quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

A DECADÊNCIA DO "DEUS DAS BRECHAS"

As descobertas científicas e os desenvolvimentos tecnológicos sempre geram ameaças de todo tipo: comerciais, profissionais, intelectuais e pessoais. Basta lembrarmos das profissões que desapareceram (operador de elevador, acendedor de lampião, fabricante de chapéus e, futuramente, entregador de jornais/revistas e caixa de agencia bancária); dos setores da economia que foram destruídos (máquinas de escritório mecânicas, fábricas de cassetes, lojas para aluguel de vídeos, etc); bem como das mudanças nos nossos hábitos (ninguém envia mais cartão de natal, os convites são feitos via facebook, etc), para compreender bem o tamanho desse tipo de ameaça.   

Naturalmente essas ameaças tendem a gerar reações boas ou ruins nas pessoas, conforme  sejam positivas ou negativas para cada uma delas. E as reações ruins podem se tornar até violentas, como aconteceu na Inglaterra no século XVIII, quando a mecanização das fábricas começou a desempregar a mão de obra menos qualificada, o que gerou motins.

E é exatamente isso que ocorre hoje no debate entre ciência e fé cristã. De um lado estão os cientistas, a maioria deles ateu, e do outro lado, clérigos, teólogos e os demais seguidores de Cristo. É uma verdadeira guerra travada através da mídia, nas universidades, em livros, etc. Os cientistas defendem que as descobertas científicas estão  tornando Deus desnecessário,  enquanto os cristãos defendem sua fé a ferro e fogo, muitas vezes demonizando os do lado contrário.

 
É preciso tentar mudar o foco desse debate e torná-lo mais civilizado e produtivo, pois certamente um lado pode e deve aprender com o outro. Afinal ciência e fé se complementam e não são substitutas uma para a outra. Por exemplo, a ciência não tem e nem nunca terá explicações para questões como o sentido da vida humana, a vida depois da morte, etc, o que cabe à religião fazer.

Organizando o debate
Quando as mudanças geradas pelos avanços científicos e tecnológicos confirmam a visão de mundo que as pessoas já têm, não há qualquer problema. Por exemplo, os cristãos ficaram muito satisfeitos com a teoria, hoje comprovada cientificamente, do Big Bang (começo do universo através da explosão de um “ovo” de matéria), pois ela é absolutamente compatível com a visão cristã da criação do mundo a partir do nada. Essa é a situação ideal em que vemos a fé e a ciência darem as mãos e ficarem mutuamente felizes.

Mas infelizmente não é sempre assim que acontece. Quando as mudanças ameaçam a visão de mundo cristã, a reação pode ser radical. Foi exatamente isso que aconteceu com Galileu – a igreja cristã via na posição do planeta terra como o centro do universo a demonstração prática da importância do ser humano para Deus. Ora, se a terra fosse relegada, como hoje sabemos ser a realidade, a um cantinho do universo, como ficaria a nossa relação com Deus? A cultura cristã teve que se modificar para conseguir aprender a conviver com essa realidade, o que acabou sendo até bom para o cristianismo. E hoje essa questão não leva ninguém mais a perder o sono. Mas naquela época Galileu acabou sofrendo com esse dilema, junto com vários outros cientistas, o que foi um grave erro da igreja.
 

Por outro lado, muitos cientistas ficam intimamente satisfeitos ao comprovarem teses científicas que pareçam diminuir o papel de Deus na nossa vida. Sendo assim, não se trata na prática apenas de um debate sobre verdades científicas, já que há também por parte deles uma agenda ideológica que procura fazer avançar o ateísmo. E ao se comportarem assim, esses cientistas também dão sua colaboração para o tal clima de guerra.

Vemos isso com clareza no debate sobre a evolução. Muitos cristãos pensam que se a teoria da evolução ganhar o debate, Deus deixará de ser necessário e a Bíblia terá sido provada errada. Logo, trata-se de guerra que o cristianismo não pode correr o risco de perder. E diversos cientistas e intelectuais, como Dawkins, Hitchens, Hawkins, dentre outros, insuflam o clima negativo nos seus escritos bombásticos, dizendo que a ciência vai acabr com as bobagens do cristianismo.

Os erros dos cristãos
O nosso principal erro é aceitar como esse debate é formulado: se a ciência provar tal e qual coisa, a Bíblia estará errada e toda a construção teológica feita sobre Deus ira desmoronar. Eu afirmo, sem qualquer medo de errar, que nenhuma teoria científica jamais vai provar a Bíblia errada e nem tornar Deus irrelevante, porisso mesmo nenhum debate científico sério me abala. Mas os cristãos entram de bobos nesse tipo de armadilha por causa de uma visão filosófica errada, que nada tem com o cristianismo em si. 


