terça-feira, 30 de junho de 2020

NOSSAS TEMPESTADES

Existe uma passagem da Bíblia de que gosto muito. Jesus e os discípulos estavam navegando pelo mar da Galileia, quando uma grande tempestade se abateu sobre o grupo. Tempestades são muito comuns naquele local - o mar da Galileia é, na verdade, um grande lago.

Os discípulos ficaram com medo de morrer e se voltaram para Jesus. E o encontraram desligado de tudo aquilo que estava acontecendo - Jesus simplesmente estava dormindo. Quando Jesus foi acordado, Ele acalmou a tempestade e repreendeu os discípulos, chamando-os de homens de fé pequena.

Eu tive oportunidade de experimentar esse tipo de situação quando minha família estava navegando em um rio, numa viagem que fizemos à Amazônia. Lembro-me bem do medo que sentimos. Eu não era convertido, naquela época, mas provavelmente também sentiria medo hoje em dia.

Existe aí um grande ensinamento para nós: quando as tempestades da vida se abaterem sobre nós, precisamos ter Jesus dentro do barco da nossa vida e confiar nele. Acreditar que Ele vai agir, acalmando essas tempestades. Nos ajudando a encontrar a solução para os problemas que nos afligem tanto. 

E é sobre isso que eu falo no meu mais novo vídeo - veja aqui.

Veja outros vídeos recentes meus aqui e aqui.

domingo, 28 de junho de 2020

AS DIFERENÇAS ENTRE OS CRISTÃOS


Vou falar hoje sobre as diferenças entre os cristãos. E não me refiro às diferenças estabelecidas pelas diferentes denominações cristãs (como forma de batizar, governo da igreja e outras coisas assim), mas sim ao que vai na alma das pessoas.
Para você me entender melhor o que estou querendo dizer, vou começar fazendo três perguntas:
  • Até que ponto você acha que Deus se envolve nas questões diárias da sua vida e do mundo?
  • Você acha que Deus julga o que as pessoas fazem?
  • Até que ponto você depende de Deus na sua vida diária?
Essas perguntas são muito importantes porque caraterizam como você de fato se relaciona com Deus. Aí está a raiz das diferenças entre os cristãos.

E é isso que comprova um estudo feito alguns anos atrás - o título do estudo é "O que falamos sobre Deus e o quê isso fala sobre nós" ("What we say about God and what that say about us"). O autor desse estudo, Paul Froese, confirmou que são essas respostas e não os rótulos denominacionais (metodista, presbiteriano, batista, luterano, assembleiano, etc) que de fato diferenciam as pessoas entre si quanto à forma como exercem sua fé. 

É claro que boa parte das respostas a essas três perguntas nasce nos ensinamentos passados pela denominações cristãs. Mas, o estudo revelou que a parte mais importante das respostas que as pessoas dão para essas perguntas é construída por elas mesmas, com base nas suas experiências individuais.

Em outras palavras, essas respostas são construídas em grande parte a partir das respostas de oração que as pessoas receberam ao longo das suas vidas espirituais, das conversas que tiveram com irmãos na fé, dos milagres que eventualmente presenciaram, dos livros que leram, dos sermões que ouviram e assim por diante. 

As experiências individuais acabam formando um quadro mental que define como as pessoas entendem a figura de Deus e isso orienta a forma como constroem seu relacionamento com Ele. Por exemplo, se a pessoa percebe Deus como alguém que interfere muito no dia-a-dia, ela passa a esperar orientações divinas para quase todos os seus problemas e, em consequência, tende dar pouca importância para as eventuais respostas oferecidas pela ciência e/ou a sociedade em geral.

No outro extremo, está a pessoa que acredita em Deus como o Criador do universo, mas pensa que Ele pouco interfere no dia-a-dia do mundo, por pensar que Deus tem mais o que fazer do que ficar se preocupando com os pequenos problemas de cada ser humano. Para quem pensa assim, o universo é como uma "máquina" bem regulada que funciona mais ou menos sozinha, com base nas leis físicas universais estabelecidas pelo próprio Deus. Esse tipo de pessoa tende a ter muito maior receptividade para as soluções produzidas pela ciência e/ou a sociedade e não fica esperando muito por uma orientação de Deus, a não ser para coisas mais sérias. 

