quarta-feira, 26 de março de 2014

QUANDO UM LÍDER CRISTÃO MUDA DE POSIÇÃO

A revista Christianity Today noticiou que o Pastor Ulf Ekman, fundador de uma grande igreja evangélica na Suécia, com mais de 3.000 membros, anunciou que está deixando sua denominação para se juntar à Igreja Católica, junto com sua esposa. 

"Cheguei à conclusão que a igreja que representei nos últimos 30 anos, apesar do sucesso e das muitas coisas boas que ocorreram nos seus vários campos missionários, é parte da crescente fragmentação do cristianismo", declarou o Pr. Ekman. 

Ele disse ainda que passou por lenta transformação durante a última década, à medida que pôde conhecer mais profundamente alguns catolícos praticantes pertencentes ao movimento Renovação Carismática e percebeu que não há razão para a maioria das críticas que os evangélicos fazem à Igreja Católica. Segundo ele, "os protestantes precisam conhecer melhor a fé católica".  

A repercussão

O que acontece com uma comunidade religiosa quando o principal líder muda suas convicções? Quais são as repercussões?

Antes de tudo é preciso ter em conta o perigo que existe quando a igreja ou denominação tem um líder carismático, a qual segue fielmente. Uma liderança desse tipo certamente traz grandes vantagens: facilita o crescimento da igreja (baseado no carisma do líder), a liderança forte dá à comunidade um senso de direção e a tomada de decisões é mais rápida e eficiente (pois quase não há contestação).

O problema com esse modelo de liderança é que quando algo de ruim acontece com a pessoa do líder (p. ex. um problema de ordem moral), a vida espiritual da comunidade como um todo sofre muito. Vimos isso acontecer aqui no Brasil, em várias igrejas importantes, nos últimos dez anos. Também houve vários exemplos nos Estados Unidos e recentemente o caso do Pr. Sho, sul coreano, líder de uma das maiores igrejas do mundo, preso por sonegação de impostos.

Uma lidernça muito forte acaba, de certa forma, atrelando o destino da igreja ou denominação à sorte do seu líder. E como todos os seres humanos erram e cometem peacdos, esse caminho é extremamente arriscado para a saúde espiritual da comunidade.

Agora, quando um líder carismático, como o Pr. Ekman, muda de pensamento teológico, passando a aceitar doutrinas que antes rejeitava ou vice versa, o problema pode ficar ainda mais difícil de tratar. Lembro bem quando o principal dirigente de uma denominação cristã deixou de aceitar a ordenação de mulheres, embora sua igreja já contasse com pastoras ordenadas. Imagine a situação dessas pastoras que viram de repente seu chamdo e ministério contestado dentro da própria denominação à qual dedicaram sua vida? Certamente foi muito difícil para elas.  

A mudança de convicção do líder, além de ter consequências práticas ruins, como no exemplo que acabei de dar, coloca dúvidas na mente dos membros da sua comunidade. Alguns deles, por conta da sua confiança irrestrita no líder, vão aceitar as novas idéias, sem questionar muito o que está acontecendo. Mas muitos outros não vão querer mudar suas convicções, por não terem sido convencidos. Mas ainda assim vão ficar com dúvidas quanto a algumas de suas crenças - afinal, o líder que respeitam muito mudou seu pensamento a respeito delas.  

Trata-se de uma situação em que só há perdedores - nada de bom advém de tudo isso. No caso que relatei acima, o Pr. Ekman teve que abandonar sua igreja, pois a maioria dos membros não aceitou suas novas posições. É claro que o impacto na comunidade está sendo muito grande. 

Isso quer dizer que um líder religioso não pode mudar suas convicções? Não pode estudar um assunto em profundidade e chegar a conclusões diferentes? Não pode evoluir? Claro que sim - eu mesmo já mudei algumas de minhas idéias. 

Mas tal tipo de mudança tem limites - eu desconfio muito de grandes mudanças, como a do Pr. Ekman, pois isso não parece razoável na vida de uma pessoa espiritualmente amadurecida. Mudar a interpretação de uma passagem bíblica, por ter evoluído no pensamento, é uma coisa, deixar toda a obra de uma vida para trás, dizendo que ela concorre para a fragmentação do cristianismo, é outra bem diferente. Mudanças tão grandes são, a meu ver, indicação de questões mais profundas na vida do líder que vão muito além do aspecto teológico.

Agora, quando o líder mudar de pensamento, precisa entender bem as consequências de suas atitudes sobre as pessoas que confiaram e acreditaram naquilo que ele ensinou antes. Não me parece que o Pr. Ekman tomou esse cuidado - ele simplesmente saiu da sua denominação e seguiu outro caminho, sem se explicar muito ou perder tempo olhando para trás.

