quinta-feira, 4 de julho de 2019

JULGAMENTO POR FOGO

O tema de hoje é julgamento por fogo. Isso se refere ao fato que as dificuldades e provações são coisas frequentes nas nossas vidas. Mas, embora gerando momentos muitos difíceis, elas têm um papel muito importante, pois nos ajudam a crescer na fé. 

Elas acabam por funcionar como um julgamento do nosso caráter, das nossas reais intenções e posições na vida. E vem daí a expressão: julgamento por fogo.

A Bíblia, no livro de Tiago, ensina que são exatamente as dificuldades e provações que nos tornam mais abertos para a ação de Deus nas nossas vidas. E é quando passamos por elas que nos tornamos mais próximos dele. Por isso Tiago chega a dizer, o que parece absurdo à primeira vista, que deveríamos até nos alegrar ao passar por esses momentos difíceis. 

Isso parece ser uma coisa louca. Mas, não é. E a razão é simples: há muito a aprender e crescer durante as dificuldades que aparecem no nosso caminho, desde que venhamos a tirar as lições certas delas. Desde que aprendamos a usá-las de maneira construtiva, de forma a mudar nossa percepção das coisas e nosso comportamento.

E é exatamente sobre isso que falo no meu mais novo vídeo. Veja este vídeo aqui.

Veja outros vídeos recentes meus aqui e aqui.

terça-feira, 2 de julho de 2019

COMO RESPONDER AOS ATEUS


Frequentemente somos pressionados pelos ateus a provar nossas crenças. A defender o cristianismo. E muitas vezes não é fácil fazer isso, embora haja muitos argumentos fortes a favor da nossa fé. Mas, nós não precisamos ficar sempre na defensiva, nos justificando. Podemos também partir para o “ataque”, fazendo questionamentos aos ateus. 

Afinal, o ateísmo é uma crença como qualquer outra e ela precisa ser provada, tanto quanto a nossa. Os ateus creem que tudo é material e que as leis naturais (como as que regem a física) explicam tudo que existe. Como não haveria um Criador, um ser controlador do universo, tudo que existe foi obra do acaso. E, em consequência disso, não há propósito em nada, inclusive na vida dos seres humanos. Finalmente, os ateus ainda creem que a única forma de obter conhecimento verdadeiro é através dos métodos da ciência. Nenhum outro caminho seria válido. 

A seguir, apresento algumas perguntas embaraçosas que podem ser feitas para os ateus visando questionar suas crenças. E são embaraçosas porque os ateus não têm respostas adequadas para elas. Vejamos quais são elas:

1) Como o universo começou?
A ciência ensina que o universo teve início na expansão de um "ovo" cósmico, formado de energia concentrada - o chamado Big Bang. Ora, de onde veio esse “ovo” e que força o colocou no lugar? 

2) Por que as leis do universo são racionais? 
Se o universo foi formado por acaso, como explicar que tenham sido geradas leis tão precisas e racionais que podem ser descritas com base em equações matemáticas? Afinal, o acaso nunca gera esse tipo de resultado.

3) De onde veio o código genético?
A complexidade do código genético existente no núcleo das células humanas é tão grande, mas tão grande, que não haveria tempo suficiente para ele ser desenvolvido com base em tentativa e erro, ou seja, por acaso. Isso é verdade mesmo considerando uma idade de 14 bilhões de anos para o universo.

4) Como é possível o livre arbítrio humano num mundo criado pelo acaso? 
Se tudo é obra do acaso, quem deu ao ser humano a capacidade de pensar por conta própria e de fazer suas próprias escolhas, o chamado livre arbítrio?

5) Como surgiu a consciência no ser humano?
A teoria de Darwin sozinha não consegue explicar esse “salto” de qualidade. Ou seja, a passagem de uma espécie de animais (os seres humanos) de seres irracionais para seres conscientes, inclusive da própria realidade. 

6) Como provar que o mundo espiritual não existe?
Os ateus alegam que o mundo espiritual não existe. Para eles, só haveria o mundo material. Mas, a ciência, a única forma de obter conhecimento verdadeiro para os ateus, não tem como validar essa hipótese. Afinal, seus métodos somente têm validade no mundo material. Portanto, a afirmação que o mundo espiritual não existe não pode ser provada cientificamente. É uma simples crença dos ateus. É uma simples questão de gosto.