Agora, o nível sócio-econômico e a escolaridade das pessoas impactam fortemente a formação das suas experiências individuais e, portanto, o quadro mental que acabam estabelecendo sobre Deus.  Pessoas das classes C/D costumam passar por maiores dificuldades e, por causa disso, tendem a crer num Deus mais severo, julgador e muito mais intervencionista no dia-a-dia. Já as comunidades de classe média tendem a vivenciar um tipo de cristianismo mais liberal e veem intervindo menos no seu dia-a-dia. 

Não é por acaso, então, que a religião cristã praticada na periferia de uma grande cidade brasileira seja tão diferente daquela voltada para um público de classe média. E é possível perceber essa diferença até dentro de uma mesma denominação cristã, quando se visita uma paroquia da periferia e outra situado num bairro mais central. 

A mesma diferença de percepção sobre Deus explica também porque uma mesma mensagem cristã tem impacto tão diverso sobre as diferentes pessoas. Eu percebo isso claramente entre os leitores deste site. Uma mesma postagem fala ao coração de uma pessoa,  mas causa indignação em outra, embora ambas sejam cristãs igualmente sinceras - basta ler os comentários postados no site para confirmar o que acabei de dizer.

Agora, é muito importante você entender que essas diferenças de ponto de vista não impedem que as diferentes pessoas sejam igualmente alcançadas pelo Espírito Santo e pela graça de Deus. Afinal, o que salva a pessoa é sua fé em Jesus e não sua percepção quanto ao fato de Deus interferir mais ou menos na sua vida.  

As diferenças que acabei de descrever têm  sido uma constante na história do cristianismo e precisamos aprender a conviver com elas. Temos que ter sempre em mente que Deus não se deixa conter nas "caixinhas" doutrinárias criadas pelas denominações cristãs ou pelas pessoas.

Ele age quando quer e da forma que melhor deseja. Assim, Deus certamente é misericordioso, mas também pode ser severo. Está sempre disponível, mas apenas para que aqueles que o buscam de forma sincera. O Espírito Santo fala constantemente, mas também pode permanecer silencioso por vários anos. 

A fé cristã pode abrigar igualmente as pessoas que pensam e vivem de forma muito diferente. E é muito bom que seja assim, pois por causa disso tem sido possível alcançar de forma efetiva bilhões de pessoas, de diferentes idades, culturas e experiências de vida. Glória a Deus por isso.

Com carinho

sexta-feira, 26 de junho de 2020

SANTOS NÃO TÃO SANTOS ASSIM


Se você tivesse oportunidade de conviver com alguns dos grandes personagens da Bíblia - homens e mulheres considerados santos - o que conseguiria ver nessas pessoas? Refiro-me a gente como Abraão, Jacó, Moisés, Rute, Davi, Pedro, Paulo e tantos outros. Será que veria santidade nessas pessoas? Acharia que elas foram muito melhores do que você ou eu?

Acho que dificilmente você ficaria tão bem impressionado, se convivesse de perto com essas pessoas. Na intimidade, todas elas mostrariam suas imperfeições e pecados.

Por exemplo, Davi adulterou com a mulher de um dos seus mais fiéis auxiliares (Urias) e quando essa mulher engravidou, Davi encontrou uma forma de fazer Urias ser morto em batalha. E, depois, Davi se casou com a viúva, que acabou se tornando a mãe do futuro rei Salomão. 

Jacó enganou seu irmão gêmeo, Esaú, várias vezes e inclusive roubou-lhe a benção de seu pai, Isaque. Abraão vendeu sua mulher para o faraó e depois a recuperou, realizando grande lucro com essa "transação".

Pedro era fanfarrão, impulsivo e medroso, inclusive prometeu que iria seguir Jesus até o fim, mas negou seu Mestre vergonhosamente, por três vezes, pouco tempo depois de fazer essa promessa. 

