sábado, 12 de outubro de 2019

O MEDO DA MORTE DA PESSOA QUERIDA

O tema hoje é o medo da morte de uma pessoa querida, coisa também extremamente comum na nossa sociedade.

Quando peguei meu primeiro filho no colo, lembro de perceber como ele era frágil. Tanto assim, que só me senti seguro com ele depois de sentar numa cadeira. Tive medo de pegá-lo no colo estando em pé e deixá-lo cair. É claro que essa insegurança diminuiu com o tempo. Mas, meu sentimento de preocupação com o bem-estar dos meus filhos continua o mesmo. O medo que algo de ruim venha a acontecer com eles sempre me acompanhou. 
Por isso, costumo dizer que a preocupação dos pais com os filhos só muda de lugar ao longo do tempo. Quando os filhos são pequenos, a preocupação é cuidar deles, pois são totalmente dependentes para sobreviver. Quando se tornam adolescentes, eles ficam mais independentes, mas aparecem outras preocupações: violência na escola, drogas, acesso à pornografia e por aí vai. E a preocupação com os filhos vai mudando com o tempo, mas continua até o final da vida dos pais.
O medo da morte de uma pessoa querida, tema de hoje, é bastante centrado nos filhos, mas vai muito além disso. Tememos perder outras pessoas importantes para nós, como o/a companheiro/a da vida. Não queremos também perder nossos pais, coisa que é natural acontecer. E assim por diante. O medo de perder uma pessoa querida está sempre presente na vida. Ele é quase universal.
E, quando vemos uma pessoa querida correndo perigo, costumamos entra em pânico e queremos agir, para afastar o perigo. Mas, o que fazer, quando nossos recursos não dão conta da ameaça? Foi essa a situação em que estava Jairo, líder da sinagoga de Cafarnaum. Sua filha estava morrendo e ele não tinha nada para fazer. Até que se lembrou de um rabino, chamado Jesus, que andava por aquelas terras, curando as pessoas. E Jairo percebeu que Jesus era sua única esperança – veja o relato de Lucas 8:41-42 e 49-56:
Então um homem chamado Jairo, dirigente da sinagoga, veio e prostrou-se aos pés de Jesus, implorando-lhe que fosse à sua casa porque sua única filha, de cerca de doze anos, estava à morte…Enquanto Jesus ainda estava falando, chegou alguém da casa de Jairo, o dirigente da sinagoga, e disse: "Sua filha morreu. Não incomode mais o Mestre".
Ouvindo isso, Jesus disse a Jairo: "Não tenha medo; tão-somente creia, e ela será curada". Quando chegou à casa de Jairo, não deixou ninguém entrar com ele, exceto Pedro, João, Tiago e o pai e a mãe da criança. Enquanto isso, todo o povo estava se lamentando e chorando por ela. 
"Não chorem", disse Jesus. "Ela não está morta, mas dorme". Todos começaram a rir dele, pois sabiam que ela estava morta. Mas ele a tomou pela mão e disse: "Menina, levante-se!" O espírito dela voltou, e ela se levantou imediatamente. Então Jesus lhes ordenou que lhe dessem de comer. Os pais dela ficaram maravilhados, mas ele lhes ordenou que não contassem a ninguém o que tinha acontecido.
Jairo era um homem importante na sua cidade, mas não teve vergonha de se prostrar aos pés de Jesus, implorando por ajuda. E assim é conosco: fazemos qualquer coisa para ajudar a pessoa querida que esteja em risco de vida. Não olhamos para o incômodo, não poupamos despesas e apelamos para qualquer coisa.
O caso de Jairo não é o único descrito nos Evangelhos. Há vários outros exemplos, como o caso do pai de um menino possesso (Marcos 9:17-27):
Um homem, no meio da multidão, respondeu: "Mestre, eu te trouxe o meu filho, que está com um espírito que o impede de falar. Onde quer que o apanhe, joga-o no chão. Ele espuma pela boca, range os dentes e fica rígido. Pedi aos teus discípulos que expulsassem o espírito, mas eles não conseguiram". Respondeu Jesus: "Ó geração incrédula, até quando estarei com vocês? Até quando terei que suportá-los? Tragam-me o menino"… 
