que, em primeiro lugar, Ele se recusou a colocar seus desejos na frente de tudo. E não permitiu que eles justificassem eventuais atos errados.

Depois, Jesus não permitiu que Satanás manipulasse uma promessa de Deus, tirando-a do seu contexto e distorcendo seu significado. Lembrou que é preciso entender corretamente e aplicar de forma adequada o conhecimento sobre aquilo que Deus promete fazer. 

Finalmente, Jesus manteve sempre o foco em Deus. Toda vez que Satanás tentou trazer a discussão para o terreno das necessidades humanas, Jesus respondeu falando de Deus. 

Com carinho

sexta-feira, 24 de abril de 2015

MILAGRES COMO PARTE DA OBRA DE DEUS

Jesus saiu da sinagoga e foi com Tiago e João para a casa de Simão [Pedro] e André. A sogra de Simão estava de cama, com febre e eles contaram a Jesus. E ele se aproximou, segurou sua mão e ajudou-a a levantar-se. Então, a febre desapareceu e ela começou a servi-los.                                        Marcos capítulo 1, versículos 29 a 31
A cura da sogra de Pedro por Jesus é uma história muito interessante. E pode dar origem a uma série de discussões teológicas bem interessantes: por exemplo, ela caracteriza que Pedro era casado, o que derruba a tese do celibato dos padres abraçada pela Igreja Católica e também demonstra que milagres de cura são uma realidade, dentre outras coisas. 

Agora, gostaria de falar aqui sobre um aspecto menos notado no relato acima. Refiro-me ao que está ao final da última frase do texto acima: "... e ela começou a servi-los". Ou seja, assim que a sogra de Pedro ficou curada, voltou a trabalhar, servindo Jesus e seu grupo de discípulos. 

Isso fala muito sobre o significado dos milagres para Deus. Quando pedimos a Deus que faça um milagre normalmente pensamos em algo que venha a nos beneficiar: livrando-nos de um grande problema e/ou nos proporcionando algo bom. E não há nada de errado nisso.

Mas sob o ponto de vista de Deus, o significado dos milagres é algo diferente. É claro que Deus quer nosso bem, porém não é apenas isso que o move. Há muito mais em jogo. 

Basta lembrar que Jesus não curou todos os doentes com quem cruzou durante seu ministério na terra - curou muitos, mas não todos. Da mesma forma, não vemos milagres de cura acontecerem em todos os casos em que pedimos a intervenção divina. 

O que então leva Deus a realizar milagres? Jesus fez muitos milagres porque sua autoridade como Messias precisava ser autenticada, reconhecida por seus seguidores. As pessoas olhavam para quem fazia tais milagres e raciocinavam, com razão, que tal tipo de poder somente podia ter sido dado a alguém com conexão especial com Deus. E o mesmo aconteceu com os apóstolos, depois da ressurreição de Jesus - eles precisavam levar o Evangelho adiante e também precisavam ter sua autoridade espiritual reconhecida. O mesmo pode ser falado de Moisés, quando trabalhou para libertar o povo de Israel da escravidão no Egito. Ou do profeta Elias, quando lutou quase sozinho contra o culto a Baal.

Esses casos dão uma importante pista: milagres podem ser esperados quando deles depende o avanço da obra de Deus. Sempre que há encruzilhadas no caminho do Evangelho, podemos esperar a atuação de Deus sem limites.

Nessa linha de pensamento, vamos voltar a olhar para o milagre com a sogra de Pedro: repare que ela foi curada e imediatamente voltou a trabalhar na obra. Mais importante ainda, a presença do milagre aponta para a importância de Pedro na obra de Deus - se a sogra continuasse doente, o apóstolo certamente teria que deixar, pelo menos por algum tempo, a companhia de Jesus para dar assistência em casa. E esse tempo não podia ser desperdiçado, pois o ministério de Jesus na terra teve duração curta (apenas 3 anos).

É por isso que o testemunho do milagre conseguido precisa ser sempre dado. Esse testemunho frequentemente é uma das razões pela qual Deus fez o milagre. E se ele é "sonegado", Deus certamente vai ficar decepcionado. 

Concluindo, milagres acontecem basicamente para ajudar no avanço da obra de Deus. Simples assim. E quando antes entendermos isso, mais facilmente iremos compreender a forma de Deus agir. 

