quarta-feira, 11 de dezembro de 2019

CRÉDITOS

Paulo se preocupou em dar créditos a diversas pessoas que colaboraram com seu ministério. Um bom exemplo disso é a longa lista de citações de nomes de pessoas que ele incluiu no final da sua carta aos Colossenses. Ali Paulo indica o que cada pessoa fez e sobre a sua importância na obra de Deus.

As pessoas que Paulo citou em Colossenses ficavam nos bastidores do ministério de Paulo. E por isso não eram muito notadas pelos cristãos. Mas, sem elas, Paulo teria sido muito menos efetivo do que foi.

E assim costuma acontecer nas igrejas. Para que o pastor possa fazer uma pregação que encante a congregação, muitas pessoas trabalharam nos bastidores. Gente que talvez nunca seja notada, mas que foi fundamental. Pessoas que limparam e enfeitaram a igreja, ajustaram o som, receberam e encaminharam os vistantes e assim por diante.

Normalmente, não é possível dar créditos a todos essas pessoas durante os cultos e demais atividades da igreja, mas cada uma delas é fundamental para o sucesso dos trabalhos.

Lembre-se disso, se você estiver trabalhando na obra de Deus em tarefas que pareçam humildes - você tem grande valor e Deus sabe disso. Esse é o tema do meu mais novo vídeo - veja aqui.

Veja outros vídeos recentes meus aqui e aqui.

segunda-feira, 9 de dezembro de 2019

COMO MELHORAR SUA VIDA

Como você pode melhorar sua vida? Para viver uma vida melhor, mais feliz e ajustada, você precisa aprender uma coisa muito importante: distinguir entre o que não pode ser mudado, não importa o quanto você se esforce, e o que pode ser melhorado, com esforço e dedicação. 

Muitas pessoas não conseguem perceber essa diferença fundamental e ficam lutando para mudar aquilo que não está a seu alcance. E acabam não se concentrando nas áreas onde poderiam obter progresso palpável.

O que não pode ser mudado na sua vida inclui um monte de coisas, muito mais do que você provavelmente gostaria que fosse o caso. Mas, essa é a realidade que você precisa aprender a aceitar. Vejamos alguns exemplos:
  • Algumas circunstâncias da sua vida – por exemplo, a economia, o clima, o ambiente social onde você vive, a situação política do seu país. E inclui ainda alguns problemas crônicos de saúde ou mesmo deficiências físicas.
  • O passado - é impressionante como as pessoas gastam tempo e esforço tentando mudar seu passado. Você pode até se arrepender do que fez, mas o que está feito não vai mudar. É preciso aprender a viver com as consequências dos seus atos. 
  • A passagem do tempo - tudo passa na vida, tanto as coisas boas com as ruins. Entender isso ajuda a reduzir o sofrimento quando uma coisa boa passa. Isso vale, por exemplo, para a juventude, para a beleza física e tantas outras coisas.
  • A soberania de Deus - pode parecer estranho incluir isso na lista, mas as pessoas brigam muito contra a soberania de Deus. Muitas acham que Ele poderia e deveria ter feito as coisas de outra forma e não se sentem satisfeitas com aquilo que Deus parece ter reservado para elas. E acabam se revoltando contra Deus, o que é péssimo. Primeiro, porque isso não muda a realidade e, depois, porque isso afasta afasta a pessoa de Deus e lhe tira a única fonte real de ajuda que ela tem na vida. 
Aprender a aceitar aquilo que não se pode mudar é fundamental para alcançar paz de espírito e ter condições de se concentrar naquilo que importa de fato, ou seja, aquilo que pode ser mudado. Não se trata de conformismo, mas sim de ajustar as próprias expectativas. Afinal, ficar brigando contra o inevitável somente traz frustrações.

Agora, a parte mais importante é aprender a identificar e atuar naquilo que pode ser mudado. A Bíblia chama a esse processo de melhoria contínua de "santificação". É aí que você pode fazer diferença, tanto na sua vida, como no mundo que lhe cerca. 

