domingo, 17 de novembro de 2013

A FALTA DE ESPERANÇA DO ARNALDO JABOR

"Sempre o mal esteve relacionado com com as intenções de quem o cometeu. Os horrores do século 20 deviam nos ter ensinado que isso é uma ilusão. O absurdo é que um mal imenso ... possa caminhar junto com uma total ausência de más intenções."     Jean Pierre Depuy no livro "Por um catastrofismo esclarecido"
Em coluna publicada em 12/11/2013, no jornal O Estado de São Paulo, de onde tirei a citação acima, o cineasta Arnaldo Jabor comentou que o mal da sociedade hoje em dia não se deve a erros de ordem moral pois é sistêmico, isto é está embutido na forma como funciona a própria sociedade. Citou como exemplo a catástrofe ecológica, que não se deve à maldade do ser humano ou à sua estupidez, mas a uma forma de pensamento errada, torta mesmo. 

Concluiu que hoje, contra o mal, só temos o fraco recurso de fazer cumprir os chamados "direitos humanos". E somente se pode ser feliz hoje em dia "fechando os olhos" para as injustiças, para as catástrofes e para as violências. 

O artigo é muito interessante e não tenho espaço aqui para discuti-lo em detalhe. Mas o que me interessa analisar é que esse tipo de pensamento vai em direção totalmente contrária à do cristianismo.

Agora, por que é importante saber qual visão de mundo é a correta, a do Jabor ou a cristã? Porque quando o diagnóstico dos problemas é errado, a solução para eles também será. Jabor, de forma coerente com sua análise, não propõe nenhuma saída - se limita a mostrar como as coisas são - porque essa saída não existe. As coisas são assim porque são assim e não há muito o que possa ser feito. Não há esperança enfim.

O cristianismo diagnostica que o mal do mundo se deve ao pecado, ou seja ao fato dos seres humanos agirem de forma contrária à vontade (Lei) de Deus. Basta pensar como o mundo seria se todos seguissem verdadeiramente o mandamento de "amar ao próximo como a si mesmo". 

O tal mal sistêmico, aquele inserido na forma como a sociedade funciona, se deve, digamos assim, ao "estoque" de pecados passados. Afinal, a sociedade onde vivemos é fruto de bilhões de decisões tomadas ao longo do tempo pelos nossos antepassados e nós mesmos. E se muitas dessas decisões foram erradas, por conta do egoismo, da ganância e de outros pecados, não é de admirar que as estruturas da sociedade sejam injustas e suas regras desumanas e tudo isso concorra para infelicitar os mais fracos. 

Acho que Isso fica bem claro na questão ecológica. Diferentemente da conclusão de Jabor, foram os pecados que impediram os países de agirem de forma correta. Por exemplo, trinta anos atrás, quando a ciência entendeu verdadeiramente os problemas relcionados com a destruição do meio ambiente, para reduzir a energia baseada no carbono, trocando-a por energia limpa, um país veria seus custos de produção aumentados e perderia espaço nos mercados internacionais. E ninguém queria abrir mão de nada que tinha conquistado. 

Aí todos os governos adotaram a posição de que fariam o certo apenas se todos os países fizessem o mesmo. Essa posição cautelosa, gerada pela falta de confiança, vem atrasando a solução dos problemas e a situação piorou muito nesses trinta anos.

Agora, se o cristianismo está certo e o problema é o pecado, há esperança. Afinal, a transformação dos corações das pessoas, através da conversão a Jesus, faria com que elas se comportassem de forma diferente, mais de acordo com os desejos de Deus. E aí a situação iria melhorar - o ciclo do pecado seria quebrado e hábitos melhores passariam a imperar.

Só Jesus Cristo pode mudar esse mundo, encontrar curas para seus males e fechar suas feridas. Foi por isso que Ele, pouco antes de voltar para o Pai, ordenou a seus seguidores que fossem por todo o mundo, pregando o Evangelho a toda criatura" (Marcos capítulo 16, versiculo 15). 