Pelo menos Pedro ainda se deu conta do que tinha feito e chorou de arrependimento. Já Davi, Abraão e Jacó nem isso. Foi preciso que Deus mandasse um profeta (Natã) chamar a atenção de Davi seu grande pecado, para que ele, finalmente, se desse conta do que tinha feito e se arrependesse verdadeiramente. 

Sabemos que essas pessoas foram muito importantes na história da fé cristã e por isso acabamos por olhar para elas como seres humanos especiais, como se tivessem sido muito melhores do que as demais. E o fato da Igreja Católica ter criado o rótulo de "santos/as", e tê-lo atribuído a muitas dessas pessoas, acabou por perpetuar essa percepção errada. Os "santos/as" passaram a ser vistos como super-homens e super-mulheres.

Mas, não foi nada disso que aconteceu. Essas pessoas eram como você e eu: cheias de dúvidas, contradições, lutando para dar sentido à sua vida, muitas vezes em meio a grandes dificuldades. E é exatamente isso que dá um valor especial às suas realizações. 

Mesmo sendo pessoas comuns fizeram coisas admiráveis, simplesmente porque exerceram sua fé e tiveram persistência, coragem e capacidade de ouvir a voz de Deus. Elas fizeram história e são lembradas até hoje.

Essas pessoas tiveram muito mérito, justificando que sejam reconhecidas, admiradas e citadas como exemplo de vida pelo povo cristão, embora fossem seres humanos comuns.

E é esse o grande ensinamento da vida dos chamados "heróis da fé": qualquer pessoa, como você ou eu, pode fazer diferença na implantação do Reino de Deus aqui na terra. Se essas personagens bíblicas conseguiram deixar uma obra atrás de si, nós também podemos fazer isso. Basta querer e ter compromisso com as coisas de Deus. Aprender com a experiência de vida desses heróis da fé, usando para isso os relatos sobre as vidas deles contidos na Bíblia. E, finalmente, colocar todos esses ensinamentos na prática. Só isso.

Com carinho       

quarta-feira, 24 de junho de 2020

SEU FUTURO NÃO TEM LIMITE NO TEMPO


Você sabia que seu futuro não tem limite de tempo? Pode ser que você seja surpreendido por essa minha afirmação pois a morte é a coisa mais certa da vida e sendo assim, o futuro de cada pessoa na terra parece ser limitado.

Mas, essa é uma grande verdade. E para se convencer que sua vida não tem limite de tempo basta levar em conta o que a Bíblia ensina: a vida da pessoa não acaba com a morte física. A morte simplesmente termina com a passagem da pessoa pela terra, mas sua alma/espírito não morre junto com o corpo físico. Em outras palavras, a essência da pessoa continuará a existir em outra dimensão, que não sabemos bem como funciona. 
Essa segunda fase da existência da pessoa irá até o final dos tempos, ou seja, até a volta de Jesus, quando a pessoa receberá novo corpo (Mateus capítulo 25, versículos 31 a 46) - esse novo corpo será semelhante, na sua natureza, àquele que Jesus recebeu depois de ressurgir dentre os mortos. Já de posse do novo corpo, a pessoa entrará na terceira fase da sua existência, que não terá mais fim, pois não haverá mais morte. 
A terceira fase da vida da pessoa poderá seguir por dois caminhos diferentes: junto a Deus (o que a Bíblia chama de Céu ou Paraíso) ou afastado dele (Inferno). Estar com Deus será motivo de alegria e felicidade contínuas, enquanto que estar longe dele significará sofrimento sem fim. E essa fase da vida não terá limite.

E esse sofrimento não será, como muita gente pensa, fruto de torturas infligidas pelos anjos, a mando de Deus. O sofrimento decorrerá unicamente da ausência de Deus na vida da pessoa. Da mesma forma que um homem profundamente apaixonado sofre quando é afastado da mulher amada, a pessoa no Inferno sofrerá por causa da ausência de Deus.