É claro que você nunca pode mudar seu passado - no máximo pode atenuar as consequências do que fez. Mas, sem dúvida, você pode mudar seu futuro para melhor. E pode fazer isso desenvolvendo os seus pontos fortes - a Bíblia chama isso de usar bem os próprios talentos -, bem como reduzindo os pontos fracos. 

Uma das coisas que você pode melhorar na sua vida é a escolha de prioridades melhores. Trata-se de escapar da armadilha estabelecida pela sociedade moderna, para quem o bom é ter cada vez mais: coisas, status, poder, etc. Na verdade, o importante é passar a ser mais bondoso/a, controlado/a, paciente, amoroso/a e assim por diante. Essas são coisas que a Bíblia ensina como fazer.

Outra coisa que você pode mudar e assumir hábitos de vida mais saudáveis, cuidando melhor do seu corpo e da sua mente. 

Concluindo, aprender a aceitar o que não pode ser mudado e investir naquilo que é possível melhorar, esse é um conselho útil para toda a vida.

Com carinho

sábado, 7 de dezembro de 2019

O PROBLEMA COM O PAPAI NOEL

Hoje vou discutir um tema polêmico relacionado com o Natal: a figura do Papai Noel. Esse personagem acabou se tornando dominante nas comorações de Natal e deixa até a figura do menino Jesus, a razão de ser do Natal, meio de lado.

A origem do Papai Noel é uma mistura de lenda pagã, superposta a um santo católico, tudo isso transformado num grande sucesso de marketing pelos esforços comercias pela Coca Cola. É por isso que a roupa do personagem é vermelha (cor tradicional do logotipo da Coca Cola).

Essa origem duvidosa, faz com que muitos cristãos de boa fé acreditem sinceramente ser pecado e até um sacrilégio usar a figura do chamado "bom velhinho" nas comemorações de Natal. E aí que nasceu mais uma polêmica entre os evangélicos, que vou tentar esclarecer aqui.

A questão da origem pagã do Papai Noel
Eu tenho uma postagem aqui no site onde discuto outra polêmica comum sobre o Natal que é o uso de decorações típicas, como árvores enfeitadas com bolas, já que essas tradições têm origem pagã. Minha conclusão (veja mais) foi que não há como estabelecer uma doutrina proibindo tais "empréstimos" de tradições, já que o povo de Israel e também os apóstolos cristãos fizeram a mesma coisa.

Portanto, aceitar, ou não, esses símbolos festivos é decisão de ordem estritamente pessoal, não doutrinária. Há quem se sinta incomodada com eles e por causa disso deve evitá-los, já outras pessoas não têm qualquer problema com essas decorações e não há razão para impedi-las de usar essas tradições. 

E penso que com o Papai Noel ocorre a mesma coisa: não há razão para estabelecer doutrina caracterizando esse personagem como algo bom ou ruim. Não há razão para fazer proibições.

O "bom velhinho" é uma figura de ficção (mitologia), que foi sendo transformada aos poucos, até que (em meados do século passado) chegou à forma atual. O Papai Noel, portanto, não difere em nada de tantos outros personagens que povoam o imaginário infantil, como a Branca de Neve ou a Cinderela.

Proibir a figura de Papai Noel por causa das suas raízes pagãs deveria levar, por coerência, à proibição da maioria dos personagens de contos de fadas, bem como dos super heróis (Homem Aranha, Capitão América, Super Homem e outros). E levaria também à proibição de livros clássicos como a Ilíada e a Odisseia, ambas de Homero, que são relatos mitológicos passados na Grécia antiga e recheados de estórias de deuses pagãos. E assim por diante, até proibir boa parte da ficção usada no mundo ocidental.

