domingo, 29 de julho de 2012

POBRE MENINA RICA: QUEM PODERÁ SALVÁ-LA?

A atriz Kristen Stewart ficou famosa como a heroína da série Crepúsculo. Galgou rapidamente o estrelato e, com apenas 22 anos já é rica e famosa. Em junho passado, ela deu uma entrevista para a revista Elle, onde disse literalmente o seguinte: "Você aprende muito com as coisas ruins. Estou cansada. Sinto algo, como, 'por que as coisas são tão fáceis para mim? Mal posso esperar para que algo louco aconteça comigo. É a vida. Quero que alguém me ferre!"  

Hoje ela está nas manchetes por ter tido um caso com o diretor do seu último filme (casado e com dois filhos), revelado publicamente através de fotos comprometedoras. Pelo menos ela teve a decência de reconhecer seu erro e pedir desculpas àqueles a quem feriu.

Olhando de fora, tudo parece uma loucura. Uma pessoa ainda jovem recebe tudo num bandeja - fama, riqueza, talento e beleza. E, como não é totalmente alienada, é capaz de perceber o tamanho desse privilégio, que ela mesma reconhece não ter feito por merecer. Sentindo-se cuulpada, pasasa desejar que algo de ruim lhe aconteça,  para se sentir mais normal. Assume então um comportamento autodestrutivo – tem um caso com um homem casado, à vista de todo mundo – para que sua “profecia” venha a se cumprir. E acaba ferrada aos olhos de todos.   

Essa história surpreendente, que ainda está longe de acabar, demonstra bem dois tipos de problemas que são terríveis na vida de qualquer ser  humano e que são muito mais frequentes entre as pessoas privilegiadas (ricas, bonitas, poderosas, famosas, etc):
 

“Ter” não é melhor do que “ser”
Eu já comentei várias vezes neste blog (XXX) que vivemos numa sociedade onde o sucesso é medido pelo que as pessoas têm: dinheiro, fama, poder, beleza, etc. E não importa como isso foi conseguido. 


Quem tem é um sucesso, mas quem não tem é um fracasso. Nesse tipo de sociedade, Kristen Stewart é um sucesso, enquanto Jesus foi um fracasso. Afinal, Ele não teve dinheiro, poder, beleza e sua fama só lhe trouxe problemas. 

No entanto, apenas com o poder da sua palavra e do seu exemplo de vida, Ele mudou a história da humanidade. É que na verdade Jesus foi um sucesso quando as coisas são medidas pelo que se é e não pelo que se tem. Era sábio, bom, paciente com as falhas do ser humano e amoroso, de uma forma além da nossa compreensão (morreu por nós).   

E é interessante perceber que Kristen tem noção de não ser o sucesso que todos querem ver nela. Percebe que tudo lhe veio muito fácil e que há algo de distorcido no “conto de fadas” que vive. Isso até é um avanço porque outras pessoas na mesma condição tornam-se arrogantes e acabam concluindo que são mesmo especiais.  

A primazia do "ter" sobre o "ser" é péssima, pois torna a sociedade materialista e tira importância das questões espirituais. Kristen talvez não consiga ver as coisas dessa forma clara, mas percebe que há algo de errado, de muito errado.

Não é possível ser feliz sem Deus
O segundo problema que transparece no depoimente de Kristen é o vazio que fica no interior do ser humano que não se relaciona intimamente com Deus. Ela sabe não ter merecido aquilo que tem, mas em momento nenhum procura entender de onde lhe veio as bençãos recebidas. E se tivesse essa preocupação, poderia demonstrar gratidão a Deus, colocando seus recursos e talento em prol de causas nobres. Mas ela vai por um caminho diferente e muito estranho: passa a desejar uma vida menos privilegiada, para não se sentir tão culpada.   


O fato é que fomos criados para viver em comunhão e harmonia com nosso Criador. O ser humano nunca atinge a felicidade plena sem estar junto a Deus. Um exemplo ajuda a explicar bem isso: também fomos feitos para conviver com outras pessoas e, por causa disso, a solidão é das piores coisas, pois deixa um enorme vazio na vida do solitário.  
  
O vazio causado pela necessidade de Deus não pode ser preenchido por nada material, assim como acontece com a solidão. Somente a presença de Deus em nossa vida elimina esse vazio. E é por isso que vemos tantos artistas, políticos, esportistas e socialites, pessoas altamente privilegiadas, profundamente infelizes. Muitas chegam a se autodestruir por conta das drogas e bebida.  