Jesus perguntou ao pai do menino: "Há quanto tempo ele está assim?" "Desde a infância", respondeu ele…Mas, se podes fazer alguma coisa, tem compaixão de nós e ajuda-nos." "Se podes? ", disse Jesus. "Tudo é possível àquele que crê." Imediatamente o pai do menino exclamou: "Creio, ajuda-me a vencer a minha incredulidade!". 
Quando Jesus viu que uma multidão estava se ajuntando, repreendeu o espírito imundo, dizendo: "Espírito mudo e surdo, eu ordeno que o deixe e nunca mais entre nele". O espírito gritou, agitou-o violentamente e saiu. O menino ficou como morto, a ponto de muitos dizerem: "Ele morreu". Mas Jesus tomou-o pela mão e o levantou, e ele ficou em pé.
As irmãs de Lázaro também ficaram desesperadas com a doença do irmão. Para elas, as consequências da morte do irmão seriam drásticas. Além de perder a pessoa que amavam, elas teriam suas vidas transformadas, pois eram solteiras e passariam a ser tutoradas por outro parente. Sendo assim, mandaram chamar Jesus - veja o relato em João 11:1-5 e 17-44:
E aconteceu que Lázaro ficou doente. Então as irmãs de Lázaro mandaram dizer a Jesus: "Senhor, aquele a quem amas está doente"…Jesus amava Marta, a irmã dela e Lázaro. No entanto, quando ouviu falar que Lázaro estava doente, ficou mais dois dias onde estava. Depois disse aos seus discípulos: "Vamos voltar para a Judeia"… 
Ao chegar, Jesus verificou que Lázaro já estava no sepulcro havia quatro dias...E muitos judeus tinham ido visitar Marta e Maria para confortá-las pela perda do irmão. Quando Marta ouviu que Jesus estava chegando, foi encontrá-lo, mas Maria ficou em casa. Disse Marta a Jesus: "Senhor, se estivesses aqui meu irmão não teria morrido. Mas sei que, mesmo agora, Deus te dará tudo o que pedires"…E, chamando à parte Maria, disse-lhe: "O Mestre está aqui e está chamando você". Ao ouvir isso, Maria levantou-se depressa e foi ao encontro dele. 
Jesus ainda não tinha entrado no povoado, mas estava no lugar onde Marta o encontrara…Chegando ao lugar onde Jesus estava e vendo-o, Maria prostrou-se aos seus pés e disse: "Senhor, se estivesses aqui meu irmão não teria morrido"...Jesus agitou-se no espírito e perturbou-se. "Onde o colocaram?", perguntou ele. "Vem e vê, Senhor", responderam eles. Jesus chorou. Então os judeus disseram: "Vejam como ele o amava!" 
Jesus, outra vez profundamente comovido, foi até o sepulcro. Era uma gruta com uma pedra colocada à entrada. "Tirem a pedra", disse ele. Disse Marta, irmã do morto: "Senhor, ele já cheira mal, pois já faz quatro dias". Disse-lhe Jesus: "Não lhe falei que, se você cresse, veria a glória de Deus?"..Depois de dizer isso, Jesus bradou em alta voz: "Lázaro, venha para fora! " O morto saiu, com as mãos e os pés envolvidos em faixas de linho, e o rosto envolto num pano. Disse-lhes Jesus: "Tirem as faixas dele e deixem-no ir".
Jairo, o pai do menino possesso, Marta e Maria são pessoas que passaram pelo desespero de ver uma pessoa querida doente e em risco de vida. E o que elas tiveram em comum, além do sofrimento? Todas estenderam sua mão para Jesus e pediram ajuda. Essas pessoas usaram o conselho dado pelo profeta Jeremias em Lamentações 2:19:
Levante-se, grite no meio da noite, quando começam as vigílias noturnas; derrame o seu coração como água na presença do Senhor. Levante para ele as mãos em favor da vida de seus filhos, que desmaiam de fome nas esquinas de todas as ruas.
Não adianta simplesmente ficar com medo dos perigos que rondam seus entes queridos e ficar sofrendo. É preciso agir: derrame seu coração diante de Deus e interceda por quem você ama. A melhor forma de você ajudar quem ama é interceder continuamente por ela.
Outro dia li o depoimento de uma mãe de família, que tem vários filhos - hoje todos já são adultos. Ela relatou como quase toda noite ia pela casa, de cômodo em cômodo, orando, pedindo pela vida e integridade física de cada uma daquelas pessoas. Esse é um exemplo magnífico.

