segunda-feira, 31 de agosto de 2020

DEBAIXO DE UM GUARDA-CHUVA

 Existem alguns versículos da Bíblia que parecem um guarda-chuva - "debaixo" deles cabem muitas interpretações e usos diferentes. E isso seria apenas mais uma curiosidade se algumas dessas interpretações não causassem mal, quando geram culpa e sofrimento indevidos para muita gente.

A realidade é que alguns líderes religiosos usam esses versículos "guarda-chuva" para construir doutrinas que parecem ter base bíblica, mas de fato não têm, e conseguem impor às pessoas comportamentos mais do gosto desses mesmos líderes.

Vou dar dois exemplos de versículos guarda-chuva e das interpretações erradas, construídas a partir deles, para explicar melhor o que acabei de dizer. 

A aparência do mal
O primeiro exemplo é o versículo que manda o/a cristão/ã fugir da "aparência do mal" (1 Tessalonicenses capítulo 5, versículo 22). Aí basta ao líder religioso rotular alguma coisa de ter a "aparência do mal", mesmo quando não ela não gera mal nenhum e nem mesmo é diretamente vedada na Bíblia, para tal coisa passar a ser proibida, virar "pecado".

Já vi esse versículo sendo usado de muitas maneiras. Por exemplo, para proibir cristãos/ãs de dançarem (mesmo no caso de casais casados) ou ainda para proibir ao cristão/ã ouvir música secular. E eu poderia citar muitos outros exemplos.

Ora, onde está a "aparência do mal" nesses casos? Talvez as pessoas que pensam assim se esqueçam que havia dança nos tempos de Jesus (por exemplo, nos casamentos) e Ele nada falou contra essa prática. E música secular também existia e nunca foi proibida pelo texto bíblico.

Na verdade, a preocupação na Bíblia com a "aparência do mal" (aquilo que não é mal em si mesmo, mas parece ser) tem a ver com a possibilidade do cristão/ã causar confusão na cabeça das pessoas ao praticar atos que pareçam mal, mesmo quando não sejam. Ora, isso deve acontecer enquanto os necessários esclarecimentos necessários não forem dados e entendidos pelas pessoas que podem fazer essa confusão. Somente isso.

Portanto, se uma pessoa foi criada num meio onde tudo era proibido e chega numa outra igreja, com costumes mais liberais, ela pode se escandalizar, por exemplo, que ali os casais dancem. Para não escandalizar essa pessoa, o que inclusive poderia levá-la a se afastar do convívio da igreja, escandalizada com o que vê, a comunidade precisa tomar cuidado com aquilo que faz. Mas, esclarecida as dúvidas de quem está chegando, não há porque proibir aquilo que nada tem de errado.

O corpo como templo do Espírito Santo
O segundo exemplo é o versículo que diz ser o corpo humano o "templo do Espírito Santo" (1 Corintios capítulo 6, versículo 19). Já vi esse versículo ser usado para construir doutrina de diversos tipos e uma delas é aquela que proíbe tatuagens.

Ora, o único texto que fala diretamente sobre tatuagens na Bíblia (Levítico capítulo 19, versículo 28) condena essa prática apenas quando feita com o objetivo de cultuar os mortos. É evidente que a proibição tem a ver com o fato da pessoa passar a exibir no seu corpo a marca de um culto proibido. E seria razoável estender essa proibição para abranger qualquer culto idólatra, pois o sentido parece ser o mesmo. Mas tal proibição não se aplica às tatuagens feitas por outras razões, principalmente aquelas feitas com cunho puramente estético.

Agora, muita gente não gosta de tatuagem - eu mesmo, por ser do tempo em que tatuagens não eram comuns, tenho dificuldade com elas. Mas ter opinião contrária às tatuagens, por razões estéticas, é uma coisa, enquanto proibi-las, alegando que são pecado, é outra bem diferente. 

