domingo, 25 de setembro de 2011

DEPOIMENTO DE UM EX RACISTA

O pastor John Piper dirige uma das maiores igrejas evangélicas dos Estados Unidos - a Bethlehem Baptist Church –, tem muitos livros publicados , vários deles best sellers, e é uma das vozes mais respeitadas no mundo cristão atual. Recentemente publicou um novo livro, ainda não traduzido, chamado “Bloodlines” (algo como “Fronteiras pelo sangue”). Ele descreve ali , de forma até comovente, sua trajetória, que o levou de um racista a ser o pai adotivo de uma criança negra. Eis um extrato do que ele disse:

O depoimento de Piper
Eu fui criado, no final da década de 40 e início da de 50, na cidade de Greenville, Estado de Carolina do Sul (comentário de Vinicius: um estado americano bem racista, naquele época). Depois mudei para outras cidades e até morei no exterior. Mas aqueles anos na Carolina do Sul são a raiz da minha questão racial.

Quando eu tinha 9 anos de idade, a segregação (comentário de Vinicius: estabelecia que os lugares e os recursos públicos deviam ser separados para negros e brancos) era absoluta: bebedouros, banheiros públicos, escolas públicas, lugares para sentar nos ônibus, restaurantes, salas de espera de hospitais, e igrejas, incluindo a que eu frequentava. Não era respeitoso, não era justo, não era amoroso e, portanto, não era cristão. Era feio e iníquo.  E, por causa da minha cumplicidade, eu tenho muito que lamentar.  

Era assim a cidade onde eu cresci. Eu era um racista. Como criança e adolescente, minhas atitudes e ações levavam em conta a superioridade da minha raça, sem conhecer ou querer conhecer qualquer pessoa negra, exceto a Lucy. 

Lucy vinha à nossa casa aos sábados para ajudar minha mãe na limpeza. Eu gostava da Lucy mas toda a estratura do nosso relacionamento era iníqua. Aqueles que se defendem dizendo-se bons e caridosos e que os empregados negros até frequentam suas festividades familiares, são ingênuos no que tange ao que torna um relacionamento degradante. (comentário do Vinicius: eu pensei assim por muito tempo - na casa da minha avó havia duas empregadas negras que nos serviam a qualquer tempo e hora e que eu pensava "serem como da família".) 

É claro que éramos agradáveis com ela. Nos amávamos a Lucy. Ela foi convidada para o casamento da minha irmã. Mas isso desde que ela e sua família soubessem onde era o seu lugar. Sermos agradáveis, termos afeição e permitirmos participação em nossas vidas, é o que fazemos também com nossos animais de estimação. E isto não tem nada a ver com honrar, respeitar e ser igual aos olhos de Deus. E minha amizade por Lucy não restringia em nada minhas atitudes racistas, quando eu estava com meus amigos.

Em 1962, minha igreja local votou por não permitir acesso aos negros aos nossos cultos. A razão, pelo que me lembro, é que, no meio das disputas políticas por igualdade social, havia receio que os únicos negros que quereriam frequentar a nossa igreja seriam aqueles com uma agenda política e a igreja não estava lá para isso.  Eu me lembro que a minha mãe foi a única voz que se levantou contra isso. 

Em Dezembro do mesmo ano, minha irmã se casou e a família da Lucy foi convidada para o casamento. E eles vieram - foi um momento muito tenso e estranho, quando eles chegaram no saguão da igreja. Os introdutores não sabiam o que fazer. Um deles ameaçou levá-los para o balcão, que raramente era usado pelos membros da igreja. Minha mãe – com todos os 1,55m de altura dela – interveio e tomou essas pessoas pelo braço e as levou para sentar no meio da congregação.  

Minha mãe, depois de Deus, foi a semente da minha salvação. Enquanto eu via o drama se desenrolar, eu sabia bem dentro de mim que as minhas atitudes eram uma ofensa à minha mãe e a Deus. Sou muito grato pela convicção e coragem da minha mãe.  

Outro momento memorável do meu despertar para o racismo, ocorreu no ultimo ano do meu curso superior. Noël, com quem eu casaria um ano depois, foi comigo a uma conferência sobre Missões, em Dezembro de 1967.  Durante as perguntas e respostas, diante de milhares de estudantes, foi feita a seguinte pergunta ao pastor Warren Webster, ex-missionário no Paquistão:  "O que você faria se sua filha se apaixonasse por um paquistanês e quisesse casar com ele?"  Webster respondeu:  "Melhor um cristão paquistanês do que um americano sem Deus!" 