7) Como qualificar Jesus?
É voz unânime, mesmo entre os ateus, que Jesus foi uma das maiores personalidades que já viveram, por conta do seu exemplo de vida e seus ensinamentos admiráveis.

Ora, também está estabelecido, que Jesus declarou ser Deus. Sendo assim, somente há três alternativas para avaliar essa declaração dele: Ele mentiu deliberadamente, Ele estava louco (enganado) ou Ele falou a verdade. Não há outra alternativa possível.

Afirmar que Jesus mentiu deliberadamente contraria totalmente seu exemplo de vida e seus ensinamentos. Nada do que Ele fez dá margem para sancionar a ideia que Jesus fosse uma fraude dessas dimensões.

A outra alternativa é pensar que Jesus era louco, ou seja, ele errou naquilo que afirmou, mas agiu de forma honesta. Ora, como conciliar a loucura ou um engano profundo dele com a percepção genial das coisas e a sabedoria imensa que Ele revelou? Uma coisa não bate com a outra. Não parece haver qualquer sentido nessa conclusão.

Ora, se não há condição de declarar Jesus uma fraude ou um louco, só resta a hipótese que ele falou a verdade sobre si mesmo. Portanto, Ele era mesmo quem disse ser.

Com carinho

domingo, 30 de junho de 2019

RESOLVENDO MISTÉRIOS DA BIBLIA COMO UM DETETIVE

A Bíblia guarda mistérios. São trechos de difícil entendimento porque o texto bíblico foi escrito em outra época, onde os costumes e os usos eram bem diferentes dos atuais. E é preciso trabalhar de forma parecida com um detetive para resolver esses mistérios. Eu me explico. 

Como a maioria das pessoas gosta de livros, filmes e séries de televisão de mistério, analisar os mistérios da Bíblia como um detetive faria acaba sendo também divertido. E a metodologia que deve ser usada, para fazer isso, é fácil de entender. E pode ser replicada por quase qualquer pessoa, bastando que ela tenha bom senso e raciocínio lógico. 

São seis as regras que precisam ser seguidas para você poder agir como detetive dos mistérios bíblicos, todas elas bem simples:

Regra 1: não tire conclusões apressadas 
Os bons detetives tomam cuidado para não tirar conclusões antes de terem colhidos todas as informações relevantes. Isso evita chegar a conclusões pré-concebidas, um perigo enorme nas investigações criminais. Afinal, quando o detetive tem pré-concepções sobre o que aconteceu, existe enorme risco de procurar encaixar as informações colhidas nas conclusões já estabelecidas desde o início. A abordagem correta deveria ser sempre ao contrário: é preciso usar as informações colhidas para tirar conclusões acertadas.

Portanto, nunca comece a estudar um texto bíblico imaginando que já sabe o que ele significa, mesmo quando for um texto já muito conhecido. Primeiro estude o texto, colhendo todas as informações que tiver sobre ele e, somente depois, tire as conclusões necessárias.

Um bom exemplo disso é o livro de Jó. A maioria das pessoas parte para a leitura desse livro imaginando que ele trata essencialmente do sofrimento humano. Mas, isso é uma pré-concepção. Quando se estuda esse livro com olhos de "ver", fica claro que sua mensagem também tem muito a ver com a graça de Deus (veja mais).

Regra 2: questione tudo
Num dos livros que conta as aventuras do famoso detetive Sherlock Holmes, esse personagem tentava ensinar seu parceiro fiel, o Dr. Watson, como ser um bom detetive. E Holmes perguntou a Watson quantos degraus existiam entre a entrada do prédio e a sala de estar do apartamento onde viviam, e Watson não soube responder. Holmes concluiu dizendo que esse era exatamente o problema. Watson olhava, mas não observava. Não colhia informações sobre aquilo que via.

Jesus disse a mesma coisa ao explicar porque as pessoas não entendiam as parábolas que Ele contava. Alertou que as pessoas tinham olhos, mas não viam, e ouvidos, mas não escutavam (Mateus capítulo 13, versículo 13).

Portanto, não leia simplesmente o trecho da Bíblia que estiver tentando entender. Analise-o com cuidado, prestando atenção na pontuação, nos trechos que vem antes e/ou depois da parte que lhe interessa mais de perto, quais as personagens envolvidas, quem fala o que, qual é o tom da conversa e assim por diante. Vou dar um exemplo.

