segunda-feira, 29 de junho de 2015

A GANGORRA DA VIDA

Como caíste do céu, ó estrela da manhã, filho da alva! ... Tu dizias no teu coração: Eu subirei ao céu; acima das estrelas de Deus exaltarei o meu trono ... e serei semelhante ao Altíssimo. Contudo serás precipitado para o reino dos mortos, no mais profundo do abismo.Isaías capítulo 14, versículos 12 a 15
Aquele pois que pensa estar em pé, veja que não caia.” 1 Coríntios, capítulo 10, versículo 12

Num certo momento da minha vida profissional, fiz amizade com o Diretor Técnico de uma grande estatal. Uns três anos depois, com a troca do governo federal, meu amigo perdeu seu cargo, como costuma acontecer nessas posições políticas. Do dia para a noite, passou de executivo poderoso a desempregado. 

Com o passar do tempo, ele percebeu que eram muito poucos os seus amigos verdadeiros. Quando tinha poder, ela vivia cercado de aduladores, mas depois foi abandonado. Lembro-me de ouvi-lo dizer: “Vinicius, o telefone nem toca mais”. Ele nunca mais se recuperou e veio a falecer poucos anos depois.

Se a história humana tem uma coisa constante é a constante subida e descida de pessoas, empresas e nações. Certa vez um político brasileiro, num raro momento de lucidez, reconheceu isso ao declarar: “Eu não sou Ministro de Estado, eu estou Ministro”. 

É isso mesmo: o poder é sempre transitório e um dia acaba. Por exemplo, a Grécia foi o berço de uma civilização admirável - dominou o mundo por alguns séculos e continuou a influenciar muitas nações, como Roma, por mais tempo ainda. Hoje esse país está humilhado - sua economia está numa recessão profunda desde 2009 e a situação está cada vez pior. 


E o que não dizer de Portugal, que dominou os mares no início do sec XV, construindo um grande império. Hoje infelizmente é uma sombra pálida daquilo que já foi. O mesmo se passa com a Espanha e a Inglaterra. Os primeiros sinais da decadência dos Estados Unidos já são visíveis no horizonte.

Há ainda casos interessantes, como o da China, que tinha uma economia maior do que toda a Europa no início da Idade Média, depois caiu e virou uma simples colônia inglesa. Agora volta a uma posição de importância - provavelmente vai se transformar na maior potência econômica do mundo nos próximos anos. Mas isso não será para sempre.

O mesmo acontece com as empresas poderosas - há muitas histórias desse tipo com elas. A Varig dominou durantes décadas o mercado brasileiro de viagens áreas internacionais. Quando no exterior, os brasileiros visitavam as lojas da Varig para trocar novidades e até ler jornais brasileiros - elas funcionavam como consulados brasileiros informais. Essa grande empresa faliu, virou pó. 

O que dizer do Banco Nacional, do Banespa, do Mappin, da Mesbla, da VASP, da Cruzeiro do Sul e de tantas outras empresas outrora poderosas e orgulhosas, quando estavam no seu tempo de glória.

As pessoas - políticos, artistas, executivos, etc - passam pelo mesmo processo: seu tempo vem e passa. Certa vez fui convidado para participar da festa de 40 anos de vida de uma empresa de engenharia da qual meu pai foi fundador e presidente. Ele somente foi citado por 10 segundos, durante o histórico da empresa, embora tenha feito muito - sou testemunha disso. Fiquei meio chocado e aí me lembrei que é assim mesmo - o que importa é quem está presentemente no poder. Quem passou, passou. Agora, o executivo no poder hoje também será esquecido amanhã, como aconteceu com meu pai. 

Políticos assumem o poder e dele caem. Artistas ficam famosos(as) e são adorados(as) por milhões e depois esquecidos(as). Uma grande atriz de cinema - Greta Garbo - sabendo disso, quando começou a envelhecer, passou a viver reclusa, para que ninguém testemunhasse sua ruína física. Abandou a fama antes que a fama a abandonasse.

O ensinamento da Bíblia
Os dois textos apresentados no início deste post trazem ensinamentos muito deles. O primeiro deles aborda tanto a queda do império da Bailônia, como a de Satanás, que originalmente era o arcanjo Lúcifer (a “Estrela da Manhã”). Em ambos os casos, o orgulho e a presunção levaram os que estavam em posição de poder à destruição.

Dificilmente uma pessoa que chegue a uma condição de grande destaque vai se lembrar, nos seus momentos de glória, que amanhã poderá estar em situação completamente diferente. 

Os Romanos durante muito tempo usaram uma prática interessante para manter esse ensinamento vivo. Eles tinham o costume de proporcionar aos grandes generais uma parada triunfal comemorativa das suas vitórias. O desfile entrava em Roma mostrando para o povo os tesouros e escravos conquistados. E o general homenageado normalmente desfilava numa biga imponente, vestindo sua mais bonita armadura e ornado com uma coroa de folhas de louro. Mas, atrás dele, sempre ia um escravo falando continuamente ao seu ouvido: “Lembre-se que você é apenas humano”.

Outro ensinamento - esse no texto do apóstolo em em 1 Coríntios - indica que quem está em posição de destaque hoje precisa tomar cuidado para não causar a própria queda. O poder atual não é garantia para o dia de amanhã. A santidade atual não garante a santidade futura. Tudo pode mudar rapidamente. E é preciso tomar muito cuidado com o que se faz. Sempre.

Resumindo, sua confiança não pode nunca estar na posição de destaque que ocupa, nos bens que já conseguiu amealhar, nas relações de amizade que construiu e assim por diante. Claro que tudo isso é importante e torna a vida mais fácil, mas nenhuma dessas coisas por si só é suficiente. Somente Deus pode lhe dar as garantias que você tanto precisa.

Por isso lembre-se de olhar para Ele, não somente nos momentos de dificuldade, mas principalmente quando tudo estiver indo muito bem.

Com carinho

quinta-feira, 25 de junho de 2015

A CONDENAÇÂO AO INFERNO É PERMANENTE?

Uma das questões mais discutidas dentro do cristianismo é sobre a condenação ao inferno ser ou não eterna (permanente). Isto porque muitas pessoas se perguntam: Como pode um Deus justo punir eternamente as pessoas por conta de pecados cometidos numa vida humana de duração limitada? Não seria tal punição desproporcional e injusta?

Quem pensa assim prefere acreditar que, de uma forma ou outra, todo mundo acabará sendo salvo - essa linha teológica se chama "universalismo". Essas pessoas argumentam que Deus é tão amoroso que vai dar outra chance para quem for condenado inicialmente.

O problema é que a Bíblia fala claramente ser essa punição permanente (p. ex. Apocalipse capítulo 20, versículos de 11 a 15). Assim, como é possível os(as) universalistas crerem na salvação para todos?

A realidade é que essas pessoas, bem lá no fundo, imaginam poder "aperfeiçoar" a obra de Deus, introduzir "melhorias" nela. Pensam que não é justo haver condenação permanente, então precisam encontrar uma forma para poder crer que isso não vai acontecer. 