Conhecer e apreciar obras artísticas de ficção, mesmo que sua origem não seja cristã, é muito diferente de cultuar outros deuses. Os personagem de contos de fadas e mitologias são imaginários e ninguém, em sã consciência, pensaria estar cultuando o Homem Aranha por apreciar os filmes com esse personagem, ou mesmo por vestir uma criança com uma fantasia da Cinderela. 

Essas coisas que pertencem ao mundo da fantasia, da ficção e acredito que as pessoas sabem separar muito bem esses personagens de deuses pagãos.

O problema real com o Papai Noel
O perigo verdadeiro que a figura do Papai Noel gera é de outra natureza: o desvio do foco da comemoração do Natal de Jesus Cristo para esse personagem.

O "bom velhinho" representa tudo aquilo que as pessoas querem: prazer, alegria de dar/receber presentes e festa. Mas, o nascimento de Jesus passa mensagem diferente: esse fato aconteceu em condições extremamente precárias (numa estrebaria), o que aponta para a desigualdade social e a injustiça deste mundo. A vinda de Jesus ao mundo fala também da necessidade de salvar as pessoas dos seus pecados. E esses são temas não muito gradáveis para as pessoas. Em outras palavras, a mensagem passada pelo Papai Noel é muito mais agradável e fácil de aceitar. 

Agora, ver o Natal como um evento apenas dedicado ao prazer e à alegria, filosofia simbolizada pela figura simpática do Papai Noel, e esquecer aquilo que o nascimento de Jesus representa, é fugir da verdade e se anestesiar. E isso é muito perigoso.

Existe um mito da cultura grega que explica bem os perigos de uma postura desse tipo. A feiticeira Circe era uma mulher linda e poderosa, mas maligna. Ela habitava uma ilha maravilhosa, um verdadeiro paraíso na terra. Essa ilha era um local exclusivamente destinado ao prazer humano, onde as festas nunca acabavam.

Os viajantes que chegavam na ilha ficavam tão maravilhados que iam adiando sua partida, até que se esqueciam totalmente de quem eram e das suas responsabilidades na vida. Transformavam-se em figuras patéticas, anestesiadas, sem qualquer propósito na vida.

As pessoas correm o risco de serem afetadas pelo "efeito Circe" - tornarem-se anestesiadas pela busca incessante do prazer e alegria a qualquer preço, esquecendo-se das realidades da vida. E isso fica bem claro quando o menino Jesus é substituído pelo Papi Noel nas comemorações de Natal. A meu ver, esse é o verdadeiro problema com a figura do "bom velhinho".

Com carinho

quinta-feira, 5 de dezembro de 2019

O PRIMEIRO MILAGRE DE JESUS

Você sabe qual foi o primeiro milagre feito por Jesus, A primeira vez em que Ele demonstrou seu poder em público? Vou contar, para quem não sabe ou não se lembra.

A primeira vez em que se faz alguma coisa significativa costuma ter importância na vida da pessoa: a primeira festa, o primeiro amor, o primeiro filho e o primeiro emprego. As festas de quinze anos foram cridas para comemorar a primeira vez em que a moça participa de uma baile. E assim por diante. 

Por isso, o primeiro milagre, dentre tantos que Jesus realizou deve ter sido muito significativo. E foi mesmo: Ele transformou simples água em vinho, quando estava numa festa de casamento. O ato de Jesus naquela festa traz ensinamentos muito importantes para nossas vidas. 

Os fatos (João capítulo 2, versículos 1 a 12)
O tal casamento deve ter acontecido numa família com a qual a família de Jesus tinha bastante intimidade, tanto assim, que Maria participou dos "bastidores" da festa. A mãe de Jesus estava preocupada com que tudo corresse bem.

E ela percebeu que o vinho servido aos convidados tinha acabado, coisa que iria gerar muita vergonha para os noivos, caso fosse notada pelo convidados. E Maria resolveu ajudar. Procurou Jesus e pediu-lhe que fizesse alguma coisa. 