Certa vez Jesus estava ensinando seus discípulos, quando sua família veio procurá-lo. Avisado da chegada dos seus familiares, Jesus apontou para seus discípulos e disse que sua mãe e seus irmãos eram aqueles que ouviam suas palavras e as seguiam (Mateus capítulo 12, versículos 46 a 50). 

Uma análise superficial desse texto indicaria que Jesus rejeitou sua família. Afinal, ele parece não ter dado muita bola para aquelas pessoas. Mas, olhando com mais cuidado, dá para perceber que Jesus usou a figura da família de sangue para trabalhar a ideia da família espiritual. Entramos na família espiritual dele quando ouvimos e seguimos seus ensinamentos. 

Ao falar assim, Jesus deixou claro que no mundo espiritual não há nepotismo. A família de sangue não é privilegiada no Reino de Deus, como acontece no mundo físico. Deus não tem netos, apenas filhos e filhas. E se não fosse assim, poderíamos chegar ao absurdo de ver alguém ser salvo apenas por ter laços de sangue com um pastor famoso.

Regra 3: os detalhes são importantes
Para um bom detetive, tudo tem importância. Qualquer detalhe conta. Sherlock Holmes resolveu um crime por ter notado que o cachorro da casa não latiu. Isso demonstrou para ele que o animal conhecia o assassino. 

Certa vez Jesus chegou perto de uma figueira e procurou alguns frutos, em meio às suas folhas. Não encontrando, amaldiçoou a árvore, que murchou (Marcos capítulo 11, versículos 12 a 14). Isso parece meio estranho. Afinal, que culpa tinha a figueira de não ter dado frutos? Ainda mais que não estava na época certa.

Mas, há um detalhe importante nesse relato: a árvore tinha folhagem. E as figueiras somente exibem folhas quando já têm frutos. Logo, aquela era uma figueira “hipócrita”. Tinha a aparência, mas não os frutos concretos. Por isso ela foi amaldiçoada. E o exemplo da figueira serve para os cristãos. Não podemos ser hipócritas, tentando parecer aquilo que não somos.

Regra 4: mais evidencias são necessárias para esclarecer um mistério maior
Frequentemente, as pessoas querem tirar o mistério da sua frente e acabam aceitando qualquer resposta que parece razoável. E elas agem assim porque, normalmente, não gostam de ficar em dúvida. Querem ter certezas. Mas, essa é uma estratégia muito ruim, pois leva a erros.

Certa vez vi um estudo do capítulo 1, versículo 8, do Atos dos Apóstolos,. Nesse trecho da Bíblia, Jesus, já depois da sua ressurreição, diz para os apóstolos esperarem em Jerusalém a vinda do Espírito Santo. E essa chegada deu origem ao evento do Pentecostes. No estudo que li, o teólogo fez mais de 70 observações sobre o versículo antes de tentar explicar seu sentido. E o tal versículo, na tradução em português, tem apenas 30 palavras!

O autor buscou levantar todas as informações possíveis sobre aquele pequeno relato antes de tentar dar uma interpretação para ele. E isso trouxe muita segurança à sua conclusão. A interpretação que ele deu está de acordo com todas as informações 70 informações colhidas. Portanto, é muito difícil que ele tenha chegado à conclusão errada. 

Não estou dizendo que você deva levar seu estudo da Bíblia nesse mesmo grau de profundidade. Mas, seria razoável colher algumas informações sobre um versículo ou conjunto de versículos, antes de se atrever a encontrar um significado para esse texto. Refiro-me a observações sobre a situação geral que estava acontecendo, a identidade das pessoas envolvidas, o passado delas e assim por diante. E quanto mais difícil for o texto sendo analisado, mais informações serão necessárias, pois o mistério é maior.

Mas, onde buscar essas informações? É para isso que existem os dicionários bíblicos, os comentários bíblicos, as notas de rodapé da sua Bíblia e outros recursos técnicos. E há muita informação boa de graça na Internet.

Regra 5: divida um mistério maior em pedaços menores 
Passagens bíblicas difíceis podem parecer inacessíveis, especialmente se forem mais longas. Quando for esse o caso, procure quebrar o texto em frases (ou versículos) e ir procurando entender cada uma delas, passo a passo. Depois vá juntando cada pedaço ao todo.

E nunca se esqueça que os textos da Bíblia sempre dialogam entre si. Por exemplo, imagine que você conseguiu resolver o mistério da figueira amaldiçoada. Mas o sentido total do texto - que é uma crítica de Jesus à religião legalista e hipócrita - somente vai ficar claro quando você juntar esse texto a outros, onde ele enfatiza essa crítica. 