Com carinho 

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

O TAXISTA MISSIONÁRIO

Recentemente, passei por uma experiência muito interessante. Estava no meu carro com a minha mulher, quando um taxista parou ao lado e pediu para falar. Depois que abrimos o vidro, ele começou a falar de Jesus e nos deu um folheto escrito na frente e verso, intitulado "Carta aberta a todos os religiosos em geral".

Nesse papel ele apresenta a tese que Jesus é o verdadeiro caminho para Deus e aconselha as pessoas a reconhecerem isso. Um texto simples, sem gerandes pretensões, mas cheio de verdades.

Esse homem causou--me profunda impressão pela alegria com que falou sobre Jesus e sua dedicação ao evangelizar - seguimos seu carro por alguns quarteirões e ele entregou o mesmo papel para um monte de gente. 

Trata-se de um verdadeiro missionário, sendo seu campo de atuação as pessoas com quem cruza no trânsito de São Paulo. É alguém que cumpre realmente o mandamento que Jesus nos deu em Marcos capítulo 16, versículo 15"Indo pelo mundo, pregai o Evangelho a toda criatura."

Com carinho 

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

OBAMA DISSE QUE MATA MUITO BEM

Acabou de ser lançado nos Estados Unidos um livro - "Double Down: Game Change 2012" - sobre a campanha eleitoral de 2012 que re-elegeu o Presidente Barack Obama. 

Os autores - Mark Halperin e John Heilemann - afirmam literalmente no livro que, durante a campanha, o Presidente várias vezes se vangloriou dizendo que era muito bom para matar pessoas. Estava se referindo ao sucesso das atividades que seu Governo tem tido ao conseguir matar pessoas consideradas terroristas mediante ataque de drones (aviões não tripulados).

Ora, como a Casa Branca não desmentiu essa afirmação e tentou explicá-la, dizendo que foi tirada do contexto, etc, etc, fica claro que Obama disse mesmo isso, o que é uma lástima, para um homem que se declara cristão.

Esse caso mais uma vez prova que o poder corrompe. E a corrupção aqui não é desvio de dinheiro, tão comum no Brasil, e sim desvio de propósitos. Isso ocorre principalmente quando os fins - os objetivos de um governo, por exemplo, de defender seus cidadãos - justificam os meios que são empregados, como ocorre com os ataques de drones.

Matar pessoas com a justificatica de que são "inimigas" é muito preocupante. O Governo que faz isso se arroga os direitos de policia, promotor, juiz e executor da pena de morte. Tudo de uma vez só. E uma sociedade democrática não pode agir assim.

Já se sabe que foram cometidos erros nesses ataques, pois pessoas inocentes forem mortas - hoje há até uma séire de televisão muito famosa nos Estados Unidos, chamada Homeland, cujo ponto de partida é uma situação como essa. 

E o que pode ser feito pelo Governo Obama quando percebe que cometeu tal tipo de erro? No máximo pedir desculpas, o que não adianta muito. As autoridades norte-americanas se defendem dizendo que esses são "danos colaterais", um nome pomposo para terrível expressão: "coisas ruins que acontecem durante as guerras". 

Outa justificativa comum - que seria difícil pegar essas pessoas e julgá-las pelos meios convencionais - também não "cola". Se fosse assim, deveríamos voltar ao período do linchamento, quando as pessoas presas no meio da rua eram justiçadas ali mesmo pela multidão enfurecida. Os meios legais tornam a condenação das pessoas realmente mais difícil, mas também protegem os inocentes de serem condenados pelo que não fizeram.

Um país que se diz civilizado e cristão deveria usar seu poder para fazer a coisa certa - identificar seus inimigos, e puni-los, usando os meios legais a sua disposição. E, no caso de um país poderoso como os Estados Unidos, os recursos disponíveis para fazer isso são muito grandes. E, ao fazer isso, o país ganharia estatura moral perante todo o mundo.