Pessoas que se dispõem a um papel de liderança no meio cristão assumem responsabilidades com os fiéis - tenho isso muito claro na minha mente, no que tange ao papel que exerço aqui no blog. Quando aceitam liderar algum trabalho na obra de Deus, as pessoas precisam estar conscientes dessa responsabilidade. Afinal, Jesus advertiu seriamente aqueles que não entram no céu e concorrem para que os outros não entrem também (Mateus capítulo 23, versículo 13) - essas pessoas serão punidas severamente.

Com carinho

quinta-feira, 20 de março de 2014

MANTENDO O EQUILÍBRIO DO SER HUMANO

O ser humano normalmente enfrenta grandes dificuldades para levar uma vida plena de paz, alegria e significado, em harmonia com Deus e o próximo. Problemas como insegurança, medo, ansiedade excessiva, rancor e depressão são como ervas daninhas, pois crescem em qualquer lugar (mente) e a qualquer momento.

O cristianismo e a ciência sempre procuraram as causas e a forma de tratar essas questões, mas durante muito tempo as abordagens defendidas por esses dois campos eram totalmente separadas entre si. 


Os estudiosos do comportamento humano, como Freud e outros, entendiam (muitos ainda pensam assim) que as respostas para os problemas do ser humano só podiam ser encontradas na psicoterapia, nas suas mais diferentes abordagens, como a psicanálise.

Já muitos psiquiatras e outros partidários da chamada “solução Prozac” entendiam (muitos ainda pensam assim) que os remédios tinham a resposta rápida e fácil para essas dificuldades – basta identificar o remédio adequado e a dosagem certa.


Por outro lado, a maioria dos líderes cristãos pensava (muitos ainda pensam assim) que a questão espiritual predomina sobre qualquer aspecto físico ou emocional. E desenvolveram duas abordagens distintas para lidar com os problemas do ser humano. A primeira atribuía tudo à influência de espíritos malignos, dos quais a pessoa precisa ser libertada – essa é a essência da chamada linha pentecostal (libertação). A outra abordagem defendia que todas as questões humanas tinham sua raiz no pecado e a solução sempre passa pelo arrependimento e pelo perdão – essa é a linha do movimento chamado “Aconselhamento Cristão”


Essas duas posturas geraram como consequência a crença que “cristão não toma remédio nem faz terapia”, que ainda está muito presente nas igrejas evangélicas. 

Felizmente, aos poucos, as posições mais extremadas vêm sendo abrandadas, à medida que todos vão conhecendo melhor o que é o ser humano - sua enorme complexidade e as múltiplas dimensões que demonstra ter. Hoje sabemos que os aspectos físicos, emocionais e espirituais se interligam, fazendo do ser humano um todo coerente e não há mais lugar para pensá-lo como três “compartimentos” totalmente independentes entre si. 

E, assim, diversos “dogmas” do passado vão sendo aos poucos superados. Muitas vezes, o problema da pessoa é realmente físico - por exemplo, muitos tipos de depressão têm a ver com desequilíbrios da química do cérebro -, sendo natural que ela tome um remédio (p. ex. antidepressivo) para reestabelecer o equilíbrio químico cerebral.

Outras vezes, as dificuldades são de fundo exclusivamente emocional: por exemplo, as sequelas causadas por abuso sexual sofrido na infância ou pelo abandono por parte dos pais. O que deve ter primazia, em casos desse tipo, é o tratamento psicoterapêutico.  

Agora, não é possível esquecer que existem sim questões causadas essencialmente pela ação de espíritos malignos (Jesus mesmo expulsou demônios de um homem tido como louco e ele se curou - Marcos capítulo 5 versículos 1 a 20) ou pelo pecado (a depressão de Davi depois de cometer adultério com Bate–Seba teve essa causa - ver Salmo 38). 

Além disso, males físicos ou emocionais quase sempre geram consequências espirituais: por exemplo, a pessoa doente pode “brigar” com Deus por não aceitar que Ele tenha permitido a sua enfermidade. Assim, cabe um acompanhamento espiritual paralelo ao tratamento físico e/ou psicoterapêutico. 

Da mesma forma, questões espirituais também podem gerar doenças físicas e/ou emocionais, as quais precisarão ser tratadas em paralelo por profissionais capacitados. 

Em resumo, é preciso perceber que as dificuldades pelas quais as pessoas passam sempre geram reflexos nas dimensões física, emocional e espiritual, qualquer que seja sua origem, pois o ser humano é um todo. E o tratamento para elas precisa sempre considerar essas três dimensões, de forma equilibrada e em paralelo.

Com carinho

terça-feira, 18 de março de 2014

AS DIFERENÇAS ENTRE OS CRISTÃOS

Vou começar fazendo três perguntas:

  • Até que ponto você acha que Deus se envolve nas questões diárias do mundo?
  • Até que ponto você acha que Deus julga o que as pessoas fazem?
  • Até que ponto você depende de Deus na sua vida diária?