Regra 6: prefira as soluções mais simples 
Às vezes, existe mais de uma explicação possível para determinado mistério. Quando isso acontece, sempre que possível, prefira a explicação mais simples. As explicações mais complexas e rebuscadas costumam não ser muito boas. 

Por exemplo, há uma passagem do Apocalipse onde aparece um animal terrível, cheio de chifres e coroas na cabeça, que emerge do mar, para dominar o mundo. Há uma linha de explicação que tenta compreender essa besta como um animal real, que se transforma em ser humano, por obra de Satanás. A outra alternativa imagina que a besta é o símbolo de um ser humano dedicado à obra de Satanás, sendo os chifres e coroas representações do seu poder. 

Ora, a segunda explicação é mais simples, pois não postula a existência de um animal que nunca foi visto na natureza. Logo, ela é melhor. 

Palavras finais
Portanto, nunca veja as passagens difíceis da Bíblia como motivo de frustração e sim como desafios. Como chamados para que você entenda melhor o texto bíblico e cresça no processo de aprender a lidar com a Palavra de Deus.

E tenha consciência clara que sempre há mais a aprender na Bíblia do que o conhecimento já adquirido. Mesmo os maiores estudiosos da Bíblia não conhecem tudo que há para saber sobre ela. Sempre há muito mais.

Abra sua mente aberta para ser desafiado pela Bíblia. E é essa capacidade de sempre surpreender que a torna tão especial e interessante. E mesmo método que um detetive usa para resolver determinado mistério, pode ser usado por você no propósito de entender a Bíblia mais e de forma melhor.

Com carinho

sexta-feira, 28 de junho de 2019

QUANDO UM LÍDER CRISTÃO MUDA DE POSIÇÃO

O que acontece quando um líder cristão, bastante respeitado, muda de posição a respeito das suas convicções teológicas? Qual é o impacto sobre a comunidade que lidera?

A revista Christianity Today noticiou, em 2013, que o Pastor Ulf Ekman, fundador de uma grande igreja evangélica na Suécia, com mais de 3.000 membros, deixou sua denominação. Ele se juntou à igreja Católica. E, junto com ele, foi a sua esposa. Veja o depoimento que ele deu naquela época:
"Cheguei à conclusão que a igreja que representei nos últimos 30 anos, apesar do sucesso e das muitas coisas boas que ocorreram nos seus vários campos missionários, é parte da crescente fragmentação do cristianismo".
O pastor Ekman testemunhou ter passado por lenta transformação durante toda uma década. E isso ocorreu à medida em que foi conhecendo mais profundamente alguns católicos do movimento Renovação da Carismática. Assim, acabou por mudar seu entendimento. Concluiu não haver razão para a maioria das críticas que os evangélicos costumam fazer à Igreja Católica. Segundo ele, os protestantes precisariam conhecer melhor a fé católica.

Outro caso aconteceu cerca de 15 anos atrás. O líder maior de uma denominação evangélica, depois de fazer curso de mestrado no exterior, mudou de pensamento. Passou a aceitar a doutrina de predestinação para a salvação, que sua denominação não adotava. E mais ainda, deixou de aceitar mulheres pastoras, sendo que sua denominação tinha várias ministras ordenadas. E teve força politica para impor suas novas ideias à denominação que dirigia. 

E há muitos outros casos, como o líder religiosos evangélico que deixou de acreditar na onipotência de Deus. Ou outro que passou a adotar costumes e práticas de vida judaicas. 

A repercussão
Existe um enorme perigo quando a denominação evangélica é muito dependente da figura de um único líder. Uma liderança desse tipo certamente traz grandes vantagens. O crescimento da igreja fica facilitado e a liderança forte dá à comunidade um senso de direção. Sem contar que a tomada de decisões é mais rápida e eficiente, pois quase não há contestação.

O problema com esse modelo de liderança é que quando algo de ruim acontece com o líder, a vida espiritual da comunidade toda sofre muito. Vimos isso acontecer aqui no Brasil, em várias igrejas importantes. Também há vários exemplos nos Estados Unidos e em outros países. Um bom exemplo é o caso do pastor Sho, sul coreano, líder de uma das maiores igrejas do mundo, preso por sonegação de impostos.