Agora, alguns líderes religiosos, ao invés de aceitarem que as pessoas têm o direito de agirem como pensam ser melhor, procuram usar a Bíblia para transformar sua opinião pessoal, contra as tatuagens, num dogma de fé, tornando as tatuagens pecado. E fazem isso alegando que o corpo humano é o "templo do Espírito Santo", não podendo ser "desfigurado" por coisas como piercings ou tatuagens. Há líderes que vão ao extremo de afirmar que tatuagens são uma porta aberta para a ação de Satanás na vida da pessoa - há até quem faça "exorcismo" das pessoas tatuadas que venham a se converter. 

Ora, essas afirmações e ações não encontram qualquer suporte no texto bíblico sobre o corpo humano - leia 1 Corintios capítulo 6 com calma e você vai se convencer do que acabei de falar. Se o versículo que fala do corpo humano pudesse ser usado dessa forma, tudo aquilo que fizesse mal ao físico deveria passar a ser também considerado pecado: engordar, deixar de fazer exercícios físicos, não tomar remédios da forma correta e assim por diante. E acredito que você já tenha encontrado pastores gordos, barrigudos e sedentários e ninguém fica afirmando que eles estão em pecado por causa disso. Ou seja, trata-se de caso claro de "dois pesos e duas medidas".

Palavras finais
Há muitos outros versículos tipo guarda-chuva. como, por exemplo, "todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus" (Romanos capítulo 8, versículo 28) e "...porque aos seus anjos dará ordens a teu respeito, para que te guardem em todos os teus caminhos" (Salmo 91, versículo 11). Dá para tirar um monte de conclusões desses versículos, a maioria delas sem qualquer apoio na Bíblia, como "Deus vai evitar que o/a cristão verdadeiro sofra" ou "estamos protegidos de qualquer mal". 

Portanto, fique sempre alerta contra as doutrinas construídas em cima de versículos tipo guarda-chuva. Procure sempre pelos fundamentos das afirmações que tal ou qual coisa é pecado. Se não perceber um fundamento bíblico claro e direto, proibindo aquela prática, pode desconsiderar a afirmação feita. Simples assim.

Veja mais sobre esse tema aqui.

Com carinho

sábado, 29 de agosto de 2020

O CHAMADO DE CADA PESSOA

 A Bíblia afala de diversas situações onde há um chamado de Deus para diferentes pessoas se envolverem na sua obra. E essas situações têm muito a nos ensinar para nossa vida.

Vejamos três exemplos. O primeiro envolveu Moisés, no conhecido episódio da "sarça ardente". Moisés pastoreava rebanhos do sogro, Jetro, quando viu algo estranho no Monte Sinai. Subiu até lá e encontrou um arbusto queimando, mas que surpreendentemente não se consumia. E de dentro da sarça ardente, Deus falou com Moisés e lhe deu a missão de libertar o povo de Israel da escravidão no Egito (Êxodo capítulo 3).

O segundo exemplo aconteceu com Isaías: o profeta teve uma visão do trono de Deus e ficou aterrorizado, pois se sentiu um homem pecador, em meio à santidade no entorno de Deus. Aí um anjo purificou a boca de Isaías com uma brasa viva e Deus o enviou para anunciar sua vontade para o povo de Israel (capítulo 6, versículos 1 a 10).

O terceiro caso envolveu Jesus e um de seus apóstolos, Pedro, aquele que negou o Mestre por três vezes. Os discípulos vinham num barco e se aproximavam da praia, quando viram um homem - o próprio Jesus , já ressuscitado - assando peixes num braseiro. Pedro o reconheceu e nadou até a praia, ansioso por encontrá-lo. Ali, Jesus perguntou a Pedro, também por três vezes (uma para cada vez que Pedro o negou), se o apóstolo o amava, e lhe pediu para pastorear suas ovelhas (João capítulo 21).