Palavras finais
Eu não sei o que vai acontecer na vida de Kristen Stewart, mas somente desejo o bem para ela. E ela até demonstra uma percepção e humildade acima daquilo que vemos em outras pessoas privilegiadas. 


Mas sem resolver essas duas questões importantes – passar a privilegiar o “ser” sobre o “ter” e se aproximar realmente de Deus – ela não vai resolver suas questões existenciais. Nem ela, nem nenhum de nós, pois estamos todos no mesmo barco. 

Com carinho

quarta-feira, 11 de julho de 2012

O SIGNIFICADO DA "PARTÍCULA DE DEUS" PARA OS CRISTÃOS

O nome técnico da chamada “partícula de Deus”, tão comentada na mídia nesses últimos dias, é bóson de Higgs. A existência dessa partícula foi postulada por um físico britânico chamado Peter Higgs, mas até agora não tinha sido provada sua existência, pois trata-se de algo extremamente difícil de encontrar. Foi preciso um projeto (chamado CERN) que juntou vários países e custou cerca de 10 bilhões de dólares, para conseguir essa prova. Tanto é assim que o próprio Higgs sempre achou que não veria em vida sua teoria comprovad - agora ele certamente vai ganhar o prêmio Nobel.

Higgs pode fazer essa previsão porque existe um modelo padrão para o átomo. Esse modelo começou a ser construído no início do século passado por cientistas como Niels Bohr. Aos poucos, outros cientistas foram completando o modelo, que foi se tornando mais complexo: é esse modelo que fala da existência e do papel do neutron, do elétron, do próton, dos quarks, etc.
Usando esse modelo, Higgs percebeu que faltava uma partícula, ou seja havia algo ainda não descoberto que era necessário existir para que as contas fechassem. Tal partícula era do tipo bóson – não vou nem tentar explicar o que é isso aqui, para não complicar as coisas. E deram o nome do descobridor para o tal bóson, como é comum na ciência.
Segundo a física, o universo começou com uma explosão de um “ovo” de energia, o Big Bang, cerca de 13,7 bilhões de anos atrás, explosão essa que permitiu a formação de toda a estrutura de galáxias, estrelas e planetas que existe hoje. E o bóson de Higgs foi o fósforo que acendeu o pavio dessa explosão.
Na verdade essa partícula explica porque as coisas têm massa. E a existência de massa é muito importante, pois além de explicar o Big Bang, esclarece a força da gravidade que mantém os corpos celestes nas suas órbitas e, portanto, a organização do cosmos.
O apelido “partícula de Deus” foi proposto por outro cientista, ganhador do prêmio Nobel, Leon Lederman, no seu livro de mesmo nome. Veja o que ele disse:

“Esse bóson é tão central para o estado da física de hoje, tão crucial para nosso entendimento final da estrutura da matéria, entretanto tão difícil de detectar, que eu dei-lhe um apelido: a partícula de Deus. Por que? ... por que existe uma conexão, de certa maneira, com outro livro, esse muito mais antigo [se referindo ao Gênesis].”
Ora, por causa do apelido, muitas pessoas pensam que há conexão entre essa descoberta e os ensinamentos da Bíblia – o bóson de Higgs iria provar ou não a existência de Deus ou o relato da criação do mundo contido no Gênesis. Nada disso: a confirmação da existência dessa partícula pode iluminar a teoria adotada pela física para o Big Bang e a gravidade, mas nada fala de Deus.
Para nós cristãos, portanto, essa descoberta é muito interessante no sentido que ela reforça a teoria do Big Bang e essa teoria comprova que o universo teve início e isso aponta diretamente para Deus, conforme já comentei em outro texto aqui no blog. Somente isso. O que passar daí é pura fofoca.

Com carinho

segunda-feira, 9 de julho de 2012

AS DEZ HISTÓRIAS MAIS POPULARES DA BÍBLIA 2ª parte

Essa é a segunda parte do estudo. Leia a primeira parte antes.

5) O bom samaritano (Lucas capítulo 10, versículos 30 a 37)
Diferentemente das demais, essa não é uma história e sim uma parábola ensinada por Jesus. Nela Jesus conta o caso de um judeu que estava viajando de Jerusalém para Jericó e, no caminho, foi assaltado, espancado e deixado à beira da estrada como morto. Por ali passaram um sacerdote que, ocupado, passou de largo e nada fez pelo homem ferido. Depois um levita (pessoa que auxiliava nas atividades do Templo em Jerusalém), que fez o mesmo. Finalmente passou um samaritano, que teve pena do homem e cuidou dele.

