segunda-feira, 30 de abril de 2012

OS CRISTÃOS COSTUMAM SER BONS EM DUAS COISAS...

A maioria dos cristãos costuma ser muito boa fazer duas coisas: 

1) Ficar apenas assistindo o “jogo”
De vez em quando eu me pego nessa posição - trata-se da situação em que a pessoa se contenta em ficar sentada na "arquibancada", vendo outros lutarem para fazer a obra de Deus neste mundo e não se motiva a "arregaçar as mangas" para ajudar. 


É como se o dízimo comprasse a entrada da pessoa para o "estádio" e partir daí ela tivesse direito de assistir a tudo e até fazer críticas quando tal e qual pessoa não está "jogando" bem - por exemplo, o sermão hoje não foi bom, ou a distribuição de cestas básicas está muito confusa, ou a aula da escola dominical estava pouco inspirada.
 

A carta de Tiago, irmão de Jesus, no capítulo 4, versículo 17, diz literalmente: “Portanto, aquele que sabe que deve fazer o bem e não o faz, nisso está pecando." Ou seja, existe o pecado por omissão, isto é aquele que decorre da pessoa se omitir em fazer aquilo que está ao seu alcance. Confesso que quando penso nisto, passa-me um frio na barriga e vejo quanto ainda preciso melhorar. 

E você? Também é bom de ficar na "arquibancada"?

2) Reagir com excesso
Algumas pessoas não suportam que alguém faça algo errado no trânsito: reagem com palavras de baixo calão, ameaçam, fazem gestos, etc. É o que se chama reagir com excesso, pois a causa não justifica o tamanho da reação. 


E a reação com excesso é muito comum entre os cristãos. Se um pastor conhecido fala uma heresia, se um irmão comete um pecado considerado daqueles "terríveis", se outro irmão não cumpre com suas obrigações na igreja, etc, muitas pessoas reagem pesadamente. 
 
E essa reação é “justificada” pelo ardor pela causa de Cristo - frases comuns são "não consigo ver as palavras de Jesus distorcidas assim e é preciso denunciar essa heresia", ou "esse pecado não pode ficar sem punição, senão daqui há pouco vai valer tudo", ou ainda "não quero mais essa pessoa atuando no meu ministério pois ela só atrapalha". 


Ora, os seguidores verdadeiros de Cristo não julgam e condenam dessa forma. Não “demonizam” os que pensam de forma diferente ou têm desempenho aquém daquele que achamos necessário.
 

É muito perigoso chegar rapidamente a julgamentos sobre as pessoas e estabelecer punições para os erros encontrados. Os cristãos que fazem isso podem errar no diagnóstico, cometer injustiças e até agir como bobos. Um pouco de paciência, calma, tolerância e sabedoria nunca faz mal. Todos os cristãos deveriam ter isso em mente.
 
Com carinho

Vinicius

quinta-feira, 19 de abril de 2012

VOCÊ ESTÁ ESTUDANDO TEOLOGIA E NEM SABIA...

Você vai falar de apologética no seu blog? Está louco? Ninguém vai querer ler sobre isso.” Foi o que ouvi de um amigo, quando contei para ele os planos que tinha - apologética é a parte da teologia que faz a "defesa da fé cristã", ou seja discute coisas como as provas de que Deus existe, de que Jesus Cristo veio mesmo ao mundo, de que nem todos os caminhos levam a Deus e outras questões assim.

Aqueles que têm acompanhado esse blog sabem que já falei muitas vezes sobre esses temas aqui (por exemplo, nos dias 30/08/11, 3/09/11, 30/09/11, 19/12/11, 20/12/11, 6/01/12, 9/01/12, 2/02/2, 24/02/2, 4/03/12, 21/03/12, 10/04/12 e 14/04/12) e vários desses textos estão entre os mais populares do blog.