Repare bem nas diferenças entre os três casos. Isaías era um sacerdote e a visão que teve fez referência à liturgia usada no Templo de Jerusalém, coisa que o profeta conhecia bem. Moisés falou com Deus pela primeira vez em um monte, perto de onde pastoreava seus animais - sua atenção foi chamada por uma planta que queimava. Jesus falou com Pedro numa praia, onde uma refeição simples estava sendo preparada, cenário bem familiar para pescadores, como era o caso do apóstolo. 

Dessa constatação podemos tirar um ensinamento importante: Deus fala com cada pessoa respeitando sua forma de ser, suas necessidades, sua cultura, as circunstâncias em que vive e assim por diante. Isso prova que Ele respeita os seres humanos. 

E nosso chamado é para atuar na obra de Deus exatamente da maneira que somos. Deus somente espera que venhamos a mudar - passando a viver mais de acordo com aquilo que a Bíblia ensina -, depois que esse chamado é aceito e nos envolvemos de fato na obra de Deus. E essa mudança será uma decorrência natural da intimidade que passaremos a ter com o Espírito Santo.

Lembro-me de ouvir, certa vez, um rapaz, afastado da igreja e do convívio com Deus, dizer que primeiro precisava corrigir seus caminhos, antes de voltar à igreja. Ele pensava ser preciso primeiro mudar, para depois poder se aproximar de Deus.

Esse é um erro terrível, pois quem tentar agir assim, nunca vai conseguir voltar reativar a convivência com Deus. A forma correta de agir é exatamente a oposta: primeiro a pessoa precisa decidir se envolver na obra de Deus e faz isso. E depois a mudança na sua vida vem, justamente como consequência da maior proximidade com Deus.

Cada um/a de nós é chamado/a por Deus para se aproximar d´Ele e atuar na sua obra exatamente nas condições em que nos encontramos - com as falhas e as limitações que temos. E se aceitarmos esse chamado - como fizeram Moisés, Isaías e Pedro - e seguirmos em frente, sem hesitações, Deus mudará as nossas vidas. Passaremos a ser outras pessoas.

Portanto, não hesite em ouvir e atender o chamado de Deus, quando ele vier. Você não vai se arrepender.

Com carinho      

quinta-feira, 27 de agosto de 2020

A FORÇA MAIS PODEROSA QUE EXISTE

 Não há dúvida que o amor é a força mais poderosa que existe. E são muitas as provas práticas que temos dessa verdade.

Recentemente esbarrei com uma dessas provas - o relato de um acontecimento incrível, acontecido poucos anos atrás, com Damian Aspinall, um britânico, especialista em cuidar de animais selvagens.

Damian criou um filhote de gorila num zoológico, desde o nascimento do animal, até ele ser solto na selva africana, quando já adulto. Cinco anos depois de Kwibi (o nome do gorila) ser solto, Damian resolveu visitá-lo. Ele queria saber se Kwibi iria reconhecê-lo.

Várias pessoas tentaram demover Damian dessa aventura, pois é muito perigoso lidar com gorilas selvagens, dado o grande tamanho e força desses animais. Mas Damian acreditou na força do laço que tinha construído com Kwibi e foi atrás do amigo.

É claro que ele não sabia o local exato onde Kwibi morava, pois os gorilas são nômades. Mas tinha uma ideia aproximada de qual era o território onde ele habitava.  Quando chegou lá, Damian usou a estratégia de se aproximar de barco e, da margem, chamar pelo nome do animal, para ver se era reconhecido - foi a forma que encontrou de se proteger, caso alguma desse errado.

Até que ele encontrou Kwibi e a resposta do gorila foi super emocionante (veja aqui) - chega a dar um arrepio ver o olhar de amor na face do animal. 

Amor entre seres humanos e animais domésticos (como cachorros e gatos) é muito comum - não há qualquer novidade aí. Mas o amor com animais selvagens, que não têm hábito de conviver com seres humanos, é realmente surpreendente. Ainda num caso como esse, em que o encontro se deu vários anos depois do gorila ter sido solto na selva. 