Outra coisa a notar é que a pena de morte agora passou a ser executada à distância, como se fosse um jogo de videogame - uma pessoa opera alguns comandos, vê o que está acontecendo numa tela e explode o "inimigo". Fica fácil, muito fácil matar alguém - no final do expediente, o perador do drone vai para casa, pensando que cumpriu seu dever e fez o bem para seu país. Não há qualquer remorso.

Pelo menos, no caso da guerra real, os soldados que matavam sabiam que faziam algo de terrível, pois viam as consequencias dos seus atos nos corpos destruídos dos inimigos. Pori sso todos aqueles que participaram de conflitos como a Segunda Guerra Mundial sempre foram unânimes em reconhecer que a guerra é um negócio terrível.

Em resumo, como o comportamento de Obama e seus principais auxiliares está distante daquilo que Jesus ensinou: amar ao próximo como a si mesmo. Será que Obama gostaria ser alvo de um ataque por avião não tripulado? De receber desculpas por que familiares e amigos seus foram mortos, com a justificativa de que não passaram de danos colaterais? Certamente não. Por que então se arroga o direito de fazer isso com os outros?

Que Deus tenha piedade daqueles que cometem esses erros e daqueles que sofrem as suas consequencias.

Com carinho

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

O PAPA DISSE QUE DEUS NÃO PERTENCE A NINGUÉM

O novo Papa tem surpreendido o mundo com inúmeros gestos positivos, como o perdão para os teólogos relacionados com a Teologia da Libertação, a reforma da burocracia da Igreja Católica e o abandono dos principais sinais de luxo e ostentação.

No primeiro dia de Outubro, ele surpreendeu mais uma vez declarando saber que Deus não pertence à Igreja Católica, pois é maior do que qualquer denominação cristã, inclusive aquela que ele dirige. Ora, para o chefe de uma Igreja que sempre se considerou a única representante real de Jesus Cristo na terra, esse é um enorme avanço. 

O papa reconheceu uma verdade simples: se Deus é mesmo quem pensamos que é, Ele não cabe em nenhuma denominação. Mas é preciso humildade para dar esse passo. 

Acho que esse avanço da Igreja Católica deveria servir de inspiração para os evangélicos. Digo isso porque recentemente tornou-se comum entre os evangélicos dizer que os católicos não são cristãos verdadeiros. E a razão apontada é a questão da devoção aos santos, a aceitação de Maria como intermediadora entre Deus e os homens e outras diferenças teológicas importantes. É verdade que nenhuma dessas doutrinas é bíblica e somente encontram apoio no ensino da Igreja Católica. 

Mas será que esse desvio teológico justifica uma posição tão radical por parte dos evangélicos? E os evangélicos não têm também distorcido a palavra de Deus? O que dizer da ênfase excessiva no dízimo, na Teologia da Prosperidade (quanto mais se dá a Deus, mais se recebe d´Ele), na Confissão Positiva (quem tem fé não passa por doenças, crises financeiras, etc), dos abusos de ver ação satânica onde ela não existe e assim por diante?  Se os católicos tem o problema dos padres pedófilos, os evangélicos têm os pastores que fazem das suas igrejas um negócio. 

Não somos melhores do que os católicos e pensar assim, acredito eu, é arrogância pura e simples. E é de se esperar mesmo que evangélicos e católicos não sejam uns melhores do que os outros, afinal todos são humanos, pois pecam igualmente, como ensinou o apóstolo Paulo.

Deus não cabe dentro da Igreja Católica, pois é maior, muito maior do que ela. Mas também não cabe, pela mesma razão, dentro das dezenas de milhares de denominações evangélicas. Os católicos e os evangélicos são irmãos na sua fé e partes integrantes da Igreja de Cristo.

Em resumo, penso que a atitude do Papa deve ser saudada e aproveitada pelos evangélicos para uma aproximação. Acredito que agradaria muito ao Espírito Santo ver todas as denominações cristãs dialogando de forma construtiva para promover o avanço do Reino de Deus nesta terra.  