A resposta de Jesus foi surpreendente - numa primeira leitura, parece até meio rude. Disse Jesus: "Mulher, que tenho eu contigo? Ainda não é chegada a minha hora". Há uma explicação para essa fala de Jesus: Maria esperava uma intervenção miraculosa do seu filho e Ele não tinha intenção de fazer um milagre naquela altura dos acontecimentos, pois seu ministério ainda não tinha começado. Mas, como pedido de mãe sempre acaba sendo atendido...

Jesus pediu aos empregados que juntassem seis talhas de pedra e as enchessem com água. O pedido de Jesus deve ter causado espanto nos empregados, pois aquelas talhas, com capacidade para cerca de 30 litros cada uma, eram objetos que tinham uso muito específico - elas serviam para banhos de purificação. Para você entender melhor o espanto causado ali, teria sido como se Jesus tivesse entrado numa igreja e pedido para usar o batistério como se fosse uma piscina para o lazer. 

Mesmo surpresos, e ante a insistência de Maria, os empregados fizeram o que Jesus tinha pedido. Encheram as talhas e, para sua enorme surpresa, a guá foi transformada em vinho. E o milagre ocorreu sem que Jesus tivesse tocado nas talhas ou dito qualquer palavra especial. 

Jesus agiu de forma quieta e, com certeza, muitos convidados nem perceberam o que acabara de acontecer. Agora, imagina a propaganda que um desses tele-evangelistas, que estão sempre na televisão hoje em dia, teria feito caso conseguisse realizar o mesmo milagre. Mas, Jesus não chamou qualquer atenção para si mesmo.

E o vinho criado por Jesus era tão bom que os convidados comentaram ter sido rompida uma tradição bem estabelecida: os donos da festa serviam primeiro a bebida boa e depois, aproveitando-se do fato das pessoas terem ficado "alegres", empurravam para os convidados o vinho mais barato.

O significado do milagre 
Penso que há pelo menos quatro ensinamentos a tirar desse milagre: 

1. A melhor preparação humana nunca garante que tudo vai dar certo 
Tudo que o ser humano faz tem limitações - naquela oportunidade, foi o vinho acabou. Mas, o problema poderia ter sido outro - lembro de uma festa de casamento em que a confeiteira contratada esqueceu de fazer o bolo... 

Problemas inesperados costumam ser uma realidade da qual ninguém consegue escapar. E ter consciência disso faz com que o ser humano se torne mais humilde.

2. O ser humano é impotente para resolver alguns dos seus maiores problemas 
Naquela oportunidade, os donos da festa não tinham como conseguir mais vinho e isso os deixaria muito mal com os convidados. Mas, o problema sem solução poderia ter sido uma doença séria, o desemprego ou uma crise familiar. 

Cada pessoa, cedo ou tarde, esbarra com determinados limites na sua vida. Há coisas que não é possível resolver com os próprios esforços. E só a ajuda de Deus pode permitir superar esses limites. Sem a ação de Deus, a "festa" da vida acaba.

Se Jesus for convidado para participar da "festa" da sua vida, sempre haverá motivo para festejar. Afinal, Ele tira recursos de onde você nem imagina que seja possível. Jesus transforma sua derrota em vitória, sua doença em saúde, sua falta de dinheiro em abundância e assim por diante. E só ele pode fazer isso. 

3. Deus é sensível aos nossos apelos
Jesus não queria fazer milagres naquela altura da sua vida: ainda não era a hora certa. Mas, sua mãe pediu e Ele foi sensível ao apelo que recebeu.

Da mesma forma, sua oração, seu apelo a Deus, pode mudar as circunstâncias da sua vida. Deus ouve o que as pessoas pedem e e reage a esses pedidos.

4. Nenhum objeto ou lugar é santo por si mesmo 
Para Jesus, as talhas de pedra usadas para purificação das pessoas eram apenas vasos. O uso normal dessas talhas podia ser considerado especial, as as talhas em si mesmas nada tinham de diferente. 