Uma liderança muito forte acaba, de certa forma, atrelando o destino da denominação à sorte do seu líder. E como todos os seres humanos se enganam ou pecam, esse é um caminho extremamente arriscado. Isso acaba por gerar muito sofrimento para a comunidade.

Pense no caso que citei acima do líder da denominação evangélica que deixou de aceitar a ordenação de mulheres. E sua igreja já contava com várias pastoras ordenadas. Imagine a situação dessas pastoras que viram de repente seu ministério contestado. Passaram por sofrimento horrível e não posso crer que Deus apoie isso.

A mudança de convicção do líder coloca dúvidas na mente dos membros da sua comunidade. Alguns deles, por conta da sua confiança irrestrita no líder, vão aceitar as novas idéias, sem questionar muito. Mas, outros não vão querer mudar suas convicções, por não terem sido convencidos. 

Essa é uma situação em que só há perdedores - nada de bom é gerado por tudo isso. No caso do pastor Ekman, que relatei acima, ele teve que abandonar a igreja que tinha fundado, pois a maioria dos membros não aceitou suas novas posições. Mas, outros aceitaram. E a comunidade rachou. Acusações foram trocadas de parte a parte, amizades foram desfeitas, enfim, um desastre.

O líder pode mudar?
Isso tudo quer dizer que um líder religioso não pode mudar suas convicções? Não pode estudar um tema teológico em maior profundidade e chegar a conclusões diferentes? Ele não pode evoluir? É claro que sim. Eu mesmo já mudei algumas de minhas idéias teológicas. Mas, o grau de mudança tem limites. Não parece razoável que o líder mude radicalmente em questões absolutamente fundamentais.

Eu desconfio de mudanças muito grandes, como a do pastor Ekman e outras que citei acima. Elas não parecem razoáveis de acontecer na vida de pessoas espiritualmente amadurecidas. 

Mudar a interpretação de uma passagem bíblica, pela evolução do próprio pensamento, é uma coisa, deixar toda a obra de uma vida para trás, dizendo que ela concorre para a fragmentação do cristianismo, é outra bem diferente. Ou passar a ver o processo de salvação de maneira totalmente distinta do que fazia antes, passando a aceitar a predestinação, por exemplo, também não parece razoável. 

Mudanças tão grandes são, a meu ver, indicações de questões mais profundas na vida do líder religioso que vão muito além do aspecto teológico. Elas apontam para crises pessoais - de idade, de casamento, fruto de doença, etc. E questões desse tipo acabam por transbordar para o campo espiritual.

Agora, quando o líder muda de pensamento, ele precisa atentar bem para as consequências de suas atitudes sobre as pessoas que confiaram e acreditaram naquilo que ele ensinou antes. Não me parece, por exemplo, que o pastor Ekman tomou esse cuidado. Ele simplesmente saiu da sua denominação e seguiu outro caminho, sem se explicar muito ou perder tempo olhando para trás. O líder religiosos que passou a proibir a ordenação feminina não levou em conta o impacto dessa decisão sobre inúmeras mulheres já ordenadas.

Quem se dispõe a assumir um papel de liderança no meio cristão, seja ele qual for, assume responsabilidades com as pessoas que atinge com seu ministério. Eu tenho isso muito claro na minha mente, no que tange ao papel que exerço neste site. Preciso ter cuidado com aquilo que publico e com os conselhos que dou. 

Os líderes religiosos precisam estar bem conscientes dessa responsabilidade. E ter em mente que Jesus advertiu seriamente aqueles que não entram no céu e concorrem, com suas atitudes, para que outras pessoas não venham a entrar também (ver Mateus capítulo 23, versículo 13). Há punição para pessoas que agem assim. 

Com carinho

quarta-feira, 26 de junho de 2019

VIDA E MORTE

Vida e morte. Essas são as duas faces de uma mesma moeda. Afinal, todo ser que respira, cedo ou tarde haverá de passar pela morte. Essa é uma realidade da qual não podemos fugir.

Mas, não gostamos de pensar nisso. De certa forma, fugimos dessa realidade última. E é sobre isso que falo neste vídeo. E uso como referência a morte de José, relatada no final do livro do Gênesis. 

José, grande herói da fé, morreu próspero, coberto de honras e cercado pelos seus entes queridos. Isso depois de ter salvo toda a sua família da morte por fome em Canaã e de ter perdoado os irmãos que o venderam como escravo por puro ciúme. José teve uma vida admirável sob qualquer aspecto que se olhe.