Com carinho   

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

UM ESTUDO DO APOCALIPSE - PARTE 6

A duração da grande tribulação 
A duração da grande tribulação está indicada no livro do profeta Daniel, capítulo 9: o anjo Gabriel disse ao profeta que seriam necessárias “setenta semanas” para os acontecimentos que levarão ao final dos tempos. Semana, nesse contexto, indica ano e, portanto, serão 490 anos. 
As profecias relacionadas às primeiras sessenta e nove semanas já foram cumpridas. Logo, falta uma “semana” ou 7 anos, que será a duração da grande tribulação.


A Trindade Satânica (capítulos 13 a 19) 
Satanás tem inveja de Deus e quer imitá-lo. É por isto que tentará estabelecer sua "Trindade", procurando confundir os seres humanos. Nela, Satanás ocupa a figura do “Pai”.

Já a figura do “Filho” será ocupada pelo Anti-Cristo. Há várias referências a essa figura na Bíblia: em Daniel capítulo 8, vesículos 9 a 25, um anjo explica seu significado; e no capítulo 11, versículos 20 a 45, são dadas informações sobre suas realizações. Ao longo da história humana, muitos personagens, como Hitler, Stalin, e até alguns Papas foram identificados com o Anti-Cristo, mas é claro que tudo isso estava errado. A Bíblia nos diz que ele comecará a atuar na história repentinamente, assim qualquer tentativa de identificá-lo previamente estará fadada ao fracasso.
Finalmente, o papel equivalente ao do Espírito Santo será cumprido pelo Falso Profeta, apresentado como a "besta que emerge da terra" (Apocalipse capítulo 13, versículos 11 a 18). O Falso Profeta procura fazer com que os seres humanos adorem o Anti-Cristo e, por conseguinte, Satanás. 

O ministério do Anti-Cristo
Durante a primeira parte da grande tribulação, 3,5 anos, o Anti-Cristo aparecerá como um homem de paz e fará alianças com muitos povos. 
O Anti-Cristo fará um grande milagre e adquirirá a admiração de grande número de pessoas, que passarão a adorá-lo. 

Depois disso essas promessas serão quebradas e ele mostrará sua verdadeira face. O Anti-Cristo fará perseguições ao povo de Deus - físicas e de natureza econômica, pois sem a marca da Besta não será possível comprar ou vender (Apocalipse capítulo 13, versículos 16 e 17).
O Anti-Cristo chegará a assumir uma posição de domínio no mundo (Daniel capítulo 11, versículos 20 a 45) e somente será parado pela volta de Cristo.

A segunda vinda de Cristo
Em Mateus capítulo 24, versículos 29 e 30, Jesus nos contou que, logo após o terremoto final, o sinal do Filho do Homem será visto por todos no céu - será um evento grandioso, causando temor entre aqueles que adoraram o Anti-Cristo.

Cristo voltará - a imagem simbólica é que estará montado num belo cavalo branco, coroado e armado com a espada da Palavra de Deus (Apocalipse capítulo 19, versículo 11) - acompanhado de seus anjos e da igreja (capítulo 19, versículo 4), para combater as forças do mal. Será travada, então, no terreno espiritual, uma batalha como nunca houve nem haverá outra igual. 
Como resultado, o Anti-Cristo e o Falso Profeta serão atirados vivos no inferno e seus seguidores mortos (espiritualmente) pelo poder da Palavra de Deus. Satanás será então acorrentado durante um período (capítulo 20, vesículos 1 a 3). 

O milênio (capítulo 20, versículos 1 a 6)
O milênio se refere a um período real, quando Cristo reinará na terra juntamente com o povo de Deus arrebanhado durante toda a história humana (Daniel capítulo 7, versículos 29 e 2 Timóteo capítulo 2, versículo 12)Esse período maravilhoso terá tudo aquilo pelo que a humanidade sempre ansiou e será a resposta final à oração "venha a nós o teu reino e seja feita a tua vontade, assim na terra, como nos céus"
A vida será farta, saudável e feliz, segundo nos conta Isaías capítulo 65, versículos 17 a 25. Será semelhante àquela que conhecemos hoje, com lares, atividades profissionais, etc –, sendo que haverá justiça para todos.  