Em outras palavras, o que santifica um objeto ou lugar é o uso que Deus faz dele e somente isso. As coisas materiais não são santas por si mesmas. Elas se tornam especiais apenas por causa do uso que Deus venha fazer delas.

Com carinho

terça-feira, 3 de dezembro de 2019

TODO PODEROSO

É comum que haja espanto quando as pessoas se deparam com as gigantescas forças da natureza.  Mas, o que elas costumam esquecer, é que todas essas forças são criação de um único Deus, que é todo poderoso. Um Ser que é muito maior e mais impressionante do que as cataratas do Iguaçu, com seu enorme volume de águas, ou um poderoso tornado, que destrói tudo no seu caminho,  ou ainda um raio capaz de iluminar todo o céu.

E é sobre isso que fala o Salmo 93. Trata-se da constatação do inimaginável poder de Deus. Aliás, por curiosidade, registro que o versículo 4 desse Salmo está escrito na parede de rocha do lado brasileiro das cataratas do Iguaçu, num reconhecimento dessa verdade.
Ora, se Deus é isso tudo, se seu poder não conhece limites, nenhum problema humano é grande demais para Ele. Nenhum obstáculo pode ser colocado no seu caminho. Nada é impossível para que Deus venha a realizar.

Lembre-se disso, portanto, quando seu fardo parecer muito pesado, quando seu problema parecer sem solução. Você acredita e serve a um Deus para quem nada é impossível. E é sobre isso que eu falo no meu mais novo vídeo - veja aqui.

Veja outros vídeos recentes meus aqui e aqui.

domingo, 1 de dezembro de 2019

ANATOMIA DO MEDO

Ao longo dos últimos meses falei bastante sobre o medo: suas causas, características e consequências nas vidas das pessoas (por exemplo, veja 1, 2 e 3). Mostrei também que o medo assume formas variadas - ele é um inimigo de múltiplas faces. Hoje vou fazer um resumo de tudo isso, uma anatomia final do medo.

Mostrei também que o medo é um sentimento mais complexo de lidar do que se imagina à primeira vista. Até porque o medo é, em boa parte, um sentimento natural, simples reação fisiológica ao perigo. É uma forma de preparar o corpo humano para responder a qualquer ameaça externa, física ou psicológica. E, nesse sentido, o medo pode ser um amigo, quando presente na medida adequada e tendo o foco certo.

Aí o medo funciona como a luz amarela de um semáforo, alertando que é preciso ter cautela e avaliar a situação com cuidado, antes de ir em frente. O medo alerta que não se deve tomar decisões por impulso que são sempre muito perigosas.

O problema é que as consequências do medo costumam ir muito além disso. Normalmente, o medo acaba por tomar conta da vida da pessoa e a paralisa. Ele acaba funcionando muito mais como uma verdadeira luz vermelha do semáforo, proibindo seguir em frente.

Há um bom exemplo na Bíblia desse tipo de situação. Na noite em que Jesus foi preso, Pedro seguiu os soldados até a casa do sumo-sacerdote, em Jerusalém. E ali sentou-se em volta do fogo, pois a noite estava fria. Uma escrava se aproximou dele e o questionou, querendo saber se ele também andava com Jesus. Havia nessa pergunta, evidentemente, uma intimidação implícita.

Pedro se intimidou e sua reação foi péssima: negou conhecer Jesus. A mesma pergunta foi feita por outras duas pessoas, que também estavam por ali, e a resposta de Pedro foi a mesma (Lucas 22:54-62). O medo tomou conta de Pedro, impediu-o de raciocinar corretamente e o paralisou. Fez com que ele esquecesse as promessas de fidelidade e amor que tinha feito a seu Mestre.

Esse é o lado feio do medo. Ele gera ansiedade, pavor, estresse e outras consequências ruins. Pode até levar a pessoa a adoecer. E são muitos ameaças, imaginárias ou reais, que levam a esse medo doentio: perigo, receio do sofrimento, preocupação de perder a fonte de sustento, angustia de ser rejeitado e por aí vai. Também é comum a preocupação com o bem-estar de uma pessoa querida, como filho/a ou esposo/a.