Com carinho

quarta-feira, 22 de abril de 2015

COMO FICAR LIVRE DE UM PÉSSIMO CONSELHEIRO

A reação das pessoas às ameaças, especialmente as relacionadas com sua integridade física, é quase sempre de pânico. E embora seja uma reação natural, o pânico nunca foi bom conselheiro.  

O fato é que o pânico parece meio inevitável. Por exemplo, sempre que ocorre um daqueles frequentes e horrorosos massacres em cidades norte-americanas, as pessoas correm para comprar armas. Entram em pânico e imaginam que com armas estarão mais seguras. Mas os especialistas em segurança pública sempre alertam que o acesso fácil a armas é justamente um das causas da violência urbana. Em outras palavras, o pânico alimenta uma reação que acaba por alimentar o problema original. 

Situações onde as pessoas estão num ambiente público fechado e, por exemplo, ocorre um incêndio, também costumam gerar muito pânico. Ao ser dado o alarme, todo mundo tenta sair ao mesmo tempo. Aí as pessoas se atropelam e as mais fracas acabam pisoteadas. Ora, se as pessoas agissem com calma e de forma disciplinada, correriam risco muito menor. 

O mesmo tipo de efeito - chamado "manada" - pode ser visto quando há ameaça de baixa no valor de ações cotadas em Bolsa de Valores - todo mundo tenta vender suas ações ao mesmo tempo, o que derruba ainda mais as cotações. 

O pânico é péssimo conselheiro, conforme já disse e precisa ser combatido. E Jesus apresentou o remédio: confiança (fé) em Deus. 

Certa vez, Ele estava com seus apóstolos num barco no lago da Galileia. E armou-se grande tempestade, ameaçando afundar o barco. Os companheiros de Jesus entraram em pânico e não sabiam mais o que fazer. Como recurso final, pediram ajuda a Ele. E encontraram-no, adivinhem, dormindo (Marcos capítulo 4, versículos 35 a 41). 

A confiança de Jesus em Deus era tão grande, que nada o abalava. É claro que poucas pessoas - poderia citar o apóstolo Paulo, Francisco de Assis, John Wesley e uma dezena de outras - atingem tal grau de confiança em Deus. Mas qualquer um(a) de nós pode aprender a ter mais fé n´Ele e evitar o pânico. 

Mas como fazer isso na prática? Há duas coisas que precisam ser feitas. A primeira coisa é entender como Deus age. Por exemplo, se eu pular de uma janela pensando que Deus vai mandar um anjo me segurar provavelmente ficarei decepcionado (se viver para contar a história). 

Estudar as experiências de intervenção divina relatadas na Bíblia, bem como refletir sobre aquelas que você já viveu, direta ou indiretamente, é muito importante. 

Entender como Deus age vai evitar que você venha a esperar coisas que Ele não irá mesmo fazer, ou seja impedir que você venha a ter fé nas coisas erradas. E acabar decepcionado com Deus por pura falta de conhecimento. 

A segunda coisa importante é exercitar a fé. É igual a como acontece com os músculos do corpo - todo dia eles precisam ser um pouco exercitados para que a pessoa se mantenha em boa forma. E ninguém vai começar seus exercícios correndo uma maratona. 

Se você nunca exercitar sua fé, quando a crise chegar, não terá como evitar o pânico. Por exemplo, imagine que você precisa levar seu filho pequeno para uma cirurgia. Antes você procura escolher o(a) médico(a), conversa com ele(a), entende os riscos, em resumo faz tudo para adquirir confiança de que seu filho receberá o melhor tratamento possível. E se não tiver adquirido essa confiança no(a) médico(a), você não vai conseguir suportar aquela situação. 

A melhor forma para exercitar a fé é testá-la em situações mais simples do dia-a-dia. Por exemplo, conseguir mudar seus hábitos alimentares, para não comer o que faz mal, ou não se deixar escravizar pela televisão, ou ainda passar a ter disciplina para ir à igreja com frequência. 

Trata-se de aprender a pedir a ajuda de Deus e confiar que ela virá da melhor forma e na hora certa (Salmo 28, versículos 13 e 14). 

Com carinho

segunda-feira, 20 de abril de 2015

O QUE É SER CRISTÃO(Ã) DE VERDADE?

