sexta-feira, 4 de outubro de 2019

AS CRENÇAS MÍNIMAS DE UM CRISTÃO

Há doutrinas que são fundamentais para o cristianismo. É o que estou chamando de crenças mínimas de um cristão. E ninguém deveria poder se auto-intitular cristão sem aceitá-las integralmente. O melhor exemplo é a crença que Jesus é o Salvador do ser humano. 

Esse conjunto de doutrinas constitui o cerne do cristianismo. Agora, existem outras doutrinas que também fazem parte do conjunto de crenças da maioria dos cristãos, mas que podem ser ou não aceitas e ainda assim a pessoa continuará a ser qualificada como cristã. Um bom exemplo é a forma como o batismo deve ser conduzido (aspersão, derramamento ou imersão em água). As denominações cristãs usam formas diferentes umas das outras e algumas (como os metodistas) chegam a praticar as três formas de batismo. Mas isso não está no centro da doutrina cristã. É importante, sem dúvida, mas não é um dos fundamentos da crença cristã.

Essas doutrinas complementares, na prática, simplesmente vão caracterizar os diferentes grupos (denominações) existentes dentro do universo do cristianismo. É por conta dessas crenças complementares que a pessoa é rotulada como presbiteriana, metodista, batista, católica romana e assim por diante.  
As doutrinas essenciais do cristianismo
A maior parte dos teólogos cristãs aceita que os nove pontos abaixo resumem a crença fundamental de quem é cristão:
  1. Deus Pai é um ser com vontade própria, inteligente, onipotente e onisciente, que criou tudo o que existe a partir do nada.
  2. Jesus Cristo é o único Filho de Deus, tendo a mesma natureza de Deus Pai.
  3. O Espírito Santo, "o Deus que habita em nós", é a terceira pessoa da Trindade Santa.
  4. O Filho se fez humano, por ação do Espírito Santo, e nasceu de uma virgem, Maria. Viveu entre nós sem pecado algum. Foi morto na cruz e sepultado. Ressurgiu dentre os mortos, ao terceiro dia, por ação do Espirito Santo, e voltou para junto do Pai.
  5. Jesus é o único Salvador do ser humano: sua morte ocorreu para que todos aqueles que nele creem tenham seus pecados perdoados mediante a graça de Deus.
  6. Jesus vai voltar, no final dos tempos, quando os seres humanos já mortos vão ressurgir, em corpos novos, diferentes daqueles que tiveram em vida. Os que estiverem vivos também terão seus corpos igualmente transformados. 
  7. Todos os seres humanos serão julgados e apenas aqueles que tiveram seus pecados perdoados (item 5) terão acesso à vida eterna. 
  8. A igreja cristã foi instituída por Jesus e sua missão é pregar o Evangelho de Cristo e implantar o Reino de Deus aqui na terra. 
  9. A Bíblia é a revelação de Deus para o ser humano, onde todas essas coisas são contadas.
Agora, analise cada essas doutrinas - as crenças mínimas do cristão - com calma. Se você crer nelas, sem dúvida é um cristão. Se tiver dúvida sobre o que significam, consulte outras postagens aqui no site, pois falamos sobre cada uma, em alguns casos, mais de uma vez. Você também pode enviar alguma pergunta, caso a dúvida persista, que vamos responder. 

Com carinho 

quarta-feira, 2 de outubro de 2019

QUANDO É PRECISO RECOMEÇAR

Às vezes na vida é preciso recomeçar. Acontece uma perda tão significativa - o emprego de muitos anos, a morte de um ente querido, uma doença grave ou o rompimento de uma relação amorosa - que a vida não mais pode ir em frente como antes. E essa perda muitas vezes acontece sem que a pessoa tenha qualquer responsabilidade. Sem que a pessoa tenha dado motivo para que aquilo acontecesse.

O processo de recomeço passa por alguns passos importantes. E o primeiro deles é aceitar a perda. E, quando isso não acontece, há quem se sinta revoltado e se negue a aceitar sua nova situação. Há até quem brigue com Deus e o acuse de ser injusto.

