terça-feira, 3 de dezembro de 2019

TODO PODEROSO

É comum que haja espanto quando as pessoas se deparam com as gigantescas forças da natureza.  Mas, o que elas costumam esquecer, é que todas essas forças são criação de um único Deus, que é todo poderoso. Um Ser que é muito maior e mais impressionante do que as cataratas do Iguaçu, com seu enorme volume de águas, ou um poderoso tornado, que destrói tudo no seu caminho,  ou ainda um raio capaz de iluminar todo o céu.

E é sobre isso que fala o Salmo 93. Trata-se da constatação do inimaginável poder de Deus. Aliás, por curiosidade, registro que o versículo 4 desse Salmo está escrito na parede de rocha do lado brasileiro das cataratas do Iguaçu, num reconhecimento dessa verdade.
Ora, se Deus é isso tudo, se seu poder não conhece limites, nenhum problema humano é grande demais para Ele. Nenhum obstáculo pode ser colocado no seu caminho. Nada é impossível para que Deus venha a realizar.

Lembre-se disso, portanto, quando seu fardo parecer muito pesado, quando seu problema parecer sem solução. Você acredita e serve a um Deus para quem nada é impossível. E é sobre isso que eu falo no meu mais novo vídeo - veja aqui.

Veja outros vídeos recentes meus aqui e aqui.

domingo, 1 de dezembro de 2019

ANATOMIA DO MEDO

Ao longo dos últimos meses falei bastante sobre o medo: suas causas, características e consequências nas vidas das pessoas (por exemplo, veja 1, 2 e 3). Mostrei também que o medo assume formas variadas - ele é um inimigo de múltiplas faces. Hoje vou fazer um resumo de tudo isso, uma anatomia final do medo.

Mostrei também que o medo é um sentimento mais complexo de lidar do que se imagina à primeira vista. Até porque o medo é, em boa parte, um sentimento natural, simples reação fisiológica ao perigo. É uma forma de preparar o corpo humano para responder a qualquer ameaça externa, física ou psicológica. E, nesse sentido, o medo pode ser um amigo, quando presente na medida adequada e tendo o foco certo.

Aí o medo funciona como a luz amarela de um semáforo, alertando que é preciso ter cautela e avaliar a situação com cuidado, antes de ir em frente. O medo alerta que não se deve tomar decisões por impulso que são sempre muito perigosas.

O problema é que as consequências do medo costumam ir muito além disso. Normalmente, o medo acaba por tomar conta da vida da pessoa e a paralisa. Ele acaba funcionando muito mais como uma verdadeira luz vermelha do semáforo, proibindo seguir em frente.

Há um bom exemplo na Bíblia desse tipo de situação. Na noite em que Jesus foi preso, Pedro seguiu os soldados até a casa do sumo-sacerdote, em Jerusalém. E ali sentou-se em volta do fogo, pois a noite estava fria. Uma escrava se aproximou dele e o questionou, querendo saber se ele também andava com Jesus. Havia nessa pergunta, evidentemente, uma intimidação implícita.

Pedro se intimidou e sua reação foi péssima: negou conhecer Jesus. A mesma pergunta foi feita por outras duas pessoas, que também estavam por ali, e a resposta de Pedro foi a mesma (Lucas 22:54-62). O medo tomou conta de Pedro, impediu-o de raciocinar corretamente e o paralisou. Fez com que ele esquecesse as promessas de fidelidade e amor que tinha feito a seu Mestre.

Esse é o lado feio do medo. Ele gera ansiedade, pavor, estresse e outras consequências ruins. Pode até levar a pessoa a adoecer. E são muitos ameaças, imaginárias ou reais, que levam a esse medo doentio: perigo, receio do sofrimento, preocupação de perder a fonte de sustento, angustia de ser rejeitado e por aí vai. Também é comum a preocupação com o bem-estar de uma pessoa querida, como filho/a ou esposo/a.

Muita gente pensa que o medo pode entendido de forma simples, apenas como falta de fé em Deus. Falta de confiança na sabedoria dele e na sua providência para com seus filhos/as. Não há dúvida que há muita verdade nesse tipo de conclusão. O caso de Pedro, que citei acima, se enquadra perfeitamente nessa situação. E essa conclusão fica reforçada quando lembramos que, em outra situação, muito mais perigosa, Pedro respondeu de forma corajosa.