Quando você ora, Cristo responde. Assim, como respondeu para Jairo, Marta e Maria. Ore pela pessoa querida. E também ore com ela. 
Você não pode, mesmo querendo, proteger filhos e demais pessoas queridas dos perigos da vida. Mas, pode levá-los diante daquele que é a fonte da vida. Pode entregá-los nas mãos de Cristo.
Jairo conseguiu atrair a atenção de Jesus e estava levando-o para sua casa, com a esperança de ver a filha curada. Aí chegou a notícia que a menina já estava morta. Certamente bateu o desespero no seu coração. Mas Jesus lhe disse simplesmente: “Não tenha medo. Apenas creia…”
Aquele pai enfrentou duas forças opostas na sua mente: medo e confiança. E precisou escolher uma delas. Exatamente como acontece com você. De um lado, você tem a realidade dos perigos que rodeiam a vida dos seus entes queridos e, de outro, a realidade da sua fé. Isto é, a possibilidade de depositar sua esperança e sua confiança naquele que é o autor e consumador da vida.
Conhecemos a escolha de Jairo. Mas ele não tinha qualquer garantia, naquele momento, de ter feito a escolha certa. Os amigos chegaram a dizer-lhe que não havia mais nada a ser feito. Mas, Jairo persistiu e recebeu a graça.
Jesus deixou apenas que três apóstolos – suas testemunhas –, além do pai e da mãe entrarem na casa da menina. E é interessante perceber que só aí a mãe aparece no relato. Mas, naquele momento crucial, Jesus uniu pai e mãe num mesmo propósito. Ele poderia ter entrado na casa somente com os apóstolos e deixado a mãe para trás, mas Jesus queria a família reunida. E Ele agiu de forma parecida com Marta e Maria, levando-as até o túmulo de Lázaro, antes de fazer o milagre.

E é nesse círculo de amor que Jesus operou os milagres. Foi nessas circunstâncias que Ele agiu. E isso comprova a importância que a família tem para Jesus.

Com carinho

quinta-feira, 10 de outubro de 2019

A TRISTE HISTÓRIA DE DINÁ


A história de Diná é muito triste. E ela tem tudo a ver com a opressão da mulher, uma chaga social presente no mundo desde o início da vida humana. 
Infelizmente, um dos maiores focos de discriminação das mulheres é a própria família - velhos hábitos demoram a morrer... 

Para exemplificar o que acabei de dizer, basta pensar num típico almoço de domingo na casa de uma família brasileira. A família está toda reunida em torno da mesa. Pergunto: quem está na cozinha nesse momento? E depois, quem vai lavar a louça? Acredito que todos sabem a resposta: na esmagadora maioria dos casos, serão as mulheres. Os homens ficarão batendo papo, comendo e vendo televisão.

E um dos mais importantes aspectos da opressão da mulher dentro da própria família é a usurpação do direito dela a ter voz própria. E a história de Diná me parece ser um exemplo muito triste de como isso é feito. 
A história de Diná 
Vou dar aqui um resumo da história que está em Gênesis capítulo 34, versículos 1 a 29. Diná, filha de Jacó, saiu de casa sozinha para ver as "filhas da terra” - possivelmente outras moças da região onde morava. Foi um comportamento estranho, pois as mulheres virgens naquela época nunca saiam de casa sozinhas.
Ela foi vista por Siquem, um príncipe da cidade de mesmo nome. E ele aparentemente usou de força para ter relações sexuais com a jovem – a Bíblia usa a palavra "humilhar" para se referir ao que ele fez com Diná. Mas, depois do ato, Síquem tomou-se de amores pela moça e quis se casar com ela. 