Essas perguntas são importantes porque caraterizam como você, eu e todos(as) os(as) demais cristãos(ãs) se relacionam com Deus. Estudo recente - ver o livro "What we say about God and what that say about us" de Paul Froese - confirmou que são as respostas a essas perguntas e não os rótulos denominacionais (metodista, presbiteriano, batista, etc) que de fato diferenciam as pessoas entre si. 

É claro que parte do conteúdo dessas respostas vem  dos ensinamentos passados pela próprias denominações cristãs. Mas a parte mais importante é construída pela própria pessoa com base nas suas experiências individuais - com quem convive, os livros que lê, as respostas de oração que obteve e assim por diante. 

Essas experiências acabam compondo um quadro mental que define como a pessoa entende a figura de Deus e a forma como Ele quer se relacionar com o ser humano. E é a partir daí que ela estabelece como vai responder. 

Por exemplo, se ela entende Deus como alguém que interfere muito no dia a dia das pessoas, passa a esperar que as respostas para seus problemas venham diretamente d´Ele e, em consequência, tende a rejeitar respostas alternativas oferecidas pela ciência e a sociedade em geral. Já alguém que vê Deus como Criador do universo, mas entende que as coisas funcionam mais ou menos sozinhas, através das leis físicas universais também estabelecidas por Ele, tende a aceitar com maior facilidade as soluções produzidas pela ciência e a a sociedade em geral e não fica esperando muito pela intervenção divina. 

É claro que o nível sócio-econômico e a escolaridade, impactam fortemente a formação das experiências individuais das pessoas e, portanto, o quadro mental que estabelecem sobre Deus.  Por exemplo, pessoas das classes C/D tendem a crer num Deus mais severo, julgador e muito mais intervencionista no dia a dia. Comunidades de classe média tendem a experimentar um cristianismo mais liberal, um Deus mais distante do dia a dia e aceitam menos a imposição de normas de comportamento.

Não é por acaso, então, que a religião cristã praticada na periferia  de uma grande cidade brasileira seja normalmente tão diferente daquela voltada para um público de classe média - e é possível perceber essa diferença até dentro de uma mesma denominação cristã. 

É também em consequência disso que uma mesma mensagem cristã tem impacto tão diverso sobre as diferentes pessoas. Por exemplo, uma pessoa pode ler algo aqui no blog e amar o que escrevi, enquanto outra - cristã tão sincera quanto a primeira - vai se indignar, concluir que estou ensinando errado e vou para o inferno por causa disso. Basta ler os comentários postados aqui para confirmar o que acabei de dizer.

Agora, é fundamental entender que pessoas com diferentes percepções de Deus podem ser igualmente alcançadas pelo Espírito Santo e salvas. O que salva a pessoa é sua fé em Jesus como Salvador da humanidade e não sua percepção quanto ao fato de Deus agir mais, ou menos, no dia a dia, ou se Ele quer, ou não, impor determinadas regras de comportamento sobre as pessoas. 

Divergências doutrinárias têm  sido muito comuns na história do cristianismo e precisamos aprender a conviver com elas. E precisamos ter sempre em mente que Deus não se deixa ficar contido nas "caixinhas" criadas pelas classificações teológicas humanas. Ele age quando quer e da forma que melhor deseja. Assim, Deus certamente é misericordioso, mas também pode ser severo. Está sempre disponível, mas apenas para que aqueles que o buscam da forma correta. O Espírito Santo fala muitas vezes, mas também pode permanecer silencioso por dezenas de anos. 

A fé cristã pode abrigar pessoas que pensam e vivem de forma muito diferente. E é muito bom que seja assim, pois é por isto que ela pôde alcançar de forma efetiva bilhões de pessoas, de diferentes idades, culturas e vivendo em momentos históricos distintos. Glória a Deus por isso.

Com carinho

quarta-feira, 12 de março de 2014

O SIGNIFICADO BÍBLICO DO CASAMENTO

Todos aqueles que têm experiência de uma relação estável, um casamento, sabem bem as dificuldades para mantê-la de forma que ambos os parceiros vivam bem dentro dela, felizes e realizados.

Não é fácil entrar numa relação estável e nela ficar. E penso que o fracasso, na maioria dos casos, nasce da falta de entendimento de um princípio bíblico que parece simples. Para a Bíblia, o relacionamento conjugal ideal é aquele onde duas pessoas se tornam uma só carne (Marcos capítulo 10, versículos 7 e 8). As duas pessoas se unem de forma tão completa, que se tornam uma coisa só.