Nesse segundo caso a intimidação partiu do Sinédrio, o grupo de líderes que tinha muito poder. Os membros do Sinédrio tentaram coagir Pedro a parar de pregar o Evangelho de Cristo e ouviram dele a resposta que era mais importante obedecer a Deus que aos homens (Atos 4:1-20). O que mudou entre uma experiência e outra? A fé de Pedro em Cristo. No intervalo de tempo entre as duas experiências, Jesus morreu e ressuscitou, dando provas cabais de ser o Messias, e o Espírito Santo chegou para o povo cristão, no dia do Pentecoste. A fé de Pedro desabrochou e ele não mais pode ser intimidado. E continuou seu ministério de forma corajosa até o fim da sua vida.

Portanto, a fé é sim um componente fundamental de uma boa resposta para o medo. Não é possível subjugar o medo sem ter confiança em Deus. Mas, a falta de fé, sozinha, não explica o estrago que o medo causa. Existem pelo menos dois outros fatores também muito importantes.

E o primeiro deles é a reação irracional ao medo que as pessoas costumam ter. Como o medo é detonado por um processo fisiológico, há respostas também fisiológicas a ele, que são automáticas – como a vontade de fugir da ameaça e se isolar. Mas, frequentemente essa não é a resposta certa para o problema.  

Um bom exemplo disso é o profeta Elias. Ele era homem de grande espiritualidade e já tinha realizado inúmeros milagres, como forçar uma grande seca em Israel. O maior milagre praticado por Elias foi enfrentar 400 profetas do deus pagão Baal, cujo culto estava dominando o povo de Israel, por incentivo da perversa rainha Jezebel. O profeta enfrentou o desafio sozinho, em público, debaixo da incredulidade geral. Mas, Deus mandou fogo do céu e o desafio foi vencido por Elias e os profetas de Baal acabaram mortos. Foi uma vitória sensacional.

Aí aconteceu algo surpreendente. A rainha Jezebel ameaçou matar Elias e o profeta ficou intimidado. Caiu em depressão e fugiu. Foi preciso que Deus mandasse seus anjos alimentá-lo, porque nem comer ele queria. O profeta caminhou até o monte Horebe (Sinai), onde se encontrou com Deus e travou ali um diálogo muito interessante – veja 1 Reis 19:13-16:
...E uma voz lhe perguntou: "O que você está fazendo aqui, Elias?" Ele respondeu: "Tenho sido muito zeloso pelo Senhor, Deus dos Exércitos. Os israelitas rejeitaram a tua aliança, quebraram os teus altares, e mataram os teus profetas à espada. Sou o único que sobrou, e agora também estão procurando matar-me". O Senhor lhe disse: "Volte pelo caminho por onde veio, e vá para o deserto de Damasco. Chegando lá, unja Hazael como rei da Síria. Unja também Jeú, filho de Ninsi, como rei de Israel, e unja Eliseu, filho de Safate, de Abel-Meolá, para suceder a você como profeta.
Elias se deixou intimidar por uma ameaça vazia e sua falta de racionalidade foi ainda mais longe: ele perdeu a perspectiva da situação. Caiu no mundo da fantasia e isso ficou claro quando ele disse, em tom de lamento: “sou o único que sobrou…” Elias pensou que tinha ficado sozinho na sua luta. E Deus precisou corrigir essa fantasia, conforme relata o versículo 18:
No entanto, fiz sobrar sete mil em Israel, todos aqueles cujos joelhos não se inclinaram diante de Baal e todos aqueles cujas bocas não o beijaram".
Cair no campo da fantasia é coisa muito comum quando a pessoa está amedrontada, pois ela perde completamente a condição de analisar os fatos com clareza. E é exatamente por isso que ela passa a precisar de ajuda. Alguém com a mente fria e domínio dos fatos, que ajude a pessoa amedrontada a analisar racionalmente a situação e estudar as medidas necessárias. Essa ajuda pode vir de um amigo, um terapeuta, um pastor, um familiar, enfim, qualquer pessoa madura e com uma vida espiritual sólida.

Mas, de forma paradoxal, é justamente nessas situações que a pessoa amedrontada costuma se isolar. Ela passa a querer fugir de tudo e todos. Veja o que Elias fez (1 Reis 19:3-4):
Elias teve medo e fugiu para salvar a vida. Em Berseba de Judá ele deixou o seu servo e entrou no deserto, caminhando um dia…
Elias tinha um servo, uma pessoa de sua confiança, que o acompanhava dia e noite. E a primeira coisa que Elias fez, quando ficou com medo, foi deixar o servo para trás e seguir em frente sozinho. Ele ficou sozinho por opção e não por necessidade!