Hamor, pai do rapaz, foi até Jacó e prometeu um dote pela moça e, mais ainda, ofereceu aliança entre seu povo e a família de Jacó. Durante essa negociação, Diná foi mantida na casa de Hamor (versículo 26).

Simeão e Levi, irmãos de Diná, responderam que somente poderiam consentir no casamento se Siquem e todos os demais homens da sua cidade fossem circuncidados. Hamor concordou e assim foi feito. 

Aproveitando-se do período de convalescença dos habitantes da cidade de Siquem, após a dolorosa cirurgia, Simeão e Levi mataram todos os homens e pilharam seus bens. Levaram Diná de volta para a casa de Jacó, onde ela terminou seus dias, de forma melancólica.  Pois, não sendo mais virgem, não podia se casar com outro homem e quem queria se casar com ela, Siquem, tinha sido morto.

A interpretação tradicional dessa história apela para a sociologia dos clãs.  A cultura daquela época se baseava no princípio da força - quem podia mais, chorava menos. Então, para ter alguma segurança, as pessoas passaram a se organizar em clãs. Dentro de um clã, todos os homens eram obrigados a defender e vingar as afrontas sofridas por qualquer membro do grupo. E ao fazerem parte de um clã, as pessoas se sentiam mais protegidas.

Portanto, atacar uma pessoa significava provocar a ira de todo o seu clã. A chave de tudo era a capacidade do clã de reagir às ofensas, já que não fazer isso demonstrava fraqueza, tornando a sobrevivência do clã ameaçada. Portanto, quando um clã tomava vingança por uma afronta, o objetivo não mais do que punir a ofensa em si, mas também demonstrar força para os inimigos.

A violência contra as mulheres do clã, como o estupro de uma virgem, era uma ofensa particularmente grave. E é nesse contexto que a história acima precisa ser analisada. A reação exagerada de Simeão e Levi teria servido como demonstração que o clã de Jacó não estava indefeso.

Mas, essa história admite uma leitura completamente diferente: tratou-se de um caso de amor proibido. O casal Diná e Siquem teria tentado “forçar a barra" para conseguir o consentimento da família da moça para seu casamento. E essa versão parece explicar bem melhor os fatos ocorridos.

Primeiro, a saída de Diná para ver as “filhas da terra”. Esse foi um ato de enorme imprudência de Diná e só faz sentido se ela fosse muito imprudente, coisa pouco provável numa mulher daquela época, ou se tivesse um objetivo secreto em mente: encontrar-se com Siquem e dar início ao processo que levaria ao seu casamento com ele. 

Vale lembrar que nenhuma das palavras usadas no texto da Bíblia pode ser traduzida exatamente como “estupro”. A palavra usada - “humilhar” - refere-se a qualquer relação sexual ilícita, como a que houve entre os jovens, pois eles não eram casados. E isso não significa que tenha havido um estupro de fato.

O amor repentino de Siquem não faz muito sentido depois de um estupro, mas tem toda lógica na versão do amor proibido. Nessa segunda hipótese, Siquem já amava Diná em segredo e depois que a relação dos dois se tornou pública, ele demonstrou seus sentimentos e implorou ao pai que conseguisse a mão da moça em casamento. 

O fato da moça ter sido mantida na casa de Siquem durante as negociações entre as famílias, também fala muito a favor da hipótese de um amor proibido. Se tivesse havido um estupor de fato, a tendencia de Diná teria sido correr de volta para a casa do pai.
A opressão da mulher
Existe um importante aspecto a ser considerado, que não costuma ser considerada nas análises tradicionais: a voz da própria Diná nunca foi ouvida. Em momento nenhum os irmãos a consultaram para saber qual seria sua vontade, muito menos pensaram no que teria sido melhor para ela. 
Pelo contrário, quando mataram Siquem, eles tiraram de Diná qualquer possibilidade de reconstruir a vida e a condenaram a viver como morta-viva na casa paterna. Um horror.