Agora, será que duas pessoas se tornaram uma coisa só quando no seu dia-a-dia referem-se ao "meu dinheiro" e ao "seu dinheiro"? Será que um relacionamento, onde as partes ficam analisando se os "benefícios" gerados pela relação superam seus "custos", demonstra tal tipo de união plena? Dificilmente. E exemplos como esse, da falta de união do casal, são muito comuns. Não admira que as pessoas se separem tanto. 

Quando é que dois se fazem uma só carne?
Há diversos sinais que caracterizam a presença de uma união que esteja de acordo com os princípios bíblicos. Vou me concentrar em três deles, que, acredito, descrevam bem a perspectiva que precisa existir. Primeiro, dever haver um projeto de vida comum para o casal. E esse projeto é equilibrado, atendendo necessidades e vontades das duas partes. 

Por exemplo, imagine que o marido ecomiza para comprar o carro dos seus sonhos, enquanto a mulher se sente triste por não ter condições financeiras para dar melhores condições de vida para seus pais, já velhos. Ou uma parte quer economizar para poder fazer um curso de pós-graduação, imaginando melhorar suas oportunidades profissionais, enquanto a outra proriza o consumo - viagens, decoração do apartamento, etc. Ou ainda que um dos dois quer filhos de imediato, enquanto o outro quer adiar esse projeto, sem prazo para dar esse passo. Esses são exemplos de projetos desequilibrados, sem harmonia. E tal tipo de situação não leva o casal a lugar nenhum.

Depois, é preciso haver confiança das partes que ambas contribuem com o melhor que têm para o projeto de vida comum. Não estou dizendo que os dois precisam contribuir de forma igual, pois as capacidades deles nunca serão exatamente as mesmas em todas áreas da vida em comum - por exemplo, um deles pode ter mais facilidade para ganhar dinheiro. A própria biologia do ser humano indica que as mulheres tem contribuição a dar - a gestação de filhos - que os homens nunca poderão igualar. 

Assim, cada parte deve contribuir com aquilo que tiver de melhor para a união. E o ponto importante é que todos confiem que cada um está sempre fazendo seu melhor, mesmo quando houver desequilíbrio nas contribuições efetivamente dadas

Manter uma "contabilidade" do que cada um faz, comparando as contribuições individuais, para conhecer quem é digno de crédito maior, por ter feito mais pelo casal, é um erro sério, mas muito comum. Até porque há contribuições - como um gesto de carinho - que não podem ser quantificadas e comparadas com outras. 

Ainda mais, é preciso haver disposição de ambos para fazer concessões em prol do bem comum, sem esperar qualquer tipo de recompensa individual

Concluindo, um relacionamento somente conseguirá trazer felicidade para o casal, alcançando a estabilidade necessária para enfrentar os problemas gerados pela vida em comum, caso se transforme numa união real, onde "dois se transformam numa só carne". Esse é ensinamento da Bíblia.

 Com carinho 

segunda-feira, 10 de março de 2014

COMO VOCÊ DEVE AGRADECER A DEUS

A maior parte das orações costuma ser composta por pedidos que as pessoas fazem a Deus - você pode confirmar isso com facilidade prestando atenção às orações das quais participa.

Não há nada errado em pedir coisas a Deus. Jesus mesmo nos ensinou a fazer isso. Afinal, quando você pede algo, está demonstrando fé que Deus tem poder para atender o pedido feito. E demonstração de fé sempre agrada a Deus.


Agora, o que você não pode deixar de fazer é agradecer, toda vez que receber uma benção de Deus. Deixar de fazer isso seria ingratidão e evidentemente Deus não fica feliz com pessoas ingratas.


Mas qual é a forma correta de agradecer a Deus por uma benção recebida? Estamos acostumados a ver pessoa fazendo sacrifícios, pagando promessas, para demonstrar essa gratidão. Mas penso que essa não é a forma correta. 


Há três formas efetivas de agradecer a Deus: oração, testemunho e ação pelo próximo. Vamos ver como cada uma delas funciona.

Oração

Se o pedido a Deus foi feito em oração, é adequado pensar que o agradecimento também possa ser canalizado através de oração. Faz sentido. 

Assim, todas as pessoas que eventualmente oraram pela benção concedida precisam falar com Deus e demonstrar sinceramente sua gratidão pelo atendimento do seu pedido. Simples assim.

Testemunho

Acredito que a simples oração não seja suficiente para agradecer a Deus, especialmente no caso de bençãos especiais. É preciso fazer mais.

Uma forma muito efetiva de demonstrar gratidão é a pessoa testemunhar perante terceiros o que recebeu d´Ele. É muito comum as igrejas abrirem espaço durante seus cultos para que pessoas tragam esse tipo de depoimento, contando o quê e como pediram e o resultado obtido.