Muita gente pensa que o medo pode entendido de forma simples, apenas como falta de fé em Deus. Falta de confiança na sabedoria dele e na sua providência para com seus filhos/as. Não há dúvida que há muita verdade nesse tipo de conclusão. O caso de Pedro, que citei acima, se enquadra perfeitamente nessa situação. E essa conclusão fica reforçada quando lembramos que, em outra situação, muito mais perigosa, Pedro respondeu de forma corajosa.

Nesse segundo caso a intimidação partiu do Sinédrio, o grupo de líderes que tinha muito poder. Os membros do Sinédrio tentaram coagir Pedro a parar de pregar o Evangelho de Cristo e ouviram dele a resposta que era mais importante obedecer a Deus que aos homens (Atos 4:1-20). O que mudou entre uma experiência e outra? A fé de Pedro em Cristo. No intervalo de tempo entre as duas experiências, Jesus morreu e ressuscitou, dando provas cabais de ser o Messias, e o Espírito Santo chegou para o povo cristão, no dia do Pentecoste. A fé de Pedro desabrochou e ele não mais pode ser intimidado. E continuou seu ministério de forma corajosa até o fim da sua vida.

Portanto, a fé é sim um componente fundamental de uma boa resposta para o medo. Não é possível subjugar o medo sem ter confiança em Deus. Mas, a falta de fé, sozinha, não explica o estrago que o medo causa. Existem pelo menos dois outros fatores também muito importantes.

E o primeiro deles é a reação irracional ao medo que as pessoas costumam ter. Como o medo é detonado por um processo fisiológico, há respostas também fisiológicas a ele, que são automáticas – como a vontade de fugir da ameaça e se isolar. Mas, frequentemente essa não é a resposta certa para o problema.  

Um bom exemplo disso é o profeta Elias. Ele era homem de grande espiritualidade e já tinha realizado inúmeros milagres, como forçar uma grande seca em Israel. O maior milagre praticado por Elias foi enfrentar 400 profetas do deus pagão Baal, cujo culto estava dominando o povo de Israel, por incentivo da perversa rainha Jezebel. O profeta enfrentou o desafio sozinho, em público, debaixo da incredulidade geral. Mas, Deus mandou fogo do céu e o desafio foi vencido por Elias e os profetas de Baal acabaram mortos. Foi uma vitória sensacional.

Aí aconteceu algo surpreendente. A rainha Jezebel ameaçou matar Elias e o profeta ficou intimidado. Caiu em depressão e fugiu. Foi preciso que Deus mandasse seus anjos alimentá-lo, porque nem comer ele queria. O profeta caminhou até o monte Horebe (Sinai), onde se encontrou com Deus e travou ali um diálogo muito interessante – veja 1 Reis 19:13-16:
...E uma voz lhe perguntou: "O que você está fazendo aqui, Elias?" Ele respondeu: "Tenho sido muito zeloso pelo Senhor, Deus dos Exércitos. Os israelitas rejeitaram a tua aliança, quebraram os teus altares, e mataram os teus profetas à espada. Sou o único que sobrou, e agora também estão procurando matar-me". O Senhor lhe disse: "Volte pelo caminho por onde veio, e vá para o deserto de Damasco. Chegando lá, unja Hazael como rei da Síria. Unja também Jeú, filho de Ninsi, como rei de Israel, e unja Eliseu, filho de Safate, de Abel-Meolá, para suceder a você como profeta.
Elias se deixou intimidar por uma ameaça vazia e sua falta de racionalidade foi ainda mais longe: ele perdeu a perspectiva da situação. Caiu no mundo da fantasia e isso ficou claro quando ele disse, em tom de lamento: “sou o único que sobrou…” Elias pensou que tinha ficado sozinho na sua luta. E Deus precisou corrigir essa fantasia, conforme relata o versículo 18:
No entanto, fiz sobrar sete mil em Israel, todos aqueles cujos joelhos não se inclinaram diante de Baal e todos aqueles cujas bocas não o beijaram".
Cair no campo da fantasia é coisa muito comum quando a pessoa está amedrontada, pois ela perde completamente a condição de analisar os fatos com clareza. E é exatamente por isso que ela passa a precisar de ajuda. Alguém com a mente fria e domínio dos fatos, que ajude a pessoa amedrontada a analisar racionalmente a situação e estudar as medidas necessárias. Essa ajuda pode vir de um amigo, um terapeuta, um pastor, um familiar, enfim, qualquer pessoa madura e com uma vida espiritual sólida.