E essa visão errada têm dois aspectos complementares. O primeiro deles é atribuir a um mistério vindo de Deus tudo aquilo que sabemnos explicar – essa posição teológica é chamada de “Deus das brechas”. Os mistérios divinos, segundo essa percepção, preenchem todas as limitações que existem no conhecimento humana.

Ora, à medida que a ciência avança, Deus vai então ficando cada vez menor. Por exemplo, o trovão era antes a voz de Deus, depois se percebeu ser um fenômeno natural; antes a morada de Deus era um local físico que ficava acima da terra, enquanto hoje sabemos que, no espaço sideral, o conceito de "acima" e "abaixo" não tem qualquer relevância; etc. 


E o “Deus das brechas” não irá desaparecer de todo, pois sempre haverá o que explicar cientificamente, mas vai ficar cada vez mais irrelevante.

O segundo erro é ler a Bíblia literalmente, onde ela não foi escrita para isso. Imagine que eu precise contar para um índio sobre a descida do homem na lua. É claro que vou ter que adaptar a linguagem e os conceitos sobre o que aconteceu ao universo cultural daquela pessoa. Isso não quer dizer que estarei mentindo, mas certamente o relato que farei não será científico, senão o índio nada iria entender.

Agora, quando Deus, através de Moisés e outros, nos deu o relato da criação do mundo, no Gênesis, o problema foi parecido. Era preciso contar que Ele tinha criado o universo a partir do nada para um povo com muito pouca cultura científica (esse relato foi feito cerca de 3.500 anos atrás). É claro que o relato teve que ser adaptado à cultura da época e não poderá nunca ser tomado literalmente. É o sentido, o espírito da coisa, que deve ser considerado. Mas muitos cristãos pretendem ler o Gênesis como um relato científico e aí ficam na posição estranha de ter que defender o indefensável – por exemplo a idade da terra ser sete mil anos – ou aceitar que há erros na Bíblia. A verdade é que o problema está na perspectiva usada na leitura e não na Bíblia.

Portanto, o literalismo bíblico, agregado ao conceito do “Deus das brechas” faz com que muitos cristãos se sintam ameaçados por questões como a evolução. Na verdade, mesmo que Darwin estivesse totalmente certo – e não estou defendendo isso aqui, apenas usando essa hipótese para construir um arfgumento –, em nada a Bíblia e a fé cristã seriam diminuídas. 


Jesus continuaria a ser o Salvador da humanidade, o homem continuaria a lutar contra o pecado e apenas algumas leituras do texto bíblico ficariam superadas, como aconteceu com aquelas que colocavam a terra no centro do universo. Ou seja, não se trata de uma disputa de vida e morte para o cristianismo e erram aqueles cristãos que aceitam o problema colocado nesses termos. 

Conclusão

Deus é muito maior do que qualquer um de nós pode entender e avaliar (há vários textos neste blog onde falo sobre isso). Não será Darwin ou seus seguidores, ou filósofos como Nietzsche e outros, que vão torná-lo irrelevante. Aliás se isso fosse possível, Deus não seria o Ser que eu penso que Ele é e não deveria ser adorado pelos cristãos. Deus não está morto ou muito menos em crise. O que está em crise ou morrendo é a visão do “Deus das brechas” e o literalismo obscurantista defendido por muitos.

E eu até me atrevo aqui a fazer uma sugestão que acredito ajudaria muito os cristãos a terem uma posição mais aberta e construtiva no debate entre ciência e fé cristã: o ensino da ciência nas igrejas, o que poderia ser feito inclusive com o apoio de cientistas que não concordem integralmente com a visão cristã, o que iria gerar debates muito interessantes. Afinal, quanto maior o conhecimento, mais clara será a visão do cristão e, com certeza, mais forte e sólida será sua fé.

Com carinho
Vinicius

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

SEXO NO TELHADO DA IGREJA?

O pastor Ed Young e sua mulher anunciaram que vão passar 24 horas no telhado da sua igreja, que fica em Dallas, no Texas, para promover seu novo livro, intitulado  “Sexperiment” (algo como “Experimento em sexo”), conforme divulgou a revista Christianity Today, em 21/1/12. 

É claro que esse anúncio despertou interesse geral e jogou o livro para cima nas paradas de sucesso, demonstrando que a propaganda alcançou o efeito desejado. Resta ver se do ponto de vista da obra de Deus, o efeito também foi o esperado...

Essa iniciativa do pastor Young faz parte de um novo movimento no meio evangélico americano, que já está chegando ao Brasil, focado em incentivar e liberalizar o sexo para aqueles que são casados porque, para os apoiadores do movimento, não é possível ter uma vida plena e feliz sem sexo de muito boa qualidade. Hoje há até sites evangélicos de cunho erótico, que são incentivados pelos defensores dessa linha.