O impacto em Noël e em mim foi enorme. Naquele momento eu percebi que tinha muito “dever de casa" para fazer. Afinal a inadequação dos casamentos inter-raciais tinha sido, até então, para mim, uma das razões mais fortes para justificar a segregação racial. 

No ano seguinte, 1969, quando eu comecei meus estudos no Seminário, Martin Luther King Jr. foi assassinado. Foram dias explosivos e eu sou grato aos meus professores que tinham preocupação com essas questões e compromisso em nos ensinar perspectivas bíblicas para essas questões. Um desses professores, Paul Jewett, compilou uma apostila de 208 páginas intitulada "Leituras sobre o preconceito racial.” Essas leituras me chocaram – eu nunca tinha lido ou ouvido nada assim. Até hoje tenho essa apostila no meu escritório, em frente à minha mesa. A introdução de Jewett, na apostila, termina assim: "Precisamos lembrar que se Deus nos deu uma revelação sobre a verdadeira natureza do ser humano, nós seremos cobrados por não viver de acordo com a luz dessa revelação...".

Ao terminar o Seminário eu fui estudar na Alemanha e tive oportunidade de visitar o campo de concentração de Dachau, que ficava há poucas milhas de Munique, onde eu morava. Todo aquele horror – câmaras de gás, fornos crematórios, etc – foi montado em nome da crença da superioridade da raça ariana. E essa percepção me ajudou muito a mudar minha concepção racista.  
  
Logo depois que eu completei 50 anos (Comentário de Vinicius: Piper já era o pastor titular da igreja onde está até hoje), Noël recebeu um telefonema de uma amiga, assistente social, que disse para ela: "Eu tenho uma garotinha que precisa de uma família. Eu penso que ela é para você”.  

Será que essa era resposta das muitas orações da minha mulher por uma filha, depois de ter tido 4 filhos? Não foi uma decisão fácil, pois a criança era negra. E recomeçar na função de pais, com idade de 50 anos, não era o nosso plano.  Muitos pensaram que eu estava louco. 

Noël e eu oramos muito. Finalmente eu soube a resposta: ame sua mulher, ame sua nova filha como se fosse do seu sangue e assuma o compromisso, até o final dos seus dias, com a questão da harmonia racial (nada pode fazer um pastor se comprometer mais com uma causa, do que quando ela está presente na sua própria família). 

Deus vai me julgar um dia. E eu espero ter sido um bom mordomo dos meus talentos e tempo. Mas a confiança que tenho não está nisso. E sim na perfeição de Jesus que Deus me creditou através da fé.  Eu acredito que haverá no meu ministério suficientes frutos imperfeitos do amor para testemunhar que a minha união com Jesus, através da fé, foi real. 

Comentário final 
É especialmente importante essa discussão nesse momento em que se debate o futuro da Palestina, separada ao longo de linhas raciais, conforme comentei nos meus dois últimos posts. 

Serve também para refletirmos, aqui no Brasil, onde ainda temos uma forte discriminação racial, que está mascarada no nosso dia a dia. Sem contar as discriminações  de caráter social, onde os mais pobres são prejudicados de muitas formas por uma sociedade injusta.

Com carinho
Vinicius 

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

A PALESTINA DENTRO E FORA DA BÍBLIA - PARTE 2

O domínio romano
Esse período nos interessa de perto pois nele que Jesus viveu. Os romanos procuraram nomear reis locais, que tinham autoridade limitada, mas os ajudavam a controlar a situação. Um desse reis foi Herodes o Grande, que estabeleceu uma dinastia que durou muitos anos - é essa família que aparece em vários episódios da vida de Jesus e dos Apóstolos. 

Herodes reconstruiu o Templo de Jerusalém, o que foi feito em escala gigantesca para a época. É esse o Templo que Jesus conheceu, chamado de Segundo Templo (ver Mateus capítulo 13, versículos 1 e 2).

Os judeus se revoltaram duas vezes contra os romanos e acabaram, ao final, perdendo sua terra: o nome da região passou a ser Síria Palestina e o da cidade de Jerusalém, Aelia Capitolina. No lugar do Templo de Herodes foi construído um templo a um deus romano, sendo que os judeus foram impedidos de morar na cidade. 