Mas, há duas perguntas sobre o Milênio para as quais não temos respostas: 
Por que, após a segunda vinda de Cristo, não se segue imediatamente o julgamento final e o novo mundo? Por que Satanás, naquela altura dos fatos, continuará a ter um papel nos planos de Deus? 

A derrota final de Satanás (capítulo 20, versículos 7 a 10)
Ao final do milênio, Satanás será solto e, por incrível que possa parecer, voltará a enganar e seduzir muitas pessoas. Isto prova cabalmente como o coração do ser humano é enganoso. 
Mas, finalmente, será derrotado e atirado no inferno, onde ficará para a eternidade. Em outras palavras, Satanás não tem o domínio total nem do inferno

O julgamento final (capítulo 20, versículos 11 a 15)
Todos serão então julgados diante do Trono de Deus. 
O versículo 12 fala que serão abertos livros - como o relato é referente ao mundo espiritual, o símbolo do livro serve para representar a memória divina. As referências bíblicas nos permitem caracterizar três “livros”:

  • A própria Bíblia que servirá como base para estabelecer o que é certo ou errado (João capítulo 12, versículo 48).
  • O registro das obras individuais (Apocalipse capítulo. 20, versículo 13).
  • O "livro da vida" contendo o nome dos salvos (Filipenses capítulo 4, versículo 3).

Mas, se a salvação é por fé, por que então registrar as obras de cada um? Ocorre que os salvos serão julgados para recebimento de galardões (prêmios), com base no que fizeram em vida. Quanto aos condenados, o registro das suas obras servirá para provar porque estarão nessa condição.

A humanidade estará então finalmente pronta para receber o novo paraíso – a "nova Jerusalém" (Apocalipse capítulo 21).

sábado, 28 de setembro de 2013

UM ESTUDO DO APOCALIPSE - PARTE 5

A visão do trono de Deus (capítulo 4)
João teve uma visão do trono de Deus e naturalmente precisou usar de muitos símbolos para descrever o que viu:
  • O arco-iris atrás do trono lembra a promessa de Deus feita a Noé de nunca mais destruir o mundo pelas águas (Gênesis capítulo 9, versículos 11 a 17). Sempre haverá uma forma de salvação. 
  • Os 24 anciãos, coroados, vestidos de ouro e sentados em torno do trono, representam o povo de Deus ao longo de toda a história – 12 por conta das tribos de Israel e os demais 12 por conta dos apóstolos da Igreja cristã.
  • O mar de cristal puro situado à frente do trono representa a santidade de Deus e de tudo aquilo que o cerca.
  • As 7 tochas de fogo representam as 7 manifestações do Espírito Santo.
O livro e os selos  (capítulo 5)
Aparece um livro selado na visão de João e mas nenhum ser criado - quer homem, quer anjo -, foi considerado digno de abri-lo. Qual era o conteúdo daquele livro? O livro estava seguro na mão direita de Deus, cuja simbologia é autoridade e poder, logo seu texto tinha a ver com a soberania d´Ele. 

Em outras palavras, o livro continha os propósitos de Deus, escondidos do homem ("selados") desde a queda de Adão e Eva. Por isso João ficou tão perturbado quando ninguém foi digno de revelar seu conteúdo - afinal, ele conhecia a promessa de Deus de redimir o mundo e ansiava por isso, assim como todos os cristãos.
O texto nos conta que apenas o Cordeiro de Deus, ou seja àquele que se sacrificou por nós na cruz do Calvário, Jesus Cristo, foi considerado digno de abrir o livro e conhecer os desígnios de Deus. E Ele abriu os selos e vários acontecimentos fantásticos, que irão acontecer no futuro, passaram a ser relatados. 
Os 4 cavaleiros  (capítulo 6, versículos 2 a 8)
Os 4 primeiros selos correspondem aos famosos "Cavaleiros do Apocalipse", que já deram origem a filmes, livros e peças de teatro. Mas seu significado simbólico é um pouco diferente daquele que normalmente é indicado nessas obras: os Cavaleiros representam forças impetuosas que invadem a história humana.