O que é ser cristão de verdade? E que a Bíblia ensina a esse respeito? 

Vou começar a responder pelo caminho mais fácil, isto é listando aquilo que parece ser mas não é a resposta correta. Esse procedimento é muito útil quando se discute uma questão complexa. Por exemplo, é mais fácil falar sobre o que Deus não é (não peca, não tem limite, não morre, etc) do que explicar como Ele é de fato. 

Não é seguir uma doutrina
Eu talvez surpreenda você ao afirmar que ser cristão não é seguir uma certa doutrina

É claro que existe uma doutrina cristã que as pessoas seguem - este blog mesmo está cheio de textos a respeito da salvação pela Graça e não por obras, sobre a Trindade (Pai, Filho e Espírito Santo), dentre outras. 

Mas ser cristão não é seguir esse punhado de doutrinas. É perfeitamente possível conhecer, concordar e até seguir todas essas doutrinas e ainda assim não ser cristão de verdade, de coração. 

John Wesley, um dos maiores ministros de Deus da história da igreja cristã, já era pastor ordenado, mas ainda assim vivia uma vida espiritual medíocre. Até que teve uma experiência com o Espírito Santo - ele a relatou dizendo que sentiu seu coração "estranhamente aquecido". A partir daí, seu ministério mudou completamente. Ora, como pastor, Wesley já conhecia e seguia toda a doutrina cristã, mas isso não foi suficiente para fazer dele um cristão verdadeiro. Foi a experiência com o Espírito Santo que transformou sua vida. 

Portanto, ser cristão é muito mais do que ser seguidor de um conjunto de doutrinas. É preciso mais, muito mais. 

Não é seguir uma religião  
Quando o cristianismo começou, ainda no tempo dos apóstolos, não era uma religião constituída. Os primeiros seguidores de Cristo se diziam judeus e seguiam os ritos daquela religião - a separação entre judaísmo e cristianismo somente veio ocorrer depois. 

E o fato de não haver ainda uma religião cristã estruturada não impediu que muitas pessoas se convertesse e tivessem  suas vidas transformadas pelo Evangelho de Jesus. Tornaram-se cristãs de verdade mesmo sem haver ainda uma religião cristã.

Não é frequentar uma igreja 
Muitos cristãos já viveram em lugares onde era proibido se reunir ou até mesmo não tinham com quem ter comunhão (p. ex. quando estavam presos). Mas nem por isso deixaram de exercer sua fé.

Não estou aqui dizendo que o cristão não deva frequentar uma igreja e até acho difícil alguém exercer sua fé de forma isolada (veja mais). Mas não basta frequentar uma igreja para se tornar um cristão verdadeiro, é preciso mais.

É SEGUIR UMA PESSOA
Depois de ver o que não é ser cristão, embora possa parecer assim, posso ir ao cerne da resposta. Trata-se de ter um relacionamento pessoal com Jesus

Alguém pode ser budista, por exemplo, sem qualquer relacionamento pessoal com Budda - basta conhecer e obedecer os ensinamentos daquele filósofo. Mas não é possível ser cristão sem se relacionar pessoalmente com Jesus

Ser cristão é muito mais do que obedecer um conjunto de doutrinas, seguir uma religião constituída ou mesmo frequentar uma igreja. É aceitar Jesus como Salvador e passar a ter comunhão com Ele. Ter confiança que Jesus é o único Caminho para Deus, a Verdade e a garantia de Vida Eterna (João capítulo 14, versículo 6). 

É caminhar diariamente com Jesus, com o apoio do Espírito Santo, tendo certeza que os próprios pecados serão perdoados mediante o sacrifício d´Ele na cruz. E que a própria vida será transformada para sempre.

Com carinho

sábado, 18 de abril de 2015

O PROBLEMA É A IMPUNIDADE...

São tantas os escândalos de corrupção no Brasil que eles acabam gerando nas pessoas de bem uma sensação de desalento - parece ser que o Brasil não tem jeito mesmo. Que o brasileiro é um dos piores povos que existem. 

Mas não é bem assim. Podemos até ser menos educados, mas não somos piores do que ninguém - temos, na média, os mesmos defeitos e qualidades que os demais povos. 