Essa discussão me faz lembrar de um excelente livro de Monteiro Lobato chamado “A Reforma da Natureza”. Nele a boneca Emília, toda cheia de si, confiante na sua própria sabedoria, começa a mudar a natureza para torná-la melhor e mais eficiente. Lembro que, a certa altura, ela troca as tetas do úbere das vacas por torneiras. 

O estrago final foi enorme - problemas que ela não previu começaram a pipocar e a vida virou uma bagunça. Por exemplo, os bezerros deixaram de se alimentar porque não conseguiam abrir torneiras - antes podiam obter o leite necessário simplesmente abocanhando as tetas e sugando.

O moral desse livro é a arrogância do ser humano, sua certeza de poder avaliar o que Deus fez e conseguir até melhorar o que foi por Ele estabelecido. É exatamente isso que acontece na discussão sobre a punição eterna: ela parece injusta para certas pessoas então elas buscam uma resposta melhor (a salvação para todos).

Ora, quem defende que vai haver uma segunda chance, que Deus vai reabrir o julgamento inicial para permitir que todos sejam aprovados, esquece que o chamado Plano da Salvação é um "pacote" completo e definido. O ponto de partida é o reconhecimento pelo ser humano que ele tem natureza pecadora e não poderá ser salvo pelos próprios méritos (Romanos, capítulo 3, versículos 10 a 12). 

A salvação só vem por causa da Graça, de Deus, que se fez presente nas nossas vidas através  do sacrifício de Jesus (Romanos capítulo 7 versículo 24 até capítulo 8, versículo 1). Em outras palavras, a salvação é um presente de Deus para nós. Sendo assim, como questionar o esquema que Deus estabeleceu? 

Aceitar o presente de Deus (sua Graça) significa receber o pacote completo e isso inclui tanto a ideia de salvação permanente como a da condenação permanente. O Plano de Salvação não pode ser dividido em pedaços para que possamos escolher aquilo que nos agradar mais.

E a resposta para o eventual sentimento de que algo na obra de Deus não parece bom ou correto é a fé. Através dela conseguimos acreditar que Deus fez o melhor mesmo quando não conseguimos perceber isso. Mesmo quando não nos parece ser esse o caso. 

Pela fé, acreditamos que Deus possui sabedoria completa e poder absoluto, bem como amor incondicional por nós. Em outras palavras, Ele tem a motivação (seu amor) e as condições (sabedoria e poder) para poder fazer sempre o melhor por nós. É por causa disso que podemos ter certeza que seu Plano de Salvação é perfeito e não há como melhorá-lo. Simples assim.

Com carinho

terça-feira, 23 de junho de 2015

O AMIGO MAIS ÍNTIMO

O grande filósofo Aristóteles ensinou que é possível ter quatro tipos de amizades: 
  • Utilitária: os(as) amigos(as) dos quais nunca se ouve falar exceto quando precisam de alguma coisa. Aí você recebe um email ou uma ligação pedindo um favor. E a amizade nunca passa disto. 
  • Interesse compartilhado:  há uma área de interesse comum – torcer pelo mesmo time de futebol, frequentar a mesma faculdade, apoiar o mesmo partido político ou congregar na mesma igreja. Normalmente, quando esse vínculo se perde (por exemplo, a pessoa muda de igreja), a amizade esfria ou mesmo morre. 
  • Baseada em sentimentos: há sentimentos (respeito, admiração, etc) que une as pessoas a as fazem ter prazer em conviver e trocar experiências. Esse tipo de amizade pode resistir à passagem do tempo e se manter estável. 
  • Íntima: é quando se diz que as pessoas são como irmãs. Esse tipo de amizade é muito rara - é uma benção ter um(a) amigo(a) assim.

A amizade íntima 
Esse tipo de amizade costuma ter as seguintes características: 

  • Com esse amigo(a) você se sente seguro(a): não precisa tomar cuidado com seus pensamentos, censurar suas palavras ou esconder seus defeitos. Para ele(a), você consegue confidenciar seus problemas mais íntimos (João capítulo 15, versículo 15).  
  • Esse amigo(a) fica verdadeiramente feliz com sua alegria e triste com seu sofrimento.
  • Os eventuais desentendimentos não prejudicam a amizade. Pode ser que o(a) amigo(a) diga as verdades que você precisa ouvir – e vice-versa – mas a amizade permanece. 
  • Está sempre disponível.
  • É solidário(a) – é amigo(a) do tipo “mexeu com ele(a), mexeu comigo também”. 


Seu melhor amigo
Eu quero apresentar para você aquele que deveria ser seu amigo mais íntimo: Jesus. E Ele quer isso - basta ver o que disse em João capítulo 15, versículo 15: 
Já não vos chamo de servos, porque o servo não sabe o que faz o seu senhor; mas tenho vos chamado de amigos, porque tudo quanto ouvi de meu Pai, vos tenho dado a conhecer”. 
Agora, analise as características de Jesus como amigo:
  • Você pode confiar n´Ele inteiramente. Abrir-lhe seu coração. E Ele vai compreender, perdoar e consolar. 
  • Nunca vai trair sua confiança.  
  • Compartilhará suas alegrias e suas tristezas.  
  • Entende quando você discorda d´Ele e mesmo quando contraria sua orientação (isto é, peca). Não somente isso, Ele perdoa assim que você demonstra arrependimento. 
  • Nunca desiste de você, não importa o que você tenha feito ou por onde tenha andado. 
  • Está sempre disponível - basta fechar seus olhos e clamar por Ele. E essa comunicação nunca dá sinal de “ocupado”. 
  • Tem enorme amor por você. Tanto é assim que deu sua vida para salvá-lo(a). 

Concluindo, reconheça em Jesus seu maior e mais íntimo amigo. Se você fizer isso, pode ter certeza que sua vida vai mudar.



Com carinho

domingo, 21 de junho de 2015

A BANALIDADE DO MAL

A pergunta mais frequente que ouço, ao longo de mais de 25 anos de ensino sobre a Bíblia, é: Por que coisas ruins acontecem com pessoas boas? Para aqueles(as) interessados nessa complexa questão, há outro post aqui no blog onde trato disso (veja mais). Agora, quase nunca ouço a pergunta oposta: Por que pessoas boas fazem coisas ruins

Em outras palavras, ficamos surpresos e revoltados quando uma boa pessoa sofre. Tendemos a achar que Deus foi injusto e não se importou com aquela pessoa como devia. Mas achamos natural quando tomamos conhecimento que alguém julgado "bom" comete um ato ruim. E isso revela muito sobre a natureza humana: sempre julgamos as situações usando o critério que mais nos favorece. 

O fato é que o ser humano mostra-se capaz de atos maravilhosos - misericórdia, perdão, caridade e outros - mas também de coisas tenebrosas - inveja, raiva, maledicência, egoismo e outros. Somos capazes de fazer tanto o bem como o mal, dependendo das circunstâncias da vida e das nossas motivações no momento.

Essa contradição humana é o tema do famoso livro “O médico e o monstro”. O personagem principal, que representa a condição humana em geral, tem dentro de si tanto um médico bom, como um “monstro assassino". 