E não podemos esquecer que o próprio Deus condenou a atitude dos irmãos de Diná e os puniu com a perda do direito de primogenitura  (Gênesis capítulo 49, versículos 5 a 7). 

É claro que a sociedade da Bíblia era muito mais machista do que a sociedade atual. Mas a opressão à qual Diná foi submetida continua a ocorrer, não pelas mesmas razões, é claro, e certamente não da mesma forma. Mas o problema continua presente.

O pior é que, nas filhas evangélicas, muitas vezes a própria Bíblia é usada como "instrumento" dessa opressão. São comuns as leituras distorcidas do texto bíblico que mostram a mulher, por exemplo, como fraca moralmente diante da tentação , fruto da ideia equivocada que Eva teria levado Adão a pecar. 

Uma estratégia sutil, mas bem cruel, muito usada nesse processo de opressão é alegar que decisão sendo tomada pela família, contra a vontade da própria mulher, é para o "bem" dela. Alguns exemplos desse tipo de situação, que já presenciei, foram: o marido tem mais experiência do que a esposa e deve decidir, inclusive por ser o "cabeça do casal"; o pai deve resolver tudo para que a filha não precise esquentar a cabeça; ou mesmo a mãe viúva precisa ser tutelada pelos filhos para ser defendida dos perigos do mundo.

O pior é que, muitas vezes, as mulheres são as primeiras a dar apoio ao processo que as vitimiza. Isso porque se sentem inferiores - talvez por terem menos estudo) e/ou experiência - ou mesmo por terem sido educadas para deixar as grandes decisões para os homens. 

Nós, cristãos, precisamos aprender a reconhecer essas situações e conseguir dizer não para elas. Lutar para que todos, homens e mulheres, sejam tratados da mesma forma e tenha seus seus direitos reconhecidos. Afinal, perante Deus, todas as pessoas são consideradas iguais e têm o mesmo valor.

Com carinho

terça-feira, 8 de outubro de 2019

O PREÇO DO AMOR

Qual é o preço do amor? Essa é uma pergunta que muita gente já se fez, em diferentes momentos da vida. E eu tive oportunidade de fazer essa pergunta para mim mesmo, recentemente, quando meu filho mais velho se casou e foi viver sua nova vida, feliz. Glória a Deus por isso.

Mas, o vazio do lugar que ele ocupava na nossa casa, ficou para trás. E isso era inevitável, pois sem sair de um lugar, ele não poderia vir a desempenhar seu novo papel, junto à sua esposa.

Usei essa reflexão para falar de outra coisa, muito importante: o sacrifício de Jesus por nós na cruz. Há um texto em Isaías, capítulo 53, onde o profeta reflete sobre essa questão e dá para perceber o sofrimento de Deus, ao entregar seu Filho para morrer de forma horrível naquela cruz.

Esse foi o preço do amor de Deus por nós. Esse foi o preço que precisou ser pago para que nós possamos ver o caminho do perdão de Deus e da salvação aberto à nossa frente. Não acredito que preço maior tenha sio pago em outra circunstância da história da humanidade. 

É sobre isso que o Rogers fala no seu mais novo vídeo. Veja aqui.

Veja outros vídeos recentes dele aqui e aqui.

domingo, 6 de outubro de 2019

O QUE BUSCAR NUMA IGREJA

Muitas pessoas estão interessadas em buscar uma igreja para frequentar. E me perguntam sobre como fazer essa escolha. Elas querem entender que comunidades e denominações cristãs poderiam ser adequadas para elas. E essas são perguntas importantes.

Mas, ao invés de fazer uma lista de denominações cristãs "aprovadas", coisa que não penso ser apropriada, prefiro responder dando instrumentos para que as próprias pessoas possam refletir e avaliar, por si mesmas. Prefiro que elas aprendam o que buscar numa igreja, antes de decidir frequentá-las.
Local de liberdade
A primeira coisa é buscar um local de liberdade. Na igreja a pessoa deve poder ser autêntica. Mostrar quem verdadeiramente é, inclusive suas dificuldades, fraquezas e dúvidas. A pessoa não deve nunca se sentir constrangida pela comunidade do local que frequenta.
Até porque, a igreja que ficando julgando as pessoas – separando as ovelhas “boas” das "más" - não segue o Evangelho de Jesus. Simples assim.