Hoje dei uma olhada no Estadão e encontrei as seguintes notícias de corrupção internacional:
  • A autoridade da ONU encarregada de gerenciar a crise humanitária no Haiti está sendo processada por uma série de atos corruptos. Foram cometidos ao longo de vários anos muitos desvios de verbas que deveriam ter sido usadas para ajudar a sofrida população do Haiti. Uma vergonha.
  • Um importante político espanhol, que foi gerente do FMI e ministro do governo do seu país, foi preso e está sendo acusado de vários atos de corrupção.
  • Vários agentes do DEA, órgão norte-americano de combate às drogas, estão sendo processados porque participaram de orgias promovidas por carteis de drogas colombianos. Chocante, para dizer o mínimo.

O fato é que a corrupção existe em todos os lugares. A diferença é que nos países mais desenvolvidos, quando os(as) corruptos(as) são pegos(as), as punições são exemplares. E essa ainda não é a realidade no Brasil - há sinais que as coisas estão mudando, mas nossa realidade ainda é o império da impunidade.

E isso ocorre porque o brasileiro, por causa da forma como foi educado e aprendeu a viver, é excessivamente tolerante com as violações da lei. Pequenas coisas - como dar dinheiro para o policial livrar uma multa ou contratar um parente para uma função pública para a qual a pessoa não está qualificada - são consideradas normais. E não deveriam ser encaradas dessa forma - nos países mais desenvolvidos não é assim.

E esse clima de tolerância excessiva acaba colaborando para que a maioria das transgressões fiquem impunes. E é a sensação de impunidade que acaba incentivando os corruptos a agir.

O que a Bíblia diz sobre isso tudo? Primeiro, ela concorda com a tese que todos(as) somos igualmente pecadores(as) - ninguém é intrinsecamente melhor do que ninguém.

O que nos torna diferentes é o Evangelho de Jesus. Em outras palavras, trata-se da mudança interior que ocorre depois que se aceita Jesus como Salvador e nos faz buscar ficar mais parecidos com Ele, com a ajuda do Espírito Santo. A Bíblia chama isso de santificação. Mas no seu estado natural, os seres humanos têm mais ou menos os mesmos defeitos e qualidades.

Em segundo lugar, a Bíblia ensina que as pessoas precisam passar a ter consciência da importância do pecado. Para Deus não há pecados maiores e menores - qualquer pecado é uma transgressão da sua lei e afasta o(a) pecador(a) d´Ele. Simples assim. 

E essa percepção do pecado falta a boa parte do povo brasileiro, daí a excessiva tolerância das pessoas com o que está errado. E aqueles(as) que tentam alertar o povo sobre essa questão são muitas vezes chamados de moralistas, intolerantes, etc. São desacreditados de alguma forma pela mídia para que sua mensagem não prospere.

Finalmente, posso afirmar que está faltando cristianismo na sociedade brasileira, isto é mais cristãos(ãs) verdadeiros atuando na nossa sociedade. Afinal, a Bíblia ensina que eles(as) devem funcionar como o fermento que leveda (muda) a massa (o meio onde vivem). E não há dúvida que tem faltado fermento na sociedade brasileira. 

A maioria dos nossos líderes religiosos são tímidos nas suas posições. E muitos daqueles que tem coragem de falar defendem teses tão descabeladas que acabam por atrapalhar mais do que ajudar. 

A verdade é que há um vazio não preenchido por ninguém. Pena, mas é verdade. Basta acompanhar as manifestações referentes às corrupções que foram ultimamente identificadas no Brasil: quais líderes cristãos(ãs) tem se posicionado com vigor contra esse estado de coisa? Quais líderes têm proposto alternativas para nossa sociedade?

Infelizmente há um vazio que precisa ser preenchido pelos(as) líderes cristãos(ãs). É triste mas essa é a realidade que vivemos.

Com carinho

terça-feira, 14 de abril de 2015

COMO ENCONTRAR SENTIDO PARA SUA VIDA

Dados divulgados pelo Google informa que todos os dias cerca de 20 mil pessoas fazem buscas relacionadas com o tema "sentido para a vida". Essa estatística reflete a enorme preocupação que todos nós temos de dar um propósito adequado para nossas vidas.