A dificuldade de procurar ajuda nesses momentos é mais fácil de se notar entre os homens. Eles costumam se trancar no seu próprio sofrimento. Talvez tenham vergonha de demonstrar fraqueza.

Portanto, não é só a falta de fé que torna a luta contra o medo difícil: a irracionalidade das reações humanas costuma tornar tudo mais complicado. Faz com que a pessoa chegue a conclusões que não fazem sentido, dispense a ajuda que Deus manda e cometa outros erros sérios. Ela acaba tornando as coisas piores ainda.

Mas, há mais. A luta contra o medo também é dificultada pelas expectativas fora da realidade. Isto é, a pessoa espera coisas que não estão de acordo com a realidade e fica mais fácil de amedrontar. Por exemplo, há crentes que acreditam firmemente que sua fé vai protegê-los de todo e qualquer problema. Pensam assim porque foram mal discipulados e/ou porque é mais confortável acreditar nesse tipo de fantasia. Essas pessoas esquecem o ensinamento de Jesus que teríamos aflições – lutas, dificuldades e sofrimento – ao viver neste mundo (João 16:33).

E a razão para esse ensinamento de Jesus é fácil de entender. Se você é um ser de recursos limitados, cuja vida vai terminar, cedo ou tarde, e vive num mundo onde há iniquidade, injustiças e maldades de toda sorte, não é difícil imaginar que algum dia a crise vai bater à sua porta.

A questão verdadeira, então, não é tentar se tornar imune a essas aflições e sim como melhor lidar com elas. Uma das reações mais comuns é a ansiedade. Lembro de uma amiga, crente, que tinha tudo que a vida poderia lhe oferecer – família linda, dinheiro farto, boa saúde e casamento estável. Certa vez, ela me confessou que vivia em suspense, esperando pelo dia em que o sofrimento iria mostrar sua cara. Ela não conseguia aproveitar bem o que tinha por causa do medo de perder alguma coisa.

Há também quem não se conforme em passar pelo sofrimento e fique acusando Deus de insensibilidade e falta de amor. Algumas pessoas até acabam brigando com Ele e se afastando, o que torna tudo pior. Afinal, não é possível enfrentar bem os problemas da vida sem a presença de Deus.

Finalmente, há ainda quem tente evitar o sofrimento tentando ter controle sobre tudo. Algumas pessoas montam esquemas elaborados para antecipar todos os problemas possíveis e imagináveis e pensam estar seguras. E isso é uma enorme ilusão, pois você tem bem pouco controle sobre aquilo acontece na sua vida, não importa o quanto se esforce – veja o que Jesus disse em Mateus 6:27:
Quem de vocês, por mais que se preocupe, pode acrescentar uma hora que seja à sua vida?
 Tentar controlar tudo é como “correr atrás do vento”, expressão muito comum no livro do Eclesiastes. É algo sem propósito e só traz ansiedade e frustração. Isso não quer dizer que você não deva planejar suas inciativas e acompanhar os resultados que obtém – lembre-se da metáfora do sinal amarelo, que aponta para a necessidade de tomar precauções. Mas, não se iluda, essas precauções não vão lhe dar nunca o controle total e a segurança completa.

Concluindo essa anatomia do medo, é possível sim lidar adequadamente com ele e, inclusive, usá-lo de forma positiva, naquilo que ele tem de bom, ao mesmo tempo evitando seus muitos aspectos nocivos. E subjugar o medo envolve três coisas importantes. A primeira é exercitar a própria fé – manter a confiança em Deus em todos os momentos e circunstâncias. Sem isso não há como vencer esse desafio.

A segunda coisa importante é não deixar que a irracionalidade tome conta dos seus pensamentos e atitudes. Cuidado para não ficar meio cega quando amedrontado/a. É aí que você vai precisa mais da ajuda externa, de alguém com cabeça fria, para conseguir analisar a situação e tomar as decisões adequadas.

Finalmente, você precisa aprender a ajustar as próprias expectativas. Nunca se esqueça que a vida naturalmente gera ameaças e problemas. E também que a ansiedade nada acrescenta – ela é como uma cadeira de balanço, que gera movimento, mas não tira a pessoa do mesmo lugar. E ainda que a tentativa de controlar tudo é uma ilusão, pois o inesperado é parte da vida. Isso só vai gerar frustração.