A definição de qual será o caminho tomado por cada pessoa - Céu ou Inferno - caberá a Deus. E Ele tomará sua decisão com base no que a pessoa fez durante sua vida aqui na terra. Sua vida na terra acabará por definir seu futuro.
As ações da pessoa servirão como base para o julgamento a que será submetida, no final dos tempos, diante de Deus. Nesse sentido, é justo afirmar que é a própria pessoa que se coloca no Inferno, com base nas escolhas que fez durante sua vida aqui na terra.
A Bíblia ensina ainda que todos merecem ser condenados, porque todos pecam. Mas, quem aceitar Jesus, terá seus pecados perdoados e será salvo. E a aceitação de Jesus precisará ser feita durante a vida na terra. Portanto, sua vida atual tem muita importância e vai gerar consequências para você que serão definitivas. 

Pense nisso com cuidado ao decidir como vai agir a partir de agora. Não se deixe impressionar pelos benefícios aparentes deste mundo - sucesso, posição social, consumo e prazeres -, caso eles o afastem de Deus. Os benefícios somente são benefícios verdadeiros se não fizerem você perder sua salvação. 

Com carinho

sábado, 20 de junho de 2020

QUANDO JESUS NÃO CHAMOU DEUS DE PAI

Jesus, durante seu ministério na terra, introduziu uma novidade teológica importante: Chamou com frequência Deus de "Pai". Um bom exemplo disso está na primeira frase da sua mais conhecida oração: "Pai nosso que estás no céus..." 

E a palavra que Jesus usou nesses casos para se referir a Deus ("Abba", na língua aramaica), era mais ou menos o equivalente, no português, a "papai". Era uma maneira informal dos/as filhos/as chamarem seus próprios pais, de maneira carinhosa. 

Ora, escribas e fariseus, na época de Jesus, referiam-se a Deus sempre de forma sempre muito cerimoniosa, usando palavras como "Senhor" ou "Eterno". Uma abordagem bem diferente da usada por Jesus. Portanto, ao chamar Deus de "pai", Jesus introduziu uma importante mudança teológica, ensinando que devemos olhar para Deus também como nosso Pai celestial. 

Agora, houve um momento na sua vida em que Jesus não se referiu a Deus como Pai. Isso ocorreu quando Ele estava pregado na cruz, em sofrimento extremo, e clamou: “...Deus meu, Deus meu, porque me desamparaste” (Mateus capítulo 27, versículo 46). 

Essa exclamação é uma citação literal do versículo 1 do salmo 22 e Jesus fez uso das palavras do salmista para indicar como Ele mesmo se sentia: angustiado e desamparado por Deus.

Repare que, na madrugada anterior à sua crucificação, ainda um pouco antes de ser preso, Jesus pediu a Deus que, se possível, fosse poupado do sofrimento cruel que estava à sua frente. E naquela oportunidade, também um momento de grande angustia, quando Jesus chegou a suar sangue, Ele ainda se referiu a Deus como Pai (Mateus capítulo 26, versículo 34).

Já na cruz, nos momentos finais da sua vida, Jesus falou de forma diferente. Ele se sentiu desamparado e solitário e chamou seu Pai de "Deus meu", ou seja, de maneira bem mais fria e formal.

É claro que a angustia e o sofrimento explicam essa mudança no comportamento de Jesus. Nesse momento terrível da sua vida, Jesus representou cada um de nós, quando nos sentimos abandonados, por estamos passando por uma situação muito difícil e Deus parece estar calado e inerte. Sentimo-nos lutando sozinhos/as e aí bate o desespero e até mesmo a decepção com Deus.

João da Cruz, talvez o maior místico do mundo ocidental, chamou esse momento de “a noite escura da alma” - ele chegou a escrever um livro belíssimo com esse título. Davi, no salmo 23, chama esse momento de "travessia do vale da sombra da morte". 