O amor inspira tudo que há de bom
Logo depois de ver o vídeo desse encontro, fiquei pensando sobre a força do amor. Segundo a Bíblia, essa é a força mais poderosa que existe. E não por acaso, a essência de Deus é exatamente o amor.

A Bíblia diz que Deus nos ama - não há dúvida quanto a isso. Mas ela vai muito além disso, pois afirma que DEUS É AMOR, ou seja o amor é essa sua essência, a maneira como Ele se demonstra para nós.

Não é por acaso que o amor se faz presente em tudo que vem de Deus. E isso fica bem claro quando nos damos conta que a salvação da humanidade foi construída em cima de um gigantesco ato de amor. Afinal, foi por amor que Deus mandou seu Filho ao mundo para morrer por nós (João capítulo 3, versículo 16), como também foi por amor que Jesus aceitou essa missão tão difícil e a levou até o fim, mesmo com enorme sofrimento pessoal. 

Logo, faz sentido que os dois mandamentos mais importantes, segundo o próprio Jesus, que resumem tudo que Deus espera de nós, sejam calcados no amor: amar a Deus sobre todas as coisas e amar o próximo como a si mesmo/a (veja mais). 

É claro que esses dois mandamentos não são ordens para mantermos um determinado sentimento, pois sentimentos não podem ser forçados sobre ninguém. Trata-se de uma orientação de Deus para tomarmos a decisão de agir como se esse sentimento existisse, pois, quando fazemos isso, na prática, o resultado final é igual àquele que seria obtido se o sentimento estivesse presente.

As guerras demonstram bem o que acontece quando o amor entre as pessoas desaparece - elas geram enorme sofrimento e grande miséria. A pobreza causada pela exploração dos seres humanos mais fracos pelos mais fortes, coisa também bastante comum, é outro exemplo claro do sofrimento que a falta de amor trás.

A excessiva ênfase das pessoas nos prazeres pessoais, a busca pelo consumo desenfreado e a luta contínua para alcançar status social elevado, são exemplos sempre presentes do desequilíbrio que ocorre na sociedade quando essas coisas assumem o papel de Deus na vida de muitas pessoas. As consequências são bem evidentes: desesperança, consumo elevado de drogas, promiscuidade, famílias destruídas e assim por diante

Se a sociedade atual desse mais valor ao amor, seguindo aquilo que Deus nos disse para fazer, viveríamos uma realidade muito melhor. E é triste saber que isso não acontece por causa do descaso das pessoas com os mandamentos de Deus.

Por outro lado, é uma fonte de alegria e conforto saber que, onde o amor se fizer presente, Deus estará agindo ali e coisas maravilhosas acabarão acontecendo. 

Com carinho

terça-feira, 25 de agosto de 2020

O AGIR DE DEUS

 Se eu perguntasse às pessoas como elas sentem o agir de Deus nas suas vidas, acredito que as respostas iriam variar muito de acordo com cada experiência individual. Talvez umas dissessem que Deus age quando elas estudam e meditam na Palavra de Deus. Já outras talvez dissessem que sentem o agir de Deus quando louvam. Outras ainda poderiam citar milagres que ocorreram nas suas vidas.

Eu, por exemplo, sinto muito a presença de Deus quando preparo esses vídeos semanalmente. Frequentemente, quando vou gravar um vídeo, tenho todo o material necessário já preparado. Mas,  quando chego na frente da câmera e começo a falar, sai outra coisa bem diferente. E isso é Deus agindo.  Ele coloca palavras que gostaria que fossem ditas na minha boca.

Vejo também a ação de Deus quando recebo algum retorno sobre esses vídeos. Às vezes alguém comenta aqui no site ou manda um recado que a palavra dita em tal e qual vídeo foi justamente a que ele/a precisava ouvir naquele exato momento da sua vida. E aí me dá uma alegria porque percebo que Deus realizou algo através da minha vida.