Afinal, precisamos de boas razões para levantar da cama de manhã e seguirmos ao longo do dia, enfrentando as dificuldades e lutas das nossas vidas. Precisamos ter boas razões também para formar planos para nosso futuro e irmos atrás deles. E até para enfrentar a morte, nossa realidade última. 

Há várias respostas-padrão para a pergunta: qual é o sentido para avida. Elas foram desenvolvidas em diferentes culturas e circunstâncias ao longo da história humana. E quando uma pessoa aceita uma dessas respostas como padrão para sua vida, seu comportamento e tudo que faz passa a ser influenciado por essa escolha. Isso define a escolha de suas prioridades, o esforço que coloca em cada atividade, onde encontra realização na sua vida, etc.

Vamos comparar quatro dessas respostas alternativas e ver o que a doutrina cristã tem a dizer a respeito dessa questão: 

1. A vida não tem sentido, vale apenas o aqui e agora

Friedrich Nietzsche disse que a vida não tem mesmo sentido, Bertrand Russell disse que, por causa disso, só nos resta conviver com o desespero da condição humana e Albert Camus completou que o melhor mesmo era apelar para o suicídio (o que ele de fato fez).

Decidir que a vida não tem qualquer sentido é a posição adotada pelos ateus convictos. Se não existe nada além do mundo material, vale apenas o que se faz aqui e agora. E quando morremos, tudo se acaba. Uma perspectiva assustadora mas aceita por muita gente.


2. O sentido da vida é um mistério
Num episódio do desenho "Os Simpsons", o pai, Homer, perguntou a Deus qual era o sentido para a vida. Quando Deus começou a responder, o episódio propositalmente acabou e a resposta ficou incompleta. 

E assim é para muitas pessoas: simplesmente não conseguem achar sentido para suas vidas. Aí se defendem dizendo que a vida é um mistério e deve simplesmente ser vivida, sem maiores preocupações. E vão vivendo na base do “deixa a vida me levar, vida leva eu…”, como diz uma conhecida música. 

3. O sentido é o que a pessoa consegue dar 
Uma resposta muito comum hoje em dia é: o sentido para a vida é alcançar a felicidade. E felicidade tem a ver com conseguir aquilo que desejamos, por exemplo, sucesso profissional, uma boa família, saúde e estabilidade financeira.

Em outras palavras, o sentido para a vida vai ser encontrado na própria vida, nas coisas que obtidas a partir dela. Mas isso não funciona porque o sentido de uma coisa não pode vir dela mesma. É preciso haver uma referencia maior, externa a essa coisa.

Por exemplo, quando dizemos que algo é bom precisamos ter antes uma definição do significado de "bem". Por exemplo, digamos que a definição de "bem" seja o respeito à vida humana. E a partir dessa definição podemos dizer que melhorar as condições de vida das pessoas é uma coisa boa. Repare que a avaliação de que um ato é bom veio de uma definição anterior, externa.


Portanto, o sentido para a vida não pode ser simplesmente vivê-la bem, seja lá o que isso queira dizer. E quando tentamos fazer isso alguma outra coisa, externa, vai aparecer para dominar a cena, mesmo que não consigamos perceber.

É por isto que alguns homens de negócios ficam ricos e continuam a trabalhar porque o sentido para suas vidas é, na realidade, ganhar dinheiro. Assim também os artistas nunca querem perder a fama porque isso que os faz sentir-se importantes. E uma dona de casa entra em crise quando os filhos que criou vão cuidar da própria vida - a síndrome “do ninho vazio” - pois o papel de "mãe", que deu sentido para sua vida, tornou-se secundário dentro da família.

O sentido para a vida, seja qual for, precisa ser encontrado fora dela, além dela. Simples assim.

4. O sentido foi estabelecido na criação

Todos nós criamos coisas: uns pintam, outros fazem artesanato, outros ainda fundam empresas e assim por diante. E quando criamos algo, sempre temos um propósito em mente para nossa criação - aquela peça de crochê vai para a netinha, a empresa vai me gerar muito dinheiro e assim por diante. Ninguém cria somente pelo prazer de criar. E por que seria diferente com Deus? 

Se Ele nos criou, tinha um objetivo para nós em mente. Um propósito. E pode ter certeza que não é nos fazer felizes, se definirmos felicidade como conseguir aquilo que queremos. Assim, a resposta correta para o sentido para a vida é aquele que Deus estabeleceu ao nos criar. 