E o grande escritor cristão C.S. Lewis, autor das "Crônicas de Nárnia", descreveu esse momento da seguinte forma (ele sofria terrivelmente porque a única mulher que amou na vida estava mortalmente enferma):
Mas se você vai até Ele quando sua necessidade é desesperada, quando todo outro tipo de ajuda é vão, o que você encontra? Uma porta é fechada na sua cara e você ouve um som de fechadura sendo trancada. Depois disso, silêncio … Por que Ele é tão presente no nosso tempo de prosperidade e tão ausente no momento de dificuldade?
Se você está passando pela "noite escura da alma", eu tenho uma palavra de esperança para você: o silêncio de Deus não é indiferença ou inércia. Não foi assim quando Jesus estava pregado na cruz, não foi assim quando Davi foi perseguido pelos seus inimigos ou mesmo quando C. S. Lewis viu sua amada definhar aos poucos. 

Na verdade, Deus é um grande mistério pois seus motivos e sua lógica são bem diferentes dos nossos. Deus não tirou Jesus da cruz porque o sacrifício do seu Filho abriu as portas da salvação para todos nós. E permitiu que Davi fosse perseguido para ele aprendesse, com o próprio sofrimento, a ser um rei melhor para Israel e também desse um testemunho maravilhoso (os salmos), que nos inspiram até os dias de hoje. 

Deus não pensa como nós pensamos e pode ser difícil aceitar isso, mas essa não há como fugir dessa realidade. E Ele usa o sofrimento para trazer o ser humano mais para perto d´Ele.

Então, a forma de enfrentar a "noite escura da alma" é se agarrar ainda mais a Deus. Buscá-lo ainda com mais intensidade. E foi isso que Jesus fez, quando estava na cruz. E como eu sei disso? Simples, analisando o que Jesus fez naquele momento.

Jesus falou do seu desespero, citando o primeiro versículo do salmo 22. Mas, não fez isso por acaso. Ocorre que, nesse mesmo salmo, um pouco mais adiante (versículos 23 e 34) está dito o seguinte: 
Vós que temeis o SENHOR, louvai-o; glorificai-o, ... pois não desprezou nem abominou a dor do aflito, nem ocultou dele o rosto, mas o ouviu, quando gritou por socorro.
Ao citar o salmo 22 para expressar o que sentia, Jesus falou tanto do seu desalento momentâneo, como também da certeza que Deus iria ouvi-lo e cuidar d´Ele no tempo certo. E não há maior expressão de fé do que essa.

É essa mesma certeza que deve servir para consolar você e alimentar sua fé, tanto hoje, como sempre.

Com carinho

quinta-feira, 18 de junho de 2020

A QUEM MUITO FOI DADO...


A pessoas que certamente recebem muito mais oportunidades e benefícios da vida do que outras. São pessoas privilegiadas de algumas formas.

É claro que é bom ser privilegiado - quem não gostaria disso. Mas, é preciso entender que, com o privilégio vem também uma maior responsabilidade aos olhos de Deus. Veja o que a Bíblia fala a respeito:
Mas àquele a quem muito foi dado, muito lhe será exigido; e àquele a quem muito se confia, muito mais lhe pedirão. Lucas capítulo 12, versículo 48
No texto acima Jesus estabeleceu um princípio muito importante: seremos cobrados por Deus na mesma medida em que tivermos recebido bençãos dele. Portanto, quem recebe mais, passa a ter responsabilidade maior em relação ao Reino de Deus. E não há como fugir disso. E acho que ninguém pode contestar a justiça dessa declaração. 

O quê são essas bençãos 
É preciso, antes de tudo, entender quais são essas bençãos às quais Jesus se referiu: trata-se de qualidades, recursos e talentos que a pessoa recebe de Deus ao longo da sua vida. 

É claro que a pessoa, mesmo sendo abençoada, ainda assim será responsável por desenvolver e dar bom uso àquilo que recebeu gratuitamente de Deus. Por exemplo, se alguém receber dele um talento especial para música, ainda assim vai ter que estudar anos a fio antes de conseguir se tornar um músico de qualidade. Sendo assim, o músico também terá sua parcela de mérito naquilo que vier a conseguir ao longo da sua carreira artística. Mas, a "matéria prima" (seu talento) terá sido recebida gratuitamente de Deus e, sem ela, o sucesso do músico não teria sido possível. 