No final do domínio romano (início dos século IV), a religião oficial passou a ser o cristianismo e data dessa época a re-descoberta dos chamados lugares santos, onde foram construídas igrejas cristãs (Natividade, Santo Sepulcro, etc), que existem até hoje.
Sem pátria
Assim, durante séculos, os judeus ficaram sem pátria. Depois de expulsos pelos romanos, eles foram voltando aos poucos, mas sempre sobre domínio de outro povo. A Palestina passou sucessivamente para as mãos dos gregos, árbes, dos cristãos (na época das cruzadas), dos turcos, até chegar á mão dos ingleses. O interessante é que, durante o período árabe, muçulmanos e judeus viviam lado a lado, em regime de tolerância mútua. Já os cruzados foram absolutamente intolerantes e massacraram indistintamente muçulmanos e judeus.

A fundação do Estado de Israel
Ao final da Primeira Guerra Mundial, a Palestina virou um Protetorado Britânico – nessa época existiam cerca de 500.000 muçulmanos e 50.000 judeus morando na região. Os judeus inicialmente tiveram apoio dos ingleses para se estabelecer na região e aumentaram em muito a sua presença. Entretanto, com as crescentes tensões na disputa pelas terras, os ingleses começaram a impor limites e dificuldades para novas migrações judaícas.

Após o Holocausto – quando cerca de seis milhões de judeus foram mortos pelos nazistas - passou a haver na comunidade internacional o sentimento de que os judeus deveriam ter um lar seu. Com isso, em 1947, a ONU declarou a Partilha da Palestina entre árabes e judeus.

Naquele momento, a Palestina tinha cerca dois milhões de habitantes, sendo 600.000 judeus e 1.400.000 árabes. Os judeus foram favorecidos, pois ficaram com cerca de 55% do território. Em maio de 1948, Israel proclamou sua independência. 

O conflito árabe-israelense
Imediatamente, os países árabes (Egito, Jordânia, Líbano, Síria e Iraque) declararam guerra ao recém criado estado, que esteve no limiar de ser destruído por seus adversários. Ao final da guerra, Israel prevaleceu, por sua melhor organização e conquistou mais terra, acabando com cerca de 68% do território.  600.000 árabes fugiram da Palestina, tornando-se eles e seus descendentes refugiados, problema não resolvido até hoje.

Diversos conflitos se sucederam, sendo o mais importante deles ocorreu em 1967. Em seis dias, Israel obteve grande vitória, tomando diversas regiões chave como as colinas de Golan (da Síria), a península do Sinai e a faixa de Gaza (do Egito) e Cisjordânia e a cidade de Jerusalém (da Jordânia) - a conquista de Jerusalém é, sem dúvida, um sinal do cumprimento das profecias bíblicas.

Hoje há cerca de seis milhões de judeus e seis milhões de árabes palestinos convivendo diariamente em um ambiente de constante tensão. Um verdadeiro abismo separa as duas populações, em termos culturais, sócio-econômicos, políticos e religiosos.

O ponto de vista espiritual e as promessas bíblicas
Se Deus fez promessas a Abraão e seus descendentes de que a terra da Palestina seria deles, porque permitiu que os judeus fossem expulsos de lá e ficassem dispersos por 1.800 anos?

A Bíblia nos explica isso em várias passagens: por exemplo, ver Jeremias capítulo 25, versículos 2 a 11. A causa está clara: a infidelidade. As promessas dadas ao povo estavam ligadas diretamente ao seu relacionamento íntimo e fiel com Deus. Longe Dele, Israel era somente um pequeno reino entre impérios mais poderosos. Quando Deus retirou o seu apoio, eles rapidamente sucumbiram.

Mas não acaba aí. Deus também revelou (ver Jeremias capítulo 30) que o povo de Israel será restaurado. Na verdade, estamos vivendo no período histórico em que essa promessa está sendo cumprida, aos poucos - o renascimento da nação de Israel é um prova disto. Porém ainda falta muito para esse processo chegar ao final.