O recomeço também passa pelo passo de refletir sobre o ocorrido e analisar a possibilidade de dar um novo rumo à própria vida. E o novo rumo pode ser mudar de profissão, de cidade, de relacionamento e por aí vai. Mas, tem gente, que mesmo aceitando a perda, fica paralisada, sem conseguir formular um novo projeto de vida, sem conseguir dar esse segundo passo.

Não há dúvida que há momentos em que é preciso recomeçar. E é possível se reinventar e encontrar novamente a paz e a felicidade, com a ajuda de Deus. Mas, muitas pessoas ficam presa ao longo do processo e nunca conseguem encontrar um novo caminho. 

E é sobre isso que a pastora Carol e a Alícia falam no seu mais novo vídeo - veja aqui.

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segunda-feira, 30 de setembro de 2019

DETALHES ÍNTIMOS

Deus conhece os detalhes íntimos das nossas vidas. Ele sabe tudo sobre cada um de nós desde quando estávamos sendo concebidos por nossas mães. E Ele sabe o que iremos fazer, mesmo antes que tomemos a decisão de agir num sentido ou no outro.

Isso é surpreendente, considerando que há quase 8 bilhões de pessoas no mundo. E mais surpreendente fica ainda essa constatação se lembrarmos que o planeta terra nada mais é do que um pequeno ponto azul no meio de um universo gigantesco. A terra é uma coisa minúscula, se comparada à vastidão do cosmos, que contem centenas de bilhões de estrelas e trilhões de planetas.

Não sabemos porque um ser tão grandioso como Deus e com a responsabilidade de sustentar o universo, encontra disposição para se preocupar com cada ser humano. Trata dos detalhes íntimos da vida de cada um dele, inclusive seus medos, ansiedades e dores. Sinceramente, não é possível alcançar mesmo isso.

Só nos cabe olhar para essa situação com admiração e gratidão, sempre tendo em mente que não fizemos nada para merecer esse tipo de atenção por parte de Deus.

E é sobre isso que eu falo no meu mais novo vídeo - veja aqui.

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sábado, 28 de setembro de 2019

O PODER DA ORAÇÃO

A oração é tão importante que chega a ser um mandamento: em Mateus capítulo 26, versículo 41, Jesus nos mandou vigiar e orar para não cair em tentação. Já em 1 Tessalonicense capítulo 5, versículo 17, o apóstolo Paulo nos pediu para orar sem cessar.

O exemplo que encontramos na Bíblia é o da oração contínua. Jesus orou muito – ele se retirava para locais ermos para orar por muitas horas e até ensinou os discípulos a orar (Mateus capítulo 6, versículos 9 a 13). O mesmo pode ser dito de Pedro e dos demais apóstolos. Os primeiros cristãos também oravam muito (Atos capítulo 2, versículo 42). E até o Espírito Santo ora, intercedendo por nós com gemidos impressionantes (Romanos, capítulo 8, versículo 26).

Mas o que é a oração? A resposta é simples: trata-se de uma forma de comunicação com Deus. Orar é falar com Deus, abrir o coração e conversar com Ele. Essa não é a única forma de comunicação com Ele possível, existem outras, como o louvor.

Motivos para orar
Há inúmeros motivos pelos quais orar: 
  • Pedir socorro: o livro dos Salmos está cheio de orações assim (p. ex. 86, versículos 1 a 8). Até Jesus orou para pedir socorro (Lucas capítulo 22, versículos 41 a 44).
  • Adorar e agradecer a Deus (Filipenses capítulo 4, versículo 6).
  • Confessar pecados e mostrar arrependimento (Salmo 51).
  • Interceder por terceiros (João capítulo 42, versículo 10).
  • Afastar tentações (Lucas 22:40-46).
Como orar 
Não é necessário usar palavras bonitas para fazer uma oração que seja ouvida por Deus. Falo isso porque é muito frequente encontrar pessoas que se recusam a orar em público por acharem que não sabem orar como convém. Não há uma “receita” certa do que dizer nessas situações e também não é verdade que Deus só atende as orações bonitas, eloquentes. Nada disso. O que Deus espera é sinceridade de coração e demonstração de confiança (fé).