Mas, de forma paradoxal, é justamente nessas situações que a pessoa amedrontada costuma se isolar. Ela passa a querer fugir de tudo e todos. Veja o que Elias fez (1 Reis 19:3-4):
Elias teve medo e fugiu para salvar a vida. Em Berseba de Judá ele deixou o seu servo e entrou no deserto, caminhando um dia…
Elias tinha um servo, uma pessoa de sua confiança, que o acompanhava dia e noite. E a primeira coisa que Elias fez, quando ficou com medo, foi deixar o servo para trás e seguir em frente sozinho. Ele ficou sozinho por opção e não por necessidade!

A dificuldade de procurar ajuda nesses momentos é mais fácil de se notar entre os homens. Eles costumam se trancar no seu próprio sofrimento. Talvez tenham vergonha de demonstrar fraqueza.

Portanto, não é só a falta de fé que torna a luta contra o medo difícil: a irracionalidade das reações humanas costuma tornar tudo mais complicado. Faz com que a pessoa chegue a conclusões que não fazem sentido, dispense a ajuda que Deus manda e cometa outros erros sérios. Ela acaba tornando as coisas piores ainda.

Mas, há mais. A luta contra o medo também é dificultada pelas expectativas fora da realidade. Isto é, a pessoa espera coisas que não estão de acordo com a realidade e fica mais fácil de amedrontar. Por exemplo, há crentes que acreditam firmemente que sua fé vai protegê-los de todo e qualquer problema. Pensam assim porque foram mal discipulados e/ou porque é mais confortável acreditar nesse tipo de fantasia. Essas pessoas esquecem o ensinamento de Jesus que teríamos aflições – lutas, dificuldades e sofrimento – ao viver neste mundo (João 16:33).

E a razão para esse ensinamento de Jesus é fácil de entender. Se você é um ser de recursos limitados, cuja vida vai terminar, cedo ou tarde, e vive num mundo onde há iniquidade, injustiças e maldades de toda sorte, não é difícil imaginar que algum dia a crise vai bater à sua porta.

A questão verdadeira, então, não é tentar se tornar imune a essas aflições e sim como melhor lidar com elas. Uma das reações mais comuns é a ansiedade. Lembro de uma amiga, crente, que tinha tudo que a vida poderia lhe oferecer – família linda, dinheiro farto, boa saúde e casamento estável. Certa vez, ela me confessou que vivia em suspense, esperando pelo dia em que o sofrimento iria mostrar sua cara. Ela não conseguia aproveitar bem o que tinha por causa do medo de perder alguma coisa.

Há também quem não se conforme em passar pelo sofrimento e fique acusando Deus de insensibilidade e falta de amor. Algumas pessoas até acabam brigando com Ele e se afastando, o que torna tudo pior. Afinal, não é possível enfrentar bem os problemas da vida sem a presença de Deus.