Com carinho

sexta-feira, 29 de novembro de 2019

JESUS CHOROU

"Jesus chorou."   João capítulo 11, versículo 35
O versículo acima é o mais curto da Bíblia. Mas ele não é apenas uma curiosidade literária. Sua importância é bem maior do que essa, pois o pequeno texto embute várias lições importantes.
Jesus chorou antes de ressuscitar Lázaro, que tinha morrido dias antes. Esse homem, juntamente com suas irmãs Maria e Marta, formava uma família muito querida por Jesus. Ele sempre se hospedava na casa da família de Lázaro quando visitava Jerusalém.

Jesus chorou a morte de uma pessoa querida. E aí está a primeira lição desse pequeno versículo: homens também choram. Parece surpreendente ter que falar sobre isso, mas evitar o choro, por vergonha de parecer fraco, ainda é uma lição frequentemente passada para os filhos em nossa sociedade machista. "Choro não é coisa de homem", ensinam esses pais.

E Jesus provou que homens choram sim, quando há motivo para isso. E não há vergonha em chorar, pois isso não desmerece ninguém. Muito ao contrário, o choro prova que o homem é sensível.

A segunda lição a ser tirada desse versículo mostra Jesus solidário com a dor física e emocional das pessoas. Ao viver neste mundo, Jesus aprendeu como é difícil sofrer. E Ele acabou passando por grandes sofrimentos, culminando com uma morte horrível na cruz.
A solidariedade de Jesus com a dor humana permanece até hoje. Isso significa que Deus se solidariza quando você sofre e chora junto com você. Portanto, você nunca estará sozinho/a quando em sofrimento. Jesus estará ao seu lado, repartindo sua dor e consolando você.
O terceiro ensinamento fica evidente na continuação da história, depois que Lázaro foi ressuscitado. Jesus não se limitou a chorar a perda do amigo querido. Ele fez mais: agiu de forma decisiva para resolver aquela situação difícil.

O choro de Jesus não é apenas uma forma solidariedade conosco. É muito mais: esse choro anuncia uma ação restauradora. Uma ação que muda a situação e transforma lágrimas em motivo de júbilo e gratidão a Deus.

"Jesus chorou". Uma frase muito pequena com um significado tão grande.

Com carinho.

quarta-feira, 27 de novembro de 2019

POBRE DIA DE AÇÃO DE GRAÇAS

Estamos comemorando o dia mundial de ação de graças. Essa tradição nasceu nos Estados Unidos e que acabou se espalhando por muitos países.  Lá é chamada de "Thanksgiving Day". No Brasil, sua comemoração fica restrita às igrejas evangélicas - na minha igreja sempre fazemos uma grande comemoração.

Infelizmente, há uma grande transformação para pior na comemoração do dia de Ação de Graças. Nos Estados Unidos, essa comemoração virou uma oportunidade para comer um farto almoço em família, que precisa incluir peru assado, e depois ver programações especiais na televisão. Bebe-se muito também.

E o dia seguinte, a chamada "sexta feira negra" ("black friday"), é quando o comércio faz promoções inacreditáveis, atraindo multidões de consumidores ávidos por aproveitar os preços baixos. E essa tradição está começando a pegar no Brasil também.

Comida e bebida em excesso, programação especial na televisão e grandes descontos para incentivar o consumo, a comemoração do dia de Ação de Graças está cada vez mais se afastando do seu propósito inicial, que é agradecer as bênçãos recebidas de Deus. Há cada vez menos orações, louvores e leituras bíblicas voltadas a demonstrar gratidão a Deus. As outras coisas tornaram-se muito mais importantes, acabaram virando a verdadeira razão para comemorar.

O mesmo está acontecendo com a comemoração do Natal, que acabou totalmente desvirtuada. Essa data, originalmente, era destinada a comemorar o nascimento de Jesus. A festa era para Ele e essa era a justificativa para enfeitar as casas e reunir a família - ler a Bíblia, cantar músicas especiais e encenar contos de Natal. Mas, o Natal acabou virando a festa do comércio: todo mundo nas ruas para comprar presentes, depois uma ceia no dia 24, com muita comida e bebida, e a distribuição dos presentes. E nada de lembrar de Jesus, exceto no presépio, nos poucos casos em que ele se faz presente.

A Páscoa, a data mais importante da cristandade, pois comemora a morte de Jesus na cruz e sua ressurreição, vai pelo mesmo caminho. Ao invés das pessoas meditarem sobre o significado do sacrifício de Jesus, virou o dia para comer chocolate. Quem dá as cartas é o "coelho" e, no máximo, as pessoas assistem um filme velho sobre a vida de Jesus na televisão.