É claro que há coisas que precisam ser evitadas nas orações. Por exemplo, decorar um texto e ficar repetindo-o sem nem saber bem o que se está fazendo. Jesus chamou isso de fazer “vãs repetições” (Mateus capítulo 6, versículo 7) e condenou tal procedimento.

A oração deve sempre ser feita no nome de Jesus (João capítulo 15, versículo 16), pois esse nome tem poder. A palavra “am´rm”, que quer dizer “assim seja”, sempre usada para encerrar as orações, não é obrigatória. Não vejo qualquer problema quando isso não é feito, mas eu acho a prática muito útil, pois deixa claro, quando se ora em público, que a oração acabou, evitando mal-entendidos.

A oração pode ter seu efeito potencializado com jejum (Mateus capítulo 17, versículos 18 a 21).

A prática de fechar os olhos não é obrigatória, mas também é muito útil, pois evita que as pessoas se distraiam – eu, por exemplo, não consigo prestar atenção na oração se não fechar os olhos.

Podemos orar em diversas posições – é muito comum, por exemplo, as pessoas orarem deitadas – e nada há de errado nisso. Agora, é preciso sempre manter a reverência, pois a pessoa está falando com Deus.

Um problema comum no ato de orar é a interrupção. O telefone toca, o filho entra no quarto, o marido chama e assim por diante. O ideal é orar em local e horário em que não se possa ser interrompido. Mas isso nem sempre é possível. Mas você deve se esforçar para conseguir um momento de solidão quando quiser orar, nem que seja se trancando no banheiro.

Então, se você for interrompido, lembre-se sempre que está falando com Deus e Ele é prioridade. Para ajudar você a entender a situação, imagine que você está falando com a pessoa mais importante do mundo – um rei ou presidente – e seja interrompido. Como agiria? Deixaria o rei ou presidente esperando e iria atender o filho ou marido ou o telefone que tocou? E nunca devemos esquecer que Deus é muito mais importante do que qualquer rei ou presidente.
Resultados da oração

O poder da oração é tão grande que gera tremores de terra, como aconteceu com os primeiros cristãos (Atos, capítulo 4, versículo 31). Isto significa que a oração pode gerar resultados físicos (concretos) – não estou falando, portanto, apenas de consequências espirituais.

Há muitos exemplos de resultados trazidos por oração. São curas, bênçãos diversas alcançadas, mudanças de vida e assim por diante. A Bíblia está cheia de relatos falando disso. Por exemplo, em 2 Reis capítulo 20, versículos 1 a 6, é contada a história do rei Ezequias, que recebeu uma mensagem de Deus sobre sua morte iminente. O rei se humilhou perante Deus e orou pedindo livramento. Seu pedido foi atendido - o profeta que dera o aviso ao rei, Isaías, foi mandado de volta ao rei com nova mensagem: sua vida seria acrescida em quinze anos. E é fácil ver o mesmo tipo de resultado na convivência diária dentro de qualquer comunidade cristã.

Especificamente no campo espiritual, o contato constante com Deus, através da oração, evita que a pessoa caia em tentação, isso é em armadilhas colocadas no seu caminho pelo Inimigo e que poderiam levá-la a desvios de conduta (pecados).

Palavras finais
Portanto, ore sempre que puder. Da forma que conseguir. Com as palavras que souber dizer. Quanto mais você puder fazer isso, melhor.

Com carinho

quinta-feira, 26 de setembro de 2019

AS PARÁBOLAS DO REINO DE DEUS

Você já ouviu falar das parábolas do reino de Deus? Jesus usou muitas parábolas – pequenas estórias que simbolizam determinadas verdades. E as parábolas de Jesus cobrem os mais diversos assuntos e variam muito no tamanho e complexidade.

Ele falava sobre o mesmo tema em diferentes momentos e lugares, contando parábolas diferentes. Por causa disso, as suas parábolas podem ser agrupadas por assunto -  por exemplo, salvação e reino de deus. Assim, a melhor forma de estudar as parábolas contadas por Jesus é escolher um assunto e ver quais delas tratam desse tema. E uma  parábola vai ajudar a explicar e iluminar a outra.