Tempos atrás, havia entre os intelectuais a certeza que o ser humano é basicamente bom e somente pratica o mal por ignorância ou por alguma deformação de caráter. Vemos ecos dessa postura na mídia, quando tenta justificar os crimes cometidos por pessoas pobres apenas com base na carência da suas vidas.

O cristianismo pensa diferente: defende a tese que a natureza humana tende para o pecado e torna-se preciso lutar constantemente para se manter no caminho certo. 

Agora, a tese dos intelectuais foi derrubada por uma grande intelectual, de origem judaica, Hannah Arendt. Ela defendeu a ideia que "o mal é banal", ou seja pode ser cometido habitualmente e sem muita percepção por pessoas comuns, sem qualquer problema maior aparente. 

Ela chegou a essa conclusão ao acompanhar de perto o julgamento do famoso carrasco nazista Adolf Eichmann, na década de sessenta do século passado. Seu objetivo inicial foi estudar o que tinha levado uma pessoa a praticar o mal em escala tão grande. 

E antes do começo do julgamento, estava certa que iria encontrar na sala do tribunal um monstro. E contou que viu apenas um homem de óculos, com cara de burocrata, igual a tantas outras pessoas que conhecia. Ela não parecia desequilibrado e sua vida pregressa tinha sido boa - ela descreveu sua experiência no famoso livro “Eichmann em Jerusalém”. 

Um ser humano normal, como você ou eu, tinha cometido crimes terríveis por motivos banais, como avançar na própria carreira. Em outras palavras, essa conclusão deu força ao pensamento cristão - o mal existe em cada um(a) de nós. 

Na Bíblia há um bom exemplo de mal praticado por motivos banais: o Rei Davi mandou matar seu capitão da guarda (Urias), homem extremamente fiel, para esconder que a mulher de Urias estava grávida do próprio rei (2 Samuel capítulo 12, versículos de 7 a 15)

Se o profeta Natã não tivesse feito Davi dar-ser conta do seu ato horrível, o rei teria ficado com sua consciência em paz. E estou falando aqui de Davi, um "homem segundo o coração de Deus”, como a Bíblia se refere a ele.

A verdade é que nem sempre somos capazes de distinguir claramente entre o bem e o mal que praticamos. Muitas vezes, aquilo que parece ser o bem pode ter uma raiz de mal ou vice versa. E nem sempre nossas intenções estão alinhadas com a qualidade dos nossos atos - a Bíblia fala sobre isso em Romanos capítulo 7, versículo 15, quando o apóstolo Paulo disse, referindo-se a si mesmo: "...pois o [bem] que quero isso não faço, mas o mal que não quero isso faço..."

Concluindo, Deus nos chama para sermos mais humildades. Para aprender a conhecer nossas próprias fraquezas e lidar melhor com elas. E também para mantermos vigilância constante sobre nossos próprios passos, para que eles não nos levem para longe dos caminhos estabelecidos por Deus.

O mal banal, isto é aquele que parece pequeno e trivial, sem maiores consequências, é algo terrível. Isto porque podemos ceder a ele diariamente sem nem nos darmos conta das consequências. E muitas vezes somente vamos perceber onde nos metemos quando o estrago já é muito grande. 

A Bíblia alerta sobre isso quando nos manda vigiar e orar constantemente, para que não venhamos cair em tentação (Mateus capítulo 26, versículo 41).

Com carinho

sexta-feira, 19 de junho de 2015

O VENENO ESCONDIDO

Eu fico muito desapontado de perceber como muitos(as) cristãos(ãs) seguem uma teologia confusa. Errada mesmo. Acreditam em coisas sem qualquer respaldo bíblico e se sentem muito confortáveis com isso. E o pior é que passam seus conceitos errados adiante, sem nem perceber o mal que acabam por causar.

Tempos atrás, um importante artista televisivo dos Estados Unidos, que se diz cristão, declarou o seguinte absurdo:
"Você é um filho(a) de Deus - seja lá como isso seja definido - e fazer coisas pequenas não ajuda o mundo. Não há nada de iluminado em encolher para que as pessoas à volta não se sintam inseguras perto de você. Nascemos para manifestar a Glória de Deus dentro de nós." 
Vários outros artistas consideraram essa declaração "inspirada" e a retransmitiram, usando Facebook e Twitter, ampliando o estrago. 
Leia de novo o que foi dito por essa pessoa, que acredito seja bem intencionada. Será que você consegue perceber os erros teológicos no que foi afirmado? Na verdade, há nessa declaração uma grande confusão de conceitos. 
O artista começou declarando que todos somos filhos de Deus, o que está errado. A Bíblia diz que somos todos criaturas de Deus - são filhos somente aqueles que aceitaram Jesus como seu Salvador. Gostemos ou não, é isso que está escrito.
Se aceitamos a ideia que todos são filhos(as) de Deus, o papel de Jesus fica diminuído e isso é um grande perigo, pois Ele é de fato o Salvador da humanidade.
E, não por acaso, até para parecer simpático, o artista deixou por conta de um(a) definir o que entende por "filho(a) de Deus". Ou seja, vale qualquer coisa nessa salada teológica. 
Não satisfeito, ele foi em frente e declarou que o importante para os cristãos(ãs) é  fazer coisas relevantes, isto é grandes e importantes. Que eles(as) não podem se encolher com medo de que os outros(as) se sintam incomodados(as) com aquilo que vierem a alcançar. 
E aí há outro erro, talvez fruto de um ego inchado. Jesus ensinou que quem quiser ser grande aos olhos de Deus precisa se fazer pequeno. Servir, ao invés de ser servido. Ensinou também que as pequenas coisas têm importância sim, tanto assim que nem um copo d´água, dado com amor, ficará sem a devida recompensa. 
Uma mãe acalentando o filho, um pai fazendo o dever de casa com a filha, uma pessoa levando cestas básicas para gente carente ou mesmo um pastor visitando uma mulher no seu leito de morte, para levar-lhe consolo, são pequenos gestos, mas todos têm enorme valor aos olhos de Deus. E é através de atos desse tipo que as pessoas são convertidas, discipuladas no caminho certo, atendidas e consoladas. 
Grandes realizações são importantes, mas tipicamente só acontecem em ocasiões muito especiais. Não fazem parte do dia-a-dia cristão. O próprio Jesus passou a maior parte do seu ministério nas estradas, ensinando os(as) moradores(as) de vilarejo pós vilarejo. Nem todo dia realizou grandes milagres, daqueles que emocionaram multidões. O grosso do seu trabalho foi miúdo, cansativo e sem qualquer charme. Exatamente como deve ser o trabalho diário dentro das igrejas cristãs.
No final da sua declaração, o artista afirmou que nascemos para demonstrar a glória de Deus, outra confusão teológica. A Glória de Deus pode sim ser manifestada através de nós, através daquilo que fazemos. Mas ela fica realmente aparente através da sua criação (a natureza), tão bela quanto complexa.
Nós não fomos criados com o objetivo de manifestar a Glória de Deus. Nossa razão para existir é ser objeto do amor d´Ele e retribuir, especialmente através do nosso louvor.
Concluindo, declarações desse tipo são perigosas porque seu "veneno" fica escondido em meio a ideias que parecem simpáticas e verdadeiras, quando olhadas superficialmente. Mas são perigosas porque levam a ações erradas. A um relacionamento distorcido com Deus e o próximo. 
Tenha cuidado, pois, quando encontrar esse tipo de coisa por aí.
Com carinho

quarta-feira, 17 de junho de 2015

UMA MULHER APRISIONADA PELA LEI

Jesus ensinou que veio ao mundo para "libertar os cativos" (Lucas capítulo 4, versículos 17 a 19). Isto quer dizer que o cristianismo precisa ser uma religião libertadora do ser humano se quiser seguir o caminho que Jesus traçou.  