Você quer ver Deus agir através da sua vida? É simples. Basta levantar a mão e dizer: "eis me aqui, Senhor, usa-me nisto ou naquilo" E se o que você estiver pensando em fazer for do agrado de Deus, pode ter certeza que Ele vai usar você de forma poderosa. Vai usar você de maneiras totalmente inesperadas e que até pareciam impossíveis. 

Portanto, basta querer e se apresentar como voluntário, que Deus vai fazer coisas tremendas através da sua vida, como tem feito através da minha.

E é sobre isso que o Rogers fala no seu mais novo vídeo - veja aqui.

Veja outros vídeos recentes dele aqui e aqui.

domingo, 23 de agosto de 2020

OS QUE NÃO AGRADECERAM

Por que é necessário reservar um dia para agradecer a Deus? Por exemplo, esse é papel do Dia Universal de Ação de Graças. 

A razão é simples: há muitos que não agradeceram a Ele as inúmeras bênçãos recebidas e precisam ser lembrados de fazer isso. A verdade é que as pessoas, quando deixadas por conta própria, não se mostram suficientemente gratas e se torna necessário lembrá-las dessa obrigação,  por isso existem datas comemorativas desse tipo. 

Os 10 leprosos  
Talvez você tenha ficado surpreendido/a com minha declaração a respeito da falta de gratidão das pessoas a Deus, mas, infelizmente, essa é a verdade. E há vários exemplos disso na Bíblia - vamos ver um deles, acontecido com o próprio Jesus. 

Certa vez, Jesus ia passando e ouviu o chamado desesperado de dez leprosos. Naquela época, eram considerados leprosos todas as pessoas que sofriam de alguma doença de pele grave como, por exemplo, a psoríase. Não era preciso ser portador da lepra propriamente dita (hanseníase) para ficar estigmatizado dessa forma.  

Os leprosos viviam segregados do convívio social por causa do medo do contágio e eram sustentados, de forma precária, pela caridade pública. Essas pessoas levavam uma vida terrível. Quem quiser ter uma percepção mais concreta sobre essa realidade basta assistir o filme "Ben-Hur", no qual o herói entra numa caverna habitada por leprosos em busca da mãe e da irmã.   

Portanto, os dez homens que apelaram para a misericórdia de Jesus viviam uma situação desesperadora - sua qualidade de vida era péssima. E Jesus atendeu o pedido e curou os homens doentes. Depois, Ele disse para os dez homens se apresentarem aos sacerdotes, por que, segundo a Lei Mosaica, cabia aos sacerdotes atestar a cura. Sem esse atestado, os homens continuariam sendo considerados impuros. Os ex-leprosos fizeram isso e tiveram sua cura confirmada (Lucas capítulo 17, versículos 11 a 19). 

Mas, de forma surpreendente, apenas um deles voltou para agradecer a Jesus a benção recebida. E, somente para esse Jesus reservou o prêmio maior: o perdão dos pecados (versículo 19). Os outros nove ganharam a cura física mas perderam a oportunidade de ganhar algo ainda mais importante. 

Realmente surpreende esse nível de ingratidão mas isso é muito comum. E posso dar o testemunho de já ter visto isso acontecer várias vezes. 

Um testemunho de gratidão: Maria 
Agora, há quem dê um testemunho totalmente diferente, expressando sempre a gratidão necessária a Deus. Um excelente exemplo disso é Maria, mãe de Jesus, o que confirma que ela foi mesmo uma mulher especial. 

Maria engravidou por obra do Espírito Santo, mesmo sendo virgem, e recebeu a revelação dessa realidade do anjo Gabriel. Ela imediatamente entendeu que iria passar por grande desgaste social, ao aparecer grávida sem explicação, pois era noiva de José e o filho evidentemente não era dele. 

