quarta-feira, 27 de novembro de 2013

JESUS TEVE IRMÃOS E IRMÃS?

"Falava ainda Jesus ao povo, e eis que sua mãe e seus irmãos estavam do lado de fora, procurando falar-lhe." Mateus capítulo 12, versículo 46
A controvérsia sobre a existência de irmãos/irmãs de Jesus tem dividido os cristãos há séculos: de um lado, a Igreja Católica e alguns outros poucos grupos afirmam que Jesus não teve irmãos/irmãs de sangue, por parte de Maria; enquanto, de outro, praticamente todos os grupos evangélicos afirmam que Jesus, sim, teve esse tipo de parentes. 

Essa questão é mais do que uma simples curiosidade histórica, pois está no centro da discussão sobre o papel que Maria deve ter no cristianismo. Para o primeiro grupo, essencialmente os católicos, Maria tem um papel muito fundamental, pois, assim como Jesus, não teria pecado, foi transladada para os céus e também atua como mediadora entre Deus e os homens (o que está presente na oração da "Ave Maria", na parte em que é dito "... rogai por nós pecadores...". E a virgindade perpétua de Maria é parte importante da doutrina relacionada com ela. 

Já para os evangélicos, Maria foi uma pessoa muito especial - a Bíblia a chama de "abençoada entre as mulheres" - e, não por acaso, foi escolhida para ser mãe de Jesus. Portanto, ela é digna de toda consideração. Mas, seu papel não vai além disso. E, sendo assim, ela teve uma vida normal com José, tendo tido inclusive vários filhos com ele.

Análise da questão
Aqueles que afirmam que Maria não teve mais filhos/filhas precisam explicar as inúmeras referencias aos irmãos e irmãs de Jesus existentes na Bíblia, como exemplificado no início deste post. E há duas explicações que procuram enfrentar esse desafio. 

Uma delas praticamente já caiu em desuso, pois tem pouca base. Trata-se daquela que explica as referencias bíblicas como tendo sido feitas a primos/primas e não irmãos/irmãs. Digo que há pouca base porque a palavra usada na Bíblia nessas referencias significa sem qualquer dúvida irmãos/irmãs e tentar fazê-la significar primos/primas é "forçar a barra".

A outra possível explicação é bem mais plausível: José já tinha filhos/filhas de um casamento anterior, não registrados na Bíblia. E esses filhos/filhas seriam considerados pelos contemporâneos de Jesus como seus irmãos/irmãs, mesmo não tendo sido gerados por Maria.  

Há um argumento forte para essa interpretação que pode ser encontrado na passagem onde Jesus entregou sua mãe aos cuidados do apóstolo João, pouco antes de morrer (João capítulo 19, versículos 26 e 27). Caso Maria tivesse outros filhos de sangue, para cuidar dela, não haveria necessidade de Jesus ter feito isso. 

Mas também há argumentos fortes contra essa tese. Por exemplo, na descrição feita na Bíblia sobre a família de Jesus, antes do seu nascimento, somente são citados José e Maria, não havendo qualquer referencia a outros filhos/filhas de José, que certamente ainda haveriam de estar sob sua responsabilidade naquela fase da sua vida. Além disso, quando os pais de Jesus fugiram para o Egito e lá ficaram exilados por pelo menos dois anos, esses filhos/filhas de José teriam sido deixados à própria sorte, em Nazaré, cidade de origem de José. Isso tudo parece bem improvável, considerando o tom dos relatos bíblicos. 

E o fato de Jesus ter entregue Maria para João tomar conta, mesmo tendo ela outros filhos de sangue, pode ser explicado pelo fato de que eles não aceitavam Jesus como Messias, situação da qual a Bíblia dá testemunho - esses homens vieram a se converter bem mais tarde. Assim, Jesus teria entregue sua mãe para João cuidar porque ela queria ficar no meio de cristãos, que reverenciavam a memória do seu filho, o que não teria acontecido se ela viesse a viver com um dos seus demais filhos de sangue.  

Conclusão 
Esse é apenas um resumo dos argumentos pró e contra relacionados com essa controvérsia e servem para dar uma ideia sobre o alcance dessa polêmica. Minha avaliação pessoal, levando em conta todos os argumentos, é que há mais suporte bíblico para a tese que atribui outros filhos/filhas a Maria. Agora, penso também que se os irmãos/irmãs de Jesus foram filhos de outro casamento de José, nem assim há qualquer suporte bíblico para a tese de que Maria permaneceu virgem e não teve uma vida de casada normal com José, conforme defendem os católicos. 