Entendo que quando a prática cristã foge desse princípio, as consequências são sempre ruins: sofrimento desnecessário, decepção, afastamento da fé, etc. E ninguém tem direito de impor isso sobre as demais pessoas.

O que é uma "lei de cerca"
Essa é uma das coisas que mais contribui para a "escravidão" dos(as) cristãos(ãs) - provavelmente você já encontrou esse tipo de coisa por aí, mas não percebeu. 

Para explicar do que se trata, vou usar como exemplo a questão da "guarda do sábado", um dos Dez Mandamentos. A Lei tornou proibido trabalhar nesse dia, com o objetivo de evitar que o ser humano virasse um "animal de carga". 

Ora, uma das atividades relacionadas com o trabalho naquela época era caminhar. Por isso havia proibição de caminhar aos sábados. Mas essa proibição não podia ser absoluta, pois uma pessoa precisava caminhar dentro da própria casa ou para ir até a sinagoga. Foi então estabelecida uma distância máxima que a pessoa podia percorrer nesse dia de forma a não violar o mandamento. 

Mas como ninguém ficava medindo o quanto caminhava no sábado, havia preocupação quanto a descumprir a lei mesmo sem perceber. Os líderes religiosos criaram então uma "lei de cerca" estabelecendo um limite ainda menor, pois cumprindo esse limite inferior, o limite verdadeiro seria obrigatoriamente cumprido. Mas essa "lei de cerca" aumentou desnecessariamente a restrição sobre as vidas das pessoas no sábado. 

Assim as pessoas acabaram "prisioneiras" de leis sem qualquer sentido (havia até lei regulando sobre como pentear os cabelos no sábado). 

As "leis de cerca" tornaram uma coisa boa - um dia para descanso - numa fonte de tensão. E o mesmo "aprisionamento" das pessoas aconteceu em vários outros aspectos da vida comum. O legalismo passou a imperar.

E Jesus insurgiu-se contra esse tipo de coisa, tendo diversas discussões com os fariseus para questionar essa prática - há vários relatos nos Evangelhos sobre esse tipo de embate.

"Leis de cerca" hoje
Os cristãos continuam rodeados de "leis de cerca" que nem percebem. Vou dar um exemplo: o tal princípio da "pureza emocional". O problema que essa "lei" procura resolver é a da "pureza sexual" (sexo fora do casamento), para evitar a promiscuidade, hoje comum entre os jovens. 

O conceito de "pureza emocional" nasceu cerca de vinte e cinco anos atrás, nos Estados Unidos, e tem inspirado muitos livros, como "Dei adeus ao namoro" ("I kissed dating good bye")

A proposta é que os(as) jovens cristãos(ãs) não devem namorar e sim apenas cortejar-se, isto é conviver (sempre em grupo) mas sem estabelecer um relacionamento sentimental real. O(a) jovem deve esperar pela pessoa escolhida por Deus antes de desenvolver um sentimento amoroso mais profundo por alguém. 

O fato é que esse tipo de "lei de cerca" pode gerar consequências inesperadas e indesejáveis. Vejam o depoimento da escritora Elizabeth Ester, de quem gosto bastante. Ela se manteve "pura" emocionalmente até ter permissão de seus pais para aprofundar o sentimento amoroso por Matt, aquele que viria a ser seu marido. Suas palavras não tem sabor de revolta e sim de alerta:
"Como, então, as garotas que são orientadas a apenas cortejar os rapazes, lidam com essa questão? Fechando os sentimentos. A má notícia é que ninguém pode fechar um tipo de sentimento apenas, sem fechar todos os demais. Eu imaginei que ... estava preservando minha pureza emocional e guardando meu coração. Ao invés disso, eu acabei completamente anestesiada emocionalmente... Quando recebi aprovação para aprofundar meus sentimentos pelo Matt, minha cabeça estava uma bagunça".
A prática saudável do namoro, que gerações de jovens têm usado para aprender a se relacionar com o sexo oposto, de repente deixou de ser recomendável e transformou-se numa fonte de sofrimento.
 
"Leis de cerca" aprisionam não somente porque impõem restrições absurdas sobre a vida das pessoas, mas principalmente porque mascaram a questão real. As pessoas afetadas por elas ficam confusas, pois acabam "enfrentando" um adversário imaginário. Por exemplo, a jovem se sente "impura" por abrigar no coração um amor absolutamente normal por um rapaz e luta contra esse sentimento. Sofre com isso. 

Posso dar vários outros exemplos de "leis" desse tipo que infelizmente acabaram por entrar para a prática de vida de muitas igrejas evangélicas. Aí vão alguns exemplos:
  • Dar mais do que 10% de dízimo para garantir que o valor mencionado no texto de Malaquias capítulo 2, versículo 10, foi mesmo "pago" a Deus.
  • Livrar-se de qualquer objeto (livro, item de decoração, adereço, etc) que mesmo remotamente pareça ter alguma relação com prática pagã para evitar o "contágio" espiritual.
  • Não se submeter ao "jugo desigual", isto é não participar de relacionamento amoroso com alguém que não seja convertido(a). Se isso fosse correto, as inúmeras pessoas que se converteram com base no testemunho do parceiro(a) de vida - minha mulher é um exemplo vivo disso - seriam privadas dessa oportunidade.
  • Não permitir que as mulheres usem maquiagem, enfeites e outros objetos que possam apelar para a vaidade humana.    

O fato é que cada "lei de cerca" torna o mundo cristão mais regulamentado, fechado e pobre. Transforma as pessoas em "escravas" de regras absurdas. Bem diferente daquilo que Jesus disse que tinha vindo fazer. Triste, mas verdadeiro.

Com carinho

segunda-feira, 15 de junho de 2015

APRENDENDO A AMAR A DEUS

"Amar a Deus de todo coração e entendimento", como a Bíblia pede para fazermos, não é tarefa trivial. Afinal, trata-se de construir um relacionamento especial com um Ser que não se vê e possui características muito diferentes (é um Espírito, está fora do tempo, etc).

Como, então, fazer para aprender a amar a Deus? Vou começar a responder recorrendo a uma metáfora: imagine que dois jovens (João e Maria) se conhecem e demonstram interesse mútuo. Como é normal, começam sua caminhada de forma exploratória: encontram-se algumas vezes para conversarem e se conhecerem melhor. E vão construindo seus laços afetivos aos poucos. 