O "Cavaleiro do cavalo branco" representa as forças do Mal querendo se passar por uma manifestação de Deus - por isso o cavaleiro usa a cor da pureza. Esse cavaleiro não pode ser Cristo, como alguns defendem, porque o texto diz que "foi-lhe dada uma coroa", indicando que o tipo de autoridade passada para ele é igual ao dado para os demais Cavaleiros, o que não faria sentido caso Cristo estivesse envolvido.


O Cavaleiro do cavalo branco representa a ação do Anti-Cristo, que será aceito por muitas pessoas como um novo salavador da humanidade, tomando, para elas, o lugar do próprio Jesus.

O "Cavaleiro do cavalo vermelho" simboliza discórdias e guerras. 
O "Cavaleiro do cavalo preto" significa escassez de comida, que encarece em muito o preço dos alimentos - o texto fala que um denário (o salário de um dia de trabalho) vai conseguir comprar apenas uma medida de trigo, o que não dará para alimentar uma família. Por isso as pessoas precisarão comprar comida de menor qualidade – no texto, a cevada. Isso nem leva em conta suas outras necessidades – moradia e roupas – que ficariam totalmente desatendidas. 

O "Cavaleiro do cavalo amarelo" representa a morte, que se segue à guerra e à fome fruto da escassez de comida, consequência da passagem dos cavaleiros anteriores. São citadas também as “feras da terra”, ou seja, os próprios seres humanos que exploram, enganam e matam seus semelhantes. A morte aqui não significa só o término da vida física, mas também a morte espiritual, pelo afastamento de Cristo. 
A perseguição aos fiéis (capítulo 6, versículos 9 a 11)      
O quinto selo refere-se àqueles que morrem pela sua fé em Cristo - os mártires. O texo fala das almas dos mártires "debaixo do altar", aguardando o momento em que serão vingados(as). Essa imagem toma por base o que acontecia no Templo de Jerusalém, onde o sangue dos animais sacrificados era jogado debaixo do altar dos sacrifícios.
O grande terremoto (capítulo 6, versículos 12 a 17)
O sexto selo fala de um gigantesco terremoto, quando os astros são abalados e caem sobre a terra - evidentemente, trata-se de um símbolo, pois as estrelas são maiores do que a terra e não poderiam “cair” sobre ela. O significado é que se trata de um evento tal como nunca houve e nem haverá outro igual na terra e, com ele, vem o fim da sociedade humana como a conhecemos. 