E a Bíblia ensina que esse objetivo é estar em comunhão com Ele, cumprindo sempre sua vontade nas nossas vidas. É isso, e somente isso, que dá sentido para nossas vidas. 
 
Como Deus dá sentido para nossas vidas
E Deus faz isso de três formas:   

  • Convidando-nos para participar da vida d´Ele. Jesus disse que quem viesse até Ele beberia "água viva" e nunca voltaria a ter "sede" (João capítulo 7, versículo 38). E que Ele enviaria o Espírito Santo para habitar conosco (João capítulo 14, versículos 23 a 26). E com o Espírito Santo presente, tudo aquilo que era comum, tornar-se especial. Passa a ter outro sentido. Foi isso que o monge Lawrence descobriu quando trabalhava na cozinha do seu convento e passou a fritar panquecas para a glória de Deus. Madre Teresa de Calcutá aprendeu o mesmo ao cuidar dos pobres e passou a ver o rosto de Cristo em cada pessoa de quem cuidava. E é o que você também descobrirá, se o Espírito Santo preencher sua vida.
  • Incluindo-nos na história do seu povo. Essa história começou com Abraão (Gênesis capítulo 22 em diante) e terá fim quando o mundo for restaurado e não houver mais sofrimento (Apocalipse capítulos 21 e 22). E essa história dá contexto para nossas vidas, esperança e mecanismos para interpretar nossas experiências diárias. 
  • Chamando-nos a participar da sua obra. Quando respondemos positivamente ao seu chamado, o Espírito Santo passa a trabalhar em nossas vidas, mudando nosso interior (Filipenses capítulo 2, versículo 3). E assim, será através de nós que Deus falará, curará, confortará, ensinará e amará as pessoas. Será ainda através de nós que Ele alimentará, abrigará, aquecerá e protegerá os pequeninos. E não há sentimento de realização maior.   

Com carinho

domingo, 12 de abril de 2015

O QUE ME FALTA AINDA?

"...um jovem disse-lhe: Bom Mestre, que bem farei para conseguir a vida eterna? E ele disse-lhe: ...Se queres, porém, entrar na vida [eterna], guarda os mandamentos. Disse-lhe ele: Quais? E Jesus disse: Não matarás, não cometerás adultério, não furtarás, não dirás falso testemunho; Honra teu pai e tua mãe, e amarás o teu próximo como a ti mesmo. Disse-lhe o jovem: Tudo isso tenho guardado desde a minha mocidade; que me falta ainda? Disse-lhe Jesus: Se queres ser perfeito, vai, vende tudo o que tens e dá-o aos pobres, e terás um tesouro no céu; e vem, e segue-me. E o jovem, ouvindo esta palavra, retirou-se triste, porque possuía muitas propriedades." Mateus capítulo 19, versículos 16 a 23
Essa história é muito interessante. Trata-se do diálogo de Jesus com um jovem rico. O rapaz era seguidor fiel do judaísmo - afirma isso expressamente e Jesus não o contesta. Mas o jovem sabia que isso não era suficiente. Faltava-lhe alguma coisa importante. E ele queria saber de Jesus o que era.

Jesus respondeu indo ao cerne da questão: disse ao jovem para vender tudo e segui-lo. Agora, é importante entender bem essa resposta. Jesus não estava estabelecendo a doutrina que os(as) cristãos(ãs) precisam vender tudo para poder segui-lo. Basta lembrar que Jesus não fez o mesmo tipo de pedido para outras pessoas - fez isso apenas para aquele jovem.

E Jesus teve uma razão forte para fazer isso: queria demonstrar que as posses materiais eram a coisa mais importante na vida daquele jovem - por isso ele ficou tão triste com o pedido de Jesus. O jovem até cumpria os mandamentos, mas não dava prioridade a Deus, nunca entregou seu coração a Ele. Sua religião era fria e legalista. 

Conheço algumas pessoas nessa mesma situação - até tentam seguir o cristianismo, mas suas vidas espirituais são limitadas exatamente porque nunca tomaram a decisão de dar prioridade a Jesus. Outras coisas - família, emprego, sucesso, bens materiais, conforto, lazer, etc - vêm na frente. Deus fica com o tempo que sobra. Simples assim. 