A importância do testemunho é dupla. Primeiro, ele dá a glória do que aconteceu a quem a merece de fato - se foi Deus quem ocasionou o benefício, nada mais natural que as honras sejam todas transferidas para Ele. 


O testemunho também é importante porque encoraja outras pessoas que estejam passando por dificuldades. Ao ouvirem o que Deus fez por quem está testemunhando, aqueles(as) que sofrem vão lembrar que o mesmo poder poderá ajudá-los(as) na sua dificuldade. 

Ação pelo próximo 

Essa forma de agrdecimento é menos conhecida, mas talvez seja a mais importante das três. A ideia por trás dela nasce da percepção que Deus age neste mundo essencialmente através das pessoas comprometidas com sua obra. Os próprios seres humanos são os agentes da maior parte das bençãos que Deus derrama no mundo.

Assim, muitas vezes quando acontece algo de ruim e as pessoas se perguntam onde estava Deus, que permitiu que aquilo acontecesse, na verdade deveriam perguntar: "onde estavam os filhos(as) de Deus, que nada fizeram a respeito?"

A obra de Deus deve ser entendida como uma cadeia de ações daqueles(as) com ela comprometidos(as). Alguém me ajuda, num momento de dificuldade - uma palavra amiga, uma oferta financeira, apoio numa providência administrativa, etc. Num momento seguinte, eu, agradecido por aquilo que recebi de Deus, faço o mesmo por outra pessoa que esteja necessitada de ajuda. Mais adiante, essa outra pessoa fará algo por alguém mais e assim sucessivamente. É dessa forma que a obra de Deus é feita.

Assim, fazer algo por alguém, em reconhecimento àquilo que Deus fez por você, é uma forma muito efetiva de agradecimento.

Com carinho

sábado, 8 de março de 2014

JESUS NASCEU "ANTES DE CRISTO"

O cristianismo (assim como o judaismo) é uma religião inserida na história. Jesus, Moisés, Davi e Paulo, dentre outras pessoas citadas na Bíblia, todos viveram realmente neste mundo. 

Assim, os fatos citados na Bíblia ocorreram de verdade e é por isso que o cristianismo tem inspirado tantos estudos históricos, feitos tanto por aqueles que querem confirmar o relato bíblico, como por aqueles que querem encontrar erros nele. 

Agora, uma informação crucial em qualquer estudo histórico é a cronologia dos fatos: a ordem em que eles aconteceram, sua duração e o momento da história em que devem ser situados.

Esse último aspecto - o momento da história em que o fato relatado na Bíblia de fato aconteceu - é particularmente importante. Primeiro, porque tendo essa informação, é possível procurar registros arqueológicos que confirmem (ou não) o relato bíblico - boa parte dos estudos arqueológicos é feita exatamente com esse objetivo. 

Outra razão importante para saber quando determinado fato aconteceu é estabelecer o ambiente cultural, econômico e político da sua época, o que é de grande ajuda num estudo histórico. Por exemplo, se conheço o ano em que Jesus foi crucificado, posso incluir na análise das razões que levaram à sua crucificação os problemas políticos que a liderança dos judeus enfrentava em relação aos dominadores romanos. 

Assim, estabelecer a cronologia absoluta - os anos corretos em que os fatos aconteceram - do relato da Bíblia sempre foi considerado um esforço plenamente justificado. 

O problema com a cronologia
Não é muito dificil definir a ordem relativa dos fatos - quais fatos vieram antes ou depois - e a duração de cada um deles. Os próprios relatos bíblicos fornecem muitas dicas nesse sentido. Agora, estabelecer a cronologia absoluta dos fatos - por exemplo, dizer com certeza em que ano Jesus nasceu ou foi crucificado - é bem mais difícil.

É claro que há dicas no texto bíblico que ajudam, mas normalmente elas não são conclusivas. Por exemplo, sabemos que Jesus foi morto quando Poncio Pilatos era governador (prefeito) da Judeia. Procurando nos registros históricos do imperio romano, é fácil estabelecer os anos em que Pilatos começou e terminou seu governo naquela região. Outras dicas permitem eliminar alguns anos desse período e reduzir a busca a, digamos, uma janela de 4 anos. Mas faltam informações suficientes para definir o ano exato. Sabemos a cronologia absoluta com certa aproximação, mas não com precisão completa.

E assim é com a maioria dos fatos relatados na Bíblia. Em muitos desses casos a variação existente é de alguns poucos anos, para lá ou para cá, como acontece com o ano do nascimento de Jesus, da sua crucificação ou da inauguração do Templo de Jerusalém. Já em outros, como o ano da saída de Israel do Egito, a variação existente é de cerca de 200 anos.