É certo que somente haverá paz na Palestina caso se chegue a algum tipo de acordo com os árabes palestinos. Entretanto, até nossos dias nenhum acordo pôde ser alcançado. Os dilemas são inúmeros pois os radicais de ambos os lados anseiam pela destruição do inimigo, achando que possuem mandato de Deus para isto. Enquanto isso, ambos os povos sofrem de forma constante com a violência e o potencial destrutivo desse conflito é capaz de desencadear uma guerra mundial.

Somente em Deus reside a solução para tão difícil questão. Quando todos os povos ali envolvidos entenderem isto, é que uma solução duradoura será alcançada.


segunda-feira, 19 de setembro de 2011

A PALESTINA DENTRO E FORA DA BÍBLIA - PARTE 1

Introdução
A Palestina, também conhecida como Terra Santa, Israel ou Canaã, está outra vez nas manchetes, com o possível reconhecimento de um Estado não judeu pela Assembléia Geral da ONU. O nome Palestina para designar a região é hoje o mais difundido, inclusive na imprensa brasileira, por isto será usado neste post. 

A Palestina é um pequeno território (25.000 km²) espremido entre nações maiores. Ao sul, a potência sempre foi o Egito, enquanto que ao norte sempre há uma potência de plantão na região da Mesopotâmia (atual Iraque) ou próxima a ela, como a Assíria, a Babilônia, e a Pérsia (hoje Irâ). Invasores de outras regiões também dominaram a Palestina, como os gregos, os romanos, os árabes, os turcos e os ingleses.

Jerusalém é a cidade principal e razão de discórdia permanente entre judeus e muçulmanos, por ser sagrada para ambas as religiões. Lá está localizada a “Esplanada das Mesquitas”, ou "Monte do Templo", onde ficava o Templo consagrado a Deus, construído por Salomão e reconstruído por Herodes (na época de Jesus). Nessa mesma Esplanada estão localizadas duas mesquitas, Al Aksa e o Domo da Rocha. Esse último possui uma cúpula revestida de ouro e é considerado o terceiro local mais sagrado para os muçulmanos (para eles, foi da rocha localizada dentro dele que Maomé subiu aos céus).

Jerusalém foi também o lugar onde Jesus Cristo morreu nas mãos dos romanos e onde ressuscitou após três dias na tumba, por isto sua importância para os cristãos e enorme.

Por isso tudo, essa pequena área tem uma grande importância política no mundo e cada evento que lá acontece tem repercussões globais.

Tendo em vista as inúmeras perguntas que tenho recebido sobre o assunto nos últimos dias, entendi que seria de interesse fazer um resumo do que se conhece da história da região, usando a Bíblia e as outras fontes históricas disponíveis. Naturalmente que a minha perspectiva, como não poderia deixar de ser, será cristã.

Os Patriarcas
A história da Palestina começa com um homem, Abraão, que acredita numa promessa de Deus, que seria o Patriarca de uma nação (Israel). Esta promessa está contida em diversos pontos do livro de Gênesis, como por exemplo no capítulo 17, versículos 5 a 8: "E não se chamará mais o teu nome Abrão, mas Abraão será o teu nome; porque por pai de muitas nações te tenho posto; E te farei frutificar grandissimamente, e de ti farei nações, e reis sairão de ti; E estabelecerei a minha aliança entre mim e ti e a tua descendência depois de ti em suas gerações, por aliança perpétua, para te ser a ti por Deus, e à tua descendência depois de ti. E te darei a ti e à tua descendência depois de ti, a terra de tuas peregrinações, toda a terra de Canaã em perpétua possessão e ser-lhes-ei o seu Deus."

Os Judeus, assim como a maioria dos cristãos, entendem que essa promessa é a base de seu pleito para ter a posse da Palestina. Enquanto isso os muçulmanos não aceitam a Bílblia como autoridade final sobre o assunto e alegam que Ismael - primeiro filho de Abraão e que, pela tradição, é o pai dos povos árabes - seria o verdadeiro e legítimo herdeiro da promessa de Deus a Abraão. Essa já é uma boa indicação de como o tema é difícil de discutir em bases equilibradas.

Um dos netos de Abraão, Jacó, teve doze filhos que foram os Patriarcas das 12 tribos (clãs) em que Israel se organizou. Jacó teve depois seu nome mudado por Deus para Israel (“o que lutou com Deus”). 