O reino de Deus foi um dos assuntos preferidos de Jesus. E o que é isso? Esse reino é todo local e/ou circunstância onde a vontade de Deus é feita. Simples assim. E isso está bem claro na oração do Pai Nosso, onde Jesus nos ensinou a pedir: “...venha a nós o teu Reino e seja feita sua vontade assim na terra como nos céus...” (Mateus capítulo 6, versículo 10). Em outras palavras, Jesus devemos pedir que o reino de Deus se faça presente nas nossas vidas, e quando isso acontecer, a vontade divina será feita aqui na terra da mesma forma como já é feita nos céus.

A Bíblia relata no livro de Atos dos Apóstolos (capítulo 2) a chegada do reino de Deus, quando da descida do Espírito Santo durante a festa de Pentecoste, evento que também marcou o início da igreja cristã. Assim, é possível dizer que a história da igreja também relata a implantação do reino de Deus na terra.

Há pelo menos oito parábolas de Jesus sobre o reino de Deus:
  • A da semente, contada aos discípulos (Marcos capítulo 4, versículos 26 a 29).
  • A do semeador, contada a uma multidão (Mateus capítulo 13, versículos 3 a 9).
  • A do joio e o trigo, contada a uma multidão (Mateus capítulo 13, versículos 24 a 30).
  • A da rede, contada aos discípulos (Mateus capítulo 13, versículos 47 a 50).
  • A do grão de mostarda, contada a uma multidão (Mateus capítulo 13, versículos 31 e 32).
  • A do fermento, contada a uma multidão (Mateus capítulo 13, versículo 33).
  • A do juiz iníquo, contada aos fariseus (Lucas capítulo 18, versículos 2 a 8).
  • A do amigo que pede ajuda, contada aos discípulos (Lucas capítulo 11, versículos 5 a 10).
Nessas parábolas, Jesus deixou claro que embora o reino de Deus tenha chegado e venha frutificando ao longo da história humana, somente vai alcançar sua plenitude no final dos tempos, depois do julgamento final, quando todos os salvos estarão enfim reunidos. Por isso várias parábolas desse grupo temático apontam para o juízo final. Vamos com mais detalhe o que cada uma delas diz:

1. A definição do reino de Deus (parábola da semente)
Jesus usou uma imagem rural – o agricultor que lança uma semente na terra e espera o crescimento da planta – para descrever como é o reino de Deus. A semente é a Palavra, logo o semeador é aquele que prega o Evangelho de Jesus.

O crescimento da planta é desenvolvimento da fé nos corações das pessoas, gerando crescimento do reino aqui na terra. A colheita tanto é o resultado que essas pessoas convertidas geram na sociedade onde vivem, fruto das suas boas obras, como também o resultado a ser obtido por Deus no final dos tempos.

E ao agricultor, uma vez feita a semeadura, só resta aguardar as plantas germinarem. Isso quer dizer que o pregador deve passar a mensagem para as pessoas, mas a conversão não é obra dele e sim do Espírito Santo.
Jesus contou essa parábola porque seus discípulos lhe cobravam ação mais concreta porque abraçavam a ideia errada que o Messias seria como Moisés, e iria libertar fisicamente o povo judeu da opressão do Império Romano. Ora, Jesus veio sim libertar seu povo, mas da escravidão do pecado, pois seu reino era espiritual e não material.

Essa parábola procura passar confiança: o resultado final (a colheita) virá, sem dúvida, uma vez que a semeadura tenha sido feita. Pois tudo sempre irá ocorrer de acordo com os planos de Deus. 

2.  A chegada do reino (parábola do semeador)
As técnicas usadas para semear hoje em dia são muito diferentes (e mais eficazes) do que as de 2.000 anos atrás. Hoje, o agricultor estuda previamente o solo onde vai plantar para ver onde as sementes devem ser jogadas. Mas, na época de Jesus, o semeador saia a semear e jogava as sementes por onde ia passando.

Assim, elas caiam em todo tipo de solo. E quando caiam em solo ruim, as plantas não germinavam ou logo morriam, já quando eram lançadas em solo bom, aí sim produziam bom resultado.