Antes e Depois de Cristo
Tempos atrás, um monge teve uma ideia brilhante. Entendendo que o nascimento de Jesus foi o acontecimento histórico mais importante, propôs que a história fosse dividida em duas fases: Antes do Nascimento de Cristo (AC) e Depois do Nascimento de Cristo (DC). O ano 1 DC começaria no janeiro seguinte ao ano em que Jesus nasceu.

Essa proposta foi aceita e os estudos de história passaram a ser feitos com base nesse critério. E a contagem de tempo passou a ser feita de forma crescente para o período Depois de Cristo e decrescente para o período Antes de Cristo - assim, quanto menor o número indicativo do ano, mais próximo da data do nascimento de Jesus esse ano estaria. 

Agora, o tal monge tinha um problema para implantar seu sistema de contagem dos anos: precisava estabelecer a cronologia absoluta - o ano exato - em que Jesus nasceu, amarrando-o aos demais fatos da história que eram conhecidos. Fez uma série de estudos e chegou à conclusão que o nascimento tinha ocorrido em determinado ano.

Ele fez um bom trabalho, considerando as informações que tinha. Mas cometeu um erro, pequeno (uns poucos anos) é verdade, mas ainda assim um erro que tem significado. E é facil comprovar esse erro.

A Bíblia conta que, quando Jesus nasceu, o rei Herodes estava vivo - foi ele que mandou matar os recém-nascidos judeus para eliminar o Messias junto com eles. Herodes morreu no ano 4 AC. Portanto, Jesus necessariamente nasceu antes desse ano!

Outra passagem da Bíblia dá uma dica adicional. Em Mateus capítulo 2, versículos 19 a 23, é dito que a família de Jesus, que tinha fugido para o Egito, voltou para a Palestina, depois da morte de Herodes, porque o perigo tinha passado. Isso significa que Jesus nasceu algum tempo antes do ano 4 AC. Em conclusão, Jesus deve ter nascido entre os anos 5 e 7 AC

É até engraçado dizer isso, mas Jesus nasceu "Antes de Cristo".

Com carinho 

quinta-feira, 6 de março de 2014

E QUANDO FAZEM PIADA COM COISA SÉRIA...

Dias atrás eu fazia aula de ginástica em grupo. Em dado momento, uma das pessoas do grupo disse: "prefiro ir para o inferno, pois lá é mais quentinho..." Respondi para a pessoa: "cuidado com o que você pede, pois Deus pode atender seu pedido." 

É muito comum as pessoas fazerem piadas com questões espirituais sérias. Com crenças que consideramos sagradas - por exemplo, a figura de Jesus Cristo. E penso que há duas razões para as pessoas fazerem isso. A primeira razão é não conseguirem olhar de frente para certos ensinamentos sérios da Bíblia - por exemplo, haverá pessoas salvas e pessoas que irão para o inferno. Ao não conseguirem lidar bem com o ensinamento, procuram "adocicá-lo", torná-lo menos sério. E fazem isso através de piadas. Esse foi o caso que aconteceu na minha aula de ginástica.

A segunda razão para as pessoas fazerem piadas com assuntos espirituais sérios é marcar sua posição contrária a eles. E fazem isso ridicularizando aquilo de que discordam. Este é o caso de uma marca de cerveja recentemente lançada no mercado chamada "Diabólica". Além do nome terrível, o anúncio da cerveja faz brincadeira de profundo mau gosto com o conceito de Céu (Paraíso). O nome da bebida ridiculariza nossa crença que existe uma força do mal - Satanás - e o texto do anúncio faz pouco caso da ideia de salvação.

Como enfrentar esse tipo de situação
O que cabe aos cristãos fazerem nesse tipo de situação? Antes de tudo, não devem ficar calados - muitas vezes as pessoas se encolhem para evitar passar imagem de intolerantes, "quadradas" ou mal educadas. Mas é possível responder à provocação, marcar uma posição em defesa da própria crença, sem ser grosseiro ou inconveniente. Jesus fez isso várias vezes, quando era provocado pelos fariseus e outras pessoas adversárias do seu ministério.   

Depois, é preciso levar em conta qual a motivação por trás da piada, antes de responder, para "calibrar" a resposta de acordo com a provocação que foi feita. No caso em que a pessoa fez piada por se sentir desconfortável com alguma verdade espiritual, a melhor resposta é chamar atenção da pessoa para seu desconforto. 

Foi o que procurei fazer no exemplo da aula de ginástica. Aquela piada nasceu na dúvida que a pessoa tinha sobre o que vai acontecer com ela no final dos tempos. Aí ficou mais fácil "adoçar" o significado do inferno, tirando peso do risco de acabar lá. Ao alertar a pessoa para as consequências de Deus atender seu pedido de ir para o inferno, procurei fazer com que ela refletisse sobre a situação como um todo.