A família morava na Palestina mas acabou migrando para o Egito, após um período de grande fome. Ficaram lá por bom tempo, em boas condições de vida, mas acabaram escravizados. Deus levantou um libertador, Moisés, que livrou o povo do cativeiro. Esse povo peregrinou cerca de 40 anos pelo deserto do Sinai (atual Egito) e entrou na Palestina sob a liderança de Josué, o sucessor de Moisés. É nesse momento histórico, entre a saída do Egito e a entrada na Palestina, que nasce Israel como nação, história contada no livro de Josué. 

Israel jamais dominou totalmente a Palestina. Os Filisteus, por exemplo, habitavam numa faixa costeira ao sul, conhecida como Gaza (hoje Faixa de Gaza) e sempre mantiveram autonomia em relação a Israel. Jerusalém mesma, somente foi conquistada por volta do ano 1000 AC, muito depois da entrada do povo de Israel na Palestina.

O reino unido
Tempos depois, devido a crescente pressão que os Israelitas sofriam por parte dos Filisteus e outros inimigos, o povo pediu ao profeta Samuel, que lhes escolhessem um rei, para que passassem a ter um governo centralizado, juntando as 12 tribos, e mais forte. A escolha de Deus recaiu sobre Saul, que começou então o processo de unificação das tribos, conforme relato da primeira parte do livro de 1 Samuel.

O reinado de Saul foi conturbado com muitos desafios externos e constantes guerras. Saul perdeu o rumo e foi substituído por Davi, que foi um dos maiores líderes da história de Israel.Num golpe de gênio, Davi escolheu a cidade de Jerusalém para capital do reino, por que tal escolha não causaria ciúme a nenhuma das tribos, já que pertencia a um povo diferente, os jebuseus. 

Foi em Jerusalém que Davi se propôs a edificar um Templo para Deus, tarefa que foi concluída por seu filho, Salomão - por isto o edifício erguido passou a ser conhecido como Templo de Salomão. Assim Jerusalém passou a ser não somente o centro político de Israel, mas também o seu centro de culto, isto cerca de uns 3.000 anos atrás.

Os reinos separados
Depois houve uma rebelião das dez tribos do norte, que se separaram sob a liderança de um rei, Jeroboão. Esse novo reino passou a se chamar Israel, com capital em Samaria. Enquanto isso, ao sul, Roboão, filho de Salomão, continuou a reinar sobre o reino menor, chamado Judá, com sede em Jerusalém. 

Israel e Judá caminharam ao longo da história por vezes unidos e algumas vezes em conflito, havendo até momentos de guerra entre eles. Divididos, eles ficaram mais fracos e acabaram sendo destruídos pelos impérios que os cercavam. 

Israel, ao norte, viveu muitos altos e baixos, sendo governado por nada menos do que nove diferentes dinastias em cerca de 200 anos. Foi destruído, pelos Assírios, no ano de 722 AC. Boa parte da população foi levada cativa e nunca mais retornou, tendo perdido sua identidade cultural e nacional - estas são as chamadas “dez tribos perdidas de Israel”. O reino de Judá (ao sul) perseverou por mais cento e cinqüenta anos, mas foi destruído por Nabucodonosor, da Babilônia, em 586 AC. Nessa invasão foi destruído o Templo de Salomão, que teve seus tesouros saqueados (2 Reis capítulo 25). 

O retorno do exílio
O destino do povo judeu, após a destruição de Jerusalém e do Templo, pareceu tornar-se sem esperança. Mas, Deus uma vez mais se interveio, levantando um rei entre os persas, Ciro, o Grande, que derrotou os babilônios no ano de 539 AC. Ciro manteve uma política muito mais liberal para com os exilados e inclusive permitiu seu retorno. 

Um grupo de líderes judeus voltou então para Israel (Neemias, Esdras e outros) e Ciro inclusive permitiu que eles reconstruíssem o Templo de Jerusalém, por volta de 515 AC, mas mais pobre e simples que o original.

Mesmo de volta à sua terra, os judeus permaneceram submetidos a diferentes potências estrangeiras, que se sucederam ao longo da história. Primeiro pelos gregos e depois pelas dinastias derivadas de Alexandre, o Grande: os Selêucidas (na Síria) e os Ptolomeus (no Egito).

Houve então uma revolta, liderada pela família Macabeus, que trouxe a independencia por cerca de 100 anos apenas, mas por volta do ano 60 AC chegaram os romanos. E tudo ficou mais difícil.

Continua na parte 2