A morte de José, suas últimas palavras, nos ensinam como passar por esse último momento. Ele nos ensinou que devemos chamar Deus para estar ao nosso lado nesse momento de transição. Que é muito melhor passar por isso nos braços dele. Portanto, pode ter certeza que, se esse for o seu desejo, é isso que vai acontecer, pois Deus é fiel. Ele nunca falha.

Veja o novo vídeo sobre vida e morte aqui

Veja outros vídeos recentes meus aqui e aqui.

segunda-feira, 24 de junho de 2019

UM SINAL DA PRESENÇA DE DEUS


Há um sinal claro da presença de Deus. Quando sua presença se faz notar num determinado lugar e as pessoas estão em conexão íntima com Ele, sempre acontece uma coisa: há reverencia. As pessoas se comportam de forma diferente, pois percebem a presença de Deus.


Lembro-me bem do dia em que entrei na catedral anglicana em Londres, dedicada ao apóstolo Paulo. Os vitrais filtravam a luz de forma especial, dando ao ambiente um ar misterioso e solene. E havia uma música suave ao fundo que tornava essa sensação ainda maior. 

Imediatamente minha atitude mudou. Eu estava descontraído, fazendo brincadeiras e falando meio alto, como todo bom brasileiro. Imediatamente meu estado de espírito mudou. Passei da descontração à reverência. Sentei-me num banco, passei a falar em voz baixa e meu pensamento automaticamente se voltou para Deus. 

E também sempre me senti assim ao entrar na igreja metodista do Catete, no Rio de Janeiro, onde passei minha infância. Para mim, talvez por conta das minhas memórias de criança, há algo de especial naquele lugar.

O filósofo Paul Woodruff disse que reverencia é a atitude própria de quem se coloca de forma humilde diante algo muito maior. Trata-se de ficar maravilhado diante de algo muito maior, que faz a pessoa perceber suas próprias limitações e pequenez. 

O profeta Isaías passou por isso, quando teve uma visão de Deus. Ficou aterrorizado e disse (Isaías capítulo 6, versículo 5): 
...Aí de mim! Estou perdido! Porque sou homem de lábios impuros, habito no meio de um povo de impuros lábios, e os meus olhos viram o Rei... 
Atualmente são poucas as coisas que geram reverencia nas pessoas. Por exemplo, a chegada de um filho ao mundo pode causar reverencia diante do que parece ser um milagre criador. A morte de alguém também gera reverencia porque nos coloca frente a frente com nossa própria limitação. Finalmente, a contemplação da natureza também costuma gerar reverencia porque nela vemos a grandiosidade do Criador.

Todas essas situações - nascimento, morte e contemplação da natureza - apontam para Deus. E isso faz todo sentido porque nada deve causar mais reverencia do que a presença dele. Foi exatamente isso que o profeta Isaías expressou ao dizer: Aí de mim, porque vi a Deus!

Vivemos atualmente numa cultura onde são reverenciadas coisas como fama, dinheiro e poder, que nada têm a ver com Deus. São essas as coisas que realmente importam para as pessoas hoje em dia.

Além disso, as pessoas passaram a ter comportamento informal demais. Deixaram de se preocupar com a presença do Sagrado - entram e saem das igrejas como se estivessem em qualquer outro lugar. Conversam, contam piadas, ficam distraídas, etc. E um sinal claro disso é o fato que as maravilhosas catedrais centenárias da Europa viraram centros de turismo, com hordas de pessoas andando para cá e para lá, tirando fotos, brincando, etc. O que menos preocupa as pessoas é a presença de Deus.

Reverencia verdadeira requer atenção aos detalhes e para isso é preciso ter tranquilidade. Ter tempo. E as pessoas parecem não conseguir fazer isso. Vivem com tanta pressa que nem prestam atenção no que está no seu entorno, exceto talvez no seu celular.

A liturgia dos serviços religiosos, como os cultos, procura justamente quebrar o ritmo normal de vida e obrigar as pessoas a se comportarem de modo diferente. Por isso a liturgia costuma ter um ritmo próprio, mais lento, e dá importância a detalhes - como a decoração, a ordem na qual as coisas são ditas, etc. Os detalhes se tornam importantes. 