Esse relato é ainda mais chocante se for levado em conta que os samaritanos eram considerados impuros pelos judeus, que não se relacionavam com eles.

E foi justamente esse homem desprezado que, sem ter qualquer responsabilidade, exceto a que lhe dava o dever do amor ao próximo, saiu do seu caminho para ajudar quem necessitava. Enquanto isso, as pessoas relacionadas com a religião constituída - o sacerdote e o levita - passaram ao largo. Preocupados que estavam com seus afazeres religiosos, esqueceram de viver o que ensinavam.

4) José e seus irmãos (Gênesis capítulos 37, 39 a 46)
Jacó (também chamado Israel) teve duas esposas – Lia e Raquel. Ele amou mais a segunda e isso sempre foi claro para toda a sua família. Jacó teve doze filhos homens (os precursores das tribos de Israel), mas apenas dois dentre eles lhe foram dados pela esposa amada: José e Benjamim. Por ser o primogênito entre os filhos da mulher amada, José era o preferido do pai, que o cumulava de atenções e presentes.

Um dia, os irmãos mais velhos, enciumados, venderam José como escravo e disseram para o pai que ele tinha sido morto por um animal feroz. José foi levado ao Egito, onde passou por várias peripécias, mas nunca deixou de confiar em Deus.

Um dia, quando estava preso, foi chamado para interpretar um sonho do faraó, que ninguém pudera explicar. José tinha esse dom dado por Deus e interpretou o sonho corretamente. Com isso ganhou a confiança do faraó e acabou se tornando o segundo homem mais importante do Egito.

Tempos depois, seus irmãos mais velhos apareceram no Egito para comprar comida, pois havia grande fome naquela parte do mundo. José reconheceu os irmãos e após, alguma hesitação, perdoou-os. Toda a família, inclusive Jacó, que ainda era vivo, mudou-se para o Egito, onde prosperou muito.
Essa história fala da capacidade de perdoar e de como os planos de Deus são maravilhosos: o que parecia ser uma desgraça para José (sua venda como escravo), acabou sendo o mecanismo através do qual sua família pode ser salva. José, por sua capacidade de perdoar e por ter se mantido fiel a Deus, no meio de todas as dificuldades, é um dos heróis da Bíblia.  
3) A crucificação de Jesus (Mateus capítulo 27)
Os quatro Evangelhos relatam os momentos finais de Jesus, desde o fim da última ceia: sua passagem pelo Jardim das Oliveiras, prisão, interrogatório e condenação à morte.

Depois ainda relatam a tortura pela qual passou, seu trajeto por Jerusalém, carregando a trave da própria cruz e a crucificação, que durou 6 horas. Os relatos terminam com a agonia e morte de Jesus e seu enterro apressado.

A crucificação de Jesus é o momento crucial do cristianismo, que culmina com sua ressurreição e subida aos céus. E por causa disso que a religião cristã existe. 
2) Davi e Golias (1 Samuel capítulo 17)
Um gigante, chamado Golias, era o mais forte homem do exército dos filisteus, que estava enfrentando Israel. A proposta dos filisteus foi fazer Golias lutar com algum valente de Israel e que o resultado da luta fosse declarado como o resultado da guerra entre os dois povos, poupando vidas.

Nenhum guerreiro do lado de Israel se atreveu a enfrentar Golias, mas Davi, um simples pastor de ovelhas, indignado com as ofensas que os filisteus faziam a Deus, resolveu ir em frente, escorado na sua fé no SENHOR.
Foi e venceu, usando uma simples funda – espécie de atiradeira – para cravar uma pedra na testa de Golias. E assim os israelitas sairam vitoriosos e a fama de Davi começou a crescer no meio do seu povo. Davi acabaou o segundo rei da história de Israel e uma das figuras mais queridas pelos judeus.