Lembrando que a semente é a Palavra de Deus e a planta que cresce são as pessoas que se convertem e passam a andar nos caminhos dele, a semeadura em solo ruim representa as pessoas não receptivas à mensagem do Evangelho. Resultado diferente acontece quando a pregação é feita para pessoas abertas ao Evangelho. 

Essa parábola foi usada por Jesus para tirar dúvidas quanto ao resultado do seu ministério. Nem sempre as pessoas se convertiam (Mateus capítulo 6, versículo 5). Muitas vezes havia descrença (João capítulo 6, versículo 60) e até inimizades foram geradas (Marcos capítulo 3, versículo 6). Mas muitas aceitaram o Evangelho e mudaram a história do mundo.

3. A consolidação do reino (parábolas do fermento e do grão de mostarda)
Essas parábolas responderam uma pergunta importante: será que as pessoas que Jesus convertia – pescadores, prostitutas, pobres, dentre outras – poderiam consolidar o reino de Deus? Ou seria preciso pregar para as elites econômica e religiosa?

A parábola do fermento enfatiza o poder transformador da Palavra de Deus: uma pequena quantidade de fermento leveda toda a massa. E massa aqui simboliza o povo, como em Romanos capítulo 11, versículo 6. 

Já a parábola da mostarda fala de uma semente muito pequena que cresce até virar uma enorme árvore. O ensinamento aí é que o potencial de crescimento do reino é gigantesco. Poucas pessoas, mesmo as mais simples, mas dedicadas realmente a difundir a Palavra podem causar um enorme impacto na sociedade. E foi exatamente isso que aconteceu na história do cristianismo.

4. Os perigos para o reino (parábolas do joio/trigo e da rede)
Uma plantação que mistura trigo (planta boa) e joio (ruim) corre risco. E como o joio venenoso é muito parecido com o trigo em grão, enquanto as plantas são pequenas, é difícil destruir as plantas ruins, sem danificar as boas. Por isso é necessário deixar as plantas crescerem para poder separar o joio do trigo.

O joio é o cristão não sincero e o trigo o crente verdadeiro. E olhados de fora, eles podem ser muito parecidos. Podem frequentar a mesma igreja e participar das mesmas cerimônias, comportando-se de forma muito semelhante.  Assim, a comunidade cristã nunca vai conseguir diferenciar bem um caso do outro. E se tentar, vai errar e cometer injustiças. Somente Deus, que conhece o interior das pessoas, consegue fazer isso.

Perceba também que o joio é poupado por causa do trigo. Ou seja, o lavrador poderia atear fogo à plantação e acabar com o joio, antes mesmo das plantas crescerem, mas aí mataria também as plantas boas. E por causa do trigo, ou seja, dos cristãos sinceros, que Deus tem paciência com as plantas ruins.

Jesus sabia que o joio se encontra em todo lugar – mesmo na sua pequena comunidade de discípulos não era homogênea na sua sinceridade (Mateus capítulo 7, versículos 21 a 23). E, quando a parábola foi contada, Judas ainda fazia parte do grupo de apóstolos.

A parábola da rede trata do mesmo tema, mas a imagem usada é outra: uma rede cheia de peixes. O mar (lago) da Galileia tinha 24 espécies de peixes, sendo que várias delas não podiam ser comidas pelos judeus (Levítico capítulo 11, versículo 10). Assim, o pescador lançava a rede e a arrastava para a margem. Somente quando chegava lá conseguia identificar os peixes que lhe interessavam.

Os peixes ruins têm o mesmo sentido do joio e os bons do trigo. A separação dos peixes na margem é como a separação das plantas na colheita. É o mesmo ensinamento.  

5. Por que podemos confiar? (parábolas do juiz iníquo e do amigo)
Na parábola do juiz iníquo, é contado o caso de uma viúva que procurou por um juiz incansavelmente, pedindo-lhe que julgasse sua causa. Como ela se dirigia ao juiz, e não ao tribuna,l devia ser um assunto de dinheiro, segundo os costumes da época. A viúva era pobre e não tinha como dar “presentes” para acelerar seu processo, assim só lhe restava incomodar o juiz. E ele só julgou sua causa logo para ficar livre da amolação.