Entendo que discutir a questão do sexo de forma aberta e construtiva é algo absolutamente necessário. Afinal muitos casamentos sofrem por causa de problemas nesse setor. Mas acho que esse movimento é mais uma daquelas modas que algumas igrejas evangélicas gostam de lançar, buscando se diferenciar no meio cristão, com intuito de crescer e até aumentar o faturamento.

Mas o que mais me incomoda nesse tipo de situação é que a tentativa de chamar atenção – no caso o tal evento de 24 horas na cama no teto da igreja – acaba se tornando mais importante do que a mensagem em si. E ainda pior, esse tipo de promoção faz a mensagem cristã parecer pouco séria. 
 

E quando a ênfase maior da mensagem está na propaganda ou na forma como a mensagem é apresentada – a roupa do pregador, o seu gestual, o cenário, a música de fundo, etc , as pessoas se distraem em relação ao que é mais importante, ou seja os ensinamentos bíblicos. 

Jesus durante seu ministério aqui foi extremamnete discreto, no que foi seguido por todos os apóstolos. Ele nada fazia para chamar atenção, muito pelo contrário - frequentemente Ele até pedia àqueles que recebiam milagres que nada dissessem para as outras pessoas.  O importante era a sua mensagem e não a sua pessoa.
 

Repito, acho muito importante falar de sexo e de forma aberta, mas esse é assunto para ser tratado da forma discreta, respeitando a sensibilidade das mais diferentes pessoas. O melhor ambiente é o de uma classe de estudos bíblicos ou um gabinete pastoral, jamais um evento público, no teto de uma igreja, com a presença de todo tipo de mídia.
 

Outro aspecto que me deixa desconfortável é a mensagem do tal "movimento do sexo cristão". Há nela uma contradição clara, não para os casais em si, mas para outro grupo dentro das igrejas, os jovens solteiros. A mensagem a que nos referimos - a vida sem sexo não pode ser plena nem feliz- de uma forma ou de outra vai acabar chegando aos jovens, pois não há como estabelecer uma barreira e permitir apenas aos casais ter acesso a ela.  

E a contradição está em que, por um lado, essas igrejas defendem a  abstinência de sexo antes do casamento e, por outro, divulgam uam mensagem que sem sexo não há como ser plenamente feliz. 

Ora é muito difícil para os jovens hoje se manterem sem sexo. Os meios de comunicação só fazem incentivar o uso do sexo - basta ver o tal Big Brother Brasil. Mas, se além dessa pressão externa, os jovens encontrarem textos cristãos dizendo que sem sexo não há como ter vida plena e feliz, visitarem sites eróticos evangélicos, e por aí vai, o que se pode esperar?

O apóstolo Paulo nos ensinou (ver Romanos capítulo 14, versículo 21), que os cristãos deveriam se abster de coisas que lhes fossem permitidas, por amor a outras pessoas, que poderiam se escandalizar com o seu comportamento. 

Não estou aqui defendendo que os casados se abstenham de discutir suas questões abertamente, por causa dos solteiros, o que seria absurdo, mas sim que levem em conta a sensibilidade e a repercussão sobre os solteiros das suas iniciativas. Afinal os solteiros também vivem seus desafios próprios para levar uma vida cristã adequada. 

E o tal "movimento do sexo cristão" não vem fazendo isso e certamente irá colher resultados amargos.


Com carinho
Vinicius

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

O ÚLTIMO NATAL DE MARIA

Texto de ficção apoiado nos relatos da Bíblia

Sentada à porta da sua casa, seus dedos hábeis teciam uma nova túnica para seu filho. Sua mente estava longe, bem longe, nos fatos ocorridos quase trinta anos antes. 

Ela ainda era uma garota, com apenas quatorze anos. Todos diziam que era bonita e por isso já estava até noiva de José, homem bom, temente a Deus e respeitado na sua comunidade. 

Inesperadamente uma figura parecida com um homem, usando trajes resplandecentes, lhe apareceu e disse  chamar-se Gabriel. Era um mensageiro do Deus Altíssimo que ali estava para trazer-lhe uma notícia maravilhosa: ela seria fecundada pela semente do próprio Deus e daria à luz um filho, que haveria de ser o tão esperado Messias.

Quando percebeu que estava grávida, passou a enfrentar um grande problema: como explicar sua situação? Todos sabiam que seu noivo ainda não tinha estado com ela, seguindo o costume. Alegar que tinha sido fecundada pelo próprio Deus seria cair no ridículo. Ninguém iria acreditar nela. Alías ninguém acreditava mesmo no que as mulheres afirmavam.  

Felizmente José veio em seu auxílio e evitou que fosse punida. Não somente aceitou a situação (falou algo a respeito de um sonho), escolheu o nome da criança, como defendeu sua noiva perante todos. E, o mais importante, casou-se com ela, tornando-se o pai de Jesus diante da Lei. 