A igreja precisa viver a verdade que as mudanças para melhor na vida das pessoas precisam vir de dentro delas e não serem impostas de fora. E a igreja é como um hospital: é o lugar de "doentes" que querem se curar, ou seja, é ali que as pessoas precisam encontrar respostas e incentivo para mudar suas vidas, deixando o pecado de lado.
Tratamento transparente da questão do dinheiro 
É sempre preciso buscar uma igreja onde o dinheiro seja tratado de forma transparente. Fuja das igrejas que não fazem isso. Aquelas que não contam o quanto arrecadam e, principalmente, onde gastam o dinheiro recebido dos fiéis, fruto do seu dízimo e ofertas.
Comunidades onde os pastores mostram sinais de prosperidade muito maior do que a média das suas ovelhas passam sinais preocupantes de mau uso dos recursos.
É claro que as igrejas precisam de dinheiro para se manter, mas arrecadar não pode se transformar numa obsessão, na sua razão de ser delas. Em outras palavras, as igrejas nunca podem ser tratadas como negócios.

As pessoas também devem fugir das igrejas que tentam desafiar os crentes a assumir compromissos financeiros visando ter acesso às bençãos de Deus, como se fosse uma troca. Pode ter certeza que Deus não faz qualquer tipo de barganha e sua graça não tem, nem pode ter, preço.
Casa de oração
Oração precisa ser um dos alimentos básicos de qualquer comunidade cristã. Como bem diz um bispo que conheci: “oração deve estar sempre na ordem do dia”.
Portanto, a pessoa deve procurar saber como é o hábito de oração da igreja que pretende frequentar. Uma igreja saudável é uma casa de oração, como Jesus ensinou. Todas as pessoas na comunidade devem ser sempre incentivadas a orar com frequência e sinceridade. E quem não sabe orar deve ser incentivado a aprender a fazer isso ali.
Mudança de vida
Você deve buscar uma comunidade que não somente pregue o Evangelho de Jesus, mas também ajude as pessoas a encontrar um sentido maior para suas vidas, isto é, fazê-las entender o que é verdadeiramente seguir Cristo. A comunidade cristã precisa ensinar as pessoas a colocar seus egos e vaidades de lado e servir à causa do Reino de Deus, da forma como melhor puderem.
Em outras palavras, a igreja precisa ser um local onde as pessoas se unam para “pegar no arado e preparar o terreno” para o Reino de Deus. Nenhum trabalho deve e pode ser considerado pequeno ou humilde demais, pois todas as atividades têm valor aos olhos de Deus.