A história da luta do bem contra o mal, numa situação onde toda vantagem parece estar do lado do mal, cujo conceito nasceu nesse episódio da vida de Davi, já foi reproduzida, com diferentes personagens e cenários, em filmes, livros e peças de teatro. É algo que sempre estimula o imaginário do ser humano.
1) O nascimento de Jesus (Mateus capítulos 1 e 2; Lucas capítulo 2)
A viagem de Maria e José, ela já em estado adiantado de gravidez, partindo de Nazaré onde viviam, para Belém, com o objetivo de se cadastrar num recenseamento, é conhecida de quase todo mundo. É a história do Natal, do nascimento do menino Jesus.

Ao chegarem a Belém, com Maria já sentindo as primeiras dores do parto e não havendo hospedaria onde ficar, a família acabou num estábulo, onde Jesus nasceu. Após o nascimento, o bebê foi colocado num coxo, onde os animais comiam.

E nesse ambiente humilde, nasceu o nosso Senhor, Salvador e Rei. Ali Ele foi visitado e adorado por pastores, que foram avisados por anjos do acontecido pelos três reis magos, que viram sua estrela no céu.

E assim, Jesus começou sua vida entre os seres humanos.

Palavras finais
As histórias mais populares da Bíblia nos ensinam a ter fé em Deus, em qualquer circunstância; dos planos d´Ele para a humanidade, da nossa obrigação de amar o próximo e de obedecer aquilo que Deus nos pede, sob pena de nos alienarmos do seu convívio. Finalmente falam do papel de Jesus como nosso Salvador.  

Elas, de certa forma, resumem a mensagem de toda a Bíblia. Trata-se de leitura muito importante e agradável. Vale a pena o investimento de tempo.

Boa leitura. Com carinho

domingo, 8 de julho de 2012

AS DEZ HISTÓRIAS MAIS POPULARES DA BÍBLIA 1ª parte

Recentemente fiz uma pesquisa para descobrir quais são as histórias mais populares da Bíblia – esse estudo é irmão daquele que fiz sobre os dez versículos mais populares (ver o post ).

As listas existentes das dez histórias mais populares variam um pouco entre si, mas na sua essência há uma boa concordância sobre quais histórias causam mais impacto no imaginário das pessoas.

Três dessas história se referem a Jesus, como seria de se esperar. Uma delas é uma parábola contada por Ele. Outras cinco são histórias de herois do povo de Israel, relatadas no Velho Testamento. A última está logo no início da Bíblia e fala das origens da humanidade.

Aí vai a lista, começando pela décima história mais popular. Se puder leia cada uma delas diretamente da Bíblia, antes de olhar os meus comentários:

10) A última ceia (Mateus capítulo 26, versículos 17 a 30)
Na sua última noite com os discípulos, antes de ser traído e preso, Jesus fez uma ceia para despedir-se. Durante a refeição, Ele tomou o pão, o partiu e o distribuiu entre os discípulos, dizendo-lhes que aquilo era seu corpo, que iria ser torturado. Depois, tomou o vinho, o distribuiu e disse que aquilo que era seu sangue, que seria derramado em favor de todos nós.

Disse ainda Jesus que deveríamos repetir essa cerimônia em memória d´Ele e aí nasceu o sacramento da comunhão, adotado por todos os cristãos - pode variar na liturgia, na forma como os fiéis participam, mas está sempre presente.

Essa história é fundamental, pois além de explicar como o sacramento da comunhão nasceu, faz-nos refletir sobre o significado do sacrifíco de Jesus.

9) Adão e Eva (Gênesis capítulo 3)
A história de Adão e Eva, da serpente e do fruto proibido faz parte do nosso imaginário. Ela representa a desobediência do ser humano aos mandamentos de Deus – no caso, era proibido comer o “fruto da árvore do bem e do mal”.

A curiosidade do ser humano em saber das coisas, em ter capacidade de escolha livre, em controlar seu próprio caminho, o levou à desobediência com tristes consequências para ele mesmo - a degradação da sua relação com Deus.

Na mesma história, somos introduzidos à figura de Satanás, representado pela serpente, que é o Inimigo implacável do ser humano.

8) Moisés  (ver livro do Êxodo)
Moisés foi um bebê que escapou do massacre de crianças ordenado pelo faraó do Egito, país onde o povo de Israel viveu escravizado por cerca de 400 anos. Sua mãe colocou-o num cesto de vime e o confiou às águas do Rio Nilo, numa enorme demonstração de fé na providencia de Deus

O menino foi encontrado pela filha do faraó, que não tinha filhos e criado como um príncipe egípcio. Cerca de 40 anos depois, Moisés ficou sabendo da sua origem verdadeira e acabou se revoltando contra os maus tratos dos egípcios aos israelitas. Matou um homem, em defesa de um escravo e precisou fugir do Egito.