Em outras palavras, sem a benção inicial, a pessoa nada irá conseguir alcançar, não importa o quanto vier a se esforçar. E as palavras de Jesus se apoiam exatamente sobre essa constatação. 

As áreas de bençãos
O ser humano pode ser abençoado em muitas áreas. A primeira delas é no seu corpo, que pode ser agraciado com beleza e/ou habilidades físicas especiais. 

Pessoas bonitas têm uma série de possibilidades não disponíveis para seres humanos, digamos assim, mais comuns - como trabalhar no cinema, na televisão e em áreas afins, como a moda, setores onde a beleza tem grande importância. Já as habilidades físicas especiais - força, velocidade, coordenação motora, etc - permitem a algumas poucas pessoas serem atletas de alto rendimento, dançarinos profissionais, etc.

A segunda área de bençãos envolve os talentos intelectuais, nos seus vários aspectos, como memória, inteligência, etc. São esses talentos que permitem a algumas pessoas tornarem-se cientistas importantes, escritores famosos, compositores populares, marqueteiros de talento, etc. 

A terceira área onde as bençãos podem afluir é a espiritual - já comentei neste site que o Espírito Santo distribui dons espirituais de acordo com sua vontade, sempre com o objetivo de dar poder às pessoas para fazer a obra de Deus (veja mais). E alguns desses dons espirituais são especialmente valorizados, como a profecia, a capacidade de curar ou de louvar. 

O uso das bençãos
Não há dúvida que bençãos físicas, intelectuais e/ou espirituais costumam dar condições mais favorecidas às pessoas para ocupar papel de destaque na sociedade, conseguindo fama, dinheiro e/ou poder. E aqui está o ponto crucial de toda essa discussão: cada pessoa tem responsabilidade de usar adequadamente as bençãos que recebe. 

E quem receber mais bençãos, mais responsabilidade terá. Essa responsabilidade envolve diversos aspectos. Vou dar três exemplos aqui. Primeiro, a pessoa não pode usar as bençãos que recebe de forma egoísta, isto é, apenas para proporcionar uma vida boa para si mesmo ou para quem ama. É preciso sempre lembrar das pessoas menos afortunadas, que, por algum motivo, não conseguem ter o mínimo necessário para sustentar uma vida decente.

Segundo, é preciso não abusar do próprio corpo, exigindo dele mais do que é razoável. É comum que os atletas, no afã de ganharem competições e prêmios, forcem seu corpo além do limite e acabem doentes e/ou ficando deformados. Como também é comum que algumas atrizes, querendo manter a própria beleza a qualquer custo, acabem abusando de cirurgias plásticas, prejudicando saúde. 

Terceiro, dons espirituais não podem nunca gerar ganhos materiais ou dar poder para quem os recebe. Dons espirituais servem para desenvolver o Reino de Deus, nunca para gerar honra e glória para seres humanos.

Concluindo, você certamente recebeu e continua a receber bençãos de Deus, de diversas naturezas. Será que você vem usando o que recebeu de forma adequada? Será que você está alegrando ou decepcionando Deus com sua forma de agir? 

Com carinho

terça-feira, 16 de junho de 2020

EXISTE DESTINO?


"Chegou a hora dele/a" é uma frase que se fala com frequência em relação à morte trágica de uma pessoa. E essa frase reflete uma cultura fatalista, que atribui ao destino determinados acontecimentos da vida das pessoas. Será que a doutrina cristã dá suporte à ideia de destinoAcredito que não e explico a razão.
A Bíblia ensina que temos livre arbítrio - a capacidade de fazer escolhas próprias - e tal condição é incompatível com um destino pré-estabelecido por Deus. Afinal, se o destino existisse mesmo, as pessoas não poderiam fugir dele e assim suas escolhas não teriam muito sentido ou valor, pois elas não seriam de fato livres.
E, se o livre arbítrios não fosse uma realidade, as pessoas não poderiam ser responsabilizadas pelos seus pecados, porque teriam sido responsáveis pelas escolhas que levaram a esses erros. Assim, não seria justo que as pessoas fossem condenadas pelo que fizeram e não haveria qualquer sentido para o plano da salvação. Não haveria julgamento final e nem a manifestação, tornando  a vinda de Jesus ao mundo desnecessária.