Finalmente, há ainda quem tente evitar o sofrimento tentando ter controle sobre tudo. Algumas pessoas montam esquemas elaborados para antecipar todos os problemas possíveis e imagináveis e pensam estar seguras. E isso é uma enorme ilusão, pois você tem bem pouco controle sobre aquilo acontece na sua vida, não importa o quanto se esforce – veja o que Jesus disse em Mateus 6:27:
Quem de vocês, por mais que se preocupe, pode acrescentar uma hora que seja à sua vida?
 Tentar controlar tudo é como “correr atrás do vento”, expressão muito comum no livro do Eclesiastes. É algo sem propósito e só traz ansiedade e frustração. Isso não quer dizer que você não deva planejar suas inciativas e acompanhar os resultados que obtém – lembre-se da metáfora do sinal amarelo, que aponta para a necessidade de tomar precauções. Mas, não se iluda, essas precauções não vão lhe dar nunca o controle total e a segurança completa.

Concluindo essa anatomia do medo, é possível sim lidar adequadamente com ele e, inclusive, usá-lo de forma positiva, naquilo que ele tem de bom, ao mesmo tempo evitando seus muitos aspectos nocivos. E subjugar o medo envolve três coisas importantes. A primeira é exercitar a própria fé – manter a confiança em Deus em todos os momentos e circunstâncias. Sem isso não há como vencer esse desafio.

A segunda coisa importante é não deixar que a irracionalidade tome conta dos seus pensamentos e atitudes. Cuidado para não ficar meio cega quando amedrontado/a. É aí que você vai precisa mais da ajuda externa, de alguém com cabeça fria, para conseguir analisar a situação e tomar as decisões adequadas.

Finalmente, você precisa aprender a ajustar as próprias expectativas. Nunca se esqueça que a vida naturalmente gera ameaças e problemas. E também que a ansiedade nada acrescenta – ela é como uma cadeira de balanço, que gera movimento, mas não tira a pessoa do mesmo lugar. E ainda que a tentativa de controlar tudo é uma ilusão, pois o inesperado é parte da vida. Isso só vai gerar frustração.

Com carinho

sexta-feira, 29 de novembro de 2019

JESUS CHOROU

"Jesus chorou."   João capítulo 11, versículo 35
O versículo acima é o mais curto da Bíblia. Mas ele não é apenas uma curiosidade literária. Sua importância é bem maior do que essa, pois o pequeno texto embute várias lições importantes.
Jesus chorou antes de ressuscitar Lázaro, que tinha morrido dias antes. Esse homem, juntamente com suas irmãs Maria e Marta, formava uma família muito querida por Jesus. Ele sempre se hospedava na casa da família de Lázaro quando visitava Jerusalém.

Jesus chorou a morte de uma pessoa querida. E aí está a primeira lição desse pequeno versículo: homens também choram. Parece surpreendente ter que falar sobre isso, mas evitar o choro, por vergonha de parecer fraco, ainda é uma lição frequentemente passada para os filhos em nossa sociedade machista. "Choro não é coisa de homem", ensinam esses pais.

E Jesus provou que homens choram sim, quando há motivo para isso. E não há vergonha em chorar, pois isso não desmerece ninguém. Muito ao contrário, o choro prova que o homem é sensível.

A segunda lição a ser tirada desse versículo mostra Jesus solidário com a dor física e emocional das pessoas. Ao viver neste mundo, Jesus aprendeu como é difícil sofrer. E Ele acabou passando por grandes sofrimentos, culminando com uma morte horrível na cruz.
A solidariedade de Jesus com a dor humana permanece até hoje. Isso significa que Deus se solidariza quando você sofre e chora junto com você. Portanto, você nunca estará sozinho/a quando em sofrimento. Jesus estará ao seu lado, repartindo sua dor e consolando você.
O terceiro ensinamento fica evidente na continuação da história, depois que Lázaro foi ressuscitado. Jesus não se limitou a chorar a perda do amigo querido. Ele fez mais: agiu de forma decisiva para resolver aquela situação difícil.

O choro de Jesus não é apenas uma forma solidariedade conosco. É muito mais: esse choro anuncia uma ação restauradora. Uma ação que muda a situação e transforma lágrimas em motivo de júbilo e gratidão a Deus.

"Jesus chorou". Uma frase muito pequena com um significado tão grande.

Com carinho.