Alguns até se iludem pensando que vão conseguir fazer essa transformação pouco a pouco. Passo a passo. Mas não é isso que a Bíblia fala. Ela ensina que tudo começa com uma decisão pessoal de entregar a vida a Jesus. Esse é o primeiro e mais fundamental passo. A decisão vem sempre antes e, sem ela, Jesus nunca vai ocupar o lugar que merece. 

A mudança de hábitos e de práticas de vida vem depois dessa decisão, quando a pessoa passa a contar com o apoio e a orientação do Espírito Santo. Mas tudo nasce quando a pessoa decide de fato entregar sua vida a Jesus.

Com carinho 

sexta-feira, 10 de abril de 2015

A GENTE SE ACOSTUMA ... MAS NÃO DEVERIA

Temos grande capacidade de nos acostumarmos às coisas ruins que vemos e vivemos. E isso é até uma forma de auto-defesa. Mas essa mesma capacidade muitas vezes se torna algo nociva, pois ela acaba por nos anestesiar - nos deixa sem condições de reagir contra o que está errado. 

Notícias de morte violenta nos horrorizam por algum tempo e depois seguimos em frente como se nada tivesse acontecido. Pessoas miseráveis quase não nos chamam mais a atenção ao passarmos por elas na rua. A corrupção desenfreada em Brasília nos choca, mas nos consolamos ao dizer que os políticos não prestam mesmo e/ou que vamos anular o voto na próxima eleição. A ineficiência e o desperdício nos serviços públicos nos incomodam, mas nos consolamos dizendo que as coisas são assim mesmo. 

E as pessoas dizem que não têm Jesus no coração e ficamos preocupados por algum tempo com a salvação delas e depois vamos em frente. E as pregações de tele-evangelistas nos causam repugnância, por usarem a Bíblia para conseguir dinheiro, e seguimos em frente. E assim por diante.

Mas Jesus não agiu assim - Ele não deixou para lá o que estava errado. Por exemplo, quando viu os sacerdotes fazendo do Templo de Jerusalém um local de comércio, aproveitando-se da religiosidade do povo, Ele se revoltou e expulsou os vendedores que ali estavam. Ao perceber que os fariseus queriam impor ao povo uma religião legalista e hipócrita, levantou sua voz e fez as críticas e alertas necessários. E agiu assim em muitas outras ocasiões. Em boa parte, foi por causa disso que acabou condenado e morto.
 
E há outros cristãos que não temem seguir o exemplo de Jesus, mesmo enfrentando críticas por sua posição firme. Por exemplo, tempos atrás, o pastor Billy Graham publicou uma carta aberta no seu site. Para quem não o conhece, trata-se do pregador que falou do Evangelho de Jesus para mais pessoas em toda história, através de centenas de cruzadas evangelísticas que realizou em todo o mundo. Hoje, com mais de 90 anos, ele é considerado uma “reserva moral” da sociedade norte-americana. 

Na oportunidade a que me refiro, o pastor Graham saiu da sua zona de conforto e levantou sua voz contra aquilo que entendia estar errado no seu país. E muito do que ele fala se aplica também ao Brasil. Por isso julguei importante transcrever aqui parte da sua mensagem:
Anos atrás, minha mulher, Ruth, estava lendo a minuta de um livro meu. Quando ela terminou um capítulo, que descrevia a espiral descendente dos padrões morais vigentes em nosso país e o crescente culto a falsos deuses, como a tecnologia ou o sexo, ela me causou espanto ao afirmar: “Se Deus não punir os Estados Unidos, Ele vai ter que pedir desculpas a Sodoma e Gomorra.” 
... Eu fico imaginando o que Ruth pensaria dos Estados Unidos se ela estivesse viva hoje. Desde que ela fez aquela observação, milhões de bebês foram abortados e nosso país não parece nem um pouco preocupado. Autoindulgência, orgulho e falta de vergonha pelo pecado cometido são hoje emblemas do estilo de vida norte-americano ... Nossa sociedade faz esforços para não ofender qualquer pessoa – exceto Deus.  
… A notícia maravilhosa é que nosso Deus é misericordioso e Ele responde ao arrependimento. Nos dias do profeta Jonas, Nínive era a única superpotência do mundo – rica, sem preocupações e autocentrada. Quando Jonas finalmente viajou para Nínive e transmitiu ao seu povo o alerta de Deus, as pessoas ouviram e se arrependeram... [e Deus desistiu de puni-las] ... 
Faça como Jesus. Siga o exemplo do pastor Graham. Não se acostume ao que estiver errado. Exerça sempre sua capacidade de se indignar, de criticar e de falar o que for necessário. Isso pode significar, algumas vezes, ter que sair da sua zona de conforto e até receber críticas. Mas pelo menos você terá sua consciência tranquila por ter feito sua parte para ajudar a construir um mundo melhor. 