Apesar de ser ainda uma adolescente (cerca de 15 anos), Maria teve fé que a ação de Deus na vida dela viria a ser positiva. E, por causa dessa confiança inabalável, derramou-se em agradecimentos a Deus, conservados num cântico lindo, conhecido como "Magnificat" (Lucas capítulo 1, versículos 46 a 55). 

Que contraste com os nove leprosos ingratos! Maria agradeceu o que ainda nem tinha visto, enquanto aqueles nove homens já tinham recebido a benção e nem se deram ao trabalho de olhar para trás. É por isso que Maria é hoje uma das pessoas mais reconhecidas pela história, enquanto aqueles homens servem apenas como exemplo do que não se deve fazer. 

Palavras finais 
Deus se agrada muito de um coração agradecido. Ele fica alegre quando a pessoa demonstra humildade e reconhece que, sem a ação divina, determinada coisa não poderia ter sido alcançada. Nunca se esqueça disso. 

Portanto, aproveite cada oportunidade para agradecer a Deus. A gratidão precisa se tornar um estilo de vida para o cristão.   Graças a Deus por tudo que Ele tem feito e ainda fará por cada um de nós!  

Com carinho

sexta-feira, 21 de agosto de 2020

AS DOENÇAS DO CORAÇÃO

Hoje vou falar das doenças do coração. Vivemos numa sociedade onde o que mais se ouve é "eu mereço isso", "eu não gosto daquilo" e assim vai. O “eu” tornou-se o motor do nosso dia a dia. Ele conduz quase todas as nossas decisões.

A excessiva importância do "eu" contribui para gerar doenças emocionais e espirituais importantes, que eu apelidei neste texto de "doenças do coração". Vejamos alguns exemplos:

  1. Ira: 

    Pode ser descrita como "a pessoa acha que alguém deve a ela alguma coisa". Por exemplo, pensa que merecia um reconhecimento que não foi recebido ou mesmo um amor que lhe foi negado. A ira chega porque a pessoa se sente frustrada naquilo que entendia ser seu direito.     

  2. Culpa:

    Pode ser descrita como "a pessoa acha que deve alguma coisa para alguém e não consegue pagar essa dívida". Por exemplo, pensa que fez algo que não devia e se sente culpada por isso. 

  3. Egoísmo: 

    Pode ser descrito como “a pessoa acha que vem sempre em primeiro lugar”. Essa doença gera nela dificuldade de pensar nas necessidades do próximo. Ou de abrir mão do seu interesse em favor do interesse de terceiros.

  4. Inveja:   

    Pode ser descrita como “a pessoa pensa que Deus lhe deve algo, que deu para outro/a”. Pode ser que o/a outro/a tenha mais beleza, talento, dinheiro ou mesmo sucesso. Pode ser que o/a outro/a tenha menos problemas. E assim por diante. E ela conclui que a culpa de tudo isso só pode ser de Deus pois Ele pode tudo e poderia mudar essa situação. 

  5. Orgulho:   

    Pode ser descrito como “a pessoa se considera importante e digna de reconhecimento”.  Por isso deve ter prioridade, um tratamento melhor, certas vantagens, etc.

E comum a todas essas doenças é olhar para as situações sembre privilegiando o "próprio umbigo".  O que importa é sempre o que a própria pessoa faz, o que recebe, o que lhe é devido e assim por diante. O "eu" da pessoa tem prioridade sobre tudo.

O império do “eu” é provavelmente a maior dificuldade que existe para a construção de uma sociedade melhor e mais justa. Quando o “eu” manda e determina o que a pessoa vai fazer, coisas ruins podem acontecer: a ira explode em violência, o egoísmo vira cobiça desenfreada, a inveja se transforma em fofoca, o orgulho em arrogância e por aí vai.

Todos sofremos em algum grau com uma ou mais dessas doenças. Algumas delas estão mais presentes do que outras, mas todas se fazem notar em algum grau. E precisamos ter consciência clara disso. 