Deus é o juiz e sua ação é movida pela perseverança da pessoa, gerada pela confiança (fé). Essa parábola foi dirigida a alguns discípulos que ficaram angustiados quando Jesus começou a contar sobre os sofrimentos pelos quais haveria de passar. A discussão entre os discípulos era sobre quem conseguiria se manter firme, daí a necessidade do ensinamento sobre a perseverança.

A outra parábola fala de um amigo que pede ajuda, já tarde da noite, quando todos estavam deitados. Ora, naquela época, a família dormia toda junta, num único cômodo, e atender o amigo que solicitava ajuda significava acordar todo mundo, inclusive as crianças pequenas, o que seria grande incômodo. Mas, ainda assim a ajuda foi fornecida, em atenção à necessidade do amigo.

O ensinamento está no final da parábola (Lucas capítulo 11, versículos 9 e 10):  quem pede, recebe; e quem bate tem, a porta aberta. Em outras palavras, Deus dá a quem tem fé e lhe pede.

Com carinho

terça-feira, 24 de setembro de 2019

PEDRO, UM EXEMPLO PARA NÓS

Gosto muito da figura do apóstolo Pedro. O que me agrada nele é sua humanidade, o que o torna muito parecido comigo ou com você. Suas qualidades e defeitos são bem aparentes e não há qualquer intenção no relato bíblico de “dourar a pílula”, fazendo Pedro parecer melhor do que de fato era.

Pedro “pisou na bola” muitas vezes - a falha mais conhecida foi ter negado Jesus por três vezes. Mas não ficou só nisso: ele criou caso com Paulo (conforme Gálatas, capítulo 2, versículos 11 a 16), arrumou confusão com outros discípulos, queria brigar com os servos do sumo-sacerdote e assim por diante. Ele cometeu uma longa lista de erros.

Ele impetuoso, vigoroso, emotivo, presunçoso, medroso e faltava-lhe discernimento espiritual. E dava importância demasiada à opinião das outras pessoas. Mas, suas qualidades também eram enormes: era generoso, comprometido e amava Jesus de verdade. E alguns fatos marcantes da sua vida comprovam essas qualidades:
  • Foi o primeiro apóstolo a confessar Jesus como o Salvador. 
  • Explicou ao povo de Jerusalém o que tinha acontecido no evento do Pentecoste, quando o Espírito Santo chegou, dando início à vida da igreja cristã (Atos capítulo 2, versículos 14 a 36).
  • Abriu as portas da igreja para os gentios (não judeus), conforme relato de Atos capítulo 10, versículo 44 a capítulo 11, versículo 18.
E foi recompensado por suas qualidades:
  • Jesus apareceu somente para ele, após sua ressurreição (1 Coríntios capítulo 15, versículo 5).
  • Tornou-se um dos mais importantes líderes da igreja cristã, com uma contribuição só comparável à de Paulo.
Conhecemos muitos detalhes sobre a vida de Pedro. O apóstolo nasceu em Betsaida e se chamava Simão (Simeão). Foi apelidado por Jesus de Pedro (ou Cefas, em aramaico). Era casado (Lucas capítulo 4, versículo 38) e seu pai se chamava Jonas (João), tanto assim que Jesus se referiu a ele como “Simão Barjonas” (a palavra “bar”, em hebraico, significa “filho”).

O apóstolo foi pescador no mar (lago) da Galileia, juntamente com o pai e o irmão André. Sua família trabalhava em sociedade com Zebedeu e seus filhos Tiago e João (Lucas capítulo 5, versículo 10). E é interessante perceber que os filhos das duas famílias, Pedro, André, Tiago e João tornaram-se apóstolos. 

Pedro morava em Cafarnaum, à beira do lago da Galileia (Lucas capítulo 4, versículo 38), quando foi chamado por Jesus para segui-lo. E não mais se afastou do Mestre, até sua morte e ressurreição. Depois, seguiu em frente, já como um dos líderes da igreja cristã em Jerusalém. Mais tarde mudou-se para Roma, onde morreu, segundo a tradição, crucificado de cabeça para baixo, por volta do ano 67 ou 68. Ele foi bispo da igreja em Roma por cerca de 25 anos.