Algumas vezes, em situações como essa, será preciso também esclarecer algum conceito espiritual, pois a piada pode ter sido fruto da falta de conhecimento teológico.

Agora, quando alguém faz da piada um ataque direto às crenças cristãs, o cristão deve rebater com muita firmeza. E nem deve se preocupar em ser politicamente correto - afinal, se a pessoa não se preocupou em respeitar a crença alheia, a ponto de fazer piada com ela, não pode se queixar de receber resposta firme.  

Quando o ataque é feito por uma empresa, como no caso da nova cerveja, a resposta mais adequada é simplesmente boicotar os produtos e serviços que ela oferece. O cristão pode até promover campanha pública nesse sentido. Afinal, a parte mais "sensível" de uma empresa é o bolso e quando ela começa a perder dinheiro, rapidamente muda de opinião. Há inúmeros exemplos históricos que comprovam o acerto desse tipo de política - por exemplo, o antigo governo da África do Sul mudou sua política de discriminação dos negros (apartheid) essencialmente por causa do boicote mundial às empresas daquele país. 

Em resumo, nunca deixe de reagir quando ouvir uma piada de mau gosto sobre uma crença cristã importante. É claro que as pessoas têm direito a manifestar livremente sua opinião, pois estamos numa democracia, o que inclui fazer críticas e até piadas com os ensinamentos cristãos. Mas o mesmo direito que a outra pessoa tem de criticar, o cristão também tem de responder de forma educada, mas firme.

Com carinho

terça-feira, 4 de março de 2014

A FALTA QUE UM PROFETA FAZ

O povo de Israel, nos tempos do Velho Testamento, contava com três figuras de autoridade: o rei (ou líder civil), o sumo-sacerdote e o profeta. Eram pessoas com papéis distintos. 

Ao rei (líder civil) cabia o governo, a liderança do povo em guerra, a administração da justiça e a manutenção da ordem pública. Era uma pessoa apontada por Deus para essa função. A partir de certo momento da história de Israel, esse papel passou a ser herdado, com filhos sucedendo seus pais.

Os sacerdotes eram homens que pertenciam ao clã de Levi - um dos doze filhos de Jacó -, descendendo de determinadas famílias desse clã. O sumo-sacerdote tinha uma linhagem ainda mais estrita e era escolhido com base em vários critérios (ficaria muito longo explicitar aqui). Era o líder de todo aparato religioso de Israel - algumas cerimônias religiosas eram lideradas exclusivamente por ele, como entrar no local onde ficava a Arca da Aliança durante a festa anual do Yom Kippur. 

A terceira figura de autoridade era o profeta, pessoa escolhida por Deus para transmitir sua vontade. Muitas vezes cabia a esse homem transmitir palavras incômodas, como críticas aos poderosos de plantão. Deus escolheu diferentes tipos de pessoas, ao longo da história, para exercer o papel de profeta, como pastores de ovelhas e cabras, sacerdotes e agricultores. Não se tratava de papel hereditário. 

Rei, sumo-sacerdote e profeta, cada um tinha seu lugar: ao primeiro cabia dirigir a sociedade civil, ao sumo-sacerdote liderar as coisas relacionadas com a religião e ao profeta transmitir a revelação de Deus. 

É fácil entender porque reis não podiam ser profetas, pois estavam mais preocupados com a manutenção do poder e assim raramente faziam a vontade de Deus. Mas é surpreendente perceber que os profetas normalmente não pertenciam à classe sacerdotal, não eram líderes religiosos. Isso quer dizer que sacerdotes também nem sempre eram bons em entender e pregar a real vontade de Deus. Talvez porque ficavam procupados demais com os aspectos materiais da religião - administração do Templo, execução correta das cerimônias religiosas e manutenção dos próprios privilégios. 

A falta de profetas
Penso que temos falta de profetas hoje em dia. Profetas reais, não aqueles que ficam por aí dizendo a toda hora "o Senhor me faz saber isso ou aquilo", mas não conhecem de fato a vontade de Deus. Profetas que transmitam mesmo as mensagens difíceis das pessoas receberem. 

E acho que há duas razões para isso. A primeira é que as pessoas frequentemente procuram profetas no lugar errado. Pensam que vão encontrar nos seus líderes religiosos - pastores, padres, bispos, etc - as palavras de profecia de que precisam. Agora, sacerdotes até podem ser também profetas, mas a experiência de Israel mostra que isso não é garantido. Muitas vezes os líderes religiosos não têm esse tipo de chamado de Deus ou lhes falta estatura moral para cumprir esses papel (p. ex. padres pedófilos ou pastores que exploram financeiramente os fiéis).

A outra razão para a falta de profetas decorre do desinteresse das pessoas em exercerem esse papel. Já era assim na época de Israel antigo, tanto assim que ao serem chamados para serem profetas, os homens escolhidos por Deus não ficavam satisfeitos - alguns até recusavam, como Moisés. Sabiam das dificuldades que os esperavam.