Nesse processo vão juntando informações mútuas: sobre família, passado amoroso, gostos (comida, música, lazer, etc), sonhos, convicções religiosas, time de futebol preferido e outras coisas assim. Tudo isso vai ajudar a cada um deles a compor um quadro mental sobre quem é a outra pessoa.

Agora, imagine que João, embora tenhas boas intenções, diga para Maria: "não vamos perder tempo com toda essa conversa. Vamos aproveitar nosso tempo juntos de forma mais produtiva". Como Maria iria reagir? 

Recentemente fiz uma pesquisa com várias moças que conheço sobre essa mesma questão. Todas, sem exceção, disseram que não concordariam com tal tipo de proposta. E a razão é simples: o conhecimento prévio sobre a outra pessoa é imprescindível para construir um relacionamento real. 

Em outras palavras, amor e conhecimento andam juntos. É preciso conhecer a outra pessoa para que o amor por ela possa crescer e se solidificar. Agora, como você pode imaginar que vai conseguir amar a Deus se não o conhece de fato? 

Vamos supor que você somente saiba sobre Ele aquelas coisas bem básicas: Deus é um Ser eterno, onipotente, onisciente, etc.  Ora, isso é pouco. Muito pouco. Saber somente isso sobre Deus seria igual a Maria, a moça do meu exemplo, conhecer apenas a idade, o estado civil e onde João mora. Ela precisaria saber mais para ter certeza de conhecer João de verdade. 

E assim também deve ser com Deus. O conhecimento real sobre Ele precisa incluir, por exemplo, a noção sobre o que Ele gosta (ou não gosta) em você, o que o faz sorrir e assim por diante. Mas como juntar esse conhecimento

Há duas fontes para obter as informações necessárias, que se complementam entre si. A primeira é a Bíblia - existe ali um tesouro de informações sobre Deus, que foram contadas (reveladas) por Ele mesmo.

É claro que a Bíblia não contém tudo que se pode saber sobre Deus e nem poderia, pois Ele é um Ser infinito. Sem contar, que há coisas que Deus não revelou - os seus mistérios. Mas, há ali informações suficientes para você poder construir um relacionamento de amor com Deus.

Porém, não se esqueça que você só vai se apropriar dessas informações se estudar o texto da Bíblia e ouvir pregações com base nela. Simples assim.

A segunda fonte de informação é o Espírito Santo, que fala diretamente com você e lhe diz se está caminhando na direção certa, isto é se está agradando a Deus. Trata-se daquela "pequena voz" que fala à sua consciência, advertindo e incomodando.

Mas uma conexão forte com o Espírito Santo somente pode se estabelecer com quem pediu para que Ele se fizesse presente na sua vida. Esse é o pré-requisito básico.

Concluindo, se você quer aprender a amar a Deus, trate de conhecê-lo. Não perca nenhuma oportunidade de estudar a Bíblia e refletir sobre ela. E peça a presença do Espírito Santo na sua vida. Mais ainda, sempre se mantenha aberto(a) e receptivo à sua voz. 

A partir desse conhecimento de Deus, você poderá então ir construindo, passo a passo, uma relação real com Ele. E essa relação irá transformar sua vida. Pode ter certeza.

Com carinho

sábado, 13 de junho de 2015

O ABUSO DA IMAGEM DE CRISTO

Domingo passado, durante a Marcha do Orgulho Gay, em São Paulo, uma pessoa desfilou nua, simulando a crucificação de Jesus. Essa prática causou muita revolta no meio cristão e as reações foram as mais diversas. Infelizmente, em alguns casos as reações foram muito violentas e radicais - até ameaças de morte foram feitas.

Antes de qualquer outra coisa, gostaria de expressar meu enorme desconforto e tristeza com esse tipo de manifestação. Afinal, para nós cristãos(ãs), tudo aquilo que se refere à pessoa de Cristo é sagrado, especialmente no que se refere à sua morte na cruz e ressurreição, núcleo central da fé cristã. O que foi feito nos ofende sim.

Acho que esse tipo de desrespeito não produz nada de bom e deveria ser evitado, especialmente quando parte de quem, com certa razão, se queixa de discriminação. É verdade sim que a sociedade em geral e os cristãos em particular têm discriminado e até sido cruéis com os homossexuais e transexuais. E reconhecer isso não é aprovar certas ideias e sim reconhecer uma realidade. 

Mas quem reclama de intolerância e discriminação não deveria reagir fazendo o mesmo, tratando a fé alheia como se fosse lixo. Um erro não justifica o outro. Feito esse registro de protesto, vamos ao problema em si: como os cristãos devem reagir a esse tipo de provocação

E respondo a partir do exemplo daquele que sempre deve guiar nossos passos: Jesus. Ele foi humilhado de todas as formas possíveis durante seu martírio na cruz. Sofreu uma morte horrível. E como reagiu? Voltou-se contra seus algozes? Amaldiçoou-os? Prometeu vingar-se? Não. Ele disse apenas: "Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem..." (Lucas capítulo 23, versículo 34).

Esse é o exemplo que Jesus deu e é isso que precisamos aprender a fazer. Registrar que o ato foi errado e perdoar, reconhecendo que a provocação veio de quem ainda não se encontrou com Jesus. O que passar disso vai contra os ensinamentos d´Ele.

É preciso também reconhecer que esse tipo de provocação é uma armadilha colocado no nosso caminho por aqueles(as) que lutam contra o cristianismo. Eles(as) esperam exatamente que surjam reações violentas e destemperadas para poderem apontar o dedo e nos acusar de intolerantes. Cair nesse tipo de armadilha é fazer o jogo dos inimigos da nossa fé. 

Finalmente, precisamos lembrar que Jesus não precisa desse tipo de defesa vinda de nós. Ele é perfeitamente capaz de se defender sozinho. Afinal, seu poder é absoluto. 

E se você quiser mesmo defender a reputação de Cristo, aja com amor. Faça o bem. E diga, para quem lhe perguntar a razão pela qual faz isso, que sua inspiração vem d´Aquele que deu sua vida por nós. Que nos ensinou a amar sem condições e sem esperar recompensas. 

Com carinho

quinta-feira, 11 de junho de 2015

RESOLVENDO "MISTÉRIOS" DA BIBLIA COMO OS DETETIVES

A Bíblia é a Palavra de Deus revelada a nós. Portanto, entender o que ela diz é fundamental. Mas a Bíblia guarda trechos de entendimento difícil porque foi escrita em época completamente diferente, onde os costumes e os usos eram outros. As pessoas daquela época viviam de forma totalmente diferente daquela que vivemos hoje em dia. O que fazia sentido para elas, pode não fazer sentido para nós. Simples assim.

Vou chamar as partes da Bíblia de entendimento difícil de "mistérios". E recorro aqui à sugestão que um teólogo fez certa vez: propôs que analisássemos os "mistérios" bíblicos como os detetives solucionam seus casos mais difíceis. 

Ora, como a maioria das pessoas gosta de livros e filmes de mistério, esse tipo de exercício, além de ilustrativo, acaba sendo também divertido e, portanto, achei que poderia interessar você. Isso sem contar que a metodologia proposta pode ser repetida por praticamente qualquer pessoa, bastando que ela tenha bom senso e raciocínio lógico. 