Mas as fofocas nunca cessaram totalmente e voltaram com mais força depois da morte do seu marido, pois ele não estava mais ali para defendê-la com a força da sua autoridade. Recentemente passaram a identificar seu filho apenas como “filho de Maria”, como se José não fosse seu pai legal. Ela sabia que no íntimo Jesus sofria com isso, mas nada podia fazer.

Seu pensamento voltou para o final da sua gravidez, quando chegou a terrível notícia do recenseamento e da necessidade de irem até Belém da Judeia para se cadastrar. Ela estava pesada e não tinha mais posição para dormir. Não seria fácil viajar de Nazaré até Belém por estradas esburacadas e enlameadas. José fez o melhor que pode, arrumando emprestado um burrico, para que ela viajasse sentada, sem precisar caminhar.

Foram vários dias de viagem num terrível desconforto. Ela não sabia como Jesus não nascera durante o trajeto. Quando chegaram a Belém, ela estava morta de cansaço, tinha fome e frio. E a dorzinha no ventre, que vinha sentindo nas últimas horas, aumentara bastante.

Precisavam conseguir logo um lugar para ficar. José saiu perguntando para todos. Qualquer lugar serviria. Mas não encontraram nada, pois as hospedarias estavam todas ocupadas pelos viajantes que tinham vindo a Belém por causa do recenseamento.

Afinal, um dono de hospedaria, com pena dela, permitiu que ficassem no estábulo, junto com os animais. O lugar era escuro, muito sujo e o cheiro horrível. Mas não havia o que fazer. Pelo menos não ficariam ao relento, na noite fria.

As dores começaram a vir em intervalos regulares. Parecia que seu ventre ia rasgar. E ela entendeu que a hora chegara. Seu coração tinha uma ponta de tristeza por saber que seu filho viria ao mundo naquele lugar tão feio. Ele merecia coisa melhor, muito melhor. 

Não havia nenhuma parteira disponível e José teve que ajudar. Os partos eram arriscados e as mulheres sempre corriam risco de vida. Muita coisa podia dar errado, tanto com ela como com o bebê. Mas ela não tinha medo, pois confiava cegamente no Deus Altíssimo.

Perto da meia noite o bebê enfim nasceu. Foi um parto difícil, mas não dos piores. O bebê estava bem e era saudável. 

Esgotada pela viagem e pelo parto, ela mal tinha forças para abrir os olhos. Mas pegou o bebê, enrolou-o em faixas, como era tradição, e o colocou no cocho onde os animais comiam. Não era um bom lugar, mas era o melhor que tinham. 

Como por milagre, os animais ficaram imediatamente quietos e não reclamaram de perder seu lugar de comer. E ela e o bebê puderam dormir por umas poucas horas.

Quando acordou, José lhe contou que havia uma estrela nova no céu, que estava exatamente sobre Belém. Era um fato extraordinário e todos estavam dizendo que um rei havia nascido.

Logo depois chegaram uns pastores. Contaram que tinham recebido uma mensagem vinda do Deus Altíssimo, que o Messias estaria ali, deitado num cocho. Entraram no estábulo, mas nem se atreveram a chegar perto. E adoraram o menino de longe mesmo. 

José ficou muito confuso com aquilo, pois não era adequado para um judeu adorar outro ser humano, muito menos um simples bebê. Já ela disfarçou um sorriso, tendo a mensagem do anjo Gabriel ainda bem viva na sua mente. 

Quando os pastores saíram, ela aconchegou seu flho ao seio e lhe deu alimento pela primeira vez. O bebê comeu gulosamente e depois voltou a dormir em paz. Ela nunca esqueceria aquele momento, quando ela e Jesus dividiram uma intimidade somente reservado às mães e seus filhos.

Seus pensamentos voltaram ao presente, quase trinta anos depois. Os dedos teciam automaticamente e a túnica já estava quase pronta. Era uma túnica especial, pois não teria qualquer costura, já que fora tecida como peça única. Decidira tecê-la pouco dias antes, por causa do aniversário de Jesus. Seria seu presente para Ele. 

Sabia que Ele iria partir em breve, chamado pelo Deus Altíssimo para desenvolver sua missão. E a túnica que ela tecia iria sempre envolvê-lo com seu amor de mãe. Iria aquecê-lo no inverno e mantê-lo sempre bem apresentável. Era feita da melhor lã e iria durar bastante, mesmo com uso diário.

A comemoração do aniversário seria dali há dois dias. O último aniversário comemorado em família. Por isso precisaria ser especial. Dando um suspiro, afastou aqueles pensamentos da mente. Tinha muito serviço para fazer. Queria ainda preparar a comida que Ele mais gostava. Era seu papel de mulher e de mãe.


Com carinho
Vinicius

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

A CRISE FINANCEIRA É UM PASSO PARA O FIM DO MUNDO?

