quarta-feira, 9 de agosto de 2017

E QUANDO ACUSAM OS CRISTÃOS DE INTOLERANTES?


Com frequência vejo ou leio na mídia, ou mesmo escuto em conversas com pessoas não cristãs, que o cristianismo é intolerante. Essa é uma ideia muito difundida na nossa sociedade. 

O cristianismo é acusado desse erro por duas razões. Primeiro, por causa das atitudes absurdas de algumas pessoas, que agridem outras por meio de palavras ou até fisicamente, com a desculpa de estarem "defendendo" a fé cristã ou "enfrentando" Satanás. 

Há sim, sem dúvida, pessoas intolerantes no meio cristão,como o pastor que chutou a imagem da santa católica num programa de televisão ou os grupos de fanáticos que invadem e destroem terreiros de candomblé ou umbanda. São pessoas mal discipuladas e que não seguem a fé que dizem defender, pois a doutrina cristã não manda ninguém fazer isso (Jesus mandou que amassemos até os inimigos).

Quem faz isso é a exceção, e não a regra, dentro do cristianismo. A esmagadora maioria dos(as) cristãos(ãs) não se comporta assim. A acusação de intolerância é válida sim quando dirigida apenas a uma minoria e não quando rotula o cristianismo como um todo.

A segunda justificativa apontada para acusar o cristianismo de intolerância é a doutrina cristã, especialmente porque ela estabelece ser Jesus Cristo o único caminho para se chegar até Deus. Essa alegação de exclusividade para Jesus incomoda e é considerada por muita gente, intolerante.

Mas, antes de responder a essa segunda linha de crítica, vamos lembrar a definição de “tolerância”. Segundo o dicionário, trata-se da “atitude de quem reconhece aos outros o direito de manifestar opiniões ou ter condutas diferentes das suas”.

Repare que essa definição pressupõe a existência de opiniões e comportamentos divergentes. Caso todo mundo pensasse ou agisse igual, não seria necessário exercer tolerância. Simples assim.

Portanto, não é intolerante o cristianismo defender uma determinada doutrina, mesmo quando outras pessoas discordam dela. A tolerância é justamente a capacidade de conviver respeitosamente com as diferenças doutrinárias. 

Há quem alegue que a intolerância está na afirmação absoluta de ser Jesus Cristo o único caminho até Deus. Vale lembrar que uma verdade absoluta vale para todas as pessoas, em qualquer lugar e época. 

Ora, muita gente não gosta desse tipo de afirmação porque defende a tese que cada pessoa tem sua verdade, ou seja, não há verdades absolutas. Assim, tudo é relativo e defender uma verdade absoluta seria intolerante. 

A afirmação "tudo é relativo" pode ser muito simpática e politicamente correta, mas ela é falsa. E é fácil explicar a razão. 

Pense na declaração “tudo é relativo”. Seria essa declaração uma verdade absoluta, isto é, valeria ela para todo mundo? Repare que há uma armadilha lógica nessa declaração, pois para defender que não há verdade absoluta é preciso postular uma verdade absoluta. Coisa absurda.

Há sim verdades absolutas - bons exemplos conhecidos, são a lei da gravitação universal ou as leis da matemática. Mas isso também ocorre no campo espiritual. E não ha intolerância no fato de se acreditar e defender uma verdade absoluta.

Quem não é cristão(ã) pode até achar que a afirmação "Jesus é o único caminho" não é verdadeira - essa é uma discussão na qual não vou entrar nessa postagem -, mas não há intolerância, por parte do cristianismo, em declarar que há verdades que se aplicam a todo mundo. 

Há ainda quem justifique a acusação de intolerância ao cristianismo, ao atribuir um papel exclusivo a Jesus, porque "muitos caminhos podem levar a Deus". Essa é outra declaração simpática e politicamente correta, mas também falsa. 

Não é possível que muitos caminhos levem a Deus, simplesmente porque eles se contradizem uns aos outros. Por exemplo, Deus não pode, ao mesmo tempo, ser único, como defende o cristianismo, e vários, como ensina o hinduísmo; ou a reencarnação existe, como ensina o espiritismo, ou não existe, como defende o cristianismo, mas os dois não podem estar certos; Jesus não pode ser ao mesmo tempo o Filho de Deus, como defendem os cristãos, e um simples profeta, como afirmam os muçulmanos. 

Esses caminhos não são compatíveis entre si e assim não há como fugir da conclusão que há gente certa e gente errada naquilo que acredita. Não adianta tentar "tapar o sol com a peneira" e tentar ser politicamente correto - essa é uma realidade da qual não se pode fugir

Portanto, há sim um único caminho e os(as) cristãos(as) não são intolerantes em afirmar que Jesus é esse caminho. Repare que eu não provei serem as ideias cristãs as certas – embora acredite nessa realidade. Mostrei apenas que o pluralismo religioso é uma noção errada e perigosa. Só isso.

Há ainda uma última coisa a ser dita: Se você acredita que alguma coisa é a verdade absoluta tem obrigação moral de defender essa ideia publicamente, mesmo que pague um preço por isso.

Cerca de 100 anos atrás, o médico Oswaldo Cruz enfrentou uma guerra porque propôs vacinar a população contra a febre amarela. Ele foi ridicularizado e sofreu toda sorte de pressões, mas sabia estar do lado da verdade. Ficou firme e a vacinação salvou a vida de milhares de pessoas. Imagine se Oswaldo Cruz tivesse decidido ficar calado, com medo das consequências?

Se você acredita que Jesus é o único caminho para Deus, não se cale e nem se preocupe se for acusado(a), injustamente, de intolerância. Lembre-se que seu silêncio pode custar a salvação de alguém. E é exatamente por isso que a Bíblia tem um mandamento claro falando da sua, e da minha, obrigação de falar sobre o Evangelho de Jesus. 

Com carinho

4 comentários:

  1. Um texto pra dar nó em parafuso!!! Bom, muito bom!

    E sobre o William Lane Craig, vc sabia que ele foi na Fnac nessa segunda, dia 19/3/12? Ele foi lançar o livro "Apologética contemporânea: a verdade da fé cristã", e por falar em fé cristã, o Richard Dawkins vai lançar mais um livro contra a religião - "A magia da verdade". Nele abordará que a verdadeira felicidade advém de conhecermos o mundo como ele realmente é - ou seja - através dos óculos da ciências.

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  2. Estive na palestra que o Craig deu ontem no Mackenzie. Todos os livros dele estavam sendo vendido, inclusive um de que eu gosto muito chamado "Em guarda", que acabou de ser lançado.

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  3. O que aborda este livro?

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  4. Princípios de apologética, com referencias à ciência, filosofia, história, etc. É muito bom.

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