São seis as regras que devem ser usadas, todas elas bem simples:

Regra 1: não tire conclusões apressadas 
Os bons detetives tomam cuidado para não tirar conclusões antes de terem informações concretas suficientes. Isso evita conclusões pré-concebidas, um perigo enorme nas investigações. Pré-concepções fazem com que o detetive procure encaixar as informações nas conclusões que já tirou, um grande erro. Deveria ser sempre o contrário: usar as informações para tirar conclusões acertadas.

Portanto, nunca comece a estudar um texto bíblico imaginando que já sabe o que ele significa, mesmo quando for um texto já conhecido

Regra 2: tenha postura inquisitiva
Certa vez, num dos livros que conta as aventuras do famoso personagem Sherlock Holmes, quando ele tentou ensinar seu fiel parceiro, o Dr. Watson, a ser um bom detetive. Holmes perguntou quantos degraus existiam entre a entrada e a sala de estar do apartamento onde viviam e Watson não soube responder. E Holmes concluiu que esse era o problema: Watson olhava, mas não observava. 

Jesus disse essencialmente a mesma coisa ao explicar porque as pessoas não entendiam as parábolas que contava. Disse Ele que tias pessoas tinham olhos mas não viam e ouvidos mas não escutavam (Mateus capítulo 13, versículo 13).

Assim, não leia simplesmente o trecho da Bíblia que estiver tentando entender. Analise-o com cuidado, prestando atenção na pontuação, nos trechos que vem antes e/ou depois da parte que lhe interessa mais de perto, quem fala o que, no tom da conversa, etc.

Certa vez Jesus estava ensinando seus discípulos, quando sua família veio procurá-lo. Avisado, Jesus apontou seus discípulos e respondeu que sua mãe e seus irmãos eram aqueles que ouviam suas palavras e as seguiam (Mateus capítulo 12, versículos 46 a 50). 

Uma análise superficial desse texto indicaria que Jesus rejeitou sua família. Mas, olhando com mais cuidado, Jesus disse que sua família de sangue continuaria a ser sua família, no mundo espiritual, se, tal como seus discípulos, ouvisse e seguisse seus ensinamentos. 

Jesus recusou-se a praticar o nepotismo: privilegiar sua família, ou seja seus laços de sangue, no Reino de Deus. E se não fosse assim, poderíamos chegar ao absurdo de ver alguém ser salvo apenas por ter sido irmão de Jesus ou de um pastor famoso ou do papa.


Regra 3: detalhes são importantes
Para um bom detetive, tudo tem importância. Qualquer detalhe conta. Sherlock Holmes resolveu um crime por ter notado que o cachorro da casa não latiu - isso provou que o animal conhecia o assassino. 

Certa vez Jesus chegou perto de uma figueira e procurou nela alguns frutos, em meio às suas folhas. Não encontrando, amaldiçoou a árvore, que murchou (Marcos capítulo 11, versículos 12 a 14). Isso parece muito estranho: que culpa tinha a figueira de não ter dado frutos, especialmente não estando na época certa?

Mas há um detalhe importante nesse relato: a árvore tinha folhagem. E as figueiras somente exibem folhas quando já têm frutos. Logo, aquela era uma figueira “hipócrita” - tinha aparência, mas não o resultado concreto. Daí ter sido amaldiçoada.


Regra 4: quanto maior o mistério, mais evidencias serão necessárias 
Frequentemente, as pessoas querem tirar o mistério da frente e acabam aceitando qualquer resposta que pareça razoável. Elas não gostam de ficar na dúvida. Buscam certezas.

Certa vez vi um estudo do capítulo 1, versículo 8, do Atos dos Apóstolos, trecho onde Jesus, já depois da sua ressurreição, diz para os apóstolos esperarem em Jerusalém a vinda do Espírito Santo (o que deu origem ao Pentecostes). No referido estudo, o teólogo fazia mais de 70 observações sobre o versículo ainda antes de explicar seu sentido. E o tal versículo, na tradução em português, tem apenas 30 palavras!

O autor buscou levantar todas as informações que conseguiu sobre aquele pequeno trecho antes de tentar dar uma interpretação para ele. E isso deu muita segurança à sua conclusão: ele teria que estar de acordo com todas as informações colhidas. Qualquer discrepância indicaria ser preciso rever a conclusão tirada.

Não estou dizendo que você deva fazer o mesmo: levar seu estudo da Bíblia a tal grau de profundidade. Mas, seria razoável pedir que você fizesse de 3 a 5 observações sobre um versículo ou conjunto de versículos, antes de se atrever a encontrar um significado para ele.

São observações sobre a situação geral, os fatos relatados, as pessoas envolvidas, o passado dessas pessoas, a situação política e assim por diante. 

Mas onde buscar essas informações? É para isso que existem os dicionários, os comentários bíblicos, as notas de rodapé da sua Bíblia e outros recursos. E há muita informação boa de graça na Internet.


Regra 5: divida um mistério maior em pedaços menores 
Passagens bíblicas difíceis podem parecer inacessíveis, especialmente se forem longas. Quando for esse o caso, procure quebrar o texto em frases (ou versículos) e ir procurando entender cada uma delas, passo a passo. Depois vá juntando cada pedaço ao todo.

E nunca se esqueça que os textos da Bíblia sempre dialogam entre si. Por exemplo, imagine que você conseguiu resolver o mistério da figueira amaldiçoada. Mas o sentido total do texto - que é uma crítica de Jesus à religião legalista e hipócrita - somente vai ficar claro quando você juntar esse texto a outros. 


Regra 6: prefira as soluções mais simples 
Às vezes, existem mais de uma explicação possível para determinado "mistério". E quando isso acontece, sempre que possível, prefira a explicação mais simples à mais complexa e rebuscada. Afinal, o testemunho da Bíblia é que as coisas de Deus são simples e objetivas.

Por exemplo, há uma passagem do Apocalipse onde aparece um animal terrível, cheio de chifres e coroas na cabeça, que emerge do mar, para dominar o mundo. Há uma linha de explicação que tenta compreender essa besta como um animal real, que se transforma em ser humano, por obra de Satanás. A outra alternativa imagina que a besta é o símbolo de um ser humano dedicado à obra de Satanás, sendo os chifres e coroas representações do seu poder. Ora, a segunda explicação é mais simples, pois não requer a existência de um animal nunca visto na natureza. Logo, ela é melhor - e é aquela tradicionalmente aceita pelos teólogos.


Palavras finais
Nunca veja as passagens difíceis da Bíblia como frustrantes e sim como desafios. Como chamados para que você entenda melhor a Bíblia e cresça no processo de aprender a lidar com a Palavra de Deus.

E tenha consciência clara que sempre há mais a aprender na Bíblia. Mesmo aos maiores estudiosos não conhecem tudo que há para saber sobre ela. Sempre há mais. Muito mais.

Abra sua mente aberta para ser desafiado(a) pela Bíblia. E é essa capacidade de nos surpreender que a torna tão especial e interessante.