O fato é que as datas religiosas importantes acabaram engolidas pelo comércio e pelo lazer. As práticas seculares desvirtuaram totalmente o significado do que deveria ser comemorado na Páscoa, no Natal e no Dia de Ação de Graças.

Amanhã, Dia de Ação de Graças, mesmo não sendo feriado no Brasil, lembre-se de dedicar uns bons minutos para agradecer a Deus as bençãos recebidas, juntando-se a milhões de pessoas que, felizmente, ainda não perderam o sentido original da comemoração. 

Somos totalmente dependentes das bençãos de Deus - afinal, tudo que existe foi criado e é mantido em funcionamento pelo seu poder. Simples assim.

E quando somos sinceramente gratos, deixamos de colocar a nós mesmos como o centro e a razão para tudo que existe. E encontramos, em Deus, um novo sentido, muito maior e mais profundo, para nossas vidas. 

Com carinho

segunda-feira, 25 de novembro de 2019

TRAJES

Quando você vai num parque, é possível ver as pessoas usando os trajes os mais diversos. A maioria das pessoas, talvez, esteja com roupa esportiva, pois quer praticar exercícios. Mas, também há quem esteja com roupas de passeio e até mesmo com roupas de casamento, para tirar fotos.

Os trajes que as pessoas usam, portanto, representam seus interesses diretos naquele momento - o que querem fazer, a causa que estão apoiando e assim por diante.

Aí eu faço uma pergunta para você: que traje você usaria para representar Jesus? Algumas pessoas acham que basta vestir um camiseta estampadas com símbolos religiosos cristãos ou versículos bíblico, que imediatamente vão passar a mensagem que Jesus está na vida dela. Mas, não é bem assim.

Que adianta as pessoas estarem suando símbolos religiosos se, ao mesmo tempo, são mal educadas e agressivas com o próximo? Na verdade, para representar Jesus bem neste mundo é preciso passar para o próximo o amor que Ele nos ensinou a ter, a paz que vem dele ou a esperança que só a fé verdadeira trás. A forma de representar Jesus não é um traje externo e sim algo que vem de dentro, que está no interior.

E é sobre isso que eu falo no meu mais novo vídeo - veja aqui.

Veja outros vídeos recentes meus aqui e aqui.

sábado, 23 de novembro de 2019

QUANDO O MEDO AJUDA

O medo é uma das emoções mais complicadas que existem. E às vezes o medo atrapalha e, noutras vezes, ele ajuda. O medo pode paralisar, impedindo que a pessoa progrida e venha a alcançar seus sonhos. Ele pode indicar também falta fé em Deus e uma vida espiritual pobre. Mas, também pode ser um amigo, alertando do perigo e fazendo a pessoa se prevenir.
Em diversos outros textos da série sobre o medo aqui no site, falei muito sobre o lado negativo do medo. Hoje é a hora de falar do outro lado: sobre quando o medo ajuda.

Outro dia li o depoimento de uma jovem executiva que sofria nas mãos de um chefe emocionalmente abusivo. Ele espalhava o terror entre seus subordinados e parecia sentir prazer com isso. O medo e o estresse dessa moça chegaram a um nível insuportável e isso obrigou-a a agir – era uma questão de sobrevivência.  

Quando entrou na reunião decisiva, onde estavam seu chefe, o chefe dele e outras pessoas, ela estava tremendo e suando frio. As pernas bambearam. Mas, não havia alternativa. A jovem enfrentou o chefe e, para surpresa dela mesma, venceu a parada.