Os salvos (capítulo 7)
Há uma pausa no processo de abertura dos selos e a visão de João se volta para os salvos, cujo número é de 144.000 pessoas. Como já vimos na parte 2 deste estudo, esse é um número simbólico, que representa todo o povo de Deus, ao longo de toda a história do homem.
E é dito que 12.000 pessoas serão salvas de cada "tribo de Israel". Mas é importante perceber que há várias discrepâncias nas citações dessas tribos, em relação às tribos reais que aparecem no Velho Testamento. Isso ocorre porque se trata de uma lista simbólica que aponta para Jesus Cristo. Vejamos alguns exemplos dessas discrepâncias: 
  • A tribo de Ruben não é citada primeiro, embora ele fosse o primogênito. Judá é o primeiro a ser mencionado, pois essa é a tribo de Jesus, como descendente de Davi.
  • A tribo de Efraim, a maior e mais importante dentre todas, não é citada e isso acontece porque essa tribo foi a grande rival de Judá na história de Israel. Mas, agora não mais há qualquer competição possível, pois Judá é a tribo de onde veio o Messias.
  • Não havia tribo de José, cujo lugar entre as tribos de Israel foi tomado por seus dois filhos (Efraim e Manassés). Mas José é um símbolo para Jesus, pois ele sofreu (foi vendido como escravo) para poder salvar sua família da fome, quando se tornou o principal auxiliar do faraó.
O silêncio (cap. 8, versículos 1 a 6)
O sexto selo – o terremoto – significou o fim da história humana. Logo, a abertura do sétimo selo revela o que virá depois, ou seja o novo mundo. Mas, as revelações relativas à abertura do sétimo selo somente são apresentadas bem mais adiante no texto (a partir do capítulo 12), pois antes João explora as 7 trombetas, que reprisam os acontecimentos abrangidos pelos 7 selos.
Mas o sétimo selo começa com o silêncio absoluto. Ora, no céu, os anjos louvam continuamente a Deus e esse silêncio é surpreendente. Ele indica que a revelação do plano de Deus para a humanidade deve ser recebida com grande atenção e reverência (Habacuque capítulo 2, versículo 20). 

Um anjo então se dirigiu ao altar onde incenso era queimado e colocou nele as orações do povo de Deus. Depois atirou o fogo do altar na terra. O significado disto é que durante muitos anos, o povo de Deus repetiu "venha a nós o teu reino , seja feita a tua vontade". E finalmente essas orações estavam sendo atendidas. 
As trombetas e as taças (capítulos 8, 9,11 e 16)
As trombetas e as taças da ira são descrições paralelas ao que é relatado na abertura dos selos e ficaria muito longo detalhar aqui tudo que é dito no texto. 

Basta dizer que são lançadas sobre os seres humanos diversas pragas, sendo que várias delas repetem as pragas que Deus lançou contra os egipcios para conseguir tirar Israel da escravidão: por exemplo, águas transformadas em sangue, trevas, tumores e gafanhotos. Isto significa que Deus, com as novas pragas, está lutando para tirar o ser humano da escravidão das forças do Mal, que têm dominado o mundo. 

(CONTINUA)

terça-feira, 24 de setembro de 2013

UM ESTUDO DO APOCALIPSE - PARTE 4

Discernindo os tempos
Está próximo o fim do mundo e a segunda vinda de Cristo? Esta é uma pergunta que os cristãos tem se feito inúmeras vezes. E muitos momentos da história foram marcados pela percepção de que a consumação dos tempos estava próxima, causando grande impacto nas vidas das pessoas - por exemplo, na virada do ano 1000, as pessoas abandonaram sua vida normal e ficaram esperando esses fatos acontecerem. Por conta disso, a economia e a sociedade sofreram muito. 

Muitos cristãos hoje em dia acham que o final está próximo, mas essa posição não é unânime. Mas o que a própria Bíblia diz a respeito dessa questão? Jesus ensinou que ninguém sabe o dia nem a hora em esses fatos vão começar a acontecer, nem Ele mesmo sabia (Mateus capítulo 24, versículo 36)

Porém, Jesus incentivou as pessoas a discernirem os "sinais dos tempos” (Mateus capítulo 16, versículo 3) - isto quer dizer que é possível ter uma idéia aproximada do desenrolar dos fatos, prestando atenção a certos sinais, embora não seja possível precisar uma data para o final dos tempos. E há três sinais que podem ser notados nos dias de hoje, os quais parecem confirmar que esse final se aproxima. 

O primeiro deles é a a fundação do estado de Israel, ocorrida em 1948, quando os judeus puderam voltar para sua terra pela primeira vez desde o ano 70 (quando Jerusalém foi destruída pelos romanos). A reconquista de Jerusalém, ocorrida cerca de 20 anos depois, também foi prevista na Bíblia (Isaías capítulo 11, versículos 11 e 12). E o profeta Amós disse que, uma vez tendo retornado à sua terra, os judeus nunca mais sairão da Palestina (capítulo 9, versículos 14 e 15), o que vem se confirmando.