Infelizmente, sob a desculpa de tornar a liturgia mais "moderna", a prática vem mudando para se adaptar à "falta de tempo" das pessoas, á sua impaciência. Assim, as cerimônias tornaram-se mais curtas, mais despojadas, mais diretas e mais informais. Mas, também ficaram menos reverentes e provavelmente menos relevantes.

A capacidade de sentir e reverenciar a presença de Deus é mais um sinal importante da sua saúde espiritual. Se você não consegue se sentir extasiado diante de algo infinitamente maior e mais importante do que você, se sua atitude não muda quando ora, louva ou jejua, algo está faltando na sua vida espiritual. Algo não está indo bem. 

Afinal, a presença de Deus e a reverencia sempre andam sempre juntas. Uma nunca aparece sem a outra. A reverencia é um sinal importante. E se a reverência não se faz notar, é porque não há conexão com Deus.

Com carinho

sábado, 22 de junho de 2019

A LUTA CONTRA O AUTO-ENGANO


Auto-engano é o processo pelo qual as pessoas se iludem quanto a quem são de fato. Todo mundo se auto-engana, portanto, fazer isso, em alguma medida, é da ordem natural das coisas. 

O processo mental que leva ao auto-engano tem dois lados: um bom (imprescindível até para a saúde mental das pessoas) e outro ruim. Quando o lado ruim cresce muito e predomina, como acontece na vida de muita gente, os problemas se multiplicam. É o que vou discutir a seguir:

O lado bom do auto-engano
O auto-engano funciona como uma forma de auto-proteção. As pessoas usam esse "mecanismo" para fugir das coisas difíceis, aquelas que não conseguem enfrentar. E um excelente exemplo é a morte. As pessoas não conseguem pensar nessa realidade inevitável. E se fizessem isso, provavelmente ficariam muito deprimidas. Assim, elas se auto-enganam e vivem como se a morte não fosse acontecer e até fazem piada sobre ela. 

O auto-engano também faz com que as pessoas acreditem ser capazes de fazer coisas que normalmente não estariam ao seu alcance. E isso leva as pessoas algumas vezes a praticar verdadeiras proezas. Por exemplo, em novembro de 2007, no município de Palmeiras (SC), o menino Riquelme dos Santos, de cinco anos, vestindo uma fantasia do Homem Aranha e se sentindo um super-herói por causa disso, resgatou um bebê de dez meses de dentro de uma casa em chamas.

Mas, infelizmente, o auto-engano costuma ter um lado muito negativo, que pode gerar consequências muito ruins. Vejamos alguns exemplos disso:

Um lado ruim do auto-engano: avaliar-se de forma irreal
O primeiro tipo tipo de situação ruim relacionada com o auto-engano ocorre quando as pessoas pensam ser melhores do que são de fato. Isto é, quando a avaliação que fazem de si mesmas está muito longe da verdade.

Na prática, todo mundo tem uma avaliação de si mesmo/a melhor do que a realidade. Por exemplo, uma pesquisa do jornal "O Globo", de março de 2008, pediu aos entrevistados que dessem uma nota para si mesmos no quesito “respeito aos direitos humanos”. Em seguida, foi pedido que as pessoas dessem uma nota para o “brasileiro médio”. 

Do ponto de vista científico, o resultado esperado era que a média dos dois conjuntos de notas (dadas pelas pessoas para si mesmas e para o “brasileiro médio”) deveria se aproximar muito. Mas, como as pessoas pensam ser melhores do que verdadeiramente são, 60% dos entrevistados deram para si mesmos notas entre 9 e 10, enquanto apenas 17% atribuíram essas notas para o “brasileiro médio”.

Agora, quando a diferença entre o mérito que a pessoa acha ter e a realidade se torna significativa, o problema pode se tornar sério. Por exemplo, é comum as pessoas se auto-enganarem ao acharem não ter muitos pecados ou, no máximo, cometer pecados leves. Bem lá no fundo, pensam não precisar se arrepender muito e/ou ter mérito acumulado junto a Deus. Pensam que está tudo certo, quando não está. 

E para reforçar esse sentimento frequentemente criam desculpas para acalmar suas próprias consciências e/ou manter uma boa imagem no meio social em que vivem. Por exemplo, elas se convencem que, ao cair em certa tentação, não causaram tanto mal assim. Cometeram um erro bem intencionado ou um pecadilho. 