O ensinamento de Jesus
Jesus ensinou que o remédio para os "males do coração" é justamente tirar o foco do "eu". E é dessa percepção que nascem os dois grandes mandamentos dados por Ele que resumem tudo que devemos fazer: amar a Deus sobre todas as coisas e amar ao próximo como a si mesmo. 

Quando a pessoa ama Deus sobre todas as coisas, tal amor passa a conduzir sua vida. E assim ela passa a seguir os princípios de vida que Deus estabeleceu, mesmo quando eles contrariam seu próprio interesse pessoal. O "eu" é domado e se torna dependente de algo maior. 

Depois, quando a pessoa decide fazer pelo próximo as coisas que gostaria que fossem feitas por ela mesma, seu “eu” muda de função. Deixa de ser a razão da vida e passa a ser uma referencia para aquilo que precisa ser feito pelo próximo. 

Agora, passar da teoria à prática não é fácil. Domar o próprio "eu", e torná-lo dependente de Deus, não é simples. Mas felizmente há instrumentos que podem ajudar você a conseguir fazer isso. Refiro-me às disciplinas espirituais e indico cinco delas a seguir:

Confissão
O programa de luta contra o alcoolismo proposto pelos Alcoólicos  Anônimos começa exatamente pelo reconhecimento do vício e sua confissão pública. E como somos viciados no "eu", é por aí que você precisa começar também, reconhecendo esse problema. Esse é o ponto de partida.
Perdão
Cancelar as "dívidas" emocionais que outras pessoas possam ter com você é um passo importante. Isso vai livrar seu “eu” de uma carga de mágoas, do desejo de vingança e, sobretudo, do risco de manter sua vida congelada no passado veja mais
Doação
Dedicar parcelas importantes do seu tempo ao desenvolvimento do Reino de Deus aqui na terra é uma forma muito boa de combater o egoísmo. A auto-doação tira o foco saia de cima das suas necessidades e desejos e o transfere para as outras pessoas. A experiência mostra que quanto mais a pessoa se dá, maiores frutos são gerados e eles estimulam e gratificam quem se doa.
Alegria com o sucesso dos outros
Procurar se alegrar com as realizações das pessoas que geram inveja em você é uma disciplina espiritual muito importante. E é fundamental aprender a expressar essa alegria em voz alta. E não se trata de uma atitude hipócrita, porque ela é fruto de uma decisão real de não se deixar aprisionar pela inveja.  
Realização de trabalhos aparentemente humildes
Foi isso que Jesus ensinou ao lavar os pés dos discípulos - não há melhor remédio contra o orgulho. Eu, por exemplo, quando participei de retiros espirituais, procurei sempre me auto-escalar para lavar pratos e outras coisas simples (embora frequentemente também desempenhasse tarefas consideradas mais "importantes"). Isso me ajudou a manter o foco no serviço a Deus e não na importância da minha contribuição. E posso garantir que as melhores recordações que tenho desses eventos são justamente as que fiz fazendo essas tarefas simples. 

Com carinho

quarta-feira, 19 de agosto de 2020

O RISCO DE NÃO ACEITAR JESUS

Hoje vou falar sobre o risco de não aceitar Jesus. Essa minha reflexão nasceu de um comentário muito interessante postado aqui no site. Ele foi feito por um leitor, em cima de um texto meu falando sobre a Graça de Deus. O leitor que fez o comentário -  alguém que não tem certeza se Deus existe de fato (agnóstico) - escreveu o seguinte:

"...como não é possível provar com certeza absoluta nem que Deus existe, nem que não existe, a coisa correta a fazer seria não tomar qualquer decisão a esse respeito". 

Essa declaração, à primeira vista, parece fazer sentido. Afinal, quando não temos certeza sobre alguma coisa é preciso cautela na tomada de qualquer decisão. Como, segundo o leitor, não é possível ter certeza sobre a existência de Deus, o melhor seria ficar quieto. Não tomar qualquer partido - nem contra nem a favor d´Ele. Evitando assim o risco de escolher a opção errada e fazer besteira. 