Ainda mais, a Bíblia é muito clara que apenas Jesus é o intermediário entre Deus e os seres humanos, portanto falta base à doutrina que atribue a Maria um papel como mediadora entre Deus e os seres humanos. 

Com carinho

terça-feira, 19 de novembro de 2013

O QUE DIFERENCIA O CRISTIANISMO DAS OUTRAS RELIGIÕES

Com frequência recebo perguntas sobre as diferenças que existem entre o cristianismo e outras religiões. Essas diferenças não são fáceis de identificar algumas vezes, especialmente quando a outra religião usa, ou alega usar, conceitos teológicos cristãos.

Por exemplo, muitos espíritas se apresentam como cristãos, pois procuram seguir os ensinamentos de Jesus (e fazem constante referencia à Bíblia). Mas, se olharmos mais de perto, isso não é correto e é fácil de mostrar o por quê. O principal aspecto do cristianismo é ter Jesus como Salvador. Ora, o espiritismo não tem esse conceito já que sua teologia aceita a ideia de aperfeiçoamentos sucessivos do espírito, obtidos ao longo de múltiplas vidas (reincarnações), até atinjir um nível de aperfeiçoamento pleno. Assim, Jesus, para os espíritas, é apenas um espírito que atingiu o maior nível de aperfeiçoamento possível, sendo digno de admiração e de ter seus ensinos seguidos, mas não o Salvador. 

Por outro lado, entre os cristãos muitas vezes ocorre uma guerra fraticida, onde aqueles que deveriam ser considerar irmãos acusam-se mutuamente ensinarem doutrinas que não levam o ser humano à salvação. E na maioria das vezes são diferenças doutrinárias - como predestinação, forma de batismo, governo da igreja, etc - que claramente nada tem a ver com a questão da Graça de Deus e a salvação do ser humano. 

O problema aqui é extamente o oposto do que ocorre quando religiões que não seguem o cristianismo se dizem cristãs, mas sem o ser de fato. São denominações verdadeiramente cristãs que se acusam mutuamente de não seguirem a doutrina correta e, portanto, não serem dignas de ser consideradas cristãs. 

Portanto, a questão do que é preciso acreditar para que alguém possa ser caracterizado como criistão - digamos assim, as doutrinas cristãs mínimas - é bem importante. Bem mais do que muitso imaginam.

Às vezes, quando trato desse tema, recebo a resposta que a Bíblia diz que basta acreditar em Jesus como Salvador e confessar isso de público. Isso realmente é fato. Mas, o que não fica claro, nessa declaração, é que para uma pessoa acreditar em Cristo como Salvador, é preciso ter outras crenças que dêem sustentação a essa fé. 

Por exemplo, se existe um Salvador, é porque o ser humano precisa ser salvo de alguma coisa. E essa linha de raciocínio leva à doutrina do pecado humano - sem acreditar que o ser humano tem tendência para o pecado, se deixado por conta própria, não há como aceitar a necessidade de haver um Salvador.

Outra doutrina necessária é o Julgamento Final, quando Deus haverá de avaliar tudo o que cada ser humano fez durante sua vida e alguns irão para junto deles e outros para o inferno. Sem acreditar nisso não haveria porque ser necessária a salvação, pois não haveria qualquer consequência ruim para os pecados cometidos. E assim por diante - uma doutrina leva à outra. O cristianismo, mesmo na sua versão mínima, é um conjunto de doutrinas que se apoiam e, de forma lógica, levam umas às outras. 

E é esse núcleo de doutrinas que constitue a base da nossa crença. Todas elas são necessárias e, em conjunto, culminam por levar a pessoa a entender e aceitar Jesus como Salvador, ponto culminante da fé cristã. 