Com carinho

quarta-feira, 8 de abril de 2015

AS CRIANÇAS SÃO CAPAZES DE TER FÉ?

"Ensina a criança no caminho que deve andar e ainda quando for velho não se desviará dele"     Provérbios capítulo 22, versículo 6
Os pais devem ensinar desde cedo para as crianças as coisas do cristianismo? Ou devem deixar que elas cresçam e façam suas próprias escolhas quando maiores?  

O livro "Born believers: the science of children's religious belief” ("Nascidos crentes: a ciência da crença religiosa"), escrito pelo psicólogo Justin Barrett, professor do Seminário Teológico Fuller, apresenta os resultados de um estudo feito a respeito dessa questão. E os resultados concordam inteiramente com os ensinamentos da Bíblia, resumidos no versículo que abre este post. isto é, é importante sim ensinar as crianças desde cedo os caminhos do cristianismo.

O estudo demonstrou que Deus é um conceito presente na vida das crianças desde muito cedo, independentemente da ação dos pais. As crianças nascem com mentes receptivas à ideia de Deus e é natural para elas o conceito de um Criador para tudo que nos rodeia.

A pesquisa mostrou também que as crianças têm pré-disposição para ver o mundo natural como tendo um propósito. Elas percebem que há uma ordem na natureza e intuem que essa ordem não apareceu por acaso. Mas não conseguem sozinhas discernir quem produziu tal ordem. Na verdade, as crianças procuram automaticamente encontrar o Criador.

E não se trata de uma crença infantil, como aquela que elas desenvolvem em Papai Noel. A pesquisa mostrou que há diferenças importantes entre a crença em Deus e no "bom Velhinho". Para as crianças, esse personagem é como um super-herói, que produz alguns efeitos no mundo, mas sua importância é restrita. Definitivamente Papai Noel não preenche o espaço conceitual de um Criador do mundo.

Tudo isso demonstra mais uma vez que a Bíblia está certa: os pais têm responsabilidades importantes na educação das crianças. E a primeira delas é falar com elas sobre Deus. Explicar-lhes quem é esse Ser todo poderoso, onipresente, etc. Daí pode se caminhar, aos poucos, para fazê-las entender quem é Jesus e sua importância para a humanidade. 

É óbvio que as crianças, depois de crescerem, farão suas próprias escolhas. Mas se não tiverem desenvolvido a noção natural de Deus, que tinham quando muito jovens, outras coisas irão preencher esse espaço. Se os pais não falarem de Deus para seus filhos(as), outros agentes (professores, televisão ou colegas) vão ocupar esse espaço e irão transferir seus próprios conceitos para as crianças.

O segundo ensinamento proporcionado pelo estudo é que as crianças não têm qualquer dificuldade para entender Deus. O fato é que conceitos que parecem difíceis para os adultos podem ser fáceis para elas. Por exemplo, as crianças aprendem novas línguas ou música com muito maior facilidade do que os adultos. O mesmo se dá em relação a aos atributos de Deus. 

Portanto, se as crianças não forem ensinadas sobre Deus até por volta dos 8 anos, uma grande oportunidade terá sido perdida. 

O terceiro ensinamento está relacionado com o exemplo que os pais precisam dar. As crianças precisam ver os adultos nos quais se espelham praticando a religião que lhes é ensinada. Elas precisam entender que o cristianismo é uma parte orgânica da vida dos seus pais, presente no seu dia a dia, e não algo meio separado, artificial, que se faz presente somente quando a família vai à igreja aos domingos.

E é aí que as crianças aprendem a diferença entre saber sobre Deus e ter um relacionamento com Ele, que o torna presente no dia-a-dia da vida humana. 

Com carinho