Depois da reunião, ela sentiu grande alívio. Foi como se um peso enorme tivesse sido tirado das suas costas. E só aí ela se deu conta que o medo a tirara da sua zona de conforto. Empurrara-a para agir. O medo fora seu amigo.
A Bíblia também tem relatos de situações assim. Por exemplo, Davi, antes de subir ao poder, foi muito perseguido pelo rei Saul, que tinha ciúme da sua popularidade entre o povo de Israel. Davi precisou fugir várias vezes e viveu uma vida errante, sem ter pouso certo. A certa altura dos acontecimentos, Davi passou a morar na cidade de Queila, em relativo conforto. Tudo parecia bem. Mas, aí se deu conta de haver perigo à vista - veja o relato de 1 Samuel 23:10-13:
Então orou: "Ó Senhor, Deus de Israel, este teu servo ouviu claramente que Saul planeja vir a Queila e destruir a cidade por causa dele. Será que os cidadãos de Queila me entregarão a ele? Saul virá de fato, conforme teu servo ouviu? Ó Senhor, Deus de Israel, responde". E o Senhor disse: "Ele virá". Davi, novamente, perguntou: "Será que os cidadãos de Queila entregarão a mim e a meus soldados a Saul? " o Senhor respondeu: "Entregarão". Então Davi e seus soldados, que eram cerca de seiscentos, partiram de Queila, e ficaram andando sem direção definida. Quando informaram a Saul que Davi tinha fugido de Queila, ele interrompeu a marcha.
Davi ficou sabendo que Saul vinha no seu encalço. E sentiu medo. Como Queila era uma cidade murada, os muros da cidade o protegeriam de um ataque de surpresa, mas também poderiam se transformar numa arapuca, impedindo-o de fugir, caso fosse necessário. Tudo iria depender, portanto, da fidelidade dos líderes da cidade para com ele.
O medo de Davi fez com que ele ficasse alerta e perguntasse a Deus sobre sua situação. Perguntou o que iria lhe acontecer, caso continuasse em Queila. E Deus respondeu que ele seria traído e entregue a Saul. Essa passagem traz um ensinamento paralelo importante – Deus não sabe somente o que vai acontecer, mas também o que poderia ter acontecido em diferentes circunstâncias (o chamado conhecimento hipotético).

A partir da revelação que Deus lhe deu, Davi saiu do seu relativo conforto e fugiu de novo, voltando à vida errante. Mas, conservou a vida.
O medo ensina
Todo sentimento forte tem algo a informar e, portanto, precisa ser escutado. No caso do medo, antes de qualquer coisa, é preciso entender que se trata de um processo provocado por reações químicas no cérebro, começando com uma descarga de adrenalina, seguida de aceleração cardíaca, tremores e suores frios. O gatilho desse processo é um estímulo físico e/ou mental, ou seja, um sinal qualquer de perigo.
Essa resposta fisiológica tem por objetivo preparar o corpo humano para fugir ou reagir às ameaças. E sem ela, não haveria como a pessoa se antecipar ao perigo. Ela continuaria agindo normalmente, sem perceber a ameaça. Nesse sentido, o medo é uma reação útil, pois ajuda a manter a integridade física e emocional da pessoa.

Fica claro, então, que o medo é inevitável e, portanto, não se trata de tentar evitá-lo, coisa impossível. Lembro que até Jesus teve medo, na noite em que foi preso, quando estava orando no jardim do Getsêmani – Ele chegou a suar sangue. A questão real é aprender a lidar com esse sentimento de forma positiva. Transformá-lo num amigo. Trata-se de conquistar o medo.
Uma boa metáfora para explicar a postura adequada diante do medo é a luz amarela de um semáforo. Trata-se de um sinal de alerta, levando o motorista a tomar cuidado. Em outras palavras, a presença do medo indica ser preciso avaliar a situação e tomar as necessárias cautelas, antes de prosseguir. O medo avisa sobre o perigo de agir de forma impulsiva, pois poderá isso poderá trazer grande arrependimento.
Agora, o medo não pode ser visto como uma luz vermelha, aquela que manda parar imediatamente e não mais seguir em frente. Considerar o medo como uma luz vermelha, sem qualquer análise mais profunda da situação, faz com que a pessoa fique paralisada e inibida, que já discutimos em outro momento (veja mais).

Outro aspecto importante do medo é que ele é bom nas doses certas e quando dirigido para o alvo correto. Quando leva você a refletir e se acautelar. E é ruim quando extrapola do razoável e/ou é focado no lugar errado. Como, então, separar o medo “bom” do medo “ruim”? De que forma diferenciar entre o medo que ajuda daquele que atrapalha? Você precisa desenvolver discernimento e há cinco coisas que ajudam muito a fazer isso:
A primeira delas é orar sempre. Pedir a Deus sabedoria e discernimento para entender a situação à sua frente, as causas do seu medo e assim por diante. Todos os grandes heróis da fé tinham na oração constante seu principal trunfo.
Segundo, aprenda a fazer seu “inventário” emocional. Isto é, passe a entender os próprios sentimentos e como eles influenciam seu comportamento. Torne-se consciente dos sinais que seu corpo emite e aprenda a decodificar essas informações. E uma coisa que ajuda muito nesse aprendizado é fazer “autópsias”, ou seja, analisar suas reações em eventos passados e as consequências delas. Tentar entender qual foi o encadeamento de pensamentos que levou você a agir de uma forma e não de outra.