Se você quiser relembrar em detalhe quais são as doutrinas cristãs mínimas veja esse post

Com carinho   

domingo, 17 de novembro de 2013

A FALTA DE ESPERANÇA DO ARNALDO JABOR

"Sempre o mal esteve relacionado com com as intenções de quem o cometeu. Os horrores do século 20 deviam nos ter ensinado que isso é uma ilusão. O absurdo é que um mal imenso ... possa caminhar junto com uma total ausência de más intenções."     Jean Pierre Depuy no livro "Por um catastrofismo esclarecido"
Em coluna publicada em 12/11/2013, no jornal O Estado de São Paulo, de onde tirei a citação acima, o cineasta Arnaldo Jabor comentou que o mal da sociedade hoje em dia não se deve a erros de ordem moral pois é sistêmico, isto é está embutido na forma como funciona a própria sociedade. Citou como exemplo a catástrofe ecológica, que não se deve à maldade do ser humano ou à sua estupidez, mas a uma forma de pensamento errada, torta mesmo. 

Concluiu que hoje, contra o mal, só temos o fraco recurso de fazer cumprir os chamados "direitos humanos". E somente se pode ser feliz hoje em dia "fechando os olhos" para as injustiças, para as catástrofes e para as violências. 

O artigo é muito interessante e não tenho espaço aqui para discuti-lo em detalhe. Mas o que me interessa analisar é que esse tipo de pensamento vai em direção totalmente contrária à do cristianismo.

Agora, por que é importante saber qual visão de mundo é a correta, a do Jabor ou a cristã? Porque quando o diagnóstico dos problemas é errado, a solução para eles também será. Jabor, de forma coerente com sua análise, não propõe nenhuma saída - se limita a mostrar como as coisas são - porque essa saída não existe. As coisas são assim porque são assim e não há muito o que possa ser feito. Não há esperança enfim.

O cristianismo diagnostica que o mal do mundo se deve ao pecado, ou seja ao fato dos seres humanos agirem de forma contrária à vontade (Lei) de Deus. Basta pensar como o mundo seria se todos seguissem verdadeiramente o mandamento de "amar ao próximo como a si mesmo". 

O tal mal sistêmico, aquele inserido na forma como a sociedade funciona, se deve, digamos assim, ao "estoque" de pecados passados. Afinal, a sociedade onde vivemos é fruto de bilhões de decisões tomadas ao longo do tempo pelos nossos antepassados e nós mesmos. E se muitas dessas decisões foram erradas, por conta do egoismo, da ganância e de outros pecados, não é de admirar que as estruturas da sociedade sejam injustas e suas regras desumanas e tudo isso concorra para infelicitar os mais fracos. 

Acho que Isso fica bem claro na questão ecológica. Diferentemente da conclusão de Jabor, foram os pecados que impediram os países de agirem de forma correta. Por exemplo, trinta anos atrás, quando a ciência entendeu verdadeiramente os problemas relcionados com a destruição do meio ambiente, para reduzir a energia baseada no carbono, trocando-a por energia limpa, um país veria seus custos de produção aumentados e perderia espaço nos mercados internacionais. E ninguém queria abrir mão de nada que tinha conquistado. 

Aí todos os governos adotaram a posição de que fariam o certo apenas se todos os países fizessem o mesmo. Essa posição cautelosa, gerada pela falta de confiança, vem atrasando a solução dos problemas e a situação piorou muito nesses trinta anos.

Agora, se o cristianismo está certo e o problema é o pecado, há esperança. Afinal, a transformação dos corações das pessoas, através da conversão a Jesus, faria com que elas se comportassem de forma diferente, mais de acordo com os desejos de Deus. E aí a situação iria melhorar - o ciclo do pecado seria quebrado e hábitos melhores passariam a imperar.

Só Jesus Cristo pode mudar esse mundo, encontrar curas para seus males e fechar suas feridas. Foi por isso que Ele, pouco antes de voltar para o Pai, ordenou a seus seguidores que fossem por todo o mundo, pregando o Evangelho a toda criatura" (Marcos capítulo 16, versiculo 15). 

Com carinho 

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

O TAXISTA MISSIONÁRIO

Recentemente, passei por uma experiência muito interessante. Estava no meu carro com a minha mulher, quando um taxista parou ao lado e pediu para falar. Depois que abrimos o vidro, ele começou a falar de Jesus e nos deu um folheto escrito na frente e verso, intitulado "Carta aberta a todos os religiosos em geral".

Nesse papel ele apresenta a tese que Jesus é o verdadeiro caminho para Deus e aconselha as pessoas a reconhecerem isso. Um texto simples, sem gerandes pretensões, mas cheio de verdades.

Esse homem causou--me profunda impressão pela alegria com que falou sobre Jesus e sua dedicação ao evangelizar - seguimos seu carro por alguns quarteirões e ele entregou o mesmo papel para um monte de gente. 