Finalmente, as lideranças da igreja, especialmente seus pastores/as, não podem ter privilégios e devem ser os/as que mais trabalham. Afinal, é esse exemplo de humildade e dedicação que Jesus deixou e as faz deixar seu “eu” e suas necessidades pessoais de lado e se dedicar à causa de Deus.
Espaço para trabalhar na obra de Deus
Todos têm dons espirituais que podem ser utilizados no crescimento da obra de Deus. Pode ser, como no meu caso, o ensino e a divulgação da Palavra de Deus. Em outros casos, pode ser o louvor (cantar e/ou tocar um instrumento), a evangelização ou o cuidado com quem sofre.
Há muitos dons espirituais porque a obra de Deus tem muitas necessidades. E é o trabalho efetivo nessa obra que permite às pessoas exercer os próprios dons. Sendo assim, a igreja precisa abrir espaços para que as pessoas possam fazer isso.
Uma igreja saudável nunca pode ficar restrita a um grupo de pessoas "especiais", a quem cabe fazer tudo. A igreja não pode ter “donos”, além de Jesus Cristo.
Agora, a igreja precisa ainda ajudar as pessoas a se prepararem para poder trabalhar na obra. Por exemplo, precisa ser treinada a conhecer a Bíblia bem e poder ensiná-la a terceiros. Uma igreja séria não joga as pessoas no campo de batalha sem lhes dar apoio e instrumentos de trabalho adequados. Infelizmente, muitas agem isso sob a justificativa que a obra é do Espírito Santo e cabe a Ele preparar as pessoas.
Humildade
Finalmente, a pessoa deve fugir da igreja que não seja humilde, ou seja, aquela que sempre se coloca como dona da verdade. Por exemplo, a comunidade que acredita na tese que só serão salvas as pessoas que a frequentam.
Ora, ninguém tem o monopólio de Jesus Cristo. E se Ele pudesse ser totalmente compreendido e abarcado por uma única comunidade ou denominação cristã, Deus nunca poderia ser onipresente e infinito, como entendemos que Ele é. Nosso Deus simplesmente não cabe dentro de nenhuma instituição estabelecida e gerenciada por seres humanos. Portanto, humildade é um requisito fundamental para uma igreja que pretenda realmente seguir a Cristo.
Palavras finais
Ser um local libertador, transparente no tratamento do dinheiro e uma casa de oração. Pregar a Palavra de Deus e incentivar a mudança positiva na vida das pessoas. Dar-lhes espaço para trabalhar na obra de Deus. E, finalmente, ser humilde. Aí estão os principais requisitos para uma comunidade cristã boa e saudável.
Nenhuma igreja atenderá todos esses requisitos igualmente bem. Mesmo as melhores dentre elas, serão boas em algumas coisas e não tão boas em outras. Afinal, instituições humanas nunca são perfeitas. É preciso, portanto, ter tolerância ao analisar as comunidades que se estuda frequentar.

Essa lista serve como um guia que pode ajudar você a fazer a escolha certa quando buscar uma igreja. E que Deus lhe guie ao fazer isso.

Com carinho

sexta-feira, 4 de outubro de 2019

AS CRENÇAS MÍNIMAS DE UM CRISTÃO

Há doutrinas que são fundamentais para o cristianismo. É o que estou chamando de crenças mínimas de um cristão. E ninguém deveria poder se auto-intitular cristão sem aceitá-las integralmente. O melhor exemplo é a crença que Jesus é o Salvador do ser humano. 

Esse conjunto de doutrinas constitui o cerne do cristianismo. Agora, existem outras doutrinas que também fazem parte do conjunto de crenças da maioria dos cristãos, mas que podem ser ou não aceitas e ainda assim a pessoa continuará a ser qualificada como cristã. Um bom exemplo é a forma como o batismo deve ser conduzido (aspersão, derramamento ou imersão em água). As denominações cristãs usam formas diferentes umas das outras e algumas (como os metodistas) chegam a praticar as três formas de batismo. Mas isso não está no centro da doutrina cristã. É importante, sem dúvida, mas não é um dos fundamentos da crença cristã.

Essas doutrinas complementares, na prática, simplesmente vão caracterizar os diferentes grupos (denominações) existentes dentro do universo do cristianismo. É por conta dessas crenças complementares que a pessoa é rotulada como presbiteriana, metodista, batista, católica romana e assim por diante.  
As doutrinas essenciais do cristianismo
A maior parte dos teólogos cristãs aceita que os nove pontos abaixo resumem a crença fundamental de quem é cristão:
  1. Deus Pai é um ser com vontade própria, inteligente, onipotente e onisciente, que criou tudo o que existe a partir do nada.
  2. Jesus Cristo é o único Filho de Deus, tendo a mesma natureza de Deus Pai.
  3. O Espírito Santo, "o Deus que habita em nós", é a terceira pessoa da Trindade Santa.
  4. O Filho se fez humano, por ação do Espírito Santo, e nasceu de uma virgem, Maria. Viveu entre nós sem pecado algum. Foi morto na cruz e sepultado. Ressurgiu dentre os mortos, ao terceiro dia, por ação do Espirito Santo, e voltou para junto do Pai.
  5. Jesus é o único Salvador do ser humano: sua morte ocorreu para que todos aqueles que nele creem tenham seus pecados perdoados mediante a graça de Deus.
  6. Jesus vai voltar, no final dos tempos, quando os seres humanos já mortos vão ressurgir, em corpos novos, diferentes daqueles que tiveram em vida. Os que estiverem vivos também terão seus corpos igualmente transformados. 
  7. Todos os seres humanos serão julgados e apenas aqueles que tiveram seus pecados perdoados (item 5) terão acesso à vida eterna. 
  8. A igreja cristã foi instituída por Jesus e sua missão é pregar o Evangelho de Cristo e implantar o Reino de Deus aqui na terra. 
  9. A Bíblia é a revelação de Deus para o ser humano, onde todas essas coisas são contadas.
Agora, analise cada essas doutrinas - as crenças mínimas do cristão - com calma. Se você crer nelas, sem dúvida é um cristão. Se tiver dúvida sobre o que significam, consulte outras postagens aqui no site, pois falamos sobre cada uma, em alguns casos, mais de uma vez. Você também pode enviar alguma pergunta, caso a dúvida persista, que vamos responder. 