A terceira delas é adquirir a capacidade de separar o “joio” do “trigo”, isto é, passar a entender claramente o que é importante em cada situação que vier a desafiar você. Isso parece simples de fazer, mas as pessoas costumam ter muita dificuldade em separar o “joio” do “trigo”, pois confundem o importante com aquilo que é acessório.
Há um exemplo disso na Bíblia que é muito bom. Certa vez Jesus estava na casa de Lázaro, Marta e Maria. E estava ensinando às pessoas presentes. Maria sentou-se aos pés de Jesus e ouvia seus ensinamentos, mas Marta ficou pela casa, atarefada com os trabalhos domésticos, e acabou se incomodando com a aparente “folga” da irmã. Veja o relato de Lucas 10:38-42):
Caminhando Jesus e os seus discípulos, chegaram a um povoado, onde certa mulher chamada Marta o recebeu em sua casa. Maria, sua irmã, ficou sentada aos pés do Senhor, ouvindo-lhe a palavra. Marta, porém, estava ocupada com muito serviço. E, aproximando-se dele, perguntou: "Senhor, não te importas que minha irmã tenha me deixado sozinha com o serviço? Dize-lhe que me ajude!" Respondeu o Senhor: "Marta! Marta! Você está preocupada e inquieta com muitas coisas; todavia apenas uma é necessária. Maria escolheu a boa parte, e esta não lhe será tirada".
Marta tinha boa intenção, apenas queria receber bem seu hóspede (Jesus). Mas, perdeu noção daquilo que importava verdadeiramente. Maria, sua irmã, entendeu melhor qual deveria ser sua prioridade e focou naquilo que de fato importava.
Assim como aconteceu com Marta, é comum a pessoa focar naquilo que importa pouco, mas, por algum motivo, lhe angustia. E o que importa, no caso do medo, é entender os gatilhos que levam a pessoa a reagir dessa forma, os dados da realidade à sua frente e as possíveis consequências dos seus atos. As outras importam menos.
Em quarto lugar, é preciso ter capacidade de aprender. Há pessoas que conseguem usar suas próprias experiências de vida para crescer. Já outras repetem continuamente seus passos, fazendo as mesmas escolhas repetidamente e, mesmo assim, se irritam quando colhem os mesmos resultados ruins.
José aprendeu com sua experiência. Ele era um adolescente mimado, por ser o filho preferido de Jacó. Não tinha muita sensibilidade para o ciúme que despertava nos dez irmãos mais velhos – não se importava muito com isso. Nunca se deu conta dos sinais de perigo.

Um dia os irmãos decidiram ser ver livre dele e o venderam como escravo para uma caravana que ia para o Egito. Chegando naquele país, José teve uma vida muito difícil, mas, com a ajuda de Deus, acabou progredindo e chegou a ser o primeiro-ministro do faraó. E, nesse cargo, José conseguiu salvar sua família, quando ela passou por grave crise de falta de alimentos em Canaã.
José aprendeu com seu sofrimento e mudou. Tanto assim, que perdoou os irmãos e conseguiu entender que sua trajetória cumpriu um plano divino. José entendeu que Deus tinha feito do “limão” uma “limonada” na sua vida e aprendeu com essa constatação.
Finalmente, é preciso pedir ajuda quando o medo bate às portas. E essa ajuda pode vir de mentores, pastores, terapeutas e/ou familiares. O importante é encontrar alguém que possa ajudar você a analisar suas questões de vida, de forma racional. E, inclusive, entender os eventuais desdobramentos espirituais das suas possíveis decisões.

Os homens têm muito mais dificuldade de fazer isso do que as mulheres. Eles frequentemente acham que buscar ajuda é prova de fraqueza e negam-se a dar esse passo. E com isso jogam fora um instrumento que poderia vir a ajudá-los muito.

Mulheres usam melhor esse recurso, mas, às vezes, cometem o erro oposto. Falam com gente demais, procuram conselhos em todos os lugares e acabam confusas, pois recebem sugestões contraditórias. Isso quando não dão origem a fofocas por sua incontinência verbal.