Na verdade, as pessoas constroem mitos que acabam se tornando “verdades”. Por exemplo, existe o mito de que o “povão” gosta de programa de televisão ruim – sem conteúdo, com piadas de baixo nível, com mulheres seminuas sambando, etc. Mas, na prática, toda vez que surgem coisas boas e inovadoras na televisão, jogam os programas para horários muito tardios, dificultando que as pessoas assistam. E aí a audiência é baixa, “confirmando” o mito.

Teoria ou prática?
Há três mitos que de certa forma desafiei, acho que com sucesso, aqui neste blog:
 

Mito 1: As pessoas não estão prontas para estudar teologia 
Imagine que você chega para um grupo de cristãos e faça a pergunta: Como você sabe que Deus existe? Ou ainda,  como você sabe que a Bíblia relata fatos verdadeiros? Vai receber muitas respostas e a mais frequente será: "eu não sei, mas queria saber." Eu posso afirmar isso pois já fiz esse tipo de teste muitas vezes, em diferentes ambientes.

As pessoas discutem questões teológicas com muito mais frequência do que pensam, apenas não sabem que estão fazendo isso. Perguntas como essas aparecem toda hora e as pessoas estão prontas para ouvir as respostas.

Mito 2: Teologia é muito acadêmica
É claro que estudar teologia puxa um pouco pelo raciocínio das pessoas. Mas isso não é ruim, afinal Deus nos criou com cérebros. Se esse processo for muito exagerado, certamente as pessoas vão ter dificuldades de entender e ficar desmotivadas. Mas isso não quer dizer que nada pode ser estudado do ponto de vista teológico.

Mito 3: Estudar teologia leva ao questionamento da Bíblia
As pessoas vão questionar e ser questionadas sobre a Bíblia quer estudem teologia ou não. Mas é o estudo da teologia que ajuda a resolver essas dúvidas e deixa as pessoas mais seguras quanto à sua fé. 


O casamento perfeito entre teoria e prática 
Cristãos mais tradicionais tendem a enfatizar a teologia, com suas prescrições de como deve ser o comportamento das pessoas. Já aqueles que seguem uma linha dita mais espiritualizada (neopentecostais, carismáticos e outros) tendem a enfatizar a experiência, pois ela seria tudo que verdadeiramente importa. 

Ora, a Bíblia nos mostra que ambas as abordagens, tomadas isoladamente, limitam a experiência cristã. Sem teoria, o cristão não sabe no que deve crer e acaba sendo presa fácil de qualquer aventureiro. Por outro lado, sem a prática, a teologia fica “engessada” e vazia e não serve rigorosamente para nada - por exemplo, de que adiantaria escrever longamente sobre a importância da oração e não conseguir orar?  
 
E há um excelente exemplo desse casamento: o grande escritor cristão C.S Lewis produziu dois livros sobre o sofrimento humano. No primeiro deles, chamado “O problema da dor”, tratou dessa questão sob um ponto de vista teórico (teológico) – ele buscou na Bíblia conceitos para embasar uma doutrina que ensinasse o cristão a passar pelo sofrimento. Já no livro chamado de “Anatomia de uma dor”, ele descreveu a experiência que teve de perder a mulher da sua vida (sua única paixão verdadeira) para o câncer. É um relato pungente e belo, vindo do coração.

Os dois livros são muito diferentes entre si e se complementam perfeitamente. O primeiro é teórico, racional e organizado, enquanto o segundo é um grito de desespero lançado ao espaço. Mas as pessoas somente podem avaliar inteiramente o impacto do sofrimento vivido sobre a vida espiritual de Lewis, quando aprenderam os conceitos teológicos que ele mesmo apresentou no seu primeiro livro sobre essa questão. Se você tem dúvidas, leia os dois livros nessa ordem - primeiro o teórico e depois o prático - e verá que tenho razão. Ambos estão disponíveis em português e não são caros.

Conclusão
A vida do cristão não pode ser uma disputa entre mais raciocínio teológico ou mais prática espiritual. É preciso ambos e em igual dose. Não se trata de fazer uma coisa em detrimento da outra, mas sim fazer ambas e enriquecer um tipo de vivência com o outro.

Com carinho

Vinicius