Com carinho 

quarta-feira, 2 de outubro de 2019

QUANDO É PRECISO RECOMEÇAR

Às vezes na vida é preciso recomeçar. Acontece uma perda tão significativa - o emprego de muitos anos, a morte de um ente querido, uma doença grave ou o rompimento de uma relação amorosa - que a vida não mais pode ir em frente como antes. E essa perda muitas vezes acontece sem que a pessoa tenha qualquer responsabilidade. Sem que a pessoa tenha dado motivo para que aquilo acontecesse.

O processo de recomeço passa por alguns passos importantes. E o primeiro deles é aceitar a perda. E, quando isso não acontece, há quem se sinta revoltado e se negue a aceitar sua nova situação. Há até quem brigue com Deus e o acuse de ser injusto.

O recomeço também passa pelo passo de refletir sobre o ocorrido e analisar a possibilidade de dar um novo rumo à própria vida. E o novo rumo pode ser mudar de profissão, de cidade, de relacionamento e por aí vai. Mas, tem gente, que mesmo aceitando a perda, fica paralisada, sem conseguir formular um novo projeto de vida, sem conseguir dar esse segundo passo.

Não há dúvida que há momentos em que é preciso recomeçar. E é possível se reinventar e encontrar novamente a paz e a felicidade, com a ajuda de Deus. Mas, muitas pessoas ficam presa ao longo do processo e nunca conseguem encontrar um novo caminho. 

E é sobre isso que a pastora Carol e a Alícia falam no seu mais novo vídeo - veja aqui.

Veja outros vídeos recentes da pastora Carol e da Alícia aqui e aqui.

Veja o canal da pastora Carol no Instagram aqui.

segunda-feira, 30 de setembro de 2019

DETALHES ÍNTIMOS

Deus conhece os detalhes íntimos das nossas vidas. Ele sabe tudo sobre cada um de nós desde quando estávamos sendo concebidos por nossas mães. E Ele sabe o que iremos fazer, mesmo antes que tomemos a decisão de agir num sentido ou no outro.

Isso é surpreendente, considerando que há quase 8 bilhões de pessoas no mundo. E mais surpreendente fica ainda essa constatação se lembrarmos que o planeta terra nada mais é do que um pequeno ponto azul no meio de um universo gigantesco. A terra é uma coisa minúscula, se comparada à vastidão do cosmos, que contem centenas de bilhões de estrelas e trilhões de planetas.

Não sabemos porque um ser tão grandioso como Deus e com a responsabilidade de sustentar o universo, encontra disposição para se preocupar com cada ser humano. Trata dos detalhes íntimos da vida de cada um dele, inclusive seus medos, ansiedades e dores. Sinceramente, não é possível alcançar mesmo isso.

Só nos cabe olhar para essa situação com admiração e gratidão, sempre tendo em mente que não fizemos nada para merecer esse tipo de atenção por parte de Deus.

E é sobre isso que eu falo no meu mais novo vídeo - veja aqui.

Veja outros vídeos recentes meus aqui e aqui.