Esses cinco passos vão ajudar você a entender se o medo à sua frente é do tipo “bom” ou “ruim” e orientá-lo na melhor forma de lidar com ele. Sempre com ajuda de Deus. Amém.

quinta-feira, 21 de novembro de 2019

JESUS E O BATISMO DE ARREPENDIMENTO


Você sabia que Jesus foi batizado para arrependimento? Esse é um dos fatos mais importantes da vida de Jesus e ocorreu logo no início do seu ministério.

O batismo de Jesus foi ministrado por João Batista (veja mais), que vinha chamando o povo de Israel para o arrependimento – o povo devia abandonar seus caminhos maus e se arrepender dos pecados cometidos (Mateus capítulo 3, versículos 1 a 10).

Agora, por que Jesus se deixou batizar para arrependimento já que não tinha pecados e, portanto, é não tinha do que se arrepender? Essa é uma pergunta muito coerente que merece atenção.
Como Deus lidou com o povo de Israel
Deus lidou com o povo de Israel, segundo o relato do Velho Testamento, de forma diferente do que Ele lida conosco hoje em dia. Israel era o povo escolhido e estava debaixo da promessa dada a Abraão e depois reafirmada a Moisés, Davi, etc.
Portanto, quem nascia dentro desse povo herdava automaticamente todas as promessas feitas por Deus e passava a fazer parte da Aliança feita com Abraão. Mas, assim como havia promessas coletivas para Israel, cuja posse podia ser reivindicada por qualquer pessoa que pertencesse a esse povo, também havia responsabilidades coletivas.
Assim, certos pecados cometidos por um único israelita podia ter reflexo no povo como um todo. Um bom exemplo disso é o caso de Acã, que desobedeceu a Deus e causou a derrota de Israel na batalha pela cidade de Aí (Josué capítulo 7).

É claro que também existiam pecados - como o adultério ou o roubo - para os quais a responsabilização era individual, como foi o caso do rei Davi, ao adulterar com Bate-Seba.

Os pecados que tinham impacto coletivo eram aqueles relacionados diretamente com a Aliança de Israel com Deus - adoração a outros deuses, desobediência a Deus, revolta contra os líderes indicados por Ele, etc.
Jesus e o pecado do povo de Israel
Jesus era judeu e participou das práticas religiosas daquele povo – respeitava os feriados religiosos, foi circuncidado, não comia alimentos proibidos, etc. Pode parecer estranho afirmar isso, mas, Jesus, como parte do povo escolhido, estava dentro da Aliança feita por Deus com Abraão. Assim, Jesus também era coletivamente responsável pelos pecados cometidos por outros judeus contra a Aliança com Deus, mesmo não tendo cometido nenhum pecado individual.
Em outras palavras, Jesus não pecou pessoalmente mas carregou sua parte da culpa coletiva de Israel. E a Bíblia deixa isso claro: quando Jesus se aproximou para ser batizado, João Batista lhe disse que não podia batizá-lo, pois não era digno de fazer isso. E Jesus respondeu: "...Deixa, por enquanto, para que se cumpra toda a justiça..." (Mateus capítulo 3, versículos 13 a 15).
"Justiça" na frase acima tem o significado de cumprimento da lei dada por Deus a Moisés. Ou seja, como judeu, Jesus carregava seu quinhão dos pecados coletivos de Israel, embora não fosse diretamente responsável por nenhum deles. Daí fazia sentido que Jesus se batizasse pelo arrependimento coletivo do povo, cumprindo a lei dada por Deus a Moisés.
Comentários finais
Vivemos hoje dentro da chamada Nova Aliança, caraterizada pela morte de Jesus na cruz para remissão dos nossos pecados (Mateus capítulo 26, versículos 26 a 28). A nova Aliança não é coletiva, como é a Aliança feita por Deus com o povo de Israel. A  nova Aliança é individual.
Cada pessoa entra na nova Aliança quando aceita Jesus como seu Salvador e não por ser descendente de outra (como acontecia na Aliança com Israel). Assim, na nova Aliança ninguém pode transferir sua salvação para outra pessoa, mesmo seus descendentes. Casa pessoa precisará tomar esse passo por si mesma. 

Em contrapartida, na nova Aliança ninguém precisa carregar pecados coletivos. Cada pessoa é responsável apenas pelo que faz individualmente e só precisa se arrepender disso. 

Portanto, na nova Aliança o gesto de Jesus - deixar-se batizar por João Batista para arrependimento - não faz sentido, pois Ele não tinha pecados pessoais. Mas, como Jesus viveu dentro da Aliança com israel, esse batismo passa a fazer todo sentido.

Com carinho