Diversas pessoas têm me perguntado se a crise financeira seria mais um sinal que o final do mundo está próximo.  Antes de responder, é preciso esclarecer, para aqueles que não sabem, que o fim da civilização, tal como a conhecemos, ocorrerá com a volta de Cristo. A maioria dos teólogos defende que, antes dessa volta, haverá um período de 7 anos de terríveis dificuldades, período esse que a Bíblia chama de Grande Tribulação. O nome em si já é assustador, mas a descrição do que irá ocorrer (ver Apocalipse capítulos 8 a 11) é verdadeiramente de arrepiar.

Assim, quando as pessoas ficam em dúvida se o fim do mundo está se aproximando, é porque estão eventualmente percebendo possíveis paralelos entre as descrições bíblicas do que ocorrerá durante a Grande Tribulação e os eventos do dia a dia.

Em alguns casos é simples fazer essa correlação. Por exemplo, foi profetizada a volta do povo judeu para seu território, a Palestina, o que se confirmou com a fundação do Estado de Israel em 1948. Mas outros eventos, como catástrofes naturais - terremotos, pestes, vulcões, etc -, são mais difíceis de caracterizar como profecias cumpridas pois esse tipo de problema sempre ocorreu ao longo da história da humanidade.

Mas, recentemente, temos tido problemas de outra natureza: quebra de organizações colossais e muito poderosas, que se desfizeram em questão de meses. Tudo começou com os Estados Unidos, em 2007/2008, onde literalmente quebraram vários dos maiores bancos, a General Motors, a maior seguradora, etc. A maioria dessas organizações ainda existe porque o governo americano injetou cerca de 1 trilhão de dólares – quase meio Brasil – nessas empresas para salvá-las.

Depois vieram os países. A pequena Islândia quebrou ainda em 2008, depois, no ano passado, quebraram a Grécia (que voltou a quebrar esse ano), a Irlanda e Portugal. Agora é a Itália que está quebrando, com uma dívida de “apenas” 2 trilhões de dólares. E atrás dela, caso a Itália quebre mesmo, virão outros países. Isso sem contar os Estados Unidos que são uma “bomba" relógio pois devem 14 trilhões de dólares – um buraco quase seis vezes o tamanho do Brasil.

Não posso afirmar que aí está o fim do mundo, até porque a Bíblia nos diz com clareza que ninguém sabe quando isso se dará e, portanto, seria perda de tempo ficar especulando. Mas isso tudo prova que há algo muito errado com o sistema capitalista, tão cantado em prosa e verso. 

Trata-se de uma crise estrutural profunda, que vai forçar a sociedade mundial a repensar muitas coisas para não perecer. Não dá mais para as pessoas, empresas e países desfrutarem de um padrão de vida acima daquilo que podem e o sustentarem com empréstimos, que não são nunca pagos, mas sim substituídos por outros empréstimos. 

E essa crise decorre da sociedade moderna estar estruturada em torno de uma permanente luta para “ter”, mais e mais dinheiro, conforto, sucesso, etc. Nessa luta, o que importa é a vitória e não os meios para obtê-la. Vale tudo para “chegar lá”. 

Assim, a pessoa ao lado pode se tornar um obstáculo para a “vitória”, um “inimigo” a ser derrotado”. Não é por acaso que a literatura de negócios tem tantos livros com referencias militares: "Marketing de Guerra", "Marketing de Guerrilha" ou "Como vencer a guerra do seu negócio". Isso explica também porque os esportes são tão populares: um jogo de futebol é como uma “guerra” em que uma torcida acaba vitoriosa sobre a outra.

A sociedade tornou-se, assim, um campo de batalha, onde não se pode nem pensar em misericórdia. E o impacto dessa postura é, muitas vezes terrível. Por exemplo, nos Estados Unidos, os alunos das escolas se classificam a eles mesmos como “perdedores” e “ganhadores”. O “perdedor/a” não é popular, não consegue namorar com pessoas interessantes, é feio/a e/ou gordo/a, etc. É claro que essa classificação acaba por gerar grandes traumas nos “perdedores” - há alguns anos, dois alunos classificados assim promoveram um massacre na escola Columbine para se vingar. Já na Coréia do Sul, cujo sistema educacional estimula a disputa entre alunos pela obtenção dos melhores resultados escolares, a taxa de suicídio entre os jovens vem crescendo muito.

A luta constante pelo “ter” incentiva e faz aflorar o que há de pior no ser humano: egoísmo, vaidade, inveja, etc. Ao invés de procurar “domar” esse pior lado, exercitando o amor ao próximo, como Jesus nos ensinou, a sociedade faz o contrário. O lema da moda é "eu mereço". E para obter aquilo que se merece vale usar quaisquer armas, inclusive mentira, corrupção e violência. 