Com carinho

terça-feira, 9 de junho de 2015

ENFRENTANDO A INSEGURANÇA

Insegurança é um sentimento comum - as pesquisas mostram que cerca de 80% das mulheres admitem ser inseguras, sendo que quase 50% delas pensam que o problema é grave. Os homens parecem ser menos afetados (ou não admitem sua dificuldade com tanta facilidade) mas essa também é uma questão importante para eles.

A insegurança nasce e cresce em cima do sentimento de dúvida que a pessoa tem sobre si mesma – incerteza sobre seu valor e sua capacidade para realizar o que é preciso. 

Há insegurança gera diversos sintomas, tais como: evitar ser o centro das atenções (p. ex quando se fala em público), ficar muito sentido quando percebe algum tipo de rejeição á própria pessoa, ter preocupação excessiva de fazer correções quando a pensa ter feito algo errado, sentir-se ameaçado(a) (p. ex. pensar que o companheiro vai preferir uma mulher mais jovem ou bonita) e recear não estar à altura da expectativa de quem se ama e deseja. 

Na verdade, as pessoas tendem a ser uma mistura complicada de confiança e insegurança, o que torna a percepção e o tratamento do problema mais difícil. Há pessoas muito confiantes no campo profissional e inseguras nos relacionamentos amorosos e vice-versa.

Causas do problema
Há muitas causas para a insegurança. E o problema normalmente começa nos anos de formação (infância e adolescência). Por exemplo, quando a criança vive uma situação de instabilidade em casa (pobreza, alcoolismo, traições, doenças, etc), a reação normal é imaginar que ninguém vai ter condições de cuidar dela. E começa a buscar aqueles(as) que poderão preencher esse papel. 

Outras situações que causam insegurança são perda significativa (p. ex. morte de entes queridos ou falência), rejeição real (ou imaginária) por conta de limitações pessoais (deficiências físicas, falta de traquejo social, etc).

Há ainda uma outra causa de insegurança, meio surpreendente: a vaidade excessiva, o ego muito inchado. Pessoas vaidosas tendem a se sentir inseguras em situações que podem ferir seu ego. Isso acontece com muita frequência com os(as) artistas, que tornam-se inseguros(as) quanto a conseguir manter a fama e o status - temem acabar esquecidos(as), como de fato acontece com frequência. 

É interessante perceber que a vaidade parece ser a causa de insegurança que mais parece estar sob controle da própria pessoa. 

Mecanismos para lidar com a insegurança
Pessoas inseguras costumam criar mecanismos para conseguir lidar com seu estresse. Há quem busque compensações - "se não sou o melhor, posso ser o que mais trabalha". Outras pessoas tornam-se fanáticas por controle, especialmente daquilo que tem potencial para lhes causar desconforto. O ciúme é uma manifestação da tentativa de controle da pessoa ou da coisa amada. 

Pessoas que buscam controle também podem passar a dar ênfase excessiva na precisão, ordem e organização. Há também quem se apague e acabe por aceitar a influência excessiva dos(as) demais, abdicando da própria personalidade. Finalmente, há ainda quem se isole da convivência social, para reduzir as situações de estresse. 

Insegurança tem grande potencial para causar estrago.  E muitas pessoas fazem papel de bobas por causa dela: têm ataques de raiva por quase nada, submetem a pessoa amada a questionários absurdos, tornam-se detalhistas ou legalistas, e assim por diante.

Ninguém quer se sentir inseguro(a). Mas poucas pessoas conseguem se livrar desse tipo de sentimento. É como se fossem cúmplices da sua própria tortura. 

Combatendo a insegurança
Como combater esse tipo de sentimentoEm primeiro lugar, não se acomode. Fuja da "síndrome de Gabriela": “eu nasci assim, cresci assim e vou ser sempre assim”. Você pode e deve lutar para mudar esse estado de coisas

Trata-se de tomar uma decisão. Fazer uma escolha. Não querer mais viver limitado pela insegurança. 

O segundo passo também é importante: convencer-se do amor de Deus, o que lhe dá dignidade e importância. E acreditar que Ele nunca deixa de estar atento às suas necessidades - se prestar atenção, você vai acabar percebendo isso com clareza (Salmo capítulo 139 versículos 5, 6 e 14).

Depois, rodeie-se de quem possa lhe dar apoio. E é aí que a família e a igreja tornam-se imprescindíveis.

O último passo é entender que o combate à insegurança é um processo. Você pode não conseguir mudar seus sentimentos, mas pode alterar a forma como reage às situações. Perceber que está nas suas mãos passar a obter resultados diferentes. 

A insegurança se faz notar mais fortemente a partir de alguns "gatilhos" que se fazem notar no dia-a-dia. E sempre existirão “gatilhos” para desafiá-lo(a). Mas você pode aprender a não "morder a isca", preparando-se previamente para esse tipo de situação. 

Comece por pensar numa situação que lhe causa muita insegurança - por exemplo, uma pessoa falar de sua limitação física ou lhe pedirem para falar em público. Aí pergunte a si mesmo(a) como uma pessoa segura reagiria nesse mesmo caso. Estude a reação que você deveria passar a ter e veja o que faz errado. Em outras palavras, compare o que deveria fazer com aquilo que consegue fazer.

Será importante, nessa altura, conversar com pessoas da sua confiança. Discutir com elas suas alternativas. Analisar o que pode ou não fazer.

Depois, peça a Deus que lhe ajude - acredite que Ele pode e quer lhe dar essa ajuda. E está aí o que mais importa em todo esse processo. 

Fazendo tudo isso, quando o “gatilho” da insegurança for acionado de novo, você estará bem preparado(a) e reagirá melhor. E esse bom resultado fará você se sentir encorajado(a) a dar mais um passo, aprendendo a lidar com outro "gatilho". E assim poderá progredir, um passo de cada vez. 

Com carinho

domingo, 7 de junho de 2015

TESTANDO SUA FILOSOFIA DE VIDA

Filosofia de Vida (FV) é o conjunto de ideias e valores que orientam a vida da pessoa. E todo mundo segue uma determinada FV, mesmo que não se dê conta disso.

Por exemplo, umas pessoas levam a vida buscando se divertir, entendendo que devem aproveitar cada minuto de uma vida que é curta. Outras perseguem sem descanso os bens materiais e/ou o poder, encontrando neles sua razão para viver. Algumas se dedicam a cuidar dos pobres, vendo no amor ao próximo sua razão para viver. E há também aquelas que somente se importam com questões intelectuais (como alguns filósofos). 

Frases como “não levo desaforo para casa”, “o importante é ser feliz” ou “o que mais quero é ter paz de espírito” são todas representativas de diferentes FVs.

Se você está lendo este post é porque provavelmente já aceitou ou está tentando aceitar a FV cristã. E precisa estar preparado(a) para responder perguntas sobre as ideias que está seguindo (ou pretende seguir). 

Agora, nem todas as FV´s são igualmente boas e adequadas. P. ex. uma FV que defende o consumo desenfreado não é tão boa quanto outra centrada em ajudar o próximo. Isto porque a primeira delas é egoísta, enquanto a segunda é desprendida. A primeira torna o mundo um local pior para se viver, enquanto a segunda tem um efeito oposto.