Foi seu um simples pastor em Midiã, terrítório que fica perto da península do Sinai. Casou-se ali e teve filhos. 40 anos depois, Deus o chamou para ser o libertador do povo de israel. Voltou para o Egito, enfrentou o faraó, com o apoio de Deus, e conseguiu a libertação do povo.
Guiou o povo de Israel por 40 anos, andandp pela península do Sinai, enquanto Deus ensinava aquele bando de escravos a se comportar como um povo. Serviu como intermediário entre Deus e os israelitas - através dele, Deus deu ao povo os dez mandamentos e uma série de outras leis que permitiram a estruturação ds nação.

Morreu antes de entrar na Terra Prometida (Palestina) e é considerado o mais importante profeta da história de Israel - é o típico herói que todos admiram.   
7) Noé (Gênesis capítulos 6 a 8)
Esse homem construiu um enorme navio (arca) em terra seca, seguindo as ordens de Deus. Trabalhou anos a fio nesse projeto, sendo ridicularizado por muitos, que não viam sentido naquele esforço.

Mal sabiam eles que Deus decidira punir a corrupção dos seres humanos através de uma enchente. E quando Deus abriu “as comportas do céu”, a chuva veio em quantidade nunca vista. Noé e sua família se refugiaram na arca, juntamente com um casal de cada espécie de animal e ali ficaram em segurança, por 40 dias, enquanto o mundo era devastado. Ao baixarem as águas, a família de Noé teve como missão recomeçar a história da humanidade.
Noé é o símbolo da obediência irrestrita a Deus.
6) Jonas (ver livro de mesmo nome)
É figura muito interessante e controvertida: instado por Deus para ir até a grande cidade de Nínive, na Assíria, para pregar o arrependimento para o povo, Jonas se recusou e fugiu. Tomou um navio na direção oposta. No trajeto, o navio enfrentou enorme tempestade, que somente foi acalmada quando Jonas foi atirado ao mar - um grande peixe (a Bíblia não fala em baleia) o engoliu e ele ficou no estômago do animal por 3 dias e noites.
Ao se arrepender e orar a Deus, foi vomitado numa praia. Viajou então para Nínive, onde pregou o arrependimento, como Deus lhe ordenara. De forma surpreendente, povo se arrependeu e Deus perdoou a todos.

Jonas ficou zangado porque queria a punição de Nínive e Deus, pacientemente, teve que ensinar-lhe a ter misericórdia.

Jonas é o símbolo de nossas dificuldades: a recusa em obedecer a Deus, a falta de entendimento da sua misericórdia, a dificuldade em perdoar, etc. É uma leitura fascinante.
CONTINUA NA 2ª parte

sexta-feira, 6 de julho de 2012

ATIVIDADES LUCRATIVAS SÃO INFERIORES PARA DEUS?

Um principio largamente aceito no meio cristão é o da separação entre as coisas do mundo secular (relacionadas com a sociedade em geral) e do sagrado (voltadas para Deus e típicas da igreja cristã). O secular estaria contaminado pelo pecado, enquanto o sagrado não.

E essa hierarquização torna-se particularmente aguda, quando, do lado secular, a referencia é a área dos negócios, caracterizado pela busca incessante do lucro. A esse respeito, veja depoimento recente de John Beckett, fundador e dirigente de empresa: 
“Durante anos, pensei que meu envolvimento com os negócios era uma atividade de segunda classe – necessária para colocar pão na mesa, mas menos nobre do que ações mais sagradas, como estar no ministério pastoral ou ser missionário. A impressão que tinha era que, para servir a Deus verdadeiramente, seria preciso entrar no ministério tempo integral. Ao longo dos anos eu encontrei incontáveis pessoas que pensavam da mesma forma."
Mas será que essa hierarquizacão, onde o secular é ruim, de segunda classe mesmo, e o que é considerado sagrado é necessariamente bom, tem respaldo na Bíblia? 