Nós, cristãos, precisamos entender o que se passa em torno de nós para podermos resistir a essas influências tão poderosas, quanto negativas. Por exemplo, evitar a contaminação do consumo desenfreado, da obtenção do prazer a qualquer custo, de medir o sucesso pelos bens materiais e status que a pessoa tem e assim por diante. 

Não é tarefa fácil pois somos bombardeados diariamente por esses conceitos, presentes em todas as campanhas de marketing divulgadas na mídia. Eu mesmo enfrento essa luta diariamente e tenho às vezes que tapar os ouvidos para não cair no "canto da sereia", tão lindo quanto mortal. 

Estude sempre a Bíblia para entender o que verdadeiramente importa para Deus; ore sempre para buscar forças junto Ele para conseguir ser diferente dos padrões esperados; e busque sempre a companhia daqueles que também colocam os ensinamentos de Jesus antes de tudo, onde você poderá encontrar palavras de conforto e incentivo.

Com carinho
Vinicius 

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

O "EVANGELHO" DE STEVE JOBS

Existe um ditado popular que diz assim: “todo mundo que morre vira santo”. Estamos assistindo mais uma vez a confirmação da sabedoria popular com o caso de Steve Jobs, mentor da empresa Apple.  Os jornais, sites, Twitter, Facebook, etc estão cheios de manifestações sobre o “gênio” que mudou o mundo em que vivemos.

Tenho todo o respeito pela figura de Jobs, pois acho que ele fez coisas admiráveis. E me solidarizo muito com a dor da família dele (deixou 4 filhos), ao perder um ente querido de forma tão trágica – câncer aos 56 anos de idade apenas. Sem dúvida Jobs deixou sua marca no mundo dos negócios e na sociedade de consumo e realizou em vida muito mais do que a média das pessoas.

Mas daí a elevá-lo quase à figura de "santo" e atribuir a ele uma mudança do mundo, vai uma grande distância. Se Jobs mudou o mundo, por contribuir para o desenvolvimento de vários produtos de grande sucesso – iPod, iPad, iPhone e outros – que palavras teríamos para elogiar os inventores da lâmpada elétrica, do telefone, do microchip ou da Internet;  ou para quem desenvolveu a penicilina ou a vacina contra a poliomielite? Indo para o campo das ideias, onde verdadeiramente acontecem as mudanças de rumo da humanidade, o que deveríamos dizer então do apóstolo Paulo, de Platão, de Ghandi, de Mandela e de outros mais, que revolucionaram o mundo?


Jobs, pois mais admirável que tenha sido sua trajetória, foi apenas uma pessoa com fantástica capacidade de perceber o que as pessoas queriam, no mundo da informática e do entretenimento, e em desenvolver produtos adequados para preencher essas necessidades. Ficou rico por isso e fez muita gente rica com ele. Mas daí a dizer que o mundo mudou por causa dele, é exagerar.

Além disso, coisa que não é comentada pela imprensa, Jobs tentou ter um impacto no mundo espiritual também, fundando quase uma “religião” própria, que levou muita gente a se afastar de Cristo. No post de 21/07/2011, intitulado “Encontrando sentido na vida”, discuti exatamente esse aspecto - naquele post citei um comentário de Jobs, que volto a repetir aqui:
 “Ninguém quer morrer. Mesmo pessoas que querem ir para o céu, não querem morrer para chegar lá. E mesmo assim, a morte é o destino que todos compartilhamos. Ninguém escapou dela. E isto é o que deveria ser mesmo, porque a morte é muito provavelmente a invenção mais importante da vida. É o agente de mudança da vida; ela nos livra do velho, para dar espaço ao novo... Desculpe ser tão dramático, mas é a pura verdade. Seu tempo é limitado, então não o desperdice vivendo a vida de outra pessoa. Não se deixe entrar na armadilha, que é resultado do pensamento de outras pessoas. Não deixe o barulho das opiniões dos outros afogar a sua própria voz interior, seu coração e a sua intuição...”  
Acho que os comentários que fiz lá atrás, que cito abaixo, continuam extremamente válidos:
Jobs ... foi adiante e criou também um novo “evangelho”, totalmente materialista e secular. Essa nova filosofia de vida não tem nenhum dogma e não faz qualquer promessa, a não ser deixar as pessoas viverem suas próprias vidas, pois elas são sempre únicas, já que nenhuma vida pode ser igual a outra. Jobs, de certa forma, está tentando se posicionar como o “pastor” de uma comunidade que somente acredita no próprio ser humano ... e naquilo que é material e, portanto, pode ser tratado pela ciência e a tecnologia.

O problema é que o evangelho de Jobs e daqueles que pensam igual a ele, não oferece nenhuma esperança que não seja gerada pela própria pessoa e o único conforto que proporciona é aquele da pessoa ter sido fiel a si mesma. Mas, nenhuma pessoa pode viver  sem esperança de algo que dê um sentido maior à sua vida e ter sido fiel a si mesma - seja lá o que isto significa - não pode prover esse sentido. 