Como as pessoas têm liberdade de escolha, não podem estar limitadas pelo destino. E são essas mesmas escolhas que vão determinar, em boa parte, o que acontece com cada uma delas.

É claro que há coisas que acontecem independentemente da vontade da pessoa. Por exemplo, alguém pode ser atingido por um galho que caiu de uma árvore. Mas, tal fato provavelmente foi fruto das escolhas de outras pessoas - por exemplo, os responsáveis pelo serviço de manutenção de árvores da prefeitura que não fizeram a poda daquela árvore no tempo certo. 

Portanto, o que nos acontece não é só fruto das escolhas que fazemos por nós mesmos. As escolhas que outras pessoas fazem também impactam nossa vida, tanto para o bem como para o mal.
Eu ouvi muitas vezes, até de pastores,  que a onisciência de Deus comprovaria a existência do destino. Como Ele sabe tudo que vai acontecer é porque tudo já está determinado. Na realidade, não é bem assim. 
É preciso entender que Deus está fora do tempo - afinal, o tempo é uma criação dele mesmo, como tudo mais o que existe no universo. Portanto, para Deus não existe passado, presente e futuro para Deus, como existe para nós. Deus age no tempo - por exemplo, Ele escolheu enviar Jesus ao mundo numa determinada época escolhida a dedo -, mas não é afetado, e nem tão-pouco limitado, pelo tempo. Essa é uma limitação exclusivamente humana.

Além disso, Deus nos conhece melhor do que nós mesmos - lembre-se que Ele conhece tudo, até nossos pensamentos. Portanto, Deus conhece como  cada pessoa pensa, suas preferências, como reage a cada tipo de circunstância e assim por diante. Portanto, não é de se admirar que Deus  conheça também, as escolhas que faremos livremente no futuro. 

Quando eu afirmo que um dos meus filhos, em determinada circunstância, vai fazer uma certa escolha, e acerto o que disse, não acertei porque meu filho foi obrigado a fazer aquilo que eu quis. Meu filho fez exatamente aquilo que eu previ porque a natureza dele me é conhecida. Eu conheço suas preferências, suas limitações, os resultados de muitas de suas escolhas no passado e assim por diante. Por isso meu índice de acerto das previsões em relação a meu filho é grande. E como eu não sou perfeito, de vez em quando erro e meu filho me surpreende com uma atitude inesperada. Mas, Deus sabe tudo e é perfeito, logo Ele não erra nunca e, portanto, suas previsões sempre se realizam.
Outra afirmação muito comum é que os planos de Deus para cada pessoa funcionam como o destino traçado para ela por Deus. Mas, isso também não é verdade. É claro que há coisas definidas por Deus as quais não é possível mudar - elas independem da vontade humana. Por exemplo, Jesus veio ao mundo para morrer por nós e esse fato não poderia ter sido mudado por ninguém. A decisão de Deus de tirar o  povo de Israel de escravidão no Egito, sob a liderança de Moisés, não dependeu da vontade do faraó.
Mas, isso não é equivalente a haver um destino. E tanto é assim, que temos liberdade de aceitar ou não Jesus como nosso salvador. Da mesma forma, nem todos os israelitas aceitaram a liderança de Moisés e alguns se desviaram no caminho.

Deus certamente tem planos para você, mas tudo depende das escolhas que você vier a fazer. A Bíblia está cheia de exemplos de pessoas que acabaram seguindo por caminhos não aprovados por Deus e estragaram os planos que tinham sido traçados para suas vidas. Por exemplo, Saul foi ungido o primeiro rei de Israel e mesmo assim acabou perdendo seu reino e tendo uma morte triste, porque desobedeceu a Deus. Perdeu-se ao longo do seu reinado.

Concluindo, a doutrina cristã não dá suporte para o conceito de destino - são as próprias escolhas humanas que acabam definindo o que vai acontecer com cada pessoa. 

PS Veja mais sobre esse tem aqui.

Com carinho