Como as pessoas lidam com a incerteza
Mas, se você prestar bem atenção, não é bem assim que as pessoas costumam agir quando não tem certeza. Elas não costumam ficar paradas. Normalmente, levantam as várias alternativas disponíveis e avaliam o risco de cada uma delas. Aí escolhem a alternativa que oferece menor risco. E a alternativa de não fazer nada também costuma embutir algum tipo de risco (por exemplo, perder uma oportunidade).

Vejamos um exemplo prático: quando uma pessoa vai decidir se abre um negócio, enfrenta muita incerteza. Sempre há o risco de fazer o negócio e perder dinheiro. Agora, também há um risco em nada fazer: perder a oportunidade e eventualmente deixar de ganhar um bom dinheiro. Aí a pessoa avalia os dois riscos e acaba decidindo o que fazer. 

Vejamos outro exemplo: se um médico não sabe as causas de uma doença, isso não quer dizer que deva ficar parado. Deixar a pessoa morrer. Nesse caso, fazer alguma coisa, mesmo correndo o risco de ter se baseado no diagnóstico errado, é melhor que nada fazer. E é assim que os médicos costumam agir. 

O risco de aceitar ou não Jesus
É preciso entender que, de acordo com a doutrina cristã, se a pessoa decidir nada fazer a respeito da sua fé em Jesus (conforme propôs o leitor agnóstico), o resultado final é o mesmo que rejeitá-lo. Isso porque em ambos os casos a pessoa não terá a Graça de Deus, pois essa somente se manifesta quando a pessoa aceita Jesus. 

Portanto, na prática, a decisão de nada fazer equivale à decisão de recusar Jesus e assim somente existem duas alternativas a analisar: aceitar Jesus ou não. E usando a metodologia que expliquei acima, será preciso avaliar os riscos relacionados com cada uma dessas duas alternativas e, naturalmente, escolher aquela de risco menor. 

O risco de rejeitar Jesus aparece apenas se o cristianismo estiver certo. Nesse caso, a consequência será muito séria: a pessoa irá perder sua salvação. Não existe risco maior - trata-se de acabar condenada ao inferno para sempre. 
É claro que aceitar Jesus também envolve um risco. Se o cristianismo estiver errado, a pessoa que aceitou Jesus estará seguindo uma ilusão. E, por causa disso, fará algumas coisas sem qualquer sentido prático (orar, louvar, tomar a Santa Ceia, estudar a Bíblia, etc) e se privará de outras tantas (tudo aquilo que é proibido pelo cristianismo), sem qualquer necessidade.
Esse risco parece moderado. Até porque muitas coisas que o cristianismo proíbe (vícios, adultério, matar, roubar, etc) costumam ser proibidas pela maioria das sociedades através de leis. Portanto, seria necessário não fazer essas coisas.
Palavras finais
Resumindo, o risco de não aceitar Jesus é gigantesco (perder a vida eterna) e o risco contrário é moderado (fazer algumas coisas e se privar de outras, sem necessidade). Portanto, a lógica aponta com clareza na direção de ser aconselhável aceitar Jesus. Essa seria a decisão menos arriscada, mesmo quando a pessoa não tem muita certeza quanto ao que deve fazer. 
Sei muito bem que ninguém aceita Jesus com base num raciocínio lógico e sim pela fé. Então, qual é o valor de toda essa discussão? Há duas coisas importantes aí:

Primeiro, para quem já decidiu aceitar Jesus, é sempre muito bom saber ter feito uma escolha amparada pela lógica, que faz sentido. Isso reafirma e robustece a fé do/a cristão/ã. 

Depois, para quem ainda não aceitou Jesus, como o leitor agnóstico, esse tipo de discussão ajuda a tirar a pessoa da sua inércia. A empurra para dar um passo inicial na direção de Jesus e, uma vez feito isso, o Espírito Santo vai entrar e completar a obra.

Com carinho