As palavras de Jobs são bonitas, mas seu discurso é vazio, pois não consola ninguém que passe por problemas na vida.  Imagine você chegar para alguém que perdeu tragicamente um ente querido e procura consolo, para dizer: "fulano morreu, é verdade, mas pelo menos ele foi fiel a si mesmo". Tenho para mim que nem Jobs ficou realmente consolado com suas belas palavras ...

Muitos que já passaram por essas ideias e encontraram a porta de saída, aprenderam como é difícil construir uma vida que não esteja baseada em nenhum sentido mais profundo, que simplesmente o de estar vivo, e não compartilhe da esperança de algo maior e mais duradouro, do que a vida material nessa terra. 

E só Jesus Cristo nos dá acesso a esse sentido profundo e permanente nas nossas vidas. 

Com carinho
Vinicius

sexta-feira, 17 de junho de 2011

A LUTA CONTRA O CRISTIANISMO

Há uma guerra de comunicação em curso entre ateus e cristãos em diversos países do mundo, inclusive no Brasil. No último Natal, nos Estados Unidos, os ateus colocaram um outdoor, próximo a uma das mais importantes entradas da cidade de Nova York, com o seguinte texto: “Você sabe que é um mito. Neste ano, celebre a razão”. Em contra partida, um grupo cristão, colocou o seguinte outdoor, um pouco mais adiante: “Você sabe que é real. Neste ano, celebre Jesus”.

Anúncios ateus semelhantes foram colocados em ônibus de algumas capitais brasileiras no ano passado, pagos por uma associação chamada ATEA. Neles, o cristianismo é chamado de genocida enquanto que os ateus são figuras boas e simpáticas. Essa iniciativa, por sua vez, se inspirou emações  que são frequentes hoje na Europa.

Em paralelo a isto, vários intelectuais, que se dizem cristãos, intencionalmente ou não, procuram minar os fundamentos da fé cristã. Por exemplo, um texto de 2010 de Plínio de Arruda Sampaio, publicado em vários sites da Internet,  intitulado “Cristão e Comunista”, diz textualmente:
“Muitas pessoas se surpreendem com o fato de alguém declarar-se cristão e comunista...A fé de quem é cristão consiste numa aposta baseada nos valores que o Cristo veio anunciar. Acontece que esses valores são os mesmos que o comunismo proclama: igualdade, liberdade, fraternidade. O fato de que um os atribua a Deus e outro à História não afeta a identidade entre eles e, portanto, a possibilidade das duas posições sem incidir em incoerência...”

Outro exemplo é o texto de Paulo Coelho, postado no começo deste ano no seu blog, com o título “Mito: Deus é sacrifício”:
“Muita gente busca o caminho do sacrifício, afirmando que devemos sofrer neste mundo, para ter felicidade no próximo... Estamos muito acostumados com a imagem de Cristo pregado na cruz, mas nos esquecemos que sua paixão durou apenas três dias: o resto do tempo passou viajando, encontrando as pessoas, comendo, bebendo, levando sua mensagem de tolerância....”

Ora, os valores do cristianismo vão muito além de liberdade, igualdade e fraternidade, pois envolvem principalmente a necessidade do ser humano ser redimido do pecado mediante o sacrifício de Jesus Cristo. Isto não é nem nunca poderá ser reconhecido pela doutrina comunista. Por outro lado, Jesus não sofreu apenas enquanto foi preso e crucificado, nem tão pouco passou seu tempo viajando, encontrando pessoas e se divertindo. Essa é uma distorção triste do ministério de Jesus na terra. Ele foi homem de dores (ver Isaias cap 53, versículos 3 a 7) e não tinha recursos materiais (ver Lucas capítulo 9, versículo 58). Sofreu diversos tipos de perseguições e discriminações, por causa da sua origem, considerada obscura (ver Mateus capítulo 13, versículos 53 a 58), por causa da incompreensão dos seus próprios familiares em relação à sua missão, e por causa do conteúdo da sua pregação.

Essas manifestações, tanto de ateus, como de pseudo-cristãos,  demonstram que há uma disputa em curso pelos corações e mentes das pessoas. De um lado, estão aqueles que defendem o cristianismo e, de outro, os que estão, de alguma forma, contra isso. 

A seguir, apresento alguns comentários sobre esses dois grupos de opositores ao cristianismo - os novos ateus e os pseudo-cristãos, para facilitar a identificação das suas estratégias básicas de atuação:

Novos ateus
Esse grupo é cada vez mais barulhento e tenta, a todo custo, livrar o mundo do “engodo” da crença em Jesus Cristo. “Apóstolos” dessa nova “fé” são escritores e cientistas como Richard Dawkins e Richard Denett. Seu “evangelho” é composto de livros como “Deus um Delírio”.