O segundo sinal é o crescimento dos ataques à Bíblia e à figura de Jesus, o que pode ser percebido nos escritos dos chamados "novos ateus", como Richard Dawkins ou Sam Harris, que consideram a religião cristã um dos maiores males da história da humanidade. 


Muitas pessoas vem se afastando da fé cristã, o que é especialmente notável entre as populações educadas dos países do primeiro mundo, como a Europa Ocidental - quanto mais ricas e desenvolvidas ficam as pessoas, menos elas acham que precisam de Deus.  

A cronologia dos eventos futuros
O texto do Apocalipse lista uma série de eventos futuros que culminarão no final dos tempos: 

  1. O aparecimento de diversos sinais, conforme comentei acima - são citados ainda na Bíblia, além dos eventos já mencionados, guerras e desastres naturais de grandes proporções. 
  2. O arrebatamento da Igreja, que é o encontro dos salvos com Jesus, antes da sua volta à terra. 
  3. A "grande tribulação", como Jesus chamou uma série de eventos catastróficos (Mateus capítulo 24, versículos 21 e 22) - Ele chegou a alertar que, se Deus não tivesse encurtado esse período, ninguém resistiria. Esse período também é caracterizado pela ação da Trindade Satânica (Satanás, o Anti-Cristo e o Falso Profeta). 
  4. A segunda vinda de Cristo, juntamente com a Igreja, para derrotar Satanás numa grande batalha. 
  5. O milênio, quando Cristo reinará com seu povo na terra por um longo período. 
  6. A última tentativa de Satanás e sua derrota definitiva. 
  7. O julgamento final. 
  8. A nova terra (nova Jerusalém) é instalada.
Nem todos os estudiosos concordam com a cronologia acima estabelecida – a estrutura dos fatos que apresentei é a mais tradicional, mas não é a única. As controvérsias mais importantes envolvem as seguintes questões:
  • O arrebatamento da Igreja: no esquema que apresentei acima, ela ocorrerá antes da grande tribulação, isto é a Igreja de Cristo não passará por esse período terrível – esta é a perspectiva chamada de pré-tribulacionista. Outra possibilidade é aquela que coloca o arrebatamento após a tribulação, indicando que a Igreja estará presente durante esses acontecimentos, perspectiva que é chamada de pós-tribulacionista. 
  • O milênio: há duas alternativas, sendo que uma importante corrente de pensamento - por ex. os presbiterianos e os católicos - defende que se trata do espaço de tempo entre a primeira vinda e a segunda vinda de Cristo, durante o qual Jesus já reina conosco, através da presença do Espírito Santo, corrente chamada amilenista. Aqueles que acreditam na existência do milênio como defini acima são chamados de milenistas
Os selos, as trombetas e as taças
A grande tribulação é caracterizada por uma série de eventos que demonstram a ira de Deus contra os desmandos da humanidade - o Apocalipse se refere a eles como a "abertura de 7 selos" (capítulo 5), o "ressoar de 7 trombetas" (capítulo 8) e o "derramamento do conteúdo de 7 taças" (capítulo 11). Não são acontecimentos sucessivos e sim a descrição dos mesmos eventos de forma diferente - é o que se chama de circularidade, pois o relato parece andar em círculos. Mas os selos dão mais atenção às tribulações dos salvos, dos gentios e do povo judeu, enquanto as trombetas e as taças mostram mais o impacto da ira divina sobre o mundo em si.

Mas, a grande tribulação também será um período de grande ação do Mal, liderada pelo Anti-Cristo, cujo relato começa no capítulo 13 e vai até o 19. Ou seja, os eventos descritos ali ocorrem em paralelo com os selos, as trombetas e as taças - sendo que o desespero gerado por essas catástrofes ajudam o Anti-Cristo a adquirir grande ascendência sobre as pessoas.

(CONTINUA)