Como você pode ter certeza que o cristianismo é uma FV boa e adequada? Melhor do que outras com as quais compete? Esse teste deve ser feito em cima de três aspectos importantes: coerência, viabilidade e origem. Uma FV superior precisa ser coerente, viável de ser vivida e ter uma origem da qual seus seguidores não possam se envergonhar. Vou tentar mostrar que a FV cristã se sai muito bem nesse teste.

Teste 1: Coerência
Uma FV precisa ser coerente para se sustentar em pé. Quando um determinado conjunto de ideias não se mostra coerente, ele acaba desabando debaixo do peso das sua próprias contradições.

P. ex. o comunismo é uma FV que foi muito popular, mas vai desaparecendo aos poucos principalmente por conta das suas incoerências. A proposta básica do comunismo é libertar as classes sociais mais sofridas das garras das elites econômicas. 

Para fazer isso, o comunismo propõe estatizar todos os bens e deixar que o Governo passe a controlar tudo. E é o Poder Público que deve se encarregar de preencher as necessidades das pessoas, garantindo que todos tenham o mínimo de que precisam. E assim não haveria mais pobreza e injustiça social. Isso parece ótimo e muita gente bem intencionada embarcou nessa FV.

Mas as coisas não funcionaram bem assim na prática. O problema é que um Governo com tal tipo de poder se torna dominador e acaba se tornando uma ditadura. Foi isso que aconteceu na antiga União Soviética.

A incoerência do comunismo está no fato que, para garantir direitos iguais para todas as pessoas, o Governo precisa tirar o principal direito que elas possuem: sua liberdade. Ou seja, para acabar com a injustiça social é preciso cometer uma injustiça. 

O famoso "pós-modernismo" é outra FV incoerente. Os seguidores dessa linha de pensamento acreditam que não existem verdades absolutas - cada pessoa tem sua "verdade", que depende da forma como olha para as coisas. Isto é a verdade individual depende da cultura onde a pessoa foi criada, das suas necessidades, da idade que tem e assim por diante. Assim, o que é verdade para mim, talvez não seja para você.

Se essa FV fosse verdadeira o cristianismo sofreria um golpe mortal, pois defendemos um Deus criador, que estabeleceu para nós princípios de vida (mandamentos) absolutamente verdadeiros.

A incoerência do pós-modernismo está no próprio ponto de partida dessa FV. A afirmação “não há verdade absoluta” é tratada pelos pós-modernistas como uma verdade absoluta, pois sempre se aplica. Ou seja, há existe aí uma contradição insuperável. Uma incoerência que não pode ser eliminada. E, portanto, o pós-modernismo é uma FV condenada a falhar.

Teste 2: Viabilidade
Uma FV precisa ser viável para se sustentar. Por exemplo, o antigo regime político da África do Sul - o "apartheid" - discriminava os negros, que constituem a esmagadora maioria da população daquele país. Ora, um regime desse tipo só pode ser mantido, como aconteceu durante anos a fio, na base da repressão. E isso não é viável a longo prazo - cedo ou tarde as pessoas se revoltam. E foi isso que aconteceu. O comunismo passa pelo mesmo tipo de problema.

Outro exemplo de FV inviável é a religião hindu quando acoplada à democracia. Nessa religião, as pessoas nascem em castas, fruto do "karma" (necessidade de pagar pelos pecados cometidos em vidas anteriores). E nada deve ser feito para minorar o sofrimento de alguém pertencente a uma casta baixa, pois essa pessoa está sendo punida pelo que fez em outras vidas. A Índia viveu milênios assim e criou uma das sociedades mais pobres e desiguais de que se tem notícia.

Essa FV torna a democracia inviável. E não foi por acaso que o Governo democrático da Índia precisou abolir por lei o conceito de castas para poder se sustentar. Mas até hoje há uma luta na Índia entre a lei e a tradição religiosa – uma delas vai ter que ceder a primazia para a outra.

Teste 3: Origem
Os pensadores geram ideias e as pessoas passam a viver de acordo com elas – por exemplo, é assim no cristianismo, cujos conceitos foram estabelecidos por Jesus e desenvolvidos pelo apóstolo Paulo. E também é assim no comunismo, desenvolvido por Marx, com a ajuda de Engels, Lenine e outros. E no budismo, desenvolvido por um homem chamado Sidarta, o Buda.

Ora, uma árvore deve ser conhecida pelos seus frutos. Uma árvore boa dá frutos bons e uma ruim, frutos venenosos. Logo, é importante olhar quem está por trás da FV que se busca seguir. Por exemplo, Marx foi um homem de vida deplorável - não deu bola para a família, teve amante, etc. Lenine foi um ditador cruel. Como imaginar que uma doutrina desenvolvida por eles venha ser algo bom para a humanidade. O mesmo pode ser dito de Maomé e de outros filósofos e líderes religiosos. 

O teste do cristianismo
Nenhuma FV se sai melhor nesses testes do que o cristianismo. Em primeiro lugar, a FV cristã é coerente. Os textos do Velho Testamento, escritos centenas de anos antes, apontam na mesma direção que os do Novo Testamento - muitos posts aqui no blog comprovam isso.

A Bíblia no seu conjunto aponta para um Deus amoroso que procura lidar com os pecados humanos e construir uma relação de amor com eles. É claro que, ao longo da história, Deus vem fazendo isso de diferentes formas, levando em conta a evolução das sociedades humanas - seus usos e costumes -, bem como a acumulação de experiência e conhecimento teológico. 

É isso que explica, por exemplo, que no início da Bíblia haja um mandamento defendendo "olho por olho" e no seu final outro que manda amar o próximo. O mandamento inicial já - praticado nos primórdios da história do povo de Deus - foi um grande avanço sobre a prática da época, que era retribuir o mal recebido com o máximo de mal possível - algo como "cem dentes por um dente". Mais adiante, esse mandamento evolui para o pedido de amar o próximo, quando a humanidade já tem condições de entender e seguir esse ensinamento revolucionário.

E a Bíblia relata o que aconteceu entre esses dois momentos que permitiu a evolução da exigência que Deus faz ao seres humanos. Está tudo descrito lá. Em outras palavras, há uma coerência de propósitos e de ensinamentos.

Em segundo lugar, a FV cristã é viável pois está lastreada no amor, na Graça de Deus e no perdão - não creio que nenhuma outra visão de mundo esteja apoiada em princípios mais nobres. E não é por acaso que o conceito moderno de direitos humanos está calcado em cima da FV cristã.

Finalmente, o cristão pode se sentir orgulhoso por seguir uma FV ensinada por Jesus, reconhecido até por aqueles(as) que são contra o cristianismo, como um homem sem igual, cuja reputação não tem mancha. 

Compare Jesus com os criadores das FV´s que disputam espaço com o cristianismo: Maomé (islamismo), Buda (budismo), Marx (comunismo) e assim por diante. E você verá que também nesse aspecto a superioridade do cristianismo é evidente. 

Concluindo, a FV cristã passa com louvor nesses três testes e isso dá a você e a mim a tranquilidade de estarmos seguindo aquilo que pode haver de melhor.

Com carinho