O novo ateísmo se baseia no materialismo -  tudo que existe é a matéria e o universo todo foi gerado somente por processos naturais. Na verdade, o novo ateísmo não deixa de ser uma “religião”, onde a crença básica, além do materialismo, envolve a primazia absoluta da ciência, como a única forma válida para se obter conhecimento em geral.

Por causa disto, os novos ateus não admitem, de forma nenhuma, que os cristãos  tenham uma fé racional. Num livro publicado no ano de 2000, contendo o debate entre o então Cardeal Ratzinger (hoje Papa Bento XVI) e o intelectual ateu Paolo Flores D’Arcais, o segundo disse literalmente que é perfeitamente possível haver boa convivência entre a fé cristã e o ateísmo, desde que os cristãos reconheçam que suas crenças não são racionais. Não foi dito, mas ficou claro pelo contexto, que uma fé racional (como defendo aqui neste blog) iria concorrer com a ciência, que precisa ter sempre a primazia.

O ponto fraco do novo ateísmo é ser uma fé “parasita” – não uso esse termo com qualquer tom pejorativo. Isto por que a “doutrina” do ateísmo é desenvolvida apenas para combater o cristianismo. Ela têm argumentos respeitáveis para aqueles pontos  que  são espinhosos  para o cristianismo – como, por exemplo, para explicar por que o mal existe – e é fraca nos demais aspectos.

Não tenho espaço neste post para discutir em detalhes os pontos fracos do novo ateísmo, mas basta lembrar que há coisas que não são materiais, como os sentimentos, mas que têm grande impacto em nossas vidas. Além disto, a ciência não explica e nem jamais explicará, por que este não é o campo de atuação dela, as questões relacionadas com o significado da vida - essas questões têm sido tradicionalmente o objeto de estudo da filosofia e da religião. E quando essas questões não são respondidas, a vida fica sem um sentido maior, que possa inspirar e iluminar a caminhada do ser humano.

Pseudo-cristãos
O outro grupo contrario ao cristianismo é formado por intelectuais, muitos dos quais se dizem cristãos, que querem podar dos ensinamentos de Jesus aquilo que incomoda: Ele disse, por exemplo, que é o único caminho para Deus (ver João, capítulo 14, versículo 6),  que o sofrimento faz parte da vida de todos, inclusive do cristão (ver Mateus, capítulo 10, versículos 38 e 39) e que existe um inferno (ver Mateus capítulo 26, versículos 31 a 46) e por aí vai.

Acho que esse grupo é até mais perigoso do que os neo-ateus, por que ele não “bate de frente” com a doutrina cristã, pelo contrário diz que a aceita, mas tenta desvirtuá-la.

A melhor forma de identificar se uma pessoa pertence a esse grupo é analisar como ela se refere a Jesus. Se Ele é visto como uma pessoa muito boa, com ensinamentos preciosos, que deveriam ser seguidos, mas nunca como o Salvador da humanidade, pode ter certeza que essa pessoa pertence ao grupo dos pseudo-cristãos.

Jesus foi amoroso e lutou pelos pobres, pelos marginalizados e mesmo pelos pecadores, mas nunca se preocupou em ser politicamente correto. Quando teve que criticar, o fez sem dó nem piedade: expulsou vendedores do Templo debaixo de chicotadas, chamou os fariseus de hipócritas – comparou-os a túmulos caídos de branco por fora e por dentro cheio de podridão –, chamou o rei Herodes de raposa e assim por diante.

O “adoçamento” do cristianismo faz com que ele perca parte de suas características mais importantes e deve ser combatido com firmeza. Não se trata de intolerância, mas sim de preservar a mensagem original de Cristo, tal qual nos foi transmitida cerca de 2.000 anos atrás.

Conclusão
Se o cristianismo não fosse tão importante e não incomodasse tanto, não haveria por que combatê-lo com tanta ênfase. Cabe a nós cristãos percebermos isso e defendermos a nossa fé, não com violência, mas sim com ideias e com o testemunho dos resultados que os ensinamentos vivos de Jesus têm trazido para tanta gente.


Esteja atento.


Vinicius

quinta-feira, 12 de maio de 2011

QUANDO NOSSA PRISÃO ESTÁ EM NÓS MESMOS


PODE SER QUE VOCÊ SEJA "AMARRADO" PELOS OUTROS E PRECISE REAGIR. MAS TAMBÉM PODE SER QUE VOCÊ MESMO SE "AMARRE" COM SEUS MEDOS, SUA INSEGURANÇA, SUAS ANSIEDADES, ETC, E PRECISE PARAR DE FAZER ISTO.

"DESSAMARRE-SE"! ENTREGUE O CONTROLE DA SUA VIDA A CRISTO E SINTA-SE SEGURO E CONFIANTE.

VINICIUS