O grande teólogo A. W. Tozer, discutindo essa questão, declarou:


“Um dos maiores obstáculos para haver paz com os cristãos é o hábito arraigado de dividir as coisas em duas áreas, secular e sagrado. Se essas áreas tivessem sido concebidas para existir separadas, sendo moral e espiritualmente incompatíveis, e nós fôssemos compelidos pela necessidade de viver sempre cruzando essa fronteira, para trás e para frente, de uma lado para outro, nossa vida interior tenderia a quebrar e nós viveríamos uma vida partida ao invés de uma vida unificada... A maioria dos cristãos cai nessa armadilha.”
E a armadilha de que fala Tozer poderia ser evitada se houvesse melhor percepção desse problema e menos preconceito. Basta lembrar a convergência que há entre os negócios com as igrejas e/ou organizações assistenciais e não somente por causa da possível ajuda financeira. Toda tecnologia para treinamento de lideranças, planejamento estratégico, controle de resultados, etc, que as igrejas modernas usam, nasceu no mundo dos negócios e foi transplantada para o ambiente do sagrado. 

Mas é fato que há dificuldades a vencer. Primeiro porque os líderes do mundo de negócios e os líderes cristãos têm formação completamente distinta, o que lhes torna difícil interagir de forma produtiva - basta lembrar a diferença que há entre os currículos das escolas voltadas para negócios e os seminários, que parecem vir de planetas diferentes. Mas, o que há nesse caso não é uma separação estrutural e sim de formação, que deveria ser possível corrigir, com treinamento para sensibilização dos dois lados, maior contato, etc. Algumas igrejas já tentam fazer isso promovendo encontros para homens de negócios, com agenda e linguagem adequada para eles, mas isso ainda é excessão.

A segunda dificuldade para promover a aproximação desses dois campos é mais difícil de trabalhar: o mundo dos negócios frequentemente horroriza os cristãos ao tornar a ganância humana tão explícita e por causa de atitudes desumanas tomadas pelos empresários na busca do lucro (exploração do mais fraco, destruição da natureza, corrupção, etc). 

Mas essa dificuldade é mais aparente do que real. Afinal, a ganância é um sentimento nativo do coração humano (Marcos capítulo 7, versículos 21 e 22) e os negócios não são os criadores dela e apenas a tornam mais escancarada. Portanto, participando ou não de negócios, o ser humano se mostrará ganacioso. 

Além disso, Jesus nunca depreciou o mundo dos negócios, até porque Ele foi um pequeno empresário. Com efeito, na época em que Jesus viveu, não havia empresas como as de hoje. Sendo assim, eram os artesãos e operários especializados que funcionavam como pequenos empresários, juntamente com suas famílias.

Ora, Jesus trabalhou por quase duas décadas como tektōn, um pequeno construtor, que trabalhava com madeira, pedra e até metal para construir ou fabricar coisas (Marcos capítulo 6, versículo 3) - a palavra usada para traduzir tektōn, carpinteiro, não caracteriza bem esse aspecto, por isso essa nuance às vezes passa despercebida. E Jesus, como filho mais velho, certamente herdou a liderança do pequeno negócio familiar deixado por seu pai (Mateus capítulo 13, versículos 55 e 56).

A experiência de Jesus no mundo dos negócios explica porque quase 50% das suas parábolas são ambientadas nesse mundo. Por exemplo, ao falar do custo do discipulado cristão, Jesus mencionou que a pessoa devia ter os fundos necessários para completar a obra, antes de dar início a ela (Lucas capítulo 14, versículo 28).  Jesus conhecia o mundo dos negócios por dentro e, sem dúvida, as experiências pelas quais passou ali contribuiram para formar seu caráter e pensamento.

A razão final para justificar a superioridade dada às ativiaddes ligadas ao sagrado sobre o secular, é que como cabe às primeiras implantar o Reino de Deus aqui na terra, é justo elas terem precedência e maior importância.

Mas, antes de tentar reforçar esse ponto de vista, é preciso não esquecer que Deus não chamou a todos para serem pastores, missionários ou cuidadores em tempo integral. A maioria das pessoas têm papéis diferentes a desempenhar na vida. E todos são parte de um conjunto, sendo que cada parte é necessária para o bom funcionamento do todo, assim como ocorre com os orgãos do corpo humano.

Portanto qualquer atividade desenvolvida honestamente e dentro dos preceitos cristãos é agradável aos olhos de Deus.  Não há atividades de segunda categoria e outras abençoadas. O que separa as atividades aos olhos de Deus é a forma como elas são realizadas e os objetivos que as pessoas têm ao desenvolvê-las. O que passar disso é preconceito. 

Com carinho