Talvez você se surpreenda com o que acabei de dizer, pois o dom da profecia é muito procurado hoje em dia. Mas o dom que as pessoas querem não é o dom real, mas sim uma ideia meio fantasiosa que construiram nas suas cabeças. Isso porque imaginam que ser profeta é trazer revelações sobre o que vai acontecer no futuro. E como conhecer o futuro é um desejo antigo do ser humano, esse tipo de poder coloca as pessoas em evidência. 

Uma profecia pode até conter revelações sobre o futuro, mas isso é a exceção e não a regra. Conhecer eventos futuros, digamos assim, é o lado glamuroso da profecia. Mas normalmente profecia é algo bem diferente, difícil de transmitir, especialmente porque quase sempre envolve críticas aos outros.

Muitas pessoas procuram ser profetas, mas não profetas de verdade. Querem de fato é ser futurólogos e gozar da notoriedade que isso gera. Quase ninguém busca ser profeta para exortar, consolar e ensinar as pessoas, papel difícil e incômodo.

Profetas verdadeiros fazem muita falta. Líderes políticos teriam muito proveito a tirar dos seus conselhos, pois seriam alertados quando suas políticas fossem erradas aos olhos de Deus. Líderes religiosos também teriam muito proveito em ouvir profetas verdadeiros, o que lhes permitiria dirigir suas denominações religiosas mais de acordo com a vontade de Deus. As pessoas comuns também teriam muito proveito em conhecer melhor o que Deus requer delas, para poder corrigir seus caminhos.

Profetas verdadeiros fazem falta. Muita falta.

Com caminho 

domingo, 2 de março de 2014

SABENDO USAR, NÃO VAI FALTAR

Uma pessoal responsável com seu dinheiro procura usá-lo de maneira consciente, levando em conta que seus recursos são limitados e podem ser necessários em momentos de necessidade. Vem daí o ditado: "sabendo usar, não vai faltar". 

Talvez porque estejam acostumadas a agir assim com seu dinheiro, as pessoas acabam usando critérios semelhantes para lidar com seu "patrimônio" emocional. Tratam seus bons sentimentos - amor, compaixão, generosidade, etc - como se precisassem economizá-los. Mas a Bíblia ensina que não é assim. 

Quanto mais exercitamos os bons sentimentos, maior disponibilidade deles passamos a ter. Em outras palavras, quanto mais usamos nosso "patrimônio" espiritual, maior esse "patrimônio" acaba ficando. Quem aprende a amar mais e mais, terá mais amor para repartir quando houver necessidade. Simples assim. 

Portanto, não há qualquer razão prática para "economizar" no uso desses sentimentos, como se faz com o dinheiro. São lógicas totalmente diferentes. 

Agora, como as pessoas pensam que precisam "economizar" no uso dos seus bons sentimentos, procuram usá-los apenas em situações onde esperam bom retorno para seu eventual "investimento". Ou seja, "investem" seus sentimentos quando acham que vão receber algo de igual "valor" em troca. E as pessoas não agem assim apenas umas com as outras, mas também com Deus (veja mais). 

Por exemplo, quando um casal enfrenta uma crise de relacionamento, normalmente precisa mudar comportamentos pessoais, deixando de lado hábitos nocivos para a relação. E é muito comum ouvir os parceiros confessarem estar preparados para fazer concessões, "investindo" mais na relação, se a outra parte fizer o mesmo - e, como se cada um(a) ficasse esperando pela ação do outro(a). Aí acabam fazendo menos do que poderiam e o relacionamento fica empobrecido.

Ninguém deveria esperar receber algo em troca para fazer aquilo que é bom. Se as pessoas amarem mais, tiverem mais compaixão, forem mais generosas e assim por diante, serão seres humanos melhores. E isso deve ser buscado independentemente de qualquer retribuição que possam receber. 

A pessoa deve ser correta não porque os outros com quem convive são corretos de volta, mas porque esse precisa ser um valor sempre presente na sua vida. A pessoa deve dar o máximo de amor que puder, não para receber amor em troca, mas porque esse é um mandamento de Deus. E assim também deve ser com a compaixão, a misericórdia e outros sentimentos importantes. 

Não "economize" no uso dos seus sentimentos bons. Use-os o máximo que conseguir, sem esperar retorno. Use-os por que isso fará de você uma pessoa melhor, mais de acordo com a vontade de Deus. Essa deve ser sua verdadeira motivação. Sempre.

Se você tiver retorno para o que tiver feito, melhor ainda. Senão, lembre-se que terá cumprido bem seu papel como cristão(ã) e isso já deve ser recompensa suficiente.

Com carinho