A figura de Pedro é alvo de algumas controvérsias religiosas importantes, pois os Católicos Romanos vêm nele o chefe da igreja cristã. Essa controvérsia nasceu nas diferenças de interpretação da passagem de Mateus capítulo 16, versículos 15 a 19:
E Simão Pedro, respondendo [a Jesus], disse: Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo. E Jesus, respondendo, disse-lhe: Bem-aventurado és tu, Simão Barjonas, porque foi carne e sangue que te revelaram isso, mas meu Pai, que está nos céus. Pois também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela. E eu te darei as chaves do reino dos céus; e tudo o que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus.

Os Católicos Romanos leem na frase que começa com “tu és Pedro” uma “nomeação” do apóstolo como chefe da Igreja cristã. Já a interpretação dos evangélicos, que eu sigo, entende que a tal “pedra”, sobre a qual a igreja foi edificada, é a fé de Pedro, demonstrada nos versículos anteriores, onde foi o primeiro a reconhecer Jesus como o Messias.

Por conta da frase em que Jesus disse ter dado para ele as “chaves do reino dos céu”, os Católicos Romanos entendem que ele receberá cada um de nós nas portas do Paraíso. Mas essa referência parece ser simbólica e não literal, afinal, o céu não tem portas. Jesus estava se referindo ao fato que a ação apostólica de Pedro, seria a chave para a entrada delas no céu. Só isso.  

A transformação espiritual de Pedro
O que aconteceu com Pedro para que ele tivesse conseguido mudar tanto? Passou de pessoa comum, cheia de fraquezas, a herói da fé. Sem dúvida foi sua fé em Cristo que o fez mudar. E, se ele conseguiu fazer essa transição, eu e você também podemos. A mesma transformação está ao alcance de todos nós. 

Essa transformação está relatada na Bíblia em muitos detalhes e dá para perceber que Pedro passou por cinco fases diferentes. E houve avanços e retrocessos, comprovando que o desenvolvimento espiritual das pessoas não é obrigatoriamente linear e ascendente:
  1. Pedro foi chamado para ser discípulo e apóstolo e aceitou com entusiasmo.
  2. Ele foi discipulado ao longo de três anos de convivência diária com Jesus.
  3. Caiu quando negou a Jesus por ter tido medo (João capítulo 20, versículo 19). E quase se perdeu.
  4. Pedro arrependeu-se e foi recuperado pelo próprio Jesus, já depois da sua ressurreição, no episódio em que se encontraram numa praia do mar da Galileia (João capítulo 21).
  5. Finalmente, chegou à maturidade espiritual. Assumiu papel de liderança na igreja cristã, a partir do discurso do Pentecoste. São dessa fase as inúmeras curas (Atos capítulo 5, versículos 14 e 15) e a abertura para os gentios, assim como o episcopado em Roma. 
Com carinho

domingo, 22 de setembro de 2019

AROMA SUAVE

O apóstolo Paulo ensinou que somos o aroma suave de Jesus Cristo. Por um lado, isso significa que a glória de Cristo brilha em cada um de nós. Ela se reflete em cada instante das nossas vidas, mudando nossos caminhos e nos levando para junto de Deus. E isso é uma coisa maravilhosa. 

Por outro lado, a afirmação de Paulo também significa que é preciso passar para o mundo o aroma que recebemos de Cristo. Essa dádiva maravilhosa precisa ser difundida para as outras pessoas. E isso só pode ser feito através do exemplo das nossas próprias vidas.

Em outras palavras, nossas vidas precisam demonstrar para quem ainda não é convertido que ter a presença de Cristo é uma coisa transformadora e maravilhosa. Precisa comprovar que viver a vida com Jesus é muito melhor que viver a vida sem Ele. Afinal, é isso que vai incentivar aqueles que não são convertido a aceitar Jesus e seguir pelo mesmo caminho que já trilhamos. É esse exemplo frutificando em nossas vidas que vai ajudar os indecisos a também escolher entregar suas vidas para Cristo.

É sobre esse aroma suave de Cristo nas nossas vidas que eu falo no meu mais novo vídeo - veja aqui

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