Outro tipo de desculpa comum é afirmar não ter tempo para se dedicar às coisas de Deus como gostariam. Essas pessoas se imaginam muito ocupadas com coisas que são muito mais importantes. Em outras palavras, elas dão a Deus prioridade baixa nas suas vidas e nem se dão conta disso. 

Outro lado ruim do auto-engano: dar-se importância demasiada
Muitas pessoas se acham mais importantes do que são. Imaginam ser imprescindíveis para a obra de Deus e/ou deter o verdadeiro conhecimento sobre Ele. Um bom exemplos é o fanático religioso que pensa conhecer melhor do todos a verdadeira “vontade” de Deus. E como a vontade de Deus deve prevalecer, essa tipo de pessoa pensa estar justificada em assumir qualquer atitude para garantir que essa vontade prevaleça. Vale crítica, ameaças e até cometer violência. 

Foi exatamente assim que o apóstolo Paulo agiu, antes de se converter ao cristianismo. Ele foi um dos líderes de uma terrível perseguição movida aos cristãos, que resultou na morte de diversas pessoas, dentre as quais o diácono Estevão. Paulo agiu dessa forma por entender que os cristãos eram hereges. Pensava que era preciso proteger a "fé verdadeira" e aí se sentiu à vontade para cometer barbaridades.

Outro lado ruim do auto-engano: colocar a esperança em coisas erradas 
Há dois tipos de engano que se somam. Um deles é que determinada coisas têm poder emanado de Deus. E o outro é ser possível manipular as bênçãos e o favor de Deus.

Há quem acredite em simpatias para trazer boa sorte ou siga rigorosamente o que diz seu horóscopo. Conheço um homem que, para trazer sorte, sempre passa seu aniversário no local estabelecido pelo seu astrólogo. Assim, a cada ano, viaja para um país diferente. Essa pessoa dá poder a algo que não tem qualquer influência real na sua vida, mas ela se auto-engana pensando estar protegida.

No meio cristão, é muito frequente o recurso a relíquias de pessoas consideradas santas, a água do rio Jordão, o solo da Terra Santa e assim por diante. As pessoas pensam que esse tipo de coisa de alguma forma canaliza o poder de Deus. Mas, Deus não atribui seu poder a coisas terrenas. 

O que vemos na Bíblia é a contínua manifestação dos profetas contra o uso religioso de ídolos e artefatos construídos pelas mãos humanas. Alguém poderia perguntar: mas, não havia poder na arca da Aliança? Sim, havia poder aí, mas o poder não era da arca e sim do fato que Deus se fazia presente nela. Sem esse presença, a arca seria um objeto como outro qualquer.

E, ainda que algum objeto tivesse poder, nunca se poderia imaginar que seu uso poderia concorrer para manipular Deus, atraindo seu favorecimento e/ou suas bênçãos. Deus não é uma pessoa que pode ser enganada ou influenciada. As pessoas nunca deveriam esquecer com quem estão lidando: um ser de poder e majestade inacreditáveis.

A luta contra o auto-engano
Acho que esses exemplos são suficientes para demonstrar como o auto-engano é perigoso na vida das pessoas e que é importante lutar contra ele. Agora, não se iluda: essa é uma luta difícil. Trata-se de uma batalha diária. 

A primeira coisa a fazer é tomar consciência do problema, coisa que procurei ajudar a fazer com este texto. E a segunda é convocar a ajuda do Espírito Santo. Sem Ele, não é possível vencer essa luta e a derrota será certa. 

O Espírito Santo é quem acompanha você diariamente e fala à sua mente toda vez que você se desvia do caminho certo. Ele é como uma pequena "voz" que fica incomodando. 

No famoso desenho animado "Pinocchio", essa voz incômoda é representada por um grilo falante que incomoda o boneco quando ele vai fazer algo errado. No filme, muitas vezes Pinocchio deixa de ouvir os conselhos do grilo falante e quebra a cara. Só quando ele aprende a seguir os conselhos certos é que sua vida muda para melhor.

Você precisa aprender a ouvir o Espírito Santo quando Ele alertar que você está caindo em auto-engano. Quando Ele alertar que você está pondo sua esperança na coisa errada, quando está adquirindo certezas que não deveria ter ou mesmo criando desculpas esfarrapadas para seus erros.

Mas, isso só vai acontecer quando você adquirir intimidade com Deus, quando construir uma relação sincera e profunda com Ele. Há uma outra postagem aqui no site onde explico como fazer isso em detalhe (veja mais).

Com carinho