Trata-se de um verdadeiro missionário, sendo seu campo de atuação as pessoas com quem cruza no trânsito de São Paulo. É alguém que cumpre realmente o mandamento que Jesus nos deu em Marcos capítulo 16, versículo 15"Indo pelo mundo, pregai o Evangelho a toda criatura."

Com carinho 

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

OBAMA DISSE QUE MATA MUITO BEM

Acabou de ser lançado nos Estados Unidos um livro - "Double Down: Game Change 2012" - sobre a campanha eleitoral de 2012 que re-elegeu o Presidente Barack Obama. 

Os autores - Mark Halperin e John Heilemann - afirmam literalmente no livro que, durante a campanha, o Presidente várias vezes se vangloriou dizendo que era muito bom para matar pessoas. Estava se referindo ao sucesso das atividades que seu Governo tem tido ao conseguir matar pessoas consideradas terroristas mediante ataque de drones (aviões não tripulados).

Ora, como a Casa Branca não desmentiu essa afirmação e tentou explicá-la, dizendo que foi tirada do contexto, etc, etc, fica claro que Obama disse mesmo isso, o que é uma lástima, para um homem que se declara cristão.

Esse caso mais uma vez prova que o poder corrompe. E a corrupção aqui não é desvio de dinheiro, tão comum no Brasil, e sim desvio de propósitos. Isso ocorre principalmente quando os fins - os objetivos de um governo, por exemplo, de defender seus cidadãos - justificam os meios que são empregados, como ocorre com os ataques de drones.

Matar pessoas com a justificatica de que são "inimigas" é muito preocupante. O Governo que faz isso se arroga os direitos de policia, promotor, juiz e executor da pena de morte. Tudo de uma vez só. E uma sociedade democrática não pode agir assim.

Já se sabe que foram cometidos erros nesses ataques, pois pessoas inocentes forem mortas - hoje há até uma séire de televisão muito famosa nos Estados Unidos, chamada Homeland, cujo ponto de partida é uma situação como essa. 

E o que pode ser feito pelo Governo Obama quando percebe que cometeu tal tipo de erro? No máximo pedir desculpas, o que não adianta muito. As autoridades norte-americanas se defendem dizendo que esses são "danos colaterais", um nome pomposo para terrível expressão: "coisas ruins que acontecem durante as guerras". 

Outa justificativa comum - que seria difícil pegar essas pessoas e julgá-las pelos meios convencionais - também não "cola". Se fosse assim, deveríamos voltar ao período do linchamento, quando as pessoas presas no meio da rua eram justiçadas ali mesmo pela multidão enfurecida. Os meios legais tornam a condenação das pessoas realmente mais difícil, mas também protegem os inocentes de serem condenados pelo que não fizeram.

Um país que se diz civilizado e cristão deveria usar seu poder para fazer a coisa certa - identificar seus inimigos, e puni-los, usando os meios legais a sua disposição. E, no caso de um país poderoso como os Estados Unidos, os recursos disponíveis para fazer isso são muito grandes. E, ao fazer isso, o país ganharia estatura moral perante todo o mundo.

Outra coisa a notar é que a pena de morte agora passou a ser executada à distância, como se fosse um jogo de videogame - uma pessoa opera alguns comandos, vê o que está acontecendo numa tela e explode o "inimigo". Fica fácil, muito fácil matar alguém - no final do expediente, o perador do drone vai para casa, pensando que cumpriu seu dever e fez o bem para seu país. Não há qualquer remorso.

Pelo menos, no caso da guerra real, os soldados que matavam sabiam que faziam algo de terrível, pois viam as consequencias dos seus atos nos corpos destruídos dos inimigos. Pori sso todos aqueles que participaram de conflitos como a Segunda Guerra Mundial sempre foram unânimes em reconhecer que a guerra é um negócio terrível.

Em resumo, como o comportamento de Obama e seus principais auxiliares está distante daquilo que Jesus ensinou: amar ao próximo como a si mesmo. Será que Obama gostaria ser alvo de um ataque por avião não tripulado? De receber desculpas por que familiares e amigos seus foram mortos, com a justificativa de que não passaram de danos colaterais? Certamente não. Por que então se arroga o direito de fazer isso com os outros?

Que Deus tenha piedade daqueles que cometem esses erros e daqueles que sofrem as suas consequencias.

Com carinho